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20 março 2026

"Enzo" flagra o embate de um adolescente com sua sexualidade e uma realidade de privilégios

Eloy Pohu e Maksym Slivinskyi são colegas num canteiro de obras onde trabalham como pedreiros e
criam uma amizade que vai além do trabalho (Fotos: Mares Filmes)
 
 

Patrícia Cassese

 
Há um ponto importante a preceder a análise de "Enzo", produção francesa que entra agora em cartaz na cidade. É que, já com o projeto em curso, o diretor Laurent Cantet teve que lidar com o agravamento do seu quadro de saúde, em função de um câncer. 

Consciente de seu pouco tempo de vida, ele teria chegado a aventar o arquivamento do projeto. A ideia, no entanto, foi refutada pelo seu parceiro de trabalho de toda vida, o também diretor Robin Campillo ("120 Batimentos por Minuto"), que, no quarto de um hospital, manifestou o desejo de tocar a empreitada. 

Cantet faleceu aos 63 anos, em abril de 2024. Com absoluto respeito ao caminho já delineado pelo amigo - a quem havia conhecido quatro décadas antes -, Campillo seguiu resoluto e, assim, no ano passado, o filme, enfim, chegou às salas exibidoras na Europa.


"Enzo" se filia ao escaninho dos filmes que lançam um olhar sobre o rito de passagem da adolescência para a vida adulta por meio do personagem citado no título, um garoto de 16 anos (vivido por Eloy Pohu). 

Ele surge pela primeira vez em cena sendo repreendido pelo ritmo lento com o qual executa suas tarefas como aprendiz de operário em uma casa em construção. 

Sem paciência com o jovem, Corelli, o chefe de obras, resolve levá-lo de carro de volta à casa, de modo a conversar seriamente com os pais sobre o fraco desempenho do subordinado. 

Ao chegar ao destino, porém, Corelli é impactado por uma realidade à qual de modo algum esperava: é que Enzo mora em uma casa idílica, sofisticada, cool, debruçada sobre a riviera francesa (o filme se passa em La Ciotat, comuna francesa localizada na região da Provença-Alpes-Costa Azul, no sul do país). 


Inclusive, no momento em que adentra a casa, Corelli, desconcertado, vislumbra os pais do menino a se refestelar na piscina, que, vale dizer, circunda toda a casa. 

Simpáticos no último grau, Paolo (Pierfrancesco Favino, ator italiano que já tem um rosto conhecido no Brasil) e Marion (Élodie Bouchez), os genitores, desconcertam Corelli. 

Ao mesmo tempo, ele não consegue entender o que levou um jovem de status tão elevado a se candidatar ao posto de um mero aprendiz num canteiro de obras, cargo nada atraente a pessoas da elite.

A mesma dúvida acompanha o público, mas, no encaminhamento da trama, algumas pistas são lançadas. Ocorre que Enzo simplesmente não encontra seu lugar no mundo, o que pode soar natural na faixa etária em que o personagem se encontra. 

O diferente, aqui, é que o adolescente refuta veementemente o status da família, de modo que, na sequência, quando os colegas de obra manifestam desejo de ir à piscina, ele frisa que a casa não é dele, mas, sim, dos pais. Do mesmo modo, Enzo abandona a escola, por não se sentir confortável inserido no sistema tradicional de ensino.


Compreensivos, os pais de Enzo até tentam com que ele se valha dos seus inequívocos dotes artísticos para, quem sabe, seguir uma carreira neste campo, o que o garoto também descarta. 

O jovem está empenhadíssimo em continuar atuar no campo da construção, mas como operário. A todo tempo, aliás, Enzo questiona os privilégios que desfruta, inclusive em tempos nos quais guerras acontecem em outras partes do mundo. 

Principalmente mediante o contato com dois colegas ucranianos, no citado canteiro de obras. Por meio dos relatos dele, passa inclusive a mergulhar no conflito, não só questionando se ambos não deveriam voltar para casa e lutar pelo país como manifestando o insólito desejo de ir junto e estar no front.

