História conta o sequestro do neto do maior bilionário dos anos 70 que se recusou a pagar o resgate (Fotos: Divulgação)
Maristela Bretas
Passados quase 45 anos, o diretor Ridley Scott reconta uma história que em 1973 movimentou os noticiários norte-americanos e internacionais: o sequestro de um dos netos do homem mais rico do mundo, que se negou pagar o resgate exigido. Se a história de "Todo o Dinheiro do Mundo" ("All The Money In The World") já não é tão impactante quanto foi à época, pelo menos os escândalos de assédio sexual de Kevin Spacey anunciados durante as filmagens que provocaram a sua troca por Christopher Plummer vão atrair público e indicações a prêmios. Como aconteceu com a indicação a Melhor Ator Coadjuvante no Globo de Ouro deste ano.
Excelente, como sempre, no papel do bilionário John Paul Getty. Christopher Plummer dá um banho de interpretação como o homem mais rico e sovina do mundo, que mantém família (e seus problemas) à distância; E que se recusa a pagar o resgate do neto que leva seu nome, John Paul Getty III, sequestrado na Itália em 1973 aos 16 anos. O diretor Ridley Scott precisou praticamente refazer o filme, uma vez que o papel era de Spacey trocado por causa das denúncias. E Plummer mostrou o grande ator que sempre foi, dominando as cenas cada vez que aparecia.
Por coincidência e nada de parentesco, o outro papel de destaque na história foi entregue a Charlie Plummer, o jovem ator que interpreta John Paul Getty III, o sequestrado. Não é nada excepcional, mas o ator dá conta do recado. Também no elenco estão Michelle Williams, no papel de Gail Harris, mãe de J. Paul Getty III, divorciada e que cria o filho sozinha.
Mark Wahlberg não está ruim, mas apenas completa o elenco, sem destaque, como Fletcher Chase, homem de confiança e segurança do magnata do petróleo. Papel que poderia ter sido feito por qualquer ator menos conhecido de Hollywood ou que Wahlberg talvez não tenha sabido aproveitar para mostrar que pode fazer mais que apenas o "bombadão" de blockbusters como "Transformers: A Era da Extinção" (2014) e "Transformers: O Último Cavaleiro" (2017).
A história se passa em 1973 na Itália, onde John Paul Getty III vive com a mãe, separada do pai dele, filho do bilionário. Considerado um jovem problemático, sem freio e vivendo uma vida desregrada, , ninguém dá atenção quando ele desaparece. Dois dias depois, a mãe Gail recebe um telefonema de que ele havia sido sequestrado e o pedido de resgate de US$ 500 mil. Ninguém acredita, uma vez que o jovem era herdeiro do homem mais rico do mundo.
Dias depois os sequestradores mudam de ideia e aumentam o valor para US$ 3 milhões. Gail pede ajuda ao octogenário patriarca da família que se recusa com um comunicado: "Tenho 14 netos, se pagar resgate, terei 14 netos sequestrados". Frio, manipulador e mesquinho, Getty irá encarregar o ex-espião Fletcher Chase, seu homem de confiança, de descobrir quem e o que está por trás do crime, solucionando o problema sem o desperdício de nenhum centavo de sua fortuna.
Após cinco meses em cativeiro, os sequestradores se cansam da história e enviam uma parte da orelha e cachos dos cabelos ruivos de Getty III à imprensa. O avô decide pagar parte do sequestro com seu dinheiro e empresta o restante ao filho, pai do jovem, cobrando juros, para que pague o restante. O jovem é devolvido à família.
Boa ambientação de época, boas locações, principalmente na Itália, "Todo o Dinheiro do Mundo" vale por Christopher Plummer e pela direção de Ridley Scott, além de contar uma história que aqueles que tem menos de 60 anos desconhecem e que marcou de tragédias a trajetória de toda uma família até os dias de hoje, a começar por Getty III.
Ficha técnica Direção: Ridley Scott Produção: STX International / Imperative Entertainment / Scott Free / TriStar Pictures Distribuição: Diamond Films Gêneros: Suspense / Drama País: EUA Classificação:16 anos Nota: 3,5 (0 a 5)
Terror corporal com Dave Franco e Alison Brie utiliza o sobrenatural para explorar uma relação de codependência (Fotos: Neon)
Maristela Bretas
Com a proposta de ser um filme de terror corporal, "Juntos" ("Together"), que estreia nesta quinta-feira (14) nos cinemas com roteiro e direção de Michael Shanks, mergulha no psicológico a partir de acontecimentos estranhos e sobrenaturais que afetam um casal.
