segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Com Oscar de Melhor Atriz, "O Quarto de Jack" consagra Brie Larson e uma história envolvente e tocante

Mãe e filho passam anos encarcerados e fazem de seu quarto um mundo diferente (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


O que torna "O Quarto de Jack" ("Room") fora do comum e contundente não se resume ao fato de ele contar a história de mãe e filho que vivem no cativeiro durante anos, confinados num pequeno cômodo. A história surpreende principalmente na sua segunda metade, quando ambos têm que enfrentar a liberdade. Sim, os dois conseguem fugir do algoz e carcereiro que os mantém - e contar isso não é nenhum spoiler.

Resumindo: aos 17 anos, Joy (Brie Larson) é sequestrada por um homem que a mantém presa num quarto. Dois anos depois, ela tem um filho do sequestrador, o "velho Nick" (Sean Bridgers), que continua visitando-a e subjugando-a periodicamente. 

É nessa prisão que o pequeno Jack (Jacob Tremblay) cresce e chega aos cinco anos, tendo como companhia apenas a mãe e um aparelho de TV. Não é preciso dizer que a realidade dele é distorcida e limitada, embora não pareça angustiante ou claustrofóbica, mérito da mãe que, com amor, consegue preencher todas as lacunas e responder todas as perguntas.

Houve quem encontrasse semelhanças entre "A Vida É Bela", comédia em que pai e filho vivem num campo de concentração, e "O Quarto de Jack". Pode ser. Nos dois casos, é o amor que transforma e dá leveza e graça às penúrias e perigos do cativeiro. A diferença é que, neste de agora, o filme é narrado sob a ótica da criança. De dentro do armário onde dorme, Jack acompanha com naturalidade as visitas do "velho Nick" à sua mãe.

"O Quarto de Jack" é baseado no livro "Room", de Emma Donoghue que, por sua vez, foi inspirado no conhecido Caso Fritz, de 2008, quando veio à tona o episódio do austríaco que, durante 24 anos, manteve a própria filha presa em casa. 

O que a autora criou a partir desse drama - foi ela a responsável pelo roteiro do filme - mais a direção delicada e até poética de Lenny Abrahamson fazem do longa um filme para não ser esquecido. Por um bom tempo, o espectador vai se questionar sobre as idiossincrasias que fazem do humano um ser surpreendentemente inusitado.

A excelente atuação de Brie Larson lhe garantiu a estatueta de Melhor Atriz do Oscar 2016, além de outras premiações do mundo cinematográfico. Sem contar a interpretação do garoto Jacob Tremblay, uma incrível e simpática revelação que encantou a todos durante suas participações em entregas de prêmios de Hollywood.

"O Quarto de Jack" ainda está em exibição nos cinemas de BH e pode (deve) ser conferido nas salas 2 do Belas Artes (sessão de 15 horas), 1 do Diamond Mall (17h20), 3 também do Diamond Mall (14h40), 2 do Pátio Savassi (16h30, 19h15, 22h15) e 3 do Net Cineart Ponteio (17h15, 18h30 e 20h50), na versão legendada. Classificação: 14 anos


Tags: #Oquartodejack, #BrieLarson, #JacobTremblay, #LennyAbrahamson, #drama, #UniversalPictures, #amor, #maeefilho, #cativeiro, #Oscar2016, Melhoratriz, #CinemanoEscurinho, #TudoBH

"Spotlight - Segredos Revelados" escolhido Melhor Filme e Leonardo DiCaprio Melhor Ator no Oscar 2016

"Spotlight - Segredos Revelados" fica com Melhor Filme (Fotos Divulgação)


Maristela Bretas


E finalmente Leonardo DiCaprio ganhou sua primeira e tão cobiçada estatueta de Melhor Ator do Oscar, premiação que ele desejava há anos e sempre ficava de fora na última hora, apesar de excelentes trabalhos anteriores. Ele foi aplaudido de pé pela platéia, agradeceu a toda a equipe, o diretor e pediu mais atenção à natureza e às minorias. 

Morgan Freeman, ganhador de um Oscar e indicado a outros quatro, anunciou a produção vencedora da noite. O prêmio ficou para "Spotlight - Segredos Revelados", que trata da investigação de um grupo de jornalistas de abusos sexuais cometidos por padres da Igreja Católica. Apesar de suas 12 indicações ao Oscar 2016, "O Regresso", só levou um prêmio, o de Melhor Diretor para Alejandro Gonzalez Iñárritu. Já "Mad Max - Estrada da Fúria", foi o grande vencedor, com seis estatuetas, das dez indicações que ele disputava.

Com apresentação oficial do ator e comediante Chris Rock, como em anos anteriores, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou na noite de domingo e madrugada desta segunda-feira os vencedores das 24 categorias concorrentes. A 88ª Edição do Oscar, realizada no Dolby Theatre em Los Angeles, premiou os melhores atore, técnicos se filmes de 2015 e foi marcada por polêmicas de possível racismo pela falta de negros entre os candidatos. Rock lembrou a questão da falta de negros no Oscar e falou que se ele não fosse o apresentador seria Neil Patrick Harris. E finalizou pedindo as mesmas oportunidades em papéis para negros e brancos.