Neste ponto, Vlad (Maksym Slivinskyi), um dos ucranianos, questiona o arroubo do garoto, posto que nem ele entende que deva sair naquele momento da França. Em resposta, Enzo surpreende ao dizer que se sentiria seguro ao lado do colega. 


A verdade é que, além do estranhamento quanto ao status que sua família ocupa em um mundo em desencanto, Enzo também está às voltas com questões ligadas à sexualidade. Assim, ao mesmo tempo em que no curso do filme investe em flertes com garotas de sua faixa etária, vai se conectando cada vez mais a Vlad.

A trama vai se desenrolando temperada pelos pensamentos críticos de Enzo - em determinado momento, por exemplo, ele se pergunta de que adiantaria o luxo alcançado pela família (e refletido pela beleza idílica da casa) se um tsunami ocorresse no local e a destroçasse por completo. 

E por pinceladas de momentos nos quais o público vai prender o fôlego ante a iminência de uma tragédia, como quando ele se deita à beira de um precipício ou quando frustra os planos do pai para o final de semana e se mete em aventuras com os companheiros de obra.


Um detalhe importante é que Eloy Pohu não é um ator de formação. De acordo com matérias publicadas em jornais franceses, ele se dirigiu ao local dos testes apenas para acompanhar o irmão, esse sim, candidato. 

Mas foi justamente sua inexperiência e sua performance contida que conquistou a produção, que enxergou, ali, o intérprete perfeito - mesmo porque, Enzo é um personagem predominantemente introspectivo, ensimesmado, contido... 

Quando os fatores externos o abalam, aí sim, é capaz de atitudes extremas, como a que irrompe na festa de despedida do irmão mais velho, que está para partir rumo a Paris, após conquistar uma bolsa, para orgulho dos pais.

O filme - e isso não é um spoiler - termina em aberto, mostrando que, tal como no mundo real, principalmente quando se é jovem (mas não só), a possibilidade de recalcular rotas se faz presente, ainda que o acerto ou desacerto estejam no espectro das possibilidades. 


Há que se dizer que o "Enzo" é um filme intimista, centrado, como já dissemos, no torvelinho que habita esse jovem. Portanto, que ninguém espere um filme centrado em ações - ainda que, claro, elas estejam na narrativa. 

Por último, mas não menos importante, Cantet é o nome por trás de um filme que fez história ao mostrar a realidade de jovens da periferia de Paris por meio de "Entre os Muros da Escola" (2008), vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes naquele ano. O longa é simplesmente imperdível, e pode ser assistido pelos assinantes do Prime. 

Outro dos filmes dele exibidos nos cinemas do Brasil e atualmente disponível no Google Play é "Em Direção ao Sul" (2005), estrelado por ninguém menos que Charlotte Rampling, e que aborda o turismo de teor sexual - no caso, tendo o Haiti como cenário.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Robin Campillo e Laurent Cantet
Distribuição: Mares Filmes
Exibição: Una Cine Belas Artes
Duração: 1h42
Classificação: 16 anos
Países: França, Itália, Bélgica
Gênero: drama

19 março 2026

Recomendo – "Casamento Sangrento: A Viúva" eleva o nível com mais terror, ação e pitadas cômicas

Samara Weaving volta a ser alvo de uma caçada mortal, desta vez ao lado da irmã
(Fotos: Searchlight Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Depois de sobreviver a uma noite de núpcias nada convencional — repleta de sangue e violência intensa — Samara Weaving retorna ao papel de Grace MacCaulley em "Casamento Sangrento: A Viúva" ("Ready or Not 2: Here I Come"). Misturando terror, ação e comédia (o bom e velho “terrir”), o longa estreia nesta quinta-feira (19) nos cinemas.

A sequência retoma os acontecimentos finais do filme de 2019, "Casamento Sangrento". Grace volta a se ver envolvida no mortal jogo de “esconde-esconde”, agora fugindo da seita satânica ligada à família de seu falecido marido, os Le Domas. 

No longa original, ela havia sido oferecida como sacrifício em um ritual macabro e precisava sobreviver até o amanhecer.


Desta vez, porém, Grace não está sozinha. Ela conta com a ajuda da irmã mais nova, Faith (Kathryn Newton), com quem não tinha contato há anos. Juntas, as duas enfrentam uma nova caçada, agora promovida por outros integrantes do grupo.