Nos papéis principais estão Dave Franco ("Truque de Mestre: O 2º Ato" - 2016) e Alison Brie ("A Comédia dos Pecados" - 2020), casados na vida real, interpretando Tim, um músico que não consegue alcançar sucesso, e Millie, uma professora de inglês.
Duas pessoas com objetivos opostos, mas que resolvem construir uma vida a dois em uma pequena cidade do interior dos EUA.
Enquanto caminham por uma mata próxima à nova casa, eles caem em uma caverna durante uma tempestade e decidem acampar lá dentro durante a noite.
Tim bebe de uma poça no local e, a partir daí, a vida do casal - e sua união - nunca mais será a mesma.
Mesmo vivendo um momento ruim e desgastado da relação, uma força estranha e dominadora faz com que permaneçam unidos, praticamente colados, ameaçando a sanidade de ambos, especialmente quando perdem o controle sobre seus próprios corpos.
Na escola, Millie conhece Jamie (Damon Herriman, de "Era Uma Vez em... Hollywood" - 2019), um colega de trabalho, que entra vida do casal e agrava o problema ao explicar que "eles precisam ser um só para serem felizes e se tornarem inteiros".
"Juntos" é um filme sobre relações e sobre uma dependência que chega a ser doentia entre duas pessoas, mesmo quando ambas desejam seguir caminhos diferentes. A trilha sonora acerta ao incluir a música "2 Become 1", das "Spice Girls", como referência ao enredo.
Terror sem sangue
O longa não aposta em sustos, mas apresenta várias cenas de possessão "incômodas" provocadas pela força sobrenatural que atua sobre o casal. A dos olhos é a mais angustiante.
O sangue aparece pouco para um filme de terror, e há até alguns momentos de humor protagonizados por Tim, que provocam risos do público.
O final pode surpreender por seguir uma linha diferente de outros filmes do gênero, mas não espere uma grande produção. Não é um filme indicado para quem pretende se casar ou começar uma vida a dois. Em "Juntos", a frase "Até que a morte os separe" ganha um novo significado.
Ficha técnica:
Direção e roteiro: Michael Shanks Produção: Picture Start, Princesa Pictures, 30West, Tango Entertainment Distribuição: Diamond Films Exibição: nos cinemas Duração: 1h42 Classificação: 16 anos Países: EUA/Austrália Gênero: Terror psicológico
Ficção dirigida por Guillermo Del Toro conta a história de uma funcionária muda que se apaixona por um ser aquático preso no laboratório onde ela trabalhava (Fotos: Divulgação)
Maristela Bretas
Sem grandes gafes e marcada por discursos fortes a favor da igualdade de gênero, valorização da mulher, do negro e da diversidade, a 90ª Edição do Oscar, promovida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood entregou a estatueta de Melhor Filme de 2018 à produção "A Forma da Água", de Guillermo del Toro, também escolhido como Melhor Diretor. O filme ainda conquistou outras duas estatuetas - Melhor Trilha Sonora e Melhor Design de Produção - das 13 indicações que disputava. "Dunkirk" foi o segundo maior premiado, com três estatuetas, todas técnicas: Melhor Edição, Edição de Som e Mixagem de Som.
"Dunkirk"
Pela segunda vez, o comediante norte-americano Jimmy Kimmel foi o mestre de cerimônia da festa, celebrada no Teatro Dolby, em Los Angeles (Califórnia, EUA). Kimmel contou histórias e fez piadas sobre os candidatos e o presidente Donald Trump, e relembrou que o ano de 2017 foi marcado pelos escândalos de denúncias contra o assédio sexual em Hollywood. A abertura, feita em preto e branco, lembrou grandes produções premiadas com o Oscar nos últimos 90 anos. O cenário era semelhante a um grande diamante.
Sam Rockwell - "Três Anúncios Para um Crime"
O primeiro prêmio entregue foi o de Melhor Ator Coadjuvante e contou com uma montagem mostrando os maiores premiados em todos os anos nesta categoria. Viola Davis entregou a estatueta a Sam Rockwell, de "Três Anúncios Para um Crime", que já havia conquistado também o Globo de Ouro.
Gal Gadot e Armie Hammer apresentaram a categoria de Melhor Maquiagem e Cabelo, prêmio entregue a "O Destino de Uma Nação", pelo trabalho feito em Gary Oldman. Na sequência, "Trama Fantasma" ganhou em Melhor Figurino. Laura Dern e Saoirse Ronan entregaram a estatueta para "Ícaro" como vencedor de Melhor Documentário em Longa-Metragem, que critica a corrupção e o maior esquema de doping montado pela Rússia nos Jogos Olímpicos.
