terça-feira, 15 de outubro de 2019

Em Janeiro, Robert Downey Jr. retorna às telas com novos poderes em "Dolittle"

Da Redação


A Universal Pictures acaba de lançar o primeiro trailer do filme “Dolittle” ("Dolittle"), que traz o ator Robert Downey Jr. no papel principal. Com previsão de estreia no Brasil em 16 de janeiro de 2020, o filme é baseado no clássico personagem da série de livros do britânico Hugh Lofting. O ator interpreta o Dr. Dolittle, o médico que consegue falar com os animais. 

Escrito e dirigido por Stephen Gaghan, além Robert Downey Jr., o longa conta também com Antonio Banderas e Michael Sheen. E as vozes originais dos personagens animais emprestadas por Emma Thompson (Papagaio), Rami Malek (Gorila), Octavia Spencer (Pata), Ralph Fiennes (Tigre), Selena Gomez (Girafa), Tom Holland (Cão), Marion Cotillard (Raposa) e John Cena (Urso Polar).


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domingo, 13 de outubro de 2019

Na contramão dos filmes teen, "Luna" surpreende pela realidade

Longa dirigido pelo mineiro Cris Azzi foi escolhido o Melhor Filme do Panorama Internacional Coisa de Cinema (Fotos: Alexandre Mota)

Mirtes Helena Scalioni


Que ninguém espere de "Luna" o filme teen que o público está acostumando a ver, com garotas e garotos que só pensam em namoricos, disputas e brigas. O longa de Cris Azzi, distribuído pela Cineart Filmes, é bem mais do que isso. E vai fundo em questões como autoconhecimento, descobertas, sexualidade, experimentações. E se aprofunda ainda mais quando trata, como tema principal, do que se chama hoje de cyberbullying. Inspirado num fato acontecido em 2014, quando uma adolescente se matou depois que teve fotos íntimas viralizadas na internet, o diretor mineiro não pega leve. E talvez até exagere na realidade.


Luna é uma garota da periferia de Belo Horizonte que estuda numa escola onde, parece, há uma acentuada diversidade social. Tanto que ela vende brigadeiros para os colegas, uma forma de ajudar nas próprias despesas. E, como qualquer menina da sua idade, é ligadíssima nas redes sociais, onde costuma se comunicar, se expressar, brincar. O filme já começa com a angústia da personagem, numa boa atuação da atriz Eduarda Fernandes, quando ela descobre que um vídeo seu vazou na internet. Como consequência, amigos e desconhecidos não poupam, nas redes, julgamentos, xingamentos, agressões e até pichações nos muros da escola.


Mas é em flashback que o diretor mineiro conta um pouco da história de Luna até aquele momento, quando o público descobre a amizade dela com uma de suas colegas, a poderosa Emília, vivida por Ana Clara Ligeiro. É na mansão da amiga, entre drinques e mergulhos na piscina, que as duas decidem coisas, procuram, experimentam e tentam descobrir os meandros da própria sexualidade. Ofertas não faltam, parece enfatizar o filme, talvez até de forma exagerada. É mesmo fácil cair em armadilhas de baladas e drogas?


Nessa volta, o espectador conhece também como é a vida familiar de Luna, filha única de uma mãe que, parece, é solteira. De quebra, percebe também que Emília, embora rica, tem também suas carências, sua solidão. Um parênteses para contar que um dos momentos mais comoventes do longa é uma cena de cumplicidade entre a protagonista e sua mãe, brilhantemente interpretada pela atriz Lyra Ribeiro. Ela faz uma mulher tão afetuosa quanto ausente, mergulhada em seus próprios problemas. Momento de muita tensão, mas também de muita ternura e aconchego.

Diretor Cris Azzi 
"Luna" é, realmente, um filme atual. E exatamente por falar de contemporaneidades e tecnologias, talvez pudesse ter outro ritmo, um pouco mais acelerado. Há momentos em que o longa se perde em extensas tomadas de uma mata, uma estrada, aparentemente sem nenhuma razão de ser. Mas isso não reduz o mérito do trabalho da equipe mineira, que já colhe os primeiros frutos com participações em festivais importantes Brasil afora. E o melhor de tudo, a grande surpresa, o recado maior, está no final do filme: surpreendente, instigante, reconfortante, cheio de esperança.

