30 novembro 2021

“Falling – Ainda Há Tempo” é sobre os machões que estão entrando em extinção

Lance Henriksen e Viggo Mortensen entregam excelente atuação num filme que fala de preconceitos e família (Fotos DJames/Califórnia Filmes)


Jean Piter Miranda


Willis (Lance Henriksen) é um velho rabugento, grosseiro e preconceituoso que vive sozinho em sua fazenda. Ele começa a apresentar sintomas de demência. Por isso, precisa ir morar com seu filho gay, John (Viggo Mortensen), em Los Angeles. Isso acaba sendo um problema para os dois, já que a relação entre eles nunca foi boa. Essa é história de "Falling - Ainda Há Tempo" ("Falling"), filme que estreia nesta quinta-feira (2) nos cinemas brasileiros.  


A trama gira em torno de Willis, que pode ser descrito como um velho bem escroto. Como muitos que ainda existem por aí. Inclusive há quem possa dizer que ele se parece com um ou com outro parente. O cara é homofóbico, mesmo tendo um filho gay, casado com outro homem, Eric (Terry Chen). A todo o tempo faz insultos e tenta ofender as pessoas dizendo “você parece um viadinho”, “sua bicha”, e chega a ser bem nojento ao questionar o filho sobre suas práticas sexuais.  


E vai além disso. A produção vai alternando passado e presente. Mostra o casamento do Willis e Gwen (Hannah Gross), o nascimento dos filhos e a relação deles com os pais. E nisso, Willis vai se mostrando aquele homem tosco, que se gaba de ser grosseiro, como se isso fosse sinal de macheza, de virilidade, como se isso o tornasse mais homem que os outros. Ele fuma, tem sempre um isqueiro no bolso, gosta de caça, de armas, e é sempre hostil com todo mundo, principalmente com mulheres. Bem machista por sinal. 
 

Willis também é racista e xenófobo. Tem admiração pelas forças armadas. Diz que arte é coisa de veado. Ele se acha superior por ser branco e estadunidense. Junta tudo isso e podemos traduzi-lo como um típico “cidadão de bem”. Por sorte, seus filhos e netos bem são diferentes. E mesmo com mágoas, o aturam. São até pacientes e compreensivos demais com o pai. Laura Linney interpreta sua filha Sarah, já adulta. E Sverrir Gudnason faz o Willis jovem, em uma bela atuação.  


"Falling - Ainda Há Tempo" é um filme de reencontro de família. Tem centenas deles por aí. Daqueles que os familiares se reúnem por algum motivo. Feridas são reabertas, mágoas colocadas para fora, verdades que estavam entaladas na garganta são ditas. Eles brigam, se machucam e, às vezes, até pedem desculpas. É do tipo acerto de contas. E muitos deles são bem bons. "Falling" pode entrar nesse grupo.  


Por todas essas questões é um filme incômodo. Ele propõe a reflexão se ainda há espaço na sociedade para esses machões. É sobre o atrito de gerações. E, felizmente, de forma geral, os mais jovens têm evoluído e se mostrado pessoas Que mundo está cada vez menor para gente escrota, grosseira e preconceituosa. É uma obra muito necessária para os dias atuais.  


Viggo Mortensen, como era de se esperar, faz mais uma bela atuação, além de trabalhar por trás das câmeras. "Falling - Ainda Há Tempo" é seu primeiro filme como diretor. Ele também assina a produção, roteiro e composição da trilha sonora. O longa está bem longe de ser uma obra prima. É uma boa produção, que não deixa pontas soltas, a montagem de passado e presente funciona bem, o ritmo é bom para propor reflexão, as imagens de sol e neve e as cores são bem bonitas. E o tema bem explorado. Um ótimo trabalho de estreia do ator na direção que deixa boas expectativas para o futuro.  


Ficha técnica
Direção e roteiro:
Viggo Mortensen
Distribuição: Califórnia Filmes
Gênero: Drama
Países: Reino Unido, Canadá, Estados Unidos
Duração: 1h52
Classificação: 16 anos

25 novembro 2021

Lady Gaga conspira para matar o marido e se destaca na "Casa Gucci"

Filme conta a história da família da famosa grife italiana, marcada por luxo, cobiça e ganância ao longo de 30 anos (Fotos MGM Pictures)


Carolina Cassese


"Casa Gucci" é um filme over. Em se tratando da história dessa emblemática família, isso por si só não é um demérito. Dirigido por Ridley Scott, o longa conta com um elenco estreladíssimo, composto por nomes como Lady Gaga, Adam Driver, Al Pacino e Jared Lato. 

