segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Fãs de Harry Potter embarcam nesta terça-feira no primeiro Expresso Hogwarts virtual

Saída na plataforma 9¾ da Estação King’s Cross, em Londres, será virtual para evitar aglomerações (Fotos: Wizarding World/ Divulgação)

Da Redação


Neste ano, o retorno às aulas em Hogwarts no dia 1º de setembro será diferente. Os fãs de Harry Potter, que se reúnem na estação King’s Cross, em Londres para, precisamente às 11 horas, erguerem suas varinhas para a saída do Expresso da Plataforma 9¾ em direção à lendária escola de bruxaria farão a celebração no mundo virtual. De todas as partes do mundo eles poderão participar ao vivo no "De Volta à Hogwarts". Para evitar aglomerações por causa da pandemia da Covid-19, o Mundo Bruxo está pedindo aos fãs que se reúnam virtualmente. Este evento digital é aberto, totalmente gratuito e foi desenvolvido para ajudar a manter todos seguros - e no conforto de suas casas.

Com muitas surpresas e diversão, incluindo aparições de convidados especiais, como James e Oliver Phelps (Fred e Jorge Weasley), Jason Isaacs (Lúcio Malfoy) e Bonnie Wright (Gina Weasley), o evento digital acontecerá entre as 6h30 e as 7h30 da manhã - horário de Brasília - (ou das 10h30 às 11h30 - horário de Londres). Para participar, basta acessar www.wizardingworld.com para acompanhar a transmissão ao vivo.


"Estou tão animado por fazer um papel no primeiro De Volta à Hogwarts digital. 2020 foi, definitivamente, um ano estranho e é muito importante que todos façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para nos proteger, incluindo ficar em casa. Espero que os fãs se juntem a nós para as comemorações virtuais", disse James Phelps. Oliver Phelps acrescentou: "Os fãs do Mundo Bruxo são os melhores. Ter a chance de compartilhar esse dia especial com pessoas de todo o mundo será brilhante. Estou realmente ansioso por tudo que este De Volta à Hogwarts digital tem guardado e é um bônus todos nós podermos fazer isso do sofá".

Os fãs podem chegar ainda mais perto do Mundo Bruxo ao enviar fotos para se juntar ao De Volta à Hogwarts - turma de 2020. As fotos serão adicionadas a um mosaico digital que crescerá ao longo do dia para dar vida à comunidade. Esta é uma chance para fãs brasileiros mostrarem seus melhores cosplays e demonstrarem o orgulho de suas casas. Os membros do Fã Clube Harry Potter também receberão uma lembrança desse dia, já que o mosaico estará disponível para download.


As imagens enviadas pelos fãs também serão exibidas dentro da estação King’s Cross, dando aos participantes presença virtual durante todo o dia - não há necessidade de ir até a estação para conferir, pois estará disponível para visualização nas redes sociais.

Programação


Os potterheads podem conferir o hub De Volta à Hogwarts no www.wizardingworld.com, onde se juntarão ao Fã-Clube Harry Potter e se preparar para comemorar a data com uma incrível seleção de conteúdo, incluindo:

- Ouvir alguns dos produtores responsáveis por trazer a magia à vida (incluindo o genial coreógrafo de varinhas Paul Harris, que demonstrará e ensinará a arte do combate com varinhas);


- Viajar do mundo trouxa para o bruxo, com a Journeys to Hogwarts Soundscape - uma experiência auditiva imersiva com todos os sons que você ouviria nessa jornada icônica. Precisando apenas fechar os olhos e deixar sua imaginação trabalhar;

- Assistir a uma apresentação do CineConcerts com orquestras de todo o mundo tocando seleções musicais memoráveis de cada um dos oito filmes de Harry Potter;

- Acompanhar uma prévia da novíssima "House of MinaLima" no dia da inauguração, com Miraphora Mina e Eduardo Lima, além de uma obra de arte de comemoração ao De Volta à Hogwarts - turma de 2020, criada especialmente para a ocasião e também disponível como uma arte para impressão em edição limitada;

- Voltar para onde a mágica começou com as leituras feitas por celebridades de Harry Potter e a Pedra Filosofal (acessível exclusivamente para membros registrados do Fã Clube Harry Potter);

- Aprender uma série de ideias de artesanato inspiradoras com o tema de Hogwarts e tutoriais criativos para todas as idades.

Os fãs terão a opção de fazer uma doação durante o evento digital para a Lumos, organização fundada por J.K. Rowling que apoia crianças em situação de abandono parental. 


