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21 abril 2026

“Michael” acerta ao transformar espetáculo em emoção

Jaafar Jackson entrega a grande aposta do filme ao interpretar o tio com precisão (Fotos: Universal Pictures)
 
 

Robhson Abreu e Maristela Bretas
Parceiro da Revista PQN, Jornal de Belô e Bloco de Belô


Há filmes que procuram apenas contar uma história. Outros tentam reconstruir um mito. "Michael", no entanto, vai além dessas missões. O longa, dirigido por Antoine Fuqua (responsável por sucessos como a trilogia "O Protetor" 2014, 2018 e 2023 e "Sete Homens e um Destino" - 2016), estreou nesta terça-feira (21) nos cinemas brasileiros e mira no centro de uma das figuras mais complexas e influentes da cultura pop. 

O que se vê é uma tentativa de devolver a Michael Jackson aquilo que o tempo, a fama e o próprio excesso de reverência muitas vezes lhe roubaram, sua dimensão humana. E é aí que o filme encontra sua força mais rara. Não apenas no brilho do ícone, mas na dor, na solidão e na pulsação íntima de um artista que se tornou maior do que a própria imagem.


O grande triunfo da produção, que custou mais de US$ 155 milhões, está na atuação de Jaafar Jackson, sobrinho de Michael e filho de Jermaine, o irmão mais velho e um dos integrantes da primeira geração do The Jackson 5. 

Em sua primeira grande passagem pelo cinema, Jaafar não interpreta o tio como quem reproduz um repertório de gestos conhecidos pelo mundo inteiro, ele o encarna com uma entrega que impressiona pela precisão e pela emoção. 


Há no seu trabalho uma combinação difícil de alcançar como a semelhança física, o domínio corporal, a respiração cênica, o olhar que alterna insegurança e magnetismo. Jaafar não copia Michael. Ele o reconstrói por dentro e dá ao personagem uma presença que vai além da lembrança nostálgica. Seu desempenho carrega o peso de uma herança monumental, mas também a coragem de não se esconder atrás dela.

Nos momentos musicais, Jaafar parece habitar um território em que técnica e encantamento se confundem. A dança não surge como truque, e sim como linguagem. A voz, embora inevitavelmente comparada à do artista original, não soa como simples reprodução. Ela tenta captar o espírito de uma assinatura vocal que moldou gerações. 


Mas é nas passagens mais silenciosas que o ator encontra sua maior potência. Quando o filme desacelera e deixa o espetáculo em segundo plano, Jaafar revela um Michael mais vulnerável, quase ferido pela própria grandeza. É nesses instantes que a performance ganha densidade dramática e faz o filme respirar.

O elenco de apoio também sustenta bem essa construção. Colman Domingo ("Rustin" - 2024), como Joe Jackson, imprime peso e tensão à narrativa, sem jamais diluir a sombra paterna que marcou a trajetória do cantor. Sua presença em cena tem autoridade e desconforto na medida certa. 


Nia Long ("The Banker", 2020) como Katherine Jackson, oferece um contraponto de ternura e resistência, emprestando ao núcleo familiar uma delicadeza que impede o filme de se tornar apenas um desfile de traumas.

Destaque também para Juliano Krue Valdi, que interpreta Michael criança, um garoto muito fofo que deu o tom certo ao personagem no período do surgimento do The Jackson 5. Cada coadjuvante, à sua maneira, ajuda a compor o ambiente em que o cantor e compositor foi forjado, pressionado e, muitas vezes, esmagado.

"Michael" dialoga diretamente com a cultura pop. O filme não trata apenas de um astro, mas de um fenômeno que moldou linguagem, imagem, coreografia, moda e comportamento. Michael Jackson não foi apenas um cantor, ele foi uma gramática estética que atravessou décadas e segue influenciando o entretenimento mundial. 


Revisitá-lo no presente é também uma forma de reavaliar o modo como a cultura pop fabrica ídolos, os consome e depois tenta decifrá-los. Nesse sentido, o longa, que vai dos anos 1960 até 1980, tem algo de ritual e de reparação. 

Explica alguns fatos da infância e da adolescência do artista - sua paixão por animais, o vitiligo que começa a se manifestar na pele, a obsessão por brinquedos e compras e o início do consumo de remédios.

Não podemos esquecer, no entanto, que a produção do filme é da família Jackson, que deixa de fora do enredo momentos comprometedores e complexos da vida do cantor e de suas relações pessoais e judiciais. A continuação está prevista para 2027 (ainda sem confirmação) que deverá abordar a fase adulta de Michael. 


Sem falar na reconstrução de clipes memoráveis que estão em nossas memórias por décadas como “Thriller”, "Bad", “Beat it”, “Dont' stop til you get enough”, entre outras. 

Algo fantástico para todos nós que só vimos o produto pronto e não como foi feito na época. É emocionante ver um ídolo sendo recriado com tanta emoção e carisma. Dá vontade de ver todo dia!

