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02 dezembro 2021

Da infância conturbada à glória no tênis, "King Richard: Criando Campeãs" conta a história das irmãs Williams

Baseado em fatos reais, o drama trata da persistência de um pai em transformar suas filhas em lendas num esporte elitizado (Fotos: Warner Bros. Pictures)


Marcos Tadeu
@Prosa&Cultura

 
“King Richard: Criando Campeãs” funciona como um bom longa motivacional ao mostrar a força e a garra das irmãs tenistas Serena e Vênus Williams em meio a uma época de racismo e um pai abusivo. Na história conhecemos King Richard (Will Smith), um pai batalhador, esforçado, que vê a chance de tornar suas filhas Vênus (Saniyya Sidney) e Serena (Demi Singleton) em atletas renomadas do tênis, o que acabou acontecendo. O filme estreia nesta quinta-feira (2) apenas nos cinemas.

Em um primeiro momento, o filme busca apresentar o drama de Richard: as tarefas domésticas, as dificuldades financeiras e como conciliar tudo isso com seus dois empregos, de faxineiro na quadra do bairro e segurança em uma firma. Ele começa a desenvolver conhecimento e habilidades no tênis lendo e assistindo partidas na TV.


A partir daí, percebe que suas filhas têm um grande potencial para se tornarem atletas de peso nesse esporte, praticado em 90% por brancos. Seu maior desafio é fazer com que Vênus e Serena sejam treinadas por técnicos que as ajudem a buscar seu objetivo. É interessante ver que as camadas do longa são bem definidas pelo diretor Reinaldo Marcus Green, deixando o telespectador contextualizado sobre o que viria. Além do fato de apresentar uma família de negros e toda questão racial em torno disso e do esporte em si.


Em um segundo momento notamos os métodos nada convencionais de Richard treinar as filhas. Até mesmo na forma como ele bate de frente com os técnicos que aparecem para ajudar as irmãs Williams. A relação do personagem principal, título do filme, com os treinadores é conturbada. Muitas são as vezes em que ele tenta ensiná-los como trabalhar. Isso se repetiu com os dois técnicos - Rick Macci (Jon Bernthal) e Paul Cohen (Tony Goldwyn).

O filme aqui decide ir por caminhos que ficam entre o tom de comédia e o drama. Ao mesmo tempo em que Will Smith interpreta um pai preocupado e zeloso com as filhas, muitas vezes peca pelo excesso em cobrar perfeição das jovens. Os desafios de guiá-las dentro de quadra, mesmo com a presença de um técnico, muitas vezes geram atritos e até situações de racismo.


Em grande parte da narrativa há uso excessivo de frases de efeito, principalmente em relação a Serena e Vênus, reforçando a ideia de que elas vão conseguir alcançar seus objetivos jogando tênis. Tanto os técnicos, como a família incentivam as atletas a não desistirem até alcançarem o sucesso. 

Até certo ponto isso funciona, porém, usado em excesso faz parecer que soa forçado. A relação das irmãs com as quadras e o tempo também são importantes para mostrar o desejo de se ter um esporte na vida e de torná-lo profissão. Vênus, claro, é a maior atração e isso fica bem visível durante toda narrativa.


Outro aspecto positivo é a parte técnica - figurino, cabelo e maquiagem. Um trabalho bastante cuidadoso. Ao comparar imagens reais de King Richards, Vênus e Serena Williams com as dos atores, tudo é muito verossímil e próximo do real. Um ótimo ponto que conecta o telespectador ao contexto da época e dos fatos narrados. Sucesso também na trilha sonora, que conta com a música “Be Alive” interpretada pela cantora Beyoncé.


Destaco também a atuação de Will Smith, mesmo que o personagem me incomode em alguns aspectos. No geral, ele é um pai abusivo que, mesmo quando não decide colocar pressão em suas filhas, faz de tudo para dar lições de humildade. Mas não é nem um pouco humilde como pessoa e fica visível a sua pretensão maior por Vênus do que por Serena. 

Fora o fato de que muito tem de ser feito pela família apenas para satisfazer a vontade e o ego de Richard. Todas as mulheres da casa são silenciadas ou pouco ouvidas. O personagem age como um rei. Não acho que um Oscar para Will Smith seja merecido, pois pode soar como um reforço a esse tipo de comportamento abusivo do pai.


