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05 maio 2026

"A Menina Que Queria Ser Pedra" transforma livros antigos em uma rara experiência cinematográfica

Novo filme do artista visual, cineasta e músico Jackson Abacatu propõe desacelerar o olhar em tempos
de excesso (Fotos: Divulgação)
 
 

Da Redação

 
No próximo dia 7 de maio (quinta-feira), às 19 horas, o Cine Santa Tereza, em Belo Horizonte, recebe a estreia do curta-metragem "A Menina Que Queria Ser Pedra", novo trabalho do artista visual, cineasta e músico Jackson Abacatu. 

Com cerca de duas décadas de atuação nas artes e no audiovisual, o diretor mineiro apresenta um filme que une literatura, animação e matéria em uma experiência estética singular.

Um dos grandes destaques do filme está na forma como ele é construído. Utilizando páginas de livros antigos como base para a animação, Abacatu cria cenas a partir da disposição desses livros em diferentes posições, tamanhos e camadas, um processo pouco usual no cinema contemporâneo.


Cada movimento é inicialmente desenvolvido em animação 2D e, em seguida, projetado e pintado manualmente sobre o papel com nanquim. As páginas são então organizadas em composições físicas - que variam de um a vários livros simultaneamente - e capturadas em sequência.

O resultado é uma estética única, em que texto, imagem e materialidade coexistem, criando uma experiência visual quase tátil, marcada por sobreposições, texturas e múltiplas camadas de leitura.


As inspirações do filme

O projeto nasceu a partir de um conto escrito pelo próprio diretor, influenciado pelas leituras do escritor Walter Hugo Mãe. A proposta também dialoga com artistas visuais como William Kentridge e Ekaterina Panikanova, conhecidos por explorar a relação entre desenho, tempo e suporte físico.

Essa convergência entre literatura e artes visuais se reflete na narrativa do filme, que acompanha o diálogo entre duas crianças, um menino inquieto e uma menina serena, em uma reflexão sensível e existencial sobre percepção, tempo e transformação.

Mais do que contar uma história, "A Menina Que Queria Ser Pedra" propõe uma experiência. Em um cenário marcado pelo consumo acelerado de conteúdo e pela fragmentação da atenção, o filme convida o espectador a desacelerar. 


A pedra surge como símbolo central dessa reflexão — representando permanência, silêncio e um tempo diferente do ritmo humano contemporâneo.

A obra sugere que falta-nos um pouco dessa sensação de “pedra”: a capacidade de pausar, contemplar e mergulhar profundamente em uma experiência artística seja no cinema, na música ou em qualquer forma de expressão.

A proposta sensorial se estende à trilha sonora. O filme incorpora uma marimba de pedra (litofone), construída pelo próprio diretor, além de elementos como piano e handpan, criando uma atmosfera sonora leve e imersiva, que acompanha o ritmo contemplativo da obra.


20 anos de experimentação artesanal 

Em 2026, Jackson Abacatu completa duas décadas dedicadas à criação artística. Formado em Cinema de Animação e Escultura pela Escola de Belas Artes da UFMG, o artista mineiro construiu uma carreira marcada pela inquietude criativa e pela recusa em se fixar a uma única linguagem ou técnica. 

Ao longo desses 20 anos, dirigiu 18 curtas-metragens e 18 videoclipes, além de lançar dois álbuns de músicas autorais - números que revelam uma produção consistente e diversificada.

No cinema de animação, Abacatu transitou por técnicas como recorte, 2D tradicional, stop motion, animação em areia e pintura em vidro, sempre priorizando o processo artesanal e a experimentação estética. 


Essa versatilidade rendeu reconhecimento em festivais nacionais e internacionais, com exibições em países como Canadá, Portugal, Argentina, Espanha, Tanzânia e Irlanda, além de prêmios como no 7º Prêmio BDMG Cultural, FCS de estímulo ao curta-metragem de baixo orçamento e Melhor Animação no 33º Festival Guarnicê de Cinema – São Luis-MA, além de Melhor Animação Brasileira no Baixada Animada (RJ).

Obras como "Tembîara" (2011), com sua profunda ligação à cultura indígena e à língua tupi, e "O Homem que Pintava Músicas" (2013), que entrelaça animação e linguagem musical, ilustram outros traços permanentes de sua obra: a conexão com a natureza, a sensorialidade e a busca por experiências contemplativas. 

"A Menina que Queria Ser Pedra" chega como uma síntese madura dessa trajetória - e uma celebração de 20 anos de cinema feito com intenção, autoria e olhar próprio.