Para estar entre os primeiros a receber atualizações, não se esqueça de acessar www.wizardingworld.com e se inscrever no Fã-Clube Harry Potter. Lá, você também pode verificar o Hub De Volta à Hogwarts para receber informações adicionais sobre o que estará acontecendo no evento, enquanto o Mundo Mágico busca trazer a magia para casa com segurança.

Sobre o Wizarding World

Mais de duas décadas atrás, um jovem Harry Potter foi levado para a Plataforma 9¾ na Estação King's Cross, e leitores de todos os lugares foram "arrastados" com ele para um universo de magia, criado por J.K. Rowling. Nos anos seguintes, os sete best-sellers de Harry Potter inspiraram oito filmes de sucesso, uma peça teatral premiada e, mais recentemente, o início da série de cinco filmes Animais Fantásticos. Pessoas de todas as idades ficaram fascinadas por essas aventuras extraordinárias, ambientadas em um universo em expansão, inspirado pela visão de J.K. Rowling. Para a crescente comunidade mundial de fãs de hoje e para as gerações que virão, o Wizarding World dá as boas-vindas a todos para explorar mais esse universo bruxo.

Primeira viagem do trem para Hogwards



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domingo, 30 de agosto de 2020

9ª Mostra Ecofalante de Cinema - Povos indígenas e Amazônia em cena


Quase 100 filmes, entre curtas e longas, estão em exibição online gratuitamente (Fotos: Mostra Ecofalante de Cinema/Divulgação)

Carolina Cassese


Dentro da 9ª Mostra Ecofalante de Cinema, o blog Cinema no Escurinho indica outras duas produções do catálogo que tratam sobre a causa indígena e o meio ambiente. Na primeira parte desta crítica, indicamos "Acqua Movie", um road movie que explora a relação entre mãe e filho e a natureza maltratada, num retrato importante do Brasil contemporâneo.

A Mostra, que está sendo online e totalmente gratuita, reúne títulos que abordam não apenas as questões indígenas e ambientais, mas também a luta pelo direito dos negros, das mulheres e dos LGBTQ+s. São 98 filmes na disputa de duas competições, além de debates e exibição de clássicos, que estarão disponíveis gratuitamente até 20 de setembro. Os participantes poderão também contribuir para causas sociais e ambientais.


Enquanto "Acqua Movie" é uma ficção, o curta "Território: Nosso Corpo, Nosso Espírito" e o longa "Amazônia Sociedade Anônima", ambos de 2019, se debruçam sobre a causa indígena a partir de um olhar documental. O primeiro, dirigido por Clea Torres e João Paulo Fernandes é um dos concorrentes do concurso Curta Ecofalante. Ele acompanha principalmente a luta das mulheres A’uwe Xavante, enquanto o segundo, de Estevão Ciavatta, apresenta um panorama mais geral da questão.

“Território: Nosso Corpo, Nosso Espírito"

Logo no início do curta, escutamos falas de jornalistas e também do atual presidente do Brasil. O contexto, portanto, é bem atual: a produção exibe imagens do Acampamento Terra Livre 2019, que teve como lema “Sangue indígena. Nas veias, a luta pela terra e pelo território”. As cenas que mostram debates entre mulheres indígenas e homens brancos de terno em assembleias são bastante impactantes - muitos dos políticos parecem não prestar atenção no que está sendo dito.


No acampamento, as mulheres indígenas entoam o lema: “território, nosso corpo, nosso espírito”. Uma delas explica: “Quando falamos de espírito, estamos falando também de ancestralidade. Quando nós, mulheres, gritamos essa frases, estamos falando do nosso corpo como tomada de decisão. O nosso corpo também é uma defesa da nossa cultura e da nossa sociedade”.

Ao longo da produção são exibidos diversos depoimentos de representantes dos coletivos. Há uma clara preocupação em retratar a diversidade de línguas que existem nessas comunidades, assim como os diferentes pontos de vista. Não há uma fala que abarque todas as demandas das tribos indígenas, cada uma com suas especificidades. Há as que não falam português, as que estudam, as que se dedicam especialmente a trabalhos manuais, as que cuidam dos filhos quase o tempo inteiro.

