Mostrando postagens com marcador @CinemanoEscurinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador @CinemanoEscurinho. Mostrar todas as postagens

27 janeiro 2026

"Song Sung Blues": uma história de superação ao som de Neil Diamond

Hugh Jackman e Kate Hudson protagonizam a dupla "Lightning & Thunder" que conquista fama levando aos
palcos um show dedicado ao músico (Fotos: Focus Features)
 
 

Patrícia Cassese

 
Não se trata, claro, de um expediente obrigatório. No entanto, pesquisar ao menos um pouco sobre o filme a que se vai assistir colabora, e muito, para a fruição - principalmente se a produção em questão se debruça sobre fatos reais. É o caso de "Song Sung Blue", que estreia no dia 29 de janeiro deste 2026 nos cinemas do Brasil. 

De pronto, o título já vai dizer muito às pessoas de espírito nostálgico, mesmo que sequer tivessem nascido à época: trata-se do título de uma canção homônima de Neil Diamond que estourou mundialmente no inicinho dos anos 1970 - foi lançada em 1972, dando sequência a uma série de hits emplacados pelo artista norte-americano, hoje octogenário, como "Sweet Caroline" (1969) e "I Am... I Said" (1971).


Vale dizer que, no recente Globo de Ouro, o longa-metragem dirigido por Craig Brewer foi classificado na categoria musical ou comédia, colocando o nome de Kate Hudson - que o protagoniza junto a Hugh Jackman - como candidata a melhor atriz. O prêmio, você se lembra, acabou indo (merecidamente) para Rose Byrne, por "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria". 

Se entendemos que foi uma imensa forçação de barra dizer que esse último título se enquadra no gênero comédia, é também estranho ver "Song Sung Blue" rotulado de musical. É que, ainda que a música seja a espinha dorsal da empreitada, ela está totalmente vinculada à história real - e não, não há números de dança coreografados, reunindo elenco e figurantes, tal como em "Emilia Perez" (2024), para citar um exemplo recente.


A história real sobre a qual "Song Sung Blue" se baseia é a de um casal de Milwaukee que, no auge do sucesso de Neil Diamond, cria um espetáculo em homenagem ao artista. 

O início flagra justamente o encontro dos dois, nos bastidores de um show que apresenta covers dos artistas em voga na época, como Elvis Presley e James Brown. São performances levadas muito a sério pelos empenhados intérpretes, ainda que em cada um habite o sonho de fazer fama para além daquilo. 

Ao se cruzarem nas coxias, Mike (Jackman), que se apresenta como Don Ho, e Claire (Hudson), que solta a voz a bordo do repertório de Patsy Cline, se aproximam e, em pouco tempo, criam a dupla "Relâmpago & Trovão" (Lightning & Thunder"), que passa a levar aos palcos um show dedicado a Diamond. 


E sim, o relacionamento não se limita apenas ao profissional - não tarda, os dois juntam as escovas de dente, numa ação que arrebanha também os dois filhos de Claire e, eventualmente, a filha de Mike. 

O que ambos não sabem, ali, naquele momento de felicidade, é que a vida reservaria ao casal momentos muito, muito trágicos, incluindo um acidente que muda drasticamente o destino de todos. 

Por outro lado, guarda também surpresas do âmbito do inacreditável, como o da dupla abrir um show para o Pearl Jam, a convite do próprio Eddie Vedder.


É importante frisar que a história incrível desse casal da vida real já havia sido levada à tela por meio de um documentário, dirigido por Greg Kohs - que, fica a dica, está disponível no YouTube. Craig assistiu à produção conduzida por Greg e, impressionado, partiu para contar a história com atores. E sim, as escolhas de elenco são bem acertadas. 

Jackman e Hudson se mostram extremamente empenhados, assim como o elenco de apoio, que traz desde veteranos, como Jim Belushi, a bons expoentes da nova geração, como os jovens Ella Andersen, King Princess (cantora, compositora, instrumentista e produtora) e Hudson Hensley, que fazem os filhos do casal. 

Outro ator que os fãs de "White Lotus" vão se deliciar em rever é Michael Imperioli, que integra a banda que acompanha Mike - na série da HBO, ele marcou presença na segunda temporada, passada na Itália.


Embora não seja um filme pretensioso no sentido de trazer inovações na sétima arte ou ficar marcado na história do cinema, assim como a passar o rodo na temporada de prêmios, "Song Sung Blue" não vai fazer o espectador sentir ter desperdiçado seu tempo nos cinemas. 

