13 março 2026

Do céu ao inferno: a viagem emocional de "Sirât"

Longa espanhol reflete a jornada física e emocional que os personagens atravessam pelo deserto
(Fotos: Divulgação)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Em ritmo de Oscar 2026, ainda dá tempo para assistir no cinema e agora em plataformas de streaming o longa "Sirât", dirigido por Óliver Laxe. Com roteiro do próprio diretor e de Santiago Fillol, é um dos indicados nas categorias de Melhor Filme Internacional (concorrendo com "O Agente Secreto") e Melhor Som. 

Sirât significa “caminho” em árabe, e reflete a jornada física e emocional que os personagens atravessam. Distribuído pela Retrato Filmes, o filme é coproduzido por Pedro e Agustín Almodóvar, referência do cinema espanhol realista.


A história acompanha Luis (Sergi López), um pai desesperado à procura da filha desaparecida, e seu filho Esteban (Bruno Núñez Arjona), que divide a jornada e o peso emocional da busca. 

Pelo caminho, eles encontram jovens envolvidos em raves e festas — Bigui (Richard Bellamy), Stef (Stefania Gadda), Josh (Joshua Liam Henderson), Tonin (Tonin Janvier) e Jade (Jade Oukid) —, criando um clima de comunidade efêmera e tensão que atravessa todo o deserto.

O local se torna cenário de um “inferno” particular, marcado pelo calor, isolamento e aridez, mas também de pequenas descobertas e momentos de transcendência. São espaços quase mágicos onde o corpo e a mente se entregam à música e aos trances das raves, transformando a vulnerabilidade em força.


O trabalho de som é um destaque absoluto. Laia Casanovas, Amanda Villavieja e Yasmina Praderas, primeira equipe totalmente feminina indicada ao Oscar na categoria, criam uma experiência imersiva. 

Sons, batidas e silêncios subjetivos colocam o espectador dentro do corpo e da mente dos personagens, amplificando cada passo no deserto, cada tensão e cada emoção. 

O transe funciona como um catalisador de autoconhecimento e libertação, mostrando a dor e a força humana como experiências quase ritualísticas.


O filme, porém, não é feito para agradar pela simpatia ou carisma dos personagens. Luis e Esteban são apresentados com honestidade crua e o mistério sobre o desaparecimento da filha permanece, deixando perguntas sem respostas. 

É uma produção que provoca, causa estranheza e exige do espectador sensibilidade para sentir o que os personagens sentem.

No fim, "Sirât" é uma experiência intensa de céu e inferno, um filme que mistura transcendência, medo e beleza árida do deserto. Ele não se esquece facilmente, mantendo na mente o eco de suas imagens, sons e emoções muito tempo depois do fim da sessão.


Ficha técnica:
Direção: Oliver Laxe
Produção: El Desom 4A4 Productions
Distribuição: Retrato Filmes
Exibição: Cinemark Pátio Savassi, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Una Cine Belas Artes. Disponível para compra ou aluguel nas plataformas Prime Vídeo, Apple TV e MUBI
Duração: 1h55
Classificação: 16 anos
País: Espanha
Gêneros: suspense, aventura, drama

12 março 2026

“Marty Supreme”: ambição, ego e os limites de um sonho

Timothée Chalamet é um jovem disposto a ser tornar a grande estrela norte-americana do tênis de mesa
(Fotos: Diamond Films)
 
 

Filipe Matheus
Parceiro do blog Maravilha de Cinema

 
Determinação, talento e o desejo de brilhar no esporte. “Marty Supreme” parte da história de um jovem, vivido pelo talentoso Timothée Chalamet, que sonha em se tornar a grande estrela do tênis de mesa norte-americano. 

O longa é um dos fortes candidatos ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme, além de receber outras oito indicações: Melhor Direção, Melhor Ator (Timothée Chalamet), Melhor Montagem, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Direção de Elenco e Melhor Roteiro Original.


Na trama, Marty Mauser (Timothée Chalamet, de "Duna" - 2021 e "Duna: Parte 2" - 2023) é um jovem de ambição desmedida, disposto a tudo para realizar seu sonho e provar ao mundo que nada é impossível para ele.