Luna foi exibido nas mostras competitivas do 51º Festival de Cinema de Brasília e no Festival do Rio 2018, no qual levou Menção Honrosa pela interpretação da atriz Eduarda Fernandes. Também foi escolhido Melhor Filme do Panorama Internacional Coisa de Cinema na competitiva nacional de 2018.
Direção, roteiro e produção: Cris Azzi
Distribuição: Cineart Filmes
Duração: 1h29
Classificação: 16 anos


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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

"O Pintassilgo" é o interminável fim de um trauma pessoal

Oakes Fegley está ótimo no papel do jovem Theo Decker que não se desliga da morte (Fotos Warnes Bros. Pictures)

Maristela Bretas


Duas horas e 30 minutos de duração que parecem 5 horas. Nem mesmo as cadeiras, consideradas confortáveis do cinema foram capazes de amenizar a monótona e arrastada narrativa de "O Pintassilgo" ("The Goldfinch"), que estreia nesta quinta-feira. Adaptado da obra literária da escritora norte-americana Donna Tartt, que conquistou o Pulitzer, a impressão que dá é que o diretor John Crowley quis copiar o livro. Mas esqueceu que passar para as telas as 784 páginas da obra é uma segunda arte e requer capacidade de síntese. O que não aconteceu.


A história é simples, mas foi conduzida de forma tão lenta que chega a dar sono em vários momentos, desde o início. Um filme inteiro para explicar o trauma de uma criança, carregado até a vida adulta, provocado pela morte da mãe após o atentado a bomba contra o Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Esta morte se torna uma obsessão para Theodore Decker (papel vivido por Ansel Elgort, que não convenceu).


O ator interpreta um jovem que não se conforma com esta perda e passa a vida escondendo um quadro famoso - O Pintassilgo - que ele retirou após a destruição do museu no dia do atentado. A obra é a principal lembrança da mãe antes de sua morte. Decker é interpretado enquanto criança pelo ótimo Oakes Fegley, que tem como amigo o adolescente russo Boris, papel do conhecido Finn Wolfhard ( de "Stranger Things")  que entrega um ótimo trabalho.



Enquanto os jovens cumprem bem seus papéis, o mesmo não acontece com Alsel Elgort. Ao contrário de Aneurin Barnard, como Boris adulto. Outra presença marcante é a de Nicole Kidman, como mãe adotiva de Theo. Jeffrey Wright, como Hobie, um restaurador de obras de arte, também entrega uma boa interpretação.

Mesmo com boa fotografia e uma ótima trilha sonora de Trevo Gureckis, o filme se perde. Sucessos como "Baby Blue" e Your Silent Face Now" estão entre os destaques, como foram bem lembrados pela colega de cinema Selhe Moreira, integrante do @cinemadebuteco. Mas perdem o impacto e não foram suficientes para tornar "O Pintassilgo" uma produção atraente.



Ficha técnica:
Direção: John Crowley
Produção: Amazon Studios / Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração:2h30
Gênero: Drama
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #OPintassilgo, #WarnerBrosPictures, @EspacoZ, #NicoleKidman, #drama, #@cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

"Predadores Assassinos" bons sustos e efeitos visuais que garantem toda a ação

Kaya Scodelario é a jovem que volta à sua cidade para salvar o pai durante um furacão e ataque de jacarés (Fotos: Paramount Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas

Infelizmente pouco divulgado, "Predadores Assassinos" ("Crawl") é um bom filme, melhor que muitos em cartaz e cumpre o que promete - terror e tensão do início ao fim, com boa atuação de Kaya Scodelario. Ela volta a atuar ao lado de Barry Pepper depois da franquia "Maze Runner" - "Prova de Fogo" (2015) e "A Cura Mortal" (2016). Kaya também participou do primeiro filme da trilogia - "Correr ou Morrer" (2014), além de "Ted Bundy - A Irresistível Face do Mal" (2019).


Os efeitos visuais garantem as melhores cenas de ação, desde o furacão que se aproxima da cidade aos ataques dos gigantescos jacarés. Para quem não gosta de ver pessoas sendo devoradas por estes monstros, o conselho é passar longe das salas onde o filme está sendo exibido.

"Predadores Assassinos" não oferece diálogos cômicos em momento algum. É um filme feito para assustar e consegue isso muito bem, mesmo com o público sabendo que vai acontecer alguma coisa perigosa ou devastadora. Existem mocinhos no filme? Com certeza, mas não convencem muito. Os vilões, como sempre são bem mais interessantes. No caso, os jacarés, com sua boca enorme e um apetite voraz, capazes de devorar uma pessoa em poucos minutos.


Não espere um "Sharknado" ou um "Piranhas Assassinas". Esta produção, dirigida por Alexandre Aja, está mais para "Tubarão", com ótimos recursos durante a carnificina geral, porém sem o charme do clássico de 1975 de Steven Spielberg. Até pelo elenco, formado quase em sua totalidade por atores de segundo (ou terceiro) escalão. A impressão que dá é que eles só estão lá para encherem a barriga dos "bichinhos" que ocupam as ruas e prédios da cidade.