Principalmente se, como dissemos no início, adentrar a sala escura sabendo que o que será mostrado ali, na telona, é a representação de um episódio real. 

Isso porque, em determinado momento, quem ignorar essa particularidade certamente vai se fazer uma pergunta do tipo "mas como ele não agiu assim ou assado?". E, óbvio, ninguém consegue perscrutar o que se passa na cabeça do outro.

No frigir dos ovos, "Song Sung Blues" é um filme sobre resiliência. Sobre enfrentar adversidades, provações da vida, e tentar superá-las da maneira que dá, já que a vida assim o exige. 


Tudo isso ao som do repertório de um artista - Neil Diamond - cuja voz potente ressoou muito nas rádios brasileiras, inclusive em versões, como a de Diana (1948 - 2024) para "I Am... I Said". Recentemente, "Porque Brigamos" também ganhou cover (excelente) de Bárbara Eugênia. 

Certo, talvez o filme peque um pouco na parte final, ao incorrer com força no melodrama - justamente por isso, recomendamos, aos mais sensíveis, levar um pacotinho de lenços de papel. Como se trata de vida real, quem quiser saber o motivo, basta recorrer ao caso real. Mas, ainda assim, recomendamos. 

O talento dos dois atores centrais merece ser conferido - e as músicas do artista reverenciado, clamam por serem cantadas pelo público - mesmo que, óbvio, baixinho, para não atrapalhar quem está do lado.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Craig Brewer
Produção: Focus Features, Davis Entertainment
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h13
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: musical, drama

25 janeiro 2026

“Dinheiro Suspeito”: suspense da Netflix testa a amizade de Matt Damon e Ben Affleck

Além das duas estrelas, longa policial baseado em história real conta com um bom elenco formado
por atores e atrizes premiados (Fotos: Netflix)
 
 

Maristela Bretas

 
Há atores que dificilmente você imagina fazendo o papel de vilão. Eles já nasceram com cara de mocinho, mesmo quando tentam fazer cara de mal. Ben Affleck é um exemplo disso em "O Contador" (2016). 

Outro que não perde a cara de "filho de vó" é Matt Damon. Como seu papel em "Jason Bourne" (2016), que apresenta o ator bem afiado no papel do superagente. 

A dupla também trabalhou junta em outra produção de sucesso - "AIR: A História Por Trás do Logo" (2023), que conta a criação da linha de tênis para basquete Air Jordan, da Nike.


Agora, no suspense policial "Dinheiro Suspeito" ("The Rip"), um dos lançamentos da Netflix de 2026, como saber qual deles é o vilão? Com mais de duas horas de duração, recheado de reviravoltas e com um bom elenco de apoio, os dois queridinhos de Hollywood entregam boas atuações e muita química. Damon e Affleck são velhos amigos e sócios no Artists Equity, estúdio que produziu o filme. 

O longa conta a história de um grupo de policiais da equipe tática da Divisão de Narcóticos de Miami que descobre um esconderijo com milhões de dólares em dinheiro vivo - uma tentação capaz de virar a cabeça do mais correto dos policiais. 

E agora: entregar o dinheiro ou dividir entre a equipe? A operação pode colocar em xeque a confiança e a união do grupo? Em quem confiar?


A produção é baseada em uma história real sobre uma operação conduzida em 2016 por Chris Casiano, à época chefe da Narcóticos da polícia do Condado de Miami-Dade e amigo do diretor Joe Carnahan. 

Durante uma investigação de tráfico de drogas, a equipe de Casiano encontrou escondido na parede de uma casa a quantia de US$ 24 milhões (R$ 128,9 milhões) em dinheiro vivo e preciso aguardar a chegada de reforços para remover a fortuna.

O filme também presta uma homenagem ao filho de Casiano, Jake William, que morreu aos 11 anos vítima de leucemia e foi a inspiração para o personagem de Matt Damon, que perde um filho para o câncer. 


A atuação do elenco é um dos destaques. Merece atenção a participação da premiada Teyana Taylor, vencedora do Globo de Ouro 2026 como Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação em "Uma Batalha Após a Outra" e agora cotada para disputar o Oscar na mesma categoria. 

Também estão no elenco Steven Yeun ("Minari - Em Busca da Felicidade" - 2021), vencedor do Emmy, do Globo de Ouro e do Critics Choise de 2024 como Melhor Ator; Catalina Sandino Moreno ("Bailarina - Do Universo John Wick" - 2025), indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2005; além de Sasha Calle (a Supergirl de "The Flash" - 2023) e Kyle Chandler ("Manchester a Beira-mar" -2017).

