domingo, 31 de julho de 2016

Sequestro, filme pornô, porrada e boas risadas em "Dois Caras Legais"

Ryan Gosling e Russell Crowe são dois investigadores particulares tentando desvendar o sequestro de uma atriz pornô (Fotos: Diamond Films/Divulgação)

Maristela Bretas


Não poderia ser menos que um ótimo filme a união dos atores Russell Crowe e Ryan Gosling. "Dois Caras Legais" ("The Nice Guys") tem a boa música dos anos 70 (tempos da discoteca), grandes atuações, cenas e diálogos hilários e muita ação. A dupla mostra uma grande sintonia com seus personagens, que possuem estilos opostos, começam em lados também opostos e garantem boa diversão do início ao fim.


Ambos são investigadores particulares, cada um com uma "forma diferente" de trabalhar. Crowe é Jackson Healy, um homem violento, ex-alcoólatra, mas que ainda mantém alguns princípios éticos em sua profissão, apesar de ter como amigo inseparável um soco inglês, que é quase uma extensão de seu pulso.

Já Holland March, papel de Gosling, não tem o menor escrúpulo em tomar dinheiro de clientes velhinhas que o contratam para achar parentes desaparecidos. Vive em conflito com a filha Holly (Angourie Rice), que não concorda com os golpes do pai. A jovem, por sinal é um dos destaques do filme e forma um bom trio com os dois atores.


A história se passa em Los Angeles no ano de 1977, época da discoteca, sexo e muita droga. Healy é contratado por Amelia (Margareth Qualley) para protegê-la de alguns marginais que a estão perseguindo. Mas a jovem desaparece misteriosamente e ele acaba conhecendo de maneira não muito cordial o detetive March. Apesar da parceria pouco amistosa, os dois acabam contratados pela mãe de Amélia, Judith Kutner (a veterana Kim Basinger), sem saber que estão se envolvendo numa conspiração ligada à morte de uma atriz pornô.

Entre tapas, muita porrada (os mocinhos apanham "de com força"), ossos quebrados, tiros e perseguições, os dois investigadores protagonizam ótimas cenas de humor e ação para tentarem solucionar o desaparecimento de Amélia. Sempre contanto com a ajuda de Holly.

"Dois Caras Legais" é uma opção divertida em cartaz nos cinemas que merece ser conferida. Ele está em exibição, em versões dublada e legendada, nas salas 9 do BH Shopping (sessão 22h10), 3 do Cinesercla Big (20h40), 8 do Cineart Cidade (21h15), 7 do Cineart Contagem (20h40), 3 do Diamond (20h50), 1 do Cineart Paragem (20h40), 5 dos Partage Shopping Betim (12h) e 4 do Pátio Savassi (21h45).



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Shane Black
Produção: Silver Pictures / Waypoint Entertainment
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h56
Gênero: Comédia
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #doiscaraslegais, #RussellCrowe, #RyanGosling, #KimBasinger, #AngourieRice, #ShaneBlack, #comédia, #DiamondFilms, #CinemanoEscurinho

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A Incrível Jornada de uma vaca pelas mídias sociais

Fatah e sua vaca Jacqueline farão uma viagem que irá mudar suas vidas (Fotos: Jean-Claude Lother/Divulgação)

Maristela Bretas


Um filme sensível, com personagens simples para uma história com efeitos visuais dando lugar aos emocionais e cômicos sobre uma dupla diferente - um fazendeiro e sua vaca de estimação. Mas Jacqueline não é um animal. Para Fatah, seu dono, ela é mais que uma amiga e companheira. Ela é seu sonho. E apesar de ela ser o motivo do título em francês para o filme - "La Vache" - e de toda a jornada, a grande estrela é Fatah (interpretado pelo ator franco-argelino Fatsah Bouyahmed, da série de TV "Homeland").

Em busca de seu sonho de levar Jacqueline À Feira de Agropecuária de Paris, ele é capaz de suportar as críticas e chacotas de amigos, parentes e rivais, a ira da mulher e a desconfiança daqueles que o consideram um louco, que trata o animal como sua quase amante. No entanto, a história de "A Incrível Jornada de Jacqueline" o enredo vai mostrando o contrário durante o trajeto da dupla desde a viagem de navio da Argélia até Marselha, na França e de lá a pé até Paris.

O simplório fazendeiro argelino, com sua ingenuidade, vai se deparar com um mundo completamente diferente do seu -  da cidade grande, agitada e habitada por pessoas que só têm olhos para as telas de seus smartphones. Mas basta um estranho puxando uma vaca leiteira por uma corda aparecer pelas ruas para chamar a atenção destas mesmas pessoas, que passam a cumprimentá-lo e quererem saber mais de sua vida e de sua viagem. E Fatah não entende bem esse mundo das redes sociais que arrasta milhões de seguidores, apesar de sua vila já conviver com a telefonia celular e o Skype.

