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08 janeiro 2026

"A Empregada": o suspense que prova que confiança pode ser armadilha

Amanda Seyfried e Sydney Sweeney protagonizam o longa inspirado no best-seller homônimo escrito
por Freida McFadden (Fotos: Paris Filmes)
  
 

Marcos Tadeu
Do blog parceiro Jornalista de Cinema

  
"A Empregada" ("The Housemaid"), em cartaz nos cinemas, traz para as telas o suspense psicológico que conquistou leitores do best-seller de suspense de Freida McFadden. 

Dirigido por Paul Feig (de "Um Pequeno Favor" - 2018), o filme aposta em mistério, tensão e jogos de manipulação para fisgar o público logo de cara, deixando claro que aquela casa luxuosa esconde muito mais do que parece.


A história acompanha Millie Calloway (Sydney Sweeney, de "Madame Teia" - 2024), uma jovem tentando recomeçar a vida depois de um passado difícil. 

A oportunidade surge quando ela aceita trabalhar como empregada doméstica na mansão de Nina (Amanda Seyfried, de "Mamma Mia" - 2018) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar, de "É Assim que Acaba" - 2025).

No início, tudo parece perfeito demais e é justamente aí que mora o perigo. Aos poucos, Millie percebe que seus patrões são estranhos, instáveis e donos de segredos perturbadores, transformando o que parecia um emprego dos sonhos em um verdadeiro pesadelo.


O filme acerta no elenco. Sydney Sweeney segura bem o papel e convence como alguém que tenta manter o controle mesmo quando tudo começa a sair do lugar. 

Amanda Seyfried e Brandon Sklenar também se destacam, criando personagens cheios de ambiguidades, daqueles que deixam o espectador o tempo todo desconfiado. A dinâmica entre os três é o que realmente move a história e sustenta o suspense até o fim.

O longa, no entanto, escorrega no ritmo. Em alguns momentos, ele aposta em exageros e ironias; em outros, fica pesado demais, trazendo discursos mais diretos sobre violência psicológica e união feminina. 


Essa mudança de tom pode causar estranhamento, mas não chega a estragar a experiência. O final ainda deixa algumas perguntas no ar, dando aquela sensação de “continua?”, o que pode indicar planos para uma sequência. 

"A Empregada" cumpre bem o que promete: prende a atenção, provoca desconforto e rende boas reviravoltas. É um suspense que funciona tanto para quem gosta de mistério quanto para quem busca um filme envolvente para começar o ano no cinema. 

Sem reinventar o gênero, o longa entrega entretenimento sólido e deixa claro por que essa história fez tanto sucesso antes mesmo de chegar às telonas.


Ficha técnica:
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Produção: Lionsgate, Hidden Film
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h13
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: suspense

08 março 2025

"Carcaça": suspense frágil e superficial

Paulo Miklos e Carol Bresolin formam o casal que vive uma relação abusiva durante a pandemia
(Fotos: California Filmes)


Silvana Monteiro


"Carcaça" se apresenta como um suspense psicológico ambientado em um cenário pandêmico, mas rapidamente se transforma em um labirinto de pesadelos e decisões questionáveis. Dirigido por André Borelli, o filme aposta em uma atmosfera claustrofóbica e na tensão entre um casal isolado, formado por Paulo Miklos e Carol Bresolin.

Infelizmente, a produção tropeça no que poderia ser seu maior trunfo: a descoberta e a libertação. O longa-metragem já está disponível nas plataformas de aluguel Vivo Play, Prime Vídeo, Claro Vídeo, Google Play, Apple, Net Now, Youtube e Total Play.


A trama, repleta de armadilhas narrativas, não serve para aprofundar a história ou conectar os pontos de maneira eficaz. Em vez disso, cria expectativas que se frustram repetidamente. A sinopse — “Durante uma pandemia, uma jovem descobre o segredo sombrio de seu parceiro possessivo, desencadeando uma luta desesperada por liberdade” — promete um mergulho nos segredos obscuros de um relacionamento abusivo em meio ao isolamento, mas não cumpre esse promissor objetivo. 

O que se vê na tela é uma sucessão de cenas oníricas que diluem a tensão, desviando-se do que se espera de um suspense consistente. A repetição exaustiva de sequências de pesadelo, onde a protagonista acorda abruptamente, mina a imersão e torna a narrativa previsível.


Para os aficionados por fotografia, assistir ao filme no mudo pode ser uma experiência satisfatória. O preto e branco bem trabalhado serve como pano de fundo para a falta de contexto narrativo. 

Embora a escolha da monocromia seja acertada, sua conexão com a história é frágil, marcada por lapsos e vácuos narrativos. As cenas em planos detalhe, plongée e contra-plongée que exploram as sensações dos protagonistas oferecem momentos visualmente interessantes, mas não o suficiente para sustentar a narrativa. 


A ausência de um contexto pandêmico claro — seja Covid-19 ou outra doença — desperdiça a oportunidade de explorar as angústias e paranoias específicas de uma determinada crise sanitária.

O segredo do personagem masculino carece de profundidade, não justificando o suspense pretendido. A hesitação do roteiro em explicitar esse segredo cria um vazio que dificulta a conexão do espectador com a angústia da protagonista. O resultado é uma sucessão de cenas que repetem os mesmos artifícios na tentativa de hipnotizar e intrigar, mas sem sucesso.


A câmera, sob um olhar masculino, fetichiza a protagonista, Carol Bresolin, por meio de closes e ângulos que sugerem uma tentativa de aprofundar questões sociais relacionadas aos relacionamentos abusivos. Contudo, essa abordagem se desdobra como um mosaico desencaixado, sem uma história sólida para sustentá-la e sem transmitir uma mensagem social coerente.

"Carcaça" se perde em suas próprias ambições, resultando em um suspense inconsistente e superficial. A falta de coesão entre as escolhas narrativas e visuais, a repetição exaustiva de pesadelos e a objetificação da protagonista tornam a experiência frustrante. 

Em termos técnicos, o formato teatral, juntamente com as fisionomias cênicas e microexpressões de Miklos e Bresolin, ainda conseguem capturar a atenção.

E sim, mulheres, corram de segredos sombrios em parceiros abusivos.


Ficha técnica:
Direção: André Borelli
Distribuição: Califórnia Filmes
Exibição: nas plataformas de aluguel Total Play, Apple TV, Youtube, Vivo Play, Prime Video, Claro-Vídeo, Claro-TV, Google Play
Duração: 1h10
Classificação: 18 anos
País: Brasil
Gênero: suspense psicológico