Com a ambição que exibe a força de seu protagonista e o apelo universal do personagem central, "Michael" entra naturalmente na conversa sobre a temporada de prêmios e com certeza desponta como um nome a ser observado com atenção rumo ao Oscar 2027. 


Filmes biográficos musicais costumam encontrar ressonância na Academia quando combinam transformação física, densidade emocional e apuro técnico. E em "Michael" há material de sobra para isso. 

Se mantiver o impacto que a interpretação de Jaafar Jackson sugere, o filme pode ir muito além da homenagem. Ele poderá se tornar um dos grandes eventos cinematográficos da década, assim como sempre foi o mito Michael Jackson, com uma expectativa dos produtores de atingir US$ 1 bilhão na bilheteria mundial. 


Ficha técnica:
Direção: Antoine Fuqua
Produção: Lionsgate, GK Films
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h05
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: musical, drama, biografia

17 abril 2026

“Maldição da Múmia”: terror sobrenatural aposta no grotesco e esquece de assustar

Natalie Grace interpreta a jovem Katie, possuída por uma entidade maligna da antiguidade que vai
atormentar a vida de seus familiares (Fotos: Warner Bros. Pictures) 
 
 

Maristela Bretas

 
O terror contemporâneo tem apostado cada vez mais no desconforto físico e psicológico do espectador — e “Maldição da Múmia” segue exatamente por esse caminho. Em cartaz nos cinemas de Belo Horizonte, o longa troca o susto fácil por uma experiência mais perturbadora e sobrenatural, que provoca mais repulsa do que medo. E como anunciado pela produção, Brendan Frazer e Rachel Weisz não estão neste filme.

Produzido pela Blumhouse Productions em parceria com a Atomic Monsters e New Line Cinema, o filme carrega a expectativa de quem já entregou bons títulos do gênero. Mas, sob a direção de Lee Cronin, de “A Morte do Demônio: A Ascensão” (2023), o resultado é irregular — com mais impacto visual do que narrativa consistente.


A trama acompanha uma família marcada por uma tragédia inexplicável: a filha de um jornalista norte-americano desaparece durante uma viagem ao Egito e é dada como morta. 

Oito anos depois, porém, ela reaparece — ferida, deformada e carregando algo muito mais sombrio do que o trauma do desaparecimento. Encontrada dentro de um antigo sarcófago, a jovem retorna como um enigma perturbador.

O que deveria ser um reencontro emocionante logo se transforma em pesadelo. A presença da garota contamina o ambiente familiar, revelando sinais de possessão ligados a antigas seitas egípcias. E, nesse ponto, o filme acerta ao trazer o horror para dentro de casa, virando a vida dos personagens completamente de cabeça para baixo.


Se a proposta de Cronin era reinventar o terror com múmias, aproximando-o do cotidiano de uma família comum, ele até consegue. O problema é como faz isso. “Maldição da Múmia” tem um roteiro preguiçoso, que abandona o desenvolvimento dramático em favor de um festival de excessos visuais: olhos esbugalhados, dentes sendo arrancados, sangue escorrendo, fluidos corporais e uma coleção de sons grotescos, mas nada assustador.

Ainda assim, há méritos técnicos. Os closes nos rostos da criatura e de suas vítimas reforçam a tensão em momentos-chave, potencializando o desconforto de cada ataque. É um recurso eficiente — ainda que usado em excesso. 

Uma cena em especial chama a atenção e fica gravada na mente: a do cortador de unhas. Ponto positivo também para as referências sutis a cenas de filmes como "Branca de Neve e os Sete Anões" e "O Exorcista".


O elenco, pouco conhecido, tem nomes como Jack Reynor, Laia Costa, Shylo Molina e Verónica Falcón, além da detetive egípcia interpretada por Dalia Zaki, que investiga o desaparecimento e os eventos estranhos após o retorno da jovem. Mesmo com esforço do elenco, os personagens acabam limitados por um roteiro que pouco aprofunda suas relações.

E esse talvez seja um dos maiores problemas do filme: a presença da múmia dentro de casa até expõe fragilidades familiares interessantes, mas tudo fica na superfície. Falta densidade emocional para sustentar o impacto das situações vividas.

O grande destaque fica com Natalie Grace, convincente como Katie, a jovem possuída. Sua atuação equilibra fragilidade e ameaça, sendo um dos poucos elementos que realmente sustentam a narrativa.


“Maldição da Múmia” pode não agradar a quem espera um terror mais clássico, cheio de sustos e tensão crescente. Mas pode encontrar seu público entre aqueles que preferem o horror mais gráfico, bizarro e incômodo de Cronin — e que não se importam tanto com a falta de profundidade ou de medo genuíno.

No fim, é um filme que chama atenção pelo choque, mas que deixa a sensação de uma boa ideia mal aproveitada, especialmente por ter James Wan, Jason Blum e John Keville entre seus produtores e os estúdios responsáveis por sucessos como a franquia "Invocação do Mal".