E compreende menos ainda como se tornou o centro das atenções das TVS, jornais e internet. Ele e Jacqueline se transformam no viral do momento e até uma simples frase dita numa situação delicada vira meme - " A culpa é da pera". É muita coisa para ele aprender e entender em tão pouco tempo de viagem. Mas também não importa para o simples fazendeiro. O que ele gosta é de uma boa conversa e ao longo da jornada vai fazendo novos amigos e ganhando admiradores com seu jeito simples e engraçado de ver a vida.

E são outros dois integrantes do elenco que irão ajuda Fatah e Jacqueline a chegarem a seu destino -  o conde Philippe (Lambert Wilson) e Hassan, cunhado de Fatah (interpretado por Jamel Debbouze, também um dos diretores da produção). Os diálogos brincam, sem ofender, com os costumes e situações dos dois mundos de Fatah. Como na cena da reunião dos líderes da vila, quase todos com o nome de Mohamed e ninguém se confunde.

A comédia "A Incrível Jornada de Jacqueline" vale a pena ser visto, descompromissado e que deixa a gente leve quando sai do cinema, graças à simplicidade da história e de seus personagens. Com distribuição da Paris Filmes, o filme estreia nesta quinta-feira nos cinemas de BH.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Mohamed Hamidi
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 1h32
Gênero: Comédia
País: França
Classificação: 10 anos
Nota: 3 (0 a 5)



Tags: #aincriveljornadadejacqueline, #vaca, #Jacqueline, #FatsahBouyahmed, #LambertWilson, #JamelDebbouze,  #comédia, #França, #Argélia, #ParisFilmes, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 21 de julho de 2016

"A Lenda de Tarzan" - as estrelas são os efeitos digitais

Alexander Skarsgard é Tarzan, o homem macaco que volta à selva para salvar seus amigos (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Conhecido e reproduzido em revistas, livros, cinema e TV ao longo de mais de 80 anos, o famoso homem macaco criado pelo escritor Edgar Rice Burroughs ganha nova versão recheada de efeitos visuais. "A Lenda de Tarzan" ("The Legend of Tarzan") que estreia nesta quinta-feira nos cinemas de BH é filme para agradar aos fãs do personagem e conquistar boa bilheteria pelo mundo. 


A nova superprodução da Warner Bros. Pictures traz Alexander Skarsgard no papel principal, ao lado de Margot Robbie como sua companheira Jane. No elenco, para quebrar o clima romântico, Samuel L. Jackson faz a parte engraçada, enquanto Christoph Waltz interpreta novamente o papel do vilão (pegou gosto pelo estilo, pelo visto).

Mas as grandes estrelas são os animais, mesmo que produzidos em computador. As cenas com os leões, gorilas e estouros de manadas são excelentes e já valem pelo filme. O grito do Tarzan pode ter ficado mais fraco (a gente sempre espera ouvir a voz de Johnny Weismüller), mas o rugido dos gorilas chega a dar medo. Palmas para a equipe de efeitos especiais que criou os gigantescos primatas.


O diretor David Yates não economizou ação, voos de cipó e lutas entre Tarzan e os gorilas (mesmo que digitalizados), assim como nas batalhas, que mais parecem filmes épicos. Se a história não foge muito da obra original, o avanço tecnológico em "A Lenda de Tarzan" fez toda a diferença. Tarzan divide seu tempo entre um passeio aéreo pela floresta e o amor por Jane, sua fiel companheira, papel que Margot Robbie soube garantir. Skarsgard e Robbie estão bem entrosados e mostram que Tarzan e Jane têm uma relação de cumplicidade muito forte. 

Alexander também está muito bem no papel (e põe bem nisso, com um físico invejável), passando simpatia ao público apesar do semblante sempre sério, até mesmo nas cenas românticas e no reencontro com velhos amigos. Ele vive um homem perdido entre mundos opostos - o lorde inglês Clayton Greystoke que não consegue esquecer o selvagem Tarzan das florestas, cujo passado é mostrado em flashbacks. Pena que no lugar de um dublê pulando de um lado para outro num cipó temos uma versão digitalizada do ator.

Christoph Waltz é o capitão Rom, um vilão irônico, sarcástico e almofadinha, que veste terno branco para andar na selva. Ele é o braço direito do rei da Bélgica, que domina boa parte da África, principalmente o Congo, cuja maior riqueza são os diamantes. Sem escrúpulos, Rom trama a captura de Tarzan, defensor dos nativos e da selva. Faltou mais maldade ao personagem, como o papel exigia, o que não aconteceu por causa da classificação do filme para 12 anos. Mas Waltz convence.

Já o soldado dos EUA, George Washington Williams, papel de Samuel L. Jackson e a garantia dos momentos divertidos do filme. Como sempre, o ator está impecável, tentando acompanhar Tarzan na aventura pela selva.