O que une a maior parte das falas é de fato o desejo das mulheres em terem suas vozes legitimadas, suas forças reconhecidas. Assista o curta clicando aqui

Ficha técnica - Território: Nosso Corpo, Nosso Espírito
Direção, roteiro, produção, fotografia e edição: Clea Torres Guedes e João Paulo Fernandes
Duração: 27 segundos
Classificação: Livre


 
“Amazônia Sociedade Anônima”


Assim como "Acqua Movie", "Amazônia Sociedade Anônima" disputa a Competição Latino-Americana. O longa-metragem, é muito eficiente em mostrar como o processo de grilagem acontece. São tocados diversos áudios de escutas telefônicas, com conversas que revelam o caráter predatório dessas ações.Há frases absurdas ditas com a maior naturalidade, como: “Aí, você faz um rodízio de gado no pasto e toca fogo quando é época. No outro ano, toca fogo de novo. Então, uma área boa lá é onde já passaram uns três fogos" e “faz isso quando você for resolver o negócio lá do trabalho escravo”.


Os tenebrosos áudios são intercalados com lindas imagens (do que ainda resiste) da Amazônia, além de falas de índios e especialistas em questões ambientais. Muitos momentos exibidos são fortes e bonitos, como a cena em que alguns índios conseguem realizar o processo de autodemarcação de terras. Diante da ausência do Estado, os próprios grupos precisam lutar bravamente pelos direitos mais básicos.


Em um dos depoimentos para o longa, o antropólogo Viveiros de Castro declara: “Os índios podem nos ensinar muito. A terra não é dos grileiros, mas também não é deles. Eles é que são da terra. Nós somos da terra. A terra pode viver sem nós. Como planeta, existe sem nós. Por outro lado, nós não podemos existir sem a terra”.

Está claro que existe uma urgência: em buscarmos outros modos de vida, maneiras que não sejam destrutivas - e, especialmente, que não enxerguem a natureza como mercadoria. Ideias, como defende Ailton Krenak, para adiarmos o fim do mundo.

Leia também:
Acqua Movie - Mostra Ecofalante de Cinema aborda as dificuldades dos indígenas e grupos minoritários


Ficha técnica - Amazônia Sociedade Anônima
Direção, roteiro e produção: Estêvão Ciavatta
Produção: Pindorama Filmes
Duração: 1h50
Gêneros: Ficção / drama
Classificação: Livre

SAIBA MAIS:
9ª Mostra Ecofalante de Cinema
Período: até 20 de setembro
Confira a programação completa no site: https://ecofalante.org.br/


Tags: #MostraEcofalanteDeCinema, AcquaMovie, LirioFerreira, longametragem, florestaamazonica, mundoindigena, Amazonia, AlessandraNegrini, cinemanoescurinho

9ª Mostra Ecofalante de Cinema aborda as dificuldades dos indígenas e grupos minoritários


Estarão disponíveis online e gratuitamente, até 20 de setembro, 98 filmes nacionais e internacionais (Fotos: Mostra Ecofalante de Cinema/Divulgação)


Carolina Cassese


“Temos que aprender a ser índios antes que seja tarde. O encontro com o mundo indígena nos leva para o futuro, não para o passado”. A frase de Eduardo Viveiros de Castro, renomado antropólogo brasileiro, foi dita em 2017, na Flip. Desde então, a situação dos povos indígenas no Brasil se tornou ainda mais crítica.Com a agenda do atual governo federal, as invasões de terras por garimpeiros e madeireiros se intensificaram, enquanto órgãos como a Funai e o Ibama, que deveriam garantir a proteção dos índios e do meio ambiente, estão sendo desmontados. Nos primeiros quatro meses de 2020, o desmatamento na Amazônia brasileira atingiu um novo recorde - dado extremamente preocupante considerando que em 2019 diversos incêndios se proliferaram na região.


Diante deste contexto, agravado por uma pandemia que escancarou as desigualdades e colocou em xeque o sistema predatório em que estamos inseridos, a Mostra Ecofalante de Cinema, apresenta sua nona edição, que desta vez será online, reunindo títulos que abordam não apenas as questões indígenas e ambientais, mas também a luta pelo direito dos negros, das mulheres e dos LGBTQ+s. São 98 filmes na disputa de duas competições, além de debates e exibição de clássicos, que estarão disponíveis gratuitamente até 20 de setembro. Os participantes poderão também contribuir para causas sociais e ambientais.

O Cinema no Escurinho contará em duas partes um pouquinho sobre três filmes do catálogo que abordam a causa indígena e o meio ambiente - além de outras pautas caras à sociedade contemporânea. O primeiro será "Acqua Movie", de 2019, que disputa com "Amazônia Sociedade Anônima" o prêmio na categoria longa-metragem Competição Latino-Americana. Leia sobre as outras duas produções na sequência 9ª Mostra Ecofalante de Cinema - Povos e territórios em cena.


