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29 outubro 2026

“O Bosque Selvagem”: uma animação mágica que encanta, assusta e emociona

Stop-motion levou cinco anos para ser criado e pode ser um dos favoritos na disputa por um Oscar em 2027 (Fotos: Laika Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Prepare-se para uma produção fora do convencional, inteiramente em stop-motion, que impressiona pelo cuidado com cada detalhe e merece figurar entre as melhores animações dos últimos anos. Não por acaso, o filme alcançou 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. 

Estou falando de “O Bosque Selvagem” ("Wildwood"), o projeto mais ambicioso da Laika Studios que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, com distribuição da Imagem Filmes.

A animação surpreende pela criação minuciosa dos personagens, montados e fotografados quadro a quadro, e pelas cenas que encantam o espectador, mas também provocam medo e desconforto pela violência. 

Apesar de muito colorido e de apresentar um roteiro impecável, especialmente para o público adulto, o longa tem uma atmosfera sombria, com cenas envolvendo suicídio, imagens sangrentas e guerra, além de linguagem imprópria. Por isso, é indicado para maiores de 14 anos.


Mas “O Bosque Selvagem” vai muito além da aventura fantástica. É uma história sobre perdas: de um filho, de um irmão, das terras, da dignidade e até do respeito ao coletivo. A trama também encontra espaço para criticar a morosidade da burocracia, que tantas vezes atrasa a vida dos cidadãos sem oferecer soluções para seus problemas. 

A abordagem ganha profundidade ao explorar o luto, o amor materno e os laços familiares, além da luta para proteger a terra deixada pelos ancestrais.

Na cidade de Portland, no estado de Oregon (EUA), os moradores não se arriscam a entrar no misterioso Bosque Impassável, escondido além da ponte que liga a cidade à floresta. Durante um passeio de bicicleta com o irmãozinho Mac, a adolescente Prue McKeel (voz original de Peyton Elizabeth Lee e dublagem brasileira de Giulia Benite) vê o bebê ser levado por uma revoada de corvos comandados por uma feiticeira.


Desesperada para resgatar o irmão, Prue precisa enfrentar um lugar sobre o qual conhece apenas dos avisos do pai, que sempre a proibiu de se aproximar dali. 

Nessa jornada, ela conta com a companhia do amigo Curtis Mehlberg (voz original de Jacob Tremblay e dublagem brasileira de Pedro Burgarelli), um garoto tímido que gosta dela e sonha em se tornar um guerreiro para proteger a si mesmo e a pessoa amada.

Na mata sombria, os dois descobrem um mundo mágico, habitado por animais falantes, bandidos e figuras poderosas e cruéis. Seus habitantes vivem amedrontados, especialmente diante do exército de lobos comandado pela feiticeira Alexandra (Carey Mulligan), conhecida como a “Viúva do Governador”. Consumida pela vingança, ela também carrega a dor de ter perdido o filho.


Prue e Curtis enfrentam inúmeras aventuras e precisam conquistar a confiança dos habitantes da floresta, além de contar com a ajuda de seus anciãos e com os poderes da própria mata. 

A história reúne ainda um elenco de vozes de peso, com nomes como Mahershala Ali, Awkwafina, Angela Bassett, Jake Johnson e Charlie Day, entre outros.

Os números do stop-motion 

Segundo a produtora, o longa levou cinco anos para ser criado, em razão do delicado trabalho artesanal, realizado sem a utilização de inteligência artificial. 

Embora tenha recorrido à computação gráfica (CGI) para o acabamento visual, a animação foi construída a partir da técnica stop-motion, com personagens e cenários físicos fotografados quadro a quadro. 


Os números impressionam: foram mais de 1.155 dias de trabalho, do início à conclusão da produção, que chegou à versão final com 2.804 planos. As gravações aconteceram em 132 cenários práticos, construídos em 117 locações distintas. 

Cada personagem principal recebe um rosto único para cada quadro de animação, o equivalente a 24 rostos por segundo de filme, e cada um deles é preservado no acervo da Laika como uma obra de arte individual.

Os 142.030 rostos substituíveis criados para a animação eram trocados constantemente para transmitir as emoções dos 233 bonecos com o máximo de expressividade e naturalidade.

