segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Duro e comovente, "Querido Menino" fará você esquecer tudo o que viu sobre jovens drogados

Steve Carell e Timothèe Chalamet interpretam pai e filho vivendo o drama para vencer o vício que desestrutura toda a família (Fotos: François Duhamel/Amazon)

Mirtes Helena Scalioni


Há filmes, às vezes até fortes, dos quais a gente se esquece assim que sai do cinema ou, no máximo, no dia seguinte. Não é o caso de "Querido Menino" ("Beautiful Boy"), drama dirigido por Felix Van Groeningen, baseado em fatos reais. Possivelmente, durante algum tempo, o espectador vai refletir e tentar compreender a dor e a aflição daquele pai que faz o impossível para salvar o filho das drogas. Histórias sobre jovens drogados há muitas. Mas essa é diferente. E impacta de forma tão contundente exatamente porque não se limita ao maniqueísmo. Não há lições de moral, demonização, vilões nem mocinhos. Não há culpados nem inocentes. 

David Sheff é um jornalista e escritor bem sucedido que vive numa casa linda com sua segunda mulher Karen e três filhos: os dois menores, lindos e saudáveis, e o adolescente Nic, fruto do seu primeiro casamento com Vick. A vida seria um permanente comercial de margarina se Nic não tivesse se metido com drogas pesadas. O mais inesperado é que pai e filho vivem bem. Não brigam, são amorosos um com o outro, têm cumplicidade e afeto. Ou seja: ninguém errou. O menino foi bem criado, ia bem na escola, era amigo dos irmãos. A pergunta que fica é: como isso pode acontecer?

Essa é, aliás, a pergunta que David Sheff se faz durante todo o filme. O olhar e as expressões dele refletem isso. Numa interpretação mais do que brilhante de Steve Carell, esse pai que ama desesperadamente o filho é incansável nas inúmeras tentativas de recuperar o menino em suas repetidas recaídas. E a luta é árdua e longa. Tão longa que Nic é interpretado por dois atores, em duas fases da vida: Timothèe Chalamet quando adolescente, e Jack Dylan Grazer aos 12 anos. Ambos estão muito bem. E para quem não está ligando o nome à pessoa, vale lembrar que Chalamet foi o adolescente de "Me Chame Pelo Seu Nome", em atuação muito elogiada.

Embora o público costume valorizar a interpretação de drogados e malucos, no caso de "Querido Menino", os aplausos mais veementes são mesmo para Carell, que soube transmitir, com maestria e muita emoção, o sofrimento e as dúvidas do pai, às vezes paralisado diante de tanto cansaço e dor. Completam o elenco, Maura Tierney como Karen, Amy Ryan como Vick, mãe de Nic, e Kaitlyn Dever como Lauren, a amiguinha drogada.

Uma curiosidade: a expressão "beautiful boy" do título em inglês é uma referência à bela canção que John Lennon fez para o seu filho Sean. Em momento comovente do filme, ela é cantarolada pelo pai. Aliás, é preciso dizer, a trilha sonora do longa é expressiva e bela e pontua com perfeição os conflitos e dramas dos personagens.

"Querido Menino" é todo contado em flashbacks. Portanto, é aos poucos que o espectador vai costurando a relação do pai com o filho, vai compreendendo a estrutura daquela família tão comum quanto afetuosa e, claro, vai sofrendo como todos porque nada pode ser feito. É como uma fatalidade, da qual não se pode escapar. É como se não houvesse esperança.
Duração: 2h01
Classificação: 14 anos
Distribuição: Diamond Films


Tags: #QueridoMenino, #beautifulboy, @SteveCarell, @TimotheeChalamet, #drama, #drogas, @DiamondFilms, @cinemanoescurinho

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Cineart recebe Maisa Silva e Paula Pimenta para pré-estreia de "Cinderela Pop"

Atriz e autora do Best-seller que deu origem ao filme vão receber os fãs no Minas Shopping, dia 23 de fevereiro, antes da sessão (Fotos: Rodrigo Montenegro/Panorâmica Filmes)


A Cineart e o Minas Shopping realizam pré-estreia exclusiva do primeiro filme protagonizado pela estrela teen Maisa Silva: "Cinderela Pop". Inspirado em livro homônimo da autora mineira Paula Pimenta, o longa-metragem será exibido na Cineart do Minas Shopping, no dia 23 de fevereiro (sábado), a partir das 11h30, com a presença da atriz e da escritora. 