"Ex-Machina: Instinto Artificial" foi a zebra da noite ao conquistar a estatueta de Melhores Efeitos Especiais, disputando com "Mad Max - Estrada da Fúria" e "Star Wars - O Despertar da Força".A animação brasileira "O Menino e o Mundo" não levou, mas os criadores ficaram bem satisfeitos com a indicação. Já os chilenos de "A História do Urso" saíram com o prêmio de Melhor Curta de Animação.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi recebido com palmas e  fez um discurso contra a violência sexual a estudantes nas escolas. Em seguida, anunciou a cantora Lady Gaga, que interpretou a canção "Til it happens to you", do filme ("The Hunting Ground"), uma das candidatas. Uma apresentação comovente, com coral e corpo de baile de jovens, mas que não foi suficiente para garantir a estatueta de Melhor Canção Original. O prêmio ficou para a "Writing's on the wall", interpretada por Sam Smith (tema do filme "007 Contra Spectre").

Veja a lista dos vencedores do Oscar 2016:

MELHOR FILME
"Spotlight - Segredos Revelados"

MELHOR ATOR 
Leonardo DiCaprio ("O Regresso")

MELHOR TRILHA SONORA
"Os 8 Odiados", de Ennio Morricone"

MELHOR DIRETOR
Alejandro G. Iñárritu ("O Regresso"), que conquista o segundo Oscar consecutivo. O primeiro foi em 2015 com "Birdman"


MELHOR ATRIZ
Brie Larson ("O Quarto de Jack")

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"O Filho de Saul" (Hungria)


MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
"Mad Max - Estrada da Fúria"


MELHOR ATOR COADJUVANTE 
Mark Rylance, em "Ponte dos Espiões"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"A Grande Aposta"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Spotlight - Segredos Revelados"


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alicia Vikander, em "A Garota Dinamarquesa"

MELHOR FOTOGRAFIA
"O Regresso", de Emmanuel Lubezki (que levou o terceiro Oscar consecutivo)

MELHOR FIGURINO
"Mad Max - Estrada da Fúria"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"Ex-Machina: Instinto Artificial"

MELHOR MONTAGEM 
"Mad Max - Estrada da Fúria"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"Mad Max - Estrada da Fúria"

MELHOR MIXAGEM DE SOM
"Mad Max - Estrada da Fúria"

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM

"Mad Max - Estrada da Fúria"

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
"A História do Urso", uma produção chilena de Gabriel Osorio e Pato Escala

MELHOR ANIMAÇÃO 
"Divertida Mente", dos estúdios Disney-Pixar

MELHOR CURTA DE LIVE ACTION
"Stutterer"

MELHOR DOCUMENTÁRIO
"Amy"

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM
"A Girl in the River: The Price of forgiveness"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Writing's on the wall", Sam Smith ("007 Contra Spectre")




sábado, 27 de fevereiro de 2016

Sem heróis nem vilões, “A Grande Aposta” chega como um dos favoritos ao Oscar 2016 de Melhor Filme

Baseado na crise econômica de 2008, filme mostra a história de quem tentou ganhar dinheiro com a quebra do mercado imobiliário dos EUA (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)


Jean Piter Miranda


O mercado imobiliário está em alta. Muita gente comprando casas, mansões e apartamentos. Outros estão trocando por imóveis maiores, mais caros e mais luxuosos. Tudo estaria perfeito nesse cenário se não fosse um pequeno enorme problema: É tudo fiado! E a maioria dessas pessoas não terá condições de arcar com as prestações. Pois bem, esse foi o contexto real que levou os Estados Unidos à crise de 2008. E é baseado nesses fatos que foi feito o longa-metragem “A Grande Aposta” (2015), um dos principais concorrente ao Oscar 2016 de Melhor Filme. 

A história gira em torno de quatro personagens principais. Michael Burry (Christian Bale), dono de uma pequena empresa de investimentos. O corretor Jared Vennett (Ryan Gosling), Mark Baum (Steve Carell), proprietário de uma corretora, e Ben Rickert (Brad Pitt), um ex-investidor que vive recluso, bem longe do mercado financeiro, mas que acaba voltando à ativa. 

Burry é um sujeito bem esquisito. Ele percebe que o mercado imobiliário logo irá quebrar. Ele até tenta avisar o governo, mas ninguém dá bola para alguém que tem cara de doido. E que, pra piorar, está afirmando que o então setor mais rentável e seguro da economia americana está perto de falir. Burry começa a investir alto contra os bancos, fazendo seguros que garantam uma boa grana, caso a inadimplência chegue a um ponto insustentável. Uma “loucura” para a maioria. 

A notícia dos novos investimentos de Burry corre. Vira motivo de piada. Mas, outros dão crédito. É o caso de Vennett, Baum e Rickert. Com histórias paralelas, ambos vão investigando se o mercado imobiliário vai mesmo quebrar. Ou seja, se vale a pena apostar na aposta de Burry. O espectador se sente num jogo de xadrez acelerado.

O ponto alto de “A Grande Aposta” é o elenco. Não apenas por ser formado por estrelas, mas por elas brilharem tanto. Christian Bale faz mais uma interpretação marcante. Ryan Gosling transmite a arrogância exata de seu personagem. Steve Carell é uma pilha cômica de tensão. Brad Pitt tem um papel mais discreto, mas executado na medida certa, sem ficar devendo nada.

O filme é sobre macroeconomia. Mas não é chato. O personagem de Ryan Gosling, por várias vezes, conversa com o público para explicar, de forma bem simples, o que está acontecendo. Outras personalidades aparecem apenas para explicar termos do economês. Até os investimentos mais complicados, de nomes mais estranhos, vão ficando compreensíveis. Uma boa sacada do diretor Adam McKay.

