terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Disputa de egos e relacionamentos perversos são a essência de "A Favorita

A história é baseada na era da Rainha Anne, governante responsável pela unificação da Escócia e Inglaterra (Fotos: 20th Century Fox/Divulgação)

Carolina Cassese


Apresentando a potência do trio Olivia Colman, Emma Stone e Rachel Weisz, o filme "A Favorita" chega aos cinemas nesta quinta-feira. Junto com "Roma" (Alfonso Cuarón), a produção lidera o número de indicações ao Oscar, com dez nomeações. Dirigido pelo grego Yórgos Lánthimos, conhecido por assinar longas perturbadores como "Dente Canino" (2009) e "O Lagosta" (2015), a trama é centrada na disputa de Lady Sarah Churchill, a Duquesa de Malborough (Weisz) e Abigail (Stone) para o posto de confidente da Rainha da Inglaterra. 

As duas personagens são ambíguas: do começo do filme, Sarah parece ser uma figura detestável, ao passo que Abgail aparenta inocência. A de Stone já foi uma dama da sociedade, mas sua família entra em decadência e ela precisa assumir um cargo de serviçal no castelo para se sustentar. No decorrer do longa, ambas são humanizadas - e mostram uma faceta consideravelmente manipuladora.

Enquanto Anne é incerta em relação às suas decisões como governante, Lady Sarah tem opiniões fortes e está sempre disposta a persuadir a Rainha. Extremista, ela prefere adotar estratégias de combate e constantemente entra em conflito com defensores de ações pacifistas. Abgail entra no jogo de maneira mais sutil e, comendo pelas beiradas, acaba conseguindo espaço no palácio.

A história é baseada na era da Rainha Anne (1702-1714), que assumiu o poder logo depois de sua irmã Mary. A governante foi responsável pela unificação da Escócia e Inglaterra, além de ter desenvolvido o sistema bipartidário, até hoje vigente na Grã-Bretanha. Anne era conhecida ainda por seu temperamento instável. A interpretação de Colman entrega, com maestria, uma rainha densa e complicada. Stone e Weisz também brilham e apresentam uma química incrível em cena.

A direção de Lánthimos não deixa a desejar. São utilizadas câmeras com lentes grandes angulares, que auxiliam na percepção da grandeza de diversos espaços do palácio. Destaque ainda para os exacerbados figurinos, as maquiagens excêntricas e a impecável direção de fotografia. 

Apesar de retratar o século XVIII, o longa apresenta temas atemporais, como relacionamentos abusivos e brigas de egos. As disputas, dentro e fora do castelo, são intermináveis. Também não há espaço para maniqueísmos: o bem o mal se entrelaçam e se confundem o tempo inteiro.

Mesmo não tratando especificamente de questões relativas ao machismo, "A Favorita" é inegavelmente um filme empoderador, já que as mulheres dominam a tela. Com esse trio de peso em cena, a presença de figuras masculinas, francamente, mal faz falta.
Duração: 2 horas
Classificação: 14 anos
Distribuição: Fox Film do Brasil


Tags: #AFavorita, #OliviaColman, #EmmaStone, #RachelWeisz, @20thCenturyFox, @ExpacoZ, @cineart_cinemas, @cinemanoescurinho

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

"Vidro" encerra bem a trilogia dos heróis/vilões de M. Night Shyamalan

Os três personagens apresentados em 2000 e 2017 se encontram para a batalha final (Fotos: Jessica Kourkouni/Universal Pictures)

Maristela Bretas


Não foi como eu gostaria, mas "Vidro" ("Glass") encerra da maneira correta e bem conduzida a trilogia dos heróis/vilões iniciada pelo diretor e roteirista M. Night Shyamalan no ano de 2000 com "Corpo Fechado". Dos três filmes, "Fragmentado" (2017) ainda é o melhor, com destaque para a super interpretação de James McAvoy como Kevin Crumb, o homem de 24 personalidades que retorna nesta nova produção. E novamente o ator domina as cenas com suas transformações e diálogos.

Depois dele, o outro destaque é Samuel L. Jackson, como Elijah Price, o Sr. Vidro. Ele conduz toda a trama, fazendo de cada personagem - herói, vilão ou simples mortais, suas marionetes num jogo para tentar provar sua teoria, apresentada no primeiro filme, de que super-heróis existem e estão entre nós.

Bruce Willis também retoma seu papel de David Dunn e apesar de ser o mais fraco dos três, entrega boa interpretação do vigilante que faz justiça com as próprias mãos. Com a função, adotada no primeiro filme, será ele quem vai caçar e por um fim à "Fera", a personalidade mais cruel e animalesca de Kevin Crumb, que conseguiu escapar em "Fragmentado" e continua deixando um rastro de morte desde então.

