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08 junho 2023

Com ótimas batalhas, "Transformers - O Despertar das Feras" é uma boa pedida no cinema

O longa mantém as características da franquia, explorando o lado emocional de humanos e máquinas
(Fotos: Paramount Pictures)


Maristela Bretas


Com seis filmes, sendo um spin-off, a franquia "Transformers" estreia mais um longa nesta quinta-feira e pode agradar aos fãs. "Transformers - O Despertar das Feras" ("Transformers: Rise Of The Beasts") vem com ótimas batalhas entre as máquinas, grandes efeitos visuais e muito CGI, diversidade no elenco e belas locações, especialmente as imagens feitas no Peru.


Saindo das carinhas carimbadas de Hollywood, o sétimo filme da franquia aposta em novos rostos no blockbuster para serem os protagonistas. É o caso do norte-americano com ascendência porto-riquenha Anthony Ramos ("Nasce uma Estrela" - 2018). 

Ele entrega uma interpretação muito boa e carismática de Noah Diaz, um jovem de origem latina, que vive com a mãe e o irmão que sofre de uma doença incapacitante. Depois de alguns sufocos, Noah se torna amigo dos Autobots, papel que já foi vivido por Shia LaBeouf e Mark Wahlberg nos longas passados.


A parceira dele é a pesquisadora de objetos antigos e escrita arcaica, Elena Wallace, interpretada pela talentosa Dominique Fishback ("Power" – 2020 e o premiado “Judas – O Messias Negro” - 2021), que dá conta do recado e é bem simpática.

Já as máquinas receberam vozes originais de conhecidos atores/dubladores, como Peter Dinklage (o vilão Scourge), Ron Perlman (o gorila Optimus Primal), Michelle Yeoh (a águia Airazor), Pete Davidson (o autobot Mirage), Peter Cullen (Optimus Prime), John DiMaggio (o avião Stratosphere), Colman Domingo (Unicron, líder dos vilões), entre outros.


Na versão dublada para o português brilham Guilherme Briggs, novamente fazendo a voz de Optimus Prime, Douglas Silva, que dá ginga e diverte como Mirage, e Fernanda Paes Leme, como Arcee (a moto-robô).

O longa se passa em 1994 e mantém as características da franquia, explorando o lado emocional dos humanos e humanizando também as máquinas. Dos demais filmes da franquia, o longa é quase uma sequência do grande sucesso "Bumblebee" (2018). 


Também remete a outros filmes conhecidos como "Power Rangers" (2017) e a franquia "G.I. Joe" que, assim como os Transformers, tem brinquedos fabricados pela Hasbro. 

Os fãs da cultura geek vão perceber referências a games e blockbusters da época. Quem acompanhou estas produções vai entender o que estou dizendo.


Após 16 anos da estreia da franquia, "Despertar das Feras" explica um pouco da origem dos Autobots, porque vieram parar na Terra e a união com os humanos para defender o planeta de Unicron e seus seguidores Predacons e Terrorcons.

Apresenta também os Maximals, uma versão animal das máquinas, que também se transformam em veículos e guerreiros e vieram de Cybertron, mesmo planeta dos Autobots.


E são eles que dão início a esta nova história, a partir da destruição de seu planeta por Unicron. Os Maximals conseguem escapar levando um objeto que pode dar mais poder ao vilão alienígena. 

Pelo lado humano, temos Noah tentando ajudar no sustento da casa e no tratamento do irmão, mas que acaba se envolvendo no roubo de um carro diferente (Mirage). Após alguns sustos, ele se une aos Autobots e Maximals para tentar recuperar o tal objeto e salvar a Terra. 


Curiosidades da franquia

Shia LaBeouf estrelou os três primeiros filmes da franquia: "Transformers" (2007), "Transformers: A Vingança dos Derrotados" (2009) e "Tranformers: O Lado Oculto Da Lua" (2011). A partir de 2014, com "Transformers: A Era da Extinção" e "Tranformers: O Último Cavaleiro" (2017), Mark Wahlberg assume o papel principal.

Todos foram dirigidos por Michael Bay, que usou e abusou do IMAX nas quatro últimas produções, mas acabou desgastando a franquia e se tornando o mais do mesmo.