A produção, baseada no livro "The House of Gucci: A Sensational Story of Murder" (Sara Gay Forden), chega aos cinemas nesta quinta-feira. Apesar de ter sido anunciado por parte da mídia como um filme sobre o assassinato de Maurizio Gucci, a tragédia em si ocupa uma parte mínima de toda a história - que é principalmente sobre luxo, ganância e diferentes tipos de traição.


Na história real, Patrizia Reggiani conspirou para matar o marido Maurizio em 1995, contratando um matador de aluguel e outras três pessoas. Ela foi considerada culpada e condenada a 29 anos de prisão. O livro narra como foi a relação de quase 30 anos do casal e da convivência entre os membros da família da famosa grife italiana, marcada por amor, traição, decadência, vingança e assassinato.


Até agora, o longa teve uma recepção mista por parte da crítica. Enquanto uns afirmaram que “não é apenas um filme ruim, mas também uma má propaganda para o cinema” (Financial Times), outros opinaram que "Casa Gucci" é divertido e promove um ótimo entretenimento. 

Um ponto pacífico talvez seja o elenco prestigiado, com destaque para Lady Gaga, que de fato entrega muito e brilha com sua hiper intensa protagonista. Essa é uma excelente notícia: os fãs que já estavam com saudade de ver a estrela nas telas definitivamente não ficarão decepcionados.


O filme é mais acelerado no lúdico primeiro ato, em que conhecemos Patrizia Reggiani (Gaga) e Maurizio Gucci (Adam Driver), dois jovens que se apaixonam súbita e profundamente. O protagonista parece ser uma figura bastante desapegada, disposto a largar sua família e sua vida luxuosa (já que o pai não aprova a relação dele com Patrizia) para ficar com a companheira. 

Pouco depois de se casar, ele decide se reaproximar da família (por insistência da própria Patrizia). A personagem de Lady Gaga não demora a se acostumar com a vida luxuosa dos Gucci - e não se contenta com pouco. Maurizio também se mostra bastante ambicioso a partir do momento que de fato se envolve nas engrenagens do poder. 


Apesar do casal de protagonistas ter uma presença muito forte na tela, os coadjuvantes também são primordiais. Al Pacino, é claro, está excelente como o tio Aldo Gucci. A performance de Jared Leto (que interpreta o filho de Aldo) é definitivamente marcante, gostando ou não do que “marcante” significa aqui.

Como não poderia deixar de ser, em determinado momento do filme os membros da família começam a se digladiar por claro, mais poder. Vemos os nossos protagonistas se transformarem, apesar de Patrizia nunca ter de fato escondido seu fascínio pelo universo Gucci. Quando vê a empregada da casa com uma bolsa da grife (que na verdade é uma réplica), ela claramente se sente ultrajada. 


Pode ser porque ela se preocupa com a marca e não quer saber de réplicas ou falsificações. Mas também por conta de uma questão inerente à existência de uma grife (qualquer que seja): a distinção entre quem pode e quem não pode comprar.

De muitas maneiras, o filme também reforça o que se pensa e o que se espera dos italianos - o que significa, claro, que não busca representar os mesmos com complexidade. Os personagens aqui são emotivos, bastante guiados pelos sentimentos e, sem surpresa, gritam muito (como parte do pacote estereótipo, sim, você irá ouvir piadas sobre a máfia). 


O crítico David Rooney, do The Hollywood Reporter, pontuou: “Acho que Gaga e Pacino podem jogar a cartada ítalo-americana, mas, na verdade, "House of Gucci" deveria carregar o equivalente a uma isenção de responsabilidade sobre o bem-estar animal, declarando: ‘Nenhum italiano esteve envolvido na produção deste filme’. É um inferno de acentos vacilantes'.

Apesar do evidente processo de “hollywoodização”, é positivo que o filme seja primordialmente ambientado em Milão, mostre muitos cenários locais e que ainda conte com atrizes, como a própria Gaga e a sempre ótima Camille Cottin, que escapam um pouco do padrão quadradíssimo das protagonistas de Hollywood.