Reprodução
Muitas versões

Em todos estes anos foram feitas inúmeras versões de Tarzan, desde filmes a animações infantis. O intérprete mais famoso do personagem no cinema foi o ator Johnny Weismüller (foto ao lado), a partir de 1932. Muitos outros vieram depois, como Gordon Scott (um pouquinho mais cheinho, mas bom de serviço) e Christopher Lambert ("Greystoke - A Lenda de Tarzan, o Rei da Selva" - 1984). O meu preferido foi Ron Ely (o mais bonito e simpático de todos), que marcou a história do herói no seriado de TV que foi ao ar de 1966 a 1968.

Em todos esses anos, a trajetória de Tarzan foi ganhando mais e mais recursos, acompanhando os avanços tecnológicos até chegar a esta grande produção, sem nunca perder seus fãs. Até mesmo quem não conhece a história do homem macaco vai poder entender bem tudo o que aconteceu com ele, como se tornou o rei da selva, como conheceu Jane, seus inimigos e amigos.


"A Lenda de Tarzan" é um filme com meio, começo e fim, exatamente nesta ordem. Passado na década de 30, ele se inicia com o personagem agora lorde britânico, morando no castelo da família em Londres ao lado de Jane. Ele aceita o convite do parlamento britânico para uma missão no Congo junto com Jane e o soldado Williams onde estaria nativos estariam sendo capturados para trabalho escravo. Mas o que Tarzan não sabe é que o capitão Rom (Waltz) trama aprisioná-lo e entregá-lo a seu maior inimigo, chefe Mbonga (Djimon Hounsou) em troca dos diamantes da região.

O filme é muito bom, vale inclusive até mesmo o ingresso para as salas 3D por causa dos efeitos visuais. "A Lenda de Tarzan" está em cartaz também em formato 2D nas versões dublada e legendada, e pode ser visto em 35 salas de 19 shoppings de BH, Betim e Contagem.



Ficha técnica:
Direção e produção: David Yates
Produção: Village Roadshow Productions
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h50
Gêneros: Aventura / Ação
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 4 (0 a 5)

Tags: #alendadetarzan, #Tarzan, #Jane, #Congo, #floresta, #selva, #gorilas, #diamantes, #reidaselva, #homemmacaco, #AlexanderSkarsgard, #MargotRobbie, #ChristophWaltz, #SamuelLJakson, #DavidYates, #aventura, #ação, #WarnerBrosPictures, #CinemanoEscurinho

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Reboot feminino de "Caça-Fantasmas" tem grandes efeitos visuais e pouca graça


Nova equipe de "Caça Fantasmas" é formada por Kate McKinnon, Kristen Wiig, Leslie Jones, Melissa McCarthy (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Trinta e dois anos depois, a Sony Pictures aposta suas fichas na refilmagem, com nova roupagem (agora feminina) do grande sucesso de 1984, "Caça-Fantasmas" ("Ghostbusters"). Os cientistas Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e o faz tudo Ernie Hudson dão lugar às comediantes do momento - Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Kate McKinnon e Leslie Jones - na versão 2016 de "Caça-Fantasmas", que estreia nesta quinta-feira. A troca do elenco, no entanto, não evita a comparação das duas produções.

Apesar de ter muita ação e ótimas comediantes, o novo "Caça-Fantasmas" não provoca muitas risadas. O quarteto está bem, afinadinho, e ainda conta com o supergato Chris Hemsworth no papel de um recepcionista gostoso e burro. Para completar, grandes e ótimos efeitos especiais, que superam muitos filmes de ficção do momento. 

Ou seja, o diretor Paul Feng poderia tirar nota 10. Mas escorregou e quase perde média. A história se perde às vezes, o potencial cômico das quatro atrizes foi pouco explorado - Kate McKinnon e Leslie Jones fazem as melhores performances, juntamente com Hemsworth, deixando McCarthy e Wiig certinhas demais e sem graça. O vilão também é bem mais fraco que Zull, do primeiro filme, mas não importa tanto, pois seus fantasmas dominam as cenas e interpretam bem seus papéis, nas ruas, no metrô ou no museu.

A aposta no time feminino foi boa, mas ainda ficou um "Q" de discriminação do diretor Paul Feng, por mais que todo o elenco negue isso. Três brancas são cientistas e a única negra é Jones, a bilheteira do metrô. O mesmo aconteceu no primeiro com Ernie Hudson. E nos dois casos, os atores negros foram destaques, principalmente na nova versão.

A versão pode ser nova, alguns fantasmas também (o nosso gosmento verde comedor de salsicha está lá), mas o velho time poderia ter dado uma melhorada no enredo que eles conhecem bem. Dan Aykroyd, Ivan Reitman e Harold Ramis são os autores da obra original, participaram do primeiro filme e são produtores do atual. Poderiam ter aprendido com a "sapatada" que levaram com o péssimo "Caça-Fantasmas 2" (1989) e sua gosma rosa e melhorado o enredo.