Senti falta de explorar melhor outros fatores externos como a relação de Richard com a esposa Oracene “Brandi” Williams (papel de Aunjanue Ellis, que está excelente), os problemas financeiros, as filhas na escola e o fato de serem negras.

Infelizmente, a questão do racismo em si deixou muito a desejar, apesar de todos os membros da família serem negros e sofrerem muito com isso. Ficou uma abordagem rasa, sem aprofundar, o que causa estranhamento, uma vez que os produtores do filme também são negros.


Vale ressaltar também que outros negros retratados em “King Richard: Criando Campeãs” são colocados como pessoas ruins e somente a família de Richard se destaca como sendo de caráter. Um exemplo disso é a cena em que ele vai ensinar sobre humildade ao exibir o filme "Cinderela", da Disney, em uma sessão em casa. Curioso é que a personagem é branca. Não havia para ele nenhum personagem negro na época para ser referência para as filhas?

A arrogância de Richard é tamanha que desconstrói o que deveria ser um ensinamento, tudo para mostrar que os Williams são um exemplo de humildade. Até mesmo com os brancos retratados o protagonista desenvolve uma relação do tipo patrão/empregado. Mesmo assim, são taxados de ruins. Ou seja, tanto negros como brancos são maus, somente a família de Richard é boa. E o entorno deles?


Serena Willians também se torna um fator complicado na narrativa. Durante todo o tempo de tela, vemos o desenvolvimento maior de Vênus e como, facilmente, ela ganha prestigio com os técnicos e, principalmente, com seu pai. Serena, em alguns momentos, dá a impressão de que vai ganhar mais protagonismo, mas acaba sendo ofuscada pelo brilho da irmã. 

Apresentar protagonistas tão fortes e invencíveis, sem um grande desafio, muitas vezes pode deixar o final bastante previsível. Apesar disso, “King Richard: Criando Campeãs” consegue apresentar um encerramento diferente do esperado, o que é um grande acerto, pois surpreende o telespectador e ainda consegue motivá-lo.


Ficha técnica:
Direção: Reinaldo Marcus Green
Produção: Warner Bros. / Star Thrower Entertainment / Overbrook Entertainment / Westbrook Inc.
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h18
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: drama / biografia

25 novembro 2021

Lady Gaga conspira para matar o marido e se destaca na "Casa Gucci"

Filme conta a história da família da famosa grife italiana, marcada por luxo, cobiça e ganância ao longo de 30 anos (Fotos MGM Pictures)


Carolina Cassese


"Casa Gucci" é um filme over. Em se tratando da história dessa emblemática família, isso por si só não é um demérito. Dirigido por Ridley Scott, o longa conta com um elenco estreladíssimo, composto por nomes como Lady Gaga, Adam Driver, Al Pacino e Jared Lato. 

A produção, baseada no livro "The House of Gucci: A Sensational Story of Murder" (Sara Gay Forden), chega aos cinemas nesta quinta-feira. Apesar de ter sido anunciado por parte da mídia como um filme sobre o assassinato de Maurizio Gucci, a tragédia em si ocupa uma parte mínima de toda a história - que é principalmente sobre luxo, ganância e diferentes tipos de traição.


Na história real, Patrizia Reggiani conspirou para matar o marido Maurizio em 1995, contratando um matador de aluguel e outras três pessoas. Ela foi considerada culpada e condenada a 29 anos de prisão. O livro narra como foi a relação de quase 30 anos do casal e da convivência entre os membros da família da famosa grife italiana, marcada por amor, traição, decadência, vingança e assassinato.


Até agora, o longa teve uma recepção mista por parte da crítica. Enquanto uns afirmaram que “não é apenas um filme ruim, mas também uma má propaganda para o cinema” (Financial Times), outros opinaram que "Casa Gucci" é divertido e promove um ótimo entretenimento. 

Um ponto pacífico talvez seja o elenco prestigiado, com destaque para Lady Gaga, que de fato entrega muito e brilha com sua hiper intensa protagonista. Essa é uma excelente notícia: os fãs que já estavam com saudade de ver a estrela nas telas definitivamente não ficarão decepcionados.