“A Grande Aposta” é uma comédia que dói como um soco no estômago. É como se perguntasse por que a gente não faz nada contra isso. O mercado financeiro é ironizado, a cultura do consumismo é questionada, e a omissão e conivência do Estado são colocadas às claras. É pra rir e também refletir. O grande vilão da história é o sistema. Num mundo onde não há heróis. Ninguém quer salvar nada que não seja a própria pele, ou melhor, o próprio bolso. Na verdade, todos querem mesmo é se aproveitar da situação.



O filme é bem dinâmico, transmite bem o ritmo das bolsas de valores, do mundo formado por fundos de investimento, agências de classificações de riscos. Um lugar onde não há espaço para ética, só para o lucro. Lucro que é pago por pessoas normais, como eu e você.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Adam McKay
Produção: UIP Türkiye / Plan B / Regency Enterprises
Distribuição: Paramount Pictures
Duração: 2h11
Gêneros: Drama / Comédia / Biografia
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #Agrandeaposta, # ChristianBale, #BradPitt, #StevenCarrell, #RyanGosling, #AdamMcKay, #drama, #comédia, #biografia, #ParamountPictures, #CinemanoEscurinho, #TudoBH

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

"Pai em Dose Dupla" exige paciência em dobro para ir até o final

Comédia é um desperdício dos talentos de Will Ferrell e Mark Wahlberg (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Will Ferrell e Mark Wahlberg formam uma dupla que tem sintonia em cena e já provaram isso. Mas na comédia "Pai em Dose Dupla" ("Daddy's Home") a parceria não conseguiu salvar a produção. Comédia ruim, fraca, sem graça, com história muito boba e manjada. Um desperdício de talento.

Wahlberg oscila entre produções boas e ruins e já tem um tempo que não emplaca um filme para deixar sua marca, como aconteceu com "Ted", de 2012 (o segundo, de 2015, ficou a desejar), "Transformers: A Era da Extinção" (2014) e "O Grande Herói" (2013). Talento ele tem, mas não está dando sorte em papéis recentes.



Já Ferrell não sai de sua zona de conforto e é melhor dublando animações ("Uma Aventura Lego", de 2014 e "Megamente", de 2010) do que fazendo as mesmas caras e bocas em todas as comédias das quais participa. Nesta ele ainda se aventurou como um dos produtores.

Na história, Brad (Ferrell) se casa com Sara (Linda Cardellini), mãe de um casal de crianças, que ele precisa batalhar para conquistar a confiança. Até que o pai dos jovens, Dusty (Wahlberg) reaparece querendo retomar seu lugar. Brad precisará entrar numa briga pesada para não perder sua família e o comando de sua casa para o rival bonitão e musculoso.

"Pai em Dose Dupla" é um filme dispensável. Do tipo que você esquece a história ao sair do cinema. Vale, quando muito, assistir numa sessão da tarde, se não tiver melhor opção de programa.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Sean Anders e John Morris
Distribuição: Paramount Pictures / Good Universe
Duração: 1h36
Gênero: Comédia
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 2 (0 a 5)

Tags: #Paiemdosedupla, #MarkWahlberg, #WillFerrell, #Comédia, #ParamountPictures, #CinemanoEscurinho

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

História fraca é a desvantagem de "O Lobo do Deserto" na disputa do Oscar 2016

Filme conquistou a estatueta do Bafta de Melhor Filme de Língua Estrangeira (Fotos: Paris Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


Disputando a estatueta do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro com o forte candidato "Filho de Saul", a produção jordaniana "O Lobo do Deserto" ("Theeb") já conquistou prêmios na Mostra Internazionale D'Arte Cinematografica de Veneza e venceu o Bafta como Melhor Filme de Língua Estrangeira. Mas não deverá representar um grande risco ao drama húngaro, que está mais bem cotado pela crítica especializada.

A história é previsível, com boas locações, mas nada muito diferente. E foca na aventura de Theeb, interpretado com muita categoria pelo jovem ator Jacir Eid Al-Hwietat. Ele sim é o destaque, ao conseguir transmitir alegria, tristeza ou desejo de vingança em um simples olhar.

Ambientado na Primeira Guerra Mundial, o filme mostra o jovem que passa a ter contato com situações totalmente novas em sua rotina na tribo beduína, ao mesmo tempo em que se diverte com o irmão mais velho, Hussein (vivido pelo ator Hussein Salameh).

Na história, Hussein é designado para acompanhar um militar britânico e seu acompanhante a um poço num local extremamente perigoso do deserto, cheio de ladrões. Theeb resolve segui-los para não se separar do irmão, mas desconhece os perigos que irá enfrentar. 

A história não tem muita novidade e se resolveria em uma hora, não fosse atuação de Jacir Eid. Ao longo da jornada o menino irá passar por uma grande transformação , de criança criada e protegida pelo irmão e pela tribo a um jovem amadurecido na marra para conseguir sobreviver à violência do deserto e dos homens.

O diretor Naji Abu Nowar tentou ser o mais fiel possível à realidade dos povos da região. Mas foi difícil assistir a maior parte do filme com as moscas entrando na boca e nas feridas dos atores. Uma "gastura", necessária, mas que incomoda.


O filme está em exibição nas salas 2 do Ponteio Lar Shopping, com sessões às 14h20, 16h35 e 18h50 e na 3 do Belas Artes, sessões às 19h40 e 21h40.

