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| Léa Drucker está muito bem como corregedora de polícia Stephanie Bertrand que investiga má conduta de policiais durante uma manifestação (Fotos: Autoral Filmes) |
Mirtes Helena Scalioni
"Se há manifestação, certamente, trata-se de Paris" O comentário costuma ser repetido entre as pessoas que já visitaram mais de uma vez a capital francesa ou já viveram por lá algum tempo. A verdade é uma só: os franceses - e os parisienses em particular - estão sempre dispostos a participar de passeatas, greves e movimentos, sejam eles contra o governo, o transporte público, o serviço de saúde ou a polícia.
Pois é a partir dessa ideia que surge a história de "Caso 137" ("Dossier 137"), dirigido por Dominik Moll ("Lemming"- 2005 e "A Noite do 12" - 2022), em cartaz nos cinemas a partir de 16 de abril.
Ficção baseada em fatos, o longa apresenta ao público os dois lados do eterno conflito entre polícia e manifestantes a partir de um embate ocorrido em 2018, em plena Champs Elysées, quando um jovem foi ferido na cabeça por uma bala de borracha, também chamada de granada de dispersão, deixando sequelas sérias e irreversíveis.
Quem atirou? Foi legítima defesa ou abuso de autoridade? Houve testemunhas? É exatamente isso tudo que está investigando a corregedora Stephanie Bertrand (Léa Drucker), no que poderia ser apenas mais um caso de rotina, se ela já não conhecesse superficialmente a família de Guillaume Girard (Côme Peronnet), o jovem ferido.
Numa daquelas interpretações que podem ser chamadas de "tipicamente francesa", calcada na naturalidade, a policial de Léa Drucker convence sem muito esforço, colocando o espectador dentro do seu dilema. Afinal, ela completou 15 anos de bons serviços prestados à Inspeção Geral da Polícia Nacional, sem que nada manchasse sua carreira.
De quebra, ao mesmo tempo que fica conhecendo a seriedade com que a IGPN parece investigar a própria polícia, o espectador passa a tomar conhecimento também da burocracia que torna tudo mais lento, como se forçasse o apagamento dos erros.
E, claro, toca no inevitável corporativismo das forças policiais como se perguntasse: a quem a polícia deve proteger - o poder ou o cidadão?
O fato de ser uma mulher à frente da investigação é outro acerto do diretor, que também assina o roteiro com Gilles Marchand. Aos poucos, a história apresenta a vida de Stephanie e suas questões com os pais idosos, o ex-marido e o filho adolescente.
Não é difícil imaginar como foi que ela chegou ao topo da carreira diante de tantas dificuldades, já que sua família vive em Saint-Dizier, a mais de 200 quilômetros de Paris.
Indicado à Palma de Ouro de Cannes no festival de 2025, "Caso 137" teve oito indicações ao Prêmio César, quando Léa Drucker levou o prêmio de Melhor Atriz.
O elenco, aliás, é todo afinado e conta com Jonathan Turnbull (policial Benoit Guérine), Sandra Colombo (Joelle Girard), Mathilde Riu (Sonia Girard) e Guslagie Malanda (Alícia Mady), cada um colaborando, de uma forma ou de outra, para que as reviravoltas provoquem algum suspense e para que a discussão sobre a ética na polícia seja, mais uma vez, motivo de reflexão.
Ficha técnica:
Direção: Dominik MollRoteiro: Dominik Moll e Gilles Marchand
Distribuição: Autoral Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h55
Classificação: 16 anos
País: França
Gênero: thriller policial





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