Por falar em time antigo, Bill Murray, Ernie Hudson, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver e Annie Potts deixaram sua marca em aparições rápidas no filme. Para completar, o elenco ainda conta com nomes como o Andy Garcia, Charles Dance e Michael K. Williams.

Com novas bugigangas tecnológicas e usando um carro semelhante ao original mas de origem duvidosa, o filme começa com o reencontro de Erin Gilbert (Wiig), uma respeitada professora da Universidade de Columbia, e Abby Yates (McCarthy), sua amiga de infância também cientista com quem escreveu um livro sobre fantasmas.

Ao ter seu passado descoberto, Erin perde o emprego e se junta Abby e à também cientista Jillian Holtzmann (McKinnon) para investigar fatos estranhos sobrenaturais. Empolgada com a visão que teve de um fantasma nos trilhos do metrô onde trabalha, Patty Tola (Jones) se une ao trio para investigar as terríveis aparições que estão deixando Nova York mais louca do que já é.

Vale como curiosidade para os fãs do primeiro filme e pode agradar a nova geração, que será brindada com outras produções com o quarteto, como já prometeu a roteirista Katie Dippold em entrevista recente. "Caça-Fantasmas" pode ser conferido em 34 salas de 19 shoppings de BH, Betim e Contagem nas versões 2D, 3D e Imax (apesar dos ótimos efeitos visuais, recomendo o ingresso mais barato), em sessões dublada e legendada.




Ficha técnica:
Direção: Paul Feig
Produção: Columbia Pictures / Village Roadshow Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h56
Gêneros: Ação / Comédia
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #cacafantasmas, #MelissaMcCarthy, #KristenWiig, #KateMcKinnon, #LeslieJones, #ChrisHemsworth, #AndyGarcia, #comédia, #ação, #PaulFeig, #DanAykroyd, #BillMurray, SonyPictures, #ColumbiaPictures, #CinemanoEscurinho

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Scrat se supera e muda o universo em "A Era do Gelo - O Big Bang"

Manny, Diego, Sid e seus amigos precisam deixar seus lares para tentar evitar a destruição da Terra por um meteoro (Fotos: Fox Film/Divulgação)

Maristela Bretas


Garantia de boas risadas, apesar de usar uma velha fórmula e sempre o mesmo personagem para dar início ao caos completo. Assim é "A Era do Gelo - O Big Bang" ("Ice Age: Collision Course"), quinto filme da franquia que vem garantindo boas bilheterias desde o primeiro em 2002. Impossível ficar indiferente e ficar analisando os dados técnicos quando o atrapalhado esquilo Scrat surge na tela com sua noz amada e começa toda a confusão que vai parar no espaço e provoca o Big Bang.

Engana-se quem acha que o universo foi criado por algo orquestrado. Como diz o narrador, ele pode ter surgido apenas como o resultado de "uma coisa mais boba". E Scrat estava lá para dar uma mãozinha e fazer tudo sair do lugar da forma mais divertida. E claro, sempre correndo atrás de sua noz.

Com certeza o esquilo ainda consegue ser o personagem principal, não desmerecendo os demais. Mas basta ele aparecer que a risada é certa. E se no espaço a confusão é geral, na Terra a turma ganha futuros pretendentes, novos inimigos (fraquinhos e não oferecem muito perigo) e corre grande risco de sumir do universo. Manny, Diego e Sid (nas vozes em português de Diogo Vilela, Márcio Garcia e Tadeu Mello) continuam unidos, agora com suas famílias integrando o grupo. Apenas Sid está sozinho, sempre em busca de um grande amor.

Ao longo da animação, quando tudo parece que vai se acalmar, o esquilo trapalhão faz mais uma "caquinha" no espaço e bagunça tudo de novo no universo. A coisa só vai piorando e provocando mais risadas. Enquanto isso, na Terra, a atração é a vovó de Sid, com suas tiradas e sarcasmo no ponto certo. Os dois são a diversão da produção, roubando as cenas em que aparecem.

Manny e Ellie vivem o drama de ver a filha Amora arranjar um namorado e querer sair de casa para conhecer o mundo com ele. Diego e Shira pensam em ter filhos, mas não conseguem que outros filhotes se aproximem deles. O Sid. Ah, esse parece ser um caso perdido. Ou não. O mais simpático, carinhoso e falador do grupo ainda não encontrou seu par e quer muito ter uma família como seus amigos. Só lhe resta cuidar da vovó. 

Animais com dramas humanos do dia a dia, um aspecto que a franquia sempre soube explorar muito bem ao direcionar suas animações para todas as idades, unindo os gêneros aventura e família para atrair o público.