Ficha técnica:
Direção: Naji Abu Nowar
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h40
Gêneros: Aventura / Drama / Suspense
Países: Jordânia / Emirados Árabes / Reino Unido / Qatar
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #Olobododeserto, #Theeb, #Jordania, #NajiAbuNowar, #JacirEidAl-Hwietat, #aventura, #drama, #ParisFilmes, #CinemanoEscurinho, #TudoBH

domingo, 21 de fevereiro de 2016

"Epa, Cadê o Noé?" é animação sobre amizade e diferenças para agradar aos pequenos

Animação é ambientada na época do dilúvio, com direito a Arca de Noé (Fotos: Divulgação)


Maristela Bretas


Mais de um ano após sua criação, somente neste mês entrou nos cinemas brasileiros a animação "Epa, Cadê o Noé?" ("Ooops ! Noah is gone"), resultado da união de quatro países - Alemanha, Irlanda, Luxemburgo e Bélgica. E tem tudo par agradar aos "pequenos". Amizades estranhas, bichos ainda mais estranhos e coloridos, aventura e, claro, um final feliz.

Não poderia ser diferente, afinal á um filme destinado a crianças pequenas, com classificação livre e falando de "bichinhos". Mesmo que á época seja a do dilúvio. Com exceção que nesta história, o personagem principal - Noé - não aparece. Ou melhor, desaparece. E a salvação (e seleção) de um exemplar de cada que embarcará na famosa Arca ficará por conta dos próprios animais, sob o comando do rei Leão.

Mas não são os bichos mais comuns que vão viver esta aventura. Ela ficará por conta de uma criatura bem diferente (confesso que nunca havia falar dela) - um Nestrian - chamado Finny. Ele e o pai Dave vivem isolados de tudo e de todos, e quando descobrem que o dilúvio está chegando se candidatam para  embarcar na Arca. Mas a coisa não é tão fácil assim e a dupla desajeitada precisará contar com a ajuda involuntária de duas Grymps - Hazel e a filha Leah - para se esconder a bordo.

Quando a Arca parte, Finny e Leah acidentalmente ficam de fora. Agora os dois vão precisar aprender a conviver sem brigas para sobreviverem a predadores famintos e à inundação. E com a ajuda de novos amigos tentarem chegar ao topo da montanha mais alta para conseguirem socorro. Enquanto isso, Dave e Hazel devem se unir para salvar seus filhos.

Até quinta-feira a animação poderá ser vista nas salas 8 do Shopping Contagem (sessão de 14 horas), 1 do Shopping Monte Carmo, de Betim (também 14 horas) e 5 do Pampulha Mall (14h40 e 16h40), as duas primeiras na versão dublada e na terceira sala legendada.


Ficha técnica:
Direção: Toby Genkel
Produção: Skyline Entertaiment Partners
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h26
Gênero: Animação / Infantil
Países: Alemanha, Irlanda, Luxemburgo, Bélgica
Classificação: Livre
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #Epacadeonoe, #Noé, #Animação, #dilúvio, #aventura, #Paris Filmes, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

"13 Horas" é história verídica sobre soldados nos moldes de "Sniper Americano"

Seis soldados de elite são a salvação de uma base militar na Líbia atacada por terroristas (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


O conflito de um povo que se vê livre da ditadura de mais de 40 anos de Kadafi e ainda tenta se levantar e o surgimento de uma nova facção extremista que quer o domínio dos países asiáticos - o Estado Islâmico. Tudo isso recheado de bombas, tiros, momentos tensos, dramas e a exaltação a seus heróis de guerra americanos, coisa que o Estados Unidos sabe fazer bem. Assim é o enredo de "13 Horas - Os Soldados Secretos de Benghazi", do diretor Michael Bay, o mesmo da franquia "Transformers" e "Pearl Habor".

Baseado em fatos reais, o longa conta a história de seis ex-militares que fazem secretamente a segurança de um complexo da CIA em Benghazi, na Líbia, em 2012, após a queda de Kadafi. Mas a tensão na capital Trípoli e, principalmente na cidade de Benghazi, é crescente e os sírios contrários ao novo governo não aceitam mais a presença dos americanos em seu país. A situação piora com a visita do embaixador Christopher Stevens, que fica hospedado em um posto diplomático.


No aniversário de 11 anos dos atentados do 11 de setembro, o local se torna alvo das forças rebeldes e a única esperança para salvar os quatro americanos que estão sob ataque dos terroristas é o grupo de elite, formado por Jack (John Krasinski), Tanto (Pablo Schreiber), Rone (James Badge Dale), Oz (Max Martini), Boon (David Denman) e John "Tig" Tiegen (Dominic Fumusa). Todos estão bem em seus papéis, com destaque para Krasinzki, Dale e Schreiber.

O filme conta minuto a minuto o drama vivido pelos ex-militares e pelos civis que estavam no anexo e na base da CIA, também ameaçada pelos rebeldes. Ao mesmo tempo em que explora a tensão no país e de um possível ataque Michael Bay levanta a bola para os ex-fuzileiros, mostrando-os como heróis e homens que sofrem por estarem afastados de suas famílias.

Mas a história deixa claro que quando os ataques começam o governo norte-americano ficou apenas observando e não se envolveu para evitar um problema diplomático. Ou seja, largou seus compatriotas na mão e apenas seis ex-militares para fazerem o quase impossível. E como se isso não bastasse, como eram seguranças privados, nem condecorações públicas puderam receber por "não existirem oficialmente no país".

"13 Horas" é indicado para quem gosta de um filme de guerra com muita ação, drama e até uma biografia não tão escancarada, mas com direito a bandeira americana lembrando quem são os mocinhos da história. A produção estreia nesta quinta-feira nos cinemas de BH.