Antes da exibição, a partir das 10h30, Maisa vai posar para fotos com grupos de espectadores que apresentarem o ingresso, que pode ser adquirido por R$ 25,00 (inteira) ou R$ 12,50 (meia) no site www.cineart.com.br. A estreia oficial nos cinemas está marcada para o dia 28 de fevereiro.

O filme “Cinderela Pop”, dirigido por Bruno Garotti, retrata a vida da romântica adolescente Cíntia Dorella, vivida por Maisa Silva, que sonha em encontrar o namorado ideal, até descobrir uma traição de seu pai. Decepcionada com o amor, a jovem se muda para a casa da tia que, como uma fada madrinha, a incentiva a investir na carreira musical. A partir de então, sob a identidade misteriosa de Cinderela Pop, Cíntia mudará os rumos de sua própria vida.

Esse é o quinto longa-metragem da carreira de Maisa Silva. A atriz, que iniciou a vida artística aos 3 anos de idade, também atuou em "Carrossel" (2015), "Carrossel 2" (2016) e "Tudo Por Um Popstar" (2018). No elenco de "Cinderela Pop" também estão Giovanna Grigio, Filipe Bragança, Sérgio Malheiros, Fernanda Paes Leme, Marcelo Valle, Elisa Pinheiro, Isabel Filardis, Matheus Costa, Letícia Pedro e Miriam Freeland.

Para a coordenadora de marketing da Cineart, Ludmila Simão, é sempre importante aproximar os personagens do público. "Para a exibidora, pré-estreias com a presença de integrantes do filme trazem bons resultados de bilheteria e o público se sente prestigiado. Será uma alegria receber a Maisa Silva, que acumula fãs pelo Brasil e em Belo Horizonte, e também a Paula Pimenta, autora mineira do Best-seller e com muitos seguidores”, afirma.


Segundo a coordenadora de Marketing da Galeria Distribuidora, Thais Marinho, responsável pela distribuição de "Cinderela Pop", há boas expectativas para o evento na capital mineira. "Acreditamos que a sessão ajudará a alavancar ainda mais o filme", adianta. O gerente geral do Minas Shopping, Fábio Freitas, concorda com a previsão. "Esperamos que o lançamento seja um sucesso. É uma honra para o Minas Shopping ser escolhido como espaço para a pré-estreia de uma estrela tão querida pelo público juvenil", afirma.



Ficha técnica:
Direção: Bruno Garotti
Produção: Panorâmica Filmes
Duração: 1h40
Distribuição: Galeria Distribuidora / Miravista Pictures
Gêneros: Fantasia / Comédia / Romance
País: Brasil
Classificação: Livre

Tags: #CinderelaPop, #MaisaSilva, #PaulaPimenta, @cineart_cinemas, #comedia, #romance, #MinasShopping, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

"Alita: Anjo de Combate" tem efeitos visuais arrasadores e muita ação no estilo James Cameron

A atriz Rosa Salazar interpreta a ciborgue remontada por um cientista e que busca justiça (Fotos: 20th Century Fox/Divulgação)

Maristela Bretas


James Cameron deixa novamente sua marca ao produzir "Alita: Anjo de Combate", em cartaz a partir desta quinta-feira nos cinemas. Oferecendo ao público muita ação, efeitos visuais espetaculares (como fez com "Avatar" - 2009), o produtor conduziu o longa bem ao seu estilo, dividindo os louros com o diretor Robert Rodriguez (de "Sin City - A Cidade do Pecado", de 2005). O resultado desta união é um live-action de qualidade técnica excelente, que fica ainda melhor quando assistido em 3D e, principalmente Imax. 

"Alita: Anjo de Combate" lembra em alguns momentos a história de "Elysium" (2013), com Matt Damon, em que os habitantes pobres e sem recursos precisam viver num planeta destruído, enquanto os ricos vivem numa estação espacial. Em "Alita", a ação se passa no ano de 2563 e os pobres vivem na Cidade de Ferro, um gueto multirracial marginalizado destruído, superpovoado e dominado por Nova, comandante de Zalem, a única cidade voadora remanescente após A Queda, a guerra intergaláctica. É lá que vivem os mais abastados e escolhidos, esbanjando recursos. Claro que quem está embaixo não se conforma e é capaz de qualquer coisa para conquistar seu direito de subir à estação voadora.