Outros atores, mais envelhecidos, claro, como Spencer Treat Clark (que faz Joseph, filho de David) e Charlayne Woodard (a mãe de Elijah), ambos de "Corpo Fechado", e Anya Taylor-Joy, a jovem Casey, única sobrevivente da Fera no segundo filme, estão de volta para ajudar a compor e concluir toda a trama.

A novidade desta produção é a entrada de Sarah Paulson, como a médica Ellie Staple, que vai tratar os três personagens internados/presos num hospital psiquiátrico "especial". Usando suas fraquezas, ela quer provar que não existem super-heróis. Novamente o diretor M. Night Shyamalan faz sua participação rápida, num estilo que foi a marca de Stan Lee em seus filmes da Marvel.

Na história, Kevin Crumb passa a ser perseguido por David Dunn, num jogo de gato e rato orquestrado por Elijah Price, que manipula os encontros entre os dois e guarda segredos sobre eles, forçando um grande confronto final para que o mundo todo assista e saiba de suas existências. Joseph, Casey e a mãe do Sr. Vidro precisarão se unir e buscar respostas para tentarem impedir que David, Kevin e Elijah sejam feridos ou continuem matando.

Os efeitos visuais continuam ótimos, especialmente quando a fera assume o corpo de Kevin e sai quebrando tudo e atacando as pessoas ou subindo as paredes. Por falar em quebrar, o que dá mais gastura são as cenas dos ossos de Elijah quebrando por causa da doença dele. Com final surpreendente, que indica mais um começo do que um fim, recomendo assistir a sequência da trilogia na ordem de lançamento para entender melhor a trama e saber como surgiram os personagens. Os três filmes valem a pena.



Ficha técnica:
Direção, roteiro e criador dos personagens: M. Night Shyamalan
Produção: Blumhouse Productions / Blinding Edge Pictures 
Distribuição: Disney / Buena Vista International
Duração: 2h10
Gêneros: Suspense / Fantasia
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #Vidro, #Glass, @JamesMcAvoy, @BruceWillis, @SamuelLJackson, @MNightShyamalan, #Fragmentado, #suspense, #CorpoFechado, @BuenaVista, @Blumhouse, @Disney, @cinemanoescurinho

sábado, 19 de janeiro de 2019

Com atuação fascinante, Nicole Kidman salva "O Peso do Passado"

Drama policial explora o sentimento de culpa e seus reflexos até mesmo nos descendentes dos envolvidos (Fotos: Concorde Filmverleih/Divulgação)

Wallace Graciano


Ao longo da história da sétima arte, várias produções ficaram marcadas por atuações individuais que ultrapassaram a obra como um todo. E, certamente, os atos de Nicole Kidman frente às câmeras de "O Peso do Passado" ("Destroyer") entrarão para o hall de protagonistas que roubaram a cena.

Na obra dirigida por Karyn Kusama, Kidman dá vida a Erin Bell, uma detetive de polícia que vive à sombra do passado, no qual encarou parte de um plano perigoso para conseguir, ao lado do seu parceiro, desmantelar uma gangue de criminosos. O que não esperava é que sua infiltração no mundo do crime organizado traria à tona uma dura chaga que não seria curada ao longo do tempo.

E é nesse momento que Kidman consegue encarnar com um talento incrível a protagonista. Com esplendor, a talentosa atriz leva o espectador à catarse com sua atuação, expondo os fantasmas do passado e o enrijecimento do espírito humano em suas feições.

Porém, infelizmente, o roteiro fica distante do talento da atriz que o interpreta. Frágil, com vários buracos, sem clímax ou plot twist relevante, o enredo apenas vira um mero script de uma atuação maravilhosa.

Em suma, Kidman dá a "O Peso do Passado" uma atuação magnífica, mostrando o quão devastador é o sentimento de culpa e seus reflexos até mesmo nos descendentes. Na película, a atriz consegue levar ao espectador a sensação de como é sobreviver sem viver.
Classificação: 16 anos
Duração: 2h03
Distribuição: Diamond Films



Tags: OPesoDoPassado, #Destroyer, @NicoleKidman, @DiamondFilms, #drama, #suspense, #policial, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

"Como Treinar Seu Dragão 3" encerra franquia com amor, emoção e amizade

Animação mostra personagens amadurecidos que vão precisar tomar decisões que vão mudar suas vidas (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Amizade sempre foi o ponto principal de "Como Treinar Seu Dragão" e não poderia ser diferente na terceira e última animação da franquia, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas. Preconceito e medo do desconhecido marcaram a primeira produção, a família e a união prevaleceram  em "Como Treinar Seu Dragão 2" e agora, numa relação amadurecida, Soluço (voz de Jay Baruchel) e Banguela, mais amigos do que nunca, vão enfrentar o pior de seus inimigos - Grimmel (F. Murray Abraham) e uma mudança radical em suas vidas e na relação.