Samara Weaving está ainda melhor, retomando com segurança e intensidade a protagonista que conquistou o público. Kathryn Newton também se destaca, entregando uma atuação convincente. 


A química entre as duas funciona tanto nos momentos de tensão familiar — marcados por mágoas do passado — quanto nas cenas de ação, quando precisam lutar pela própria sobrevivência. A partir daí, o sangue literalmente escorre pela tela e a violência atinge níveis ainda mais brutais.

O elenco conta também com Elijah Wood, no papel — literalmente — do “advogado do Diabo”; Shawn Hatosy (em ótima atuação) e Sarah Michelle Gellar como os irmãos Titus e Ursula Danforth, herdeiros do milionário Chester Danforth, líder da seita, vivido por David Cronenberg. Mesmo com participação pequena, o diretor e roteirista, aos 83 anos, tem presença marcante.


Completam o elenco Néstor Carbonell, como Ignacio El Caído, ao lado de seus filhos Felipe (Juan Pablo Romero) e Francesca (Maia Jae); Olivia Cheng, como a imponente Wan Chen Xing; Antony Hall, como Wan Cheng Fu; além dos irmãos Madhu (Varun Saranga) e Viraj Rajan (Nadeem Umar-Khitab).

Para os fãs do primeiro filme, a sequência deve agradar bastante, especialmente pelos efeitos visuais que elevam a violência a um nível quase absurdo — sem abrir mão de boas doses de humor.


"Casamento Sangrento: A Viúva" é ação intensa do início ao fim, com explosões de corpos e sangue espirrando para todos os lados. O diretor não poupa ninguém e mantém o ritmo acelerado até os minutos finais. Vale conferir nos cinemas.

Fica a dica: tente assistir também ao primeiro filme, disponível nas plataformas Netflix e Disney+.


Ficha técnica:
Direção:
Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett
Roteiro: Guy Busick, Ryan Murphy
Produção: Seachrlight Pictures
Distribuição: 20th Century Studios e Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h48
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, terror, comédia

17 março 2026

BikeCine: cinema com sustentabilidade e bem-estar

Projeto de exibição funciona 100% com energia limpa e sustentável, gerada por bicicletas disponibilizadas
ao público (Fotos: Danilo Ramos/Divulgação)
 
 

Maristela Bretas


Um cinema totalmente sustentável, que une esporte e bem-estar. Esta é a proposta do BikeCine, um projeto de exibição itinerante que funciona 100% com energia limpa e sustentável, gerada por bicicletas disponibilizadas ao público.

Para comemorar os dois anos de sua estreia, o BikeCine escolheu o distrito de Maracujá, em Ouro Preto, para receber uma sessão gratuita. O evento acontece no dia 21 de março (sábado), às 19 e 20 horas, na Praça do Maracujá.


O BikeCine estreou em 2024, em São Paulo, com uma sessão no Vale do Anhangabaú, exatamente no dia 21 de março. Agora, em comemoração aos dois anos de sua criação, será realizada uma sessão no dia do aniversário. 

"É uma grande alegria estrear em Ouro Preto, na comunidade de Maracujá, e estamos felizes em comemorar os dois anos em Minas", afirma Marco Costa, coordenador geral e idealizador do projeto.

O BikeCine já passou por nove cidades mineiras, com grande sucesso: Belo Vale, Sabará, Nova Lima, Congonhas, Mariana, Nova Era, Timóteo, Antônio Dias e Coronel Fabriciano. Mais de 30 localidades brasileiras já receberam o projeto, que realizou cerca de 80 sessões e foi assistido por mais de 10 mil pessoas.


Tecnologia e acessibilidade

No total, são 16 estações que captam a energia gerada pelos ciclistas: 12 bicicletas para adultos, duas infantis e duas bases para acoplar bikes trazidas pelo próprio público. O local escolhido para as sessões é sempre em áreas abertas, preparadas para receber o projeto.

O espectador pode escolher onde e como prefere assistir aos filmes: acomodado na plateia de 250 cadeiras ou pedalando nas estações de bicicletas e participando ativamente do funcionamento da sessão. 