O filme tem mais suspense do que ação, poucas locações, poucos efeitos visuais e sem grandes perseguições. O final é muito bom, mas não chega a surpreender. 


Afinal, como revelou Matt Damon em entrevista de divulgação do filme, "a Netflix solicita a repetição de informações cruciais da trama, até 4 vezes, em produções como 'Dinheiro Suspeito', para garantir a compreensão do público, que assiste a conteúdos distraído com celulares e redes sociais".

Mesmo assim, esses pontos não estão interferindo nos números de "Dinheiro Suspeito". Desde a sua estreia, em 16 de janeiro, o longa vem liderando o ranking global da plataforma e já é considerado o maior lançamento da Netflix em 2026. São mais de 41 milhões de visualizações em quase 90 países. 

Eu gostei e recomendo. Confira e me conte aqui o que achou.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Joe Carnahan
Produção: Artists Equity
Exibição: Netflix
Duração: 1h52
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, drama, policial, ação

23 janeiro 2026

"A Vingança de Charlie" - um suspense de terror sobre traumas, medos e reviravoltas

Katheleen Kenny e seu agressor centralizam todo a ação e são os únicos a aparecerem (Fotos: Sofá DGTL)
 
 

Maristela Bretas

 
Gosta de um bom suspense de terror, daqueles que prende do início ao fim. Então a dica do blog de hoje é "A Vingança de Charlie" ("Sorry, Charlie"). O filme, lançado em 2023, entrou no catálogo da plataforma Filmelier+, streaming da Sofá DGTL que pode ser acessada pelo Prime Vídeo por aluguel.

Dirigido e produzido por Colton Tran, o longa vai contando aos poucos o drama de Charlie, em ótima atuação de Katheleen Kenny. Recém mudada para uma antiga casa que recebeu de herança da avó, a jovem é atraída à noite pelo choro de um bebê no jardim. 

Ao sair da residência, a jovem é atacada e estuprada por um homem de roupa preta e máscara de caveira, que estuprava suas vítimas somente para vê-las grávidas dele. 


Meses depois, um suspeito é preso por ter atacado outras mulheres usando o mesmo método para atrair as vítimas. Mas Charlie nunca se esqueceu da voz de seu agressor e não acredita que "O Cavalheiro" (papel de Travis William Harris e voz de Connor Brannigan), como foi identificado, seja aquele que a atacou.

Ainda morando na casa, ela agora trabalha como voluntária de um serviço de apoio emocional a pessoas que sofreram algum trauma (tipo um CVV). Charlie ainda tem pesadelos com seu estuprador, especialmente por causa da gravidez indesejada avançada, resultado do ataque. 


Para piorar, ela se sente vigiada constantemente, mesmo com os amigos e familiares insistindo que é apenas coisa da cabeça dela. É essa tensão que vai tomando conta do filme. Toda a ação ocorre num espaço - a casa de Charlie.

À medida que as suspeitas de Charlie vão tomando forma e seu agressor ganha corpo, ela percebe que ele está mais perto do que imaginava. A partir daí, o longa dá uma reviravolta com um final surpreendente que deve agradar ao telespectador.

Segundo o diretor, o filme teria sido inspirado em eventos reais, o que o torna ainda mais tenso. Não bastasse a voz sussurrante e ameaçadora ao telefone do verdadeiro "Cavalheiro", a máscara de caveira ajuda a compor o perfil do assediador implacável. 


O pacote fica completo com a trilha sonora de Alexander Taylor, que conta com uma canção macabra de ninar e outras como "Now I Just Don't Care" e a música de encerramento - "I'm Still Here" ("Eu Ainda Estou Aqui").

Claro que os erros padrões dos filmes de terror acontecem, mas no caso de "A Vingança de Charlie" há pelo menos uma explicação para que todas as vítimas do agressor tenham cometido o mesmo erro. 

Segundo o filme, "estudos mostram que o choro de um bebê provoca simpatia e cuidados nas mulheres, gerando uma reação instintiva de cuidado, mesmo em indivíduos que não tiveram experiência com a maternidade". E é exatamente deste instinto que o suspeito se aproveita.


O filme é todo centrado em Charlie, que vai levando a vida tentando superar seus traumas e medos após a agressão. Por sua linha telefônica chegam diariamente ligações de seus pais, de amigos, da psiquiatra que a atende e das pessoas que procuram o serviço de apoio emocional. 