Gary Oldman - "O Destino de Uma Nação"
Taraji P. Henson, de "Estrelas Além do Tempo" chamou ao palco Mary J. Blige para interpretar a primeira música das concorrentes a Melhor Canção Original - "Mighty River", do filme "Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi". O prêmio de Melhor Documentário em Longa-Metragem foi para "Ícaro". Uma linda edição de cenas dos vencedores do Oscar nestes 90 anos serviu de gancho para o anúncio das categorias de Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som, premiações conquistadas por "Dunkirk".
"Me Chame pelo Seu Nome"
A segunda música apresentada foi "Remember Me", da animação Disney/Pixar "Viva - A Vida é uma Festa", de autoria de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez. A canção foi interpretada em duas versões - por Gael Garcia Bernal e Natalia La Fourcade. "Mystery of Love", do filme "Me Chame Pelo Seu Nome", de autoria de Surjan Stevens, foi a terceira canção a ser apresentada.
Allison Janney - "Eu, Tonya"
A veterana atriz Rita Moreno chegou arrasando para apresentar o Melhor Filme Estrangeiro, que ela comemorou ao entregar a estatueta para o chileno "Uma Mulher Fantástica". Grandes atrizes foram lembradas na edição feita para anunciar a vencedora na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. Mahershala Ali (escolhido como Melhor Ator Coadjuvante em 2017 por "Moonlight: Sob a Luz do Luar") chamou ao palco Allison Janney, pelo excelente trabalho em "Eu, Tonya".
"Viva - A Vida é Uma Festa"
O simpático robozinho BB8, Mark Hamill, Oscar Isaac e Kelly Marie Tran anunciaram a categoria de Melhor Curta em Animação, premiação conquistada por "Dear Basketball", de Glen Keane e do astro basquete mundial Kobe Bryant. O jogador recebeu o prêmio e agradeceu a família e a John Williams pela trilha sonora. O elenco de "Star Wars - Os Últimos Jedi" entregou também o prêmio de Melhor Animação para "Viva - A Vida é uma Festa".
"Blade Runner 2049"
Gina Rodrigues e Tom Holland foram os responsáveis por entregar o Oscar de Melhores Efeitos Visuais aos representantes de "Blade Runner 2049". Matthew McConaughey anunciou "Dunkirk" como o vencedor por Melhor Montagem. O diretor do filme Christopher Nolan cumprimentou Lee Smith pela vitória.
"Dunkirk"
Vários atores e atrizes fizeram uma surpresa ao público que estava numa sala de cinema ao lado do local da entrega do Oscar. Os primeiros a entrarem foram Jimmy Kimmel e Gal Gadot, que enlouqueceram a plateia e agradeceram a todos aqueles que vão ao cinema. Mark Hamill, Guillermo Del Toro e outras celebridades entregaram balas, cachorros quentes e brindes.
Um dos espectadores chamou as apresentadoras que anunciaram "Heaven is a Traffic Jam on the 405" como Melhor Documentário em Curta-Metragem e "The Silent Child" como Melhor Curta Metragem. Na sequência, a apresentação da quarta canção que disputa o Oscar 2018 - "Stand Up for Something", de Diane Warren e Lonnie R. Lynn, tema do filme "Marshall". Chadwick Boseman e Margot Robbie entraram para entregar a "Me Chame Pelo Seu Nome" de James Ivory, o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.
Jordan Peele - "Corra!"
O diretor Jordan Peele recebeu das mãos de Nicole Kidman a estatueta de Melhor Roteiro Original por "Corra!". Ele foi o primeiro negro a vencer nesta categoria. Mantendo a política de diversidade, a Academia convidou Wes Studi, ator de origem da tribo indígena cherokee para apresentar o especial homenageando os militares norte-americanos que serviram pelo mundo, como ele.
Sandra Bullock, com uma plástica no nariz que parecia Lorde Voldemort, de Harry Potter, anunciou "Blade Runner 2049" como vencedor na categoria Melhor Fotografia. O responsável Roger Deakins recebeu o prêmio. A última canção a ser apresentada foi "This is Me", do filme "O Rei do Show", composta por Benj Pasek e Justin Paul e interpretada na cerimônia pela cantora e atriz da Broadway Keala Settle.
"Remember Me" - "Viva - A Vida é uma Festa"
O veterano Christopher Walken foi aplaudido de pé ao anunciar a Melhor Trilha Sonora Original para "A Forma da Água", representado por Alexandre Desplat. Na sequência, "Remember Me", de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, tema da animação de "Viva - A Vida é uma Festa" foi escolhida como Melhor Canção Original.