Todos os filmes contam com recursos de acessibilidade e, durante a sessão, também é possível participar pelo “pedal de mão”, recurso planejado especialmente para a diversão de crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida, promovendo maior inclusão.


Para garantir a melhor experiência ao público, a tecnologia também está presente na projeção das imagens. Os filmes são exibidos em tela inflável da Airscreen, equipamento com tecnologia de ponta que oferece alta qualidade para cinemas ao ar livre.

"Queremos proporcionar cultura, entretenimento, bem-estar, conscientização e inclusão. Quando o público vivencia a utilização da energia sustentável na prática, é convidado a refletir sobre o consumo energético, colaboração coletiva e mobilidade urbana. Sempre está em nossos objetivos levar o BikeCine para localidades diferentes, principalmente cidades menores ou que não possuem salas de cinema”, afirma o coordenador geral e idealizador do BikeCine.


Para Ouro Preto, houve uma parceria com a Mineração Alto Palmital (Minap), uma empresa local que indicou o distrito de Maracujá com a vontade de beneficiar a comunidade

Marco Costa explicou que ainda não previsão para as próximas sessões e se outra cidade mineira está no calendário do BikeCine para este ano. "A circulação do projeto faz uma pausa em abril e volta em agosto com o circuito mais extenso de cidades e sempre existe a possibilidade de novas cidades em Minas".


Os ingressos gratuitos ficam disponíveis para reserva antecipada pelo público no site https://bikecine.com.br/ e também serão distribuídos presencialmente no local, uma hora antes do evento.

Programação
19h – Sessão de curtas-metragens (50 minutos – Livre)
20h – Exibição do live-action “Lilo & Stitch”. O filme, dirigido por Dean Fleischer, tem 1h51 de duração e classificação 10 anos. Conta a história da amizade entre uma jovem menina havaiana e um alienígena fugitivo.


SERVIÇO
BikeCine
Data:
21 de março (sábado)
Horários: 19h e 20h
Local: Praça João Paulo Cavalcanti (Praça do Maracujá) – subdistrito de Maracujá (Ouro Preto)
Capacidade: 250 lugares em cadeiras, 14 bicicletas fixas e duas estações para acoplar bicicletas
Ingressos: entrada gratuita (reserva on-line ou retirada presencial a partir de 1 hora antes)
50% dos ingressos ficam disponíveis on-line e 50% são distribuídos presencialmente
Contato: coordenacao@bikecine.com.br ou pelo Instagram @bikecine

16 março 2026

Brasil sai sem prêmios, mas ganha prestígio; “Uma Batalha Após a Outra” vence o Oscar 2026

Filme protagonizado por Leonardo DiCaprio teve disputa acirrada com "Pecadores" e "Frankenstein" em número de estatuetas conquistadas (Fotos: Divulgação)
 
 

Maristela Bretas

 
Com seis prêmios conquistados entre 13 indicações, incluindo o principal da noite, Melhor Filme, “Uma Batalha Após a Outra” foi o grande vencedor da 98ª edição do Oscar 2026. 

A produção, dirigida por Paul Thomas Anderson, também levou as estatuetas de Melhor Direção, Melhor Direção de Elenco, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição.

O segundo filme mais premiado da noite foi “Pecadores”, que liderava a lista de indicações com 16 nomeações, mas só levou quatro estatuetas. As duas produções são da Warner Bros. Pictures.

Na sequência, em número de prêmios o vencedor foi “Frankenstein”, da Netflix, com três. Apesar de contar com cinco indicações, o Brasil não venceu em nenhuma categoria.

"Uma Batalha Após a Outra"
(Crédito: Warner Bros Pictures)

Cerimônia

A cerimônia começou com uma montagem reunindo cenas dos filmes indicados a Melhor Filme. Em seguida, o comediante Conan O’Brien, fantasiado de Gladys Lilly — personagem de Amy Madigan em “A Hora do Mal” — surgiu fugindo de um grupo de crianças, em referência a uma cena do longa.

