terça-feira, 29 de dezembro de 2020

"Sapatinho Vermelho e Os Sete Anões" - uma divertida animação para todas as idades

Animação é releitura de "Branca de Neve e Os Sete Anões" com produção feita totalmente por profissionais sul-coreanos (Fotos: Sidus Animation Studios/Divulgação)


Maristela Bretas


A história de Branca de Neve ganhou uma abordagem bem atual e mais divertida. Estreia nesta quinta-feira (31/12) nos cinemas a animação "Sapatinho Vermelho e Os Sete Anões" ("Red Shoes and the Seven Dwarfs"). Inteiramente produzida por animadores sul-coreanos da Sidus Animation Studios, com distribuição da Paris Filmes, a animação tem tudo para agradar a todas as idades.


Aventura, diversão e muita ação estão presentes em todo o enredo, mas o destaque está na abordagem dada pelo diretor e roteirista SungHo Hong à questão da aparência: como nos vemos, como queremos que as pessoas nos vejam e como elas nos veem. O que é mais importante? Saiba mais sobre como foi feita a produção no making off abaixo:


A releitura do famoso conto vem no formato animê e tem Chloë Grace Moretz emprestando a voz para Sapatinho Vermelho. E Sam Claflin como o anão Merlin, que tem poderes mágicos como o mago e joga cartas semelhantes às de Yugi-Oh.

Arthur (voz de Simon Kassianides), aquele que vira rei depois de tirar a espada encantada da pedra, também está na nova animação, e como Merlin, é um dos sete anões. Juntamente com Jack (Frederick Hamel), de "Jack, O Caçador de Gigantes"; Hans (Nolan North), em homenagem ao escritor Hans Christian Andersen, autor do conto de fadas "Os Sapatinhos Vermelhos", e o trio Pio Noki Kio (Frank Todaro), que nem precisa explicar a qual história eles pertencem.


Nolan North ainda faz as vozes do Rei White, pai de Sapatinho e dos gêmeos gigantes que trabalham para o príncipe Tanto Faz (Jim Rash). O elenco conta ainda com Gina Gershon, fazendo a voz da madrasta Regina, e Patrick Warburton, como o espelho mágico. E claro, não poderia faltar a famosa frase: "Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?" e a maçã vermelha envenenada.



O que os espectadores não contavam é que o conto se tornasse uma ótima paródia de filmes, outros contos de fadas e até eventos marcantes. Compensa assistir dublado para não perder a malícia e a ironia dos dubladores brasileiros. 

Não escampam gozações ao filme "Titanic", ao pouso de joelhos dos super-heróis, ao Rei Arthur, e sua espada, à princesa Lea, da saga “Star Wars”. Sobra até para o Bolsa-Família (que aqui vira "Bolsa-Mingau") e os 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil. São muitas situações que provocam boas risadas.



A nova história

Branca de Neve/Sapatinho Vermelho não é a mulher mais bela do reino, segundo os padrões convencionais de beleza. E por isso, encontra na magia dos sapatinhos vermelhos mágicos a transformação que vai atrair a todos, especialmente os sete anões. Apesar da insegurança com a aparência, ela é uma mulher de fibra, briga muito, é carismática e não precisa de homens para resolver os problemas para ela. Na verdade, os anões são meros ajudantes.



Chamados de "Os Sete Destemidos", os anões também querem quebrar uma maldição, uma vez que eram príncipes e agora são pequeninos e verdes que precisam de um beijo de amor de uma princesa para voltarem ao normal. Cada, um, a sua maneira, tenta ganhar uma beleza artificial, mas durante a disputa pelo beijo da princesa vão aprender o verdadeiro significado da beleza.

Isso ajudará a vencer a malvada Regina, que quer os sapatinhos vermelhos para voltar a ser bela e jovem. Para isso ela irá se unir ao príncipe bobalhão Tanto Faz, que na versão em inglês chama Average, para roubar os calçados da enteada. A trilha sonora, a cargo de Geoff Zanelli, dá o toque especial, trazendo três belas composições como "Start of SomethingRight", "Something So Beautiful", "Perfect By" e a música-tema "This is Me".