Acqua Movie

Dirigido por Lírio Ferreira, o longa acompanha a viagem realizada por Duda (Alessandra Negrini) e seu filho, Cícero (Antonio Haddad Aguerre). O percurso foi proposto pelo garoto, que quer levar as cinzas do pai, Jonas (Guilherme Weber), falecido recentemente, para o sertão de Pernambuco, sua terra natal. Além de ser um road movie que explora a relação entre os dois, "Acqua Movie" é um retrato importante do Brasil contemporâneo.

Duda é uma documentarista etnográfica, que trabalha especialmente filmando a Floresta Amazônica. Ela precisa dar uma pausa nas filmagens para realizar a viagem com seu filho. Durante o trajeto (de São Paulo até Pernambuco), Duda para na estrada para falar com alguns moradores da região e procura Zé Caboclo (Aury Porto), um índio que ela quer entrevistar. Em seguida, Cícero comenta: “Não sei o que você vê nos índios. Eles vivem pedindo esmola, atrapalhando a vida dos outros”.


A protagonista replica: “Onde você aprendeu esse absurdo? Espero que não tenha sido na escola, né?”. Em seguida, a câmera se direciona para um animal que está comendo um caderno. O diretor coloca em questão um ensino que, muitas vezes, conta a história a partir do ponto de vista hegemônico, sem abordar o fato de que tribos indígenas precisam atualmente resistir, com bastante dificuldade, a uma matança provocada pelos poderosos.

Pouco se aprende ainda sobre as funções da Funai e a importância do processo de demarcação de terras. Ao chegarem ao sertão, Duda e Cícero se reencontram com a família de Jonas, que comanda a região. O tio, Múcio (Augusto Madeira), é o prefeito de Nova Rocha. Ele, que defende uma política assassina contra os índios da região, logo presenteia Cícero com um canivete (que ainda tem um adesivo verde e amarelo colado). Considerando a força do discurso do “patriota cidadão de bem”, que precisa se defender dos “bandidos” com armas, o objeto é extremamente simbólico.

É preciso destacar a primorosa direção de fotografia, realizada por Gustavo Hadba, que dialoga muito bem com a narrativa. A água é um elemento presente desde a primeira cena do filme e é consideravelmente impactante quando vemos que a antiga cidade de Rocha atualmente se encontra submersa. Ao longo da produção, é possível notar processos violentos em diferentes dimensões.


Assustada depois de alguns acontecimentos, Duda precisa urgentemente ir embora de Nova Rocha. Do meio para o final, a produção ganha fôlego e ficamos apreensivos, torcendo pela personagem principal. Quando a documentarista e seu filho finalmente encontram Zé Caboclo, o índio profere uma frase emblemática: “Quando perceberem que não se come petróleo e não há mais ar puro para respirar, talvez seja tarde”.

Do começo ao fim, o longa comove, prende a atenção e consegue, ao mesmo tempo, ser sutil e passar a importância do tema. Há ainda, reflexões sobre o luto, o lugar da família e os diferentes tipos de conhecimento existentes. Longe de querer apresentar uma solução única para tantos problemas, "Acqua Movie" coloca questões - de maneira poética e sensível.

Leia, na sequência, a crítica dos filmes “Território: Nosso Corpo, Nosso Espírito” e “Amazônia Sociedade Anônima” em 9ª Mostra Ecofalante de Cinema - Povos indígenas e Amazônia em cena


Ficha técnica - Acqua Movie
Direção: Lírio Ferreira
Produção: Chá Cinematográfico
Duração: 1h45
Gêneros: Ficção / drama
Classificação: Livre

SAIBA MAIS:
9ª Mostra Ecofalante de Cinema
Período: até 20 de setembro
Confira a programação completa no site: https://ecofalante.org.br/

Tags: MostraEcofalanteDeCinema, AcquaMovie, LirioFerreira, longametragem, florestaamazonica, mundoindigena, Amazonia, AlessandraNegrini, cinemanoescurinho

sábado, 22 de agosto de 2020

"Power" aposta em droga que dá superpoderes para salvar roteiro sem novidades

Nova produção da Netflix tem o premiado Jamie Foxx no elenco como um ex-soldado buscando vingança (Fotos: Netflix/Divulgação)

Silvana Monteiro


Um filme de muita ação policial, efeitos visuais e uma mensagem sobre o poder da mulher negra e a força da amizade. Este é "Power" ("Project Power"), uma das mais recentes produções originais da Netflix. O título, que ocupa o primeiro lugar entre os mais vistos desde sua estreia, em 14 de agosto, é centrado especialmente em três atores, dois neles negros - Jamie Foxx e Dominique Fishback.