Em "A Era do Gelo: O Big Bang", a confusão de Scrat e sua noz provoca a queda de um gigantesco meteoro que se dirige para a Terra e pode acabar com o Planeta. Manny, Diego, Sid e suas famílias são obrigados a deixar sues lares em busca de uma saída para evitar a catástrofe. 

O único jeito é confiar no plano de Buck, a doninha que usa tapa-olho, muito inteligente mas doida de jogar pedra na lua. Se já não bastasse, durante sua jornada para tentar salvar o planeta o grupo ainda terá de enfrentar um trio alado, que está mais para Três Patetas do que para vilões.

Uma ótima opção para a família e para aqueles que vêm acompanhando a saga destes amigos da Era do Gelo desde o início. Vale o ingresso inclusive em 3D, graças aos ótimos efeitos de animação, além do balde de pipoca e o copão de refrigerante. "A Era do Gelo: O Big Bang" está em exibição nas versões dublada e legendada, em 2D e 3D, em 41 salas de 18 shoppings de BH, Betim e Contagem.



Ficha técnica:
Direção: Mike Thurmeier
Produção: Blue Sky Studios/ Fox Animations Studios
Distribuição: Fox Film
Duração: 1h34
Gêneros: Animação / Aventura / Família
País: EUA
Classificação: Livre 
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #aeradogeloobigbang, #aeradogelo, #Manny, #Diego, #Sid, #Scrat, #espaço, #noz, #bigbang, #BlueSkyStudios, #FoxAnimationStudios, #animação, #família, #aventura, #CinemanoEscurinho

domingo, 10 de julho de 2016

"Carrossel 2" mantém estilo infantil da série em aventura urbana dos adolescentes

A turma da professora Helena precisará estar mais unida para encontrar e salvar Maria Joaquina dos vilões (Fotos: Paris Filmes/Divulgação)

Maristela Bretas


Em 2015, a turma da Escola Mundial saiu da TV e ganhou espaço nas telas de cinema com "Carrossel - O Filme". Os pequenos alunos da professora Helena já eram adolescentes, mas não perderam o carisma e conquistaram novos fãs e uma ótima bilheteria. Eles voltam em "Carrossel 2 - O Sumiço de Maria Joaquina" mantendo o mesmo estilo infantil da série, mas agora vivendo uma aventura urbana para adolescentes que deve agradar também aos pequenos.

O grupo é o mesmo do primeiro filme, mais maduro, apesar de ainda ser da classe da professora Helena, interpretada por Rosanne Mulholland (que não participou do primeiro filme por estar gravando uma novela). A amizade entre eles é colocada à prova durante um quando a chata e arrogante Maria Joaquina (Larissa Manoela), desaparece.

Mas como uma boa história precisa de bons vilãos, essa não poderia ser diferente, ainda que sejam os mesmos da primeira versão. Gonzales (Paulo Miklos, da banda Titãs) e Gonzalito (interpretado por Oscar Filho) retornam com um plano quase perfeito para se vingarem dos adolescentes que os mandaram para a cadeia. Mais maldosos e atrapalhados eles agora são chefiados por um misterioso inimigo da turma de adolescentes.

Nessa aventura que explora o cenário de São Paulo, a professora Helena vai contar com Lucas Santos (Paulo), Thomaz Costa (Daniel), Jean Paulo Campos (Cirilo), Gabriel Calamari (Alan), Matheus Ueta (Kokimoto), Guilherme Seta (Davi), Maísa Silva (Valéria), Nicholas Torres (Jaime) e Fernanda Concon (Alícia) para ajudá-la a encontrar Maria Joaquina. A jovem é raptada pela dupla de vilões durante um ensaio do grupo para um show com a cantora Didi Mel (Miá Mello), amiga de infância de Helena, que vai usar de sua influência para ajudar nas buscas.


Entre lutas de sumô, partidas de futebol conta o time do jogador Falcão, uma experiência gastronômica no estilo Hell's Kitchen, uma mãe desorientada e surda como uma porta vivida por Elke Maravilha, a turma vai se unir ainda mais para divertir o público infantil. "Carrossel 2". Uma produção indicada para família, mostrando bons valores, a revelação pura de novos amores entre os adolescentes, a importância da união e da amizade e, claro, um final feliz, sem a baixaria que tem inundado as telas de nossas TVs diariamente.

Duro é sair do cinema com a estrofe da música-tema na cabeça: "Embarque nesse carrossel, onde o mundo faz de conta, a terra é quase o céu". "Carrossel 2" pode ser conferido em 24 salas de 18 shoppings de BH, Betim e Contagem.