Experiência sul-coreana

"Sapatinho Vermelho e Os Sete Anões", que levou dez anos para ser feita, contou ainda com a experiência de 20 anos na Walt Disney Studios do diretor de animação e designer de personagens Jim Kim, responsável por sucessos como "Moana" (2016), "Enrolados" (2010), "Frozen - Uma Aventura Congelante" (2013) e "OperaçãoBig Hero" (2014). Vale a pena conferir. Alguns cinemas de BH já estão com sessões especiais, na versão dublada.


Ficha técnica: 
Direção: SungHo Hong 
Produção: Sidus Animation Studios 
Distribuição: Paris Filmes 
Duração: 1h31 
Classificação: Livre 
País: Coreia do Sul 
Gêneros: Família / Fantasia / Aventura / Animação 
Nota: 3,5 (de 0 a 5)

Tags: #SapatinhoVermelhoEOsSete Anões, #ParisFilmes, #fantasia, #RedShoesandtheSevenDwarfs, #CoreiadoSul, #SidunAnimationStudios, #animação, @cinemanoescurinho

domingo, 27 de dezembro de 2020

"O Céu da Meia-Noite" é um filme pra ver, contemplar e refletir

George Clooney aposta novamente na ficção para falar de solidão, sobrevivência e extinção (Fotos: Philippe Antonello/Netflix)


Jean Piter Miranda


O mundo acabou. Poucas décadas a frente dos nossos dias. Não sobrou nada, mas sobrou gente com vontade de sobreviver. Assim podemos resumir a ideia central de “O Céu da Meia-Noite”, novo filme da Netflix, dirigido e estrelado pelo astro George Clooney. Uma ficção, digamos de uma realidade possível, que propõe várias reflexões. 

Clooney é Augustine Lofthouse, um cientista, quase idoso, que vive em uma estação em algum lugar do Ártico. Ele fica isolado nessa base, tentando fazer contato com uma equipe de astronautas que está em uma nave voltando para a Terra. A mensagem a ser passada é tipo: “Deu ruim. Não precisam voltar não”. 


A nave tem cinco tripulantes. A principal é Sully (Felicity Jones). Eles estão voltando de uma lua de Júpiter, que, no filme, tem características semelhantes às da Terra, onde os seres humanos poderão viver normalmente. Eles foram lá pra tirar essa prova e depois voltar pra casa com a boa notícia e iniciar um projeto de migração. 


O filme se divide em dois núcleos. No Ártico, Augustine passa os dias solitários e melancólicos remoendo seu passado mal resolvido. Ao mesmo tempo, tenta cuidar da saúde e avisar a tripulação da nave para que não volte à Terra. No espaço, os astronautas não sabem o que ocorreu em seu planeta e tentam retornar, enfrentando problemas de comunicação e de mal funcionamento da nave. Essa é a principal ligação entre as duas linhas narrativas.

"O Céu da Meia-Noite" tem imagens belíssimas. Tanto as paisagens congeladas, feitas na Islândia, quanto às cenas do espaço e de Júpiter, que, mesmo fictícias, são maravilhosas e impressionam por serem tão reais. São quase duas horas de filme. Há quem possa achar que o ritmo é lento. Mas é uma lentidão necessária, que compõe muito bem os “desertos” do gelo e das galáxias. 


O longa tem talvez mais cenas de silêncio que de diálogos. E a gente entende tudo muito bem. Não tem nenhum quebra-cabeça e nem teorias da física quântica para se desvendar. É tudo muito claro. A Terra está destruída, mas os motivos ficam subentendidos. Não há imagens dessa destruição e elas não fazem falta pra compreensão do enredo. 