Mas nenhuma delas aparece, apenas suas vozes são ouvidas, reforçando o ambiente isolado e escuro vivido pela protagonista. Toda a ação ocorre na casa de Charlie, com destaque para a piscina no jardim. 

"A Vingança de Charlie" é um dos bons lançamentos dos catálogos de streaming para abrir a temporada de terror de 2026. Não emprega efeitos visuais grandiosos de um blockbuster, a história é interessante e os atores, mesmo pouco conhecidos, dão conta do recado. Vale conferir.


Ficha técnica:
Direção: Colton Tran
Produção: Night Night, coprodução com a Colton Tran Films
Distribuição: Synapse Distribution
Exibição: Filmelier+ disponível na plataforma Prime Video, com aluguel a partir de R$ 6,90.
Duração: 1h15
Classificação: 16 anos

País: EUA
Gêneros: terror, suspense

22 janeiro 2026

"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" decepciona ao tentar reproduzir famosa franquia

Longa novamente dirigido por Christophe Gans é uma adaptação do videogame "Silent Hill 2"
(Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas


"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" ("Return To Silent Hill") estreia nesta quinta-feira nos cinemas tentando ressuscitar o prestígio de uma das franquias mais cultuadas do terror psicológico, mas acaba entregando um retorno decepcionante. 

Dirigido novamente por Christophe Gans, o longa é uma adaptação de "Silent Hill 2", um dos jogos mais aclamados da série, porém com menos impacto, menos personalidade e muito mais problemas. Até oferece um susto ou outro nos primeiros 10 minutos e mais nada.


A história acompanha James (Jeremy Irvine, de "Mamma Mia 2" - 2018), um pintor atormentado que recebe uma carta misteriosa de Mary (Hannah Emily Anderson), seu amor perdido após a separação, pedindo que ele retorne à estranha cidade de Silent Hill para um possível reencontro. 

O que ele encontra, no entanto, é uma cidade devastada por um incêndio, tomada por névoa e lembranças fragmentadas de uma comunidade tão bizarra quanto ameaçadora. Conforme James revisita memórias de seu passado com Mary, figuras tenebrosas começam a surgir, colocando sua sanidade mental à prova.


Entre essas presenças está o icônico Piramidy Head, vivido novamente por Robert Strange, uma das poucas conexões diretas com o imaginário dos jogos da Konami e do filme original. 

Também chama atenção a presença da jovem Eve Templeton, embora sua personagem seja pouco explorada pelo roteiro. Infelizmente, mesmo com elementos reconhecíveis para os fãs, o filme falha em construir tensão verdadeira ou aprofundar seus personagens.


Apesar de tentar se aproximar mais da estética e da mitologia da famosa série de videogames Silent Hill, o longa entrega uma versão diluída e confusa desse universo.

O terror psicológico dá lugar a cenas repetitivas e previsíveis, que apostam mais em criaturas grotescas do que em atmosfera. A direção de Gans parece presa ao passado, reciclando ideias sem o mesmo cuidado ou impacto visual que marcaram a série de videogames.


O roteiro, por sua vez, se perde em explicações vagas e revelações sem peso emocional. O drama de James nunca se desenvolve plenamente, e sua jornada entre culpa, amor e trauma não encontra força suficiente para envolver o espectador. O resultado é um filme que parece sempre à beira de algo interessante, mas nunca chega lá.

No fim, “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” soa como uma continuação desnecessária. Ao tentar agradar fãs dos jogos e do primeiro longa, acaba entregando uma experiência inferior, esquecível e sem o impacto psicológico que tornou Silent Hill um nome tão marcante no terror. 

Um retorno que confirma que algumas portas talvez devessem permanecer fechadas.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Christophe Gans
Produção: Davis Films, em parceria com Electric Shadow
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: terror

15 janeiro 2026

"Davi: Nasce Um Rei" - uma animação cristã sobre força e fé

Com linguagem acessível a todas as idades, filme narra a trajetória do pastor de ovelhas que se tornou
o segundo rei do povo de Israel (Fotos: Heaven Content)
 
 

Maristela Bretas

 
Entrou em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira (15), em versão dublada, a animação cristã "Davi: Nasce Um Rei" ("David") que narra, em linguagem acessível a todas as idades, a história bíblica do jovem pastor de ovelhas que enfrentou o gigante Golias com sua fé inabalável e se tornou o segundo rei dos judeus. 