Desta vez, o surgimento do amor e a necessidade de assumirem responsabilidades como líderes farão com que os dois inseparáveis repensem sua ligação, sem cortar o forte laço que os une. E ainda viverem felizes com suas novas parceiras. Afinal, Soluço, líder da única tribo viking que respeita e não mata ou caça dragões, namora sem assumir nada a guerreira Astrid (America Ferrera). A dupla é constantemente cobrada para que se case para reinarem juntos, mas ainda não sabem que decisão tomar.


Fúria da Noite, mesmo sendo o mais temido dos dragões, tem um coração tão grande quanto ele e também quer se apaixonar, encontrar sua cara metade e formar uma família. Esta parceira surge num raio. Ela é Fúria de Luz, um lindo dragão fêmeo branco que vai fazer nosso herói da calda partida perder o rumo. Mas até onde esse amor vai colocar em risco a amizade entre o doce e poderoso dragão e seu desengonçado e fiel amigo humano?


"Como Treinar Seu Dragão 3" ("How To Train Your Dragon: The Hidden World") é um filme doce, que cativa e emociona, principalmente pela dupla principal. O namoro de Banguela e Fúria de Luz é muito fofo, com direito a flerte, dancinha de acasalamento, passeio à beira do lago e descoberta de um mundo novo, só para os dragões, com o casal liderando sua raça.


Soluço sonha levar toda a sua comunidade de homens e dragões para este mundo, onde todos possam continuar vivendo em harmonia e a salvo dos caçadores. Ele só não contava com a perseguição de Grimmel, que matou todos os Fúria da Noite e agora está obcecado por Banguela. Para fisgá-lo, nada melhor que usar Fúria de Luz como isca.


Enquanto trava uma batalha para preservar os habitantes de Bergue, o jovem guerreiro também terá de reavaliar seus conceitos de amizade, liberdade e responsabilidade com o reino que lidera. E tomar a mais difícil das decisões - deixar seu amigo partir para viver no seu mundo. Banguela também sofre com a separação e as parceiras de ambos, a família e amigos vão ajudá-los a tomar a decisão certa.

Um ótimo filme para as férias, com muita ação, cor e efeitos visuais, uma trilha sonora bacana, grandes batalhas contra o mal e um final digno dos heróis que consagra a franquia e deverá agradar a toda a família. Vale a pena conferir.



Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção de set: Dean DeBlois
Produção: DreamWorks Animation
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h34
Gêneros: Animação / Aventura / Família
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #ComoTreinarSeuDragão3, #animacao, #aventura, @UniversalPictures, #dragões, @DreamWorksAnimation, #Espaço_Z, @cineart_cinemas, @cinemanoescurinho

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"WiFi Ralph" quebra a internet e entra na disputa de Melhor Animação

Públicos de todas as idades irão se identificar com personagens e situações mostradas nessa divertida e emocionante produção (Fotos: Walt Disney Studios)

Maristela Bretas


Junte um ótimo elenco de dubladores, uma história fantástica com famosos personagens da Disney, um grandalhão desajeitado, mas de um coração enorme e uma garotinha apaixonada por corridas e você tem uma das melhores animações que está em cartaz no cinema: "WiFi Ralph - Quebrando a Internet" ("Ralph Breaks The Internet"). Ela faz rir, chorar, rir novamente e mescla, de maneira excepcional, o mundo dos games antigos (arcade) com os novos e velozes movidos à internet, para agradar a todas as idades, principalmente ao público nerd, que vai identificar conhecidos elementos da World Wide Web.

E foram a curiosidade e a necessidade que levaram Ralph (voz de John C. Reilly) e sua agitada amiguinha Vanellope (Sarah Silverman) à Internet, com tudo o que ela tem de atraente, mas também o lado ruim e distorcido. Somente a Disney para colocar numa animação marcas de produtos, serviços, aplicativos, enfim tudo o que corre na grande Rede, como Google, Facebook, eBay, Amazon, Snapchat, os passarinhos azuis do Twitter, o trenzinho incansável de mensagens do Gmail. 

Tem até um sabe-tudo Isso sem falar nos pop-ups, spams, vírus e antivírus. Até mesmo a Deep Web foi lembrada com importante participação. E claro, a área de busca (do Google) com o "KnowsMore" (Alan Tudyk).

Se no primeiro, a disputa ocorreu no mundo dos games arcade, com Ralph deixando de ser o grande vilão e se tornando o herói do Fliperama Litwak, em "WiFi Ralph" a briga fica mais pesada, assim como os jogos. E é por causa do jogo "Corrida Doce", que tem Vanellope como a maior campeã, que a dupla entra nessa aventura. Com o volante do jogo quebrado por uma jogadora do fliperama, a máquina é desativada e em poucas horas será descartada, para desespero dos personagens. A única saída é encontrar um novo volante, só vendido pelo eBay e eles precisam descobrir o que é isso e essa tal de Internet.