O filme é mais acelerado no lúdico primeiro ato, em que conhecemos Patrizia Reggiani (Gaga) e Maurizio Gucci (Adam Driver), dois jovens que se apaixonam súbita e profundamente. O protagonista parece ser uma figura bastante desapegada, disposto a largar sua família e sua vida luxuosa (já que o pai não aprova a relação dele com Patrizia) para ficar com a companheira. 

Pouco depois de se casar, ele decide se reaproximar da família (por insistência da própria Patrizia). A personagem de Lady Gaga não demora a se acostumar com a vida luxuosa dos Gucci - e não se contenta com pouco. Maurizio também se mostra bastante ambicioso a partir do momento que de fato se envolve nas engrenagens do poder. 


Apesar do casal de protagonistas ter uma presença muito forte na tela, os coadjuvantes também são primordiais. Al Pacino, é claro, está excelente como o tio Aldo Gucci. A performance de Jared Leto (que interpreta o filho de Aldo) é definitivamente marcante, gostando ou não do que “marcante” significa aqui.

Como não poderia deixar de ser, em determinado momento do filme os membros da família começam a se digladiar por claro, mais poder. Vemos os nossos protagonistas se transformarem, apesar de Patrizia nunca ter de fato escondido seu fascínio pelo universo Gucci. Quando vê a empregada da casa com uma bolsa da grife (que na verdade é uma réplica), ela claramente se sente ultrajada. 


Pode ser porque ela se preocupa com a marca e não quer saber de réplicas ou falsificações. Mas também por conta de uma questão inerente à existência de uma grife (qualquer que seja): a distinção entre quem pode e quem não pode comprar.

De muitas maneiras, o filme também reforça o que se pensa e o que se espera dos italianos - o que significa, claro, que não busca representar os mesmos com complexidade. Os personagens aqui são emotivos, bastante guiados pelos sentimentos e, sem surpresa, gritam muito (como parte do pacote estereótipo, sim, você irá ouvir piadas sobre a máfia). 


O crítico David Rooney, do The Hollywood Reporter, pontuou: “Acho que Gaga e Pacino podem jogar a cartada ítalo-americana, mas, na verdade, "House of Gucci" deveria carregar o equivalente a uma isenção de responsabilidade sobre o bem-estar animal, declarando: ‘Nenhum italiano esteve envolvido na produção deste filme’. É um inferno de acentos vacilantes'.

Apesar do evidente processo de “hollywoodização”, é positivo que o filme seja primordialmente ambientado em Milão, mostre muitos cenários locais e que ainda conte com atrizes, como a própria Gaga e a sempre ótima Camille Cottin, que escapam um pouco do padrão quadradíssimo das protagonistas de Hollywood.


Talvez seja lugar comum questionar a duração de qualquer filme que tenha quase três horas, mas algumas cenas aqui realmente parecem “sobrar”. Em determinados pontos do longa, em especial quando Gaga não está em cena, a história perde um pouco de fôlego. De qualquer maneira, as atuações e a trilha sonora empolgante (para quem ama os anos 80 com todo o coração) não permite que fiquemos simplesmente olhando para o teto.


Para quem quiser entender mais sobre o Império Gucci e o impacto da grife no mundo da moda, talvez o filme seja decepcionante. O mesmo vale para aqueles que desejarem ver uma produção mais realista, que apresente um estudo de personagens mais complexo. No entanto, para quem busca um bom entretenimento e estiver apto a embarcar num universo bem absurdo, o magnetismo de Lady Gaga pode ser mais do que suficiente para garantir uma boa sessão.


Ficha técnica:
Direção: Ridley Scott
Produção: Metro Goldwyn Mayer (MGM) / Scott Free Productions / Bron Studios
Exibição: nos cinemas
Distribuição: Universal Pictures
Duração: 2h37
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: Drama / Biografia

24 novembro 2021

"Alerta Vermelho" mistura ação e comédia na medida certa

Ryan Reynolds, Dwayne Johnson e Gal Gadot esbanjam carisma e simpatia em comédia de ação (Fotos: Netflix/Divulgação)


Jean Piter Miranda


O melhor agente especial do FBI, John Hartley (Dwayne Johnson), recebe a missão de prender um dos criminosos mais procurados do planeta: "O Bispo" (Gal Gadot), a maior ladra de obras de arte da história. Mas, para chegar até ela será preciso contar com a ajuda de Nolan Booth (Ryan Reynolds), um cara que busca se tornar o ladrão mais famoso do mundo. 