Nesse ambiente, uma ciborgue semidestruída é encontrada por um cientista no lixão da cidade e reconstruída por ele, recebendo o nome de Alita. Aos poucos ela vai recuperando sua memória e descobre que uma máquina extremamente avançada de combate com grande conhecimento de artes marciais e pode representar um perigo aos dominadores dos dois reinos. 


Enquanto busca informações sobre seu passado, trabalha como caçadora de recompensas e se envolve com um dos colaboradores do cientista. A atuação de Rose Salazar como Alita é perfeita, chega a dar dúvida entre a máquina e a atriz que a interpreta. O filme é baseado na série de mangás homônima de Yukito Kishiro. Veja abaixo como foi a gravação do personagem e a captura dos 



No elenco estão também Christoph Waltz, como o cientista Dr. Ido (muito bem no papel); Jennifer Connelly; como a cirurgiã Chiren; Mahershala Ali, como Vector , que comanda a Cidade de Ferro; Keean Johnson, como o jovem Hugo; Jackie Earle Haley, como o gigantesco meio ciborgue Grewishka e Ed Skrein, como o caçador de recompensas Zapan.

Apesar de ser uma história comum já contada em outras produções, "Alita: Anjo de Combate" é diferente por prender o espectador com uma ação constante que empolga, com muitos efeitos e uma personagem de tecnologia avançada mas com um lado humano bem carismático. Só isso já vale o ingresso. Uma boa opção para quem gosta deste tipo de filme.


Ficha técnica:
Direção: Robert Rodriguez
Produção: 20th Century Fox / Lighstorm Entertainment
Distribuição: Fox Film do Brasil
Duração: 2h02
Gêneros: Ação / Ficção científica
Países: EUA / Argentina / Canadá
Classificação: 14 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #AlitaAnjoDeCombate, #AlitaBattleAngel, #JamesCameron, #ChristophWaltz, #RosaSalazar, #JenniferConnelly, #acao, #ficcao, @20thCenturyFox, #EspacoZ, @cineart_cinemas, @cinemanoescurinho

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Endividado, Clint Eastwood vira "A Mula" do tráfico para pagar as contas

Biografia de traficante conta, de maneira aliviada, como ele usava a desculpa de que os fins justificavam para transportar drogas pelos EUA (Fotos: Warner Bros. Pictures)

Maristela Bretas


"A Mula" ("The Mule") trata-se de uma história comum, nada de excepcional, talvez pelo fato de ter sido aliviada na produção pelo produtor, diretor e ator principal Clint Eastwood. A versão cinematográfica se preocupou mais em apresentar o então octogenário Leo Earl Sharp como um bom e inicialmente inocente velhinho, que começa a traficar drogas somente para pagar as contas e ajudar os amigos. Até o nome dele foi usado de outra forma no filme para ficar mais leve - ele é chamado apenas de Earl Stone.

El Tata (esquerda) e Clint Eastwood (Montagem)
"El Tata", como era conhecido o traficante Leo Sharp, antes de ganhar fama no mundo do crime, cultivava flores ornamentais, em especial lírios, e conseguiu criar espécies híbridas de variadas cores. Chegou a plantar flores no jardim da casa do presidente George W. Bush. Como veterano da Segunda Guerra Mundial foi condecorado com a Medalha de Bronze por seus serviços. Mas problemas financeiros teriam levado o idoso, então com 90 anos, amigo de todos, respeitado na comunidade e acima de qualquer suspeita a se envolver com o Sinaloa, cartel de drogas mexicano, onde acabou se tornando uma lenda como a mula mais velha e mais bem sucedida do tráfico, tendo transportado milhares de quilos de cocaína para os Estados Unidos.

No filme, Clint Eastwood deu uma aliviada em vários pontos da vida de Sharp, quase levando as pessoas a torcerem por ele de tão bonzinho ficou o personagem, esquecendo que era um criminoso. Não poderia ser diferente do homem que também viveu alheio à própria família por anos a fio, só se preocupava com as farras com os amigos e a boa vida que o dinheiro do tráfico passou a lhe proporcionar. Earl Stone tem uma postura humana, que demonstra arrependimento de muitas coisas e a necessidade de tentar consertar as relações com as pessoas que ama.