Ao chegar ao palco do Dolby Theatre, em Los Angeles, já sem a fantasia, o apresentador iniciou oficialmente a transmissão, apresentando cada um dos indicados com comentários bem-humorados e irônicos.

"A Hora do Mal"
(Crédito: Warner Bros. Pictures)

A primeira estatueta da noite foi entregue por Zoe Saldana, que anunciou Amy Madigan como vencedora de Melhor Atriz Coadjuvante em "A Hora do Mal". 

A atriz também revelou o ganhador de Melhor Animação, “Guerreiras do K-Pop”, produção que já vinha acumulando prêmios ao longo da temporada. 

Na categoria Melhor Curta de Animação, o vencedor foi “The Girl Who Cried Pearls”, animação canadense em stop-motion.

O primeiro número musical da cerimônia foi “I Lied to You”, do filme “Pecadores”, cuja apresentação encantou a plateia ao reproduzir fielmente uma das cenas do longa.

"Guerreiras do K-Pop"
(Crédito: Netflix)


“Frankenstein” também marcou presença ao conquistar três prêmios técnicos: Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Cabelo.

Wagner Moura, Gwyneth Paltrow, Delroy Lindo e Chase Infiniti entregaram o prêmio de Melhor Direção de Elenco, categoria que estreou nesta edição do Oscar. A vencedora foi Cassandra Kulukundis, por “Uma Batalha Após a Outra”. Essa era uma das categorias nas quais o Brasil concorria.

Um dos momentos curiosos da noite aconteceu na categoria Melhor Curta-Metragem, que terminou em empate — algo raro na história do Oscar. As estatuetas foram para o norte-americano “The Singers” e para a produção franco-americana “Two People Exchanging Saliva”.

Sean Penn - "Uma Batalha Após a Outra"
(Crédito: Warner Bros. Pictures)

Kieran Culkin anunciou o vencedor de Melhor Ator Coadjuvante, prêmio concedido a Sean Penn, por “Uma Batalha Após a Outra”. O ator não compareceu à cerimônia.

Os atores Chris Evans e Robert Downey Jr. entregaram o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado a Paul Thomas Anderson, também diretor do filme vencedor da noite. Na categoria Melhor Roteiro Original, sem grandes surpresas, Ryan Coogler venceu por “Pecadores”.

"Pecadores"
(Crédto: Warner Bros. Pictures)

Homenagens póstumas

Como em edições anteriores, o Oscar prestou homenagem aos profissionais do cinema falecidos em 2025. Billy Crystal conduziu o momento inicial, lembrando o diretor Rob Reiner e sua esposa, Michele Singer Reiner. 

Rachel McAdams falou sobre as perdas femininas no cinema, destacando especialmente Diane Keaton, de quem era amiga pessoal.

Barbra Streisand emocionou o público ao lembrar o amigo e parceiro Robert Redford, com quem atuou no clássico “Nosso Amor de Ontem” (1973). Ela destacou a importância do ator dentro e fora das telas e encerrou a homenagem cantando “The Way We Were”, música vencedora do Oscar na época.

"Frankenstein"
(Crédito: Netflix)

Sigourney Weaver e Pedro Pascal também participaram da cerimônia com uma apresentação bem-humorada sobre extraterrestres no cinema, com direito à presença de Groku na plateia. 

Eles anunciaram o prêmio de Melhor Direção de Arte, vencido por “Frankenstein”. Já “Avatar: Fogo e Cinzas” conquistou Melhores Efeitos Visuais.

O polêmico e emocionante “Quartos Vazios” venceu Melhor Documentário em Curta-Metragem, prêmio anunciado por Jimmy Kimmel, que também revelou o vencedor de Melhor Documentário, “Mr. Nobody Against Putin”.

"Avatar: Fogo e Cinzas"
(Crédito: 20th Century Studios)

“Pecadores” levou sua segunda estatueta ao vencer Melhor Trilha Sonora Original. O prêmio foi entregue pelas atrizes Kristen Wiig, Maya Rudolph, Melissa McCarthy e Rose Byrne, que também anunciaram “F1 – O Filme” como vencedor de Melhor Som.