Ela é Robin, uma adolescente pobre, ótima em criar letras de rap, que vive entre o dilema de estudar e encontrar uma forma de ganhar dinheiro para levar comida pra casa e comprar remédios para a mãe. Nessa busca pela sobrevivência, como acontece com muitos jovens de periferia, ela é "adotada" pelo tráfico e passa a vender pelas ruas de Nova Orleans uma pílula misteriosa - a Power.


Robin conta com o apoio do primo Newt, vivido pelo rapper Machine Gun Kelly.  Mas o que a menina trafica não é uma droga qualquer.  A pílula é capaz de dar superpoderes diferentes a cada pessoa durante 5 minutos. O usuário pode adquirir desde uma superforça a se transformar numa tocha humana, ficar invisível, congelante ou ter uma pele impenetrável por balas de revólver ou que muda como a de um camaleão. Mas esses poderes também podem ser fatais. 

O ator branco que completa o trio principal é Joseph Gordon-Levitt (que também está em "7500" - confira a crítica no blog). Ele interpreta Frank, um policial amigo da menina que usa a Power para adquirir poderes que vão ajudá-lo na captura dos traficantes da droga e a reduzir a criminalidade e mortes na cidade provocadas por ela.


O roteiro de Mattson Tomlin (também responsável pela nova versão de Batman, com Robert Pattinson, prevista para estrear em 2021), deixa a desejar pela desconexão em pontos cruciais da história. A entrada de Art, vivido pelo ganhador do Oscar Jamie Foxx, minimiza um pouco essa lacuna. Ele é um ex-soldado que passou por experiências em laboratório e teve a filha Tracy, interpretada por Kyanna Simpson, sequestrada pela máfia do Project Power. Este é o mesmo grupo que o usou como cobaia em experimentos para criar supersoldados, assim como fizeram com o Capitão América (2011).


Art encontra em Robin uma forma de descobrir o paradeiro da filha e acabar com os responsáveis pelo projeto. Os pontos altos da produção são a conexão entre os dois, a descoberta do quartel do Project Power e a maravilhosa interpretação de Dominique Fishback. A jovem tem um desenvolvimento espetacular no filme e segura boa parte da trama, com representatividade forte do poder da mulher negra.


O ator brasileiro Rodrigo Santoro entrega um vilão caricato, mas convincente. Ele é Biggie, uma espécie de marqueteiro do Project Power, e protagoniza o grande embate da história contra os "não tão mocinhos" Foxx e Gordon-Levitt. É no encontro dos três que ocorre uma das grandes transformações provocadas pela pílula e onde a computação gráfica faz todo o trabalho.


Os efeitos especiais garantem a agilidade que o filme precisa para quebrar o clima criado pelos dramas do trio principal, que envolvem abandono, perdas e vícios. Mas pode frustrar o telespectador que espera a grandiosidade de uma superprodução, como as encontradas nas franquias da Marvel Studios e DC Comics. Descubra quais são os verdadeiros poderes revelados em "Power" e tire suas próprias conclusões.Mas o final deixa a entender que poderá haver uma continuação.


Ficha técnica:

Direção: Henry Joost e Ariel Schulman
Exibição: Netflix
Duração: 1h53
Classificação: 16 anos
Gêneros: Ficção / Policial / Suspense / Ação
País: EUA

Tags: PowerTheMovie, ProjectPower, Netflix, forçadamulhernegra, superpoderes, JamieFoxx, JosephGordon-Levitt, DominiqueFishback, ação, policial, ficção, cinemanoescurinho, cinemaescurinho

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

"7500" aposta na fórmula tensão e suspense durante o sequestro de um avião

Joseph Gordon-Levitt é o negociador que tenta evitar o sequestro de seu avião e a morte de passageiros e tripulação (Fotos: Universum Film/Divulgação)

Maristela Bretas


Centrado no drama claustrofóbico vivido pelo copiloto Tobias Ellis, papel de Joseph Gordon-Levitt ("Entre Facas e Segredos" - 2019 e "A Travessia" - 2015), "7500" é um suspense de pouco mais de 90 minutos de duração, mas que parecem horas, tamanha a tensão. Especialmente por toda a ação ocorrer na cabine de um voo entre Berlim e Paris, envolvendo apenas três personagens na maior parte do tempo. A produção também não tem uma trilha sonora impactante e os efeitos visuais são limitados, além de atores pouco conhecidos (exceto Gordon-Levitt).