Essa é a história de “Alerta Vermelho” ("Red Notice"), filme de ação disponível na Netflix e também o projeto mais caro do serviço de streaming - teria custado em torno de US$ 200 milhões.


Tudo começa quando uma peça é roubada de um museu em Roma: um dos três ovos de Cleópatra, uma joia de valor inestimável. O item vai parar nas mãos do Bispo. Hartley e Booth levam a culpa e vão presos. E é aí que a aventura se inicia. Eles precisam fugir da prisão, recuperar o ovo e prender o Bispo. Tarefa que não será fácil. Ainda mais porque, nesse mundo do crime, ninguém confia em ninguém.  


É bom encarar o filme como uma comédia. Tem muita ação, mas acima de tudo é uma comédia. São várias piadas, referências a filmes e à cultura nerd, e muitas cenas engraçadas e inteligentes. Podemos dizer que são boas sacadas. E em tudo isso o trio funciona muito bem. Ryan Reynolds, Gal Gadot e Dwayne Johnson esbanjam carisma e simpatia, a ponto de o espectador torcer pelos três ao mesmo tempo.  


Reynolds mandou muito bem em "Deadpool", de 2016. Um filme da Marvel com uma pegada de humor, sem perder a ação e sem cair no besteirol. Agora ele acerta de novo, dosando bem as cenas e os diálogos engraçados em "Alerta Vermelho". Dwayne Johnson não destoa e, mesmo fazendo um papel praticamente repetido, consegue ser original. E Gal Gadot rouba toda a atenção quando entra em cena. É daqueles casos em que a gente gosta mais do vilão que do mocinho.  


As cenas de ação são muito boas. Tem tiros, perseguição de carros, brigas, reviravoltas. Os cenários são lindos. O filme foi gravado em vários países. As cenas em plano sequência são bem utilizadas, assim como outros efeitos especiais. É um filme bom se ver. Não gasta cérebro. É leve, divertido e engraçado. É uma boa pedida pra quem gosta do gênero.  


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Rawson Marshall Thurber
Exibição: Netflix
Duração: 1h58
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Ação / Comédia / Policial
Nota: 3,5 (de 0 a 5)

18 novembro 2021

"Ghostbusters: Mais Além" é saudosismo com muita emoção

Com a famosa mochila de prótons e muitos equipamento do passado, Phoebe e Podcast se tornam verdadeiros caçadores de fantasmas (Fotos: Sony Pictures/Divulgação) 


Maristela Bretas

 
Emocionante, trazendo ótimas lembranças do primeiro e único "Os Caça-Fantasmas", o diretor Jason Reitman brinda os fãs com "Ghostbusters: Mais Além", a melhor sequência da franquia, que estreia nesta quinta-feira. O filme vai mexer com o coração dos mais saudosistas, relembrando o primeiro longa - um clássico da cultura pop, dirigido pelo pai do diretor, Ivan Reitman, em 1984 e que é produtor deste lançamento, juntamente com Dan Aykroyd (um dos antigos caça-fantasmas).


Além de diretor, Jason é o roteirista, juntamente com Gil Kenan. São muitos easter eggs e voltas ao passado para matar a saudade e justificar a aposta no quarto longa dos "Caça-Fantasmas", especialmente depois da versão de 2016, que teve uma bilheteria aquém do esperado. E a família Reitman acertou de novo.

"Ghostbusters: Mais Além" tem muita ação, ótimos efeitos visuais e um elenco conhecido que se mostrou bem entrosado para contar a história de uma nova invasão de fantasmas, desta vez fora de Nova York. Destaque para os jovens Mckenna Grace ("Capitã Marvel" - 2019 e "Maligno" - 2021), como Phoebe, e o estreante Logan Kim, como Podcast, parceiro de aventuras e caçadas. O irmão mais velho de Phoebe, Trevor, é interpretado por Finn Wolfhard ("It - A Coisa" - 2017), em plena adolescência, sem mais a cara de menino da primeira temporada de "Stranger Things".


Na turma dos adultos, Paul Rudd ("Homem-Formiga" - 2015) é o professor Gooberson, que terá papel decisivo na vida dos irmãos e no retorno dos fantasmas. Sem perder o jeito cômico e simpático, ele faz par romântico e assustador com Carrie Coon ("As Viúvas" - 2018), como Callie, mãe de Phoebe e Trevor.