Quando os Transformers pareciam ter esgotado suas forças, especialmente após a produção de 2017, eis que a franquia ressurge sob a direção de Travis Knight e nos apresenta, um ano depois, "Bumblebee".

Protagonizado por Hailee Steinfeld, o longa superou quase todos os filmes anteriores e agrada tanto quanto o primeiro, de 2007.

Pena que Bumblebee, o mais carismático dos Autobots, tenha sido pouco aproveitado no novo longa. O diretor Steven Caple Jr. ("Creed II" - 2019) deixou o destaque para Optimus Prime, o gorila Optimus Primal e a águia Airazor.


Agora, o grande desafio de "Transformers: Despertar das Feras" é ser igual ou melhor que seu antecessor e manter a boa bilheteria da franquia, que arrecadou mundialmente cerca de US$ 4,8 bilhões entre 2007 e 2018. 

A produção é de alta qualidade, com locações em Cuzco, Machu Pichu, Tarapoto (Peru), Quebec e Montreal, Nova York, Los Angeles, Novo México, Londres e Islândia. Além de muita ação do início ao fim. Vale a pena ser conferida no cinema para aproveitar melhor os efeitos.


Ficha técnica:
Direção: Steven Caple Jr.
Produção: Paramount Pictures / Bay Films / Di Bonaventura Pictures / Skydance Productions
Distribuição: Paramount Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h07
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: ação / ficção

10 abril 2023

"Dungeons & Dragons - Honra entre Rebeldes" acerta na adaptação do melhor RPG para o cinema

Longa tem ação, aventura e diversão garantidas em meio a batalhas com monstros, dragões e heróis medievais (Fotos: Paramount Pictures)


Maristela Bretas


Mais uma investida em um famoso jogo. Desta vez, a aposta acertada é "Dungeons & Dragons - Honra entre Rebeldes" ("Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves"), adaptação do famoso RPG de mesa que foi sucesso nos anos de 1970. 

Depois de "Super Mario Bros - O Filme", que está liderando as bilheterias de cinemas, “D&D”, como é mais conhecido, estreia nesta quinta-feira (13) com um elenco de peso e a reprodução fiel ao game, com muita ação, aventura e diversão.


Alguns fãs do jogo estão considerando o longa como o retorno ao RPG raiz. Uma aventura hilária e repleta de monstros, dragões, elfos, anões e criaturas fantásticas características do RPG. 

Até mesmo personagens de "Caverna do Dragão" aparecem no filme. Sem contar Bradley Cooper fazendo uma ponta como um anão.


A parte cômica fica para o protagonista Chris Pine ("Star Trek: Sem Fronteiras" - 2016 e "Mulher Maravilha 1984" - 2020,) como o bardo Edgin. Ele é um trapaceiro cheio de grandes e desastrosos planos que tem em Holga (Michelle Rodriguez, da franquia "Velozes e Furiosos") sua fiel aliada e guerreira boa de briga.

Como bons trambiqueiros, eles se metem numa grande encrenca após aceitarem um serviço com o antigo parceiro, Forge (Hugh Grant ("Glass Onion: Um Mistério Knives Out" - 2022). E acabam caindo numa cilada. 


Agora precisam juntar um grupo de aventureiros para recuperarem uma relíquia mágica, capaz de ressuscitar a esposa de Edgin e resgatar a filha dele, Kira (Chloe Coleman). 

Ambos estão em poder do agora lorde Forge, que domina o reino com seu exército e a ajuda da poderosa feiticeira Sofina (Daisy Head). 


Pelo caminho, a dupla recruta o mago Simon (Justice Smith, de "Jurassic World: Domínio" - 2022) e a druidesa Doric (Sophia Lillis, de "It - A Coisa" - 2017 e "It - Capítulo 2" - 2019). Não podia faltar o paladino Xenk, interpretado por Regé-Jean Page (série "Bridgerton" - 2021). 

Para quem nunca jogou, "Dungeons & Dragons" é um RPG com características da época medieval. Nas batalhas temos cavaleiros, espadas, lanças e exércitos de mortais e monstros.  

Mas também há uma poderosa disputa de magia quando entram em cena o mago e os feiticeiros do mal. Tudo isso com muito uso de CGI e efeitos visuais, que ajudam a entregar uma ótima produção.