A produção original da Amazon Prime Video é boa, mas o ambiente pequeno e fechado incomoda profundamente a quem assiste. Talvez tenha sido a forma encontrada pelo diretor Patrick Vollrath para envolver mais o espectador na trama. Logo após decolar de Berlim, um grupo de radicais islâmicos consegue dominar a tripulação e matar o piloto antes que a porta da cabine fosse trancada pelo copiloto.


Em seu pequeno espaço, por meio do código aéreo internacional 7500 (sequestro de avião), Tobias avisa às autoridades o que está ocorrendo e é orientado a levar a aeronave para um aeroporto próximo. E, em hipótese alguma, deve abrir a porta da cabine. Ao mesmo tempo, ele é pressionado pelos terroristas para que os deixe entrar e dominar o avião ou pessoas serão mortas. Pela tela do monitor de segurança dentro da cabine, o copiloto assiste os sequestradores cumprirem a promessa, matando passageiros e tripulantes.



O filme foca no drama de Tobias: aceitar as condições dos terroristas e entregar o avião ou salvar centenas de pessoas, pousando a aeronave em segurança e deixando a polícia cuidar de tudo? "7500" lembra em situações mostradas em sucessos como "Voo United 93" (2006), dirigido por Paul Greengrass (o mesmo de "22 de julho" e a franquia Bourne), porém sem o mesmo impacto emocional do atentado do 11 de setembro.




Levitt entrega uma boa interpretação do copiloto americano que trabalha para uma companhia aérea alemã e é casado com uma tripulante. O elenco conta ainda com Omid Memar, que faz o jovem terrorista Vedat, Aylin Tezel (comissária Gókce), Carlo Kitzlinger (piloto Michael Lutzmann), Murathan Muslu (sequestrador Kinan) e outros ainda menos conhecidos.


No início paciente e usando um tom de voz pacificador, Tobias tenta negociar com os sequestradores, mas à medida que a tensão vai crescendo, ele precisa tomar uma decisão. Até então bem tensa, a história sofre uma mudança e cai na solução clichê que o cinema já explorou muito - o copiloto explora a fraqueza de Vedat, o mais assustado dos sequestradores, que não está muito convicto de que é certo o que os demais querem fazer.

Tudo o que vem a partir daí é bem esperado, mas não tira o mérito do filme. Para quem não se incomoda com ambientes reduzidos e fechados, "7500" é um bom filme, bem tenso, mas sem grandes novidades ou surpresas.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Patrick Vollrath
Exibição: Amazon Prime Video
Duração: 1h32
Classificação: 14 anos
Países: Alemanha e Áustria
Gêneros: Drama / Suspense
Nota: 3 (0 a 5)

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quinta-feira, 13 de agosto de 2020

“Maudie – Sua Vida e Sua Arte” revela com sensibilidade a força da pintora canadense

Sally Hawkins apresenta uma artista sofrida por seus defeitos físicos e limitações, mas de grande talento (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Quando querem ser muito edificantes, exagerando nas tintas na hora de focalizar o sofrimento do personagem, histórias de superação costumam ser óbvias e até chatas. Talvez até para valorizar mais o momento em que ele ou ela alcançam algum êxito ou reconhecimento, filmes e livros com esse tema acabam caindo nessa armadilha. Esse não é o caso de “Maudie – Sua Vida e Sua Arte”, cinebiografia conjunta de Irlanda e Canadá sobre a artista plástica Maudie Dowley. Com direção de Aisling Walsh, o longa, em exibição na Netflix, emociona e envolve, apesar dos muitos e difíceis obstáculos vividos pela protagonista.


Estrelado por Sally Hawkins, muito elogiada por “A Forma da Água” (2018), ela faz uma Maudie sofrida por seus defeitos físicos e limitações, mas ao mesmo tempo honrada. O filme permite um bate-bola produtivo e comovente da atriz com Ethan Hawke, que interpreta o brutamonte Emery Allen, com quem ela vive. A história praticamente se resume ao encontro dos dois, que tentam construir uma vida juntos apesar das muitas barreiras que os separam. Além do casal, estão no elenco, em papéis menores, Gabrielle Rose como a Tia Ida e Kari Matchett como Sandra.