Serviço:
Direção e produção: Jackson Abacatu
Estreia: 07 de maio, às 19 horas
Local: Cine Santa Tereza - Rua Estrela do Sul, nº 89, Bairro Santa Tereza - Belo Horizonte
Produção: Etama Produções
Duração: 9 min, com tradução em Libras
Classificação: livre
Categorias: Curta-metragem, animação
País: Brasil

04 maio 2026

"2DIE4: 24 Horas no Limite": Imersão de tirar o fôlego deixa a história para trás

Primeira produção brasileira a apostar na tecnologia IMAX, acompanhando o piloto Felipe Nasr em tempo real (Fotos: Paulo Oliveira)
 
 

Maristela Bretas

 
Há uma ideia potente no centro de “2DIE4: 24 Horas no Limite” — e ela, de fato, acelera forte. O problema é que o filme parece mais interessado em impressionar do que em sustentar o percurso. Primeira produção brasileira a apostar na tecnologia IMAX, o longa dirigido pelos irmãos publicitários André e Salomão Abdala mergulha o espectador na experiência das 24 Horas de Le Mans de 2025.

O filme acompanha o piloto brasileiro Felipe Nasr, quase em tempo real, na prova de resistência mais famosa do automobilismo mundial, considerada a mais antiga e exigente da história.

Nesse aspecto é impossível negar seu impacto: há momentos em que a sensação de estar dentro do cockpit é tão convincente que o cinema praticamente desaparece — sobra apenas a corrida. Isso para uma produção que contou com apenas oito pessoas e levou dois anos para ser realizada.


A fotografia é um espetáculo à parte, especialmente nas cenas captadas ao amanhecer e durante o dia, quando a luz recorta os carros e a pista com precisão. A qualidade de imagem é, sem exagero, impressionante, e justifica plenamente a ambição de ser o primeiro filme brasileiro pensado para esta tecnologia. 

A proposta sensorial funciona: o longa não quer apenas ser visto, quer ser sentido. A produção foi vencedora do Motor Sports Film Award 2025 na categoria Melhor Documentário de Longa-Metragem.

Essa escolha, no entanto, cobra seu preço. Ao estruturar o filme como uma sucessão de “melhores momentos” da corrida, os diretores acertam no ritmo, mas sacrificam muito a construção dramática. O que poderia ser um retrato íntimo da pressão física e psicológica de uma prova de resistência se transforma em algo superficial, quase ilustrativo. 


A tentativa de criar um arco emocional para Nasr — por meio de narrações em off e cenas encenadas de preparação e introspecção — soa artificial. Em vez de aprofundar o personagem, que inegavelmente é um grande piloto, essas inserções lembram discursos motivacionais prontos, quebrando a autenticidade que o restante do filme tenta construir. 

A narrativa passa a imagem de uma pessoa arrogante e dona da verdade, que desmerece o trabalho da equipe e dos demais pilotos, se colocando quase que como única salvação para a vitória. Todos os demais são meros componentes de um filme que foi feito para valorizar Felipe Nasr e a Porsche.


Há também um desequilíbrio na mixagem de som. Embora a trilha sonora seja eficiente e envolvente, seu uso excessivo acaba sabotando a própria experiência. Em diversos momentos, a música se sobrepõe ao ronco dos motores — que deveria ser protagonista — e até mesmo às conversas de bastidores. Para um filme que busca imersão, chega a ser incoerente abafar, por diversas vezes, seus próprios elementos mais orgânicos.

“2DIE4: 24 Horas no Limite” tem seus méritos: ao abrir mão de entrevistas, contextualizações e explicações didáticas, ele aposta na imersão pura, transformando o espectador em participante direto da corrida. Uma associação interessante entre documentário e ficção sensorial, uma ousadia rara no cinema nacional.


Para os fãs de automobilismo, é um prato cheio: tecnicamente arrebatador e capaz de entregar momentos de tirar o fôlego. No entanto, a narrativa da produção é cansativa, com furos que incomodam até mesmo quem acompanha o mundo do automobilismo. 

Além de abusar em longos minutos de tela preta, que ajudam a confirmar que toda a potência do IMAX foi apenas parcialmente aproveitada, assim como o tema e que a duração de 60 minutos poderia ser menor. “2DIE4: 24 Horas no Limite” acelera com força, mas esquece de construir uma linha de chegada que valha a jornada ao cinema para o público comum.

OBS.: Como parte da divulgação do filme, o carro dirigido por Felipe Nasr pela equipe Porsche Penske Motorsport, o Porsche 963 de número 7, está em exibição no terceiro andar do Boulevard Shopping, em BH.


Ficha técnica:
Direção: André e Salomão Abdala
Produção: Abdala Brothers
Distribuição: 02 Play Filmes
Exibição: sala IMAX do Cineart Boulevard, sala 2 do Cineart Ponteio e sala 3 do Cinemark Pátio Savassi
Duração: 60 minutos
Classificação: livre
País: Brasil
Gênero: documentário

02 maio 2026

"Mãe e Filho" envolve o espectador em trama regada a sede de vingança

O roteiro consegue manter a atenção o tempo todo, acrescentando fatos em curtos intervalos na vida da enfermeira e seus dois filhos (Fotos: Retrato Filmes)
 
 

Patrícia Cassese

 
Um dos grandes trunfos de “Mãe e Filho”, em cartaz no Centro Cultural Unimed-BH Minas e Una Cine Belas Artes, é o de conseguir fazer com que o espectador adentre o universo da personagem feminina citada no título – a enfermeira Mahnaz (interpretada por Parinaz Izadyar) - e, desse modo, compartilhe de maneira intensa os sentimentos que povoam a jovem viúva, mãe de dois filhos, a cada etapa dos acontecimentos que constituem a narrativa. 