Ficha técnica:
Direção: Maurício Eça
Produção: SBT Produções / Paris Produções /Televisa Cine
Distribuição: Paris Filmes / Downtown Filmes
Duração: 1h33
Gêneros: Infantil / Família / Aventura
País: Brasil
Classificação: Livre
Nota: 3 (0 a 5)

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sexta-feira, 8 de julho de 2016

"Julieta": nada mais Almodóvar


Culpa, acaso e destino são as cores fortes do recente melodrama do diretor espanhol (Fotos: Manolo Pavón/ El Deseo/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Mesmo os que leram o belo "Fugitiva", livro de contos da canadense Alice Munro, Nobel de Literatura de 2004, levam algum tempo para identificar as três histórias que foram livremente adaptadas e serviram de inspiração para "Julieta", o mais recente filme de Pedro Almodóvar em cartaz nos cinemas de BH. Depois de anos, o diretor está de volta ao tema que o consagrou e que conhece muito bem: as mulheres.

Interpretada por duas atrizes talentosas - Adriana Ugarte na juventude e Emma Suárez na maturidade - Julieta está se preparando para mudar de Madrid para Lisboa com o namorado Lorenzo (o argentino Dario Grandinetti de "Fale com Ela") quando um encontro casual na rua com Beatriz (Michelle Jenner), amiga de sua filha na infância, muda o rumo de sua vida. Demora um pouco para o espectador descobrir por que é que aquela mulher, professora de mitologia grega, que viveu um grande amor no passado, está obrigatoriamente separada de sua filha Antía há mais de dez anos.

Como sempre acontece nos filmes de Almodóvar, os atores parecem ter sido talhados para os papéis. A começar pela jovem Adriana Ugarte, cuja beleza chega a ser desconcertante, e Emma Suárez, que além de manter a beleza e a sensualidade depois de madura, parece carregar gestos e trejeitos da moça que foi. Inma Cuesta dá seu recado como a artista plástica Ava; Blanca Parés está na medida como a adolescente Antía e Daniel Grao dá credibilidade ao pescador Xoan, pai de Antía. Mas merece destaque especial a atuação ligeira, mas importantíssima na trama, da conhecida atriz Rossy de Palma, a empregada esquisita de Xoan.

Houve quem achasse "Julieta" comedido. Nem tanto. Estão lá as cores fortes, o melodrama e a tensão, elementos típicos do diretor espanhol que continua a falar de temas universais como culpa, passado, acaso, destino, incertezas. Está no filme também aquela quase angústia que o diretor sempre provoca no público, atento e preso a uma história que se desenrola sem pistas nem sinais. À todo momento tudo pode acontecer, tudo pode mudar, nada é previsível. Nada mais surpreendente. Ao final, enquanto sobem os créditos, uma canção doída parece fisgar e paralisar o espectador. Nada mais Almodóvar.

Com duração de 1h40, o drama "Julieta", vigésimo filme do diretor espanhol, está em cartaz nas salas 1 do Belas Artes (sessões 14h30, 16h50, 19 horas e 21h20), 2 do Pátio Savassi (16h15 e 21h30), 2 do Net Cineart Ponteio (19 horas) e Net Cineart Ponteio Premier (14h30, 16h30 e 20h40). Classificação: 14 anos



Tags: #julieta, #PedroAlmodovar#, #drama, #AdrianaUgarte, #EmmaSuárez, #BlancaParés, #DarioGrandinetti, #Fugitiva, #AliceMunro, #CinemanoEscurinho, #PortalUAI

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Oi, eu sou a Dory, e agora quero achar minha família

Dory está de volta, com novos amigos e determinada a achar sua família e redescobrir seu passado (Fotos: Disney/Divulgação)

Maristela Bretas


Oi, eu sou a Dory. Eu sofro de perda de memória recente. Tudo bem Dory, nós não esquecemos de você nesses 13 anos desde "Procurando Nemo". E fomos fiéis, esperamos todo este tempo para ver um filme em que você fosse a estrela principal. Finalmente ele chegou e é ótimo. "Procurando Dory" é a homenagem merecida à "peixinha" azul mais simpática e esquecida do cinema.

Os velhos amigos Marlin e Nemo também estão de volta e são sua segunda família. Por falar nisso, onde está a família de Dory? Ela não nasceu sozinha, veio de algum lugar e deve ter alguém procurando por ela - pais, amigos. Um passado que nunca foi explicado e que o diretor e também criador dos personagens Andrew Stanton resolveu contar neste filme.

Apesar de esquecida, ela começa a ter flashes de memória com sua família e momentos de sua vida infância e resolve cruzar o oceano em busca de seu passado. Mesmo alegre, brincalhona e muita atirada, Dory sabe que não pode fazer essa aventura sozinha. E recruta seus fiéis amigos Nemo e Marlin para ajudá-la a chegar ao Instituto da Vida Marinha (IVM), na Califórnia, um centro de reabilitação e aquário onde ela espera encontrar sua família.

