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28 abril 2021

"Minhas Férias com Patrick" - uma comédia francesa de belas paisagens e humor leve

Filme narra a jornada inesquecível de Antoinette e o burro Patrick pelo sul da França (Fotos: California Filmes/Divulgação)


Maristela Bretas



Mesmo com muitos clichês e um tema explorado milhares de vezes em outras produções, a comédia francesa "Minhas Férias com Patrick" ("Antoinette Dans Les Cévennes"), que estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas, é uma distração leve sobre um casal totalmente diferente.

O filme, dirigido por Caroline Vignal, nos apresenta uma mulher solteira em busca do amor, que encontra em seu caminho um animal inteligente, apesar de ser chamado de burro, que vai lhe ensinar muito da vida. Ele é Patrick, a maior atração da produção, que divide as atenções com atriz Laure Calamy, interpretando Antoinette Lapouge, uma professora expansiva e engraçada, mas que não ainda não acertou na escolha de seus relacionamentos.


Mas é Patrick quem dá o diferencial para a produção, conseguindo fazer com que o roteiro que é uma repetição de histórias de mulheres sozinhas que correm atrás dos amantes ganhasse um fôlego. Na história, Antoinette está tendo um caso com o pai de uma aluna, Vladimir (Benjamin Lavernhe). 

Ao saber que não vão mais passar uma semana de férias românticas, planejada por meses, porque ele ficará com a esposa e a filha, ela resolve seguir a família até uma área montanhosa belíssima em Cevennes, na região centro-sul da França.


Ao chegar ao local antes de seu amado, a professora conta seu caso aos demais integrantes da excursão e se torna o centro das atenções e também motivo de comentários por onde passa. Mas o pior pesadelo de Antoinette está por vir. No pacote de viagem está Patrick, o burro mais teimoso da área e que vai fazer o percurso carregando a bagagem da tola professora.

Sabe aquele animal que empaca, não obedece, come o que não deve e reclama quando não gosta de alguém? Pois este é Patrick, que tornará a viagem da professora uma experiência inesquecível e formará o par perfeito com ela. Ele pode até ser um burro, mas irá ditar as regras da viagem e ensinar Antoinette o que é viver, ser feliz e encontrar o amor verdadeiro.


Outro destaque "Minhas Férias com Patrick" é a fotografia. A diretora soube explorar muito bem a região onde foi gravado o filme, no Parc National de Cévennes, uma das mais belas cadeias montanhosas da França. O roteiro feito no filme serviu de inspiração também para o escritor escocês Robert-Louis Stevenson, autor do livro "Viagem Com um Burro Pelas Cevenas" (1879), que foi adaptado para a produção.


Os bons momentos do filme são proporcionados pelos apertos que a dupla enfrenta e a relação forte que vai se criando entre os dois protagonistas - desde situações de saia justa àquelas de vergonha alheia. Não se trata de uma comédia que provoca gargalhadas, mas "Minhas Férias com Patrick" garante uma sessão da tarde sem muitas pretensões.


O filme foi muito elogiado pela imprensa francesa, sendo selecionado em 2020 para o Festival de Cannes, além de fazer sucesso no Festival Varilux de Cinema, render oito indicações e o troféu na categoria de Melhor Atriz a Laure Calamy no Prêmio César, o Oscar do cinema francês, também no ano passado.


Ficha técnica
Direção e roteiro: Caroline Vignal
Distribuição: California Filmes
Exibição: Nos cinemas
País: França
Duração: 1h36
Gêneros: Comédia, Aventura

10 julho 2019

Comédia romântica "Amor à Segunda Vista" estreia nesta quinta em BH e outras 10 cidades brasileiras

François Civil e Joséphine Japy formam o par separado em universos diferentes (Fotos: Mars Film/Divulgação)

Da Redação


Estrelado por François Civil e Joséphine Japy, estreia nesta quinta-feira (11)  em Belo Horizonte e outras dez cidades brasileiras o longa “Amor à Segunda Vista” ("Mon Inconnue"), de Hugo Gélin (“Uma Família de Dois”).  Além da capital mineira, Florianópolis, Vitória, São Paulo, Santos, Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Recife estão na programação de lançamento. Sucesso na França, onde foi visto por mais de 340 mil espectadores, a comédia romântica integrou o Festival Varilux de Cinema Francês encerrado em junho.