E por falar em silêncio, Íris (Caoilinn Springall), a menina que acompanha Augustine na estação polar, é um dos destaques do filme. A jovem atriz de apenas sete anos manda muito bem, principalmente nas cenas que exigem expressões faciais. E ao que parece, é seu primeiro papel no cinema. Sua personagem tem muita importância na história. 


"O Céu da Meia-Noite" conta também em seu elenco, como integrantes da tripulação da nave Aether, os atores David Oyelowo (comandante Gordon Adewole), Kyle Chandler (Michell Rembshire), Demián Bichir (Sanchéz), Tiffany Boone (Maya Peters), além de Ethan Peck (no papel de Augustine jovem) e Sophie Rundle (como Jean, namorada dele).

O filme chega pra fazer um alerta de que precisamos cuidar do planeta para nossa própria sobrevivência. Ele chega às telas em um momento em que vivemos uma pandemia, fome, miséria, guerras, aumento do aquecimento global e avanço desenfreado do desmatamento e da poluição dos oceanos. Vamos esperar o mundo acabar pra fazer algo?


Clooney cumpre bem seus papeis de ator, diretor e produtor. Especialmente por ter feito uma ótima adaptação ao roteiro após o anúncio da gravidez de Felicity Jones durante as filmagens. A barriga verdadeira acabou sendo incorporada à produção. 

"O Céu da Meia-Noite" é baseado no livro de mesmo nome, da escritora Lily Brooks-Dalton. Não é uma superprodução, não é um projeto ambicioso e não é candidato a clássico. É um filme, digamos simples, objetivo, bonito de ver e com cenas memoráveis. Uma obra de ótima qualidade. É pra ver, contemplar e refletir. 


Ficha técnica:
Direção e produção:
George Clooney
Exibição: Netflix
Duração: 1h58
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Drama / Ficção científica
Nota: 4 (de 0 a 5)

Tags: #OCeuDaMeiaNoite, #GeorgeClooney, #FelicityJones, #Netflix, #ficção, #drama, #catástrofeglobal, #Júpiter, #sobrevivência, #cinemanoescurinho

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

"Mulan" entrega uma excelente produção, com destaque para as batalhas, os figurinos e a trilha sonora

 Liu Yifei entrega uma ótima interpretação da guerreira chinesa que precisou se passar por homem para mostrar seu valor (Fotos: Jasin Boland/Disney)


Maristela Bretas


Sem perder a fantasia, o que é esperado de uma produção dos estúdios Disney, o remake de "Mulan" é a produção que mais se aproxima de um filme e menos de um live-action. Claro que a computação gráfica corre solta. E precisava ser assim para uma produção que destaca as lutas marciais e a cultura milenar chinesa, que apesar de rica, possui valores extremamente machistas. 


O live-action expõe esses valores, tanto no casamento arranjado, quanto na vergonha dos pais por não terem filhos, apenas filhas. As mulheres só servem para servir. Esses são os maiores inimigos da guerreira.


No filme, Mulan recebeu o tratamento esperado para uma das mais marcantes mulheres do universo Disney. A personagem é apresentada ainda mais forte que no desenho de 1998 - uma jovem corajosa que prova ser capaz de lutar e defender seus ideais, mas que precisa se passar por um homem para mostrar seu valor. 


Para o papel foi escolhida a atriz chinesa Liu Yifei, que dá conta do recado, interpretando a jovem rebelde, poderosa e destemida, que não se deixa dobrar, mesmo quando é menosprezada por causa de seu sexo. Yifei também consegue passar a fragilidade e a inocência da jovem descobrindo o mundo exterior e o amor.


Como na versão animada, Mulan se disfarça de homem e assume o lugar do pai para se tornar uma guerreira que deseja ajudar o exército do imperador a defender a China contra invasores que contam com a magia da bruxa Xian Lang (papel de Gong Li). Ela adota o nome de Hua Jun e terá de esconder de todos sua verdadeira identidade. Durante sua jornada de treinamento e batalhas, Mulan também irá descobrir os poderes que carrega de seus ancestrais. 