Talvez seja lugar comum questionar a duração de qualquer filme que tenha quase três horas, mas algumas cenas aqui realmente parecem “sobrar”. Em determinados pontos do longa, em especial quando Gaga não está em cena, a história perde um pouco de fôlego. De qualquer maneira, as atuações e a trilha sonora empolgante (para quem ama os anos 80 com todo o coração) não permite que fiquemos simplesmente olhando para o teto.


Para quem quiser entender mais sobre o Império Gucci e o impacto da grife no mundo da moda, talvez o filme seja decepcionante. O mesmo vale para aqueles que desejarem ver uma produção mais realista, que apresente um estudo de personagens mais complexo. No entanto, para quem busca um bom entretenimento e estiver apto a embarcar num universo bem absurdo, o magnetismo de Lady Gaga pode ser mais do que suficiente para garantir uma boa sessão.


Ficha técnica:
Direção: Ridley Scott
Produção: Metro Goldwyn Mayer (MGM) / Scott Free Productions / Bron Studios
Exibição: nos cinemas
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 2h37
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: Drama / Biografia

24 novembro 2021

"Alerta Vermelho" mistura ação e comédia na medida certa

Ryan Reynolds, Dwayne Johnson e Gal Gadot esbanjam carisma e simpatia em comédia de ação (Fotos: Netflix/Divulgação)


Jean Piter Miranda


O melhor agente especial do FBI, John Hartley (Dwayne Johnson), recebe a missão de prender um dos criminosos mais procurados do planeta: "O Bispo" (Gal Gadot), a maior ladra de obras de arte da história. Mas, para chegar até ela será preciso contar com a ajuda de Nolan Booth (Ryan Reynolds), um cara que busca se tornar o ladrão mais famoso do mundo. 

Essa é a história de “Alerta Vermelho” ("Red Notice"), filme de ação disponível na Netflix e também o projeto mais caro do serviço de streaming - teria custado em torno de US$ 200 milhões.


Tudo começa quando uma peça é roubada de um museu em Roma: um dos três ovos de Cleópatra, uma joia de valor inestimável. O item vai parar nas mãos do Bispo. Hartley e Booth levam a culpa e vão presos. E é aí que a aventura se inicia. Eles precisam fugir da prisão, recuperar o ovo e prender o Bispo. Tarefa que não será fácil. Ainda mais porque, nesse mundo do crime, ninguém confia em ninguém.  


É bom encarar o filme como uma comédia. Tem muita ação, mas acima de tudo é uma comédia. São várias piadas, referências a filmes e à cultura nerd, e muitas cenas engraçadas e inteligentes. Podemos dizer que são boas sacadas. E em tudo isso o trio funciona muito bem. Ryan Reynolds, Gal Gadot e Dwayne Johnson esbanjam carisma e simpatia, a ponto de o espectador torcer pelos três ao mesmo tempo.  


Reynolds mandou muito bem em "Deadpool", de 2016. Um filme da Marvel com uma pegada de humor, sem perder a ação e sem cair no besteirol. Agora ele acerta de novo, dosando bem as cenas e os diálogos engraçados em "Alerta Vermelho". Dwayne Johnson não destoa e, mesmo fazendo um papel praticamente repetido, consegue ser original. E Gal Gadot rouba toda a atenção quando entra em cena. É daqueles casos em que a gente gosta mais do vilão que do mocinho.  


As cenas de ação são muito boas. Tem tiros, perseguição de carros, brigas, reviravoltas. Os cenários são lindos. O filme foi gravado em vários países. As cenas em plano sequência são bem utilizadas, assim como outros efeitos especiais. É um filme bom se ver. Não gasta cérebro. É leve, divertido e engraçado. É uma boa pedida pra quem gosta do gênero.  


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Rawson Marshall Thurber
Exibição: Netflix
Duração: 1h58
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Ação / Comédia / Policial
Nota: 3,5 (de 0 a 5)

21 novembro 2021

Cine Brasil Itinerante é exibido de graça em três cidades de Minas



Da Redação


Três lugares com quatro sessões de cinema em cada um deles: esse é o Cine Brasil Itinerante, a nova iniciativa do Cine Theatro Brasil Valllourec de exibição gratuita de filmes nacionais para todos os públicos. O projeto será realizado em três datas: em BH, na região do Barreiro, nos dias 27 e 28 de novembro; em Piedade do Paraopeba, nos dias 04 e 05 de dezembro, e a em Jeceaba, nos dias 10 e 11 de dezembro.