A quarta estatueta de “Uma Batalha Após a Outra” foi entregue por Bill Pullman e seu filho, Lewis Pullman, na categoria Melhor Edição.

Demi Moore anunciou Autumn Durald como vencedora de Melhor Fotografia por “Pecadores”, tornando-se a primeira mulher negra a conquistar o prêmio. Ela foi aplaudida de pé por diversas mulheres presentes na plateia. O brasileiro Adolpho Veloso também concorria na categoria por seu trabalho em “Sonhos de Trem”.

"F1 - O Filme"
(Crédito: Warner Bros Pictures)

Ao lado de Priyanka Chopra, Javier Bardem iniciou sua participação pedindo o fim da guerra e destacando a importância da Palestina. Em seguida, anunciou “Valor Sentimental” como vencedor de Melhor Filme Internacional, superando o brasileiro “O Agente Secreto”.

Lionel Richie subiu ao palco para confirmar “Golden”, da animação “Guerreiras do K-Pop”, como Melhor Canção Original, garantindo a segunda estatueta para a produção.

Paul Thomas Anderson também venceu Melhor Direção, prêmio entregue por Robert Pattinson e Zendaya, consolidando “Uma Batalha Após a Outra” como o grande destaque da noite.

"O Agente Secreto"
(Crédito: Cinemascópio Produções)

O prêmio de Melhor Ator ficou com Michael B. Jordan, por sua dupla atuação em “Pecadores”. O brasileiro Wagner Moura também estava entre os indicados, ao lado de Leonardo DiCaprio.

Na categoria Melhor Atriz, Jessie Buckley foi premiada por sua atuação em “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”.

Por fim, Ewan McGregor e Nicole Kidman anunciaram o momento mais esperado da noite: “Uma Batalha Após a Outra” como Melhor Filme do Oscar 2026, encerrando a cerimônia consagrando a produção como a grande vencedora da edição.

Jessie Buckley - “Hamnet: A Vida Antes
de Hamlet” (Crédito:  Focus Feature)

Confira os vencedores por categoria:

MELHOR FILME
"Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR DIREÇÃO
Paul Thomas Anderson - "Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR ATRIZ
Jessie Buckley - "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet"

MELHOR ATOR
Michael B. Jordan - "Pecadores"


MELHOR FOTOGRAFIA
"Pecadores"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Madigan - "A Hora do Mal"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sean Penn - "Uma Batalha Após a Outra"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"Avatar: Fogo e Cinzas"

MELHOR ANIMAÇÃO
"Guerreiras do K-Pop"

"Quartos Vazios"
(Crédito: Divulgação)

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"Quartos Vazios"

MELHOR SOM
"F1 - O Filme"

MELHOR EDIÇÃO
"Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR DOCUMENTÁRIO
"Mr. Nobody Against Putin"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"Frankenstein"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Golden', de "Guerreiras do K-Pop"


"Valor Sentimental"
(Crédito: Mubi)

MELHOR FILME INTERNACIONAL
"Valor Sentimental" - Noruega

MELHOR FIGURINO
"Frankenstein"

MELHOR DIREÇÃO DE ELENCO
Cassandra Kulukundis - "Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Pecadores"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR CURTA-METRAGEM (empate)
"The Singers"
"Two People Exchanging Saliva"

MELHOR ANIMAÇÃO DE CURTA-METRAGEM
"The Girl Who Cried Pearls"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
"Pecadores"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
"Frankenstein"

"Sonhos de Trem"
(Crédito: Netflix")

13 março 2026

Do céu ao inferno: a viagem emocional de "Sirât"

Longa espanhol reflete a jornada física e emocional que os personagens atravessam pelo deserto
(Fotos: Divulgação)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Em ritmo de Oscar 2026, ainda dá tempo para assistir no cinema e agora em plataformas de streaming o longa "Sirât", dirigido por Óliver Laxe. Com roteiro do próprio diretor e de Santiago Fillol, é um dos indicados nas categorias de Melhor Filme Internacional (concorrendo com "O Agente Secreto") e Melhor Som. 