Com um figurino impecável, semelhante também a muitas partes do desenho, "Mulan" explora muito bem as cores, tanto nas roupas usadas por mulheres, guerreiros e imperador quanto nas plumas da fênix e na decoração do castelo imperial. A fotografia é outro ponto forte, chega a ser uma obra de arte em alguns momentos, como a imagem de Mulan sozinha no deserto. 


Outro destaque do filme é a trilha sonora, composta por Harry Gregson-Williams. Christina Aguilera arrasa na interpretação da clássica "Reflection", do desenho original, e da canção-tema "
Loyal Brave True". Também ficou ótima a versão dublada em português da canção "Lealdade Coragem Verdade" interpretada por Sandy, que solta a voz numa bela performance. Clique nos links para conferir.


O elenco do filme ainda é formado por Jet Li ("Mercenários 3"- 2014), no papel do Imperador chinês; Donnie Yen ("Rogue One" - 2016), como o comandante Tung; Jason Scott Lee ("O Sétimo Filho" - 2015), como Bori Khan, além de vários outros atores chineses.


Quem assistiu o desenho vai sentir falta de dois importantes personagens na vida de Mulan: Mushu, que dá lugar a uma fênix colorida que representa os ancestrais da jovem e que vai protegê-la em sua jornada. E Grilo, substituído por soldados do batalhão da guerreira que serão seus grandes aliados.


Uma pena que, por causa da pandemia de covid-19 e das medidas de isolamento social "Mulan" precisou ter sido lançado. É um filme que merecia ser exibido nas telas de cinema por sua grandiosidade nas imagens e figurinos. Ele pode ser conferido na plataforma Disney+, apenas para assinantes.



Ficha técnica:
Direção:
Niki Caro
Exibição: Disney+
Duração: 1h55
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Aventura / Ação / Fantasia
Nota: 4 (de 0 a 5)

Tags: #Mulan, #DisneyPlus, #Disney+, #live-action, #LiuYifei, #JetLi, #ChristinaAguilera, #China, #ação, #aventura, #fantasia, #Sandy, #cinemanoescurinho

sábado, 19 de dezembro de 2020

“8 em Istambul” interliga diversidade de personagens, formando um mosaico psicológico e cultural

 Série turca dirigida por Berkun Oya é um primor de criatividade e um prato cheio para psicanalistas (Fotos: Netflix)

Mirtes Helena Scalioni


É tão envolvente, inteligente e instigante a série “8 em Istambul” (“Bir Baskadir”, nome original), em cartaz no Netflix, que se torna impossível desistir dela, por mais que, no “inicinho”, a história possa parecer lenta demais ou estranha demais. A começar pelos créditos da apresentação, repleto de nomes que parecem bizarros, com cedilha no “S”, trema no “O” ou til no “G”, característicos do idioma turco. Puro engano. 

Com roteiro criativo e edição bem amarrada, a trama que acaba ligando – ou seria interligando? – a vida de personagens diferentes, quase opostos, surpreende e fisga o espectador. O primeiro personagem apresentado é Meryem (Öykü Karayel), uma simplória e humilde faxineira. Ela trabalha na casa de Sinan (Alican Yücesoy), homem moderno, solteiro e, aparentemente mulherengo, que costuma receber mulheres em casa.



Para tentar se curar dos constantes desmaios que vem sofrendo, a jovem procura um hospital e é levada a uma psiquiatra, Peri (Defne Kayalar), que por sua vez, faz supervisão de casos com outra profissional da psicanálise, Gülbin (Tulin Özen).
 
O primeiro choque talvez seja cultural, embora dentro de uma mesma cidade. Enquanto a paciente é uma mulher muçulmana pobre e tradicional, com a cabeça sempre coberta, roupas típicas e fé inabalável em Alá, a médica é moderna, usa roupas ocidentais, faz ginástica e yoga numa academia, é fria e faz questão de manter uma distância profissional da sua cliente. 
 