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Lee Cronin
Produção: Blumhouse Productions, Atomic Monsters, New Line Cinema, Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h14
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, terror sobrenatural

16 abril 2026

"O Estrangeiro": Ozon coloca seu talento a serviço de um cânone da literatura

Benjamin Voisin interpreta o francês Meursault, um jovem que não demonstra sentimentos nem com a
morte da mãe (Fotos: California Filmes)
 
 

Patrícia Cassese

 
Publicado em 1942, “O Estrangeiro” ("L'Étranger), do franco-argelino Albert Camus (1913 – 1960), não tardou a entrar para o panteão dos clássicos, conquistando mais e mais leitores no curso do tempo, mundo afora. 

Previsivelmente, não tardou a ser adaptado para o teatro e para o cinema – no último caso, por Luchino Visconti, em 1967, com Marcello Mastroianni como protagonista. 

A mais recente versão para a sétima arte desta obra, desta vez, dirigida pelo francês François Ozon, está em cartaz no Una Cine Belas Artes e no Centro Cultural Unimed-BH Minas. Lembrando  que, ano passado, o título foi exibido em algumas sessões em BH dentro do Festival de Cinema Francês (antigo Varilux). 


Agora, Meursault é vivido pelo ótimo Benjamin Voisin, de “Ilusões Perdidas”. O jovem ator, vamos lembrar, teve seu primeiro papel de destaque no cinema pelas mãos do mesmo Ozon, no tocante “Verão de 85”. 

Logo no início da trama de “O Estrangeiro”, o personagem central, funcionário de um escritório em Argel (então ainda colônia da França), recebe a notícia do falecimento da mãe, que vivia em um asilo em Marengo, a 80 quilômetros da capital. 

Ao contrário do comportamento esperado pela sociedade em situações afins, Meursault não deixa transparecer laivos de inconformismo diante do anúncio. Sequer uma vaga tristeza. Ao contrário, mantém a fleuma e a apatia características de sua personalidade, declinando inclusive da oferta de que o caixão fosse aberto, para que pudesse ver, pela última vez, a genitora.


Em uma sociedade na qual a dor de perder um ente querido é majoritariamente validada por rituais que incluem lágrimas, soluços e manifestações vívidas de inconformismo, a impassibilidade de Meursault chama a atenção dos companheiros de moradia da falecida. 

Mais tarde, a indiferença do único filho da sexagenária volta à baila quando Meursault já está no banco dos réus, após assassinar um rapaz árabe a cinco tiros, sendo quatro disparados quando a vítima já estava sem vida.

O episódio que muda irreversivelmente a vida de Meursault, como quem leu o livro bem se recorda, se dá num dia de muito calor em que, a convite de um vizinho, o comerciante Raymond (Pierre Lottin), o protagonista vai à praia com a namorada, Marie (Rebecca Marder). 

O rapaz árabe, por sua vez, é irmão da amante de Raymond, uma moça a quem ele recentemente espancara. Portanto, aparece no balneário, junto a amigos, em tom de intimidação e possível vingança ao agressor. 


No momento que precede o crime, porém, os rapazes já tinham inclusive se distanciado do ponto da praia onde Raymond, Meursault e companhia estavam. Ocorre que, subitamente, sem um propósito explicitado, Meursault deixa o grupo para, sozinho, dar uma nova caminhada. É quando, metros adiante, ainda na praia, volta a encontrar o hercúleo rapaz, desta vez já sozinho. É quando, sob o brilho do sol inclemente, o crime acontece.

Com sua agudeza particular, François Ozon não deixa de explorar o racismo contra os árabes, em falas como a do advogado de Meursault (diga-se, escolhido à revelia do personagem, já que, por ele, nem teria defesa), que cita o fato de que vários franceses foram anteriormente absolvidos por matar locais, comprovando, assim, uma dinâmica de povos subjugados. 

O julgamento do personagem central - que mantém a letargia característica em seu curso, quase como se fosse um espectador do processo, e não o homem sentado no banco dos réus - assume, claro, a metade final da narrativa.


Cumpre dizer que, nesta transposição, Ozon mantém-se bem fiel à obra de Camus, ainda que insira uma licença poética que não vai passar despercebida aos que trazem frescos na memória detalhes da icônica obra. 

Trata-se de um momento fugaz em que Meursault lança um olhar fixo ao corpo delineado do rapaz árabe, em particular, à axila do mesmo, o que sutilmente sugere que houve outro motivo para que descarregasse o cartucho no garoto.

Com apenas 29 anos, Benjamin Voisin já mostrou várias vezes a que veio, com um talento que lhe permite dar corpo a personagens densos, de vieses distintos, mas que muito exigem da interpretação. Aqui, surge perfeito como Meursault, um atento e interessado observador do comportamento humano, mas que, apático até a medula, não busca interferir no rumo dos acontecimentos, limitando-se a aceitar o fluxo da vida com resignação e mesmo certo abatimento. 