Além da parte técnica temos diálogos divertidos, tanto entre Edgin e Xenk, membros de grupos inimigos, quanto entre o trapaceiro e Forge. O filme garante boas risadas, até pelas situações criadas, mesmo quando nossos aventureiros estão em perigo.

A boa trilha sonora, entregue ao compositor Lorne Balfe, responsável pelas músicas de filmes como "Missão Impossível: Efeito Fallout" (2018) e "Adão Negro" (2022), completa o conjunto da obra.


"Dungeons & Dragons - Honra entre Rebeldes" vai despertar o saudosismo nos antigos jogadores de RPG. E pode atrair novos fãs, mesmo que por meio do cinema e possíveis continuações. 

É diversão garantida para quem gosta de um bom blockbuster de ação e aventura. Até mesmo para quem nunca jogou o mais famoso game de contação de histórias.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Jonathan Goldstein (XII) e John Francis Daley
Produção: Paramount Pictures
Distribuição: Paramount Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h14
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: fantasia, aventura, ação

24 janeiro 2023

Conheça as indicações ao Oscar 2023

(Fotomontagem: Marcos Tadeu)


Silvana Monteiro


No próximo dia 12 de março, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas apresenta os vencedores do Oscar 2023. A 95ª edição da cerimônia de entrega dos Academy Awards será no Teatro Dolby, em Los Angeles, na Califórnia. Nesta terça-feira foram anunciados os indicados aos prêmios em todas as categorias. Veja abaixo:

MELHOR FILME
- Elvis
- Entre Mulheres
- Nada de Novo no Front
- Os Fabelmans
- Os Banshees de Inisherin
- Tár
- Top Gun: Maverick
- Triângulo da Tristeza
- Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

MELHOR DIREÇÃO
- Daniel Kwan & Daniel Scheinert, por "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"
- Martin McDonagh, por "Os Banshees de Inisherin"
- Ruben Östlund, por "Triângulo da Tristeza"
- Steven Spielberg, por "Os Fabelmans"
- Todd Field, por "Tár"

"Os Fabelmans" (Universal Pictures)

MELHOR ATOR
- Austin Butler, por "Elvis"
- Brendan Fraser, por "A Baleia"
- Bill Nighy, por "Living"
- Colin Farrell, por "Os Banshees de Inisherin"
- Paul Mescal, por "Aftersun"

MELHOR ATRIZ
- Ana de Armas, por "Blonde"
- Andrea Riseborough, por "To Leslie"
- Cate Blanchett, por "Tár"
- Michelle Williams, por "Os Fabelmans"
- Michelle Yeoh, por "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"


"Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo
Tempo" (Foto: A24)


MELHOR ATOR COADJUVANTE
- Berry Keoghan, por "Os Banshees de Inisherin"
- Brian Tyree Henry, em "Causeway"
- Brendan Gleeson, por "Os Banshees de Inisherin"
- Judd Hirsch, em "Os Fabelmans"
- Ke Huy Quan, por "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
- Angela Bassett, por "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre"
- Hong Chau, por "A Baleia"
- Jamie Lee Curtis, por "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"
- Kerry Condon, por "Os Banshees de Inisherin"
- Stephanie Hsu, por "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"

"Os Banshees de Inisherin" (Foto: Film4 Productions)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
- Daniel Kwan & Daniel Scheinert, por "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"
- Martin McDonagh, por "Os Banshees de Inisherin"
- Ruben Östlund, por "Triângulo da Tristeza"
- Steven Spielberg & Tony Kushner, por "Os Fabelmans"
- Todd Field, por "Tár"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
- Edward Berger, Lesley Paterson & Ian Stokell, por "Nada de Novo no Front"
- Ehren Kruger, Eric Warren Singer & Christopher McQuarrie, por "Top Gun: Maverick"
- Kazuo Ishiguro, por "Living"
- Rian Johnson, por "Glass Onion: Um Mistério Knives Out"
- Sarah Polley, por "Entre Mulheres"


Top Gun:Maverick (Foto: Paramount Pictures)