Para entender a escala de "O Bosque Selvagem":
  • Recorde no stop-motion: uma única cena exigiu 1.124 rostos substituíveis, 555 para Prue e 569 para Curtis. Segundo a Laika, é o maior número já usado em um único plano na história da técnica;
  • Lágrimas: 67 planos mostram lágrimas visíveis, mais de dez vezes o recorde anterior do estúdio, que pertencia a Os Boxtrolls, com apenas seis;

Galeria da preparação do filme

O Bosque Selvagem
  • Do minúsculo ao gigante: o menor boneco, a Mini Septima, tem apenas 4,1 cm de altura. O maior, a General, mede 86 cm do bico à cauda e tem 1,63 m de envergadura, a altura de um adulto;
  • Pena por pena: cada boneco da General carrega 3.794 penas colocadas individualmente;
  • Uma floresta feita à mão: 728 árvores artesanais representam dez espécies do noroeste do Pacífico. A armação mais alta chega a 5,72 m, quase a altura de um sobrado;
  • Do tamanho de dois campos de futebol: as filmagens ocuparam 112 palcos, em uma área de mais de 14.400 m²;
  • De São Paulo a Brasília em arame: a produção usou cerca de 1.151 km de arame de latão, mais que a distância rodoviária entre as duas cidades. Todo o material foi reciclado ao fim das filmagens.

“O Bosque Selvagem” é baseado no livro homônimo escrito por Colin Meloy (vocalista da banda The Decemberists), com ilustrações de sua companheira, Carson Ellis. A obra se tornou um best-seller do The New York Times em 2014. Foi nessa época que o diretor do filme conheceu o casal e se encantou com a história.

A adaptação para o cinema só começou a ganhar forma em 2021, com a participação de Chris Butler no roteiro. Ele também dirigiu “Link Perdido”, produção da Laika Studios vencedora do Globo de Ouro de 2019, disponível no Disney+.


O estúdio é responsável ainda por excelentes animações como “Coraline e o Mundo Secreto” (2009) e “Kubo e as Cordas Mágicas” (2016), esta última também dirigida por Travis Knight. Ambos estão disponíveis nas plataformas Amazon Prime Video, YouTube, Apple TV e Google Play Filmes.

Entre os animadores do stop-motion está o mineiro Thiago Calçado, de Uberaba, que já havia trabalhado com Travis Knight em “Kubo e as Cordas Mágicas” e também foi animador sênior de "Pinóquio", de Guillermo del Toro (2022), vencedor do Oscar de Melhor Animação, e Marcelo Amp, especialista em moldagem e fundição de silicone.

Saiba Mais

Uma obra para sentir

“O Bosque Selvagem” é lindo, mágico e arrebatador. Encanta e choca, provoca espanto e arranca lágrimas. É uma obra em que todos os envolvidos na criação conseguiram transformar bonecos, cenários e movimentos minuciosamente planejados em sentimentos humanos verdadeiros, tratados com força e sensibilidade.

Saí da sessão encantada com a beleza e a criatividade da animação, mas também profundamente tocada pelas dores, pelos afetos e pelas perdas que ela retrata. É impressionante como uma história fantástica, construída quadro a quadro, consegue falar de sentimentos tão reais e universais.

Uma das melhores produções do ano e uma das melhores que assisti nos últimos tempos. O filme foge dos padrões, emociona sem subestimar o espectador e permanece na memória depois que as luzes da sala se acendem. Merece, sem dúvida, disputar — e ganhar — o Oscar de Melhor Animação em 2027.


Ficha técnica:
Direção: Travis Knight
Roteiro: Chris Butler
Produção: Estúdios Laika
Distribuição: Imagem Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h12
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: animação, drama, aventura
Nota: 5 (0 a 5)

28 setembro 2026

“A Queda 2” desafia a gravidade — e a paciência do espectador

Dupla de amigas se aventura em atravessar uma perigosa passarela suspensa na Tailândia a 3 mil
metros de altitude (Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas

 
Apesar de ser angustiante do início ao fim, o que incomoda mesmo em “A Queda 2: No Limite” (“Fall 2: Deadpoint”) são as decisões estúpidas quando o assunto é correr riscos desnecessários por motivações pessoais. Continuação de “A Queda”, de 2022, o longa aposta novamente em situações extremas, mas exagera na dose ao construir suas personagens.

Assim como no primeiro filme, Jonathan Frank e Scott Mann assinam o roteiro, enquanto a direção desta vez fica por conta dos irmãos Michael e Peter Spierig. A estreia está prevista para esta quinta-feira nos cinemas, com distribuição da Paris Filmes.


As cenas de perigo, favorecidas por uma ótima fotografia, são tão tensas que chegam a dar “gastura” e revolta em quem está assistindo. Impossível não se perguntar como alguém se propõe a entrar em uma aventura como esta. No caso deste longa, assim como no anterior, eu chamaria de burrice.

Jax Hunter (Harriet Slater) está de luto pela morte da irmã Shiloh, personagem do primeiro filme. Apesar de ser uma jovem que não gosta de se arriscar, ela se une a Luce (Arsema Thomas), uma antiga amiga da irmã, para atravessar a perigosa passarela suspensa do Monte Kwan, na Tailândia. 