A opção pelo preto & branco mostra-se perfeitamente acertada, gerando imagens em que os contrastes de luz e sombra criam quadros belíssimos. Talvez um pequeno reparo possa ser feito em relação à percepção de que o calor descrito com tanto detalhamento e intensidade no livro de Camus (como nas frases “havia já duas horas que o dia deitara sua âncora neste oceano de metal fervente “ou “a ardência do sol queimava-me as faces e senti o suor amontoar-se nas minhas sobrancelhas”) não apareça na tela de modo mais demarcado, o que poderia ser alcançado, por exemplo, com o efeito de roupas empapadas ou suor escorrendo pelo rosto dos personagens.

Nada, porém, que interfira no deleite de ver um clássico de volta ao cinema com a condução de um expoente como Ozon, e com elenco tão empenhado. Portanto, vá ao cinema – e, se possível, aproveite para ler ou reler o livro.
 

Ficha técnica:
Direção e roteiro: François Ozon
Distribuição: California Filmes
Exibição: Una Cine Belas Artes e Centro Cultural Unimed-BH Minas
Duração: 2h02
Classificação: 16 anos
Países: França, Bélgica e Marrocos
Gêneros: drama, crime

14 abril 2026

“Pinóquio” russo erra o tom e transforma clássico em confusão musical

Nova adaptação do romance infantil de Carlo Collodi é mais uma versão em live-action duvidosa
(Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas

 
Uma versão russa em live-action que se propõe diferente do romance escrito em 1883 pelo italiano Carlo Collodi — que provavelmente estaria se revirando no túmulo. Este é “Pinóquio” ("Pinocchio"), longa que estreia nesta quinta-feira (16) nos cinemas brasileiros.

Sem o carisma da adaptação animada da Disney de 1940 (esqueça o live-action de 2022 com Tom Hanks), o filme ainda aposta em situações politicamente incorretas, especialmente no desfecho, ao sugerir que crianças ignorem regras e desobedeçam aos pais.


A versão dublada em português também deixa a desejar, e até o protagonista carece de leveza e convicção — mesmo nos momentos em que tenta defender animais e amigos. O excesso de informações transforma a narrativa em algo confuso, especialmente para o público infantil.

Na tentativa de se diferenciar, o diretor Igor Voloshin inclui números musicais longos e dispensáveis, além de uma carga exagerada de violência por parte dos vilões. Entre os temas abordados estão exploração de mão de obra e mensagens perigosas, como a ideia de que roubar ou enganar não é necessariamente errado.


Esqueça tudo o que você já viu: este novo boneco de madeira é ingênuo, seu nariz grande não tem função narrativa — aqui, a famosa máxima “se você mentir, seu nariz vai crescer” praticamente não existe. 

A fada madrinha também abandona o papel de figura iluminada e benevolente. Mas nada é mais estranho do que a substituição do Grilo Falante por três baratas falantes. Simpáticas, é verdade — mas ainda são baratas. Quem, afinal, anda com três delas no ombro ou na gola da camisa?


Inicialmente, a trama segue o romance original, ambientado na Toscana. O carpinteiro Gepeto, solitário e triste, é “aconselhado” pelas três baratas a esculpir um boneco de madeira que se tornará seu filho de verdade. 

No entanto, o sonho de Gepeto e Pinóquio rapidamente se complica ao enfrentarem um mundo cheio de aventuras, mas também de armadilhas.

Tecnicamente, o filme apresenta recursos medianos e um elenco engessado, com exceção do vilão Carabaz, líder de um circo mambembe que chega à cidade determinado a tomar posse de Pinóquio. 

Mudanças e adaptações de clássicos podem render bons resultados — mas, desta vez, a aposta simplesmente não funciona.


Ficha técnica:
Direção
: Igor Voloshin
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: redes Cineart - Cidade, Del Rey e Via Shopping - e Cinemark BH Shopping (somente versão dublada)
Duração: 1h42
Classificação: 12 anos
País: Rússia
Gêneros: aventura, live-action, infantil, drama

08 abril 2026

Até onde vai a confiança de Robert Pattinson em Zendaya? Confira em "O Drama"

Revelação de segredos do passado e do presente ameaça o momento que deveria ser o mais feliz do casal (Fotos: Diamond Films Brasil)
 
 

Maristela Bretas

 
Um encontro nada casual, dois jovens decididos a se casar e um segredo revelado às vésperas da cerimônia capaz de destruir tudo. Essa é a premissa de "O Drama" ("The Drama"), que estreia nesta quinta-feira (9) nos cinemas. 

Vendido como comédia romântica, o filme se aproxima muito mais do drama com suspense - e acerta ao apostar nisso.  Seu maior trunfo são as atuações afiadas de Zendaya ("Rivais" - 2024) e Robert Pattinson ("Mickey 17" - 2025), que funcionam com intensidade e química na primeira parceria em cena.


