04 agosto 2026

Cinema e gastronomia vão dominar o Mercado Central de BH no Matula Film Festival

4ª edição celebra feiras e mercados populares como espaços de encontro, memória e preservação da
cultura alimentar (Fotos: Divulgação)
 

 
Da Redação

 
O Matula Film Festival – Cinema e Comida chega à sua quarta edição de 6 a 8 de agosto, no Mercado Central de Belo Horizonte, com o tema “Gastronomia de Feira”. 

Durante três dias, o festival celebra feiras e mercados populares como espaços de encontro, memória e preservação da cultura alimentar, com programação que reúne exibições de filmes, mesas de debate, palestras, lançamentos de publicações, cozinhas-show e percursos guiados pelo mercado.

A Mostra de Filmes reúne produções nacionais e internacionais que exploram as múltiplas relações entre comida, cultura, território e identidade. 

Com exibições gratuitas, a programação apresenta documentários, ficções e animações que revelam histórias de produtores, cozinheiros, comunidades, mercados e tradições alimentares, promovendo reflexões sobre patrimônio cultural, sustentabilidade e modos de vida.

 
Professor Carlos Augusto Monteiro (NUPENS/USP) 
e a chef e historiadora Juliana Duarte


Cada dia tem um eixo temático. A quinta-feira (6) abre com “Sabores de Origem: a Feira como Patrimônio Vivo”. O primeiro compromisso é o tour Mercado Vivo, conduzido pelo jornalista gastronômico Nenel Neto, criador do Baixa Gastronomia, que apresenta personagens e lugares do Mercado Central. 

Na sequência, a mesa de abertura “Mercados Vivos: Cultura Alimentar e Futuro” reúne os homenageados desta edição, o professor Carlos Augusto Monteiro (NUPENS/USP) e a chef e historiadora Ju Duarte, ao lado de convidadas do IDEC e da ACT Promoção da Saúde. 

O dia inclui ainda o lançamento da publicação "Queijos Artesanais de Minas", resultado de dois anos de pesquisa da Emater-MG pelas 16 regiões produtoras do estado.

"Galinha Cheia" (Matheus Monstro e Japa)

Às 13 horas, sessão 1 de curtas: "Coração de Junho" (Eduarda Gulman e Irina Cordeiro, SP, 2025, 15 min); "Planeta Fome" (Édier Willian, RO, 2025, 15 min); "Fui na Feira" (Ana Carolina Aliaga e Vitória Marques, SP, 2023, 19 min) e "Galinha Cheia" (Matheus Monstro e Japa, Maceió, 2023, 9 min).

Thaylane Cristina (BH Film Commission) estará às 14 horas na Mesa de debate “Filmando Cidades Alimentares”. A segunda sessão de cinema acontece às 15 horas com o longa "Comida de Mentira", de Rafael Mellim (SP, 2024, 65 min)

"Planeta Fome" (Édier Willian)

Na sexta-feira (7), sob o eixo “Cozinhas Criativas: Tradição, Inovação e Encontro”, a chef Carol Dini comanda a cozinha-show “Da Cidade ao Mercado”, com oficina de fermentados em homenagem a Bergamo, na Itália, cidade convidada desta edição e integrante da Rede de Cidades Criativas da Gastronomia da UNESCO, da qual Belo Horizonte também faz parte. 

A sessão 3 acontece às 13 horas dedicada às Cidades Criativas da Gastronomia Unesco, com a exibição dos filmes: "Heróis do Meio Ambiente" (Gaziantep, Turquia, 2025, 4 min); "Pão Doce de Santa Maria da Feira" (Santa Maria da Feira, Portugal, 2025, 33 min); "Raiz Cultural" (Marcia Mística, Paraty, 2025, 15 min); "Em Quem Você Acredita" (Matosinhos, Portugal, 2025, 3 min) e "Ilha da Gastronomia" (Gustavo Zinder, Florianópolis, 2026, 12 min).

"Fui na Feira" (Ana Carolina Aliaga e Vitória Marques)

Já às 15 horas será a sessão 4 com a exibição de "MAXLAB Mercados em Movimento: Living Matter" (Teresa Sala, Bergamo, Itália, 2023, 26 min) e "Território e Transformação" (Massimo Battaglini, Piemonte, Itália, 2026, 36 min)

O sommelier de cachaças Léo Gomes conduz a degustação comentada "Territórios da Cachaça", com rótulos apresentados no documentário "Cachaça, O Espírito Brasileiro", de Carlos Ribas (BH, 2026, 83 min), que tem pré-estreia na mesma sala, às 16 horas.

"Cachaça, O Espírito Brasileiro" (Carlos Ribas)

O sábado (8), dedicado ao eixo “Memória à Mesa: Cinema, Afeto e Identidade”, começa com o Cortejo Dona Lucinha: integrantes da comunidade do Serro que participaram das filmagens de "O Melhor Queijo do Mundo" conduzem o público pelos corredores do mercado até a sala de cinema, onde o longa de Lucas Assunção tem sua pré-estreia mundial, às 11 horas. 