Curiosidade

Em 11 de setembro de 2012, um ataque ao Complexo da Missão Especial do Departamento de Estado dos EUA em Benghazi (Líbia) resultou na morte de quatro pessoas, dentre elas o embaixador Christopher Stevens. 

Os acontecimentos daquele dia repercutem desde então na imprensa de todo o mundo e têm estado também no centro dos debates da atual campanha presidencial norte-americana – já que Hillary Clinton, que hoje disputa, dentro do Partido Democrata, uma indicação para concorrer nas eleições, era secretária de Estado na época.

Obra literária

Aproveitando o lançamento do filme, chega às livrarias pela Editora Bertrand Brasil o livro "13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi" ("13 hours: the inside account of what really happened in Benghazi"), do professor e escritor Mitchell Zuckoff. O livro, que deu origem à produção cinematográfica, tem 350 páginas e sairá a um preço estimado de R$ 45,00.

Para escrever o livro, o autor se juntou a cinco membros da equipe do Anexo de Segurança da CIA em Benghazi. Saídos das forças armadas americanas, esses homens prestavam seus serviços a uma organização secreta que protegia agentes de inteligência no exterior. Contratados pela CIA para atuar na Líbia, eles lideraram um contra-ataque ao atentado e lutaram por 13 horas para resgatar funcionários do Departamento de Estado e moradores do Anexo. Com base nos relatos exclusivos desses oficiais sobreviventes, Zuckoff constrói uma narrativa emocionante e cheia de ação, descrevendo a batalha detalhadamente.




Ficha técnica:
Direção: Michael Bay
Produção e Distribuição: Paramount Pictures
Duração: 2h24
Gêneros: Ação / Guerra / Biografia
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #13horas, #MichaelBay, #Benghazi, #Síria, #ação, #drama, #tensão, #biografia, #soldadossecretos, #CinemanoEscurinho, #TudoBH

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

"Deadpool" é o filme com a "gostosa de plantão", "o vilão britânico" e o "cara que tá se achando"

"Deadpool" é o oposto dos super-heróis e conquista a nova geração com sua ironia e sarcasmo (Fotos: Fox Filme/Divulgação)

Maristela Bretas


Para quem não sabe muito sobre este super-herói diferente, uma boa oportunidade é assistir "Deadpool", filme que traz para as telonas mais um dos personagens da Marvel Comics. Se compararmos com outros companheiros de quadrinhos, ele é vingativo e com poder de regeneração como o Wolverine, tem a agilidade de um Capitão América, se desmancha todo quando está perto de sua mocinha, como o Thor, mas supera a todos com seu sarcasmo e a capacidade de ironizar até mesmo o ator que o interpreta e também um dos produtores, Ryan Reynolds.

Com humor ácido e uma violência latente, sem capacidade de sentir qualquer pena de seus inimigos, ele é uma metralhadora ambulante de palavras. Fala o tempo todo, tira sarro com a cara dos bandidos, não sente medo. Ao contrário, está sempre indo de encontro à morte, como se quisesse acabar com sua vida e seu sofrimento.

E este anti-herói, o pior dos exemplos que a meninada menor de 14 anos pode ter, foi interpretado, ou melhor, incorporado, por Ryan Reynolds, que admite ser um fã do personagem. É como se os dois tivessem sem fundido. Não bastassem as características físicas bem semelhantes, o ator assimilou as inúmeras e insanas facetas de Deadpool. Como o próprio produtor executivo Stan Lee afirmou em entrevista (mais uma vez ele faz uma ponta em um de seus filmes), "nunca houve um personagem como Deadpool e o Ryan Reynolds o interpreta como se tivesse nascido para fazer o papel”.

O ator já havia interpretado o "mercenário tagarela" (como também é chamado) em "X-Men Origens: Wolverine", que ele inclusive critica em uma das cenas. Tudo, na verdade é motivo para ele falar muito e gozar a cara de todos. Somente sua namorada, Vanessa Carlysle (interpretada pela brasileira Morena Baccarin, da série "Gotham) escapa de tanta falação e vingança. 

E todo o sucesso de "Deadpool", poucos dias antes de sua estreia mundial garantiu uma continuação, já confirmada pelos produtores. Neste, possivelmente, Vanessa deverá se transformar também em outra personagem dos quadrinhos Copycat. Os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick (de “Zumbilândia”) foram os responsáveis pelas falas sarcásticas e engraçadas do herói. A isso Tim Miller, que estreia como diretor de um longa-metragem, adicionou muita ação e ótimos efeitos especiais principalmente nas lutas, tudo numa enorme velocidade, difícil até de acompanhar a legenda.

O filme conta a história do ex-agente do Comando de Operações Especiais Wade Wilson, que se tornou mercenário e vivia de pequenos golpes. Até que conhece a prostituta Vanessa, por quem se apaixona. Como uma linda história de amor que acaba em tragédia, ele descobre que está com câncer em fase terminal e abandona a moça. Depois de ser submetido a um experimento malsucedido realizado pelo sádico Ajax (Ed Skrein, da série "Game of Thrones"), Wade fica com o rosto deformado, adquire poderes de regeneração acelerada e adota o alter ego Deadpool.


Armado com suas novas habilidades e um senso de humor sarcástico e sempre com um comentário cômico a ser disparado para qualquer um, o irreverente anti-herói da roupa vermelha colada no corpo (e que corpo!) sai à caça dos homens que quase destruíram sua vida e o afastaram da mulher que amava.

