08 abril 2026

Até onde vai a confiança de Robert Pattinson em Zendaya? Confira em "O Drama"

Revelação de segredos do passado e do presente ameaça o momento que deveria ser o mais feliz do casal (Fotos: Diamond Films Brasil)
 
 

Maristela Bretas

 
Um encontro nada casual, dois jovens decididos a se casar e um segredo revelado às vésperas da cerimônia capaz de destruir tudo. Essa é a premissa de "O Drama" ("The Drama"), que estreia nesta quinta-feira (9) nos cinemas. 

Vendido como comédia romântica, o filme se aproxima muito mais do drama com suspense - e acerta ao apostar nisso.  Seu maior trunfo são as atuações afiadas de Zendaya ("Rivais" - 2024) e Robert Pattinson ("Mickey 17" - 2025), que funcionam com intensidade e química na primeira parceria em cena.


Eles vivem Emma e Charlie, que se conhecem em um encontro armado por ele numa cafeteria. A relação avança rápido até o noivado. Às vésperas do casamento, durante uma brincadeira entre casais, um segredo do passado da noiva vem à tona - e desestabiliza a confiança não só entra ela e Charlie, mas de todo o grupo.

Até onde um segredo nunca revelado pode corroer uma relação construída sobre amor e cumplicidade? Entre intrigas, traições e desconfianças, o diretor e roteirista Kristoffer Borgli vai criando um ambiente sufocante, marcado por tensão crescente, constrangimentos e doses certeiras de humor sombrio. Um exemplo disso é a cena desconfortável do casal com a fotógrafa do casamento, um dia após as revelações. 


O que deveria ser o momento mais feliz da vida a dois se transforma numa batalha silenciosa, que desgasta a relação dia após dia. O filme abandona rapidamente a leveza inicial e mergulha numa narrativa de suspense psicológico, cheia de reviravoltas, onde até a sanidade dos protagonistas passa a ser questionada.

Borgli conduz a trama com precisão ao explorar fragilidades e ressentimentos. Emma carrega um trauma do passado que ameaça destruir seu presente. 


Charlie, por sua vez, revela-se um homem inseguro e emocionalmente despreparado para lidar com a verdade. Zendaya e Pattinson entregam atuações intensas, transmitindo angústia em olhares, gestos e silêncios que adoecem a relação diante do espectador.

O elenco de apoio também se destaca, especialmente os padrinhos Rachel e Mike, interpretados por Alana Haim (“Uma Batalha Após a Outra” - 2025) e Mamoudou Athie (“Jurassic World: Domínio” - 2022). São eles que acendem o estopim do conflito e rapidamente expõem a superficialidade e a hipocrisia que sustentavam a amizade com o casal.


Ao longo de "O Drama", novas revelações aprofundam o desconforto e provocam o público a repensar ideias romantizadas sobre amor, confiança e culpa. Não espere um final reconfortante. 

O que fica é um nó na garganta — e a sensação incômoda de que talvez o filme diga mais sobre relações reais do que gostaríamos de admitir.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Kristoffer Borgli
Produção: A24
Distribuição: Diamond Films Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: drama, romance

07 abril 2026

“Cinco Tipos de Medo”: thriller brasileiro entrelaça, com qualidade, histórias e personagens

Filme marca a estreia no cinema dos atores de séries e telenovelas Bella Campos e Xamã, que conquistou
o troféu de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado (Fotos: Divulgação)
 
 

Eduardo Jr.

 
O cinema nacional vive, de fato, uma boa fase no quesito qualidade. O exemplo mais recente dessa safra é o interessante “Cinco Tipos de Medo”. Já com alguns prêmios na bagagem, o longa distribuído pela Downtown Filmes estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 9 de abril.  

Dirigido e roteirizado por Bruno Bini, o longa cruza, com habilidade, as histórias de cinco personagens. Talvez a proposta faça alguns leitores aqui se lembrarem do premiado “Crash: No Limite” (EUA, 2004). Ambos começam com reflexões do protagonista, entrelaçam histórias e entregam roteiros surpreendentes. 


Em “Cinco Tipos de Medo”, um jovem músico lida com uma perda e se envolve num romance que traz mais problemas do que paz. É quando começam a se cruzar as histórias de um traficante, um advogado de comportamento suspeito e uma policial com desejo de vingança.