O objetivo é chegar até uma estátua de dragão cuja lenda diz ser capaz de devorar os medos de quem a encontra.


O problema é que a dupla acaba presa em uma estreita prancha, a mais de 3 mil metros de altitude, após um deslizamento de rochas. Separadas de seu guia, o misterioso Jon (Tom Brittney), resta a Jax enfrentar seus medos para sobreviver e ajudar a amiga.

As decisões e atitudes da dupla amadora aventureira beiram o absurdo. Por mais que sejam alertadas, elas insistem em continuar a jornada insana. 

Em alguns momentos, chega a dar raiva das protagonistas. E os roteiristas ainda deixam de lado questões básicas, as jovens não sentem fome, sede e cansaço, mesmo depois de três dias penduradas na montanha.


Pelo contrário, elas ainda encontram forças — e põe força nisso — para fazer malabarismos a 3 mil metros de altitude. Também conseguem dormir tranquilamente em uma prancha de uns 50 centímetros de largura (estou chutando o tamanho). Os roteiristas exageraram na dose.

Há ainda uma cena de Jax na ponte, nos momentos finais do filme, que os diretores simplesmente eliminaram e que poderia ter sido bem explorada. De repente, a protagonista já está em outro cenário, deixando para o espectador imaginar o que aconteceu.



Em compensação, os cenários abertos são muito bem explorados pela fotografia, assim como o som, especialmente o das rochas caindo, da prancha ruindo e das correntes se movimentando. Ponto positivo também para as atuações de Harriet Slater e Arsema Thomas. Já Tom Brittney entrega um papel bem canastrão.

“A Queda 2: No Limite”, no fim, é uma repetição de seu antecessor, com mais efeitos gráficos e decisões ainda mais irritantes. E, para completar, o final já abre caminho para um terceiro longa-metragem. Aguardemos. Tomara que seja melhor e consiga recuperar a força do primeiro.


Ficha técnica:
Direção:
Michael e Peter Spierig
Roteiro: Jonathan Frank e Scott Mann
Produção: Capston Pictures e Frawless
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h40
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, ação, aventura

17 setembro 2026

"One Piece: O Grande Pirata do Ouro": o maior tesouro não está no baú

Anime é uma aventura complementar dentro da franquia, pela primeira vez com versão dublada em
português (Fotos: Paris Filmes)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Depois do sucesso da série na Netflix, os piratas mais loucos do anime chegam dia 24 aos cinemas. "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" ou "One Piece: O Filme", como também está sendo chamado, funciona praticamente como uma aventura complementar dentro da franquia, que não exige conhecimento da extensa cronologia.

Com versão inédita dublada em português, direção de Junji Shimizu e distribuição da Paris Filmes, não é preciso encarar mais de mil episódios da série ou conhecer a produção para acompanhar a história. Basta gostar de anime, piratas e aventura. E conferir a crítica da série no @cinemanoescurinho clicando no link https://tinyurl.com/yfsj88md


A trama parte da lenda de Woonan, um pirata que teria desaparecido levando consigo um terço de todo o ouro do mundo e escondendo o tesouro em uma ilha misteriosa. 

Anos depois, Luffy e sua tripulação entram nessa busca e acabam enfrentando Eldrago, um pirata que também deseja encontrar a fortuna e possui os poderes de uma Akuma no Mi (fruta sobrenatural do anime e mangá), capazes de transformar sua voz em ondas ultrassônicas.

O tesouro, porém, é apenas a superfície da história. Woonan funciona como uma figura lendária, semelhante ao próprio Gol D. Roger, mostrando como alguém pode continuar influenciando outras pessoas mesmo depois de desaparecer. 


A diferença está no que cada personagem faz com aquilo que recebe como legado. Woonan e Ganzo seguiram caminhos diferentes, e suas escolhas ajudam a mostrar que identidade não nasce pronta: ela também é construída pelas experiências, pelos vínculos e pelas decisões que tomamos.

Essa discussão ganha mais força através de Tobio. O menino possui uma relação de avô e neto com Ganzo e encontra nessa convivência uma referência de afeto, cuidado e família. Ao mesmo tempo, busca entender qual é o seu lugar no mundo. 

É justamente aí que o filme encontra seu ponto mais interessante: pertencimento não depende do lugar onde nascemos nem do que conseguimos possuir, mas das relações que construímos. Tobio não precisa do ouro de Woonan para saber quem é. Precisa sentir que pertence a algum lugar e que existe alguém disposto a caminhar ao seu lado.


A estrutura mais curta faz com que "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" não tenha ação o tempo inteiro. As principais sequências acontecem no início e próximo ao final, enquanto boa parte da narrativa se dedica a apresentar a lenda e seus personagens. 

