06 dezembro 2015

"A Visita" tem bons sustos, ótima interpretação e direção M. Night Shyamalan

Uma vista aos avós pode mudar a vida de dois jovens netos para sempre (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas

Um ótimo filme de terror, sob a direção de M. Night Shyamalan, o mesmo de "Sexto Sentido" (1999) e "Sinais" (2002). Suspense na medida certa, traumas que vão surgindo ao longo da história e apesar da categoria, traz uma boa mensagem no final. Assim é "A Visita" ("The Visit"), em cartaz nos cinemas. O filme coloca dois adolescentes - Olivia De Jonge e Ed Oxenbould - contracenando com três atores experientes do cinema e de séries - Kathryn Hahn, Peter McRobbie e Deanna Dunagan.

O diretor escolheu contar a história sob o ponto de vista da neta (Olivia), que carrega uma filmadora todo o tempo e quer fazer um filme sobre os avós para dar de presente à mãe (Kathryn Hahn) que se separou deles quando era adolescente. E durante todo o tempo a jovem registra a família, em diversas situações, principalmente os avós.

A adolescente, que tem medo de se olhar no espelho, e o irmão (Oxenbould), com fobia por germes, são enviados pela mãe para visitar os avós que moram em uma remota fazenda na Pensilvânia. Não demora muito até que os irmãos descubram que os idosos têm comportamento estranho e passam a agir de maneira assustadora, o que pode colocar suas vidas em perigo e reforçar velhos traumas de infância.

Os cenários são limitados aos arredores da casa dos avós, numa época de neve. Então não espere uma fotografia de arrasar. Dentro de casa, o que é proibido desperta a curiosidade dos netos, apesar dos avisos dos avós sobre perigos e horários. Bons sustos, momentos tensos e boas interpretações, principalmente de Deanna Dunagan, que faz o papel da avó boazinha que adora cozinhar para os netos e muda completamente quando a noite chega.

Um dos bons filmes de terror deste ano e vale a pena ser visto. M. Night Shyamalan prova que, apesar de não ter tido muito sucesso com produções recentes, ainda sabe como conduzir bem o gênero.



"A Visita" está em exibição em nove salas de cinema de shoppings de BH, Betim e Contagem, nas versões dublada e legendada.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: M. Night Shyamalan
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 1h34
Gêneros: Terror
Países: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 3,5 (0 a 5)

Tags: #AVisita, #MNightShyamalan, terror, #UniversalPictures, #Cinema no Escurinho, #Tudo BH

02 dezembro 2015

Chico, um simples artista brasileiro de bem com a vida

Documentário mostra um Chico Buarque falante e bem humorado (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni

Se tivesse de resumir, com uma única palavra, o filme "Chico - Artista Brasileiro" usaria, sem dúvida, a expressão "honestidade". Sem rodeios, sem salamaleques, sem maiores invenções, o documentário de Miguel Faria Jr. é absolutamente honesto ao contar - e deixar contar - a trajetória do nosso maior artista. E o que é melhor: o próprio Chico fala de si mesmo e de sua carreira com simplicidade e fluência, que resulta no final num sentimento de "quero mais".

Diretor de "Vinícius", de 2005, documentário que é recorde brasileiro de público no gênero, Miguel Faria Jr. optou por uma fórmula parecida. Se, no primeiro filme, os depoimentos de parceiros e amigos de Vinícius de Moraes eram intercalados com canções e poemas de sua lavra, no segundo é o próprio Chico, na maioria das vezes, que conta as histórias sentado no escritório de sua casa no Leblon. De novo, os números musicais - especialmente gravados para o filme - intercalam as falas, tudo na medida certa.

Um detalhe que chama a atenção no documentário é o humor do artista, o que imprime leveza ao filme. Mesmo quando fala de passagens e percalços terríveis da sua trajetória como a censura implacável da ditadura e os anos de exílio na Itália, Chico ri, faz graça, em paz com a sua maturidade. Seu livro mais recente, "O irmão alemão", no qual ele conta a descoberta e a dolorosa busca de um irmão desconhecido, permeia todo o filme e é também com naturalidade e honestidade que o artista fala do processo.

Procurando sair do óbvio, as canções do filme surpreendem: da brejeira "Biscate", num delicioso dueto de Mart'Nália e Adriana Calcanhoto, passando por "Mar e Lua", com Mônica Salmaso, e "Uma canção desnaturada", aquela do curuminha, em comovente interpretação de Laila Garin, a cantora/atriz que fez o musical de Elis Regina. E mesmo diante de tantas feras, vale um destaque: a cantora portuguesa Carminho reinventando "Sabiá" é de cortar os pulsos.



Para os fãs do grande compositor, "Chico - Artista Brasileiro" é imperdível. O filme está em exibição nas salas 2 do Ponteio Lar Shopping (sessões de 16h40, 19 horas e 21h20) e 2 do Diamond Mall (sessões de 12h50, 15h40, 18h40 e 21h30). Classificação: 12 anos

Tags: #ChicoArtistaBrasileiro, #Miguel Faria Jr, #biografia, #Sony Pictures, #Cinemano Escurinho, #TudoBH