domingo, 24 de janeiro de 2021

"Soul"´- Animação para adulto que discute o propósito da vida com excelente trilha sonora

Joe e 22 vivem grandes aventuras entre a vida terrena e uma existência espiritual (Fotos: Disney-Pixar/Divulgação)


Maristela Bretas


E se você tivesse uma segunda chance de viver, o que mudaria? Já parou para pensar se fez a escolha certa? Pois foi com esta abordagem e uma ótima trilha sonora que a animação "Soul", da Disney/Pixar foi lançada diretamente na plataforma de streaming Disney Plus.Enquanto "Divertida Mente" (2015) e "Toy Story 4" (2019) foram destinados à criançada, com muita cor e personagens divertidos, mas uma mensagem direta aos públicos jovem e adulto, "Soul" definitivamente foge deste padrão e não é para criança.
 

A animação trata do propósito da vida, as escolhas - certas ou erradas - que fazemos enquanto estamos vivos e que vão ser avaliadas quando passarmos para outro plano. Com direção de Pete Docter e Kemp Powers, "Soul" conta a história de Joe Gardner (voz de Jamie Foxx), um simpático pianista e professor de música do ensino médio que sonha em se tornar um músico profissional e brilhar como os grandes nomes do jazz. Uma paixão aprendida com o pai e que ele considera sua razão de viver.

 


Um passo em falso, no entanto, muda seus sonhos e ele precisará reavaliar tudo o que acreditava e aceitar o que virá pela frente. E ainda ensinar uma alma da pré-vida muito fofa e rebelde - a 22 (voz de Tina Fey) - a gostar e se adaptar à vida terrena. A pré-vida é um lindo e colorido lugar onde as novas almas conquistam suas personalidades, peculiaridades e interesses, antes de irem para a Terra e ocuparem novos corpos. As crianças poderão gostar das "alminhas" da pré-vida que estão esperando sua chance e aprontam todas. Mas só.
 
 


Joe não aceita a morte e menos ainda a incumbência de ser babá e fará de tudo para voltar ao seu antigo corpo. Ele só pensa em música e se cobra por não ter atingido o sucesso que o pai esperava e que a mãe (dublada por Angela Basset) preferia que não existisse. Ele não consegue se ver fazendo outra coisa e não abre seus horizontes, mas também é inconformado com o que conseguiu na vida. 

 
Já 22 é rejeitada por todos em sua dimensão e não consegue descobrir qual a sua missão. E será sua convivência com o mentor que irá lhe ajudar a descobrir respostas para perguntas importantes sobre sua existência.
 

 
Algumas abordagens são complicadas e geram dúvidas até mesmo em adultos.Uma animação boa para ser analisada por psicólogos e psicanalistas. Em meio a aventuras, corpos trocados e a descoberta de prazeres, delícias e também tristezas, Joe e 22 vão entendendo quais os seus propósitos na vida e quais podem ser deixados de lado, por não serem tão importantes quanto esperavam. 
 


"Soul" é bonito e sensível. A trilha sonora, especialmente formada por jazz, fazem o coração da gente bater forte. Mexe com o espiritual e o sentimento ao tratar a aceitação da morte. Oferece um show de sons, imagens e encantamento quando as notas começam a fluir do piano de Joe ou da banda que ele acompanha. Apesar de não provocar risadas ou choro, como alguns sucessos anteriores da Disney/Pixar, a animação é inspiradora e merece ser vista.

 

Ficha técnica:
Direção:
Pete Docter e Kemp Powers
Exibição: Disney+
Duração: 1h40
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Animação / Aventura / Família
Nota: 4 (de 0 a 5)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

"Batman: Alma de Dragão" poderia ser um pouco se não tivesse o Batman

 O Homem-Morcego se une a velhos amigos das artes marciais para impedir a dominação do mundo (DC Comics/Divulgação)

Jean Piter Miranda


Bruce Wayne e seus antigos companheiros de treino precisam unir forças para enfrentar uma organização secreta que tenta abrir um portal para outra dimensão. É basicamente isso a história de "Batman: Alma de Dragão", nova animação da Warner e da DC, que acaba de ser lançada em DVD e também na versão paga do YouTube.

A produção é ambientada nos anos 1970, em mais uma dessas histórias de universos paralelos da DC. Tudo começa quando Richard Dragon, personagem com muita semelhança ao Bruce Lee, vai atrás de Bruce Wayne para pedir ajuda. Ele descobriu que uma organização secreta está tentando abrir um portal para outra dimensão, conquistar um grande poder com isso e depois dominar o mundo. 
 

 
É claro, como é de costume, Wayne recusa na primeira tentativa. Mas logo acaba aceitando. Aí começam os flashbacks. Vêm as imagens do passado, de quando Bruce passou um tempo em uma espécie de mosteiro, em algum lugar remoto do Oriente, para treinar artes marciais. E foi lá que conheceu Richard Dragon, que também era aluno do mestre O-Sensei.

Os outros personagens também têm ligação com o passado de Wayne. Tigre de Bronze e Lady Shiva, que são introduzidos na história, foram companheiros de treino de Dragon e Wayne. Os quatro vão se unir para deter os vilões, que por sinal também fazem parte do passado de todos eles. E no meio disso tudo, a porrada come. Na mão e na espada. Violência sob medida, pra quem gosta, misturada com muita ação. Não é animação pra criança.
 

As cenas de ação deveriam ser o ponto alto da produção. Até por remeter muito aos filmes orientais antigos de artes marciais. Mas isso deixa a desejar para quem é mais exigente. Acontecem coisas que fogem completamente às leis da física. É claro que sempre são permitidos exageros na ficção. Isso é até esperado. Mas há um limite. E o filme erra a mão.


A animação vai caminhando de forma previsível, cheia de clichês. Faltou explorar a ligação entre o grupo de amigos. Algumas coisas são bem forçadas. Mas isso passa. O desfecho pode ser satisfatório ou bem decepcionante, vai depender do olhar de quem assiste. Parece que falta ação nas batalhas decisivas.


A verdade é que o Batman nem era necessário. Ele não é o líder, não tem planos geniais, não está dois passos à frente como sempre. Não tem essa essência de homem-morcego. Ele é só um do grupo. No fim, os quatro acabam dividindo o protagonismo. Mesmo o autor forçando um pouco a barra para o lado do Batman, dá pra imaginar a história sem ele. Não faria falta. O que leva a crer que ele está lá só pra ter o nome no título e alcançar mais público.


Ficha técnica:
Direção:
Sam Liu
Produção: Warner Bros. Animation / DC Entertainment
Exibição: DVD e Youtube
Duração: 1h23
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: Animação / Ação
Nota: 3 (0 a 5)