MELHOR TRILHA SONORA
- Carter Burwell, por "Os Banshees de Inisherin"
- John Williams, por "Os Fabelmans"
- Justin Hurwitz, por "Babilônia"
- Son Lux, por "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"
- Volker Bertelmann, por "Nada de Novo no Front"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
- Lady Gaga - "Hold My Hand" (de "Top Gun: Maverick")
- M. M. Keeravani - "Naatu Naatu" (de 'RRR")
- David Byrne/Mitski/Son Lux - "This is a Life" (de "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo")
- Sofia Carson - "Applause" (de "Tell it Like a Woman")
- Rihanna - "Lift Me Up" (de "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre")


"Pantera Negra: Wakanda Para Sempre" (Foto: Marvel)

MELHOR FOTOGRAFIA
- Darius Khondji, por "Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades"
- Florian Hoffmeister, por "Tár"
- James Friend, por "Nada de Novo no Front"
- Mandy Walker, por "Elvis"
- Roger Deakins, por "Império da Luz"

MELHOR EDIÇÃO
- Eddie Hamilton, por "Top Gun: Maverick"
- Mikkel E.G. Nielsen, por "Os Banshees de Inisherin"
- Matt Villa & Jonathan Redmond, por "Elvis"
- Monika Willi, por "Tár"
- Paul Rogers, por "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"

"Elvis" (Foto: Warner Bros. Pictures)

MELHOR FIGURINO
- Catherine Martin, por "Elvis"
- Jenny Beavan, por "Sra. Harris Vai a Paris"
- Mary Zophres, por "Babilônia"
- Ruth E. Carter, por "Pantera Negra: Wakanda Para Sempre"
- Shirley Kurata, por "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo"

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
- Avatar: O Caminho da Água
- Babilônia
- Elvis
- Nada de Novo no Front
- Os Fabelmans

MELHOR CABELO & MAQUIAGEM
- A Baleia
- Batman
- Elvis
- Nada de Novo no Front
- Pantera Negra: Wakanda Para Sempre


Babilônia (Foto: Paramount Pictures)

MELHOR SOM
- Avatar: O Caminho da Água
- Batman
- Elvis
- Nada de Novo no Front
- Top Gun: Maverick

MELHORES EFEITOS VISUAIS
- Avatar: O Caminho da Água
- Batman
- Nada de Novo no Front
- Pantera Negra: Wakanda Para Sempre
- Top Gun: Maverick

"Avatar: O Caminho da Água" (Foto: 20th
Century Studios)

MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA METRAGEM
- A Fera do Mar
- Gato de Botas 2: O Último Pedido
- Marcel the Shell with Shoes On
- Pinóquio, de Guillermo del Toro
- Red - Crescer é uma Fera

MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA METRAGEM
- An Ostrich Told Me the World is Fake and I Think I Believe It
- Ice Merchants
- My Year of Dicks
- The Boy, the Mole, the Fox and the Horse
- The Flying Sailor

MELHOR CURTA METRAGEM EM LIVE-ACTION
- An Irish Goodbye
- Ivalu
- Le Pupille
- Night Ride
- The Red Suitcase

"Pinóquio", de Guillermo del Toro (Foto: Netflix)

MELHOR FILME INTERNACIONAL
- Argentina, 1985 (Argentina)
- Close (Bélgica)
- EO (Polônia)
- Nada de Novo no Front (Alemanha)
- The Quiet Girl (Irlanda)

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA METRAGEM
- A House Made of Splinters
- All That Breathes
- All The Beauty and the Bloodshed
- Fire of Love
- Navalny

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM
- Haulout
- How do You Measure a Year?
- The Elephant Whisperers
- The Martha Mitchell Effect
- Stranger at the Gate

"Argentina, 1985" (Foto: Amazon Prime Vídeo)


31 outubro 2022

"Sorria" faz o espectador pular na poltrona de susto

Sosie Bacon é uma psiquiatra perseguida por entidade maligna responsável pela morte de um paciente (Fotos: Paramount Pictures)


Marcos Tadeu
Narrativa Cinematográfica


De uns tempos para cá, o terror psicológico tem se popularizado cada vez mais ,graças a filmes como "A Bruxa" (2015), "O Farol" (2019), "Midsommar - O Mal Não Espera a Noite" (2019). "Sorria" ("Smile"), obra de Parker Finn em cartaz nos cinemas, faz isso muito bem com um orçamento pequeno de U$D 17 milhões e uma bilheteria mundial de mais de  US$ 100 milhões, sendo R$ 10 milhões no Brasil.