O talento e a beleza de Gwyneth Paltrow (da franquia "Vingadores: Guerra Infinita" - 2018 e "Ultimato" - 2019) são alguns dos pontos altos do filme. Ela interpreta uma atriz apaixonada pela profissão e movida pelo desejo de reconhecimento.

O enredo prende do início ao fim e apresenta diversos plot twists, fazendo o espectador se envolver cada vez mais com a história. O diretor Josh Safdie conduz a narrativa com precisão, mostrando que nenhum sonho vale o preço de abandonar os próprios valores.


Timothée Chalamet conquistou o prêmio de Melhor Ator em Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro 2026 por sua performance no papel principal. Críticos e comentaristas apontam a atuação de Chalamet como uma das mais fortes de sua carreira, com um papel marcante e cheio de nuances.

"Marty Supreme" também recebeu diversas indicações na temporada de premiações, incluindo categorias técnicas e de roteiro, consolidando sua força entre crítica e público.

Com um orçamento estimado entre US$ 70 milhões, o longa superou “Guerra Civil” (2024) - US$ 50 milhões -, como a produção de maior investimento da história do estúdio A24 Films.


O elenco de “Marty Supreme” conta ainda com Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Tyler Okonma, Abel Ferrara e Fran Drescher, que trazem versatilidade e drama à história, conduzindo os personagens com sensibilidade e emocionando o público.

O filme é uma cinebiografia ficcionalizada inspirada em Marty Reisman (1930–2012), uma lenda do tênis de mesa e notório apostador. A personalidade intensa e controversa de Marty Mauser tem gerado debates e dividido opiniões sobre até que ponto o público se identificaria com um protagonista moralmente ambíguo.


Nos bastidores, uma das cenas que mais chamou atenção envolve Timothée Chalamet e Kevin O’Leary em uma sequência intensa e violenta com uma raquete de tênis de mesa. Rapidamente ela repercutiu entre o público e a imprensa pela ousadia e entrega dos atores.

O diretor de fotografia Darius Khondji optou por filmar grande parte do longa em película de 35 mm, utilizando lentes anamórficas vintage para dar mais profundidade e textura à ambientação da década de 1950.


A jaqueta estilizada usada por Chalamet virou item de desejo entre celebridades e fãs, gerando filas e grande repercussão nas redes sociais durante as ações promocionais.

Vale à pena conferir “Marty Supreme”, que ainda está em exibição em algumas salas de BH e Contagem. O longa é desafiador ao explorar os limites de um homem em busca do próprio sonho, mergulhando na vaidade, na ambição e até onde o ser humano é capaz de ir para alçar novos voos.


Ficha técnica:
Direção:
Josh Safdie
Produção: A24 Films
Distribuição: Diamond Films Brasil
Exibição: Una Cine Belas Artes, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cineart Shopping Contagem
Duração: 2h29
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: drama

09 março 2026

"Elio": aventura, amizade e pertencimento pelo olhar da Pixar

Filme é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação (Fotos: Walt Disney Studios)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Dirigido por Madeline Sharafian, Domee Shi e Adrian Molina, "Elio" é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação. O filme acompanha Elio Solís (voz de Yonas Kibreab), menino de 11 anos sonhador, apaixonado pelo espaço e por vida alienígena. 

Por engano, ele envia um sinal para o desconhecido e é “captado” pela misteriosa organização intergaláctica Comuniverso, onde é confundido com o embaixador da Terra. Agora, Elio precisa se adaptar, fazer amigos extraterrestres e descobrir quem realmente é.


O longa acerta ao tratar o tema do pertencimento de forma lúdica e inspiradora. Elio não se sente completamente em casa no mundo humano e, ironicamente, precisa encontrar seu lugar no universo que sempre sonhou explorar. 

A tia Olga (Zoe Saldana) se destaca como figura de afeto e proteção, mas também como exemplo de sacrifício e responsabilidade familiar.


Por outro lado, a animação apresenta lacunas: o luto é apenas citado e personagens secundários têm pouca profundidade, funcionando mais como suporte à jornada do garoto. 

A resolução de conflitos acontece rápido demais, deixando pouco espaço para nuances emocionais.


Ainda assim, "Elio" é encantador, com momentos de pura imaginação e emoção, além de uma ótima trilha sonora que conta, inclusive, com canções da banda "Queen". 