Tão importante quanto, principalmente a partir da segunda metade do filme iraniano dirigido por Saeed Roustaee, o roteiro é tão bem urdido que a ansiedade invade o público o tempo todo, fazendo-o ansiar pelo desdobrar da trama.

A parte inicial é mais dedicada a apresentar o filho mais velho de Mahnaz, o adolescente Aliyar (Sinan Mohebi), que, vale dizer, não soa como uma figura simpática. Ao contrário. A série de situações apresentadas que o envolvem diretamente dificultam que o espectador se apegue ao personagem. 


No entanto, um acontecimento abrupto promove uma reviravolta. Bem, comentar o filme sem incorrer em spoilers é uma tarefa hercúlea, mas, a partir deste ponto de virada, a figura materna ocupa ainda mais espaço. 

O sofrimento se avoluma de tal forma que é difícil não tentar praticar o exercício de se colocar no lugar de Mahnaz e pensar no que fazer quando todas as certezas parecem desmoronar como um castelo de cartas.

A decepção com a atitude dos familiares mais próximos – mãe e irmã – e com o núcleo do finado marido se potencializa com a atitude do noivo. O mar revolto se agrava à medida que uma cadeia de segredos começa a ser revelada. E, a partir daí, a sede de vingança dá a tônica. 


Ainda que não concordemos com as atitudes de Mahnaz, é impossível não a entender. Mesmo porque, em algum ponto da vida, todos nós nos sentimos injustiçados por um motivo ou outro, ainda que a maioria não em tamanha intensidade.

Muito bem planejado, o roteiro consegue manter a atenção o tempo todo, com o bônus de ir acrescentando fatos em curtos intervalos, assim como em colocar, na balança, a questão da ética em várias oportunidades. 

A performance de Parinaz Izadyar é um fator determinante para o resultado do filme. Trata-se de uma atriz que consegue dizer muito até com o olhar. A forma como defende, tal qual uma leoa, o filho é tocante. 


Em Mahnaz, tristeza e raiva se mesclam sem litígio e deságuam na ação tempestuosa, ainda que em um mundo no qual a personagem central está cônscia de que o patriarcado dita as regras. Em meio a tudo isso, vale citar, ainda, a atuação de Arshida Dorostkar, a atriz mirim que interpreta Neda, a filha mais nova de Mahnaz, outra que diz tanto pelo olhar. 

Completa o rol de trunfos a presença do ator Payman Maadi, conhecido do público cinéfilo brasileiro pela presença em “Separação” (2011), de Asghar Farhadi, que venceu na categoria Filme Estrangeiro no Oscar 2012. O longa, vale lembrar, pode ser visto no Prime.


Ficha técnica:
Direção: Saeed Roustaee
Produção: Iris Film
Distribuição: Retrato Filmes
Exibição: Centro Cultural Unimed-BH Minas e Una Cine Belas Artes
Duração: 2h11
Classificação: 16 anos
País: Irã
Gêneros: drama

30 abril 2026

Mais atual do que nunca: "O Diabo Veste Prada 2" mostra que o poder nunca sai de moda

Esperada sequência mantém o elenco original, além de trazer participações especiais de novas celebridades (Fotos: 20th Century Studios)
 
 

Patrícia Cassese

 
Passados 20 anos da estreia nas telas, os cinemas de todo o Brasil recebem nesta quinta-feira (30) a esperada sequência "O Diabo Veste Prada 2" ("The Devil Wears Prada 2"), que tem como epicentro o retorno de Andrea Sachs (Anne Hathaway) à redação da "Runway", ainda capitaneada por Miranda (Meryl Streep).

O elenco da sequência (comandada por David Frankel, mesmo diretor do primeiro) conta novamente com outros atores centrais do filme de 2006 - Emily Blunt (a secretária Emily) e Stanley Tucci (Nigel, assessor de Miranda). Um pequeno detalhe: o tempo parece não ter passado para eles. 

Por outro lado, acopla Kenneth Brannagh (marido de Miranda), Lucy Liu (a bilionária Sasha Barnes) e Patrick Brammall (o novo namorado de Andrea), entre outros. 

Os fãs do filme original certamente se lembram do enredo, mas vamos lá, colocar em repasse. Nele, a jovem jornalista Andrea Sachs acalenta a pretensão de trabalhar em uma revista prodigiosa de Nova York, onde almeja fazer reportagens de vulto. 