Ralph e Vanellope vão enfrentar as mesmas raivas que os usuários enfrentam - a rede caiu, spams e pop-ups pulando a seu redor, o mensageiro avisando que o tempo para o pagamento está acabando, a necessidade absurda de conseguir o maior número de curtidas para se tornar famoso e conseguir vender ou comprar um produto, e por aí vai. Mas a fama trazida pela WWW tem também seu lado cruel - a decepção com os comentários maldosos e as fake news. Yesss (Taraji P. Henson), uma influenciadora e a alma por trás do "Buzzztube", um famoso website que dita tendências e que se torna amiga de Ralph define bem isso - "nunca leia os comentários".

Fãs do mundo geek vão curtir bem essa animação que remete a games antigos e apresenta os novos. O mais temido deles, que seria um similar do "GTA" é o "Slaughter Race" ("Corrida do Caos"), que tem uma líder de gangue forte, poderosa e absoluta - Shank (voz de Gal Gadot). Vanellope, que sempre foi a líder em Corrida Doce, descobre que é deste novo game que sempre sonhou participar e Vai pra pista contra Shank. E se não bastar, que tal misturar "Star Wars" nessa confusão, com seus dubladores oficiais, como Anthony Daniels como C3PO? Ou Baby Groot, na voz de Vin Diesel? Até Buzz Lightyear (Tim Allen) quis fazer parte.

O filme é para toda a família - pais e mães vão se identificar comj situações cotidianas vividas por quem navega na Internet (ou pelo menos tenta, depende da rede). Pode parecer que se trata de um filme apenas de jogos, mas "WiFi Ralph" vai muito além, abordando temas delicados como adoção, realização de sonhos, o velho sendo descartado, o novo (a Internet) dominando as pessoas (em todos os sentidos), colocando inclusive amizades em jogo e os riscos da vida conectada 24 horas.

Novamente a Disney reforça o poder das mulheres, transformando as famosas princesas, antes "dondocas do lar" em personagens batalhadoras, dispostas a uma boa briga e a se unirem para salvar os "homens fortões que precisam de ajuda" (só quem assistir vai entender esta fala). E as vozes de Anna e Elsa (Kristen Bell e Idina Menzel), Mulan (Ming-Na Wen), Moana (Auli'i Cravalho), Mandy Moore (Rapunzel), Irene Bedard (Pocahontas), Bella (Paige OHara), Ariel (Jodi Benson) e várias outras que estão na produção também são de suas dubladoras oficiais.

"WiFi Ralph - Quebrando a Internet" explora muito bem o mundo virtual, de maneira divertida, com muita cor, diálogos engraçados, efeitos visuais incríveis, uma bela trilha sonora e grandes mensagens, principalmente de amizade, o que já era esperado de uma produção do estúdio do castelo. E os diretores Rich Moore e Phil Johnston reforçam esse sentimento o tempo todo, entre os velhos e novos integrantes da história. 

Com certeza, este segundo filme é ainda melhor que o primeiro - "Detona Ralph" (2012) - e merece estar na disputa de vários prêmios na categoria de Melhor Animação, concorrendo com "Homem-Aranha no Aranhaverso" (que já faturou vários) e "Os Incríveis 2". Imperdível. 



Ficha técnica:
Direção: Rich Moore / Phil Johnston
Produção: Walt Disney Animation Studios
Distribuição: Disney/Buena Vista
Duração: 1h54
Gêneros: Animação / Aventura / Comédia / Família
País: EUA
Classificação: 6 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #WiFiRalphQuebrandoAInternet, #animacao, #DisneyStudios, #WiFiRalph, #cineart_cinemas, @cinemanoescurinho


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

"Assunto de Família" mostra por que mereceu a Palma de Ouro em Cannes

Pequena obra-prima do cinema japonês é dirigida de maneira sutil e perfeita por Hirokasu Kore-eda (Fotos: Wild Bunch Distribution)

Mirtes Helena Scalioni


O que determina a formação de um grupo que possa ser chamado de família? Seriam os laços de sangue os imperativos formadores desse grupo? Que personagens, afinal, cabem e estão moralmente aptos a formar uma família? O debate, além de oportuno nesse Brasil de hoje, é o mote principal de "Assunto de Família" ("Manbiki Kazoku"), produção japonesa dirigida e roteirizada por Hirokasu Kore-eda que, segundo consta, tem esse tema como uma constante em sua obra. 

E foi com "Assunto de Família" que o diretor conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2018. O drama também foi indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro do Globo de Ouro 2019 e é o representante do Japão no Oscar deste ano na mesma categoria.

Estranhamente, o filme começa com Osamu Shibata (Lily Franky) ensinando a um menino que parece ser seu filho a praticar pequenos furtos num mercado. Para o espectador, fica claro, logo no início, que o adolescente Shota (Jyo Kairi) tem grande admiração pelo pai/mestre quando os dois saem comemorando o sucesso do roubo, na verdade praticado devido a uma perfeita e bem orquestrada cumplicidade da dupla.