A partir dessa relação, vão sendo puxadas outras tramas, que falam de preconceitos, violência, fé, submissão, traições, traumas, hipocrisia, segredos, família, costumes. É como se Istambul tivesse não dois – Ásia e Europa, como se vê nos catálogos turísticos - mas muitos lados. E cada um com suas idiossincrasias e justificativas.  Um verdadeiro quebra-cabeça, magistralmente dirigido por Berkun Oya. Um prato cheio para os psicanalistas.
 


Na medida em que os personagens vão entrando na história, mais encantado o espectador fica com a inteligente Meryem, que funciona como elo entre os demais. Além da psicanalista, ela contracena com o irmão irascível Yasin (Fatih Artman), com a cunhada deprimida Ruhlve (Funda Eryigit), com o rodja - líder espiritual da comunidade – Settar (Ali Sadi Hoca). Este, embora tradicionalíssimo, tem uma filha de hábitos modernos. 
 
E mais: quando chega em casa do trabalho, a diarista acompanha, pela televisão, com muito interesse, uma série de muito sucesso da qual faz parte a atriz Melisa (Nesrin Cavadzade) que, em algum momento, também passa a fazer parte da história. 
 


É como se Meryem puxasse o fio de um emaranhado novelo de linhas com cores, utilidades e texturas diferentes. E assim, de palavra em palavra, entre um chá e outro, os personagens e suas tramas são revelados. Quando se dá conta, o espectador nem se lembra mais da estranheza dos nomes, interessado em descobrir se o assistente do rodja, que se exibe falando de filosofia e de Jung, está mesmo interessado na moça.

Ao longo da série, também vão virando meros detalhes até a beleza das atrizes com seus olhos profundos e misteriosos, que tanta atenção chama no início, ou o som estranho das canções que, vez por outra, finalizam os episódios. O que fica, no final, é a constatação de que somos todos irremediavelmente humanos e incompletos.


 

 
Ficha técnica:
Direção e roteiro: Berkun Oya
Exibição: Netflix
Duração: 50 minutos em média (1ª temporada - 8 episódios)
Classificação: 16 anos
País: Turquia
Gêneros: Drama psicológico / série
 
 
Tags: #8EmIstambul, # BirBaskadir, #dramapsicológico, #filmeturco,  #BerkunOya, #Netflix, #Turquia, @cinemanoescurinho


quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

"Mulher-Maravilha 1984" é um filme de desejos, medos e seres humanos

 

Gal Gadot retorna a seu papel de super-heroína e entrega outra grande produção (Fotos: Clay Enos/ DC Comics)

Maristela Bretas


Patty Jenkins e Gal Gadot provam mais uma vez que duas mulheres inteligentes e engajadas fazem a diferença. "Mulher-Maravilha 1984" não é mais um filme de super-heroína, mesmo com toda a ação, efeitos visuais fantásticos, ótimas batalhas e grandes vilões. A famosa personagem que usa um maiô dourado, vermelho e azul entrega um filme que explora sentimentos, medos e, principalmente, desejos. Coisas comuns dos seres humanos, mas que agora atingem uma das maiores guerreiras de Themyscira.

A esperada produção apresenta um equilíbrio pouco visto nos demais personagens da DC Comics, com a Mulher-Maravilha novamente interpretada pela bela e carismática Gal Gadot, dividindo o espaço quase que em igualdade com seus dois arqui-inimigos: Mulher-Leopardo (Kristen Wiig) e Max Lord (Pedro Pascal). Difícil dizer quem está melhor. 
 

Não espere ver apenas lutas da heroína contra os excelentes vilões. O forte de todo o enredo é o desejo, para o bem ou para o mal, que move o ser humano. Diana Prince, mesmo sendo uma semideusa não escapa de sucumbir a seu mais profundo desejo - o de ter de volta seu grande amor, Steve Trevor (Chris Pine), morto na 1ª Grande Guerra ("Mulher-Maravilha”- 2017).