A história se passa na periferia de Cuiabá (MT), cenário pouco explorado no audiovisual brasileiro. Ponto positivo para esta escolha. E apesar de ser um thriller, a direção consegue levar o olhar do espectador para além da tensão típica do gênero, com questões como a Covid-19, relacionamentos abusivos e para a ausência do estado em algumas comunidades, que leva pessoas a contar mais com o crime do que com o poder público.


O início já apresenta algo que chama a atenção, um aviso de que o longa se inspira em histórias reais. Logo depois, é mencionada uma pesquisa (sem informar a fonte ou se é real), sobre os maiores medos do homem: de médico, de lugares fechados, da solidão, de ficar sem dinheiro, e só então, no espantoso quinto lugar da lista, o medo de morrer. 

Bruno Bini, então, vai colorindo suas personagens com as tintas dessas preocupações. 


E o elenco, em sua maioria, dá conta do recado ao imprimir nas personagens esses traços. O filme conta com Bella Campos (Marlene) e Xamã (Sapinho) - ambos estrearam no cinema com este longa -, João Vítor Silva (Murilo), Bárbara Colen (a policial Luciana), Rui Ricardo Diaz (Ivan), Rejane Faria (Antônia), Jonathan Haaggensen (Hugo) e Zecarlos Machado (Régis).   

Criminalidade, suspense e violência dão corpo a esse thriller, que tem cenas apresentadas sem linearidade, mas que se encaixam bem no conjunto da obra. A luz correta, a fotografia bem executada, as conexões das histórias e as reviravoltas agradam bastante. 


Não por acaso o longa conquistou, no Festival de Gramado de 2025, os prêmios de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem, para Bruno Bini, além do troféu de Melhor Ator Coadjuvante para Xamã. E ainda viaja para disputas em festivais internacionais. 

Pode não ser um filme daqueles que conquistam indicações ao Oscar, mas prende o olhar do espectador na tela do início ao fim.  


Ficha Técnica:
Direção e roteiro: Bruno Bini
Produção: Plano B Filmes, Druzina Content, coprodução Quanta
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: salas da rede Cineart
Duração: 1h47
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, ação

05 abril 2026

Com leveza e muito humor "Parque Lezama" trata das dores e delícias da velhice

Luis Brandoni e Eduardo Blanco são os protagonistas octogenários desta comédia dramática que se
passa, na maior parte do tempo, num parque (Fotos: Netflix)
 
 

Mirtes Helena Scalioni

 
Mais uma vez, o diretor argentino Juan Campanella acerta em cheio, ao roteirizar e dirigir "Parque Lezama", filme tão engraçado e delicioso quanto incômodo. Os encontros frequentes de dois octogenários num parque popular de Buenos Aires levam o público ao inevitável confronto com a velhice que, se ainda não chegou, um dia chegará. 

Daí a maestria do diretor, que em 2010 levou o Oscar por "O Segredo dos Seus Olhos", ao nos apresentar com graça e nostalgia, os diálogos e - por que não dizer - as peraltices e aventuras desses dois homens tão diferentes um do outro.


Antônio Cardoso (Eduardo Blanco) é um velho conformado com seu lugar no mundo. Discreto, trabalha como zelador de caldeira de um prédio há mais de 40 anos e não pensa em se aposentar tão cedo. Já León Schwartz, magistralmente interpretado por Luiz Brandoni, é matreiro, loroteiro e sagaz. Sua vida é uma incógnita. 

Presume-se apenas que foi um militante comunista e que vive uma vida desregrada, mas cheia de aventuras. Embora se encontrem com frequência no mesmo parque, os dois são como água e azeite e, algumas vezes, chegam às vias de fato nas muitas discussões que eles próprios constroem. 


Sabe-se que Eduardo Blanco e Luiz Brandoni interpretaram os dois velhinhos por muito tempo em teatros na Argentina, sempre com muito sucesso. Não é pra menos. O roteiro é rico, bem construído e as situações apresentadas ao espectador sempre surpreendem. Nunca se sabe do que o ardiloso León Schwartz vai ser capaz de aprontar. 