Na história conhecemos Rose Cotter (Sosie Bacon), uma psiquiatra que presencia a misteriosa e assustadora morte de uma paciente. Ao investigar mais a fundo, descobre que a resposta está em um sorriso fixo e ameaçador. 

A protagonista ainda vive experiências semelhantes a sua última vítima e que todas as outras mortes têm um padrão e ela dispõe de pouco tempo para enfrentar uma força maligna.


O roteiro é muito ágil em apresentar todo o contexto e, principalmente, sob o ponto de vista da protagonista. Em grande parte da narrativa, Rose tenta, a todo custo, provar que as mortes são reais, equilibrando numa linha tênue entre a razão e a loucura. 

As pessoas próximas são as que menos acreditam nela e acham que a psiquiatra está com problemas relacionados à loucura.


Destaco também a mixagem e os efeitos sonoros. A narrativa usa de sons bastante comuns para assustar o espectador, um grande diferencial. O óbvio sendo usado para que a audiência fique atenta e dê bons pulos de susto na cadeira. É importante ressaltar que existem poucos jumps-scare, mas que são usados de forma nada convencional para que o público também se sinta incomodado com a criatura demoníaca.

Nos aspectos técnicos podemos ver grandes planos em close-up para reforçar a questão do sorriso. O jogo de câmera do longa é bem rápido, fazendo com que a trama aprofunde no mistério dos suicídios.


O encerramento deixa a desejar. Ficam pontas soltas e um fim em aberto, apostando em uma possível continuação. Se isso acontecer de fato, o grande desafio é produzir um enredo tão bom e tão forte quanto a história original.

"Sorria" é uma ótima pedida para quem curte terror psicológico. O filme está fazendo bastante barulho e recebendo críticas bem favoráveis do público. Sem dúvida, vale o ingresso e ficar de olho no que essa franquia pode se tornar. 


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Parker Finn
Produção: Paramount Pictures q Temple Hill Entertainment
Distribuição: Paramount Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h55
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: terror / suspense

01 setembro 2022

"Predestinado" - A história real do médium Zé Arigó que salvou milhares de vidas

Danton Mello entrega ótima interpretação, especialmente nas cenas de cirurgias espirituais
(Fotos: Imagem Filmes/Divulgação)



Maristela Bretas


Foram dois anos de espera. Mas finalmente, nesta quinta-feira, estreia nos cinemas brasileiros "Predestinado - Arigó e o Espírito do Dr. Fritz", filme que conta a história real de um dos maiores médiuns da história - José Pedro de Freitas, mais conhecido como "Zé Arigó". 

No papel principal temos Danton Mello em excelente interpretação, conseguindo transmitir a doçura do homem comum e o rigor do espírito do Dr. Fritz (James Faulkner) que ele incorporava durante as milhares de cirurgias espirituais que realizou em Congonhas do Campo (MG), sua terra natal, usando apenas um canivete enferrujado. 


A roteirista Jaqueline Vargas usou como base o livro “Arigó e o Espírito do Dr. Fritz”, escrito pelo jornalista e escritor inglês John G. Fuller, para ajudar a construir o roteiro do filme. A obra literária foi reeditada pela Editora Pensamento e seu novo lançamento acompanha a estreia do filme nos cinemas. 

Veja o vídeo com a narração de atores, diretores e produtores sobre o que representou participar dessa emocionante produção.


Arigó sempre foi um homem simples, humilde e de grande coração. Brigou durante boa parte de sua vida com as vozes que escutava em sua cabeça, julgando, assim como as pessoas que o conheciam, que estava ficando louco. 

Somente mais velho conseguiu entender seus dons mediúnicos e a voz que ouvia do espírito do Dr. Fritz, médico alemão falecido durante a Primeira Guerra Mundial. A partir daí, o médium aceita seu compromisso com a espiritualidade e a missão de salvar vidas sem receber nada em troca.