Mas como sempre, Dory não passa por um lugar sem fazer novos amigos e até reencontrar antigos. Só ela mesma para conhecer e gostar de Hank, um polvo rabugento de sete tentáculos (dublado em português por Antônio Tabet) que vive dando perdido nos funcionários do IVM; tem também o Bailey, uma baleia branca beluga que está convencida de que perdeu sua habilidade de ecolocalização. E dois leões marinhos cheios de marra e muito sacanas, além de um pássaro horroroso de olhos arregalados que ainda não consegui saber a qual espécie pertence. E claro, Destiny, um tubarão baleia míope, antiga companheira de longas conversas em baleiês.

É nesse ambiente, onde cada um tem uma deficiência, que se forma outra grande família, com todos tentando superar seus entraves para ajudar ao outro. Sem que perceba, o "jeito Dory de ser" é sempre a melhor maneira de conseguir fazer o que mais desejam.

Em "Procurando Dory", nossa amiguinha continua sem medo de se arriscar, ao contrário de Marlin. Mas bem lá no fundo ela teme esquecer de novo de uma hora para outra e perder o equilíbrio que conquistou desde que se separou de sua família. Dory sabe, no entanto que, apesar de sofrer de perda de memória recente, a emocional é muito boa. E é isso que a faz ir em busca de seus pais Charlie e Jenny, que nunca foram esquecidos.

Entre muitas risadas e momentos de solidão e sentimento de perda, "Procurando Dory" é uma doce e sincera animação que trata de superação, amizade sem preconceito, lealdade e, principalmente amor à família, assim como "Procurando Nemo". Faz rir, chorar, refletir e voltar a rir com as trapalhadas e artimanhas dos personagens para tentarem driblar os funcionários do IVM.

Imperdível, emocionante e engraçado. Vai criar novos fãs e matar a saudade daqueles que conheceram e curtiram Dory, Nemo e Marlin em 2003. A animação está nas versões 2D e 3D, dubladas e legendadas, e pode ser conferida em 40 salas de 19 shoppings de BH, Betim e Contagem.

Curta-metragem Piper

Antes da exibição de "Procurando Dory" o público confere o curta-metragem de animação "Piper", que conta a história de um jovem pássaro faminto que precisa perder o medo de se aventurar para conseguir o alimento sem a ajuda da mãe. Lindo, bem produzido e com belas imagens que encantam.



Ficha Técnica
Direção: Andrew Stanton (também roteirista, criador da ideia original e dos personagens originais) // Angus MacLane
Produção: Pixar Animations Studios
Distribuição: Disney/ Buena Vista
Duração: 1h42
Gêneros: Animação / Comédia
País: EUA
Classificação: Livre
Nota: 5 (0 a 5)

Tags: #procurandodory, #dory, #nemo, #marlin, #Pixar, #Disney, #animação, #AndrewStanton, #comédia, #amizade, #família, #lealdade, #baleia, #Hank, #Destiny, #polvo, #perdadememoriaacurtoprazo,  #tubaraobaleia, #CinemanoEscurinho

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Filme francês "Doce Veneno" reedita "mito" Lolita

Vincent Cassel e a atriz estreante Lola Le Lann em cena de "Doce Veneno", em cartaz na cidade (Fotos: California Filmes/ Divulgação)

Patricia Cassese


Quando, nos momentos iniciais de "Doce Veneno" ("Un Moment d'Égarement", em cartaz no Belas Artes), a câmara avança pelo mar azul em direção à terra firme - no caso, a Córsega -, o espectador escuta um clássico da chanson française: "La Mer", na voz de Charles Trenet. A música, porém, divide a trilha sonora da produção francesa dirigida por Jean-François Richet com hits contemporâneos, como "I Follow Rivers", de Lykke Li (sim, também da trilha de "Azul é a Cor Mais Quente"), acabando por reverberar o que acontece em cena. Em férias, dois quarentões - Antoine (François Cluzet) e Laurent (Vincent Cassel) -, amigos de longa data, partem rumo à casa do primeiro, localizada na citada ilha mediterrânea. Os dois estão devidamente acompanhados das filhas únicas: respectivamente, Louna (Lola Le Lann), 17 anos, e Maria (Alice Isaaz), 18.

Mas o período promete poucas emoções: a casa em questão está abandonada há tempos, e até um rato morto é encontrado no piso. Não bastasse, a área externa vem sendo atacada por javalis, e a conexão com o wi-fi é "pra" lá de precária - para desespero das duas dignas representantes de uma geração que não vive longe de seus smartphones. Para consolo das meninas, eis que vem a notícia de que sim, há amigos, pessoas da geração delas, também passando férias por lá - e vêm as noitadas regadas a DJS, roupas ousadas e muito, muito álcool.