No entanto, acaba parando na "Runway" (uma publicação de moda não estava de modo algum em seu radar), e contratada para ser a segunda secretária da toda-poderosa Miranda (a primeira é Emily), mulher a quem todos temem, evitando mesmo pegar o mesmo elevador que ela. 

Em um ambiente de extrema vaidade e luxo, Andrea corta um dobrado para atender aos infinitos caprichos da chefe (como ser desafiada a conseguir um original de um novo volume da saga Harry Potter antes da publicação) e, não bastasse, tentar manter o namoro e as amizades em dia. 

Em meio a tudo isso, diante do olhar implacável e rascante de Miranda, entende que, para continuar por ali, precisa também mudar seu modo de se comportar e, principalmente, de se vestir. Não é spoiler lembrar que, após a temporada de moda de Paris, Andrea acaba entendendo que seu ciclo por ali está encerrado, partindo para novos desafios profissionais.


"O Diabo Veste Prada 2" tem início com o nome de Andrea Sachs sendo anunciado como o vencedor entre os concorrentes a um prestigioso prêmio jornalístico. A noite, que deveria ser motivo de júbilo, porém, é arruinada pela demissão de vários jornalistas do veículo, Andrea inclusa. 

Pior: a demissão é feita por Whatsapp, ou seja, da maneira mais impessoal possível - trabalhadores de todo o mundo sabem que a tática tem sido comum nesses novos tempos. Com lágrimas nos olhos, ela sobe ao palco e, após receber o citado prêmio, faz um discurso potente que rapidamente viraliza.

Entre os que o visualizam o vídeo está Irv Ravitz (Tibor Feldman), dono do grupo que detém a "Runway", e seu filho, Jay, vivido por B.J. Novak. Entendem, ali, que estão diante de uma oportunidade e tanto: contratar Andrea Sachs para comandar um núcleo de reportagens especiais, visando deter a queda no prestígio da revista. 


Apenas "se esquecem" de contar o plano a Miranda. Ao ver uma entusiasmada Andrea adentrar a redação assim, do nada, a ficha - tanto a de Miranda quanto a de Nigel - demora a cair. E eis que Andrea se vê mais uma vez lutando para conquistar a aprovação da ex-chefe.

E onde entra Emily nessa história? Bem, a antiga secretária, que nunca perdoou Andrea por ir em seu lugar na Semana de Moda de Paris, agora trabalha para a Dior e namora um ricaço disposto a atender todos os desejos da bela. Se o mundo dá voltas, Emily é um exemplo. Agora mais poderosa que Miranda, ela no fundo acalenta um sonho muito particular quanto a "Runway".

"O Diabo Veste Prada" (Foto: Divulgação)

O filme de 2006

Lançado em 2003, o livro "O Diabo Veste Prada", de Lauren Weisberger, não tardou a se tornar best-seller - e muito do interesse pela leitura veio do fato de a autora ter trabalhado por algum tempo como assistente da toda poderosa Anna Wintour, figura mítica do mundo da moda. 

Como não poderia deixar de ser, ficou evidente que, mesmo com pinceladas ficcionais, a editora de moda descrita na obra - a temida Miranda Priestly - era uma representação da poderosa editora da "Vogue" norte-americana, enquanto a, digamos assim, mocinha da história, Andrea Sachs, uma jovem jornalista à procura de emprego em Nova Iorque; a da própria Weisberger. Na esfera ficcional, a "Vogue", porém, virou "Runway".

Em um caminho quase orgânico no mercado, o êxito de vendas do livro despertou a atenção dos estúdios cinematográficos e, em 2006, estreava o filme de mesmo nome, dirigido por David Frankel. 

Em cena, Meryl Streep dava vida a Miranda, enquanto Anne Hathaway, a Andrea (Andy) Sachs. O elenco se completava com atores de talento mais que reconhecido, como Emily Blunt e Stanley Tucci, além de trazer participações especiais de celebridades como Gisele Bündchen.


Temas atuais

O novo filme ganha muitos pontos ao abordar como as coisas mudaram no mundo nestas duas décadas entre um filme e outro - e aí não estamos falando só das demissões cada vez mais impessoais, mas de avanços tecnológicos, IA... 

Um ponto tratado é o próprio declínio das revistas impressas - alguns vão se lembrar dos (bons) tempos em que algumas edições ou títulos costumavam simplesmente esgotar nas bancas. 

Outro ponto que conversa bastante com a realidade é quando o herdeiro de Irv contrata profissionais que nada sabem do mercado, mas que ostentam ares de consultores, detentores da sabedoria quando a pauta é tentar salvar a empresa. 

Não bastasse, "O Diabo Veste Prada 2" aborda uma opção recorrente no "mundo real" do trabalho quando a ideia é "salvar" empresas: demitir os funcionários mais antigos de casa, portanto, os mais velhos.