Jennifer Garner apresentou o quadro In Memoriam que homenageia as pessoas ligadas ao cinema que morreram em 2017, incluindo Jerry Lewis. Emma Stone, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz em 2016 por "La La Land", anunciou Guillermo del Toro como Melhor Diretor por "A Forma da Água". Para anunciar o vencedor de Melhor Ator, Jane Fonda e Helen Mirren falaram das mudanças no mundo e chamaram ao palco Gary Oldman, pelo papel de Winston Churchill em "O Destino de Uma Nação".
Frances McDormand - "Três Anúncios Para um Crime"
Nova montagem com filmes protagonizados por grandes atrizes foi a chamada para a entrega da estatueta de Melhor Atriz. Jodie Foster, de muletas, e Jennifer Lawrence, brincaram com Meryl Streep como se ela fosse a causadora. A escolhida foi Frances McDormand, protagonista de "Três Anúncios Para um Crime". Ela dedicou seu prêmio às mulheres que foram indicadas a todas as categorias do Oscar 2018.
"A Forma da Água"
A dupla Faye Dunaway e Warren Beatty foi perdoada pela gafe do ano passado quando anunciou "La La Land" como o filme vencedor do Oscar 2017, quando o correto era "Moonlight". Desta vez, Beatty não repassou o envelope a sua parceira de palco e ainda confirmou por mais de uma vez o nome do vencedor "A Forma da Água" como o Melhor Filme de 2018. O diretor subiu ao palco para receber a premiação acompanhado de parte do elenco e produção e agradeceu a todos, encerrando a cerimônia.
Vencedores do Oscar 2018. Clique nos links para ler as críticas da turma do Cinema no Escurinho
Filme tem uma trama com histórias entrelaçadas de vinganças, traições e elenco caro (Fotos: Scott Garfield/Divulgação)
Maristela Bretas
Muito sangue, tiros, porrada e bombas, com piadinhas no estilo americano e um elenco caro. Tudo isso está no filme "Trem Bala" ("Bullet Train"), que traz Brad Pitt ("Era Uma Vez Em... Hollywood" - 2019) como protagonista, comandando quase toda a ação e o Japão como pano de fundo.
O longa se passa na maior parte do tempo dentro de um trem bala (por isso o nome) japonês, com algumas cenas externas dos trilhos e estações e nos flashbacks que vão explicando a trama. A estreia nos cinemas brasileiros é nesta quinta-feira.
Com uma trilha sonora de canções americanas como "Stayin' Alive", do Bee Gees, cantadas em versão nipônica (que agradam), e piadinhas nem sempre engraçadas, especialmente as de Brad Pitt, "Trem Bala" explora o ritmo frenético para contar várias histórias interligadas, com muita ação, o tempo todo.
Pitt está muito bem no papel, não tem um momento de sossego. Mas o melhor da trama é a dupla de irmãos Tangerina e Limão, formada respectivamente por Aaron Taylor-Johnson ("Vingadores - A Era de Ultron" - 2015) e Brian Tyree Henry ("Eternos" - 2021). Eles são tão atrapalhados e mortais que conseguem fazer rir até quando estão matando alguém.
Destaque também para as atuações de Joey King "("Despedida em Grande Estilo" - 2017 e da série "The Act"), como a "inocente" Prince, e do ator japonês Hiroyuki Sanada, conhecido do público brasileiro por trabalhos como "Army of the Dead: Invasão em Las Vegas" (2021), "Vingadores: Ultimato" (2019) e a participação em temporadas da série "Westword".
O elenco conta ainda com Michael Shannon ("Batman Vs Superman - A Origem da Justiça" - 2016) e Logan Lerman, que ganha menções engraçadas de Tangerina e Limão por seu papel nos filmes do herói Percy Jackson ("Ladrão de Raios" - 2010 e "Mar de Monstros" - 2013).
No filme, Ladybug/Joaninha (Brad Pitt) é um assassino azarado, determinado a fazer seu trabalho pacificamente depois de muitas missões saírem dos trilhos. Quase desistindo de sua carreira, ele é recrutado por Maria Beetle (Sandra Bullock) para roubar uma maleta misteriosa em um trem-bala indo de Tóquio para Morioka.
Porém, nesta última missão, Ladybug terá de enfrentar a bordo do trem, assassinos de várias partes do mundo que querem a maleta e vingança entre eles por crimes passados em que estiveram envolvidos.
Ou seja, além de muita pancadaria, a matança é geral. E a versão zen de Brad Pitt só quer sair dali e viver em paz, mas terá de descobrir como se manter vivo até o final da viagem, usando seus conhecimentos de matador e sem pegar em armas.