E é justamente numa dessas raves que Louna explicita a Laurent (ali para garantir que as garotas voltem a salvo para casa) seu poder de sedução. O estopim da atração, na verdade, foi detonado pouco antes, numa descida a uma cachoeira, programa feito pelos quatro personagens centrais. Já na rave, na esteira dos muitos goles a mais, Laurent cede à insistência da bela e sedutora garota na areia, após um mergulho nas águas geladas.

Mas, claro, como só acontece na vida, após a bebedeira, vem a ressaca. Diante da inocência do amigo e anfitrião Antoine, vem, também, o arrependimento, e a busca desesperada de Laurent para colocar um ponto final na situação. O que não será tarefa das mais fáceis. A começar que Louna vai se revelando uma menina ardilosa, manipuladora e levemente perturbada, a ponto de armar situações que colocam Laurent (a essa altura, já em pânico ante a iminência da descoberta do affair por parte de Antoine) em parafuso.

Paralelamente, Antoine tenta esquecer o  evidente fracasso de seu casamento (a esposa não acompanha marido e filha nas férias) flertando com garotas mais jovens ou se empenhando na  luta contra os tais javalis, preparando caçadas e armadilhas que suscitam, no espectador, a tensão de onde tais artimanhas podem desaguar.


Tendo chamarizes como a presença dos dois atores citados - Cluzet, vale lembrar, vem de um sucesso estrondoso do cinema francês, "Os Intocáveis",  êxito esse arrebanhado em nível internacional, enquanto Cassel é um dos rostos mais conhecidos das produções - e a beleza das duas meninas, "Doce Veneno" reedita a sedução das lolitas, já "n" vezes vista nos cinemas - inclusive em produções brasileiras, como "A Menina do Lado". O resultado é um filme interessante para uma tarde descompromissada, mas longe - muito longe - de deixar qualquer marca na memória.

Curiosidades

Falamos em Lolita e o nome da atriz que interpreta a ninfeta no filme é... Lola. Que, por sinal, lembra muito Laura Neiva, que, adolescente, interpretou a filha de Vincent Cassel na produção brasileira "À Deriva". No filme de Heitor Dhalia, Neiva é Filipa, uma adolescente que se entristece ao ver o pai quarentão se interessar por uma mulher mais jovem - tal como ocorre com a personagem Maria, a companheira de férias de Louna em "Doce  Veneno". Classificação: 14 anos



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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Com poesia e algum delírio, "Big Jato" fala da podridão de que somos feitos

A história explora os conflitos entre os dois Francisco - o pai limpador de fossas e o filho poeta (Fotos: Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Atuando em dois papéis, Matheus Nachtergaele é a grande estrela de "Big Jato", filme dirigido por Cláudio Assis, responsável por outras boas esquisitices intrigantes do cinema nacional como "Baixio das Bestas", "A Febre do Rato" e "Amarelo Manga", pra ficar só nos mais conhecidos. Ao emprestar seu brilho e talento a dois irmãos, Francisco e Nelson, dois personagens antagônicos da história, Nachtergaele dá um tom mais real ao drama - às vezes surreal - do menino nordestino cujo pecado era querer ser poeta.


O filme é baseado em livro homônimo (autobiográfico?) do conhecido jornalista Xico Sá. Francisco, vivido pelo estreante Rafael Nicácio, é um adolescente, filho do também Francisco (um dos papéis de Nachtergaele), cuja ocupação é percorrer estradas num caminhão pipa limpando fossas em lugarejos aonde a evolução sanitária não chegou. 

Embora tenha um pai machista e ignorante, o menino tem como modelo o tio Nelson (o outro papel de Nachtergaele), radialista anárquico e delirante. Delirante é também, de certa forma, o filme como um todo. A começar pelo lugar onde a trama se passa, Peixe de Pedra, espécie de cidade fóssil. Sem contar outro personagem, Príncipe, vivido por ninguém menos que Jards Macalé, figura popular que gosta de contar suas conquistas e dores amorosas ao menino Chico. "Big Jato" tem um pé fora do real e, muitas vezes, lembra uma fábula.


Os conflitos entre Francisco pai e Francisco filho - um quer o feijão; o outro quer o sonho - percorrem todo o filme, mediados às vezes pela mãe, interpretada pela sempre fantástica Marcélia Cartaxo. É nessa família que o adolescente vive sua primeira paixão e sofre bulling dos amigos por ser um ajudante do pai na incômoda e fétida tarefa de limpar fossas.

E talvez esteja aí - na fossa - a melhor ideia de "Big Jato". Durante toda a história, há argumentos e discursos recorrentes sobre os excrementos, como a nos lembrar da merda de que somos feitos, da podridão e da finitude de que padecemos.

A comédia dramática "Big Jato" foi a grande vencedora do Festival de Brasília de 2015, conquistando os prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator e Atriz, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro. Com 1h37 de duração está em exibição na sala 3 do Belas Artes, sessão de 16 horas, e no Cine 104, sessão das 17 horas. Classificação: 16 anos



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