Pacientes vinham de todas as partes em busca da cura de seus males, nem sempre possível. Ambientado entre os anos 1950 e 1970, o filme mostra o médium sendo combatido e criticado pela igreja, entidades médicas e autoridades. Seu maior inimigo foi Padre Anselmo, pároco da igreja local, papel brilhantemente interpretado por Marcos Caruso.

O filme mostra que, durante sua jornada, Arigó foi orientado pelo também mineiro, Chico Xavier (papel de João Signorelli), sobre os caminhos espinhosos que enfrentaria por seu trabalho de cura espiritual. 


Apesar da perseguição, Arigó sempre contou com o apoio da esposa Arlete Freitas (que era sua prima em quarto grau), com quem teve seis filhos. Coube a Juliana Paes interpretar muito bem a personagem - uma mulher forte, que questionou sua fé, mas cujo amor pelo marido foi maior até mesmo nos piores momentos. 

Ele chegou a ser preso duas vezes. Segundo relatos da época, a primeira  detenção foi sob acusação de curandeirismo. Ele recebeu indulto do então presidente Juscelino Kubitscheck (1902-1976) e saiu livre. Tempos depois, JK, não mais presidente, visitou Arigó para agradecer pela cura de sua filha Márcia, que sofria de leucemia. Isso ocorreu 15 dias antes da morte do médium.


"Predestinado" tem ainda em seu elenco  Alexandre Borges (senador Lúcio Bittencourt), Marco Ricca (juiz Barros), Cássio Gabus Mendes (Cícero, diretor da cadeia), Carlos Meceni (Orlandinho), entre outros. O filme foi gravado na histórica cidade mineira de Congonhas, onde ficava o Centro Espírita Jesus Nazareno, local em que o médium realizou a maioria das curas espirituais. 

Muitas das imagens são reproduções fiéis de fotos da época, dando maior autenticidade ao roteiro, que foi aprovado pelos filhos de Arigó e Arlete. A fotografia também é um destaque, em especial nas cenas do médium ainda menino sufocado pelo medo de estar cometendo pecado por suas visões, e as do encontro com Chico Xavier à beira de um rio.


Uma bela e emocionante produção, que respeita o espiritismo e desmente muitas das inverdades contadas sobre o médium à época, por preconceito, medo ou desconhecimento sobre a cura espiritual. Fiel a Deus, Zé Arigó tornou-se esperança de cura para mais de quatro milhões de pessoas que vinham em constantes caravanas. 

Ele chegou a atender mil pessoas por dia e mostrou que era possível fazer o bem sem exigir nada em troca. Recusou entrar para a política e aceitar benesses da indústria farmacêutica, diferente de outros líderes religiosos. "Predestinado - Arigó e o Espírito do Dr. Fritz" é um filme que vale a pena ser conferido.


Ficha técnica:
Direção: Gustavo Fernandez
Roteiro: Jaqueline Vargas
Produção: Moonshot Pictures / Fj Produções / The Calling Production / Paramount Pictures / Camisa Listrada BH
Distribuição: Imagem Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h49
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gênero: drama

22 julho 2021

“Um Lugar Silencioso - Parte II” proporciona experiências ainda mais aterrorizantes

Após meses, os sobreviventes da família Abbott continuam lutando para escapar da infestação de monstros que dominou sua cidade (Fotos: Jonny Cournoyer/Paramount Pictures)


Carolina Cassese


A aguardada sequência de "Um Lugar Silencioso" (2018) foi mais uma das produções que encontrou dificuldades para estrear nos cinemas por conta da pandemia. O primeiro filme, centrado na família Abbott, que precisa se manter em silêncio para sobreviver, fez bastante sucesso e conquistou fãs ao redor do mundo inteiro. 

Esses espectadores, é claro, não viam a hora de conferir “Um Lugar Silencioso II - Parte II” ("A Quiet Place - Part II), também assinado por John Krasinski. Após o lançamento ter sido adiado duas vezes, a produção finalmente chegou às telas brasileiras nesta quinta-feira (22), incluindo cinemas de Belo Horizonte.


Três anos atrás, no lançamento do primeiro filme, muitos espectadores reforçavam a importância de assistir "Um Lugar Silencioso" no cinema, pois o fantástico trabalho de som é melhor percebido nesse ambiente. 