Produzido pela Heaven Content e Sunrise Animation Studios, o longa traz mensagens fortes, de fé e esperança, transmitidas por meio de músicas entoadas pelo elenco, especialmente pelo protagonista, que recebeu as vozes originais de Brandon Engman (Davi menino) e Phil Wickham (Davi adulto).


"Davi: Nasce Um Rei" tem uma narrativa envolvente, até mesmo para aqueles que não conhecem bem as histórias de grandes personagens bíblicos. O lado divertido para as crianças são as ovelhinhas, com seus olhos grandes e muita energia. 

Elas são as companheiras fieis de Davi no início de sua jornada, antes mesmo de ser escolhido para ser o novo rei dos hebreus.

Das canções da mãe que embalavam seu coração às silenciosas conversas com Deus, Davi era um menino adorado por todos, especialmente por seus animais e a irmã caçula. Nascido em Belém e oitavo filho de Jessé, enfrentou e venceu o gigante filisteu, que desafiava o exército de Israel. 


Com sua fé inabalável em Deus e usando apenas uma funda e uma pedra, Davi matou Golias com uma pedrada na testa. Mas sua jornada estava apenas começando. Ele ainda teria de enfrentar outros desafios, como os inimigos do povo hebreu e a inveja do rei Saul (voz de Asim Chaudhry), além de ter sua fé testada a todo instante.

Claro que os detalhes mais violentos narrados na Bíblia são aliviados ou deixados de lado na animação, exatamente por ela ser direcionada a um público infantil. Afinal, o objetivo é apresentar um personagem jovem de coração bom e devoto a Deus.


Os diretores Brent Dawes e Phil Cunningham também tiveram uma grande preocupação com o visual, o ponto mais forte da animação. Eles entregam uma produção com cores vibrantes e um traço bem definido, especialmente dos personagens mostrados em closes que emocionam e ajudam a reforçar as mensagens de coragem e fé inabalável, mesmo nas horas difíceis. 

Também são belas as cenas abertas dos locais por onde Davi passa, tanto dos campos de batalha quanto de pastoreio. 


Mas a animação falha no excesso de músicas cristãs contemporâneas que interrompem a narrativa em momentos importantes. Mesmo tendo Joseph Trapanese (do live-action de "A Dama e o Vagabundo" - 2019 e "O Rei do Show" - 2017) como responsável pela trilha sonora e as poderosas vozes de Lauren Daigle (vencedora de dois Grammys) e do cantor evangélico Phil Wickham.

Outro ponto negativo é o fato de o roteiro dedicar pouco tempo para momentos importantes da trajetória de Davi, como o confronto com Golias, fato que mudou sua vida. Era para ser um dos pontos de maior destaque, mas passou mais rápido que o passeio de Davi com suas ovelhas do início do longa.


Excelente bilheteria

- "Davi: Nasce Um Rei" custou cerca de US$ 60 milhões;
- Arrecadou mais de US$ 70 milhões apenas nos cinemas norte-americanos;
- Ocupou a 2ª posição nas bilheterias dos EUA, atrás apenas de "Avatar: Fogo e Cinzas" (2025) nas primeiras semanas;
- Superou "Som da Liberdade" (2023) e outras animações do gênero, como "O Rei dos Reis" e "O Príncipe do Egito"
- Se tornou a animação com temática religiosa de maior bilheteria, segundo a fonte Angel Studios.

Com estes números, a expectativa é de que o longa deverá obter uma boa bilheteria no restante do mundo, agradando ao público, especialmente o cristão. Vale ser conferido pelo visual, a linguagem simples e pela história deste importante personagem de várias religiões.


Ficha técnica:
Direção:
Brent Dawes e Phil Cunningham
Roteiro: Brent Dawes, Kyle Portbury e Sam Wilson
Produção: Sunrise Animation Studios, com coprodução da Angel Studios e 2521 Entertainment
Distribuição: Heaven Content em parceria com a 360 WayUp
Exibição: salas das redes Cineart e Cinemark e Cinépolis Estação BH
Duração: 1h49
Classificação: 10 anos
País: EUA
Gêneros: animação, família, bíblico, musical

14 janeiro 2026

“Ato Noturno” é a primeira boa surpresa do cinema nacional em 2026

Desejo, risco e moralismo marcam longa dirigido pelos gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
(Fotos: Avante Filmes e Vulcana Cinema)
 
 

Eduardo Jr.

 
Filme ousado no pedaço! Estreia no dia 15 de janeiro “Ato Noturno”, longa que é um pouco thriller e um bocado erótico. Dirigido pelos gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, a obra mostra um ator e um político que vivem um caso onde o fetiche de ambos é praticar sexo em lugares públicos. 