E é assim que os fãs vão poder ver o belo e apaixonado casal junto novamente. Mas como Superman, Trevor é a criptonita de Diana. O público vai conhecer também a mulher fragilizada e quase sem poderes, capaz de sangrar e de se ferir, mas nunca de deixar de amar seu piloto e a humanidade, por pior que ela seja.
 

Se uma guerreira não resiste a ter um desejo realizado, não seriam os pobres mortais como Bárbara Minerva (Kristen Wiig) e Maxwell Lord (Pedro Pascal) que ficariam ilesos. E tudo isso graças a uma misteriosa pedra do passado. E não só eles, mas todos que são expostos a ela. 
 
Wiig (de "Perdido em Marte" - 2015 e "Caça-Fantasmas" - 2016) arrasa na transformação de Bárbara, uma pesquisadora desleixada e quase invisível ao mundo numa poderosa e atraente mulher, mas sem sentimentos. Para depois se tornar a Mulher-Leopardo, com poderes semelhantes aos da Mulher Maravilha. Ela está demais, sem ser caricata.


Mas é em Pascal que estão concentradas todas as ações do filme e ele entrega um vilão excelente, sem ser caricato. O ator, conhecido por papéis em sucessos como as séries "Narcos" (2015 a 2017), da @Netflix, e "The Mandalorian", em exibição na @Disney+, interpreta o empresário de boa lábia, mas falido que se torna o homem mais poderoso do mundo. Ele muda comportamento e feições, sem alterar sua aparência ou usar fantasia, como acontece com muitos vilões dos quadrinhos. Seu mal é interior, faz parte da essência dos seres humanos - a ganância.
 


O filme traz de volta também duas grandes atrizes do primeiro filme - Robin Wright, como Antíope, e Connie Nielsen, a rainha Hippolyta, mãe de Diana. Apesar da participação apenas no início, elas representam os valores que vão guiar Diana por toda a sua vida e fazer a diferença na luta contra os inimigos. 
 

Mas e os efeitos visuais? Claro que estão bem presentes e como era esperado, excelentes e com muita destruição, mas sem matança e sangue jorrando. Uma característica da Mulher-Maravilha que, como ela mesma diz, não gosta de armas. O laço dourado é seu aliado contra os bandidos. Tudo se resolve com charme, um sorriso, uma piscada ou uma boa briga. Tem também perseguição com tanque, só para ficar diferente.


 
A ótima trilha sonora foi acertadamente entregue ao grande Hans Zimmer, responsável por sucessos como "Batman vs Superman - A Origem da Justiça" (2016), que conta também com a Mulher-Maravilha no elenco, "Dunkirk" (2017), "O Rei Leão" (2019) e outros inúmeros sucessos para o cinema. Não poderia ficar de fora a música tema.

 


Gal Gadot está mais madura, segura de seu papel como super-heroína e símbolo da força das mulheres. E encontrou em Jenkins, também roteirista do filme, a parceira ideal para apresentar esta personagem inspiradas nos quadrinhos da DC Comics. As duas também são produtoras do filme, juntamente com Zack e Deborah Snyder e Charles Roven.


"Mulher-Maravilha 1984", assim como a primeira, é outra grande produção e merece ser assistida no cinema, tomando as devidas medidas de segurança: use máscara durante toda a exibição e não esqueça o álcool gel antes e depois da sessão.
 