O filme conta a história de Raphaël (François Civil), que da noite para o dia, acorda em uma realidade paralela na qual não é mais um escritor famoso e nem é casado com Olivia (Joséphine Japy), uma professora de piano e que foi sua paixão desde a época da escola. Para reconquistar sua mulher, que nesta nova realidade se tornou uma pianista conhecida mundialmente, Raphaël contará com a ajuda de seu melhor amigo Félix (Benjamin Lavernhe). 


Por sua atuação, François Civil ganhou o Prêmio de Interpretação Masculina no Festival Internacional do Filme de Comédia de L´Alpe d´Huez (França, 2019). O filme ganhou ainda o prêmio Swann D'or 2019 de melhor filme no Festival de Cinema de Cabourg, na França. 


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Hugo Gélin
Produção: Zai Films / Mars Films / Chapka Films / France 3 Cinéma
Distribuição: Bonfilm
Duração: 1h58
Gêneros: Comédia / Romance
Países: França / Bélgica
Classificação: 12 anos

Tags: #AmorASegundaVista, #MonInconnue, #Bonfilm, #romance, #cinemaescurinho, #cinemafrances, @cinemanoescurinho

26 junho 2018

"50 são os novos 30" - Delícia de comédia com a cara de filme francês

Marie-Francine e Miguel dividem os mesmo problemas de separação com filhos e sem uma casa própria para viverem (Fotos: Jean Marie Leroy/Gaumont Productions)

Mirtes Helena Scalioni


Não dá muito pra entender por que traduziram o título "Marie-Francine" para "50 são os novos 30", filme em cartaz pelo Festival Varilux de Cinema Francês 2018, com distribuição no Brasil pela Cineart Filmes. Dá até pra imaginar que os tradutores quiseram reforçar uma nova verdadezinha que, às vezes, rola nas redes sociais, segundo a qual, é cada vez maior o número de descasados maduros que, devido à crise financeira, são levados a voltar para a casa dos pais. Não dá pra saber se a máxima é baseada em alguma estatística confiável, mas é possível assegurar que, como versão para o nome do longa em questão, foi uma forçada de barra.

É certo que o filme fala exatamente disso, das contingências que levam uma mulher de 50 anos, Marie-Francine a retornar à casa dos pais após perder um emprego de mais de 10 anos e de levar um fora do marido que, claro, a trocou por uma mulher mais nova. Sem dinheiro e sem muito diálogo com as filhas adolescentes, só resta a Marie-Francine apelar para o aconchego do seu antigo lar. 


Ao montar uma lojinha de cigarros eletrônicos para ajudar nas despesas, ela conhece Miguel (Patrick Timisit) que, descobre-se, está na mesma situação que ela. Talvez isso tenha encorajado os tradutores a apelar para "50 são os novos 30", numa alusão a uma geração de 30 anos que, hoje, se acomoda na segurança da casa de papai e mamãe. 

A atriz principal, que faz o papel título e a irmã gêmea dela (Marie-Noëlle), é a excelente Valérie Lemercier, que por sinal é também a diretora do filme e uma das roteiristas. Isso já seria um ótimo motivo para respeitar o título original. "50 são os novos 30" é uma comédia, na verdade, uma boa comédia romântica, o que, em teoria, abre janelas para certa licença poética. O grande diferencial do longa é sua nacionalidade. Impressionante como os filmes franceses, não apenas os desse gênero, são absurdamente mais coloquiais do que os seus semelhantes americanos. 

Nada de mulheres lindíssimas e gostosas, nada de homens malhados, nada de caras, bocas e poses. O charme das obras francesas, não só desse gênero, é a naturalidade das interpretações. A mulher está sempre descabelada, o homem é careca, as roupas são comuns. Estão ótimos também Hélène Vincent e Philipe Laudenbacsh como os pais de Marie-Francine.


Um detalhe: ao falar de espaço e privacidade, "50 são os novos 30" fala também de uma Paris de apartamentos minúsculos e apertados, de escadas compridas e elevadores mínimos. E, embora, a certa altura, o enredo parta para uma espécie de acomodação para um final esperado, não se pode negar que há sim um jeito de "filme francês" que é irresistível. Além do idioma, lógico. 