Como era de se esperar, a trilha sonora é um dos destaques, com a canção original "Ghostbusters", na voz de Ray Parker Jr.. A música foi indicada na época ao Oscar e ganhou diversos prêmios, inclusive um Grammy e um Bafta.


O roteiro não foge muito do esperado, mas Jason Reitman soube aproveitar bem os talentos que dispunha e transformou tudo num filme de família para a família. No longa, Callie é uma mãe solteira, com problemas com a bebida e contas atrasadas, que não se dava bem com o pai. Despejada, ela se muda com os dois filhos para uma pequena cidade do interior para tomar posse da fazenda deixada por ele como herança.


Muito inteligente, mas tímida e retraída, Phoebe só possui uma amigo na escola - Podcast e os dois se unem ao professor Gooberson para investigarem estranhos abalos sísmicos que estão ocorrendo na cidade. E acabam descobrindo que o passado da jovem está diretamente ligado aos caça-fantasmas originais e ao legado secreto deixado pelo avô.

 "Caça-Fantasmas" de 1984

Recomendo a quem não viu, assistir o primeiro filme para entender melhor as inserções de objetos, placas, personagens, veículos e armas que vão surgindo ao longo do roteiro. E como elas se encaixam e completam essa história, que ainda atrai um público fiel. Um velho conhecido dos fãs, bem gosmento tem presença garantida, numa versão um pouquinho mais rabugenta, mas engraçada.

Jason Reitman guardou para a segunda metade do filme as grandes surpresas, com direito a uma batalha épica, com muitos raios de prótons, monstros e uma ajudinha extra, no melhor estilo Caça-Fantasmas. Não se envergonhe se escorrerem algumas lágrimas.


Ficha técnica:
Direção: Jason Reitman
Produção: Sony Pictures Entertainment
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h04
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: Aventura / Ação / Comédia
Nota: 4,5 (de 0 a 5)

16 novembro 2021

"Duna" tem visual grandioso, mas ótimo elenco é pouco aproveitado

Ficção dirigida por Denis Villeneuve conta no elenco principal com Timothée Chamalet e Rebecca Ferguson (Fotos: Warner Bros. Pictures)


Maristela Bretas e Jean Piter Miranda


Como dividiu "Duna" ("Dune") em duas partes, resolvi fazer esta crítica do filme em dupla com meu amigo e colaborador Jean Piter. Afinal esta grandiosa ficção científica do premiado diretor canadense Denis Villeneuve ("A Chegada" - 2017) merecia, apesar de alguns pontos que deixaram a desejar. "Duna" é espetacular em visual, locações, fotografia e elenco. Certamente será indicado a diversas premiações, inclusive o Oscar. O longa tem estreia prevista na HBO Max no Brasil já no final deste mês.


O quesito locação é fantástico e se deve a uma exigência de Villeneuve de que as cenas fossem gravadas em locais reais para retratar o desértico planeta Arrakis. E a escolha ficou para os desertos de Wadi Rum, na Jordânia, e Rub' al-Khali, em Abu-Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, cujas areias douradas foram palco da maioria das cenas de dunas. 

O mesmo aconteceu com os fiordes de Standlander, na Noruega, para a locação das montanhas e praias onde a família Atreides vivia. Já as filmagens de estúdio foram feitas em Budapeste, na Hungria. Realmente um filme internacional.


Mas se a parte visual garante o sucesso de "Duna", o desenrolar da história é o ponto fraco. Dividido em duas partes - o segundo filme foi confirmado para 2023 -, o longa se arrasta em explicações e disputas de gabinete cansativas. O elenco caro e de primeira é pouco aproveitado, e até o casal principal - Timothée Chamalet ("Me Chame Pelo Seu Nome" - 2018 e "Adoráveis Mulheres" - 2020), como Paul Atreides, e Zendaya (“Homem-Aranha: Longe de Casa” (2109), como Chani, a guerreira do deserto de Arrakis - até o momento, não tem química nem graça). 


O personagem de Chamalet não mostrou a força esperada como herói. A expectativa é que o potencial de atuação para um filme de ação seja apresentado no segundo filme. Zendaya ficou para a segunda fase, uma vez que pronunciou uma meia dúzia de palavras e uns cinco minutos de rápidas aparições. Vai ter trabalho dobrado para mostrar a que veio. 