"Malasartes e o Duelo com a Morte" (Foto: O2Filmes)

Serão quatro sessões por local, todas no mesmo horário. A primeira será no sábado, às 16 horas, do filme “Turma da Mônica - Laços” (2020); No mesmo dia, às 19 horas será a vez de “O Filme da Minha Vida” (2017). Já no domingo, o público poderá conferir a obra “O Segredo dos Diamantes” (2014), às 16 horas, e “Malasartes e o Duelo com a Morte” (2017), às 19 horas. 

“Turma da Mônica - Laços” (Biônica Filmes/Divulgação)

Essa mesma programação será repetida em Piedade do Paraopeba, nos mesmos horários, também sábado e domingo. Confira a crítica de “Turma da Mônica - Laços” e “O Segredo dos Diamantes” no blog Cinema no Escurinho clicando nos links.

Em Jeceaba, os filmes serão exibidos na mesma ordem e horário, mas as sessões acontecem, sexta-feira e sábado. As primeiras exibições são voltadas para o público infantil, mas todos os títulos são de classificação livre e contam com audiodescrição. 

"O Filme de Minha Vida" (Foto: Walter Carvalho/Globo Filmes)

Além dos filmes, o público também poderá prestigiar uma exposição sobre a história do centro cultural e sua relação com Belo Horizonte. Ela será guiada pelo Lanterninha do Cine Theatro Brasil Vallourec, figura já conhecida na capital mineira, que também realizará contações de histórias para o público infantil.

Todas as programações são gratuitas, e os ingressos serão disponibilizados uma hora antes de cada sessão, nos próprios locais. O Cine Brasil Itinerante é uma iniciativa do Cine Theatro Brasil Vallourec e tem patrocínio do Instituto Unimed-BH, e da Vallourec, ambos via Lei de Incentivo à Cultura. 

“O Segredo dos Diamantes” (Foto: Estevam Avellar/Quimera Filmes)

Os filmes

Sábado, 16 horas
"Turma da Mônica – Laços", dirigido por Daniel Rezende
Na história, a turminha sai em busca de Floquinho, o cãozinho de Cebolinha, que desapareceu. Para tentar encontrá-lo, o jovem do cabelinho espetado vai criar mais um de seus "planos infalíveis" e precisará contar com a ajuda dos fiéis amigos Mônica, Magali e Cascão. Juntos, eles irão enfrentar grandes desafios e viver uma emocionante aventura para levar o cão de volta para casa e desvendar um mistério.


Sábado, 19 horas: 
"O Filme da Minha Vida", dirigido por Selton Mello
Em 1963, nas Serras gaúchas, o jovem Tony Terranova precisa lidar com a ausência do pai, que foi embora sem avisar à família e, desde então, não deu mais notícias ao filho. Tony é professor de francês num colégio da cidade, convive com os conflitos dos alunos no início da adolescência e vive o desabrochar do amor. Até que a verdade sobre seu pai começa a vir à tona e o obriga a tomar as rédeas de sua vida.


Domingo, 16 horas
"O Segredo dos Diamantes", dirigido por Helvécio Ratton
Angelo é um garoto de 14 anos que descobre uma antiga lenda sobre diamantes perdidos e parte em busca desse tesouro para salvar a vida do pai. Para isso, ele e seus amigos Júlia  e Carlinhos terão que decifrar o enigma do "O Segredo dos Diamantes".


Domingo, 19 horas
"Malasartes e o Duelo com a Morte", dirigido por Paulo Morelli
Pedro Malasartes vive de pequenas trapaças e está sempre se safando das situações, mesmo as criadas por ele. Mas terá que enfrentar dois grandes inimigos: Próspero, que fará de tudo para impedir que sua irmã Áurea namore um sujeito como ele, e a própria Morte encarnada, que quer tirar férias e enganar Malasartes. Ele ainda terá que lidar com a bruxa Parca Cortadeira e Esculápio, assistente da Morte. 