Outro detalhe típico que encanta são as comidas. Como o personagem Miguel trabalha em um pequeno restaurante, há muitas delícias harmoniosamente arranjadas em pratos ou tigelinhas. Tudo muito simples, mas com um toque de requinte como convém ao modo francês de ser. E como de costume, um toque musical brasileiro estilizado - romance ao som da versão francesa de "Balancê, balancê", sucesso de carnaval de Gal Costa de 1979.
Duração: 1h35
Classificação: 12 anos
Distribuição: Cineart Filmes


Tags: #50saoosnovos30, #Marie-Francine, #ValerieLemercier, #PatrickTimisit, #FestivalVariluxDeCinemaFrances2018,  #CineartFilmes, #CinemaNoEscurinho

22 novembro 2023

“Culpa e Desejo” expõe, sem medo, a tensão entre moralismo e vida sexual das mulheres

Longa francês leva para a telona o tabu da relação entre uma advogada casada e seu jovem enteado (Fotos: Synapse Distribution)


Eduardo Jr.


É quase incestuoso. E é excitante. Talvez ao assistir “Culpa e Desejo” (“L’été Dernier”, 2023) vocês concordem comigo. O filme de Catherine Breillat, distribuído pela Synapse Distribution, estreia nas salas do país nesta quinta-feira (23), após integrar a programação do Festival Varilux de Cinema Frances. Nele, uma mulher casada se envolve com o enteado que chega para morar na residência do casal.  

A protagonista Anne, vivida por Léa Drucker (que está incrível no papel), é uma advogada que precisa se virar em um mundo onde os homens são simplesmente incapazes (acho que não é só ficção…). Ela lida com casos de abusos sexuais contra menores. E de cara o longa mostra que ela sabe bem como a sociedade se comporta quando se trata de culpabilizar a vítima. 


Mas ela mesma se torna alvo para julgamentos morais quando o marido Pierre (Olivier Rabourdin) anuncia que Théo (Samuel Kircher), filho dele de um relacionamento anterior, vai morar com eles, e os dois cedem ao tesão.  

Theo é a expressão do viço da juventude. Associa beleza e mistério. Anne vai, aos poucos, quebrando a rebeldia do jovem, enquanto se deixa levar pela tensão sexual que cresce entre os dois. A obra, filmada sem música, privilegia a sedução e até momentos de suspense - que chegam a extrapolar a tela, mexendo com as emoções do espectador. 

Mas nem sempre a construção do clima é acertada. Na cena em que Pierre se despe no quarto conversando com a esposa, a sedução é crescente, e nota-se um cuidado para não imprimir entre o casal um desleixo que justifique a infidelidade. Ponto positivo. 


No entanto, a câmera que prioriza as curvas da protagonista e posições que evocam um erotismo, faz questionar uma objetificação da mulher, uma possível intenção dela em provocar uma situação quase incestuosa. Ponto negativo.     

Léa Drucker se veste com o título do filme. Consegue expressar o desejo e a culpa. O desconforto e a alegria com a situação. E também o desespero de quem só quer a proximidade com o amante. 

Destaque para a cena em que ela telefona para o marido, que decide fazer uma viagem com o filho, e o quadro na parede do quarto é praticamente um alter ego da protagonista. 


Com a apreensão instalada no filme, fica para o espectador a impressão de que o pior vai acontecer - e também de que poderia acontecer mais rápido. Mas no geral, o filme agrada. Se o final é satisfatório, fica a cargo de cada um dar seu veredito. 

O fato é que o longa, baseado no filme dinamarquês “Rainha de Copas” (2019) e produzido por Saïd Ben Saïd (de “Bacurau”, 2019), concorreu ao prêmio principal da Palma de Ouro em Cannes este ano. Fala de amor. De culpa. De julgamento. De desejo. De vida real (aquela que muitos tentam esconder sob o tapete).   


Ficha Técnica:
Direção: Catherine Breillat
Produção: Saïd Ben Saïd
Distribuição: Synapse Distribution
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h44
Classificação: 16 anos
País: França
Gênero: drama