O público pode escolher a modalidade de homicídio, tem um pouco de cada: tiros, espadas, facas, serras elétricas, sufocamento, quedas e muito, muito sangue jorrando. O excesso de violência é aliviado com humor sarcástico. Há sempre uma piada ou um comentário cômico antes de uma luta ou morte. Bem no estilo do diretor David Leitch, responsável por sucessos como "Deadpool 2" (2018), "Velozes & Furiosos - Hobbs & Shaw" (2019) e "Atômica" (2017).
Sandra Bullock tem uma aparição relâmpago no final, apesar de conversar o tempo todo com Brad Pitt ao telefone. Se o público ficar atento e não piscar os olhos poderá perceber que até Ryan Reynolds também surge no longa. Ou seja, muitas estrelas que não foram bem aproveitadas em "Trem Bala", o que deixa a desejar.
O filme poderá agradar aos fãs do estilo de filme de ação de Leitch. Até mesmo um trailer cômico foi produzido para divulgação da produção com narração do locutor de futebol Silvio Luis. "Olho no lance" e clique aqui para conferir.
Ficha técnica:
Direção: David Leitch Produção: Sony Pictures / CTB Distribuição: Sony Pictures Exibição: nos cinemas Duração: 2h07 Classificação: 16 anos País: EUA Gêneros: ação, suspense
Na glamourosa e um tanto falsa Hollywood dos anos de 1950, o principal executivo da Capitol Pictures, Eddie Mannix (Josh Brolin) vive um dos dias mais difíceis de sua vida. O principal ator da maior superprodução do estúdio, Baird Whitlock (George Clooney), é sequestrado por uma organização bizarra chamada "Futuro". Seria dramático se não fosse cômico. E aí entra em cena o talento dos irmãos Coen - Joel e Ethan - que se armaram de ironia para escrever e dirigir "Ave, César!" ("Hail, Caesar!") uma comédia tão deliciosa quanto crítica. Não por acaso, "Ave, César!" é o nome da tal superprodução, bem nos moldes de Hollywood. E não é apenas o sequestro do ator canastrão Baird Whitlock que atormenta a vida já atribulada de Eddie Mannix. Comandante severo do estúdio, ele ainda tem que achar tempo - e jeito - para administrar a gravidez de DeeAnna Moran, uma atriz que posa de donzela, interpretada pela bela Scarlett Johansson, minimizar a falta de talento do ator de faroestes Hobie Doyle (Alden Ehrenreich) que tenta mudar de gênero e driblar a fome de notícias de duas jornalistas gêmeas ávidas por fofocas, Thora e Thessaly Thacker (interpretadas por Tilda Swinton).
Só mesmo das cabeças de Joel e Ethan Coen para brotar um roteiro como este, que beira o cinismo. Como trata-se de uma produção entre EUA e Reino Unido, o longa tem sua marca registrada no mais fino humor inglês. E são tantas as pequenas tramas, todas carregadas de ironia, que às vezes torna-se difícil acompanhar todas. Não se pode esquecer que a história se passa nos anos de 1950, auge da caretice e do falso moralismo americano, quando era preciso combater, a todo custo, o perigo do comunismo. E é claro que isso tudo foi prato cheio para a mordacidade dos diretores.
Vale ressaltar que, no final das contas, apesar de importantes, todos os atores têm papéis pequenos no filme - o que prova, mais uma vez, o prestígio dos Coen. Também faz parte do elenco Ralph Fiennes que, com o brilho de sempre, faz um diretor sério - Laurence Laurentz - às voltas com atores que não sabem interpretar. As historinhas e tramas são intercaladas por números musicais esplêndidos, no melhor estilo Hollywood. Houve quem achasse deslocadas as danças, sapateados e cantorias. No fundo, foi uma bela homenagem. A comédia "Ave César!" pode ser conferida nas salas 1 do Belas Artes (sessões as 14 e 19 horas), 3 do Pátio Savassi (19h15) e 3 do Net Cineart Ponteio (14h30 e 18h40), em versão legendada. Classificação: 12 anos
Em nova animação da Pixar, humanos e animais dividem o protagonismo, cada um apresentando seu lado de uma história (Fotos: Disney Pictures)
Maristela Bretas
Emocionante e divertido, uma animação para a família toda. A
Pixar Animation entrega, com “Cara de Um, Focinho de Outro” (“Hoppers”), mais
uma bela produção capaz de fazer rir e chorar, levando ao público — dos seis
aos 100 anos — uma mensagem bastante atual: é preciso cuidar e preservar a
natureza e aprender a viver em harmonia com ela.