Serviço:
Cine Brasil Itinerante
Locais: Barreiro - Rua Antônio Teixeira Dias, 1600 (Salão de festas da AMCATD) - 27 e 28 de novembro
             Piedade do Paraopeba - Quadra da Escola Municipal Padre Xisto - 04 e 05 de dezembro
             Jeceaba - Ginásio Poliesportivo Municipal (Geraldão) - 10 e 11 de dezembro
Sessões: Sexta-feira: 16 e 19 horas
               Sábado: 16 e 19 horas
Ingressos: Gratuitos

18 novembro 2021

"Ghostbusters: Mais Além" é saudosismo com muita emoção

Com a famosa mochila de prótons e muitos equipamento do passado, Phoebe e Podcast se tornam verdadeiros caçadores de fantasmas (Fotos: Sony Pictures/Divulgação) 


Maristela Bretas

 
Emocionante, trazendo ótimas lembranças do primeiro e único "Os Caça-Fantasmas", o diretor Jason Reitman brinda os fãs com "Ghostbusters: Mais Além", a melhor sequência da franquia, que estreia nesta quinta-feira. O filme vai mexer com o coração dos mais saudosistas, relembrando o primeiro longa - um clássico da cultura pop, dirigido pelo pai do diretor, Ivan Reitman, em 1984 e que é produtor deste lançamento, juntamente com Dan Aykroyd (um dos antigos caça-fantasmas).


Além de diretor, Jason é o roteirista, juntamente com Gil Kenan. São muitos easter eggs e voltas ao passado para matar a saudade e justificar a aposta no quarto longa dos "Caça-Fantasmas", especialmente depois da versão de 2016, que teve uma bilheteria aquém do esperado. E a família Reitman acertou de novo.

"Ghostbusters: Mais Além" tem muita ação, ótimos efeitos visuais e um elenco conhecido que se mostrou bem entrosado para contar a história de uma nova invasão de fantasmas, desta vez fora de Nova York. Destaque para os jovens Mckenna Grace ("Capitã Marvel" - 2019 e "Maligno" - 2021), como Phoebe, e o estreante Logan Kim, como Podcast, parceiro de aventuras e caçadas. O irmão mais velho de Phoebe, Trevor, é interpretado por Finn Wolfhard ("It - A Coisa" - 2017), em plena adolescência, sem mais a cara de menino da primeira temporada de "Stranger Things".


Na turma dos adultos, Paul Rudd ("Homem-Formiga" - 2015) é o professor Gooberson, que terá papel decisivo na vida dos irmãos e no retorno dos fantasmas. Sem perder o jeito cômico e simpático, ele faz par romântico e assustador com Carrie Coon ("As Viúvas" - 2018), como Callie, mãe de Phoebe e Trevor.

Como era de se esperar, a trilha sonora é um dos destaques, com a canção original "Ghostbusters", na voz de Ray Parker Jr.. A música foi indicada na época ao Oscar e ganhou diversos prêmios, inclusive um Grammy e um Bafta.


O roteiro não foge muito do esperado, mas Jason Reitman soube aproveitar bem os talentos que dispunha e transformou tudo num filme de família para a família. No longa, Callie é uma mãe solteira, com problemas com a bebida e contas atrasadas, que não se dava bem com o pai. Despejada, ela se muda com os dois filhos para uma pequena cidade do interior para tomar posse da fazenda deixada por ele como herança.


Muito inteligente, mas tímida e retraída, Phoebe só possui uma amigo na escola - Podcast e os dois se unem ao professor Gooberson para investigarem estranhos abalos sísmicos que estão ocorrendo na cidade. E acabam descobrindo que o passado da jovem está diretamente ligado aos caça-fantasmas originais e ao legado secreto deixado pelo avô.

 "Caça-Fantasmas" de 1984

Recomendo a quem não viu, assistir o primeiro filme para entender melhor as inserções de objetos, placas, personagens, veículos e armas que vão surgindo ao longo do roteiro. E como elas se encaixam e completam essa história, que ainda atrai um público fiel. Um velho conhecido dos fãs, bem gosmento tem presença garantida, numa versão um pouquinho mais rabugenta, mas engraçada.

Jason Reitman guardou para a segunda metade do filme as grandes surpresas, com direito a uma batalha épica, com muitos raios de prótons, monstros e uma ajudinha extra, no melhor estilo Caça-Fantasmas. Não se envergonhe se escorrerem algumas lágrimas.