A história é quase toda em cima dos diálogos dos dois personagens, mas nunca cansativa. Outros atores e atrizes entram como coadjuvantes em raros momentos, servindo apenas como escada para a dupla. Destacam-se Verônica Pelaccini como Clarita, filha de León, e Augustin Aristarán como Gonzalo, o sindico do edifício onde Antônio trabalha.


Mas que ninguém se engane: nem só de risadas vive o espectador de "Parque Lezama". Há momentos de muita ternura e amizade, além, claro, de esbarrões em questionamentos muito reais sobre a velhice e suas inevitáveis consequências e dificuldades. 

É possível envelhecer sem se tornar um peso para os filhos? Pode-se ficar velho e, ao mesmo tempo, independente? O filme está em cartaz no Netflix.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Juan José Campanella
Exibição: Netflix
Duração: 1h55
Classificação: 14 anos
País: Argentina
Gêneros: drama, comédia

02 abril 2026

“Super Mario Galaxy – O Filme” aposta no espetáculo, mas perde o charme do original

Mario e Luigi embarcam numa nova aventura por várias dimensões para ajudar a Princesa Peach e seus
amigos (Fotos: Universal Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Apostando em uma fórmula que deu certo tanto nos games quanto no cinema, a Nintendo e a Illumination retornam com a segunda animação estrelada pelos encanadores bigodudos mais famosos do mundo. 

Em cartaz nos cinemas, “Super Mario Galaxy – O Filme” é inspirado no clássico jogo lançado para Nintendo Wii em 2007 e funciona como sequência direta do sucesso de 2023, que arrecadou mais de US$ 1,3 bilhão mundialmente.


A produção mantém nomes importantes nos bastidores, como Chris Meledandri, da Illumination ("Minions" - 2015 e a franquia "Meu Malvado Favorito" - 2010 a 2024) e Shigeru Miyamoto (Nintendo), responsáveis por transformar o universo do personagem em um fenômeno também nas telonas. No entanto, apesar do investimento em espetáculo, o novo longa não repete o mesmo equilíbrio do anterior.

Visualmente, a animação impressiona: cores vibrantes, ritmo acelerado, personagens carismáticos e uma trilha sonora assinada novamente por Brian Tyler, que mistura temas originais com referências diretas aos jogos. É um pacote que deve agradar especialmente ao público infantil.


Já os fãs mais antigos podem sair com uma sensação diferente. O filme parece priorizar a quantidade de referências e personagens em detrimento de uma narrativa mais sólida. 

Se no primeiro longa o público vibrava a cada easter egg e a história foi tratada de forma simples, aqui o excesso de informações e a necessidade de apresentar novos elementos do universo “Galaxy” acabam tornando a história confusa e menos envolvente.


A dupla Mario (voz de Chris Pratt) e Luigi (Charlie Day) continua sendo o coração da trama, agora acompanhada de um reforço querido pelos fãs: Yoshi (Donald Glover), o dinossauro verde que surgiu na cena pós-créditos do filme anterior e ganha bastante destaque. Ao lado deles estão a Princesa Peach (Anya Taylor-Joy) e Toad (Keegan-Michael Key).

Entre as novidades, surgem personagens importantes como a Princesa Rosalina (voz de Brie Larson), mãe das adoráveis estrelinhas Lumalee; o malvado Bowser Jr. (Benny Safdie) e até Fox McCloud (Glen Powell), herói da franquia Star Fox — uma inclusão que pode indicar futuras expansões desse universo nos cinemas.


A trama gira em torno do sequestro de Rosalina por Bowser Jr., que pretende usar seus poderes para dominar o universo e libertar seu pai, o poderoso Bowser (Jack Black). A partir daí, os protagonistas embarcam em uma jornada por diferentes galáxias e portais interdimensionais, em uma sequência quase ininterrupta de ação.

Nesse percurso, o filme aposta alto no fan service, incluindo participações curiosas de outras propriedades da Universal, como os Minions e até um T-Rex que remete diretamente à franquia Jurassic World (2015). Apesar de visualmente interessantes, essas inserções reforçam a sensação de excesso.


Outro ponto que chama atenção é o uso criativo de diferentes estilos visuais, com momentos em 2D que homenageiam diretamente os games clássicos — uma escolha acertada que traz frescor à narrativa.

Porém, o desfecho chega rápido demais, destoando do ritmo acelerado do restante da história e deixando a sensação de que faltou desenvolvimento. 