O filme estreia nos cinemas no dia 5 de março, em versões
dubladas e legendadas, mas já pode ser conferido em várias salas das redes
Cineart, Cinemark e Cinépolis BH.
Humanos e animais dividem o protagonismo, cada um
apresentando seu lado de uma história que gira em torno de um pequeno lago nos
arredores de uma cidade. No passado, Mabel Tanaka (Piper Curda) já era
defensora dos animais, mesmo quando toda a população a criticava.
A única que a compreendia era sua avó, a Sra. Tanaka (Karen
Huie), que morava perto do lago. Foi ela quem ensinou à neta a importância de
ouvir os sons da natureza para entendê-la melhor, além de ajudá-la a lidar com
a própria raiva e a controlar suas emoções.
Na adolescência, não poderia ser diferente. Ao descobrir que
o pequeno refúgio natural onde viveu seus melhores dias de infância seria
destruído pelo “avanço do progresso”, Mabel decide recorrer a uma tecnologia
revolucionária para se conectar aos animais que ali habitavam e que precisaram
fugir.
Ela transfere sua consciência para o corpo de um castor
robótico, o que lhe permite explorar o universo animal — suas aventuras,
alegrias, emoções e conflitos.
A partir daí, promove uma verdadeira revolução
dos bichos, enfrentando Jerry (Jon Hamm), o prefeito da cidade, determinado a
acabar com o lago dos castores. Mas tudo tem seu preço, e a situação pode
acabar ameaçando também a existência dos humanos.
Nomes conhecidos de Hollywood participam da aventura como
dubladores. Meryl Streep dá voz à Rainha dos Insetos — na versão brasileira,
Renata Sorrah estreia na dublagem.
Dave Franco interpreta Titus, auxiliar da
professora Sam (Kathy Najimy), que também trabalha com Diane (voz de Vanessa
Bayer no original e de Thaís Fersoza na versão em português).
Destaque para George (Bobby Moynihan), o Rei dos castores e Mamíferos, com sua coroa e varinha, liderando toda a comunidade com pompa e personalidade e que se torna o melhor amigo de Mabel.
O elenco conta ainda com
Melissa Villaseñor (Ellen), Ego Nwodim (Rainha dos Peixes), Sam Richardson
(Conner), Aparna Nancherla (Nisha), Nichole Sakura (Rainha dos Répteis), Isiah
Whitlock Jr. (Rei dos Pássaros), Steve Purcell (Rei dos Anfíbios).
Entre correrias, gritos e confusões no reino animal, “Cara
de Um, Focinho de Outro” aposta em um humor afiado ao tratar da destruição da
natureza pelo homem e de como ela pode revidar quando menos se espera.
A
história lembra um pouco “Avatar” — como a própria protagonista menciona — ao
utilizar a tecnologia para transferir mentes humanas para robôs, que passam a
funcionar como canal de comunicação com os animais reais.
Visualmente, a animação é impecável, com imagens vibrantes,
cenários bem detalhados e personagens que conquistam o público de imediato —
até mesmo os vilões.
Alguns personagens podem assustar crianças muito pequenas,
especialmente os reis e rainhas de determinadas espécies quando declaram guerra
aos humanos. Ainda assim, o filme equilibra bem tensão e humor, mantendo o tom
leve e reflexivo.
Mais uma vez, a Pixar mostra que sabe contar histórias que
divertem, emocionam e, principalmente, fazem pensar, agora sem deixar de lado a
presença da tecnologia como uma aliada.
Ficha técnica:
Direção: Daniel Chong Roteiro: Jesse Andrews e Daniel Chong Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures Distribuição: Disney Pictures e Disney+ Exibição: nos cinemas Duração: 1h45 Classificação: Livre País: EUA Gêneros: animação, aventura, comédia
Muito antes de os super-heróis dominarem as plataformas de streaming e as bilheterias do cinema, um guerreiro de cabelos loiros, espada em punho e força sobre-humana já mobilizava milhões de crianças brasileiras diante da televisão.
Exibido diariamente no "Xou da Xuxa", na segunda metade da década de 1980, He-Man e os Mestres do Universo transformou-se em um dos maiores fenômenos de audiência da programação infantil brasileira.
O sucesso foi tão avassalador que ultrapassou as telas, impulsionou a venda de brinquedos, álbuns de figurinhas e inspirou uma canção gravada pelo grupo infantil Trem da Alegria que, até hoje, permanece viva na memória afetiva de quem cresceu naquela época.