De volta para casa, enquanto caminham por bairros pobres de alguma cidade do Japão, eles se deparam com uma cena que, ao que parece, já conhecem: uma menina de uns três/quatro anos está abandonada, com frio e machucada na porta de casa. Sem muitos questionamentos, como se tudo fosse muito natural, eles levam a menina Yuri (Miyu Sasak) para casa deles com o objetivo de cuidar dela.

"Assunto de Família" surpreende mais ainda quando, ao chegar à casa que parece estar numa favela, os três são recebidos por um estranhíssimo grupo composto por uma senhora que todos chamam de avó (Kiki Kirin), duas mulheres adultas, que o público vai aos poucos identificando como Nobuyo Shibata (Sakura Andô) e Aki Shibata (Mayu Matsuoba).

E é também aos poucos, ao longo dos 120 minutos do filme, que o espectador descobre que aquela é uma família particularíssima, onde vivem numa harmonia possível, ladrões, prostitutas e trambiqueiros. O pequeno espaço, quase claustrofóbico, permite que os conluios e cumplicidades despertem e floresçam. Assim como os afetos.

Filmes sobre famílias costumam ser sempre ricos. Mas esse é particularmente rico porque tem um roteiro hábil. E o diretor, sem nenhum julgamento moral, envolve o público numa trama que, depois, se revela misteriosa, policialesca. Não dá pra saber exatamente quanto tempo aquelas pessoas estão ali, à margem da sociedade.

Mas é possível imaginar que não se trata de pouco tempo porque os moradores enfrentam a neve, a chuva, o calor do verão. Enquanto segredos são revelados, o espectador tem a chance de refletir sobre o encanto de criar e reforçar laços e sobre todos os conceitos a respeito da amizade, o amor e os afetos.
Duração: 2h01
Classificação: 14 anos
Distribuição: Imovision


Tags: #AssuntoDeFamilia, #Japao, #PalmadeOuro, #Cannes, #HirokasuKore-eda, #drama, @Imovision, #EspacoZ, @cineart_cinemas, @cinemanoescurinho

"Homem-Aranha no Aranhaverso" é animação imperdível do herói dos quadrinhos

Super-herói Marvel vai contar com a ajuda de outros como ele, vindos de dimensões paralelas, para combater o crime em Nova York (Fotos: Sony Pictures Entertainment)

Maristela Bretas


Depois de laçar a estatueta de Melhor Filme de Animação do Globo de Ouro 2019, "Homem-Aranha no Aranhaverso" ("Spider-Man: Into the Spider-Verse") solta sua teia a partir desta quinta-feira nos cinemas brasileiros com a promessa de prender o público que curte uma super história em quadrinhos. A produção da Marvel Studios com distribuição da Sony Pictures também está disputa outros prêmios importantes de Hollywood, inclusive o Oscar deste ano na categoria.



A história do jovem que adquire superpoderes após ser picado por uma aranha geneticamente modificada já é conhecida por todos. Mas agora ganha as telas com outras roupagens. A começar pela escolha de um jovem negro do Brooklin para vestir a fantasia azul e vermelha do herói que circula pela cidade combatendo o crime pendurado numa teia. Uma escolha politicamente correta e excelente.


Miles Morales é um garoto simpático, que conquista o público de imediato por ser um fã do Homem-Aranha como muitos de nós. Para ele, Peter Parker, agora já conhecido por todos como o aracnídeo do bem, é seu modelo de super-herói. O adolescente admira a forma como ele combate o crime na cidade e atrai seguidores por onde passa. Até que o Homem-Aranha é dado como morto e a criminalidade toma conta de Nova York.


A população agora precisa de um novo protetor. Miles só não esperava que fosse ele, inspirado no legado de Parker e vivendo a mesma situação - ser picado por uma aranha e adquirir poderes. Ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, o jovem é surpreendido com a presença do próprio Parker, vestindo o traje do herói coberto por um sobretudo. Vindo de uma dimensão paralela, ele será o mentor de Miles para que se torne o novo "amigo da vizinhança". 

Se o garoto já está vibrando com a chance de lutar ao lado de seu herói, imagina com outras quatro versões, vindas de universos diferentes. Todos eles precisarão se unir para vencer Wilson Fisk - O Rei do Crime - e seus parceiros: Dra. Octopus, Duende Verde e Scorpion. Só depois poderão retornar a seus mundos.


"Homem-Aranha no Aranhaverso" é ótimo, tem muita cor, ação, aventura e diálogos engraçados, com direito a "balões" de pensamentos dos personagens, como nas HQs. Este é inclusive um dos grandes diferenciais desta produção, que mescla computação gráfica e traços clássicos do formato 2D. Merece cada prêmio que faturar neste ano na categoria de Filme de Animação, apesar da forte concorrência com "Os Incríveis 2", outra excelente produção que arrasou bilheterias.