Ficha técnica:
Direção: Jason Reitman
Produção: Sony Pictures Entertainment
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h04
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: Aventura / Ação / Comédia
Nota: 4,5 (de 0 a 5)

16 novembro 2021

"Duna" tem visual grandioso, mas ótimo elenco é pouco aproveitado

Ficção dirigida por Denis Villeneuve conta no elenco principal com Timothée Chamalet e Rebecca Ferguson (Fotos: Warner Bros. Pictures)


Maristela Bretas e Jean Piter Miranda


Como dividiu "Duna" ("Dune") em duas partes, resolvi fazer esta crítica do filme em dupla com meu amigo e colaborador Jean Piter. Afinal esta grandiosa ficção científica do premiado diretor canadense Denis Villeneuve ("A Chegada" - 2017) merecia, apesar de alguns pontos que deixaram a desejar. "Duna" é espetacular em visual, locações, fotografia e elenco. Certamente será indicado a diversas premiações, inclusive o Oscar. O longa tem estreia prevista na HBO Max no Brasil já no final deste mês.


O quesito locação é fantástico e se deve a uma exigência de Villeneuve de que as cenas fossem gravadas em locais reais para retratar o desértico planeta Arrakis. E a escolha ficou para os desertos de Wadi Rum, na Jordânia, e Rub' al-Khali, em Abu-Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, cujas areias douradas foram palco da maioria das cenas de dunas. 

O mesmo aconteceu com os fiordes de Standlander, na Noruega, para a locação das montanhas e praias onde a família Atreides vivia. Já as filmagens de estúdio foram feitas em Budapeste, na Hungria. Realmente um filme internacional.


Mas se a parte visual garante o sucesso de "Duna", o desenrolar da história é o ponto fraco. Dividido em duas partes - o segundo filme foi confirmado para 2023 -, o longa se arrasta em explicações e disputas de gabinete cansativas. O elenco caro e de primeira é pouco aproveitado, e até o casal principal - Timothée Chamalet ("Me Chame Pelo Seu Nome" - 2018 e "Adoráveis Mulheres" - 2020), como Paul Atreides, e Zendaya (“Homem-Aranha: Longe de Casa” (2109), como Chani, a guerreira do deserto de Arrakis - até o momento, não tem química nem graça). 


O personagem de Chamalet não mostrou a força esperada como herói. A expectativa é que o potencial de atuação para um filme de ação seja apresentado no segundo filme. Zendaya ficou para a segunda fase, uma vez que pronunciou uma meia dúzia de palavras e uns cinco minutos de rápidas aparições. Vai ter trabalho dobrado para mostrar a que veio. 


O destaque na atuação fica para sempre ótima Rebecca Ferguson ("Doutor Sono" - 2019) como Lady Jessica, mãe de Paul, que domina as cenas em com uma presença marcante. Outro que também está muito bem é Oscar Isaac ("Star Wars - O Despertar da Força" (2015), como o duque Leto Atreides, pai de Paul. Mas como ele, o talento de muitos integrantes do elenco caro e de qualidade é pouco explorado. 


Isso aconteceu com Javier Bardem ("Todos já Sabem" - 2019) como Stilgar, o guerreiro do deserto; Jason Momoa (“Aquaman” - 2018) e Josh Brolin ("Vingadores: Ultimato" - 2019), como os guerreiros do duque Atreides, Duncan Idaho e Gurney Halleck; Stellan Skarsgard ("Vingadores: Era de Ultron" - (2015), no papel do barão Harkonnen; Dave Bautista ("Guardiões da Galáxia” - 2014), como Rabban Harkonnen, que apesar de ser guerreiro, praticamente não luta) e Charlotte Rampling (“Assassin's Creed” (2107), interpretando a Reverenda Mohiam, entre outros atores.


A história de "Duna" se passa em um futuro distante, com planetas comandados por casas nobres que fazem parte de um império feudal intergaláctico. Paul Atreides é filho do duque Leto Atreides e de Lady Jessica. Sua família toma o controle do planeta Arrakis, também conhecido como Duna, produtor de uma especiaria alucinógena - o melange. Na disputa com outras famílias pela extração da substância, ele é forçado a fugir para o deserto com a ajuda de sua mãe e se junta às tribos nômades.

Não podemos esquecer a trilha sonora, outro ponto forte do filme, sob a responsabilidade do premiado compositor Hans Zimmer ("Blade Runner 2049" - 2017). São 41 músicas, com destaque para a versão de "Eclipse", da banda Pink Floyd, de 1973.