Ficha técnica:
Direção:
Patty Jenkins
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 2h30
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: Ação / Aventura /Fantasia
Nota: 5 (de 0 a 5)

Tags: #MulherMaravilha1984, #MM84, #WW84, #WarnerBrosBrasil, #GalGadot, #PattyJenkins, #MulherLeopardo, #KristenWiig, #PedroPascal, #DCComics, #ação, #EspacoZ, #cinemanoescurinho, @cinemanoescurinho



sábado, 12 de dezembro de 2020

“O Gambito da Rainha” até agrada, mas pode cansar como assistir a uma demorada partida de xadrez

 

Minisérie, em exibição na Netflix, está na 1ª temporada com sete episódios e é ambientada entre as décadas de 1950 e 1960 (Fotos: Netflix)

Mirtes Helena Scalioni


Desde que foi lançada em outubro, tornando-se o maior sucesso da Netflix, o que mais se ouve em relação a “O Gambito da Rainha” ("The Queen’s Gambit") é: “não é preciso entender de xadrez para gostar da série”. Verdade. A trajetória da órfã Elizabeth Harmon (Anya Taylor-Joy), desde que foi entregue a um orfanato até se tornar uma campeã de xadrez, é capaz sim de despertar o interesse dos espectadores, até porque não se trata de uma menina qualquer.

 
Deixada no orfanato depois que sua mãe morreu em um acidente de carro quando ela tinha nove anos, Beth Harmon sofre com lembranças e traumas. É neste período que ela começa a aprender xadrez até se revelar uma criança-prodígio nesse jogo, reservado praticamente só aos homens na década de 1950. Enquanto a menina – e depois a jovem - revive seu passado, vai revelando ao público o que a faz ter tantos problemas e feridas não cicatrizadas. 


Para quem não sabe, “gambito” é uma manobra de xadrez que consiste em driblar o adversário entregando a ele uma peça importante do jogo para, logo à frente, conseguir vantagens. Claro que o jogo é também uma metáfora da vida sofrida de Beth que, além de ser única num universo dominado por homens, faz uma personagem complexa e contraditória, cheia de vícios e, muitas vezes, disposta à autodestruição.


Cenários e locações deslumbrantes nos Estados Unidos, no México, na França e na União Soviética, também ajudam, assim como os figurinos, impecáveis, que acompanham o crescimento da personagem dos nove aos vinte e poucos anos, do sisudo uniforme do orfanato à leveza dos godês de cinturinha fina até chegar às saias acima dos joelhos. As décadas de 1950 e 1960 estão muito bem representadas no longa. Uma curiosidade: o filme foi adaptado do romance homônimo escrito em 1983 por Walter Tevis.


Além da performance de Anya Taylor-Joy, que enfeitiça o público e cria mistérios com olhares e uma expressão corporal perfeita, há que se destacar a atuação de Marielle Heller como Alma Wheatley, a mãe adotiva de Beth, responsável pelos momentos mais ternos, afetuosos e humanos do longa. Um truque talvez da direção de Scott Frank e Allan Scott para aliviar o olhar do espectador cansado de tantos tabuleiros, bispos, cavalos, torres e partidas. 


Conta-se que a produção de “O Gambito da Rainha” fez questão de contratar profissionais de xadrez como consultores para garantir a realidade dos jogos. Nada, nenhum lance ou deslocamento de peça no tabuleiro é aleatório. Pode ser. O que cansa, na verdade, é o número exagerado de partidas. Quando não está jogando em torneios e campeonatos, Elizabeth está treinando, lendo sobre o jogo ou brincando de jogar com os amigos. Chega a ficar repetitivo.

É certo que, como já foi dito, ninguém precisa entender de xadrez para apreciar a série. Mas é certo também que parece inverossímil alguém levar a vida jogando ou só pensando no jogo dia e noite. Beira o fanatismo. E vai ver que é.


Ficha técnica:
Direção:
Scott Frank e Allan Scott
Exibição: Netflix
Duração: média 60 minutos por episódio (1ª Temporada - 7 episódios)
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: Drama / Série

Tags: #OGambitoDaRainha, #NetflixBrasil, #drama, #xadrez, #AnyaTaylor-Joy, #MarielleHeller, #minisérie, @CinemanoEscurinho

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Espaço do Conhecimento UFMG lança hoje o documentário "Inconfidências" sobre a mineração nas Gerais

Produção será disponibilizada no Youtube e em breve exibida no Planetário do Museu (Reprodução/Espaço do Conhecimento UFMG)
 

 Maristela Bretas

 
Sob a direção do professor Maurício Gino, da Escola de Belas Artes, e produção da equipe de Audiovisual do Espaço do Conhecimento UFMG, será lançado nesta sexta-feira (11), no canal de Youtube, o documentário "Inconfidências". O filme propõe uma reflexão sobre a atividade mineradora no Estado de Minas Gerais e seus impactos ao longo dos anos.