Os diretores de "Aranhaverso" também se preocuparam em passar boas mensagens, o que coloca o filme também no gênero família. Além de precisar aprender o mais rápido possível como se tornar um herói, Miles Morales também vive os dramas da adolescência, o bullying na escola, a família que o trata como criança, o pai policial amoroso, mas que não aceita a presença de um Homem-Aranha fazendo a segurança da cidade, e o tio boa-praça mas ligado à criminalidade.


A Marvel também mostra nesta produção uma preocupação com a inclusão ao inserir um jovem negro no papel de um de seus mais icônicos super-heróis. E de imediato ele conquista o público por sua simplicidade e simpatia. A desmistificação continua com a escolha dos personagens das demais versões - Gwen Stacy é a Mulher-Aranha, Homem-Aranha Noir, o Porco-Aranha e Peni Parker, uma menina que parece ter saído de um anime e que tem um robozinho como parceiro.


Na versão legendada um grande atrativo é o elenco de peso que fez a dublagem: Jake Johnson ("Te Peguei! - 2018), como Peter Parker/Homem-Aranha, Mahershala Ali (prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Globo de Ouro 2019 pelo filme "Green Book: O Guia", que estreia neste mês) como o tio Aaron, Shameik Moore (Miles Morales), Hailee Steinfeld (de "Bumblebee" - 2018), como Gwen Stacy, Nicholas Cage (Homem-Aranha Noir), Lily Tomlin (tia May), John Mulaney (Porco-Aranha), Liev Schreiber (Rei do Crime) e Chris Pine, como o Homem-Aranha idolatrado por Morales.


Stan Lee, que junto com Steve Ditko criou os quadrinhos dos super-heróis da Marvel, recebeu uma participação ainda maior que nos filmes, mantendo o humor, mas passando uma boa mensagem ao jovem Miles. "Homem-Aranha no Aranhaverso" é uma animação imperdível, ideal para assistir com um baldão de pipoca no colo e um copo grande de refrigerante.


Ficha técnica:
Direção: Bob Persichetti / Peter Ramsey / Rodney Rothman
Produção: Sony Pictures Animation / Marvel Animation /Columbia Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h57
Gêneros: Animação / Ação / Família
País: EUA
Classificação: 10 anos
Nota: 4,5 (0 a 5)

Tags: #HomemAranhaNoAranhaverso, @SonyAnimation, @MarvelAnimation, @SonyPictures, #acao, #animacao, #familia, #EspacoZ, @cineart_cinemas, @cinemanoescurinho

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Inusitado e belo, "O Confeiteiro" trata da complexa alma humana

Thomas é um alemão de poucas palavras que confecciona e confeita biscoitos e bolos com um toque de sensualidade (Fotos: Karma Films/Distribuição)

Mirtes Helena Scalioni


Instigante. Talvez seja esse o adjetivo que mais resuma "O Confeiteiro" ("The Cakemaker"), produção a partir de uma inusitada parceria entre Alemanha e Israel. Quase tudo no filme, aliás, é inusitado e surpreendentemente bonito. Porque é com uma boa dose de beleza que o diretor conta a estranha história do confeiteiro alemão Thomas que, após a morte do seu amante judeu Oren, viaja para Jerusalém em busca da família e dos traços do seu amor.

Primeiro longa do israelense Ofir Raul Graizer - que também escreveu o roteiro - o filme começa com as atividades de Thomas (Tim Kalkhof) na Confeitaria Kredenz em Berlim. Mão na massa, ele confecciona, confeita e atende aos fregueses com poucas palavras. Os closes nos biscoitos e pedaços de tortas são, desde o início, um convite aos sentidos e, de certa forma, à sensualidade. 


É nesse cenário que ele conhece e se apaixona por um cliente judeu, Oren (Roy Miller), que faz trabalhos periódicos na Alemanha, o que permite aos dois manter e alimentar o amor por mais de um ano, até que Oren morre de acidente e some. O que faz então o confeiteiro apaixonado e cheio de dores com a ausência do seu amor? Inusitadamente, viaja para Jerusalém como se quisesse compartilhar o luto com a esposa de Oren, Anat (Sarah Adler) e sua família. 

Como se não bastasse, consegue uma vaga no café da viúva que, a princípio, mantém seu negócio dentro da rígida orientação kosher - uma série de normas de preparo e manutenção de alimentos segundo preceitos do judaísmo. Também inusitadamente, Thomas acaba se envolvendo com ela. 

Há um toque precioso em "O Confeiteiro": os silêncios. Como Thomas é discreto e fala pouquíssimo, além de não saber se comunicar no idioma judaico, os olhares tendem a ser, em alguns momentos, disseminadores de dúvidas e, em outros, reveladores de intenções e desejos. 