O traficante foi preso em outubro de 2011 no Estado de Michigan durante uma operação da Divisão de Narcóticos e permaneceu por três anos numa prisão federal, sendo libertado por uma questão humanitária (idade avançada). E mesmo a história confirmando que ele sempre usou sua velha caminhonete para o transporte da carga, o que não despertava a atenção da polícia, no filme, ao contrário, uma das primeiras coisas que Stone faz ao receber o primeiro pagamento é trocar a velha companheira de estrada por uma picape novinha preta extremamente chamativa.

O elenco desperdiça atores de peso como Bradley Cooper, que foi dirigido por Eastwood em "Sniper Americano" (2015) - ele faz o agente Colin Bates, da Divisão de Narcóticos que persegue Stone; Laurence Fishburne, como o chefe de Bates; Andy Garcia é Laton, chefão do tráfico (e pensar que ele já foi um sonho de consumo); Michael Peña, o agente Treviño, parceiro de Bates na polícia; Dianne Wiest é Mary, esposa de Earl Stone; Taissa Farmiga, como Ginny, neta de Earl, e Alison Eastwood no papel de Íris, única filha de Earl (ela é filha na vida real de Clint). Mas todos estão lá somente para compor a história, deixando o brilho para o protagonista.

As "adaptações" para o cinema da vida real do traficante levam a história mais para o lado dramático, quebrada por algumas situações de aperto, como os encontros com a polícia durante as viagens e a relação com os narcotraficantes, que respeitavam Stone por sua idade e sagacidade. "A Mula" é um bom filme, com alguns diálogos interessantes, mas nada de extraordinário, belas locações proporcionadas pelas viagens pelo interior dos EUA, trilha sonora bem escolhida, boa direção e ótima atuação de Clint Eastwood, que volta para a frente das câmeras após seis anos somente como diretor. Aos 88 anos, ele domina toda a trama com grande carisma, de dentro e de fora. Mas falta emoção à produção. Com certeza é dispensável o lencinho para assistir "A Mula".


Ficha técnica:
Direção e produção: Clint Eastwood
Produção: Malpaso Productions / Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h56
Gêneros: Drama / Biografia
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #AMula, #TheMule, #ClintEastwood, #BradleyCooper, #AndyGarcia, #drama, #biografia, #narcotráfico, #ElTata, #EarlSharp, #WarnerBrosPictures, #EspacoZ, @cineart_cinemas, @cinemanoescurinho

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Confira pôster e trailer novos de "Cemitério Maldito", do mestre do terror Stephen King

Com estreia marcada para 4 de abril, o terror "Cemitério Maldito" ganha pôster e trailer inéditos lançados pela Paramount Pictures. A direção é de  Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, baseado no livro "o Cemitério", do mestre do terror e suspense, Stephen King. 

Segundo Kevin Kölsch, a intenção com o filme é fazer com que as pessoas pensem. "Cemitério Maldito" é um filme maduro e psicológico, que aborda tanto a emoção humana quando os sustos e o terror. "Ele irá assustar os adolescentes porque é sobrenatural e tem personagens clássicos como Pascow e Zelda. Mas também algo que assustará os pais, devido ao que acontece no filme", afirmou.

O longa conta a história do Dr. Louis Creed (Jason Clarke), que, depois de mudar com sua esposa Rachel (Amy Seimetz) e seus dois filhos pequenos de Boston para a área rural do Maine, descobre um misterioso cemitério escondido dentro do bosque próximo à nova casa da família. Quando uma tragédia acontece, Louis pede ajuda ao seu estranho vizinho Jud Crandall (John Lithgow), dando início a uma reação em cadeia perigosa que liberta um mal imprevisível com consequências horripilantes.

Stephen King escreveu a obra que deu origem ao filme e demorou três anos para entregar a seu editor, assombrado com o resultado. De acordo com o produtor Lorenzo di Bonaventura, o trabalho do autor vai além do terror. “A razão de estar fazendo um filme baseado no livro de Stephen King é porque ele é sobre algo que não é terror, que é a ligação emocional entre um adulto e seu filho. Aquela dúvida sobre ‘até onde você iria para ver seu filho novamente?’ ou ‘até onde você iria para proteger seu filho?’. Eu ainda acho o livro profundamente assustador nos dias de hoje. Ele é primordial”.