Eles vivem Emma e Charlie, que se conhecem em um encontro armado por ele numa cafeteria. A relação avança rápido até o noivado. Às vésperas do casamento, durante uma brincadeira entre casais, um segredo do passado da noiva vem à tona - e desestabiliza a confiança não só entra ela e Charlie, mas de todo o grupo.

Até onde um segredo nunca revelado pode corroer uma relação construída sobre amor e cumplicidade? Entre intrigas, traições e desconfianças, o diretor e roteirista Kristoffer Borgli vai criando um ambiente sufocante, marcado por tensão crescente, constrangimentos e doses certeiras de humor sombrio. Um exemplo disso é a cena desconfortável do casal com a fotógrafa do casamento, um dia após as revelações. 


O que deveria ser o momento mais feliz da vida a dois se transforma numa batalha silenciosa, que desgasta a relação dia após dia. O filme abandona rapidamente a leveza inicial e mergulha numa narrativa de suspense psicológico, cheia de reviravoltas, onde até a sanidade dos protagonistas passa a ser questionada.

Borgli conduz a trama com precisão ao explorar fragilidades e ressentimentos. Emma carrega um trauma do passado que ameaça destruir seu presente. 


Charlie, por sua vez, revela-se um homem inseguro e emocionalmente despreparado para lidar com a verdade. Zendaya e Pattinson entregam atuações intensas, transmitindo angústia em olhares, gestos e silêncios que adoecem a relação diante do espectador.

O elenco de apoio também se destaca, especialmente os padrinhos Rachel e Mike, interpretados por Alana Haim (“Uma Batalha Após a Outra” - 2025) e Mamoudou Athie (“Jurassic World: Domínio” - 2022). São eles que acendem o estopim do conflito e rapidamente expõem a superficialidade e a hipocrisia que sustentavam a amizade com o casal.


Ao longo de "O Drama", novas revelações aprofundam o desconforto e provocam o público a repensar ideias romantizadas sobre amor, confiança e culpa. Não espere um final reconfortante. 

O que fica é um nó na garganta — e a sensação incômoda de que talvez o filme diga mais sobre relações reais do que gostaríamos de admitir.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Kristoffer Borgli
Produção: A24
Distribuição: Diamond Films Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: drama, romance

07 abril 2026

“Cinco Tipos de Medo”: thriller brasileiro entrelaça, com qualidade, histórias e personagens

Filme marca a estreia no cinema dos atores de séries e telenovelas Bella Campos e Xamã, que conquistou
o troféu de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado (Fotos: Divulgação)
 
 

Eduardo Jr.

 
O cinema nacional vive, de fato, uma boa fase no quesito qualidade. O exemplo mais recente dessa safra é o interessante “Cinco Tipos de Medo”. Já com alguns prêmios na bagagem, o longa distribuído pela Downtown Filmes estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 9 de abril.  

Dirigido e roteirizado por Bruno Bini, o longa cruza, com habilidade, as histórias de cinco personagens. Talvez a proposta faça alguns leitores aqui se lembrarem do premiado “Crash: No Limite” (EUA, 2004). Ambos começam com reflexões do protagonista, entrelaçam histórias e entregam roteiros surpreendentes. 


Em “Cinco Tipos de Medo”, um jovem músico lida com uma perda e se envolve num romance que traz mais problemas do que paz. É quando começam a se cruzar as histórias de um traficante, um advogado de comportamento suspeito e uma policial com desejo de vingança.

A história se passa na periferia de Cuiabá (MT), cenário pouco explorado no audiovisual brasileiro. Ponto positivo para esta escolha. E apesar de ser um thriller, a direção consegue levar o olhar do espectador para além da tensão típica do gênero, com questões como a Covid-19, relacionamentos abusivos e para a ausência do estado em algumas comunidades, que leva pessoas a contar mais com o crime do que com o poder público.


O início já apresenta algo que chama a atenção, um aviso de que o longa se inspira em histórias reais. Logo depois, é mencionada uma pesquisa (sem informar a fonte ou se é real), sobre os maiores medos do homem: de médico, de lugares fechados, da solidão, de ficar sem dinheiro, e só então, no espantoso quinto lugar da lista, o medo de morrer. 

Bruno Bini, então, vai colorindo suas personagens com as tintas dessas preocupações. 


E o elenco, em sua maioria, dá conta do recado ao imprimir nas personagens esses traços. O filme conta com Bella Campos (Marlene) e Xamã (Sapinho) - ambos estrearam no cinema com este longa -, João Vítor Silva (Murilo), Bárbara Colen (a policial Luciana), Rui Ricardo Diaz (Ivan), Rejane Faria (Antônia), Jonathan Haaggensen (Hugo) e Zecarlos Machado (Régis).   