A avaliação de Jean Piter
O elenco é maravilhoso, bem estrelado, sendo que Rebecca Ferguson é a que mais destaca no quesito atuação. Timothée Chalamet "manda bem", uma vez que o papel pede que ele seja mais introspectivo para depois se tornar um herói, embora se espere muito dele no filme. Mas não brilha tanto quando se esperava. O mesmo acontece com Zendaya, que teve uma participação muito pequena, não permitindo que ela seja avaliada.


Outros no elenco que não estão em sua praia são Josh Brolin e Javier Bardem, que não está ruim, mas causa estranhamento vê-lo neste tipo de filme. Dave Bautista também muito pouco aproveitado no filme. Esperava muitas cenas de ação com ele e elas não vieram. Talvez venham no filme dois. Jason Momoa também está muito bem, mas a aparência dele ainda lembra muito o Aquaman, principalmente nas cenas de ação.


Sobre as cenas de lutas, elas têm muitos cortes e são muito distantes, deixando a desejar, especialmente nos combates corporais. Em "Duna", você sente que as lutas estão numa velocidade mais baixa, bem lentas, se comparamos a filmes como "John Wick", em que elas e mostram mais dinâmicas e reais, com a coreografia bem ensaiada.

Quanto ao filme, eu também tenho receio que, por terem deixado toda a solução para o segundo filme, a produção não queira acelerar demais e acabe ficando corrido e estragando alguma coisa.

Enfim, ficou para a continuação a narrativa com mais ação e o melhor aproveitamento dos personagens que sobreviveram às batalhas deste primeiro filme. Uma coisa é quase certa: o visual continuará sendo o maior destaque. Vamos aguardar.


Curiosidades de "Duna"
- O filme é uma adaptação da renomada obra da ficção científica homônima, escrita por Frank Herbert em 1965.

- Para suportar o calor de 50 graus dos desertos, os atores precisavam gravar durante a madrugada, com horário restrito.

 - "Duna" já ultrapassou a marca de US$ 300 milhões nas bilheterias de todo o mundo, sendo que no Brasil, mais de 520 mil pessoas foram ao cinema, arrecadando mais de R$10 milhões.


Ficha técnica
Direção: Denis Villeneuve
Produção: Legendary Pictures / Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros Pictures
Gêneros: Ficção científica / Drama
Classificação: 14 anos
País: EUA
Nota: 4 (0 a 5)

13 novembro 2021

“Lacuna”, suspense nacional produzido durante a pandemia, estreia na Globoplay

Longa-metragem aborda a relação entre uma jovem e sua mãe, interpretadas por Lorena Comparato e Kika Kalache (Fotos: Rodrigo Lages/Cosmo Cine)


Da Redação


Já está em cartaz no catálogo exclusivo da Globoplay o filme “Lacuna”, um thriller embasado num intrigante drama familiar cercado de suspense. Produzido pela WeSayNo e Cosmo Cine, marca a estreia de Rodrigo Lages na direção de logas. Ele também escreveu o roteiro. O filme aborda a conturbada relação entre Sofia (Lorena Comparato) e sua mãe, Helena (Kika Kalache). 


Após um grave acidente, Helena passa a apresentar comportamentos estranhos. Ela e a filha passam a viver em um ambiente denso e fragmentado, tomado pela culpa que envolve um misterioso passado familiar. O elenco conta ainda com Laila Zaid, Guilherme Prates, Priscila Maria e Charles Fricks.


Segundo os sócios da produtora, fazer cinema é um esforço. “A gente preza muito que o coletivo esteja bem, que todo mundo se sinta incluído no processo. Assim, as pessoas se entregam mais e fazem acontecer, se lembram que filmar, além de ser trabalho sério, também é um prazer e um privilégio. Não importa o escopo ou o tamanho do projeto, nós tentamos imprimir esse clima no set e no produto final."

           

Projetos futuros 
Entre os novos projetos da Cosmo Cine que estão em andamento “Transe”, longa-metragem de Carol Jabor, um filme de ficção rodado durante as eleições de 2018, com previsão de lançamento em 2022 e “Cozinha”, longa de Johnny Massaro (uma coprodução com a Hipérbole Filmes), com previsão de ser lançado também no ano que vem. Outra novidade será a série “Só Sei Que Foi Assim”, uma coprodução com a Baracoa Filmes para o Canal Brasil, que acompanha a história de acontecimentos folclóricos da cultura pop brasileira.