Ficha técnica:
Direção: Kevin Kölsch e Dennis Widmyer
Distribuição: Paramount Pictures
Duração: 1h48
Gênero: Terror
País: EUA

Tags: #CemiterioMaldito, #PetSematary, #StephenKing, #JasonClarke, #JohnLithgow, #ParamountPictures, #cinemanoescurinho

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

"Uma Aventura LEGO 2" repete fórmula de humor e sarcasmo da franquia

Emmet vai enfrentar novos vilões para proteger seus amigos e o planeta e provar para Lucy que também pode ser um herói (Fotos: Warner Bros. Entertainment/Divulgação)

Maristela Bretas


Com momentos divertidos, "Uma Aventura LEGO 2" ("The LEGO Movie 2: The Second Part") retoma uma linha que deu muito certo com "LEGO Batman: o Filme" há dois anos, explorando bem o sarcasmo de alguns personagens, especialmente o do Homem-Morcego (voz de Will Arnett). Ele e outros velhos conhecidos da animação original - "Uma Aventura LEGO" (2014) - estão de volta, dividindo a tela com o ingênuo herói Emmet (voz novamente de Chris Pratt).

Apesar de a fórmula já estar perdendo o impacto que foi sucesso anteriormente, esta continuação ainda provoca boas risadas. Especialmente dos adultos, por causa das referências a personagens como os super-heróis da Liga da Justiça (Superman, Lanterna Verde, Mulher Maravilha e Aquaman), e de filmes e franquias de sucesso, como "Mad Max: Estrada da Fúria", "Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros" (2015), "O Senhor dos Anéis" e "Harry Potter".

Se no início a animação caminhava para outra ótima produção, em pouco tempo ela muda seu foco e se volta para crianças pequenas, apresentando cenários e pecinhas de montar da LEGO fofinhos e bem coloridos e uma "musiquinha" bem chata que deveria grudar no cérebro, como aconteceu com "Tudo é Incrível", do primeiro filme, mas ainda bem é esquecível. Os produtores tentaram inovar nos créditos finais com uma boa proposta, mas o resultado foi uma longa ficha técnica (11 minutos!!!!) e outra canção de expulsar público do cinema.

A animação passa também uma visão antiquada dos criadores ao associar Bianca (Brooklynn Prince), irmã de Finn (Jadon Sand, do primeiro filme) os novos personagens supercoloridos, que esbanjam gliter e purpurina, só pensam em festa e casamento. Já o garoto fica com as pecinhas iradas, os super-heróis, as naves espaciais, armas, carros de deserto e muita ação. É a velha história de que "meninas usam rosa e brincam de bonecas e meninos usam azul e gostam de carrinhos".

A cada nova produção surgem novos personagens. Até o ator Bruce Willis ganhou seu "alter-LEGO": careca, de camiseta branca e barba sem fazer, bem na linha "Duro de Matar". Mas são os interpretados por Chris Pratt em outros filmes que ganham destaque - Star Lord ("Guardiões da Galáxia I " - 2014  e "Guardiões da Galáxia Vol. 2" - 2017 e "Vingadores: Guerra Infinita" - 2018) e Owen Grady ("Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros" e "Jurassic World: Reino Ameaçado" - 2018).

O que era totalmente incrível em Bricksburg no primeiro filme se transforma em Apocalipsópolis após o ataque dos alienígenas do Planeta Duplo ocorrido há cinco anos. Emmet ainda acredita que tudo pode voltar a ser incrível, mas Lucy/Mega Estilo (Elizabeth Banks) só consegue ver maldade e perigo no novo mundo e não aceita o jeito inocente do amigo.

Vivendo num local desértico, dentro de uma fortaleza no melhor estilo "Mad Max", nossos simpáticos heróis vão enfrentar nova invasão, desta vez da tropa da rainha Tuduki Eukiser Ser!, na voz de Tiffany Haddish. Multicolorida e multiformas, ela banca a boazinha, só fala em casamento e faz uma ótima dupla com o Batman em "tiradas" irônicas, garantindo boas risadas.