He-Man, o guardião musculoso e bronzeado de Eternia, já ocupava um lugar privilegiado no imaginário de uma geração que transformou o príncipe Adam, o Castelo de Grayskull, Mentor, Teela, a Feiticeira e o temido Esqueleto e sua gangue em personagens inesquecíveis.
He-Man, série animada de TV (Reprodução)
Quase quatro décadas depois, essa mesma geração, hoje formada por homens e mulheres acima dos 50 anos, volta a encontrar seus heróis nas telonas com o aguardado live-action de "Mestres do Universo" ("Masters of the Universe"), em cartaz nos cinemas da rede Cineart.
Reviver um clássico da cultura pop nunca é tarefa simples. A memória afetiva costuma ser implacável com qualquer adaptação. O diretor Travis Knight ("Bumblebee", 2018) demonstra desde a primeira sequência que conhece o peso dessa responsabilidade.
Em vez de apostar apenas no apelo nostálgico, constrói uma aventura que respeita o legado da animação e, ao mesmo tempo, entrega um espetáculo visual compatível com as grandes produções contemporâneas.
Eternia finalmente ganha a grandiosidade que os fãs imaginaram durante décadas, com cenários monumentais, figurinos ricos em detalhes e efeitos especiais que valorizam o universo criado pela Mattel.
O roteiro, assinado por Chris Butler ("Link Perdido", 2019), em parceria com David Callaham ("Homem-Aranha no Aranhaverso", 2018), além dos irmãos Aaron e Adam Nee ("A Cidade Perdida", 2022), preserva a essência dos personagens enquanto atualiza a narrativa para um público mais amplo.
Algumas passagens poderiam ser mais desenvolvidas e certos conflitos se resolvem com rapidez excessiva, mas a história encontra um bom equilíbrio entre ação, emoção e fidelidade ao material original.
Boas atuações
Nicholas Galitzine ("Uma Ideia de Você", 2024), dublado em português por Garcia Júnior (voz original do herói na TV) entrega um Príncipe Adam convincente e um He-Man fisicamente imponente, transmitindo a evolução do jovem herdeiro até assumir plenamente o papel de defensor de Eternia.
Mas quem domina boa parte da narrativa é Jared Leto ("Casa Gucci", 2021). Seu Esqueleto está ótimo, reunindo sarcasmo, inteligência e uma presença ameaçadora que transforma cada aparição em um dos grandes momentos do filme.
O vilão acaba roubando a cena em diversos momentos, confirmando que grandes aventuras também dependem de antagonistas memoráveis.
O elenco de apoio também merece destaque. Idris Elba ("O Esquadrão Suicida", 2021) imprime autoridade, experiência e carisma ao Mentor de Armas, tornando Duncan um dos personagens mais sólidos da produção.
Sua interpretação transmite a confiança de quem conhece cada batalha travada em Eternia e entende o peso de preparar o verdadeiro campeão de Grayskull, o tímido príncipe Adam.
Outro nome que chama a atenção do público brasileiro é Camila Mendes ("Música", 2024). Filha de pais brasileiros, a atriz assume o papel de Teela com personalidade, coragem e protagonismo. Sua personagem está longe de ocupar uma posição secundária.
Ela participa das principais sequências de ação, demonstra independência e estabelece uma relação convincente com Adam, tornando-se uma das figuras mais importantes da narrativa.
Morena Baccarin ("Deadpool & Wolverine", 2024) empresta elegância e serenidade à Feiticeira de Grayskull, enquanto Alison Brie ("Bela Vingança", 2020) constrói uma Maligna fria, calculista, lora e ambiciosa, ampliando o clima de tensão que envolve a disputa pelo destino de Eternia.
Em busca da espada do poder
O rei Randor, interpretado por James Purefoy (série "Pennyworth", 2019–2022), e a rainha Marlena, vivida pela atriz Charlotte Riley (minissérie "Peaky Blinders", 2014), enviam Adam aos 10 anos para a Terra, a fim de protegê-lo da invasão liderada por Esqueleto.
Em um portal mágico aberto pela Feiticeira, o jovem príncipe viaja em uma dimensão e acaba caindo em Oklahoma City, nos Estados Unidos. Durante a travessia, a Espada do Poder se separa dele, e esse é o acontecimento que desencadeia toda a história.
Quinze anos depois e já com 25 anos de idade, Adam usa o nome Glenn. Ele trabalha no setor de recursos humanos de uma empresa e divide um apartamento com o desconfiado Hussein interpretado por Christian Vunipola ("Nascida Para Cantar", 2024).
Diariamente ele procura na internet o rumo da Espada do Poder para voltar a Eternia, até encontrá-la e se meter em confusões.