Talvez perca pontos frente a outras animações mais ousadas da temporada, como "Guerreiras do K-Pop" (Netflix), mas cumpre bem sua função: emocionar e divertir, enquanto fala de amizade, coragem e autodescoberta.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Adrian Molina, Domee Shi e Madeline Sharafian
Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: Disney+
Duração: 1h39
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: infantil, aventura, animação

05 março 2026

NÃO É NÃO – "A Noiva" surpreende ao defender os direitos das mulheres em tempos de Frankenstein

Christian Bale e Jessie Buckley entregam ótimas atuações e formam um casal que chega a ser simpático
aos olhos do público (Fotos: Warner Bros. Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Maggie Gyllenhaal foi extremamente ousada ao escrever e dirigir "A Noiva" ("The Bride!), apostando forte no feminismo sem levantar bandeiras explícitas, mas deixando bem claro, nos diálogos e nas atitudes revolucionárias da protagonista, a revolta contra o desprezo, a violência e o descaso aplicados às mulheres.

Mostrando realidades que nós, mulheres, vivemos diariamente, a diretora abusa do burlesco sem ser vulgar e da violência crua envolvendo os personagens principais. Como diria o parceiro do blog, Marcos Tadeu, do @jornalistadecinema: “se 'Coringa: Delírio a Dois' (2024) tivesse seguido este caminho, seria arrasador”.


A escolha de Jessie Buckley ("A Filha Perdida" - 2021, também escrito e dirigido por Maggie Gyllenhaal) para interpretar a Noiva de Frankenstein foi outro grande acerto da produção. 

Ao lado dela, Christian Bale entrega uma excelente atuação e a sincronia do casal funciona muito bem. O público chega a torcer por eles, mesmo com toda a loucura da relação.

A atriz está impecável, assim como em "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", forte candidato ao Oscar 2026 de Melhor Filme. Ela também entra na disputa por uma estatueta como Melhor Atriz.


O filme começa em Chicago, na década de 1930, e acompanha a história de origem da Noiva, uma jovem assassinada ressuscitada nos mesmos moldes de Frankenstein.

Cansado da solidão, o famoso monstro procura a Dra. Euphronius (Annette Bening) para criar uma companheira para ele, saída do mundo dos mortos. Juntos, eles trazem a jovem de volta à vida, nascendo assim a criatura batizada de “A Noiva”, uma mulher revolucionária, além do seu tempo.

Numa época marcada pela violência, pela criminalidade e, especialmente, pelo desprezo às mulheres, o estranho casal vive uma paixão além do tempo — selvagem e explosiva — recheada de ação, mortes e fugas alucinantes.


Um Road movie que prende do início ao fim, sem perder a coerência. Com um fator que explica, já nos primeiros minutos de exibição, as mudanças repentinas de humor e comportamento da Noiva.

A diretora reforça sua posição de defensora feminista ao creditar à escritora Mary Shelley — autora de Frankenstein — o motivo de o filme ser protagonizado por uma mulher e reforçar tanto seus direitos. 

A protagonista usa até mesmo a frase, tão atual, “NÃO É NÃO” quando os abusos acontecem, mesmo colocando sua sobrevivência e a de seu parceiro em risco.


Não bastassem os direitos violados da Noiva, outras mulheres vivem a mesma situação, como a detetive Myrna Mallow, interpretada pela ótima Penélope Cruz. Num mundo totalmente dominado pelos homens — o da polícia —, ela precisa conviver com situações constrangedoras. 

Como ser chamada de secretária pelo colega detetive Jake Wiles (Peter Sarsgaard) e ver suas ordens serem ignoradas por outros policiais, só por ser mulher.

Christian Bale entrega um Frankenstein diferente, que quer alguém para dividir a vida. Apaixonado e romântico, ele também mostra que pode deixar seu lado cruel aflorar se sua amada estiver em perigo.


E quem disse que monstro não pode ser sensível e ter bom gosto? O maior prazer de Frankie é assistir a musicais no cinema de um ator que acompanha há anos — Ronnie Reed, papel de Jake Gyllenhaal —, numa clara referência a Fred Astaire. O filme, inclusive, faz referências a outros dançarinos famosos de Hollywood na época.