Com ritmo frenético como sua fala, cenas violentas com sangue espirrando para todos os lados, tiros, explosões e "tiradas" precisas e bem colocadas que provocam boas risadas, "Deadpool" tem agradado bastante ao público adulto. E também aos jovens que se aproveitam da classificação de 16 anos no Brasil, enquanto nos EUA ele é indicado para maiores de 18 anos.





Pelo que foi mostrado nesta primeira produção, já garantiu seu lugar também no universo cinematográfico da Marvel. O filme está em exibição em 30 salas de 18 shoppings de Belo Horizonte, Betim e Contagem, nas versões 2D, 3D e Imax, dubladas e legendadas.

Ficha técnica:
Direção: Tim Miller
Produção: Marvel Filmes
Distribuição: Fox Films do Brasil
Duração: 1h48
Gêneros: Ação / Aventura / Comédia
Países: EUA / Canadá
Classificação: 16 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #Deadpool, #MarvelComics, #RyanReinolds, #MorenaBaccarin, #EdSkrein, #quadrinhos, #antiheroi, #sarcástico, #StanLee, #TimMiller, #superheroi, #FoxFilms, #CinemanoEscurinho, #TudoBH

sábado, 13 de fevereiro de 2016

"A Garota Dinamarquesa" é discreto e surpreendente, mas sem levantar polêmicas

Eddie Redmayne e Alicia Vikander estão impecáveis em suas atuações como o casal principal do drama (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni


Melhor ator. Atriz coadjuvante. Figurino. Direção de arte. Primeiro é preciso dizer que são adequadas e mais do que merecidas as indicações ao Oscar 2016 do filme "A Garota Dinamarquesa" ("The Danish Girl"), em cartaz no Belas Artes (17h e 21h30), Boulevard (18h40 e 21h), Pátio (12h45, 15h45, 18h45 e 21h30) e Ponteio (16h, 18h30 e 21h). As atuações convincentes e brilhantes, a ambientação impecável dos anos 1920 e uma história sui generis contada sem nenhuma intenção de causar polêmica colocam o longa de Tom Hooper no rol dos que vão ficar na memória.

O filme é baseado na história real do artista plástico dinamarquês Einar Wegener (Eddie Redmayne) que, contra tudo e todos, decide se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo para virar Lili Elbe. Muitos o consideram o primeiro transgênero de que se tem notícia. Casado com a também pintora Gerda Wegener (Alicia Vikander), Einar se descobre mulher aos poucos, enquanto posa para sua mulher, enquanto brinca de se vestir com roupas femininas. Devagar, o feminino vai tomando conta da sua identidade.

O que é preciso destacar, nessa produção conjunta de Reino Unido, EUA, Bélgica, Dinamarca e Alemanha, é o brilho de Eddie Redmayne e Alicia Vikander. Ele, por conseguir fazer uma transformação sutil e lenta, calcada em olhares, gestos, andares - e que já tinha feito com maestria ao viver o cientista Stephen Hawking em "A Teoria de Tudo".  Ela, por construir uma Gerda amorosa, apaixonada e, ao mesmo tempo, compreensiva e corajosa sem nenhum sinal de exagero.

"A Garota Dinamarquesa" é, acima de tudo, uma história de amor - no sentido mais profundo que essa palavra possa ter. Houve quem achasse o longa tímido demais, cuidadoso demais. Nada disso. É exatamente o cuidado que faz dele um trabalho especial e sem clichês. É tão bela e verdadeira a relação do casal enfrentando dores, preconceitos e a precariedade da ciência da época que, ao sair do cinema, cabe perguntar: Lili ou Gerda? Quem merece o título de garota dinamarquesa? Classificação: 14 anos




Tags: #Agarotadinamarquesa, #EddieRedmayne, #AliciaVikander, #EinarWegener, #LiliElbe, #transgênero, #TomHolper, #drama, #biografia, #CinemanoEscurinho, #TudoBH

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Com drama de jovem imigrante, "Brooklyn" concorre ao Oscar em três categorias

Jean Piter Miranda


Na década de 1950, a jovem Ellis Lacey (Saoirse Ronan) deixa sua terra natal, a Irlanda, para buscar uma vida melhor nos Estados Unidos. Mais precisamente no Brooklyn, distrito de Nova York, que dá nome ao filme. A realização do sonho tem o peso da saudade de casa, do sentimento de não pertencer àquele lugar, e de querer voltar pra casa. 

Mas, aos poucos as coisas vão mudando quando ela conhece e se apaixona pelo jovem Tony Fiorello (Emory Cohen), um bombeiro italiano. Logo, a moça fica dividida entre os dois países. 

A história é centrada em Ellis. Da vida simples no interior da Irlanda ao amadurecimento na América. Com poucas expectativas de dar uma vida melhor para a família, ela embarca em um navio rumo à Nova York, em sua primeira viagem para o exterior. Sozinha e cheia de inseguranças. Saiorse tem uma atuação encantadora do início ao fim, tanto nos momentos de drama quanto nas cenas românticas. Não por menos, pelo papel, foi indicada ao Globo de Ouro 2016 de Melhor Atriz de Drama e ao Oscar 2016 de Melhor Atriz.

As muitas mudanças na vida da moça irlandesa ditam o ritmo do filme. Viver longe da família, a qual era muito apegada, e dos amigos. Ter um novo emprego com mais responsabilidades. Lidar com a saudade e com a vontade de voltar. E ao mesmo tempo querer ficar e crescer na vida. 