Criminalidade, suspense e violência dão corpo a esse thriller, que tem cenas apresentadas sem linearidade, mas que se encaixam bem no conjunto da obra. A luz correta, a fotografia bem executada, as conexões das histórias e as reviravoltas agradam bastante. 


Não por acaso o longa conquistou, no Festival de Gramado de 2025, os prêmios de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem, para Bruno Bini, além do troféu de Melhor Ator Coadjuvante para Xamã. E ainda viaja para disputas em festivais internacionais. 

Pode não ser um filme daqueles que conquistam indicações ao Oscar, mas prende o olhar do espectador na tela do início ao fim.  


Ficha Técnica:
Direção e roteiro: Bruno Bini
Produção: Plano B Filmes, Druzina Content, coprodução Quanta
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: salas da rede Cineart
Duração: 1h47
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, ação

23 março 2026

“13 Dias, 13 Noites” - a fuga do Afeganistão em obra recheada de tensão

Longa é baseado na biografia de Mohamend Bida, ex-chefe de segurança da embaixada da França no Afeganistão na época da ocupação (Fotos: California Filmes)
  
 

Eduardo Jr.

 
As cenas do Talibã tomando Cabul e retirando direitos das mulheres são de 2021, mas devem estar frescas na memória de muita gente. O que pouco se viu e se fala é sobre a negociação e a retirada de franceses do Afeganistão. 

Este é o mote de “13 Dias, 13 Noites” ("13 Jours, 13 Nuits"), do diretor Martin Bourboulon ("Os Três Mosqueteiros: D'Artagnan" - 2023). Distribuído pela California Filmes, o longa estreia nos cinemas brasileiros no dia 26 de março. 


A obra é baseada no livro autobiográfico do comandante Mohamend Bida, que foi chefe de segurança da embaixada da França em território afegão na época. 

A história mostra franceses e afegãos buscando abrigo e tentando deixar o território. A missão de Bida é levar o grupo de quase 500 pessoas até o aeroporto para escaparem de uma Cabul dominada pelo Talibã.  


Sim, é um filme de guerra. Mas não se engane com as cenas em dias claros ou com a tela preenchida por cores. Por trás disso está a tensão que deixa o espectador na ponta da cadeira. 

As conversas sussurradas, os personagens que surgem e não se sabe se são de confiança… tudo é motivo para esperar o pior. 


O protagonista Bida (vivido Roschdy Zem) canaliza essa tensão, que aparentemente impacta até sua vida pessoal. Não por acaso apresenta um semblante carregado e quase nenhum sorriso. 

Ele é quem se esforça para proteger agentes ameaçados pelo Talibã, que enfrenta o perfil burocrata do embaixador e tenta garantir a sobrevivência do maior número possível de cidadãos.       


Alcançar esse objetivo demanda negociar com colegas militares, dialogar com o inimigo, enfrentar conversas que podem ser encerradas a bala, e superar traições e artifícios que podem deflagrar uma guerra entre países. 

Ação e suspense se unem ao contexto político para criar uma obra muito interessante. O longa foi indicado ao Cesar na categoria de Melhor Montagem. Mais um incentivo para ir aos cinemas e conferir a produção. 


Ficha Técnica:
Direção:
Martin Bourboulon
Roteiro: Martin Bourboulon e Alexandre Smia, com colaboração de Trân-Minh Nam
Produção: Chapter 2 e coprodução de Pathé Films e M6 Films
Distribuição: California Filmes
Duração: 1h52
Países: França e Bélgica
Gêneros: biografia, drama, ação, guerra

20 março 2026

"Enzo" flagra o embate de um adolescente com sua sexualidade e uma realidade de privilégios

Eloy Pohu e Maksym Slivinskyi são colegas num canteiro de obras onde trabalham como pedreiros e
criam uma amizade que vai além do trabalho (Fotos: Mares Filmes)
 
 

Patrícia Cassese

 
Há um ponto importante a preceder a análise de "Enzo", produção francesa que entra agora em cartaz na cidade. É que, já com o projeto em curso, o diretor Laurent Cantet teve que lidar com o agravamento do seu quadro de saúde, em função de um câncer. 

Consciente de seu pouco tempo de vida, ele teria chegado a aventar o arquivamento do projeto. A ideia, no entanto, foi refutada pelo seu parceiro de trabalho de toda vida, o também diretor Robin Campillo ("120 Batimentos por Minuto"), que, no quarto de um hospital, manifestou o desejo de tocar a empreitada. 

Cantet faleceu aos 63 anos, em abril de 2024. Com absoluto respeito ao caminho já delineado pelo amigo - a quem havia conhecido quatro décadas antes -, Campillo seguiu resoluto e, assim, no ano passado, o filme, enfim, chegou às salas exibidoras na Europa.


"Enzo" se filia ao escaninho dos filmes que lançam um olhar sobre o rito de passagem da adolescência para a vida adulta por meio do personagem citado no título, um garoto de 16 anos (vivido por Eloy Pohu). 