Para quem espera uma aventura acelerada, isso pode causar certa estranheza. Por outro lado, permite que a história trabalhe melhor temas como memória, legado e identidade.

O problema está justamente em alguns personagens que poderiam receber mais atenção. Eldrago é um vilão funcional, mas pouco desenvolvido. Sua obsessão pelo ouro e pelo poder aparece de maneira rápida, sem que o roteiro consiga explorar o que existe por trás dessa ambição. 


A luta contra Luffy, entretanto, compensa parte dessa fragilidade e ganha força nas sequências de ação, especialmente quando projetadas na tela grande.

No fim, "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" está menos interessado no ouro do que parece. Woonan representa o legado de uma lenda; Ganzo, as consequências das escolhas; e Tobio, a necessidade de encontrar um lugar e pessoas que dêem sentido à própria existência. 

É uma aventura curta, divertida e acessível, que pode funcionar tanto para fãs da franquia quanto para quem está chegando agora. Porque, no fim das contas, talvez o maior tesouro de "One Piece" seja descobrir quem somos, de onde viemos e, principalmente, com quem queremos compartilhar a nossa jornada.


Mais novidades

Lançado originalmente em 2000 no Japão, “One Piece: O Grande Pirata do Ouro” é o primeiro longa-metragem animado da franquia dublado em português. A parceria entre a Paris Filme e a Toei Animation, produtora da série, prevê a exibição de outros dois nos cinemas ainda em 2026. 

Os próximos serão "One Piece: Aventura na Ilha Espiral", dia 22 de outubro, e "One Piece: O Reino de Chopper na Ilha dos Animais Estranhos", em 3 de dezembro. Em seguida, os três serão incorporados ao catálogo da Netflix.


Ficha técnica:
Direção: Junji Shimizu
Produção: Toei Animation
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 51 minutos
Classificação: 12 anos
País: Japão
Gêneros: animação, aventura, ação

10 setembro 2026

"Homem-Aranha: Um Novo Dia" coloca Peter Parker diante do seu maior inimigo: a solidão

Quarto filme do super-herói amplia as conexões do personagem com outros núcleos do Universo Cinematográfico Marvel (Fotos: Sony Pictures)
 
 

Maristela Bretas


Em “Homem-Aranha: Um Novo Dia” (“Spider-Man: Brand New Day”), em cartaz nos cinemas, sob a direção de Destin Daniel Cretton, encontramos o Amigo da Vizinhança vivendo integralmente para defender Nova York. 

Quatro anos depois dos acontecimentos de “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021), ninguém mais se lembra que ele é Peter Parker (novamente vivido por Tom Holland) — nem mesmo aqueles que mais amava.

Mas o pior para o super-herói é acompanhar de longe a vida da amada MJ (Zendaya) e do melhor amigo Ned Leeds (Jacob Batalon), que também não se lembram dele. 


Peter, agora adulto e mais maduro, tornou-se um Homem-Aranha mais experiente, sem perder o carisma e o jeito doce de bom menino que sempre o diferenciaram dos demais Vingadores.

Direcionando toda sua energia para o combate ao crime, ele passa a trabalhar ao lado da polícia e da detetive Jean DeWolff (Liza Colón-Zayas). A solidão e o afastamento das pessoas que ama, porém, começam a cobrar um preço alto.

O corpo e a mente do Homem-Aranha sofrem transformações que aumentam seus poderes, mas também provocam alterações de comportamento e agressividade, colocando em risco quem está ao seu redor. 


Tudo se complica com o surgimento de uma nova ameaça, capaz de controlar a mente das pessoas. É Jean Grey (Sadie Sink, de “Stranger Things”), uma jovem mutante com poderes que ainda não faz parte dos X-Men e sequer teve contato com o Professor Charles Xavier. 

Após um trauma familiar, ela procura respostas e acaba se tornando uma das adversárias mais perigosas já enfrentadas pelo herói.

Esse é um dos pontos positivos de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”: o filme amplia as conexões do personagem com outros núcleos do Universo Cinematográfico Marvel. 
                      

Ao lado do Teioso aparecem Frank Castle, o Justiceiro (Jon Bernthal), Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) e Yelena Belova/Viúva Negra (Florence Pugh), que acabam se tornando importantes aliados na batalha. 

O encontro com o Justiceiro, principalmente, dá ao longa um tom mais urbano e próximo das histórias de crime que fazem parte da origem do personagem nos quadrinhos.

No elenco também estão nomes conhecidos da franquia, como Marisa Tomei, novamente como tia May; Michael Mando, como Mac Gargan/Escorpião; e Tramell Tillman, como Bill Metzger, ligado ao Departamento de Controle de Danos. 