Distribuído pela Vitrine Filmes, o lançamento ocorre por meio do projeto Sessão Vitrine Petrobrás. 

Matias (Gabriel Faryas) é um ator que deseja mais da carreira. Ao saber que uma grande série vai ser filmada em Porto Alegre, ele passa a desejar o papel. 

E aí se intensificam os atritos com Fábio (Henrique Barreira), o colega de apartamento e de companhia de teatro, que também quer ser protagonista de uma grande produção. 


Um elemento externo é quem bota fogo nessa história: Rafael (Cirillo Luna), que conhece Matias em um aplicativo de paquera. Logo de cara os dois vão dando pistas de que o prazer do casal está associado ao exibicionismo. 

Porém, Rafael é um político, e acredita que esse tipo de conduta é uma grande ameaça às ambições de ambos. É o político que alerta que, ao alcançar a fama, Matias vai precisar se adaptar às situações, omitir sua sexualidade. 


Cegos pelo desejo, eles seguem se arriscando. A direção faz com que Porto Alegre e alguns de seus pontos tradicionais se tornam locações de cenas tórridas, nas quais a escuridão da noite acende o fogo de casais, trios, quartetos…  

As poucas cenas diurnas são, em maioria, em locais abertos, onde a vida civil acontece, silenciosa e hipócrita. E aquilo que é sussurrado demanda atenção do espectador, por haver momentos em que a música é alta e a qualidade dos microfones perde potência. 


Outra leitura possível de ser feita a partir desse detalhe técnico é a da violência da cidade contra algumas identidades e comportamentos, invadindo brutalmente, tal qual o som que atravessa as cenas. 

O espectador é afetado pelo suspense, pelo incômodo, é contaminado pela raiva, é permeado pela ansiedade proposta no roteiro e pelo sexo estampado na tela (natural, quente e sem se descolar da trama). 

Apesar da luz do dia, em que as convenções sociais colocam cada coisa em seu lugar, é no ato noturno que se expressa a verdade, o desejo. 


Não dá pra ficar imune ao filme de Reolon e Matzembacher. Prova disso está nas conquistas que a dupla obteve no Festival do Rio, quando levou três Troféus Redentor: Melhor Ator para o estreante em longas Gabriel Faryas, Melhor Roteiro para Matzembacher e Reolon e Melhor Fotografia para Luciana Baseggio. 

Além disso, a produção ainda foi eleita o Melhor Filme do Prêmio Felix, dedicado a obras com temática LGBTQIAPN+. O cinema nacional também tem espaço para provocação, erotismo e confronto de hipocrisias. Ir ao cinema prestigiar o longa precisa ser seu próximo ato noturno.     


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
Produção: Avante Filmes, com coprodução da Vulcana Cinema
Distribuição: Vitrine Filmes
Exibição: Cine Una Belas Artes
Duração: 1h57
Classificação: 18 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, thriller

12 janeiro 2026

Com duas estatuetas, Brasil faz história no Globo de Ouro com "O Agente Secreto"

Longa dirigido por Kleber Mendonça Filho conquista prêmios de Melhor Filme em Língua Não Inglesa
e Melhor Ator em Filme de Drama (Fotos: CinemaScópio Produções)
 
 

Maristela Bretas

 
"O Agente Secreto", do diretor Kleber Mendonça Filho, atingiu mais um feito histórico para o cinema brasileiro ao conquistar, neste domingo (11) os prêmios de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, e de Melhor Ator em Filme de Drama, recebido por Wagner Moura na 83ª edição do Globo de Ouro. Mais um para a coleção do ator, que também foi eleito Melhor Ator no Festival de Cannes de 2025 onde a produção fez sua estreia mundial.

O longa já soma mais de 20 prêmios concedidos por festivais e associações de críticos ao redor do mundo. Entre os destaques mais recentes estão as conquistas na 31ª edição do Critics Choice Awards 2026, onde venceu como Melhor Filme em Língua Estrangeira, e no New York Film Critics Circle (NYFCC) Awards 2026, no qual Wagner Moura recebeu o prêmio de Melhor Ator e o filme foi reconhecido como Melhor Filme Internacional.

Wagner Moura (Reprodução TV)

Orlando Bloom e Minnie Driver entregaram a estatueta de Melhor Filme em Língua Não-inglesa para o diretor Kleber Mendonça Filho. O longa brasileiro competiu com produções da Coreia do Sul, França, Noruega, Espanha e Tunísia.