Videoclipe no Grammy Latino
No próximo dia 18 de novembro o videoclipe brasileiro "Visceral", de Fran, Carlos do Complexo & Bibi Caetano, com produção da Cosmo Cine e da Sentimental Filmes, estará entre os indicados ao Grammy Latino. A premiação irá acontecer em Las Vegas, de forma presencial.

            

Ficha técnica
Direção: Rodrigo Lages
Produção: WeSayNo e Cosmo Cine
Duração: 1h31
Gêneros: Drama / Suspense 
País: Brasil

08 novembro 2021

DC fracassa com "Injustice" e desperdiça uma de suas principais sagas

Superman se torna um ditador, lutando inclusive contra os parceiros da Liga da Justiça (Fotos: DC Comics/Divulgação)

Jean Piter Miranda


Em uma terra alternativa, o Coringa engana o Superman e faz com que ele mate a própria esposa, Lois Lane. Isso desencadeia vários outros danos e perdas para o mundo. O Homem de Aço enlouquece, fica furioso e decide controlar o mundo. Ele se torna um ditador que age sem piedade contra vilões, governos e até mesmo contra seus antigos aliados. 

Essa á história de “Injustice”, nova animação da DC Comics. No Brasil, o longa recebeu o título de “Injustiça – Deuses Entre Nós”. A animação pode ser conferida nas plataformas Google Play, Apple TV, Microsoft Store, Playstation Store, Looke, NOW (Claro), SKY Play e Vivo Play.


A saga "Injustice" é um dos maiores sucessos da história da DC. Começou com um jogo de videogame em 2013 e no mesmo ano foi adaptado para os quadrinhos. A história foi desenvolvida ao longo de cinco anos, em mais de 30 volumes de HQs, envolvendo dezenas de personagens. Só aí já dá pra ter ideia da importância. Como eles conseguiram colocar tudo isso em apenas uma hora e 18 minutos? Não conseguiram. E isso compromete tudo. 


A animação segue fielmente o início da trama. Mas depois tem que dar uma acelerada, o que prejudica o desenvolvimento do Superman ditador. Dá a impressão de que ele ficou assim do dia pra noite. E não foi. Batman cria um grupo de resistência para enfrentar o Homem do Aço. Aos poucos, os heróis vão se decidindo se ficam do lado do regime ou da insurgência. É time Batman contra time Superman. 


Nessa guerra, muitos vão morrer tentando parar o impiedoso Super-Homem. A animação dá destaque para o androide Amazo, que se torna o principal vilão. Há um conflito com a tropa dos lanternas verdes e vários heróis vão sendo inseridos na trama. O problema é que tudo é muito corrido, pouco desenvolvido. Para quem conhece o jogo ou os quadrinhos, a decepção é grande. Falta muita coisa que podemos chamar de fundamental pra saga fazer sentido. 


Nas histórias em quadrinhos, os lanternas travam guerras que mudam o destino não só da Terra, mas do universo. Adão Negro, Shazam, Sinestro, Supergirl, Lex Luthor e vários outros têm papeis importantes no desenvolvimento da trama. Há heróis que mudam de lado, deuses do Olimpo fazem batalhas sangrentas com os mortais. Ninguém pode ficar neutro. Cidades são destruídas e há muitas baixas. Uma saga fantástica, provavelmente a melhor já feita pela DC. 


"Injustice" merecia uma série, de pelo menos uns 30 capítulos, para explorar tudo e ainda acrescentar novidades, para não ser uma mera reprodução das HQs e dos jogos. A pressa de colocar mais uma animação no mercado é um fracasso total para a DC. Dificilmente vai agradar algum fã. Parece que a empresa está sem rumo e sem criatividade. E até mesmo desesperada por ver o sucesso monstruoso da concorrente Marvel. Assim, mais uma boa história foi desperdiçada em uma adaptação muito fraca.  

Para maiores de 18 anos


Ficha técnica:
Direção:
Matt Peters
Roteiro: Ian Rodgers, Ernie Altbacker
Exibição: Plataformas digitais
Produção: Warner Bros. Animation e DC Entertainment
Distribuição: Warner Bros. Animation e DC Entertainment
Duração: 1h18
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: animação / ficção / fantasia / ação
Nota: 2,0 (0 a 5)