A trilha sonora é outro destaque. Michael Giacchino, responsável pelas partituras dos três filmes anteriores de Tom Holland como Homem-Aranha, retorna com uma composição que acompanha tanto a ação quanto o momento mais solitário de Peter. 

As músicas escolhidas ajudam a criar uma identidade mais urbana e contemporânea para o longa, com nomes como Tame Impala, Bad Bunny, TV on the Radio, Chaka Khan, Cannons e Steve Lacy.

Mais que um filme de super-herói, com teias, explosões, lutas, perseguições pelas ruas de Nova York e acrobacias no ar, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” aposta no amadurecimento de Peter Parker e nas consequências de sua escolha de dedicar a vida ao combate ao crime. 


O personagem ganhou experiência, força e confiança como Homem-Aranha, mas perdeu justamente aquilo que fazia sua vida como Peter Parker valer a pena.

Em nenhum dos filmes anteriores do personagem a ideia de que "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades" parece tão presente quanto aqui. 

Peter precisa entender que ser herói não significa abrir mão de tudo que o torna humano. Por trás da máscara ainda existe um homem que sente falta de ter amigos, de amar e de ser lembrado.


E é justamente aí que Tom Holland encontra um dos melhores momentos de sua atuação como Peter Parker. Mais solitário, cansado e emocionalmente machucado, ele mostra um herói que já não precisa aprender a balançar entre os prédios, mas ainda necessita descobrir como viver sem as pessoas que perdeu. O Homem-Aranha está mais forte. Peter Parker, nem tanto.

Mesmo sabendo que não pode simplesmente voltar ao passado, o público torce para que Peter encontre novamente seu caminho até MJ e consiga recuperar a amizade com Ned. Afinal, o Homem-Aranha pode viver sozinho por algum tempo, mas Peter Parker não precisa — e talvez nem consiga — continuar assim.


Como toda boa franquia que ainda movimenta multidões, o filme deixa portas abertas para novas aventuras. Até o momento, o longa arrecadou mundialmente mais de US$ 2,4 bilhões, tornando-se a terceira maior bilheteria da história do cinema. 

A cena pós-créditos reforça a promessa de que o Homem-Aranha voltará, enquanto a presença de personagens como a Viúva Negra, Hulk, Justiceiro e Jean Grey amplia ainda mais as possibilidades para o futuro do Universo Marvel.  

O longa também prepara terreno para acontecimentos maiores, como “Vingadores: Doomsday”, com estreia em dezembro de 2026, e “Vingadores: Guerras Secretas”, previsto para dezembro de 2027. Jean Grey ainda terá participação no novo filme dos X-Men, que deverá estrear em 2028.



No fim, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” entrega aquilo que os fãs esperam — ação, humor, referências aos quadrinhos e grandes encontros —, mas ganha força justamente quando deixa as explosões de lado para mostrar a solidão de Peter. 

Porque, antes de ser um dos maiores heróis da Marvel, ele continua sendo um garoto que queria fazer a coisa certa.

Talvez esse seja o verdadeiro “novo dia” do título: não o nascimento de um novo Homem-Aranha, mas o começo de uma nova fase para Peter Parker, que finalmente precisa aprender que salvar o mundo não significa necessariamente abrir mão de ter uma vida. 

Para quem ainda não assistiu, este é um dos melhores filmes da franquia atual.


Ficha técnica:
Direção: Destin Daniel Cretton
Roteiro: Chris McKenna e Erik Sommers
Produção: Columbia Pictures, Sony Pictures Marvel Studios
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h30
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura

30 julho 2026

Maratona "Toy Story 2" — O que importa é ser um brinquedo amado por uma criança

Continuação apresentou melhorias significativas na qualidade da animação, especialmente nas texturas, expressões faciais e movimentação dos personagens  (Fotos: Pixar) 
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Sequência direta do primeiro filme, "Toy Story 2" chegou aos cinemas em 1999 com a difícil missão de manter a essência do original, explorando o que significa ser um brinquedo por meio da amizade entre Buzz Lightyear e Woody (novamente dublados por Tim Allen e Tom Hanks), ao mesmo tempo em que expande esse universo com uma nova história. 

Com um orçamento de US$ 90 milhões e uma bilheteria mundial de US$ 511,3 milhões, tornou-se a terceira maior arrecadação daquele ano e mais um grande sucesso comercial da Pixar.

A história gira em torno da descoberta de Woody sobre seu passado como estrela de um antigo programa de TV. Ao conhecer Jessie (voz de Joan Cusack), o cavalo Bala no Alvo (efeitos vocais de Frank Welker) e Pete Fedido (Kelsey Grammer), ele passa a questionar se deve permanecer ao lado de Andy e dos velhos amigos ou viver para sempre em um museu. 