Por causa da pandemia de Covid-19, o lançamento do documentário será disponibilizado a partir das 18h30, como parte da comemoração virtual dos dez anos do Espaço do Conhecimento UFMG, que se encerra no dia 12 de dezembro. A programação completa está disponível em https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/acontece/10anos/

Foto: Valéria Amorim

A partir das 19h30 haverá uma roda de conversa sobre o filme com a participação dos seguintes convidados: professoras Cláudia Mayorga, Pró-Reitora de Extensão da UFMG e Sara del Carmen Rojo de la Rosa (FALE/UFMG); professor Fabrício Fernandino, diretor do Centro Cultural UFMG, e Paulo Henrique Silva, jornalista, crítico de cinema e ex-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). A mediação ficará a cargo do professor André Mintz (EBA/UFMG). 
 
O filme e a roda de conversa estarão disponíveis no canal do Espaço do Conhecimento UFMG no Youtube pelo link www.youtube.com/espacoufmg.

A produção

 

Sobre a parte técnica, o diretor Maurício Gino explica que para a produção de algumas imagens de "Inconfidências" foi usada uma lente olho de peixe, que dão o formato arredondado ao vídeo. As demais foram feitas com câmera 360 e objetivas normais. Como na sequência de fotos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo.
 
 
Foto: Valéria Amorim

O vídeo contou com a colaboração da fotógrafa Valéria Amorim que acompanhou por anos o desastre da Samarco e cedeu as fotos de seu trabalho. A equipe de Audiovisual do Espaço do Conhecimento UFMG fez a adaptação para fulldome. De acordo com o diretor, a escolha desse formato foi para que o filme seja veiculado em telas hemisféricas como a do Planetário do Espaço do Conhecimento UFMG.

Com o distanciamento social imposto pela pandemia de Covid-19, o vídeo precisou ser adaptado para a mídia plana. "Assumimos a deformidade da imagem, necessária ao planetário, mas por outro lado pudemos trabalhar com a textura da tela plana e inserimos uma janela com interpretação em Libras, o que não tem na versão do planetário", explicou Maurício Gino.
 


A produção começou no segundo semestre de 2019 com a gravação dos depoimentos dos entrevistados. O cronograma previa a gravação das imagens de cobertura de diversas localidades do Estado em janeiro e fevereiro de 2020, com o lançamento do vídeo no final de março. As fortes chuvas no início do ano atrasaram as expedições. 
 
Mas foi a pandemia que mais dificultou a produção, adiando a estreia no planetário neste ano. "Por outro lado, foi um desafio para que pudéssemos editar com as imagens que tínhamos em mãos e nos instigou a pensar em alternativas ao lançamento do filme no planetário, que está fechado em decorrência das medidas sanitárias. Essa versão para qual pensamos o filme será lançada quando possível, e contribui para a imersão do espectador não apenas no tema do documentário, como também nas diversas paisagens representadas”, concluiu o diretor.
 

O vídeo contou com o apoio do Sindicato dos Professores de Universidades Federais (APUBH-UFMG), por meio do Edital Arte e Cultura, e foi produzido no Espaço do Conhecimento UFMG para veiculação no Planetário do Museu.
 


Tags: #Inconfidencias, #EspaçoConhecimentoUFMG, #mineração, #MinasGerais, #BentoRodrigues, #planetário, #ValériaAmorim, #MauricioGino, #EscolaDeBelasArtesUFMG, @cinemanoescurinho