A artista plástica Maudie Dowley nasceu em 1903 na Nova Escócia, no Canadá, teve uma vida de muita pobreza e dificuldades, e tinha um talento para a pintura que não cabia dentro dela. Mesmo sofrendo de uma artrite reumatoide que limitava seus movimentos de mãos e pernas, a arte pulsava no seu corpo de uma forma quase compulsiva. E essa força, esse desejo irrefreável de desenhar, retratar, pintar, dar cor e vida a pássaros, peixes e paisagens é que fazem diferença no filme, prendendo o espectador com muito interesse até o fim. É como se a arte fosse um sopro de esperança.

Pode até acontecer de alguém ficar incrédulo diante de tanta força, apesar da pobreza, das dificuldades e do abandono. Mas a mão certeira do diretor e as atuações convincentes dos atores não deixam dúvidas sobre o poder da arte na vida dessa mulher que morreu em 1970. Ao final do filme, é inevitável uma busca na internet para pesquisar o nome de Maudie Dowley. Só isso vale o filme.


Ficha técnica:
Direção:
Aisling Walsh
Exibição: Netflix
Duração: 1h56
Produção: Sony Pictures
Classificação: 12 anos
Países: Irlanda / Canadá
Gêneros: Biografia / Drama / Romance


Tags: #MaudieSuaVidaESuaArte, Netflix, MaudieDowley, EthanHawke, SallyHawkins, SonyPictures, drama, romance, biografia, cinemanoescurinho

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Em "The Banker", Samuel L. Jackson e Anthony Mackie arrasam como os primeiros banqueiros negros dos EUA

Para conquistar o mercado, dupla precisa de um branco para ser o teste de ferro dos negócios (Fotos: Apple TV+ /Divulgação)

Maristela Bretas


Com ótimas atuações de Anthony Mackie e Samuel L. Jackson, "The Banker" expõe o racismo na década de 1950. O primeiro longa-metragem produzido pela Apple TV+ merece ser conferido. Ele mostra duas visões da mesma questão racial, que é tão forte no interior do Texas quanto numa cidade grande como Los Angeles. Apesar da capacidade de identificar boas oportunidades de negócios e de investir dinheiro, Joe Morris (Samuel L. Jackson) e Bernard Garrett (Anthony Mackie) não passam de dois empresários afro-americanos que são vistos com preconceito pelo mercado.


Garret é de origem pobre, nascido numa cidade pequena do Texas que ainda vive sob a bandeira confederada e que não aceita que negros tenham direitos. Genial em cálculos desde pequeno, ele passa a juventude aprendendo tudo o que pode sobre mercado imobiliário e investimentos financeiros. E promete a si mesmo que vai vencer e construir seu império numa grande cidade. Mackie está ótimo no papel, do negro batalhador, mas arrogante, que não aceita o subemprego, nem mesmo quando sua empresa está em risco.

Samuel L. Jackson, com seu jeitão fanfarrão e a risada que é marca registrada, entrega, como sempre, uma ótima interpretação de Joe Morris, o dono de um clube noturno que, com muito jogo de cintura, fez sua vida e fortuna em Los Angeles. 


Apesar de trancos e barrancos do primeiro contato, ele e Garret acabam formando uma sólida sociedade numa corretora imobiliária para depois partirem para um voo mais ousado: se tornarem os primeiros banqueiros negros dos Estados Unidos, em um dos piores períodos de segregação racial do país.

Mas para terem sucesso e entrarem "no mundo dos brancos", eles precisavam "ser brancos". Para isso, tiveram que contar com mais um integrante na equipe que era um fracasso total em fazer negócios e que tinha pouco tempo para aprender como se tornar um empresário de sucesso e ser o testa de ferro da dupla para negociar no preconceituoso mercado. 


E foi usando a cor e a aparência de Matt Steiner (Nicholas Hoult, que também entrega uma boa atuação e consegue acompanhar a dupla) que Garrett e Morris conseguiram, por muitos anos, contornar as limitações raciais da época e se tornarem os primeiros proprietários de imóveis negros mais ricos e bem-sucedidos do país. Hoult também entrega uma boa atuação e consegue acompanhar o ritmo da dupla principal.