Enquanto isso, Buzz e seus amigos embarcam em uma missão para resgatá-lo, invertendo a dinâmica do filme original. Lançada quatro anos após "Toy Story", a continuação apresentou melhorias significativas na qualidade da animação, especialmente nas texturas, iluminação, expressões faciais e movimentação dos personagens. 


Os cenários ficaram mais detalhados e a equipe conseguiu criar sequências mais complexas e dinâmicas, como a perseguição na loja Al's Toy Barn e a emocionante cena no aeroporto. O filme também demonstrou a evolução do RenderMan, software de renderização da Pixar que permitiu imagens mais sofisticadas e maior liberdade criativa para os animadores.

A qualidade técnica e narrativa da produção foi reconhecida com diversas premiações. "Toy Story 2" venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia em 2000 e conquistou vários Annie Awards, considerados os principais prêmios da indústria da animação. Vale lembrar que, naquela época, a categoria de Melhor Filme de Animação ainda não existia, sendo criada apenas alguns anos depois.

O grande mérito da continuação está na introdução de personagens carismáticos como Jessie, Bala no Alvo e Pete Fedido, ao mesmo tempo em que aprofunda a trajetória de Woody. 


O filme questiona o verdadeiro propósito de um brinquedo: ser preservado para sempre como peça de museu ou viver sua existência sendo amado por uma criança. Essa reflexão dá a narrativa uma maturidade emocional que vai muito além da aventura.

Outra novidade está na forma como o longa brinca com referências da cultura pop. A mais famosa delas envolve Buzz Lightyear e Zurg (Andrew Stanton). Durante o resgate de Woody, Buzz encontra seu maior inimigo e os dois recriam uma das cenas mais icônicas da história do cinema. 

Em uma clara homenagem a "Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca", Zurg revela a Buzz: "Eu sou seu pai". A piada funciona porque Buzz foi inspirado nos heróis das aventuras espaciais que marcaram as décadas de 1970 e 1980.


O filme também ri de si mesmo quando Buzz encontra uma fileira de outros Buzz Lightyear na loja de brinquedos. A cena satiriza a crise de identidade do primeiro filme ao mostrar que ele acreditava ser único quando, na verdade, era apenas mais um brinquedo produzido em massa. 

A brincadeira ganha força com a entrada de um astronauta semelhante na missão de resgate, criando situações divertidas e reforçando a confusão de identidades.

Um dos temas mais fortes de "Toy Story 2" é a busca por pertencimento e identidade. Diferentemente do primeiro filme, que explorava principalmente a amizade entre Woody e Buzz, a continuação questiona quem os brinquedos são e qual é seu verdadeiro propósito.

Agora amigos, eles não estão mais em conflito. A relação entre os dois amadureceu e serve como base para a narrativa. Enquanto o astronauta lidera a missão para resgatar o caubói, este passa por uma jornada interna ao descobrir que faz parte do antigo programa de televisão, "Woody's Roundup". 


Pela primeira vez, ele percebe que é mais do que o brinquedo favorito de Andy: é uma peça rara, com uma história e um legado próprios. É nesse momento que entram os novos personagens. Jessie carrega as marcas de ter sido abandonada por sua antiga dona e acredita que criar laços com crianças inevitavelmente leva ao sofrimento. Bala no Alvo demonstra uma lealdade incondicional a Woody, reforçando a ideia de pertencimento através dos vínculos. 

Já Pete Fedido representa o extremo oposto: por nunca ter sido escolhido por uma criança, acredita que o melhor destino para um brinquedo é ficar protegido em um museu, onde jamais será esquecido ou descartado.

A partir dessas diferentes perspectivas, Woody é colocado diante de uma escolha difícil. De um lado, a possibilidade de viver para sempre em um museu, sendo admirado e preservado como uma peça histórica. Do outro, continuar ao lado de Andy, sabendo que um dia será deixado para trás quando seu dono crescer.


A trilha sonora ficou novamente a cargo de Randy Newman, que ampliou os temas musicais apresentados no primeiro filme e ajudou a dar uma identidade emocional ainda mais forte à continuação. 

O grande destaque é a canção "When She Loved Me", interpretada por Sarah McLachlan, que recebeu indicação ao Oscar de Melhor Canção Original. A música acompanha a história de Jessie e se tornou uma das cenas mais emocionantes da história da animação, abordando sentimentos como abandono, saudade e passagem do tempo. A trilha também conta com novas versões de "You've Got a Friend in Me" e músicas inspiradas no universo de Woody's Roundup.