É preciso ressaltar também a lentidão - necessária - com que o filme é levado, para que o espectador possa desfazer, paulatinamente, os nós criados na trama. É também com muita delicadeza que o diretor trata de tema tão complexo. A complexidade do ser humano, aliás, é o que mais realça e faz pensar no filme. Não importa de que nacionalidade a gente seja ou que religião professamos. Somos todos únicos e surpreendentes. "O Confeiteiro" está em cartaz na sala 2 do Belas, sessões às 16h30 e 21h20. 
Duração: 1h45
Classificação: 14 anos
Distribuição: Imovision


Tags: #OConfeiteiro, #drama, @Imovison, @cinemanoescurinho

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

"Bohemian Rhapsody" e "Green Book: O Guia" se consagram no Globo de Ouro



Maristela Bretas


"Bohemian Rhapsody" e "Green Book: O Guia" foram os grandes vencedores da 76ª edição do Globo de Ouro, no cinema e na TV, promovida pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood. O primeiro conquistou as estatuetas de Melhor Filme de Drama e Melhor Ator de Drama, entregue a Rami Malek que fez grande interpretação do cantor e compositor Freddie Mercury, da banda Queen. Já "Green Book: O Guia" ficou com três estatuetas - Melhor Filme Comédia ou Musical, Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante, prêmio recebido por Mahershala Ali.


Com apresentação de Sandra Oh e Andy Samberg e exibição pela TNT, a premiação contou com piadas e referências a filmes, séries, atores e diretores que estavam na disputa. Para quebrar o gelo, no lugar da pizza para os convidados, neste ano eles receberam vacina contra a gripe Influenza. Além de apresentadora, Sandra Oh conquistou a estatueta de Melhor Atriz de Série de Drama por seu papel em "Killing Eve". Ela elogiou o momento de mudanças que o cinema está vivendo, principalmente por causa da maior presença de mulheres e negros na premiação.

Sandra Oh - "Killing Eve" (BBC America)
Bradley Cooper e Lady Gaga entregaram a primeira estatueta, para Melhor Ator de Série de Comédia ou Musical a Michael Douglas, que integra o elenco de "The Kominsky Method", uma produção da Netflix, também escolhida como Melhor Série de Comédia ou Musical. Michael B. Jordan e parte do elenco de "Pantera Negra" anunciaram o Melhor Longa de Animação, conquistado por "Homem-Aranha no Aranhaverso". Os responsáveis pela produção subiram ao palco e agradeceram a todos, inclusive a Stan Lee.

"Homem-Aranha no Aranhaverso" (Sony Pictures)
Integrantes do elenco de "The Big Bang Theory" entregou o prêmio de Melhor Ator de Série de Drama a Richard Madden, de "Segurança em Jogo" ("Bodyguard"). Eles também anunciaram "The Americans" como Melhor Série de Drama. Ben Whishaw foi escolhido Melhor Ator Coadjuvante em Série de Filme para TV por "A Very English Scandal", prêmio entregue por Gina Rodriguez e Taraji P. Henson. 

Ben Stiller deu os parabéns a Jamie Lee Curtis por "Halloween", que perguntou a ele o que ele fez em 2018. Ele disse que foi diretor de uma série - "Escape at  Dannemora". E foi esta série que garantiu a Patricia Arquette o prêmio de Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para TV entregue a ela pelo diretor.

"Nasce Uma Estrela" (Warner Bros Picures)
Taylor Swift foi a surpresa da noite e anunciou junto com Idris Elba o prêmio de Melhor Trilha Sonora de Filme para "O Primeiro Homem", entregue ao produtor Justin Hurwitz. A confirmação da Melhor Canção Original veio em seguida com a estatueta merecidamente conquistada pela favorita da noite, "Shallow", do filme "Nasce uma Estrela". Mesmo alegando não estar passando muito bem, Lady Gaga subiu ao palco e recebeu a estatueta das mãos da cantora. Ela agradeceu pelo apoio, e encerrou criticando "como uma mulher na música, é muito difícil ser levada a sério na indústria".

Carol Burnett (Divulgação)
Steve Carell anunciou a criação do prêmio Carol Burnett, lançado nessa edição do Globo de Ouro e fez uma homenagem à grande atriz comediante e vencedora de vários prêmios, Carol Burnett, que influenciou diversas gerações. Em 60 anos de carreira, abocanhou cinco Globos de Ouro, seis Emmys e 12 People's Choise Awards. Ela contou um pouco de sua história, de como se apaixonou pelo cinema e foi a primeira a receber a estatueta que leva seu nome.

Christian Bale - "Vice" (Mars Films)
Allison Janney e Sam Rockwell contaram o que tinham em comum e anunciaram Regina King como Melhor Atriz Coadjuvante, no filme "Se a Rua Beale Falasse". "Objetos Cortantes" ("Sharp Objects"), série da HBO, garantiu a Patricia Clarkson o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante de TV. Para Melhor Ator em Comédia ou Musical, a escolha ficou para Christian Bale, por "Vice".

Catherine Zeta-Jones e Antonio Banderas anunciaram o mexicano "Roma", do diretor Alfonso Cuaron e produção da Netflix, como Melhor Filme de Língua Estrangeira.  E foi o ator Harrison Ford quem entregou a Cuaron a segunda estatueta conquistada por "Roma" na noite como Melhor Diretor.