Ele surge pela primeira vez em cena sendo repreendido pelo ritmo lento com o qual executa suas tarefas como aprendiz de operário em uma casa em construção. 

Sem paciência com o jovem, Corelli, o chefe de obras, resolve levá-lo de carro de volta à casa, de modo a conversar seriamente com os pais sobre o fraco desempenho do subordinado. 

Ao chegar ao destino, porém, Corelli é impactado por uma realidade à qual de modo algum esperava: é que Enzo mora em uma casa idílica, sofisticada, cool, debruçada sobre a riviera francesa (o filme se passa em La Ciotat, comuna francesa localizada na região da Provença-Alpes-Costa Azul, no sul do país). 


Inclusive, no momento em que adentra a casa, Corelli, desconcertado, vislumbra os pais do menino a se refestelar na piscina, que, vale dizer, circunda toda a casa. 

Simpáticos no último grau, Paolo (Pierfrancesco Favino, ator italiano que já tem um rosto conhecido no Brasil) e Marion (Élodie Bouchez), os genitores, desconcertam Corelli. 

Ao mesmo tempo, ele não consegue entender o que levou um jovem de status tão elevado a se candidatar ao posto de um mero aprendiz num canteiro de obras, cargo nada atraente a pessoas da elite.

A mesma dúvida acompanha o público, mas, no encaminhamento da trama, algumas pistas são lançadas. Ocorre que Enzo simplesmente não encontra seu lugar no mundo, o que pode soar natural na faixa etária em que o personagem se encontra. 

O diferente, aqui, é que o adolescente refuta veementemente o status da família, de modo que, na sequência, quando os colegas de obra manifestam desejo de ir à piscina, ele frisa que a casa não é dele, mas, sim, dos pais. Do mesmo modo, Enzo abandona a escola, por não se sentir confortável inserido no sistema tradicional de ensino.


Compreensivos, os pais de Enzo até tentam com que ele se valha dos seus inequívocos dotes artísticos para, quem sabe, seguir uma carreira neste campo, o que o garoto também descarta. 

O jovem está empenhadíssimo em continuar atuar no campo da construção, mas como operário. A todo tempo, aliás, Enzo questiona os privilégios que desfruta, inclusive em tempos nos quais guerras acontecem em outras partes do mundo. 

Principalmente mediante o contato com dois colegas ucranianos, no citado canteiro de obras. Por meio dos relatos dele, passa inclusive a mergulhar no conflito, não só questionando se ambos não deveriam voltar para casa e lutar pelo país como manifestando o insólito desejo de ir junto e estar no front.

Neste ponto, Vlad (Maksym Slivinskyi), um dos ucranianos, questiona o arroubo do garoto, posto que nem ele entende que deva sair naquele momento da França. Em resposta, Enzo surpreende ao dizer que se sentiria seguro ao lado do colega. 


A verdade é que, além do estranhamento quanto ao status que sua família ocupa em um mundo em desencanto, Enzo também está às voltas com questões ligadas à sexualidade. Assim, ao mesmo tempo em que no curso do filme investe em flertes com garotas de sua faixa etária, vai se conectando cada vez mais a Vlad.

A trama vai se desenrolando temperada pelos pensamentos críticos de Enzo - em determinado momento, por exemplo, ele se pergunta de que adiantaria o luxo alcançado pela família (e refletido pela beleza idílica da casa) se um tsunami ocorresse no local e a destroçasse por completo. 

E por pinceladas de momentos nos quais o público vai prender o fôlego ante a iminência de uma tragédia, como quando ele se deita à beira de um precipício ou quando frustra os planos do pai para o final de semana e se mete em aventuras com os companheiros de obra.


Um detalhe importante é que Eloy Pohu não é um ator de formação. De acordo com matérias publicadas em jornais franceses, ele se dirigiu ao local dos testes apenas para acompanhar o irmão, esse sim, candidato. 

Mas foi justamente sua inexperiência e sua performance contida que conquistou a produção, que enxergou, ali, o intérprete perfeito - mesmo porque, Enzo é um personagem predominantemente introspectivo, ensimesmado, contido... 

Quando os fatores externos o abalam, aí sim, é capaz de atitudes extremas, como a que irrompe na festa de despedida do irmão mais velho, que está para partir rumo a Paris, após conquistar uma bolsa, para orgulho dos pais.

O filme - e isso não é um spoiler - termina em aberto, mostrando que, tal como no mundo real, principalmente quando se é jovem (mas não só), a possibilidade de recalcular rotas se faz presente, ainda que o acerto ou desacerto estejam no espectro das possibilidades. 


Há que se dizer que o "Enzo" é um filme intimista, centrado, como já dissemos, no torvelinho que habita esse jovem. Portanto, que ninguém espere um filme centrado em ações - ainda que, claro, elas estejam na narrativa. 