Outras duas sessões de cinema marcam o último dia do festival. A primeira às 13 horas, com a exibição dos curtas "Diamantina" (Tangente Filmes, Diamantina, 2026, 14 min) e "Quitandas de Minas Novas" (Nereu Jr, Minas Novas, 2025, 16 min). 

"Atlas do Queijo Minas Artesanal"

Fecham a programação o lançamento do "Atlas do Queijo Minas Artesanal", bate-papo com Denise e Eduardo Girão, do projeto "Só Queijo Cura", e a mostra Raízes Mineiras.

Ao longo dos três dias, as cozinhas-show da Academia de Chefs do Prepara Gastronomia/Sebrae Minas recebem chefs de diferentes cidades mineiras para preparos feitos com ingredientes do próprio mercado, no circuito “Do Mercado à Mesa – Caminhos do Ingrediente”. 

Também diários são os Caminhos da Matula, roteiro de estabelecimentos do Mercado Central selecionado por Nenel Neto em diálogo com os temas da programação, e o lançamento de publicações sobre cultura alimentar, que inclui ainda Papilex – A História Invisível dos Sabores, de Carol Dini.


Serviço
Matula Film Festival – Cinema e Comida

Data: 6 a 8 de agosto de 2026
Local: Mercado Central de Belo Horizonte, Av. Augusto de Lima, 744, Centro
Programação: www.matulafilmfestival.com.br

03 agosto 2026

"Champagne": sensível e comovente longa holandês convida à celebração antes que a vida se apague

Leo Alkemade e Huub Stapel formam uma ótima parceria que dá leveza, equilíbrio e simplicidade à
narrativa sobre esta jornada de pai e filho (Fotos: Autoral Filmes)
 
 

Mirtes Helena Scalioni

 
Mais do que uma história de despedida, o filme holandês "Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho" ("Champagne") trata de uma celebração da vida. Aclamado e premiado em seu país de origem, o longa emociona e diverte enquanto acompanha a jornada dos dois pelas estradas da Europa. Classificado como uma comédia dramática, o trabalho do diretor Tim Kamps encontra o tom perfeito para falar de amor.

É preciso salientar que "Champagne..." é um filme, antes de tudo, simples. Logo no início, o espectador toma conhecimento de que o velho Hans (Huub Stapel) e sua mulher Sophie (Beppie Melissen) se ocupam, principalmente, de tomar conta dos netos. 

Ao mesmo tempo, o avô é apresentado como brincalhão, quase irresponsável, e apreciador de bebidas alcoólicas, principalmente de champagne, que ele adora, para preocupação e desespero de toda a família. 


Na verdade, trata-se mesmo é de um road movie. São poucas e ligeiras as primeiras cenas da família. Assim que descobre a doença e o estado terminal de Hans, o filho Maarten (Leo Alkemade) propõe a viagem pelo nordeste da França, exatamente a região vinícola onde nasceu e é cultivado com esmero o champagne. A bebida, como todos sabem, é associada a festejos, alegria e comemorações. Por que não antes da morte?

A relação pouco íntima entre pai e filho fica nítida assim que a viagem começa. Há silêncios que pesam e incomodam e que, aos poucos, vão se transformando em risos, lembranças, revelações. Entre consultas ao mapa, paradas para abastecimento do carro e, principalmente para as refeições, o amor entre os dois parece desabrochar como se eles estivessem se (re)conhecendo. 


Há momentos de descobertas e pura ternura que comovem o espectador. E talvez exatamente pela simplicidade como a história vai se desenvolvendo, "Champagne..." é um filme que pode ser entendido e apreciado em qualquer idioma ou cultura, pois fala do sentimento universal entre pai e filho.

Plasticamente, o longa explora as maravilhas da região, com seus vinhedos infinitos e imagens de pequenas estradas entre as parreiras, onde os dois se perdem em bifurcações e encruzilhadas. Nada mais bonito e simbólico. 


Também há cenas de dezenas de champagnes sendo abertas, inclusive pelo método conhecido como sabrage, em que se abre a garrafa com espada ou facão afiado que arranca o bocal e faz jorrar o líquido com abundância. Impossível não sair do cinema com sede de champagne.

O ator Leo Alkemade se baseou no seu próprio projeto de sair pela estrada com seu pai, que acabou morrendo antes que a viagem se concretizasse. Inspirado, ele escreveu o roteiro junto com Rik van den Bos e, de certa maneira, cumpriu o que tinha prometido ao pai. 

No fundo, "Champagne ..." parece ser mesmo um convite à celebração da vida antes que ela se apague. Não por acaso, no Brasil, o filme entra em cartaz em 6 de agosto, mês em que se celebra o Dia dos Pais.


Ficha técnica:
Direção: Tim Kamps
Roteiro: Leo Alkemade e Rik van den Bos
Produção: Aattache Films e Brabant Films
Distribuição: Autoral Filmes
Exibição: Cine Una Belas Artes
Duração: 1h30
Classificação: 14 anos
País: Holanda
Gêneros: road movie, comédia dramática