“A Noiva” acerta em vários quesitos — direção, roteiro, efeitos visuais, maquiagem e cabelo, elenco excelente e trilha sonora, entregue à compositora premiada Hildur Guðnadóttir. Tem tudo para concorrer a várias premiações este ano e disputar um Oscar em 2027. 

Gostei muito do longa de Maggie Gyllenhaal. A roteirista e diretora deu um olhar diferente e mais ousado para a história da noiva de Frankenstein, já contada em várias outras produções. Vale conferir. 


Ficha técnica:
Direção: Maggie Gyllenhaal
Produção: First Love Films e In The Current Company
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h07
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: ficção, drama, terror, suspense, romance

03 março 2026

“Kokuho: O Preço da Perfeição”, o longa japonês que evidencia o teatro kabuki e desperta impaciência

Filme dirigido por Lee Sang-il e indicado ao Oscar 2026 na categoria Melhor Maquiagem e Penteado
(Fotos: Sato Company)
  
 

Eduardo Jr.

 
O sucesso deve ser reservado apenas a quem tem sangue de artista? Vocação e suor sem sobrenome famoso devem garantir o estrelato? Estas questões certamente vão ressoar na mente do público ao assistir “Kokuho: O Preço da Perfeição” ("Kokuho"), que estreia nos cinemas brasileiros dia 5 de março.

Dirigido por Lee Sang-il e indicado ao Oscar 2026 na categoria Melhor Maquiagem e Penteado, se tornou o longa japonês mais assistido da história do Japão, com mais de 12 milhões de espectadores.


A história começa em 1964, na cidade de Nagasaki, e termina 50 anos depois. No filme, tradições, laços de sangue, arte, ambição e ciúme atravessam as vidas de dois jovens. Kikuo (interpretado por Sōya Kurokawa na adolescência, e Ryô Yoshizawa na fase adulta) assiste ao pai, líder de uma gangue da Yakuza, ser assassinado. 

Órfão, ele passa a viver na casa de Hanai Hanjiro II (Ken Watanabe), um famoso ator do teatro kabuki. Daí, junto de Shunsuke (Keitatsu Koshiyama), filho único do ator, ele decide se dedicar a essa forma de arte.


O kabuki é um teatro surgido no século XVII, após o governo japonês proibir a presença de mulheres nos palcos. Com isso, os homens passam a desempenhar papéis femininos. Interpretam aquilo que não são. Uma bela metáfora sobre um dos dilemas vivido pelo protagonista.

A jornada de Kikuo, agora rebatizado de Toichiro, traz os elementos da humilhação e da dor física em busca da excelência. Mas estes não serão os únicos problemas dele. Herdar um sobrenome de peso, enfrentar o ciúme da família, lidar com a opinião pública, abdicar de aspectos da vida em nome da arte, enfrentar a angústia de não se sentir parte daquele mundo... 

Tudo isso vai criando camadas e se colocando como dramas do personagem – e alongando a história.


“Kokuho: O Preço da Perfeição” é inteligente ao mostrar personalidades complexas, desenvolvidas como num livro. Talvez por ser uma adaptação de um romance de mesmo nome, escrito por Shuichi Yoshida. Não há maniqueísmo. 

O adotado apresenta doçura e fúria, talento e medo; enquanto o herdeiro Shunsuke traz as tintas da ingenuidade, da inveja, da amizade e do revanchismo. Ninguém é só bom ou apenas ruim.

Por outro lado, o longa faz jus ao termo que o caracteriza: é longo! É contemplativo e também cansativo. A grande quantidade de marcações de passagem de tempo deixa as quase três horas de filme ainda maiores. Contar a vida de alguém leva tempo, mas não tira do espectador a sensação de cansaço.  


Durante esse tempo, o público vai desfrutar de câmeras bem posicionadas, colocando algumas cenas como pinturas orientais. Destaque para a cena no cemitério, onde as opiniões têm lados definidos, e as apresentações de kabuki nos palcos.

O termo kokuho significa “tesouro nacional”. Se esse título de importância se refere à arte centenária do teatro ou à pessoa que abre mão de diversas coisas em nome do topo da arte, é algo que fica no ar, indefinido. Assim como o filme: morno, no meio do caminho. Vale à pena assistir, mas desperta mais impaciência do que emoção.  