Para a continuação, o mesmo segue sendo bastante verdadeiro: faz toda a diferença assistir o filme na tela grande e poder diferenciar (ou se deixar impactar por) cada ruído. No entanto, como no Brasil a situação sanitária ainda não está controlada, não é sempre possível fazer essa recomendação. 


Logo na primeira cena, somos levados de volta para o momento da invasão alienígena, quando tudo começou. Além de servir como uma boa introdução para aqueles que por acaso não viram o primeiro longa, o prólogo introduz informações relevantes e garante excelentes cenas de ação.

É evidente que, após mais de um ano de pandemia, nosso olhar para filmes pós-apocalípticos é outro. Por mais que a realidade de "Um Lugar Silencioso" ainda pareça consideravelmente improvável, podemos nos identificamos com a sensação de presenciar a chegada do desconhecido, de um elemento externo que nos amedronta e nos obriga a alterar o cotidiano.


Após termos uma amostra de como aquela invasão rapidamente alterou a vida de todos, “Um Lugar Silencioso II” avança para o dia 474, quando o primeiro longa termina. Evelyn (Emily Blunt), Regan (Millicent Simmonds), Marcus (Noah Jupe) e o recém-nascido, membros sobrevivente da família Abbott, estão lutando para escapar da infestação de monstros. 

Confira os que John Krasinski e Emily Blunt falam sobre o que os fãs podem esperar do filme.


Dessa vez, o diretor escolhe separar a história em dois fios narrativos, que dialogam bastante entre si. Nos pegamos torcendo bastante pelos membros da família e também por novos personagens, que encaram ameaças diversas.

Se o primeiro filme já consegue nos deixar bem apreensivos, o segundo cumpre essa missão com ainda mais primor. O longa apresenta muitos momentos de tensão, brilhantemente bem executados. 

As ótimas atuações dos membros da família, especialmente de Millicent Simmonds e Noah Jupe, e de Cillian Murphy, como Emmet, sem dúvida nos auxiliam a acreditar naquela realidade e a torcer por todos aqueles personagens, que agora estão muito mais maduros e preparados para as adversidades.


O ritmo da produção é outro ponto positivo a ser destacado. Há sem dúvidas primordiais momentos de respiro, mas estamos o tempo inteiro conectados e engajados com a história. Não vemos o tempo passar e até mesmo tomamos (mais um) susto quando a tela escurece, anunciando o fim do filme. O que fica é um significativo gosto de “quero mais”. 

A confirmação do terceiro filme da franquia é, portanto, uma excelente notícia para todos nós que nos envolvemos com o drama da família Abbott, que agora se une a novos personagens.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: John Krasinski
Distribuição: Paramount Pictures
Duração: 1h37
Exibição: Nos cinemas
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Suspense / Terror

08 junho 2021

Aos 40 anos, "Indiana Jones" retorna de cara nova

Os quatro filmes estão disponíveis para Apple TV e plataformas digitais (Crédito: Paramount Home Entertaiment/Divulgação)


Da Redação


Quarenta anos depois, os fãs de Indiana Jones vão poder curtir novas versões do herói de chapéu e chicote nos quatro filmes da franquia. Sucesso desde 12 de junho de 1981 quando "Os Caçadores da Arca Perdida" ("Raiders of the Lost Ark") estreou no cinema, Indiana Jones, interpretado por Harrison Ford, continua cativando e atraindo novos seguidores. 

Em homenagem à data, o clássico e suas sequências estão sendo relançados, a partir desta terça-feira (8), em 4K na Apple TV com Dolby Vision e HDR-10 para qualidade ultra-vivid picture. Já a versão remasterizada será disponível para as plataformas digitais Google Play, Net Now e Sky.


Cada filme foi meticulosamente remasterizado a partir dos negativos originais com um trabalho extenso de efeitos visuais para garantir uma imagem na mais alta qualidade. Todo o trabalho foi aprovado pelo diretor de todos os filmes, Steven Spielberg.

Os quatro filmes foram também remixados na Skywalker Sound sob a supervisão do designer de som Ben Burtt, para criar a trilha sonora. Os elementos de som originais foram usados para alcançar um completo e imersivo mix Dolby Atmos e ao mesmo tempo manter toda intenção criativa original do filme.