O que deixa a desejar é que a trama repete parte da estrutura do primeiro filme, com Woody novamente separado dos demais brinquedos e Buzz assumindo a liderança de uma missão de resgate. 

Além disso, personagens já conhecidos, como Rex (Wallace Shawn), Slinky (Jim Varney), Porquinho (John Ratzenberger) e Betty (Annie Potts), recebem pouco desenvolvimento, ficando em segundo plano para dar espaço aos novos integrantes da história. 


No fim, a mensagem é simples e poderosa: Woody descobre que ser um cowboy famoso, raro ou valioso não importa tanto quanto aquilo que sempre deu sentido à sua existência: brincar, criar memórias e fazer parte da vida de uma criança. Nenhuma coleção, museu ou reconhecimento pode substituir o sentimento de ser amado por seu dono.

É justamente nessa escolha que "Toy Story 2" encontra sua força emocional e se consolida como uma das melhores continuações da história da animação. Saiba mais sobre os outros filmes da franquia que estão disponíveis no Disney Plus clicando nos links: "Toy Story" (1995), "Toy Story 3" (2010), "Toy Story 4" (2019) e o mais recente, ainda no cinema, "Toy Story 5".


Ficha técnica:
Direção: John Lasseter, Ash Brannon, Lee Unkrich
Produção: Pixar Animation Studio
Distribuição: Buena Vista Pictures Distribution
Exibição: Disney+
Duração: 1h32
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, comédia, infantil

29 julho 2026

Maratona - "Toy Story": o que importa é ser brinquedo e compartilhar

Obra apresentou ao mundo uma nova forma de contar histórias animadas, ajudando a redefinir os rumos
deste gênero no cinema (Fotos: Pixar)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Quem diria que uma história protagonizada por brinquedos poderia se transformar em um fenômeno de público e crítica? Lançado em 1995, "Toy Story - Um Mundo de Aventuras" não apenas conquistou espectadores de todas as idades, como também marcou definitivamente a história do cinema.

Levando cerca de quatro anos para ser produzido foi o primeiro longa-metragem da Pixar e também a primeira animação da história inteiramente realizada por computação gráfica (CGI).
 
Sob a direção de John Lasseter e com roteiro assinado por Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen, Pete Docter e Alec Sokolow, a obra apresentou ao mundo uma nova forma de contar histórias animadas, ajudando a redefinir os rumos deste gênero no cinema.


Por trás desse avanço artístico, havia também uma base científica fundamental. Nomes como Ed Catmull e Alvy Ray Smith, cofundadores da Pixar Animation Studios, foram essenciais nesse processo. 

Catmull, especialista em computação gráfica, ajudou a desenvolver e aprimorar sistemas de imagem digital e a estruturar o pipeline de produção 3D que tornou o filme possível. 

Já Alvy Ray Smith contribuiu com fundamentos matemáticos e visuais que permitiram a criação de imagens digitais consistentes em larga escala. Sem esse tipo de engenharia, "Toy Story" simplesmente não existiria.

O resultado foi um sucesso imediato. Com um orçamento considerado modesto para os padrões de Hollywood — cerca de US$ 30 milhões — o filme arrecadou impressionantes US$ 394,4 milhões nas bilheterias mundiais. O desempenho consolidou o estúdio como uma das maiores forças da animação e abriu caminho para uma nova era do cinema animado.


Na história, o cowboy Woody (voz de Tom Hanks) é o brinquedo favorito de Andy e o líder entre os brinquedos do quarto. Sua rotina muda completamente quando Buzz Lightyear (Tim Allen), um moderno patrulheiro espacial, chega como presente de aniversário. 

O que começa como rivalidade logo se transforma em uma grande aventura, cheia de perigos, descobertas e amizade, enquanto tentam encontrar o caminho de volta para casa. 

No meio da jornada, eles cruzam com Sid (Erik von Detten), o vizinho de Andy, um garoto que desmonta brinquedos e cria invenções estranhas com suas peças. Presos na casa do destruidor, Woody e Buzz precisam encontrar uma forma de escapar antes que seja tarde demais.


O grande mote do longa está justamente na relação entre Woody e Buzz. Acostumado a ser o brinquedo favorito de Andy, o cowboy vê a chegada do astronauta como uma ameaça e faz de tudo para afastá-lo, chegando a provocar a queda dele pela janela. 

A atitude de Woody provoca revolta nos outros brinquedos, que passam a condená-lo pelo ocorrido. A partir daí, os dois são forçados a conviver e a enfrentar seus conflitos.

Existe aqui um interessante contraste entre gerações. Woody representa os brinquedos tradicionais, ligados ao Velho Oeste e a uma ideia mais artesanal de diversão. Já Buzz simboliza a modernidade, a tecnologia e o fascínio infantil por aventuras espaciais.