A vilã sequestra Lucy, Batman, Benny - o Astronauta (Charlie Day), Unigata (Alison Brie) e o pirata Barba de Ferro (Nick Offerman), levando-os para o sistema planetário de Manar, onde tudo é um grande musical Emmet terá de voar pela galáxia para resgatá-los e acabar com os planos da rainha e vai contar com a ajuda de um novo amigo, o navegando do espaço Rex Perigoso.

Produzida pela mesma equipe de toda a franquia LEGO - Dan Lin, Roy Lee, Phil Lord, Christopher Miller, estes dois últimos responsáveis também pela história, baseada nos LEGO Construction Toys. "Uma Aventura LEGO 2" tem classificação livre, mas mesmo na versão dublada é mais indicada a crianças acima de 6 anos. E se a proposta é rir e voltar a ser criança com os filhos pequenos, a animação é uma boa pedida, podendo ser conferida nas versões 2D ou 3D (inclusive Imax), dublada ou legendada.



Ficha técnica:
Direção: Mike Mitchell
Produção: Lin Pictures / Lord&Miller / LEGO System A/S / Warner Animation Group / Vertigo Entertainment
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h48
Gêneros: Animação / Comédia / Aventura
Países: EUA / Austrália / Canadá / Dinamarca
Classificação: Livre
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #UmaAventuraLEGO2, #animacao, #LEGO, #TheLEGOMovie2TheSecondPart, #WarnerBrosPictures, @ChrisPratt, @WillArnett, @ElizabethBanks, #comedia, #aventura, @cinemanoescurinho

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

"No Portal da Eternidade" é mais um belo e luminoso filme sobre Van Gogh

Mirtes Helena Scalioni


Pelo jeito, ainda não foi desta vez que alguém retratou a biografia definitiva de Vincent Van Gogh. "No Portal da Eternidade" é mais um filme sobre o mítico pintor entre os quase dez que já foram feitos sobre sua vida atribulada. Embora não seja prudente fazer comparações, não há como não se lembrar de "Com Amor, Van Gogh", de 2017, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman, que encantou espectadores do mundo todo ao falar sobre o artista mesclando cinema e animação, em que cada frame foi pintado a óleo no mesmo estilo do holandês. Uma pequena obra-prima.

Mas há pelo menos três diferenciais que chamam a atenção em "No Portal da Eternidade". Uma delas, que fica explicitada logo no início do longa, é a intenção do diretor Julian Schnabel de colocar o espectador como participante da mente, das razões e dos sentimentos do pintor. Os movimentos da câmera, nem sempre sutis, levam o público a longos passeios pelos bosques e campos de Arles, no Sul da França, para onde Gogh foi em 1888, depois que se sentiu rejeitado em Paris. Em busca de uma luz que só ele saberia enxergar, são muitas e longas as caminhadas do artista, sempre reveladas por solavancos, pisadas fortes e mudanças bruscas de ângulos de filmagem.


O segundo detalhe que impõe enorme diferença ao filme de Schnabel é Willem Dafoe no papel do protagonista. Como o diretor quer levar o espectador a compreender a alma atormentada e confusa de Van Gogh, é por meio dos olhares, sorrisos e gestos do ator que o público tenta fazer isso. E Dafoe está magistral, sem cair, em nenhum momento, na tentação de caricaturar a loucura do pintor. Não é por acaso que ele ganhou prêmio Volpi Cup do Festival de Veneza de 2018 e concorre ao Oscar de Melhor Ator este ano.


Por fim, Schnabel mexeu também na parte mais polêmica da biografia de Van Gogh: sua morte. Em "No Portal da Eternidade" fica evidente que o artista não se suicidou. Foi morto por um garoto que participava de uma briga, enquanto pintava ao ar livre, à beira de um lago, como fazia sempre. E o diretor banca essa ideia com todas as letras e argumentos, assim como aposta também no lado mais positivo da amizade entre o holandês e Paul Gauguin (Oscar Isaac).