O destaque na atuação fica para sempre ótima Rebecca Ferguson ("Doutor Sono" - 2019) como Lady Jessica, mãe de Paul, que domina as cenas em com uma presença marcante. Outro que também está muito bem é Oscar Isaac ("Star Wars - O Despertar da Força" (2015), como o duque Leto Atreides, pai de Paul. Mas como ele, o talento de muitos integrantes do elenco caro e de qualidade é pouco explorado. 


Isso aconteceu com Javier Bardem ("Todos já Sabem" - 2019) como Stilgar, o guerreiro do deserto; Jason Momoa (“Aquaman” - 2018) e Josh Brolin ("Vingadores: Ultimato" - 2019), como os guerreiros do duque Atreides, Duncan Idaho e Gurney Halleck; Stellan Skarsgard ("Vingadores: Era de Ultron" - (2015), no papel do barão Harkonnen; Dave Bautista ("Guardiões da Galáxia” - 2014), como Rabban Harkonnen, que apesar de ser guerreiro, praticamente não luta) e Charlotte Rampling (“Assassin's Creed” (2107), interpretando a Reverenda Mohiam, entre outros atores.


A história de "Duna" se passa em um futuro distante, com planetas comandados por casas nobres que fazem parte de um império feudal intergaláctico. Paul Atreides é filho do duque Leto Atreides e de Lady Jessica. Sua família toma o controle do planeta Arrakis, também conhecido como Duna, produtor de uma especiaria alucinógena - o melange. Na disputa com outras famílias pela extração da substância, ele é forçado a fugir para o deserto com a ajuda de sua mãe e se junta às tribos nômades.

Não podemos esquecer a trilha sonora, outro ponto forte do filme, sob a responsabilidade do premiado compositor Hans Zimmer ("Blade Runner 2049" - 2017). São 41 músicas, com destaque para a versão de "Eclipse", da banda Pink Floyd, de 1973.


A avaliação de Jean Piter
O elenco é maravilhoso, bem estrelado, sendo que Rebecca Ferguson é a que mais destaca no quesito atuação. Timothée Chalamet "manda bem", uma vez que o papel pede que ele seja mais introspectivo para depois se tornar um herói, embora se espere muito dele no filme. Mas não brilha tanto quando se esperava. O mesmo acontece com Zendaya, que teve uma participação muito pequena, não permitindo que ela seja avaliada.


Outros no elenco que não estão em sua praia são Josh Brolin e Javier Bardem, que não está ruim, mas causa estranhamento vê-lo neste tipo de filme. Dave Bautista também muito pouco aproveitado no filme. Esperava muitas cenas de ação com ele e elas não vieram. Talvez venham no filme dois. Jason Momoa também está muito bem, mas a aparência dele ainda lembra muito o Aquaman, principalmente nas cenas de ação.


Sobre as cenas de lutas, elas têm muitos cortes e são muito distantes, deixando a desejar, especialmente nos combates corporais. Em "Duna", você sente que as lutas estão numa velocidade mais baixa, bem lentas, se comparamos a filmes como "John Wick", em que elas e mostram mais dinâmicas e reais, com a coreografia bem ensaiada.

Quanto ao filme, eu também tenho receio que, por terem deixado toda a solução para o segundo filme, a produção não queira acelerar demais e acabe ficando corrido e estragando alguma coisa.

Enfim, ficou para a continuação a narrativa com mais ação e o melhor aproveitamento dos personagens que sobreviveram às batalhas deste primeiro filme. Uma coisa é quase certa: o visual continuará sendo o maior destaque. Vamos aguardar.


Curiosidades de "Duna"
- O filme é uma adaptação da renomada obra da ficção científica homônima, escrita por Frank Herbert em 1965.

- Para suportar o calor de 50 graus dos desertos, os atores precisavam gravar durante a madrugada, com horário restrito.

 - "Duna" já ultrapassou a marca de US$ 300 milhões nas bilheterias de todo o mundo, sendo que no Brasil, mais de 520 mil pessoas foram ao cinema, arrecadando mais de R$10 milhões.


Ficha técnica
Direção: Denis Villeneuve
Produção: Legendary Pictures / Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros Pictures
Gêneros: Ficção científica / Drama
Classificação: 14 anos
País: EUA
Nota: 4 (0 a 5)