Sirât significa “caminho” em árabe, e reflete a jornada física e emocional que os personagens atravessam. Distribuído pela Retrato Filmes, o filme é coproduzido por Pedro e Agustín Almodóvar, referência do cinema espanhol realista.


A história acompanha Luis (Sergi López), um pai desesperado à procura da filha desaparecida, e seu filho Esteban (Bruno Núñez Arjona), que divide a jornada e o peso emocional da busca. 

Pelo caminho, eles encontram jovens envolvidos em raves e festas — Bigui (Richard Bellamy), Stef (Stefania Gadda), Josh (Joshua Liam Henderson), Tonin (Tonin Janvier) e Jade (Jade Oukid) —, criando um clima de comunidade efêmera e tensão que atravessa todo o deserto.

O local se torna cenário de um “inferno” particular, marcado pelo calor, isolamento e aridez, mas também de pequenas descobertas e momentos de transcendência. São espaços quase mágicos onde o corpo e a mente se entregam à música e aos trances das raves, transformando a vulnerabilidade em força.


O trabalho de som é um destaque absoluto. Laia Casanovas, Amanda Villavieja e Yasmina Praderas, primeira equipe totalmente feminina indicada ao Oscar na categoria, criam uma experiência imersiva. 

Sons, batidas e silêncios subjetivos colocam o espectador dentro do corpo e da mente dos personagens, amplificando cada passo no deserto, cada tensão e cada emoção. 

O transe funciona como um catalisador de autoconhecimento e libertação, mostrando a dor e a força humana como experiências quase ritualísticas.


O filme, porém, não é feito para agradar pela simpatia ou carisma dos personagens. Luis e Esteban são apresentados com honestidade crua e o mistério sobre o desaparecimento da filha permanece, deixando perguntas sem respostas. 

É uma produção que provoca, causa estranheza e exige do espectador sensibilidade para sentir o que os personagens sentem.

No fim, "Sirât" é uma experiência intensa de céu e inferno, um filme que mistura transcendência, medo e beleza árida do deserto. Ele não se esquece facilmente, mantendo na mente o eco de suas imagens, sons e emoções muito tempo depois do fim da sessão.


Ficha técnica:
Direção: Oliver Laxe
Produção: El Desom 4A4 Productions
Distribuição: Retrato Filmes
Exibição: Cinemark Pátio Savassi, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Una Cine Belas Artes. Disponível para compra ou aluguel nas plataformas Prime Vídeo, Apple TV e MUBI
Duração: 1h55
Classificação: 16 anos
País: Espanha
Gêneros: suspense, aventura, drama

12 março 2026

“Marty Supreme”: ambição, ego e os limites de um sonho

Timothée Chalamet é um jovem disposto a ser tornar a grande estrela norte-americana do tênis de mesa
(Fotos: Diamond Films)
 
 

Filipe Matheus
Parceiro do blog Maravilha de Cinema

 
Determinação, talento e o desejo de brilhar no esporte. “Marty Supreme” parte da história de um jovem, vivido pelo talentoso Timothée Chalamet, que sonha em se tornar a grande estrela do tênis de mesa norte-americano. 

O longa é um dos fortes candidatos ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme, além de receber outras oito indicações: Melhor Direção, Melhor Ator (Timothée Chalamet), Melhor Montagem, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Direção de Elenco e Melhor Roteiro Original.


Na trama, Marty Mauser (Timothée Chalamet, de "Duna" - 2021 e "Duna: Parte 2" - 2023) é um jovem de ambição desmedida, disposto a tudo para realizar seu sonho e provar ao mundo que nada é impossível para ele.

O talento e a beleza de Gwyneth Paltrow (da franquia "Vingadores: Guerra Infinita" - 2018 e "Ultimato" - 2019) são alguns dos pontos altos do filme. Ela interpreta uma atriz apaixonada pela profissão e movida pelo desejo de reconhecimento.

O enredo prende do início ao fim e apresenta diversos plot twists, fazendo o espectador se envolver cada vez mais com a história. O diretor Josh Safdie conduz a narrativa com precisão, mostrando que nenhum sonho vale o preço de abandonar os próprios valores.