A questão corte de despesas nas empresas, aliás, traz um momento particularmente divertido, quando Miranda está para embarcar no avião rumo à Semana de Moda de Milão. Sim. Se no primeiro filme o destino fashionista era Paris, neste, é a meca italiana, com direito a belas imagens do Lago de Como e de um frame particularmente belíssimo: o de Meryl Streep em uma galeria Vittorio Emanuele II vazia. 

Mas a cena mais emblemática do longa é a que se passa em um estúdio no qual o famoso afresco "A Santa Ceia", de Michelangelo, foi reproduzido. Evidentemente, as filmagens não poderiam jamais, em tempo algum, serem feitas junto à obra-prima original, que se encontra na igreja Santa Maria delle Grazie. 

No entanto, é o simbolismo da obra (pintada entre 1495 e 1498) e o contexto em que aparece em cena que verdadeiramente importam. Em meio à discussão sobre os novos tempos, diante do irrefreável avanço tecnológico, o capolavoro de Michelangelo, que atravessa os séculos mantendo seu misticismo e o poder de atrair milhares de interessados em visitá-lo (as reservas devem ser feitas com meses de antecedência), está a lembrar que as máquinas jamais vão substituir de todo o talento do homem, tampouco alcançar o status de arte.

Lady Gaga e Doechii (Divulgação)

No quesito participações especiais, os fashionistas não vão sair de "O Diabo Veste Prada 2" entendiados... Além de Donatella Versace e Lady Gaga, tem Heidi Klum, Marc Jacobs, Stefano Gabbana, Domenico Dolce e a belíssima modelo canadense Winnie Harlow, porta-voz do vitiligo, entre outros não menos glamourosos.

Outro ponto de destaque do longa é a trilha sonora com músicas inéditas de Lady Gaga, especialmente no dueto com a rapper Doechii na faixa dançante "Runway". Apesar dos rumores, foi desmentido o dueto de Gaga com Madonna, que só retorna na conhecida "Vogue", do primeiro filme. 

A seleção musical conta ainda com Dua Lipa na música "End of An Era"; Raye cantando "Worth It"; SZA interpretando "Saturn"; Olivia Dean, com "Nice To Each Other"; Miley Cyrus e Brittany Howard fazendo dueto em "Walk of Fame", entre outros intérpretes do pop. 

Com tantos ingredientes na receita, "O Diabo Veste Prada 2" tem artilharia para agradar a variados públicos, dos fãs de moda aos adeptos do bom entretenimento. E é óbvio que parte desse acerto se deve, como já pontuado, ao talento dos atores envolvidos - afinal, Meryl Streep não veio ao mundo a passeio. 


E se nesses 20 anos as caras de Miranda Priestley continuaram por aí, circulando em memes e gifs populares nas redes, certamente não será diferente desta vez - até porque, ela repete bordões, frases e olhares do filme matricial, para delírio dos espectadores.

Como não dá para não colocar um porém, esse fica por conta de o frenesi que a personagem Andrea exibe no curso da parte 2 da história uma familiaridade com o universo dos ricos e poderosos, bem como com os figurinos de grifes inalcançáveis aos meros mortais. Mesmo sendo um pouco dissonantes ao perfil intelectual que a "saga" inicialmente propõe para caracterizar a jornalista. 

Mas vamos relevar esse "detalhe". Se a vida demanda momentos de lazer e diversão, e o cinema entra muitas vezes como uma boa opção para tal, ir a "Diabo Veste Prada 2" é decisão acertada. Um entretenimento de primeira.


Ficha técnica:
Direção: David Frankel
Roteiro: Aline Brosh McKenna
Produção: Walt Disney Pictures e 20th Century Studios
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2 horas
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: comédia, drama

29 abril 2026

Cineart Open Air volta a BH mais sofisticado, acessível e ultra sensorial

Programação acontece de quinta a domingo no Espaço 356, com filmes, shows e atividades para a família
(Fotos: Cineart/Divulgação)
 
 

Da Redação

 
De 30 de abril a 31 de maio, o Cineart Open Air está de volta a Belo Horizonte no Espaço 356, bairro Olhos D'Água, em uma edição mais ambiciosa, mais sofisticada e muito mais expandida, com sessões Premium a céu aberto a partir de R$ 40,00.

O projeto retorna com mais força em uma parceria com a produtora de eventos Box. A promessa é transformar novamente o céu da capital em telão, mas com um upgrade claro de proposta. 

O cinema continua sendo o coração da experiência, só que agora pulsa cercado por música ao vivo, DJs, festas temáticas, ambientação sensorial, gastronomia de primeira e uma programação pensada para prolongar a emoção muito além dos créditos finais. 


De quinta a sábado, as noites começam com um filme e seguem com diferentes desdobramentos. Às quintas, o espaço recebe noites de jazz e arte assinadas pelo DJ Leandro Rallo, Amy Wine Bar e Forninho, com sessões mais intimistas e intervenções artísticas. Às sextas, a programação se desdobra em happy hours com DJs convidados e bebidas especiais. 