Com o passar do tempo, conhecer gente nova, lugares novos, adotar hábitos diferentes, encontrar o primeiro amor... E no meio disso tudo, ter que decidir os rumos que irá seguir. Sem contar que em seu país, um novo amor - Jim Farrell (Domhnall Gleeson), pode balançar seu coração. São muitos ingredientes, todos usados na dose certa. 

Outro ponto alto do longa é a cenografia. A maior parte das cenas se passa em ambientes fechados, ou mostrando apenas uma pequena parte das cidades. As roupas, os carros, os costumes da época, tudo é muito acertado. Uma ambientação perfeita, com belas imagens, que dão mais brilho à história. Um filme que encanta pela simplicidade e briga, merecidamente, pelo Oscar de Melhor Filme. 

Adaptação

O filme é baseado no romance "Brooklyn", do escritor e jornalista irlandês Colm Tóibín. Ele é natural da cidade de Enniscorthy, onde passa parte da história. O diretor John Crowley também é da Irlanda. A bela protagonista Saiorse Ronan é americana filha de irlandeses. 

O longa tem como plano de fundo a chegada de muitos europeus em Nova York. A maioria irlandeses e italianos que ajudaram a construir a cidade. Mostra a dupla face do sonho americano: a terra das oportunidades e dos sonhos frustrados. É quase um pedido de desculpas aos imigrantes. E é quase uma homenagem. 




"Brooklin estreou nos cinemas nesta quinta-feira e pode ser conferido em sessões legendadas de cinco salas - 3 do Belas Artes (sessões 14h10 e 21 horas), 2 do Shopping Boulevard (17h10, 19h25 e 21h35), 2 do Diamond Mall (16 horas e 22 horas), 2 do Pátio Savassi (15h30, 18 horas e 20h45) e 3 do Net Cineart Ponteio (16h10, 18h40, 23h20).

Ficha técnica
Diretor: John Crowley 
Roteirista: Nick Hornby
Duração: 1h52
Produção: Wildgaze Films / Parallel Film Productions / Irish Film Board / Item 7
Distribuição: Fox Films do Brasil
Gêneros: Drama / Romance
País: Canadá, Inglaterra e Irlanda
Classificação: 12 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #Brooklin, # SaoirseRonan, # EmoryCohen, # JohnCrowley, #drama, #romance, #Irlanda, #Oscar, #CinemanoEscurinho, #TudoBH

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

"O Bom Dinossauro" é uma lição de amizade e família que encanta e emociona

Aventura, humor e uma amizade pouco convencional entre um dinossauro e um menino (Fotos: Disney-Pixar/Divulgação)

Maristela Bretas


Os estúdios Disney-Pixar continuam encantando e emocionando todas as idades. Foi assim no ano passado com Divertida Mente e em outras produções como "Procurando Nemo", "Toy Story" e "Monstros S.A.". Não poderia ser diferente com "o Bom Dinossauro" ("The Good Dinossaur"), que apesar de ter tido uma divulgação menor que a produção anterior, provoca reações em crianças e adultos muito semelhantes. 

Novamente, o enredo extrai de uma situação pouco provável uma linda lição de grandes valores, como amizade e família. E ela sai de uma amizade bem "diferente" entre um menino pré-histórico e um jovem dinossauro de 70 metros.

Tudo isso acontece há uns 65 milhões de anos, mas com uma história muito atual que faz as crianças delirarem no cinema com as aventuras da dupla. Como tudo isso aconteceu? Simples, bastou aquele asteroide que deveria ter acertado a Terra na época passar longe do planeta. Os dinossauros não foram extintos e a relação com a raça humana seria bem diferente, com "cada um no seu quadrado".


A ideia é genial, principalmente porque estes grandes animais são colocados exercendo as funções que deveriam ser dos humanos e estes, por sua vez, são vistos como predadores. Os dinossauros plantam, colhem, estocam alimento, tocam o gado, formam família e ensinam aos filhos a importância da união e de vencer os medos da vida.

Já o menino das cavernas - Spot - é visto como uma ameaça, que ao longo da história vai se tornar o mais fiel dos amigos que Arlo, o dinossauro caçula da família, terá ao longo de sua jornada. O que antes era uma luta pela sobrevivência se transforma numa bela amizade.

Arlo é tremendamente medroso e mais fraco e vive sendo amolado pelo irmão mais velho. O pai, de todas as formas, o incentiva a enfrentar seus medos e conquistar seu espaço. Até que uma tragédia o jovem gigante verde de sua família e o coloca frente a frente com seu então inimigo - Spot. Mas o menino quer apenas um amigo e vai tentar ajudar Arlo a encontrar o caminho de volta para casa. Essa jornada irá unir os dois e será cheia de aventuras, com novos amigos de todos os tamanhos, como T-Rex - e perigosos vilões e predadores.

Lindo, emocionante, "O Bom Dinossauro" é uma ótima opção para ser feita em família. O filme surpreende por sua originalidade e inovação. Os pequenos vão adorar, mas os adultos vão se emocionar com a história. Em tempos de tanta violência e maus exemplos, faz bem mostrar bons valores. A animação, lançada em janeiro, já rendeu mais de três milhões de ingressos vendidos no Brasil e pode ser conferida em 18 salas de 17 shoppings de BH, Betim e Contagem, somente na versão dublada.