Por se tratar de um artista sui generis que, em seus últimos 80 dias de vida, na aldeia de Auvers-sur-Oise, próximo de Paris, pintou 75 telas, cujas obras e biografia são até hoje estudadas, "No Portal da Eternidade" não será, com certeza, o último filme sobre Van Gogh. Mas é, sem dúvida, um filme luminoso e atrevido. 
Duração: 1h50
Classificação: 14 anos
Distribuição: Diamond Films


Tags: #NoPortalDaEternidade, #VanGogh, #WillemDafoe, #OscarIsaac, #pintura, #Oscar2019, #drama, #biografia, #Impressionismo, @DiamondFilms, @cinemanoescurinho

domingo, 3 de fevereiro de 2019

“Uma Nova Chance” - comédia romântica com Jennifer Lopez no estilo sessão da tarde

Filme conta, com humor, como uma simples vendedora se torna a alta executiva de uma empresa de cosméticos (Fotos: Motion Picture Artwork/Divulgação)

Maristela Bretas


Bem leve e sem grandes pretensões, a comédia romântica “Uma Nova Chance” ("Second Art") tem Jennifer Lopez como protagonista e principal atração. A atriz retoma o estilo que lhe garantiu bons filmes ao longo de 20 anos, como "Encontro de Amor" (2002), "A Sogra" (2005) ou "Plano B" (2010). 

Porém ficou muito limitada pelo fraco roteiro, recheado de clichês, em que a fórmula humor e seriedade não foi bem empregada, resultando num personagem muito comum em alguns momentos. Diria até que a Maya Vargas vivida por Lopez seria uma versão 2018 de Marisa Ventura, interpretada por ela em "Encontro de Amor".

Lopez é a principal vendedora de uma loja de cosméticos e produtos de beleza e está insatisfeita com sua vida profissional. Esta primeira parte da produção apresenta bons momentos cômicos, com o suporte de Leah Rimini (como Joan, sua melhor amiga), Charlyne Yi (Ariana, a funcionária atrapalhada) e Alan Aisenberg (Chase, o químico nerd).

Na segunda parte, Vanessa Hudgens (a estrela de "High School Musical") é Zoe, chefe de Maya, que inicialmente não aceita, mas depois cria laços de amizade com ela. Melodramática a aproximação, mas a química entre as duas atrizes até funciona. O ator Milo Ventimiglia ("Creed II") que faz Trey, o "namorido" sem tempero de Maya, também foi mal aproveitado - entra, some e volta e ninguém nem notou que ele saiu. Até Treat Williams foi tirado do baú e faz um empresário de sucesso que contrata a vendedora.

Com uma história que gira em torno de Maya, "Uma Nova Chance" começa abordando a a insatisfação da vendedora, que não tinha sua competência reconhecida na empresa em que trabalhava. Namorava um cara legal que gostava dela e queria que eles se casassem. Sempre rejeitada por não ter uma graduação, Maya vê sua vida dar uma reviravolta ao ter um perfil profissional falso criado nas redes sociais por seu afilhado, apresentando-a como uma destacada consultora de venda de cosméticos.

Por causa disso, é convidada por uma multinacional do ramo a prestar serviços para a empresa e cai nas graças do dono, desagradando à filha dele. Em meio a novos desafios, ela terá de provar que a experiência adquirida com anos de trabalho e contato direto com o público vale tanto quanto um diploma universitário. No entanto, toda essa mentira e o passado mal resolvido de Maya podem atrapalhar sua ascensão social. O filme é todo ambientado em Nova York e parece um outdoor multimarcas de cosméticos.

Claro que por ser uma comédia romântica o final feliz é esperado, com direito a mensagens do tipo - "a verdade é melhor que a mentira", "as coisas só acontecem quando as pessoas correm atrás de seus sonhos" ou "o amor supera tudo". Mas é graças a Lopez que "Uma Nova Chance" consegue, pelo menos, ser indicado para uma sessão em tarde chuvosa.


Ficha técnica:
Direção: Peter Segal
Produção: STX Films / H. Brothers
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h44
Gêneros: Comédia / Romance
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #UmaNovaChance, #JenniferLopez, #VanessaHudgens, #DiamondFilms, #comediaromantica, @cinemanoescurinho

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Glenn Close dá show de interpretação ao expor relacionamento abusivo em "A Esposa"

O filme é centrado nos conflitos de um casal da terceira idade em que o marido fez sua carreira às custas da mulher, que passa a vida em segundo plano (Fotos: Embankment Films/Divulgação)

Carolina Cassese 


Parece que Hollywood finalmente se deu conta da importância de retratar pessoas mais velhas nas telas e colocar atores veteranos em destaque. Produções como "Grace and Frankie" (2015), "Transparent" (2015) e a premiada "O Método Kominsky" (2018) se destacam justamente por colocarem questões relativas ao envelhecimento em pauta. Em épocas de movimentos como o Me Too e Time’s Up, a indústria do entretenimento também passou a apostar em filmes que problematizam o machismo e apresentam mulheres fortes como protagonistas.

