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29 março 2026

Com o talento e atrevimento de sempre, Elza Cataldo nos apresenta "O Silêncio de Eva"

Documentário conta a história da atriz mineira Eva Nil, natural de Cataguases, que brilhou nas telas nos
anos de 1920 (Fotos: Divulgação)
 
 

Mirtes Helena Scalioni

 
A cineasta Elza Cataldo é mesmo uma diretora teimosa - quase pirracenta. Em plena pandemia, ela juntou numa mesma casa, uma turma de gente tão teimosa quanto ela para filmar "O Silêncio de Eva", documentário sobre a atriz mineira Eva Nil, que, a partir da pequena e efervescente Cataguases, na Zona da Mata, brilhou nas telas nos anos de 1920. E, no auge do sucesso, simplesmente desistiu da carreira sem justificativa aparente, para continuar a trabalhar no estúdio de fotografia do pai. 

A ideia da cabeça criativa de Elza era reproduzir a casa onde a jovem artista viveu com seu pai, o imigrante italiano Pedro Comello, e sua mãe Maria, só que em BH, mais precisamente no bairro São Pedro, onde vivem o casal de artistas Inês Peixoto e Eduardo Moreira e a filha Bárbara Luz. 


Figura enigmática do cinema mudo brasileiro, Eva Nil corria o risco de ser apagada como tantas mulheres, se Elza Cataldo não tivesse entrado também na pesquisa que vinha sendo feita por Inês Peixoto, encantada com a história de pioneirismo, coragem e - por que não dizer - mistério que envolviam a jovem que saiu da fama sem dar satisfação a ninguém. 

Entre outros profissionais que embarcaram na canoa sob o remo de Elza, está também a produtora e roteirista Christiane Tassis, que ao final da sessão de pré-estreia do doc no Una Cine Belas Artes, comemorou: "Ainda bem que não desistimos como fez a Eva".

(Crédito: Una Cine Belas Artes)

A trupe de Elza Cataldo tem mesmo muito a celebrar. O documentário intercala entrevistas com historiadores e professores de cinema com cenas da família de artistas de Belo Horizonte. 

Enquanto folheiam álbuns de fotos e recortes, os três vão revelando ao público histórias saborosas da vida e da arte de Eva, egípcia de nascimento, que teria chegado ao Brasil com seu pai fotógrafo aos cinco anos de idade. 

As conversas e comentários dos especialistas entregam também o caráter libertário, quase rebelde, daquela jovem atrevida da efervescente Cataguases. Para se ter ideia, ela e o pai chegaram a ter uma produtora e, em 1925, foram sócios de Humberto Mauro na pioneira Minas Film.


Chama à atenção a atuação de Bárbara Luz, adolescente que interpreta Eva Nil nas cenas em que a família de BH se transforma na família de Cataguases. Bela e expressiva, Bárbara encanta o espectador na difícil tarefa de representar uma atriz dos anos de 1920, quando a interpretação se dava apenas pelas expressões faciais e, principalmente, pelo olhar. 

Destaque para a equipe de maquiagem, que também merece aplausos por reproduzir com fidelidade a make da época, com suas faces brancas e boquinhas vermelhas.


Com roteiro assinado pela própria Elza, com Inês Peixoto e Christiane Tassis, responsáveis também pela produção, "O Silêncio de Eva" tem tudo para desvendar a vida e a arte de mais uma mulher antes que sua história seja apagada como outras. 

Certamente, o público vai se deixar levar também pelas informações do time de entrevistados brilhantes do documentário, não só dos especialistas, mas também dos moradores de Cataguases, orgulhosos por ter em mãos, ainda hoje, fotos antigas feitas pelo Estúdio Comello, muitas delas "assinadas" pelo capricho e talento de Eva Nil. 

Ao final, caberá ao público agradecer a coragem e a pirraça de Elza Cataldo por ela não ter desistido.


Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: Elza Cataldo
Produção: Persona Filmes e Encripta
Exibição: Una Cine Belas Artes - sala 1 sessão 18h30
Duração: 1h46
Classificação: 10 anos
País: Brasil
Gênero: Documentário