As noites de sábado terão sessões temáticas seguidas de after parties assinadas por marcas aclamadas em BH, como Cafofo, Baile do Birico e Jack in the House. Todas especialmente desenhadas para conversar com a atmosfera do longa exibido. 

Já os domingos serão dedicados às famílias, com atividades infantis, oficinas e brincadeiras durante o dia ao ar livre, em parceria com o Extremo Park, o parque indoor do Espaço 356, antes de uma sessão ao final da tarde pensada para todas as idades. As atividades estão incluídas no valor do ingresso.


Uma estreia de peso

A edição deste ano também ganha um gancho pop poderoso. A estreia da temporada coincide com a chegada de “O Diabo Veste Prada 2”, um dos títulos mais aguardados de 2026 e capaz de conectar moda, cultura pop e cinema de forma quase irresistível. 

A programação reúne ainda outros títulos de forte apelo, como “Michael”, a cinebiografia que conta a história do Rei do Pop, Michael Jackson. Além desses, também serão exibidos títulos como “Super Mario Galaxy” e "Marte Um" (2022), promovendo o cinema nacional, dentre outros filmes que ainda serão divulgados.

Para Lúcio Otoni, diretor da Rede Cineart, o novo formato nasce de uma escuta atenta ao que o público demonstrou desejar na primeira edição. “O primeiro Open Air já mostrou que Belo Horizonte queria mais do que uma sessão especial ao ar livre. Queria viver uma noite ou tarde inteira em torno do filme e para além. Esta nova edição nasce justamente desse entendimento. O cinema continua sendo o centro, mas agora a experiência cresce em volta dele, com música, atmosfera, permanência e uma curadoria pensada para transformar a ida ao cinema em um acontecimento”, afirma.


Tudo em volta da tela

O público encontrará uma tela de 11m x 6m, projeção Barco 2K, som Dolby Digital 5.1, além de cadeiras estilo praia, pufes, mantas personalizadas e aquecedores para as noites mais frias.

Em volta da sessão, a experiência se completa com gastronomia, assinada pelo restaurante Barolio, carta de vinhos, drinques selecionados, bomboniére gourmet, um lounge com vista panorâmica para Belo Horizonte (onde música ao vivo e DJs ajudam a construir a atmosfera do evento) e muito mais.


Segundo Otoni, o projeto reafirma uma visão de experiência para a marca e representa um “universo sensorial completo”, em que gastronomia, cenografia e entretenimento se unem para criar momentos únicos. 

“A Cineart acredita cada vez mais no cinema como experiência. A sala escura continua sendo um lugar insubstituível, mas há formatos que permitem expandir essa potência e criar novos rituais em torno da sétima arte. O Open Air é uma forma de valorizar o filme e, ao mesmo tempo, tudo o que pode nascer em volta dele: encontro, cidade, música, celebração e memória”, comenta.

Funcionamento

Serão vendidos 120 ingressos por sessão, todos com direito ao filme e à programação do dia, incluindo as after parties ou atividades correspondentes. Esses ingressos custam R$ 80,00 a inteira e R$ 40,00 a meia, com vendas pelo site da Cineart


Além disso, a parte noturna terá também venda de ingressos avulsos para quem quiser participar apenas das festas posteriores à sessão, comercializados pelo app da Ingresse.

Os links das duas modalidades podem ser conferidos nos canais oficiais da Cineart e Ingresse. Os assentos das sessões serão livres, numa escolha que favorece um clima mais solto e convida o público a chegar antes, circular, ocupar o espaço com mais liberdade e entrar gradualmente no ritmo da noite (ou da tarde, no caso dos domingos).

Para o diretor da Cineart, o Open Air ajuda a consolidar Belo Horizonte como uma praça preparada para experiências culturais mais autorais, mais Premium e mais híbridas.


Serviço:
Cineart Open Air 2026
Período: de 29 de abril a 31 de maio
Dias: quinta a domingo
Horários: quintas a sábados, a partir das 18h
                domingos, a partir das 12h (com atividades infantis incluídas no ingresso)
Local: Espaço 356 - Rua Adriano Chaves e Matos, 100 - Olhos D'Água, Belo Horizonte
Ingresso cinema + experiência do dia: R$ 80,00 inteira / R$ 40,00 meia 
Venda: site da Cineart - https://cineart.com.br/cinema/cineart-open-air
Ingresso só after party: R$ 80,00 em média
Venda: app ou site da Ingresse - https://www.ingresse.com/cineart-open-air-30-de-abril-a-31-de-maio/



26 abril 2026

Crítica de "Zico, O Samurai de Quintino" – O Legado do Camisa 10 da Gávea

Documentário descreve a construção do mito que fez do atleta uma unanimidade para uma parcela da população que gosta de futebol (Fotos: Divulgação, Peter Wrede e Pedro Curi)
 
 

Wallace Graciano

 
Transportar para a telona a essência de um atleta que é tratado pelo público como uma divindade exige muito mais do que devoção: exige a coragem de, em certa medida, profanar o que, para muitos, é um mito para encontrar o lado mundano. 