Embarcando nessas duas tendências, o longa "A Esposa" é centrado nos conflitos de um casal da terceira idade – ou, mais especificamente, no arquétipo da esposa que passa uma vida em segundo plano, enquanto seu marido é prestigiado e vive cortejando outras mulheres.

A produção é cotada para as grandes premiações, especialmente pela excepcional atuação de Glenn Close, que interpreta a protagonista Joan Castleman. A atriz de fato consegue passar toda a aflição e complexidade de seu personagem com apenas um olhar ou um meio sorriso. O estopim de boa parte dos conflitos é a viagem que o casal realiza a Estocolmo para a cerimônia do Nobel de Literatura que Joe Castleman (Jonathan Pryce), o marido de Joan, receberá.

Desde a primeira cena, em que Joe insiste em fazer sexo com sua esposa e faz a sugestão de maneira consideravelmente misógina (acredite se quiser muitas pessoas no cinema acharam essa insistência engraçada), é bem possível não se simpatizar com o personagem. No entanto, se o desafeto não acontecer “de primeira”, é difícil continuar gostando de Castleman depois de conhecer a fundo a trajetória do casal – inacreditavelmente, há quem justifique todas as ações sexistas do escritor (“ele é movido à testosterona”, “ele faz o que faz porque se sente inseguro”, entre outras).

A opressão sofrida pela a personagem de Close acontece em muitos níveis. Joan não só é diminuída publicamente pelo seu marido (que, descaradamente, diz para os amigos “ainda bem que ela não escreve”), como também sofre em casa, já que ela é totalmente responsável pelos cuidados domésticos – Joe não sabe cuidar nem da sua própria toalha de banho. A protagonista precisa aguentar ainda os olhares que seu marido lança para outras mulheres.

A pegada feminista de "A Esposa" é inegável, especialmente a partir da metade do longa, quando a mulher começa a se dar conta de toda a opressão que sofreu a vida inteira. Seu despertar é motivado pelo injusto reconhecimento que o marido recebe com o Nobel e pelas investidas de Nathaniel Bone (Christian Slater), um escritor que sabe todos os podres da vida de seu marido e não faz nenhuma questão de escondê-los.

A produção pode não agradar algumas feministas, já que, em alguns momentos, Joan se recusa a ser colocada como vítima e até justifica alguns dos equívocos do marido. Em determinados momentos (principalmente considerando o final do longa), fica a impressão de que o próprio filme quer apresentar justificativas para o sexismo de Joe. Pode-se argumentar, no entanto, que a produção se empenha em realizar um retrato verossímil de relacionamentos abusivos, considerando que esses apresentam amarras invisíveis e complexas.

A direção de Björn Runge oscila entre planos longos e decupagens clássicas. Uma cena em especial chama atenção: a conversa de Joan e Nathaniel em um bar passa a ter seus quadros afunilados e apertados na medida em que a conversa se torna tensa e desconfortável para a protagonista. A presença do filho do casal, interpretado por Max Irons, se torna praticamente um acessório e é facilmente descartada. Seu drama, como um aspirante a escritor ofuscado pelo sucesso do pai, é até interessante, mas se torna pouco explorado na trama e parece não chegar a lugar nenhum.

No final das contas, o grande destaque de "A Esposa" é o show de Glenn Close, que de fato merece todo o prestígio que está recebendo. A atriz, que tem um portfólio e tanto, até hoje não foi premiada com um Oscar (já recebeu seis indicações), mas tudo indica que 2019 pode muito bem ser o seu ano. Ela já conquistou o prêmio de Melhor Atriz do Globo de Ouro, Critics' Choice Awards e SAG Awards. É ela quem carrega o filme, fazendo justiça ao peso e à força que sua personagem precisa ter, mostrando as nuances de uma mulher forte que se destaca em um mundo misógino.
Duração: 1h41
Classificação: 12 anos
Distribuição: Pandora Filmes


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