Ficha técnica:
Direção: Lee Sang-il
Distribuição: Sato Company e Imovision
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h54
Classificação: 14 anos
País: Japão
Gênero: drama

02 março 2026

“Cara de Um, Focinho de Outro” emociona ao misturar aventura, tecnologia e alerta ecológico

Em nova animação da Pixar, humanos e animais dividem o protagonismo, cada um apresentando seu
lado de uma história (Fotos: Disney Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Emocionante e divertido, uma animação para a família toda. A Pixar Animation entrega, com “Cara de Um, Focinho de Outro” (“Hoppers”), mais uma bela produção capaz de fazer rir e chorar, levando ao público — dos seis aos 100 anos — uma mensagem bastante atual: é preciso cuidar e preservar a natureza e aprender a viver em harmonia com ela.

O filme estreia nos cinemas no dia 5 de março, em versões dubladas e legendadas, mas já pode ser conferido em várias salas das redes Cineart, Cinemark e Cinépolis BH.


Humanos e animais dividem o protagonismo, cada um apresentando seu lado de uma história que gira em torno de um pequeno lago nos arredores de uma cidade. No passado, Mabel Tanaka (Piper Curda) já era defensora dos animais, mesmo quando toda a população a criticava.

A única que a compreendia era sua avó, a Sra. Tanaka (Karen Huie), que morava perto do lago. Foi ela quem ensinou à neta a importância de ouvir os sons da natureza para entendê-la melhor, além de ajudá-la a lidar com a própria raiva e a controlar suas emoções.


Na adolescência, não poderia ser diferente. Ao descobrir que o pequeno refúgio natural onde viveu seus melhores dias de infância seria destruído pelo “avanço do progresso”, Mabel decide recorrer a uma tecnologia revolucionária para se conectar aos animais que ali habitavam e que precisaram fugir.

Ela transfere sua consciência para o corpo de um castor robótico, o que lhe permite explorar o universo animal — suas aventuras, alegrias, emoções e conflitos. 

A partir daí, promove uma verdadeira revolução dos bichos, enfrentando Jerry (Jon Hamm), o prefeito da cidade, determinado a acabar com o lago dos castores. Mas tudo tem seu preço, e a situação pode acabar ameaçando também a existência dos humanos.


Nomes conhecidos de Hollywood participam da aventura como dubladores. Meryl Streep dá voz à Rainha dos Insetos — na versão brasileira, Renata Sorrah estreia na dublagem. 

Dave Franco interpreta Titus, auxiliar da professora Sam (Kathy Najimy), que também trabalha com Diane (voz de Vanessa Bayer no original e de Thaís Fersoza na versão em português). 

Destaque para George (Bobby Moynihan), o Rei dos castores e Mamíferos, com sua coroa e varinha, liderando toda a comunidade com pompa e personalidade e que se torna o melhor amigo de Mabel.

O elenco conta ainda com Melissa Villaseñor (Ellen), Ego Nwodim (Rainha dos Peixes), Sam Richardson (Conner), Aparna Nancherla (Nisha), Nichole Sakura (Rainha dos Répteis), Isiah Whitlock Jr. (Rei dos Pássaros), Steve Purcell (Rei dos Anfíbios).


Entre correrias, gritos e confusões no reino animal, “Cara de Um, Focinho de Outro” aposta em um humor afiado ao tratar da destruição da natureza pelo homem e de como ela pode revidar quando menos se espera. 

A história lembra um pouco “Avatar” — como a própria protagonista menciona — ao utilizar a tecnologia para transferir mentes humanas para robôs, que passam a funcionar como canal de comunicação com os animais reais.

Visualmente, a animação é impecável, com imagens vibrantes, cenários bem detalhados e personagens que conquistam o público de imediato — até mesmo os vilões. 


Alguns personagens podem assustar crianças muito pequenas, especialmente os reis e rainhas de determinadas espécies quando declaram guerra aos humanos. Ainda assim, o filme equilibra bem tensão e humor, mantendo o tom leve e reflexivo.

Mais uma vez, a Pixar mostra que sabe contar histórias que divertem, emocionam e, principalmente, fazem pensar, agora sem deixar de lado a presença da tecnologia como uma aliada.
 

Ficha técnica:
Direção: Daniel Chong
Roteiro: Jesse Andrews e Daniel Chong
Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures
Distribuição: Disney Pictures e Disney+
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h45
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, comédia