"Roma" (Netflix)
"The Assassination of Gianni Versace (American Crime Story)" também faturou as premiações de Melhor Minissérie ou Filme para TV e de Melhor Ator em Minissérie ou Filme para TV para Darren Criss, que era um dos favoritos da noite. Outra série com duas estatuetas foi "The Kominsky Method", como Melhor Série de Comédia ou Musical e Melhor Ator de Série de Comédia ou Musical, entregue a Michael Douglas.

Chris Pine fez uma homenagem a Jeff Bridges, com a exibição de grandes sucessos do ator como “A Última Sessão de Cinema” (1971), "King Kong" (1976), “Silent Night, Lonely Night” (1969), “Starman - O Homem das Estrelas” (1984) e “Susie e os Baker Boys” (1969). Ele recebeu o prêmio Cecil B. DeMille.

Olivia Colman - "A Favorita" (20th Century Fox)
Os atores "This Is Us" foram os responsáveis por anunciarem a vencedora do prêmio de Melhor Atriz de Série de Comédia ou Musical, entregue a Rachel Brosnahan, de "The Marvelous Mrs. Maisel". Anne Hathaway e Jessica Chastain anunciaram Olivia Colman como Melhor Atriz em Comédia ou Musical, por "A Favorita". Ela agradeceu a todos e principalmente às parceiras de filme, Emma Stone e Rachel Weisz.

Glen Close - "A Esposa" (Embankment Films)
Sem alongar em discursos, Gary Oldman anunciou Glenn Close, de "A Esposa", como Melhor Atriz de Drama, aplaudida de pé. Ela chorou de emoção pelo prêmio e reforçou os direitos de todas as mulheres. Lembrou ainda que fará 45 anos como atriz este ano e foi aplaudida de pé. 

Já em ritmo acelerado, a solenidade de entrega do Globo de Ouro contou com Richard Gere e Julianne Moore, que anunciaram Rami Malek, como Melhor Ator de Drama. Ele agradeceu a todos e principalmente ao Queen por garantirem a autenticidade do filme e a Freddie Mercury por ter lhe dado a alegria de vencer. O encerramento foi feito por  Nicole Kidman que anunciou "Bohemian Rhapsody" como de Melhor Filme Drama, desbancando outros favoritos como "Nasce Uma Estrela" e "Pantera Negra".



Confira os vencedores do 76º Globo de Ouro:

CINEMA:

Melhor Filme de Drama: "Bohemian Rhapsody"

Melhor Filme Comédia ou Musical: "Green Book: O Guia"

<<<<<<< Melhor Diretor: Alfonso Cuaron, por "Roma"

Melhor Ator de Drama: Rami Malek - "Bohemian Rhapsody"

Melhor Atriz de Drama: Glenn Close, de "A Esposa"

Melhor Atriz em Comédia ou Musical: Olivia Colman, de "A Favorita"

Melhor Ator em Comédia ou Musical: Christian Bale, de "Vice"

Melhor Atriz Coadjuvante: Regina King, de "Se a Rua Beale Falasse"

Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali, de "Green Book: O Guia"->>>>>>>>>>>>

Melhor Filme de Animação: "Homem-Aranha no Aranhaverso"

Melhor Roteiro: Peter Farrelly, Nick Vallelonga e Brian Currie, de "Green Book: O Guia"

Melhor Canção Original:Shallow”, de "Nasce uma Estrela"

Melhor Trilha Sonora de Filme: Justin Hurwitz, para "O Primeiro Homem"

Melhor Filme de Língua Estrangeira: "Roma" (México)



TELEVISÃO

Melhor Série de Drama: "The Americans"


Melhor Série de Comédia ou Musical: "The Kominsky Method"

<<<<<<< Melhor Minissérie ou Filme para TV: "The Assassination of Gianni Versace (American Crime Story)"

Melhor Atriz de Série de Drama: Sandra Oh, de "Killing Eve"

Melhor Ator de Série de Drama: Richard Madden, de "Segurança em Jogo" ("Bodyguard")

Melhor Ator de Série de Comédia ou Musical: Michael Douglas, de "The Kominsky Method"

Melhor Atriz de Série de Comédia ou Musical: Rachel Brosnahan, de "The Marvelous Mrs. Maisel"

Patrícia Arquette - "Escape at Dannemora" (Showtime)
Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para TV: Patricia Arquette, de "Escape at Dannemora" >>>>>>>>>>>>

Melhor Ator em Minissérie ou Filme para TV: Darren Criss, de "The Assassination of Gianni Versace"

Melhor Ator Coadjuvante em Série de Filme para TV: Ben Whishaw, de "A Very English Scandal"

Melhor Atriz Coadjuvante de TV: Patricia Clarkson, de "Sharp Objects"





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