Em compensação, duas cenas pós-créditos indicam que o universo compartilhado da Nintendo no cinema deve continuar se expandindo, possivelmente com novos crossovers e spin-offs.


No fim, “Super Mario Galaxy – O Filme” diverte e encanta visualmente, mas perde força ao tentar abraçar elementos demais. Funciona melhor como espetáculo do que como história — e deve agradar mais às crianças do que aos fãs que esperavam a mesma simplicidade e carisma do primeiro filme.

Assista e tire suas próprias conclusões.


Ficha técnica:
Direção: Aaron Horvath, Michael Jelenic
Roteiro: Matthew Fogel
Produção: Illumination Entertainment, Nintendo e Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h38
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, ação, aventura, fantasia, família

01 abril 2026

“À Paisana” supera clichês ao juntar o dever, o desejo e uma sociedade castradora

Tom Blyth é um policial que trabalha disfarçado para prender homens que praticam atos sexuais no
banheiro de um shopping até conhecer Russell Tovey (Fotos: Divulgação)
 
 

Eduardo Jr.

 
Seja você integrante ou não da comunidade LGBTQIAPN+, será difícil não ser impactado - para o bem e para o mal - com “À Paisana” ("Plainclothes"). O filme marca a estreia do diretor norte-americano Carmen Emmi, que aposta em poluição visual, momentos de agitação e no embate entre dever e desejo para rechear seu primeiro longa. 

No filme, Lucas (vivido por Tom Blyth) é um policial que trabalha disfarçado para prender, por meio da sedução, homens que praticam atos sexuais no banheiro de um shopping. 

Mas precisa lidar com o segredo da própria sexualidade, que passa a ser mais fortemente provocada quando conhece Andrew (Russell Tovey), um dos homens que ele poderia levar para a prisão. 


Mas este resumo não exprime a estética maluca que o longa estampa na tela. Já de saída o protagonista segura um envelope em uma cena “limpa”. A imagem muda para câmeras similares às de circuito fechado de segurança, que parecem vigiar o policial e os homens que transitam pelo centro comercial. 

Daí as lentes retornam para texturas mais atuais, até se tornarem um mosaico de imagens típico das câmeras caseiras de décadas atrás. Lamentavelmente, não fica claro se essa confusão de imagens é questão de estilo ou se é cinema experimental feito com equipamentos emprestados.


O espectador então percebe que a direção pretende levar a história por duas linhas temporais. Em uma, as memórias revelam o caminho trilhado por Lucas até aquele momento. 

Na outra, o “momento presente”, na festa de ano novo na casa da mãe, nos anos 1990 (é possível chegar a essa conclusão também por conta da barba do contido protagonista). 

E no castrador ambiente doméstico, ele parece calcular seus movimentos e reações, escondendo de todos um segredo que reluta em contar. A tensão de estar prestes a ser descoberto alcança o espectador. 


Pode até parecer que vai se desenrolar um filme clichê, mas os elementos apresentados até este momento são fragmentos de surpresas que virão. Além disso, é interessante ver como as cenas de “pegação” no banheiro são tensas e claustrofóbicas, puxando uma fila de cenas ágeis, barulhentas e de luz estourada… até que a próxima prisão se transforma em paixão. 

Com Andrew em cena, o frenesi da vida de Lucas encontra paz. É quando a agitação paralisa na calma do toque. Quando o sexo dá espaço à conversa para que ambos se sintam mais à vontade. 


Já vimos isso antes, mas o mistério é figura presente e nos mantém presos na história do possível casal, e atentos ao jovem que deseja conhecer mais do homem que é objeto de seu desejo, mas não se conhece nem se aceita integralmente. 

Você já deve estar imaginado se o casal ficará junto, se haverá a revelação de um grande segredo… mas digo a vocês: o longa reserva outros plots que vão ultrapassar esses clichês. 

Será uma boa escolha acessar a plataforma Filmelier+ no dia 02 de abril para descobrir, com exclusividade, porque “À Paisana” foi o vencedor do prêmio especial do júri no Festival de Sundance 2025.  


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Carmen Emmi
Produção: Magnolia Pictures
Exibição: plataforma Filmelier+
Duração: 1h35
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: drama, suspense