02 abril 2026

“Super Mario Galaxy – O Filme” aposta no espetáculo, mas perde o charme do original

Mario e Luigi embarcam numa nova aventura por várias dimensões para ajudar a Princesa Peach e seus
amigos (Fotos: Universal Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Apostando em uma fórmula que deu certo tanto nos games quanto no cinema, a Nintendo e a Illumination retornam com a segunda animação estrelada pelos encanadores bigodudos mais famosos do mundo. 

Em cartaz nos cinemas, “Super Mario Galaxy – O Filme” é inspirado no clássico jogo lançado para Nintendo Wii em 2007 e funciona como sequência direta do sucesso de 2023, que arrecadou mais de US$ 1,3 bilhão mundialmente.


A produção mantém nomes importantes nos bastidores, como Chris Meledandri, da Illumination ("Minions" - 2015 e a franquia "Meu Malvado Favorito" - 2010 a 2024) e Shigeru Miyamoto (Nintendo), responsáveis por transformar o universo do personagem em um fenômeno também nas telonas. No entanto, apesar do investimento em espetáculo, o novo longa não repete o mesmo equilíbrio do anterior.

Visualmente, a animação impressiona: cores vibrantes, ritmo acelerado, personagens carismáticos e uma trilha sonora assinada novamente por Brian Tyler, que mistura temas originais com referências diretas aos jogos. É um pacote que deve agradar especialmente ao público infantil.


Já os fãs mais antigos podem sair com uma sensação diferente. O filme parece priorizar a quantidade de referências e personagens em detrimento de uma narrativa mais sólida. 

Se no primeiro longa o público vibrava a cada easter egg e a história foi tratada de forma simples, aqui o excesso de informações e a necessidade de apresentar novos elementos do universo “Galaxy” acabam tornando a história confusa e menos envolvente.


A dupla Mario (voz de Chris Pratt) e Luigi (Charlie Day) continua sendo o coração da trama, agora acompanhada de um reforço querido pelos fãs: Yoshi (Donald Glover), o dinossauro verde que surgiu na cena pós-créditos do filme anterior e ganha bastante destaque. Ao lado deles estão a Princesa Peach (Anya Taylor-Joy) e Toad (Keegan-Michael Key).

Entre as novidades, surgem personagens importantes como a Princesa Rosalina (voz de Brie Larson), mãe das adoráveis estrelinhas Lumalee; o malvado Bowser Jr. (Benny Safdie) e até Fox McCloud (Glen Powell), herói da franquia Star Fox — uma inclusão que pode indicar futuras expansões desse universo nos cinemas.


A trama gira em torno do sequestro de Rosalina por Bowser Jr., que pretende usar seus poderes para dominar o universo e libertar seu pai, o poderoso Bowser (Jack Black). A partir daí, os protagonistas embarcam em uma jornada por diferentes galáxias e portais interdimensionais, em uma sequência quase ininterrupta de ação.

Nesse percurso, o filme aposta alto no fan service, incluindo participações curiosas de outras propriedades da Universal, como os Minions e até um T-Rex que remete diretamente à franquia Jurassic World (2015). Apesar de visualmente interessantes, essas inserções reforçam a sensação de excesso.


Outro ponto que chama atenção é o uso criativo de diferentes estilos visuais, com momentos em 2D que homenageiam diretamente os games clássicos — uma escolha acertada que traz frescor à narrativa.

Porém, o desfecho chega rápido demais, destoando do ritmo acelerado do restante da história e deixando a sensação de que faltou desenvolvimento. 

Em compensação, duas cenas pós-créditos indicam que o universo compartilhado da Nintendo no cinema deve continuar se expandindo, possivelmente com novos crossovers e spin-offs.


No fim, “Super Mario Galaxy – O Filme” diverte e encanta visualmente, mas perde força ao tentar abraçar elementos demais. Funciona melhor como espetáculo do que como história — e deve agradar mais às crianças do que aos fãs que esperavam a mesma simplicidade e carisma do primeiro filme.

Assista e tire suas próprias conclusões.


Ficha técnica:
Direção: Aaron Horvath, Michael Jelenic
Roteiro: Matthew Fogel
Produção: Illumination Entertainment, Nintendo e Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h38
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, ação, aventura, fantasia, família

01 abril 2026

“À Paisana” supera clichês ao juntar o dever, o desejo e uma sociedade castradora

Tom Blyth é um policial que trabalha disfarçado para prender homens que praticam atos sexuais no
banheiro de um shopping até conhecer Russell Tovey (Fotos: Divulgação)
 
 

Eduardo Jr.

 
Seja você integrante ou não da comunidade LGBTQIAPN+, será difícil não ser impactado - para o bem e para o mal - com “À Paisana” ("Plainclothes"). O filme marca a estreia do diretor norte-americano Carmen Emmi, que aposta em poluição visual, momentos de agitação e no embate entre dever e desejo para rechear seu primeiro longa. 

No filme, Lucas (vivido por Tom Blyth) é um policial que trabalha disfarçado para prender, por meio da sedução, homens que praticam atos sexuais no banheiro de um shopping. 

Mas precisa lidar com o segredo da própria sexualidade, que passa a ser mais fortemente provocada quando conhece Andrew (Russell Tovey), um dos homens que ele poderia levar para a prisão. 


Mas este resumo não exprime a estética maluca que o longa estampa na tela. Já de saída o protagonista segura um envelope em uma cena “limpa”. A imagem muda para câmeras similares às de circuito fechado de segurança, que parecem vigiar o policial e os homens que transitam pelo centro comercial. 

Daí as lentes retornam para texturas mais atuais, até se tornarem um mosaico de imagens típico das câmeras caseiras de décadas atrás. Lamentavelmente, não fica claro se essa confusão de imagens é questão de estilo ou se é cinema experimental feito com equipamentos emprestados.


O espectador então percebe que a direção pretende levar a história por duas linhas temporais. Em uma, as memórias revelam o caminho trilhado por Lucas até aquele momento. 

Na outra, o “momento presente”, na festa de ano novo na casa da mãe, nos anos 1990 (é possível chegar a essa conclusão também por conta da barba do contido protagonista). 

E no castrador ambiente doméstico, ele parece calcular seus movimentos e reações, escondendo de todos um segredo que reluta em contar. A tensão de estar prestes a ser descoberto alcança o espectador. 


Pode até parecer que vai se desenrolar um filme clichê, mas os elementos apresentados até este momento são fragmentos de surpresas que virão. Além disso, é interessante ver como as cenas de “pegação” no banheiro são tensas e claustrofóbicas, puxando uma fila de cenas ágeis, barulhentas e de luz estourada… até que a próxima prisão se transforma em paixão. 

Com Andrew em cena, o frenesi da vida de Lucas encontra paz. É quando a agitação paralisa na calma do toque. Quando o sexo dá espaço à conversa para que ambos se sintam mais à vontade. 


Já vimos isso antes, mas o mistério é figura presente e nos mantém presos na história do possível casal, e atentos ao jovem que deseja conhecer mais do homem que é objeto de seu desejo, mas não se conhece nem se aceita integralmente. 

Você já deve estar imaginado se o casal ficará junto, se haverá a revelação de um grande segredo… mas digo a vocês: o longa reserva outros plots que vão ultrapassar esses clichês. 

Será uma boa escolha acessar a plataforma Filmelier+ no dia 02 de abril para descobrir, com exclusividade, porque “À Paisana” foi o vencedor do prêmio especial do júri no Festival de Sundance 2025.  


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Carmen Emmi
Produção: Magnolia Pictures
Exibição: plataforma Filmelier+
Duração: 1h35
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: drama, suspense