Ficha técnica:
Direção: Peter Sohn e Bob Peterson
Produção: Disney / Pixar
Distribuição: Disney / Buena Vista
Duração: 1h35
Gêneros: Animação / Aventura / Comédia
País: EUA
Classificação: Livre
Nota: 4 (0 a 5)

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

"O Regresso" é a vingança sofrida de Leonardo DiCaprio que pode garantir um Oscar

Um filme onde a natureza selvagem e a fotografia com luz natural são as maiores estrelas (Fotos: Fox Films do Brasil/Divulgação)

Maristela Bretas


Essa pode ser a grande chance de Leonardo DiCaprio finalmente conquistar a tão desejada estatueta de Melhor Ator do Oscar. "O Regresso" ("The Revenant") já garantiu ao ator outros prêmios este ano e agora ele é um dos mais cotados para o mais cobiçado de todos. E DiCaprio merece levar, assim como o filme e seu diretor Alejandro Gonzãlez Iñárritu, também um dos roteiristas e produtor, e que tem em sua estante o prêmio de 2015 por "Birdman".

Um excelente trabalho, em todos os aspectos, que vale como dica para quem quer ver uma produção caprichada, que recebeu merecidas 12 indicações ao Oscar 2016. A fotografia de Emmanuel Lubezki (que trabalhou com Iñárritu em "Birdman") é espetacular. A produção explora a luz natural, reforçando o cinza que dá maior contraste e valoriza a frieza do inverno, assim e as cenas mais violentas, como o ataque do urso. Há uma preocupação em filmar próximo ao chão (uma vez que DiCaprio passa boa parte do filme se arrastando pela neve), fechando closes nos olhos do ator, que substituem as palavras com expressões de dor, ódio e vingança. 

Foto: Instagram Emmanuel Lubezki
Tudo muito bem colocado, na medida certa, que fazem os 156 minutos de duração passar sem dar sono. Difícil é conseguir, em algumas cenas, apreciar as belas paisagens - montanhas cobertas de neve, rios congelados, a natureza nua, que começava a ser explorada pelos homens naquela época.

DiCaprio está em seu melhor papel, mesmo tendo poucas falas. E é aí que sua competente interpretação faz a diferença. Entre lágrimas, sofrimento, dor e um desejo irracional de vingança, expressos no olhar, ele dá vida ao personagem Hugh Glass, um experiente guia de expedição e caçador de peles. As cenas chegam a chocar pela frieza e violência. A maquiagem usada por ele para as feridas feitas pelo urso são bem realistas e levavam mais de cinco horas de preparação.

Outro que merece o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante é Tom Hardy, que segurou a história em pé de igualdade com DiCaprio. O ator é o vilão que se encaixa perfeitamente ao ambiente hostil da trama, apresentando o caçador John Fitzgerald como um homem frio e ganancioso, mas que também só quer sobreviver e deixar aquele mundo selvagem. Ele acaba sendo o principal objetivo de vingança de Glass.

"O Regresso" é baseado no romance homônimo de Michael Punke, que se inspirou na história real de Hugh Glass. Difícil até de acreditar que uma pessoa possa ter resistido a tanto sofrimento e ainda viver para contar a história, que se passa no velho oeste no ano de 1822. A intenção do autor talvez tenha sido mostrar a superação de um homem diante de todos os perigos e atrocidades da região. Mas no filme, o enredo explora principalmente o desejo de vingança de um homem, que lhe dá força para suportar a jornada de volta e fazer justiça.

O filme foi também um exemplo de superação para toda a equipe. Como o próprio diretor contou em entrevistas passadas, vencer o ambiente onde foi filmado (regiões remotas do Canadá e Argentina) - frio congelante, neve, perigos, floresta, dormir em carcaças de animais talvez tenha sido o maior desafio da produção. O Oscar de Melhor Filme seria o reconhecimento, como aconteceu em outras premiações só por isso.

Além dos dois indicados, "O Regresso" ainda conta com um ótimo elenco de profissionais, alguns em ascensão, como Domhnall Gleeson ("Star Wars: O Despertar da Força" e "Brooklin"), Will Poulter ("Maze Runner: Correr ou Morrer"), Paul Anderson ("NoCoração do Mar"), Brendan Fletcher ("Gracepoint"), entre outros.

Na história, Hugh Glass acompanha um grupo de caçadores de peles a uma perigosa região nos Estados Unidos quando o acampamento do grupo é atacado por índios da tribo Arikara. Os poucos sobreviventes conseguem fugir em um barco e, por recomendação de Glass, logo retornam à terra firme para seguir viagem a pé de volta ao Forte Kiowa.

Glass, no entanto, é atacado por um urso, fica gravemente ferido, sem conseguir caminhar. Depois de um tempo de jornada é deixado para trás na companhia do filho nativo Hawk (Forrest Goodluck), do jovem Jim Bridger (Poulter) e do parceiro John. Este o abandona na floresta, semimorto e ainda rouba seus pertences. O que ele não contava era que Glass sobreviveria ao mundo selvagem para fazer justiça.


"O Regresso" é um filme imperdível para quem gosta de excelentes produções. Um dos melhores ou talvez até o melhor de Leonardo DiCaprio e Tom Hardy (que também se saiu muito bem em "Mad Max - A Estrada da Fúria"). Sem contar a destacável direção de Alejandro González Iñárritu. Ele pode ser conferido em 17 salas de 14 shoppings de BH, Betim e Contagem, além da sala 2 do Belas Artes, nas versões dublada e legendada.

Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Alejandro González Iñárritu
Produção: Anonymous Content / New Regency Pictures
Distribuição: Fox Films do Brasil
Duração: 2h36
Gêneros: Aventura / Drama
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 5 (0 a 5)


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