Na história, um enorme furacão atinge uma cidade na Flórida. Haley (Kaya Scodelario) ignora as ordens das autoridades para deixar o local e vai procurar seu pai desaparecido (Barry Pepper). Ao encontrá-lo gravemente ferido, os dois ficam presos na inundação. Enquanto o tempo passa, Haley e seu pai descobrem que o aumento do nível da água traz inimigos inesperados: gigantescos jacarés. 

"Predadores Assassinos" não escapa dos clichês, comuns nesse tipo de filme. E ainda oferece um final que só faltou mostrar uma bandeira dos EUA tremulando ao fundo, como em "O Ataque" (2013). Palmas para os crocodilos que conseguem diferenciar quem é importante e quem pode ser devorado e para as cenas de tensão que provocam bons sustos no público. Vale a pena conferir.


Ficha técnica:
Direção: Alexandre Aja
Produção: Paramount Pictures
Distribuição: Paramount Pictures
Duração: 1h28
Gênero: Terror
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags:#PredadoresAssassinos, #ParamountPictures, #KayaScodelario, #Alexandre Aja, #suspense, #terror, #crocodilos, #espacoZ, @cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

"Coringa" de Joaquin Phoenix é digno de aplausos e Oscar

A maquiagem de palhaço esconde um homem frio e violento, que não se arrepende de seus atos (Fotos: Niko Tavernise/Warner Bros. Pictures)

Maristela Bretas


Falar de Coringa sem citar o Batman é possível? Joaquin Phoenix mostra que sim e está fantástico na pele do maior inimigo do homem morcego, mesmo sem este ainda existir. "Coringa" ("Joker"), que estreia nesta terça-feira, é a consagração do ator, que sofre uma transformação completa, especialmente física (ele está esquálido) e emocional. O personagem ganha um filme à sua altura, brilhando em quase todos os quesitos - fotografia, trilha sonora, figurino e efeitos visuais. Só faltou mais ação. Apesar de várias críticas de que se trata de um filme muito violento, a classificação é 16 anos e, as cenas mais chocantes ocorrem somente nos 15 minutos finais. E ainda ficam bem atrás da violência de "Rambo - Até o Fim" e do brasileiro "Bacurau", ambos em cartaz nos cinemas, com classificação 18 anos. Claro que cada um dentro de seu contexto.



O diretor Todd Phillips conta passo a passo a trajetória de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um homem com distúrbios mentais que trabalha como palhaço em eventos. A violência diária, a qual todos nós estamos sujeitos, vai transformando a personalidade do pacato cidadão que cuida da mãe e assiste programas de TV, especialmente o de Murray Franklin (vivido por Robert De Niro). E deixando surgir o Coringa - um psicopata frio, vingativo, explosivo e líder carismático. Mas que ao mesmo tempo gosta de crianças e reconhece aqueles que não o ridicularizaram.



Os momentos de violência contra Fleck chegam a fazer o público se identificar com ele e até justificar muitas das atrocidades que comete ao assumir aos poucos a personalidade do Coringa. O palhaço sem graça, como é chamado por alguns, tem uma raiva contida, sofre com o preconceito, é ridicularizado por seu corpo disforme e a risada insistente e incontrolável. A cada fato novo na vida do Coringa a origem de seu comportamento perturbado vai sendo revelada, aumentando o desprezo dele pelo mundo e pelas pessoas. 


Apesar de alongar demais algumas cenas, a trama envolve o espectador. Houve uma grande do diretor e também roteirista Todd Phillips em explicar detalhes mínimos mas importantes da personalidade e da vida do Coringa. Inclusive como surgiu sua ligação com a família Wayne. Em alguns momentos, o filme chega a ficar um pouco repetitivo, como observou um dos convidados da pré-estreia realizada na terça-feira em BH. O que não tira o brilho da atuação soberba de Joaquin Phoenix, que dá ao Coringa a melhor interpretação que ele poderia merecer. Assim como fez Heath Ledger, que conquistou merecidamente o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, vivendo o vilão em "Batman - O Cavaleiro das Trevas" (2008), de Christopher Nolan.



Na história atual,. Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa se apresentar à agente social, por causa de seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante. 


E foi o receito de um despertar da massa que deixou autoridades norte-americanas de sobreaviso para uma possível onda de violência pelo país, tomando o filme como modelo. O temor levou alguns donos de salas de cinema a se recusarem exibir o filme. "Coringa" é violento sim. Mas a abordagem psicológica e o que ela é capaz de provocar em pessoas insatisfeitas é muito mais perigosa. Como acontece com os moradores de Gotham City, deixados à própria sorte em uma cidade decadente e sem lei. E o diretor soube dar o peso certo ao assunto. "Coringa" é imperdível e o personagem merece conquistar seu segundo Oscar, desta vez de Melhor Ator para Joaquin Phoenix. Simplesmente perfeito.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Todd Phillips
Produção: DC Entertainment / Warner Bros Pictures / Village Roadshow Pictures
Distribuição: Warner Bros Pictures
Duração: 2h02
Gênero: Drama
Países: EUA/Canadá
Classificação: 16 anos
Nota: 5 (0 a 5)