Ao voltar para casa, Glenn/Adam é perseguido pelo Homem-Fera, interpretado pelo ator Gary Martin ("Minions", 2015). Fiel escudeiro de Esqueleto, ele persegue o príncipe pelas ruas da cidade é uma das principais sequências de ação da primeira parte do filme. E é justamente nesse momento que a bela Teela reaparece para salvar Adam e ajudá-lo a retornar a Eternia.
Esse é um dos principais diferenciais do filme em relação ao desenho do Xou da Xuxa. Na animação, Adam sempre viveu em Eternia e já era o príncipe do reino. No live-action, os roteiristas optaram por construir uma história de origem, mostrando o herói crescendo longe de seu planeta natal antes de assumir definitivamente a força de He-Man.
Os fãs mais antigos certamente perceberão a ausência de alguns personagens fundamentais na animação original. O tigre Pacato aparece pouco durante o filme até sua aguardada transformação em Gato Guerreiro.
Embora a escolha prepare o terreno para os próximos capítulos da franquia, fica a sensação de que um dos personagens mais carismáticos de Mestres do Universo merecia maior participação.
Outro que aparece somente no final do longa é o atrapalhado Gorpo. O pequeno mago, inseparável companheiro de He-Man em praticamente toda a série animada dos anos 1980, sequer integra a aventura principal.
Para quem acompanhou o desenho desde a infância, sua ausência provoca estranhamento e deixa evidente que a produção preferiu guardar personagens importantes como estratégia para uma futura continuação. Com certeza ele daria maior leveza à história com suas confusões.
Boa trilha sonora
Outro acerto importante em Mestres do Universo está na trilha sonora composta por Daniel Pemberton ("Enola Holmes", 2020, e "Ferrari", 2023). Em vez de viver apenas das lembranças da série animada, o compositor cria uma identidade própria para o filme, alternando momentos épicos e passagens mais emocionais que ampliam a força dramática da história.
O principal destaque é "Eternia", composta por Pemberton em parceria com o guitarrista Brian May. A faixa abre o filme e ganha uma versão estendida nos créditos finais. O solo de guitarra de May dá à música uma identidade que remete ao rock épico dos anos 1980, uma escolha inspirada na trilha de Flash Gordon (1980), também marcada pela participação do Queen.
Ainda assim, fica a sensação de uma oportunidade perdida. Para o público brasileiro, especialmente aquele que hoje integra a geração 50+, uma discreta homenagem à música composta por Michael Sulivan e Paulo Massadas e gravada pelo Trem da Alegria teria sido um presente inesquecível. A canção ajudou a popularizar He-Man no Brasil e permanece viva na memória afetiva de milhões de fãs.
Bastaria uma breve referência instrumental, talvez durante os créditos finais, para estabelecer uma conexão emocional ainda mais forte com quem descobriu os heróis de Eternia nas manhãs da eterna rainha dos baixinhos. Nas redes sociais, a Amazon MGM Studios soltou um trailer com a música He-Man, o que levou muito marmanjo aos cinemas.
A produtora fez uma aposta ambiciosa ao investir em uma franquia que marcou profundamente a infância de milhões de pessoas. O resultado demonstra que ainda existe espaço para grandes clássicos quando recebem planejamento, respeito ao material original e qualidade técnica.
O estúdio deixa claro que pretende transformar "Mestres do Universo" em uma nova franquia cinematográfica.
Vale a pena permanecer na sala até o encerramento completo dos créditos. A cena extra não está ali apenas para cumprir uma tradição de Hollywood. Ela abre caminho para uma continuação e apresenta um importante gancho envolvendo Adora, a irmã gêmea de Adam, a She-Ra, que luta pela honra de Grayskull.
Isso ampliará o universo da franquia, além de deixar evidente que novas aventuras já fazem parte dos planos da Amazon MGM Studios, embora a confirmação oficial dependa muito do desempenho nas bilheterias e do streaming.
"Mestres do Universo" está longe de ser apenas um exercício de nostalgia. O filme emociona quem cresceu repetindo o juramento diante da Espada do Poder, mas também apresenta esse universo para uma nova geração que só conhece a música do Trem da Alegria.
Talvez essa seja sua maior qualidade. Mostrar que alguns heróis envelhecem muito bem e que certas lembranças continuam tão poderosas quanto no primeiro dia em que entraram na nossa vida.
Ficha técnica:
Direção: Travis Knight Produção: Amazon MGM Studios Distribuição: Sony Pictures Exibição: salas da rede Cineart: Boulevard, Cidade e Del Rey Duração: 2h13 Classificação: 14 anos País: EUA Gêneros: ação, aventura, fantasia