A todo o momento, a questão racial é lembrada, tanto na hora de fechar um negócio usando Steiner de fachada, quanto na relação de Garrett com as pessoas de sua cidade natal. Numa época em que negros eram vistos como raça inferior, um segredo como este ia acabar sendo descoberto. O enredo é bom, mas é na interpretação da dupla principal que o filme se sustenta muito bem. Também a reconstituição de época ficou muito boa


Baseada em fatos reais, "The Banker" teve seu lançamento adiado por causa de uma acusação de abuso sexual infantil cometido por Bernard Garrett Jr. contra as irmãs do segundo casamento do pai quando todos moravam na mesma casa. Ou seja, no período abordado pelo filme. O acusado é um dos produtores do filme e aproveitou para contar apenas sua versão da história do pai, quando vivia com sua mãe, Eunice. No filme ela é interpretada por Nia Long, cujo talento merecia mais destaque.

A madrasta e as meias-irmãs de Garrett Jr. foram ignoradas completamente por ele na história, provocando revolta na família. Os abusos foram denunciados às vésperas da estreia no cinema, em novembro de 2019, provocando seu adiamento. Somente em julho deste ano, a Apple TV+ lançou a produção diretamente em seu canal de streaming.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
George Nolfi
Exibição: Apple Tv+
Produção: Romulus Entertainment
Duração: 2 horas
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama
Nota: 4,5 (0 a 5)


Tags: TheBanker, AppleTV+, AnthonyMackie, SamuelLJackson, NicholasHoult, NiaLong, drama, banqueiros, racismo, segregaçãoracial, cinemaescurinho, @cinemanoescurinho

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

"Difícil É Não Brincar" é selecionado para o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo

Produção mineira registra a infância em três distritos do interior de Minas Gerais (Fotos: Eliane Gouvêa/Divulgação)


Da Redação


A produção mineira "Difícil É Não Brincar", da diretora Papoula Bicalho, foi selecionada para o 31º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que acontece entre 20 e 30 de agosto, na Mostra Infanto-Juvenil. O filme é dos seis mineiros selecionados entre 3.056 inscritos na premiação.

O curta registra a infância em três distritos do interior de Minas Gerais pertencentes aos municípios de Congonhas e Ouro Preto, onde a produção de minério é a principal atividade econômica. Entre minas e minérios, crianças brincam e revelam seus sonhos e pesadelos, apostando que até nas adversidades, difícil mesmo é não brincar.

Dar voz às crianças é o principal objetivo do filme. “Meu desejo era torná-las protagonistas, narradoras e produtoras das sequências. A brincadeira foi o modo de obter isso de forma espontânea e criativa”, conta Papoula Bicalho, que concebeu e dirigiu o filme. “Quando as crianças brincam, liberam o seu imaginário e mostram de forma sensível os desejos, sonhos e pesadelos que as animam ou afligem. Você passa a ver a criança sem as máscaras impostas por certa cultura ou religião, pela família, por hábitos e costumes. Elas estão ali, inteiras, inventivas”.


Ambientado nesse universo lúdico das brincadeiras da infância, o enredo traz à tona várias nuances desta fase da vida e levanta questões pessoais e sociais que as crianças enfrentam: as inseguranças, a adaptação a diferentes realidades das comunidades, os sonhos que dividem espaço com incertezas do futuro e as delícias de ser criança e poder, mesmo nas adversidades, inventar mundos possíveis, brincando.

Participaram das filmagens mais de 90 crianças de Miguel Burnier e Comunidade do Mota (distrito e sub-distrito de Ouro Preto) e Lobo Leite (distrito pertencente a Congonhas). Os pontos de partida para a construção do enredo foram provocações e desafios que pudessem resultar em brincadeiras e depoimentos significativos para desvendar anseios, intimidações, prazeres e desejos que se apoderam dessas crianças no dia-a-dia. “O narrador do filme é a ação delas em meio aos colegas, amigos e à paisagem dos locais onde vivem”, explica Papoula Bicalho.


O curta contou com direção de produção de Janice Miranda, apoio institucional do Museu de Congonhas, parceria com a comunidade escolar dos distritos onde foram feitas as filmagens e realização da Luz Comunicação, com patrocínio da Gerdau.

Link para o teaser:

Ficha técnica:
Direção, concepção, roteiro, trilha e montagem
: Papoula Bicalho

Assistência de direção: Bruno Madeira, Zé Paulo Osório
Direção de produção: Janice Miranda
Produção: Fabrício Kent, Nathália Rezende Santos, Valdirene Andrade
Captação de imagem e som: Eliane Gouvêa, Papoula Bicalho, Rodrigo Gouvêa, Zé Paulo Osório
Tratamento e masterização de som: André Cabelo
Transporte: Edgard Magalhães, João Batista De Magalhães

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