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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Delicado e terno, "A Vida Invisível" é um filme triste porque fala de mulheres subjugadas

Filme é baseado na obra da escritora Martha Batalha e conta a história de duas irmãs separadas brutalmente pelo destino (Fotos Bruno Machado/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Quem leu o livro pode até se decepcionar ao ver "A Vida Invisível", nosso representante no Oscar no ano que vem. Vencedor do Prêmio Un Certain Regard na mostra paralela do Festival de Cannes desse ano, o longa teve o romance apenas como inspiração e eixo. Na verdade, os roteiristas Murilo Hauser, Inês Bortagaray e o próprio diretor Karim Aïnouz tiveram algum trabalho para transformar a história de Martha Batalha, como se quisessem, da obra, apenas o argumento inicial. 


Nas décadas de 1940 e 1950, no Rio de Janeiro, capital do país, duas irmãs, Eurídice e Guida, são brutalmente separadas por força de um destino que não poupa nem perdoa as rebeldias. Enquanto Eurídice se casa, mesmo sem amor, para cumprir o papel que lhe cabe na vida, Guida some no mundo atrás de uma paixão. 


No filme de Aïnouz, o que move a vida de Eurídice é a busca, quase obsessiva, da irmã sumida. No livro, embora essa procura exista, há outros desencantos da moça que enternecem o leitor e fazem refletir. Casada com um funcionário público burocrata e machista e mãe de dois filhos, essa dona de casa não consegue ser dona de si própria, por mais que invente atividades para preencher a vida. Se no livro, ela não passa de uma pretensa estudante de flauta, no filme, Eurídice vira uma pianista cheia de talentos e objetivos.


No romance de Martha Batalha, a vida verdadeiramente invisível parece ser mesmo a de Eurídice, onde a autora se debruça mais para deixar claras suas dificuldades, limitações e impotências. Guida é apenas um segundo personagem. No filme de Karim Aïnouz, invisível parece ser a trajetória das duas, já que uma está sempre buscando a outra, cada uma com a vida que conseguiu ter. Resultado, talvez, de suas escolhas. 


Embora o livro seja bem melhor do que o filme - sempre é - o longa, ainda assim, merece todas as honras com as quais vem sendo agraciado. Mesmo com as muitas modificações, o que ficou da história das duas irmãs oprimidas por pais, mães, marido e vida machistas resulta num longa terno e afetuoso, às vezes engraçado e - até - caricato, como nas cenas de sexo longas e atrapalhadas entre Eurídice e o marido. É mesmo pra rir? Nesse quesito, os elogios vão para o ator Gregório Duvivier, que interpreta Antenor, o tal marido careta e quase patético. 


As diferenças entre o filme e o livro continuam. Enquanto o primeiro se chama "A Vida Invisível", o segundo é mais completo: "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão". O longa inventou uma Eurídice velha que não está no romance, talvez para justificar uma pequena, mas marcante participação da sempre irretocável Fernanda Montenegro. Capaz de preencher todos os espaços, ela brilha como sempre e ajuda a dar outro fechamento na história, talvez mais contundente, mais terno. 

Mas não é só ela. Todo o elenco brilha. Carol Duarte e Julia Stockler, como as irmãs Eurídice e Guida, deixam na tela, com muita naturalidade, um sentimento de laços fortes e indestrutíveis. Bárbara Santos, a ex-prostituta Filomena que socorre Guida em suas necessidades, transparece solidariedade e acolhimento. 



Há também Maria Manoella, como Zélia, a amiga da família que tem participação pequena e correta. Antonio Fonseca e Flávia Gusmão como Manuel e Ana, pais das duas, fazem bem seus papéis: ele, de patriarca impiedoso; ela, de esposa obediente. Como são portugueses, e como o filme é brasileiro - portanto, sem legendas - às vezes fica difícil entender o que falam. O sotaque original da terrinha nem sempre é compreensível.

Embora se passe em outros tempos, "A Vida Invisível" não deixa de ser um recado importante no Brasil e hoje, onde ainda há muitas mulheres que se subjugam - algumas são violentadas pelos maridos - se calam, se retraem, se anulam, morrem. Lamentavelmente, é um filme atual. O filme foi apresentado pela primeira vez no Brasil  na abertura do 13ª CineBH Mostra Internacional de Cinema, ocorrida no dia 17 de setembro, e depois no dia 19 em Fortaleza. A estreia oficial no circuito nacional está marcada para o dia 31 de outubro.


Ficha técnica
Direção: Karim Aïnouz
Distribuição: Sony Pictures e Vitrine Filmes
Duração: 2h20
Classificação: 16 anos

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