Timothée Chalamet conquistou o prêmio de Melhor Ator em Filme – Comédia ou Musical no Globo de Ouro 2026 por sua performance no papel principal. Críticos e comentaristas apontam a atuação de Chalamet como uma das mais fortes de sua carreira, com um papel marcante e cheio de nuances.

"Marty Supreme" também recebeu diversas indicações na temporada de premiações, incluindo categorias técnicas e de roteiro, consolidando sua força entre crítica e público.

Com um orçamento estimado entre US$ 70 milhões, o longa superou “Guerra Civil” (2024) - US$ 50 milhões -, como a produção de maior investimento da história do estúdio A24 Films.


O elenco de “Marty Supreme” conta ainda com Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Tyler Okonma, Abel Ferrara e Fran Drescher, que trazem versatilidade e drama à história, conduzindo os personagens com sensibilidade e emocionando o público.

O filme é uma cinebiografia ficcionalizada inspirada em Marty Reisman (1930–2012), uma lenda do tênis de mesa e notório apostador. A personalidade intensa e controversa de Marty Mauser tem gerado debates e dividido opiniões sobre até que ponto o público se identificaria com um protagonista moralmente ambíguo.


Nos bastidores, uma das cenas que mais chamou atenção envolve Timothée Chalamet e Kevin O’Leary em uma sequência intensa e violenta com uma raquete de tênis de mesa. Rapidamente ela repercutiu entre o público e a imprensa pela ousadia e entrega dos atores.

O diretor de fotografia Darius Khondji optou por filmar grande parte do longa em película de 35 mm, utilizando lentes anamórficas vintage para dar mais profundidade e textura à ambientação da década de 1950.


A jaqueta estilizada usada por Chalamet virou item de desejo entre celebridades e fãs, gerando filas e grande repercussão nas redes sociais durante as ações promocionais.

Vale à pena conferir “Marty Supreme”, que ainda está em exibição em algumas salas de BH e Contagem. O longa é desafiador ao explorar os limites de um homem em busca do próprio sonho, mergulhando na vaidade, na ambição e até onde o ser humano é capaz de ir para alçar novos voos.


Ficha técnica:
Direção:
Josh Safdie
Produção: A24 Films
Distribuição: Diamond Films Brasil
Exibição: Una Cine Belas Artes, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cineart Shopping Contagem
Duração: 2h29
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: drama

09 março 2026

"Elio": aventura, amizade e pertencimento pelo olhar da Pixar

Filme é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação (Fotos: Walt Disney Studios)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Dirigido por Madeline Sharafian, Domee Shi e Adrian Molina, "Elio" é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação. O filme acompanha Elio Solís (voz de Yonas Kibreab), menino de 11 anos sonhador, apaixonado pelo espaço e por vida alienígena. 

Por engano, ele envia um sinal para o desconhecido e é “captado” pela misteriosa organização intergaláctica Comuniverso, onde é confundido com o embaixador da Terra. Agora, Elio precisa se adaptar, fazer amigos extraterrestres e descobrir quem realmente é.


O longa acerta ao tratar o tema do pertencimento de forma lúdica e inspiradora. Elio não se sente completamente em casa no mundo humano e, ironicamente, precisa encontrar seu lugar no universo que sempre sonhou explorar. 

A tia Olga (Zoe Saldana) se destaca como figura de afeto e proteção, mas também como exemplo de sacrifício e responsabilidade familiar.


Por outro lado, a animação apresenta lacunas: o luto é apenas citado e personagens secundários têm pouca profundidade, funcionando mais como suporte à jornada do garoto. 

A resolução de conflitos acontece rápido demais, deixando pouco espaço para nuances emocionais.


Ainda assim, "Elio" é encantador, com momentos de pura imaginação e emoção, além de uma ótima trilha sonora que conta, inclusive, com canções da banda "Queen". 

Talvez perca pontos frente a outras animações mais ousadas da temporada, como "Guerreiras do K-Pop" (Netflix), mas cumpre bem sua função: emocionar e divertir, enquanto fala de amizade, coragem e autodescoberta.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Adrian Molina, Domee Shi e Madeline Sharafian
Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: Disney+
Duração: 1h39
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: infantil, aventura, animação