Wagner Moura recebeu seu troféu das mãos dos atores Diane Lane e Colman Domingo, que ainda simulou no palco uma dança para comemorar com o ator brasileiro, que ao final de seu discurso em inglês, agradeceu em português a todos os brasileiros pela conquista.

Ambientado no Brasil de 1977, em pleno período da ditadura militar, "O Agente Secreto" acompanha Marcelo, interpretado por Wagner Moura, um professor que retorna de São Paulo para Recife, sua terra natal, tentando escapar de um passado violento e misterioso para ficar perto do filho. 


Mas logo percebe que o passado continua à espreita e, mesmo usando uma nova identidade, ainda corre risco e representa um perigo para todos ao seu redor. 

O longa é uma coprodução entre Brasil (CinemaScópio Produções), França (MK Productions), Holanda (Lemming) e Alemanha (One Two Films), com distribuição nacional da Vitrine Filmes.

"O Agente Secreto" foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2026. A 98ª edição da cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood está prevista para o dia 15 de março.

As premiações

George Clooney, ao lado de Don Cheadle, anunciou o vencedor da principal categoria do Globo de Ouro 2026. "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet", da diretora Chloé Zhao, foi escolhido Melhor Filme de Drama. 

A produção também levou a estatueta de Melhor Atriz em Filme de Drama, entregue por Chris Pine e Ana de Armas a Jessie Buckley por sua elogiada atuação.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet"
(Foto: Universal Pictures)

Com apresentação da comediante Nikki Glaser, o Globo de Ouro 2026, foi realizado no auditório do Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles. As atrizes Amanda Seyfried e Jennifer Garner entregaram o primeiro prêmio da noite, de Melhor Atriz Coadjuvante em Filme para Teyana Taylor, por sua atuação em "Uma Batalha Após a Outra", da Warner Bros. Pictures. 

A produção, considerada a favorita, foi a maior premiada conquistando outras três estatuetas: Melhor Roteiro em Filme, Melhor Direção em Filme e Melhor Filme de Comédia ou Musical, entregues ao diretor e roteirista Paul Thomas Anderson.

"Uma Batalha Após a Outra"
(Foto: Warner Bros. Pictures)

Nas séries, como era esperado, "Adolescência", da Netflix, também foi premiada quatro vezes: Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama, novamente para o jovem Owen Cooper, que aumentou sua coleção de estatuetas como protagonista; Melhor Ator em Minissérie ou Filme de TV, conquistado por Stephen Graham; Melhor Atriz Coadjuvante em Série para Erin Doherty, e Melhor Minissérie ou Filme para TV.

Duas estatuetas

Outro filme que estava entre os favoritos na disputa pelo Globo de Ouro 2026 foi o filme "Pecadores", do diretor Ryan Coogler, com Michael B. Jordan interpretando dois irmãos gêmeos. O longa levou os prêmios de Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Campeão de Bilheteria. 

Sem novidade também foram as estatuetas entregues a "Guerreiras do K-Pop", da Netflix, que levou os prêmios de Melhor Música para Filme com a canção "Golden", e de Melhor Filme de Animação. Considerada um dos fenômenos da Netflix ela já teve uma nova temporada anunciada.

"Guerreiras do K-Pop" (Foto: Netflix)

Nas séries, uma das favoritas, "The Pitt" levou também dois troféus: Melhor Ator em Série de Drama, para Noah Wyle, e Melhor Série de Drama. A série da HBO Max, que estreou recentemente a segunda temporada, já anunciou uma terceira. 

"The Studio", da Prime Vídeo, foi outra que venceu em duas categorias do Globo de Ouro 2026: Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical, prêmio entregue a Seth Rogen, e Melhor Série de Comédia ou Musical. A série já teve sua segunda temporada confirmada.

"The Studio" (Foto: Prime Vídeo)

Veja a lista completa de vencedores:

- Melhor Filme de Drama: "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet"
- Melhor Filme de Comédia ou Musical: "Uma Batalha Após a Outra"
- Melhor Ator em Filme de Drama: Wagner Moura ("O Agente Secreto")
- Melhor Atriz em Filme de Drama: Jessie Buckley ("Hamnet: A Vida Antes de Hamlet")
- Melhor Série de Comédia ou Musical: "The Studio"
- Melhor Minissérie ou Filme para a TV: "Adolescência"

"Adolescência" (Foto: Netflix)