Os filmes na Apple TV terão sete horas de conteúdo extra:
No set com os Caçadores da Arca Perdida
- Da Floresta ao Deserto
- Da Aventura para Lenda

Criando os Filmes
- Criando os Caçadores da Arca Perdida (documentário de 1981)
- Criando os Caçadores da Arca Perdida
- Criando Indiana Jones e o Templo da Perdição
- Criando Indiana Jones e a Última Cruzada
- Criando Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (HD)
 

Bastidores
- Os dublês (stunts) de Indiana Jones
- O Som de Indiana Jones
- A Música de Indiana Jones
- A Luz e Magia de Indiana Jones
- Caçadores: A Cara Derretida!
- Indiana Jones e as criaturas rastejantes (com pop-ups opcionais)
- Viaje com Indiana Jones: Locações (com pop-ups opcionais)
- As mulheres de Indy: The American Film Institute Tribute
- Amigos e Inimigos de Indy
- Props icônicos (Reino da Caveira de Cristal) (HD)
- Os efeitos de Indy (Reino da Caveira de Cristal) (HD)
- Aventuras na pós-produção (Reino da Caveira de Cristal) (HD)

Uma verdadeira viagem de volta ao mundo do herói em alta qualidade, digna dos fãs da franquia, que agora está sendo disponibilizada pela Paramount Home Entertainment.


Ficha Técnica
Direção: Steven Spielberg
Produção: LucasFilm
Filmes: "Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida", "Indiana Jones e O Templo da Perdição" e "Indiana Jones e A Última Cruzada"
Classificação: 14 anos
"Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal"
Classificação: 12 anos

14 janeiro 2021

Ótimos filmes exibidos em 2020 que valem a pena ser vistos e revistos

Divulgação
 

Maristela Bretas


Com as salas de cinema fechadas por causa da pandemia de Covid -19 por oito meses, os amantes da Sétima Arte conseguiram assistir apenas alguns dos grandes lançamentos previstos para serem exibidos na telona em 2020. Quem saiu ganhando foram as plataformas de streaming, que conquistaram o público oferecendo uma maneira mais fácil, segura e confortável para curtir ótimas produções.

Não são poucos os sucessos oferecidos, nos mais diversos gêneros - suspense, aventura, drama, romance, animação ou policial. Se você está procurando um bom filme para ver sentadinho no sofá com um balde pipoca, aqui vão algumas indicações dos colaboradores do Cinema no Escurinho que valem a pena.

Tem até ganhadoras do Oscar 2020 que entraram no circuito comercial no início do ano passado e que já estão disponíveis para TV, smartphone ou tablet. Se quiser saber mais sobre algumas produções, clique nos links e confira as críticas. Uma boa diversão!

Divulgação

Jean Piter Miranda

- Ninguém Sabe Que Estou Aqui (Netflix)
- O Caminho de Volta (Google Play Filmes)
- O Diabo de Cada Dia (Netflix) 
- Você Nem Imagina (Netflix)
- Enola Holmes (Netflix)
- Mulher Maravilha 1984 (Cinema/Warner Bros. Pictures)
- Mulan (Disney+) 
- Rede de Ódio (Netflix)
- O Dilema das Redes (Netflix) 
 
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Mirtes Helena Scalioni

- Os Miseráveis (Cinema/Paramount Pictures)
- Você Não Estava Aqui (Cinema/Vitrine Filmes)
- O Bar (Netflix)
- Adú (Netflix) 
- Rosa e Momo (Netflix) 
- AmarElo (Netflix)

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Maristela Bretas

- Jojo Rabbit (Cinema/Fox Films) 
- O Homem Invisível (Cinema/Universal Pictures) 
- 1917 (Cinema/Universal Pictures) 
- O Caso Richard Jewell (Cinema/Warner Bros. Pictures)  
- Adoráveis Mulheres (Cinema/Sony Pictures)
- Umbrella - curta de animação (estará disponível gratuitamente no canal do Youtube da Stratostorm até 21/01/2021)
- Soul (Disney+)
- O Escândalo (Cinema/Paris Filmes)  
- Trilogia do Baztán (Netflix)