E, em "Zico, O Samurai de Quintino", que estreia na próxima quinta-feira, dia 30, o diretor João Wainer explora um arquivo biográfico incomum — que inclui registros em Super-8, fitas VHS tateadas pelo tempo e diários pessoais — para seguir um caminho no qual a reverência e a ousadia narrativa tabelam como Bebeto e Romário certa vez já fizeram. 


O resultado é uma obra que não explora o camisa 10 da Gávea apenas como detentor da pedra mais alta, o que seria um caminho fácil. Ela também expõe sua carne. Esqueça o clubismo. O filme é, acima de tudo, uma obra que prende o cinéfilo apaixonado por futebol. 

Ao descrever a construção do mito que fez de Zico uma unanimidade para uma parcela da população, o diretor usa um ritmo frenético para escapar do academicismo biográfico. Ele vai e volta na narrativa, como um camisa 8 que dita os rumos de um meio-campo, dando fôlego aos acontecimentos sem precisar de uma linearidade para explicar por que o “Galinho de Quintino” chegou ao panteão onde o colocam.


Mas, como dito lá atrás, essa obra não é apenas uma construção de exaltação à figura mítica. Wainer sabe como inserir contrapontos de profundo potencial dramático e histórico, não fugindo de temas como a perseguição política sofrida por seu irmão, Nando, durante a ditadura militar, ou o impacto sociopolítico da fundação do Kashima Antlers no Japão.

E toda essa dualidade de construção do personagem, seja pela doce memória dos torcedores ou pelo sabor amargo da lona, tem um ponto focal que Wainer soube explorar bem: Sandra, esposa do craque há cinco décadas. Ela é o principal fio condutor do relato, sendo a guardiã da memória íntima que humaniza o ídolo.


Por meio dela e dos depoimentos sensíveis dos filhos — que não hesitam em expor as fraturas emocionais causadas pelas constantes ausências de um pai sugado por sua própria grandeza —, o documentário acessa o custo invisível da glória. É nesse terreno de vulnerabilidade que a narrativa ganha a textura que lhe falta em outros momentos. 

A dor lancinante da eliminação na Copa de 1982, o trauma físico imposto pela criminosa entrada de Márcio Nunes em 1985 e o peso do pênalti perdido contra a França em 1986 não são enquadrados apenas como obstáculos superados, mas como feridas abertas. E é nesse ponto que o estoicismo blindado do "Samurai" finalmente cede espaço às angústias do homem nascido em Quintino.


"Zico, O Samurai de Quintino" é um filme que escolhe desafiar seu público. Obviamente que ele afaga a memória coletiva de uma torcida, entregando uma filmagem quase litúrgica para seus devotos e uma introdução eficiente para quem ainda não foi apresentado ao camisa 10 da Gávea. 

Porém, não mergulha na fácil narrativa de exaltação contínua que faz do homem um mito. Se não reinventa a roda do documentário, sabe como explorar a fragilidade do ser humano, tratando com sensibilidade sua memória.

Obs.: De acordo com o perfil do Flamengo na rede social “X” (antigo Twitter), quem for trajado com a camisa do rubro-negro para assistir ao filme pagará meia-entrada. A promoção será válida exclusivamente durante a primeira semana em que a película estiver em cartaz. Consulte os cinemas participantes.


Ficha Técnica
Direção: João Wainer
Roteiro: Thiago Iacocca
Produção: Vudoo Filmes e Guará Entretenimento, com a coprodução da Globo Filmes, SporTV, Pontos de Fuga, Investimage e Clube de Regatas do Flamengo
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h43
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gênero: documentário
Avaliação: 4,5 (0 a 5)

21 abril 2026

“Michael” acerta ao transformar espetáculo em emoção

Jaafar Jackson entrega a grande aposta do filme ao interpretar o tio com precisão (Fotos: Universal Pictures)
 
 

Robhson Abreu e Maristela Bretas
Parceiro da Revista PQN, Jornal de Belô e Bloco de Belô


Há filmes que procuram apenas contar uma história. Outros tentam reconstruir um mito. "Michael", no entanto, vai além dessas missões. O longa, dirigido por Antoine Fuqua (responsável por sucessos como a trilogia "O Protetor" 2014, 2018 e 2023 e "Sete Homens e um Destino" - 2016), estreou nesta terça-feira (21) nos cinemas brasileiros e mira no centro de uma das figuras mais complexas e influentes da cultura pop. 