- Melhor Série de Drama: "The Pitt"
- Melhor Atriz em Série de Drama: Rhea Seehorn ("Pluribus")
- Melhor Performance de Comédia Stand-up na TV: Ricky Gervais ("Ricky Gervais: Mortality")
- Melhor Atriz Coadjuvante na TV: Erin Doherty ("Adolescência")
- Melhor Filme em Língua Não-inglesa: "O Agente Secreto"
- Melhor Filme de Animação: "Guerreiras do K-Pop"
- Melhor Direção em Filme: Paul Thomas Anderson ("Uma Batalha Após a Outra")
- Melhor Destaque em Bilheteria: "Pecadores"
- Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV: Michelle Williams ("Dying for Sex")
- Melhor Ator em Minissérie ou filme para a TV: Stephen Graham ("Adolescência")

"Pecadores" (Foto: Warner Bros. Pictures)

- Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical: Timothée Chalamet ("Marty Supreme")
- Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musica: Rose Byrne ("Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria")
- Melhor Roteiro de Filme: Paul Thomas Anderson ("Uma Batalha Após a Outra")
- Melhor Trilha Sonora de Filme: "Pecadores"
- Melhor Música para Filme: canção "Golden" ("Guerreiras do K-Pop")
- Melhor Podcast: "Good Hang with Amy Poehler"
- Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical: Seth Rogen ("The Studio")
- Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama: Owen Cooper ("Adolescência")
- Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical: Jean Smart ("Hacks")
- Melhor Ator em Série de Drama: Noah Wyle ("The Pitt")
- Melhor Ator Coadjuvante em Filme: Stellan Skarsgard ("Valor Sentimental")
- Melhor Atriz Coadjuvante em Filme: Teyana Taylor ("Uma Batalha Após a Outra")

Noah Wyle, de "The Pitt (Foto: HBO Max")

08 janeiro 2026

"A Empregada": o suspense que prova que confiança pode ser armadilha

Amanda Seyfried e Sydney Sweeney protagonizam o longa inspirado no best-seller homônimo escrito
por Freida McFadden (Fotos: Paris Filmes)
  
 

Marcos Tadeu
Do blog parceiro Jornalista de Cinema

  
"A Empregada" ("The Housemaid"), em cartaz nos cinemas, traz para as telas o suspense psicológico que conquistou leitores do best-seller de suspense de Freida McFadden. 

Dirigido por Paul Feig (de "Um Pequeno Favor" - 2018), o filme aposta em mistério, tensão e jogos de manipulação para fisgar o público logo de cara, deixando claro que aquela casa luxuosa esconde muito mais do que parece.


A história acompanha Millie Calloway (Sydney Sweeney, de "Madame Teia" - 2024), uma jovem tentando recomeçar a vida depois de um passado difícil. 

A oportunidade surge quando ela aceita trabalhar como empregada doméstica na mansão de Nina (Amanda Seyfried, de "Mamma Mia" - 2018) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar, de "É Assim que Acaba" - 2025).

No início, tudo parece perfeito demais e é justamente aí que mora o perigo. Aos poucos, Millie percebe que seus patrões são estranhos, instáveis e donos de segredos perturbadores, transformando o que parecia um emprego dos sonhos em um verdadeiro pesadelo.


O filme acerta no elenco. Sydney Sweeney segura bem o papel e convence como alguém que tenta manter o controle mesmo quando tudo começa a sair do lugar. 

Amanda Seyfried e Brandon Sklenar também se destacam, criando personagens cheios de ambiguidades, daqueles que deixam o espectador o tempo todo desconfiado. A dinâmica entre os três é o que realmente move a história e sustenta o suspense até o fim.

O longa, no entanto, escorrega no ritmo. Em alguns momentos, ele aposta em exageros e ironias; em outros, fica pesado demais, trazendo discursos mais diretos sobre violência psicológica e união feminina. 


Essa mudança de tom pode causar estranhamento, mas não chega a estragar a experiência. O final ainda deixa algumas perguntas no ar, dando aquela sensação de “continua?”, o que pode indicar planos para uma sequência. 

"A Empregada" cumpre bem o que promete: prende a atenção, provoca desconforto e rende boas reviravoltas. É um suspense que funciona tanto para quem gosta de mistério quanto para quem busca um filme envolvente para começar o ano no cinema. 

Sem reinventar o gênero, o longa entrega entretenimento sólido e deixa claro por que essa história fez tanto sucesso antes mesmo de chegar às telonas.


Ficha técnica:
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Produção: Lionsgate, Hidden Film
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h13
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: suspense