Por último, mas não menos importante, Cantet é o nome por trás de um filme que fez história ao mostrar a realidade de jovens da periferia de Paris por meio de "Entre os Muros da Escola" (2008), vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes naquele ano. O longa é simplesmente imperdível, e pode ser assistido pelos assinantes do Prime. 

Outro dos filmes dele exibidos nos cinemas do Brasil e atualmente disponível no Google Play é "Em Direção ao Sul" (2005), estrelado por ninguém menos que Charlotte Rampling, e que aborda o turismo de teor sexual - no caso, tendo o Haiti como cenário.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Robin Campillo e Laurent Cantet
Distribuição: Mares Filmes
Exibição: Una Cine Belas Artes
Duração: 1h42
Classificação: 16 anos
Países: França, Itália, Bélgica
Gênero: drama

02 março 2026

“Cara de Um, Focinho de Outro” emociona ao misturar aventura, tecnologia e alerta ecológico

Em nova animação da Pixar, humanos e animais dividem o protagonismo, cada um apresentando seu
lado de uma história (Fotos: Disney Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Emocionante e divertido, uma animação para a família toda. A Pixar Animation entrega, com “Cara de Um, Focinho de Outro” (“Hoppers”), mais uma bela produção capaz de fazer rir e chorar, levando ao público — dos seis aos 100 anos — uma mensagem bastante atual: é preciso cuidar e preservar a natureza e aprender a viver em harmonia com ela.

O filme estreia nos cinemas no dia 5 de março, em versões dubladas e legendadas, mas já pode ser conferido em várias salas das redes Cineart, Cinemark e Cinépolis BH.


Humanos e animais dividem o protagonismo, cada um apresentando seu lado de uma história que gira em torno de um pequeno lago nos arredores de uma cidade. No passado, Mabel Tanaka (Piper Curda) já era defensora dos animais, mesmo quando toda a população a criticava.

A única que a compreendia era sua avó, a Sra. Tanaka (Karen Huie), que morava perto do lago. Foi ela quem ensinou à neta a importância de ouvir os sons da natureza para entendê-la melhor, além de ajudá-la a lidar com a própria raiva e a controlar suas emoções.


Na adolescência, não poderia ser diferente. Ao descobrir que o pequeno refúgio natural onde viveu seus melhores dias de infância seria destruído pelo “avanço do progresso”, Mabel decide recorrer a uma tecnologia revolucionária para se conectar aos animais que ali habitavam e que precisaram fugir.

Ela transfere sua consciência para o corpo de um castor robótico, o que lhe permite explorar o universo animal — suas aventuras, alegrias, emoções e conflitos. 

A partir daí, promove uma verdadeira revolução dos bichos, enfrentando Jerry (Jon Hamm), o prefeito da cidade, determinado a acabar com o lago dos castores. Mas tudo tem seu preço, e a situação pode acabar ameaçando também a existência dos humanos.


Nomes conhecidos de Hollywood participam da aventura como dubladores. Meryl Streep dá voz à Rainha dos Insetos — na versão brasileira, Renata Sorrah estreia na dublagem. 

Dave Franco interpreta Titus, auxiliar da professora Sam (Kathy Najimy), que também trabalha com Diane (voz de Vanessa Bayer no original e de Thaís Fersoza na versão em português). 

Destaque para George (Bobby Moynihan), o Rei dos castores e Mamíferos, com sua coroa e varinha, liderando toda a comunidade com pompa e personalidade e que se torna o melhor amigo de Mabel.

O elenco conta ainda com Melissa Villaseñor (Ellen), Ego Nwodim (Rainha dos Peixes), Sam Richardson (Conner), Aparna Nancherla (Nisha), Nichole Sakura (Rainha dos Répteis), Isiah Whitlock Jr. (Rei dos Pássaros), Steve Purcell (Rei dos Anfíbios).


Entre correrias, gritos e confusões no reino animal, “Cara de Um, Focinho de Outro” aposta em um humor afiado ao tratar da destruição da natureza pelo homem e de como ela pode revidar quando menos se espera. 

A história lembra um pouco “Avatar” — como a própria protagonista menciona — ao utilizar a tecnologia para transferir mentes humanas para robôs, que passam a funcionar como canal de comunicação com os animais reais.

Visualmente, a animação é impecável, com imagens vibrantes, cenários bem detalhados e personagens que conquistam o público de imediato — até mesmo os vilões. 


Alguns personagens podem assustar crianças muito pequenas, especialmente os reis e rainhas de determinadas espécies quando declaram guerra aos humanos. Ainda assim, o filme equilibra bem tensão e humor, mantendo o tom leve e reflexivo.

Mais uma vez, a Pixar mostra que sabe contar histórias que divertem, emocionam e, principalmente, fazem pensar, agora sem deixar de lado a presença da tecnologia como uma aliada.
 

Ficha técnica:
Direção: Daniel Chong
Roteiro: Jesse Andrews e Daniel Chong
Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures
Distribuição: Disney Pictures e Disney+
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h45
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, comédia