O que se vê é uma tentativa de devolver a Michael Jackson aquilo que o tempo, a fama e o próprio excesso de reverência muitas vezes lhe roubaram, sua dimensão humana. E é aí que o filme encontra sua força mais rara. Não apenas no brilho do ícone, mas na dor, na solidão e na pulsação íntima de um artista que se tornou maior do que a própria imagem.


O grande triunfo da produção, que custou mais de US$ 155 milhões, está na atuação de Jaafar Jackson, sobrinho de Michael e filho de Jermaine, o irmão mais velho e um dos integrantes da primeira geração do The Jackson 5. 

Em sua primeira grande passagem pelo cinema, Jaafar não interpreta o tio como quem reproduz um repertório de gestos conhecidos pelo mundo inteiro, ele o encarna com uma entrega que impressiona pela precisão e pela emoção. 


Há no seu trabalho uma combinação difícil de alcançar como a semelhança física, o domínio corporal, a respiração cênica, o olhar que alterna insegurança e magnetismo. Jaafar não copia Michael. Ele o reconstrói por dentro e dá ao personagem uma presença que vai além da lembrança nostálgica. Seu desempenho carrega o peso de uma herança monumental, mas também a coragem de não se esconder atrás dela.

Nos momentos musicais, Jaafar parece habitar um território em que técnica e encantamento se confundem. A dança não surge como truque, e sim como linguagem. A voz, embora inevitavelmente comparada à do artista original, não soa como simples reprodução. Ela tenta captar o espírito de uma assinatura vocal que moldou gerações. 


Mas é nas passagens mais silenciosas que o ator encontra sua maior potência. Quando o filme desacelera e deixa o espetáculo em segundo plano, Jaafar revela um Michael mais vulnerável, quase ferido pela própria grandeza. É nesses instantes que a performance ganha densidade dramática e faz o filme respirar.

O elenco de apoio também sustenta bem essa construção. Colman Domingo ("Rustin" - 2024), como Joe Jackson, imprime peso e tensão à narrativa, sem jamais diluir a sombra paterna que marcou a trajetória do cantor. Sua presença em cena tem autoridade e desconforto na medida certa. 


Nia Long ("The Banker", 2020) como Katherine Jackson, oferece um contraponto de ternura e resistência, emprestando ao núcleo familiar uma delicadeza que impede o filme de se tornar apenas um desfile de traumas.

Destaque também para Juliano Krue Valdi, que interpreta Michael criança, um garoto muito fofo que deu o tom certo ao personagem no período do surgimento do The Jackson 5. Cada coadjuvante, à sua maneira, ajuda a compor o ambiente em que o cantor e compositor foi forjado, pressionado e, muitas vezes, esmagado.

"Michael" dialoga diretamente com a cultura pop. O filme não trata apenas de um astro, mas de um fenômeno que moldou linguagem, imagem, coreografia, moda e comportamento. Michael Jackson não foi apenas um cantor, ele foi uma gramática estética que atravessou décadas e segue influenciando o entretenimento mundial. 


Revisitá-lo no presente é também uma forma de reavaliar o modo como a cultura pop fabrica ídolos, os consome e depois tenta decifrá-los. Nesse sentido, o longa, que vai dos anos 1960 até 1980, tem algo de ritual e de reparação. 

Explica alguns fatos da infância e da adolescência do artista - sua paixão por animais, o vitiligo que começa a se manifestar na pele, a obsessão por brinquedos e compras e o início do consumo de remédios.

Não podemos esquecer, no entanto, que a produção do filme é da família Jackson, que deixa de fora do enredo momentos comprometedores e complexos da vida do cantor e de suas relações pessoais e judiciais. A continuação está prevista para 2027 (ainda sem confirmação) que deverá abordar a fase adulta de Michael. 


Sem falar na reconstrução de clipes memoráveis que estão em nossas memórias por décadas como “Thriller”, "Bad", “Beat it”, “Dont' stop til you get enough”, entre outras. 

Algo fantástico para todos nós que só vimos o produto pronto e não como foi feito na época. É emocionante ver um ídolo sendo recriado com tanta emoção e carisma. Dá vontade de ver todo dia!

Com a ambição que exibe a força de seu protagonista e o apelo universal do personagem central, "Michael" entra naturalmente na conversa sobre a temporada de prêmios e com certeza desponta como um nome a ser observado com atenção rumo ao Oscar 2027. 


Filmes biográficos musicais costumam encontrar ressonância na Academia quando combinam transformação física, densidade emocional e apuro técnico. E em "Michael" há material de sobra para isso. 

Se mantiver o impacto que a interpretação de Jaafar Jackson sugere, o filme pode ir muito além da homenagem. Ele poderá se tornar um dos grandes eventos cinematográficos da década, assim como sempre foi o mito Michael Jackson, com uma expectativa dos produtores de atingir US$ 1 bilhão na bilheteria mundial. 


Ficha técnica:
Direção: Antoine Fuqua
Produção: Lionsgate, GK Films
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h05
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: musical, drama, biografia