Esse choque fica ainda mais evidente na forma como Buzz acredita ser, de fato, um patrulheiro espacial, incapaz de aceitar sua condição de brinquedo.

É nesse ponto que surge uma das subtramas mais fortes do filme. Enquanto Woody insiste repetidamente em afirmar para Buzz “você é um brinquedo”, o astronauta luta para sustentar sua fantasia de missão espacial. O momento em que tenta voar para escapar da casa de Sid é o ponto de virada emocional da narrativa. 

Ao som de “I Will Go Sailing No More”, ele finalmente confronta a realidade e compreende que não é um herói espacial e sim mais uma das diversões de Andy. É uma cena melancólica e surpreendentemente madura para uma animação infantil, tratando identidade, aceitação e propósito com rara sensibilidade.


A partir desse conflito, "Toy Story" revela seu tema mais profundo: pertencimento e identidade. Esses dois conceitos não aparecem de forma abstrata, mas como experiências vividas dentro da própria dinâmica do grupo dos brinquedos. 

O filme constrói isso de maneira simples e precisa: quem pertence ao grupo nem sempre se sente pertencente, e quem é aceito pelo grupo nem sempre se reconhece dentro dele.

Woody é o principal exemplo dessa tensão. No início, ocupa uma posição de estabilidade como líder e brinquedo favorito de Andy. Existem harmonia e reconhecimento naquele universo. Porém, a chegada de Buzz desestabiliza essa estrutura. 

Depois do conflito com a queda do astronauta, Woody passa a ser visto com desconfiança pelos outros brinquedos. Ele continua fisicamente dentro do grupo, mas perde o reconhecimento emocional. Está presente, mas já não pertence plenamente. Esse deslocamento mostra que pertencimento não é automático: ele depende de confiança, validação e reconhecimento coletivo.


Buzz, por outro lado, vive o movimento inverso. Ele chega como um estranho, mas é rapidamente aceito pelos outros brinquedos. Sua aceitação, porém, não se baseia em quem ele realmente é, mas na imagem que representa: um brinquedo avançado e admirável. Ou seja, ele pertence ao grupo sem compreender esse pertencimento.

O astronauta vive uma crise de identidade, não se vê como brinquedo, mas como um patrulheiro espacial em missão. Isso cria uma ironia central: ele é aceito por todos, mas não se reconhece e vai precisar se desconstruir até que aceite sua realidade.

No fundo, "Toy Story" fala de algo profundamente humano: não basta fazer parte de um grupo para se sentir pertencente, e não basta ser reconhecido pelos outros para compreender a si mesmo. 


É nesse encontro entre perda de lugar e descoberta de si que o filme encontra sua força emocional mais profunda — e é aí que deixa de ser apenas um marco tecnológico para se tornar uma história sobre o que significa existir dentro de um mundo que também precisa te reconhecer.

Mas a conclusão dessa jornada vai além da identidade individual. O que "Toy Story" realmente revela é que o pertencimento só se completa quando existe aceitação — de si e do outro. É nesse ponto que Woody e Buzz deixam de ser apenas opostos e passam a ser parceiros.

Se no início representam choque de gerações, egos e visões de mundo, ao longo da narrativa constroem algo mais forte do que suas diferenças: uma amizade baseada na transformação mútua. 

Woody aprende a dividir espaço, perder o controle e reconhecer o valor do outro. Buzz, por sua vez, aprende a se aceitar sem abrir mão da coragem e do sentido de propósito que o define.


Não se trata apenas de estar no mesmo lugar, mas de construir um lugar em conjunto. A canção “Amigo Estou Aqui” sintetiza essa virada emocional de forma definitiva. 

Mais do que um tema musical, ela traduz apoio, presença e permanência mesmo diante das diferenças. Woody e Buzz descobrem que a força não está em competir por atenção, mas em caminhar lado a lado.

No fim, "Toy Story" não fala apenas sobre brinquedos de uma criança. Fala sobre vínculos que se formam quando dois mundos diferentes aprendem a coexistir, se transformar e se reconhecer. E é aí que tudo se fecha com simplicidade e força: amizade é quando o outro deixa de ser ameaça — e passa a ser parte de quem você é. 

Saiba mais sobre os outros filmes da franquia que estão disponíveis no Disney Plus clicando nos links: "Toy Story 2" (1999), "Toy Story 3" (2010), "Toy Story 4" (2019) e o mais recente, ainda no cinema, "Toy Story 5".


Ficha técnica:
Direção: John Lasseter
Produção: Pixar Animation Studio
Distribuição: Buena Vista Pictures Distribution
Exibição: Disney+
Duração: 1h17
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, comédia, infantil