Mostrando postagens com marcador @CinemanoEscurinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador @CinemanoEscurinho. Mostrar todas as postagens

14 janeiro 2026

“Ato Noturno” é a primeira boa surpresa do cinema nacional em 2026

Desejo, risco e moralismo marcam longa dirigido pelos gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
(Fotos: Avante Filmes e Vulcana Cinema)
 
 

Eduardo Jr.

 
Filme ousado no pedaço! Estreia no dia 15 de janeiro “Ato Noturno”, longa que é um pouco thriller e um bocado erótico. Dirigido pelos gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, a obra mostra um ator e um político que vivem um caso onde o fetiche de ambos é praticar sexo em lugares públicos. 

Distribuído pela Vitrine Filmes, o lançamento ocorre por meio do projeto Sessão Vitrine Petrobrás. 

Matias (Gabriel Faryas) é um ator que deseja mais da carreira. Ao saber que uma grande série vai ser filmada em Porto Alegre, ele passa a desejar o papel. 

E aí se intensificam os atritos com Fábio (Henrique Barreira), o colega de apartamento e de companhia de teatro, que também quer ser protagonista de uma grande produção. 


Um elemento externo é quem bota fogo nessa história: Rafael (Cirillo Luna), que conhece Matias em um aplicativo de paquera. Logo de cara os dois vão dando pistas de que o prazer do casal está associado ao exibicionismo. 

Porém, Rafael é um político, e acredita que esse tipo de conduta é uma grande ameaça às ambições de ambos. É o político que alerta que, ao alcançar a fama, Matias vai precisar se adaptar às situações, omitir sua sexualidade. 


Cegos pelo desejo, eles seguem se arriscando. A direção faz com que Porto Alegre e alguns de seus pontos tradicionais se tornam locações de cenas tórridas, nas quais a escuridão da noite acende o fogo de casais, trios, quartetos…  

As poucas cenas diurnas são, em maioria, em locais abertos, onde a vida civil acontece, silenciosa e hipócrita. E aquilo que é sussurrado demanda atenção do espectador, por haver momentos em que a música é alta e a qualidade dos microfones perde potência. 


Outra leitura possível de ser feita a partir desse detalhe técnico é a da violência da cidade contra algumas identidades e comportamentos, invadindo brutalmente, tal qual o som que atravessa as cenas. 

O espectador é afetado pelo suspense, pelo incômodo, é contaminado pela raiva, é permeado pela ansiedade proposta no roteiro e pelo sexo estampado na tela (natural, quente e sem se descolar da trama). 

Apesar da luz do dia, em que as convenções sociais colocam cada coisa em seu lugar, é no ato noturno que se expressa a verdade, o desejo. 


Não dá pra ficar imune ao filme de Reolon e Matzembacher. Prova disso está nas conquistas que a dupla obteve no Festival do Rio, quando levou três Troféus Redentor: Melhor Ator para o estreante em longas Gabriel Faryas, Melhor Roteiro para Matzembacher e Reolon e Melhor Fotografia para Luciana Baseggio. 

Além disso, a produção ainda foi eleita o Melhor Filme do Prêmio Felix, dedicado a obras com temática LGBTQIAPN+. O cinema nacional também tem espaço para provocação, erotismo e confronto de hipocrisias. Ir ao cinema prestigiar o longa precisa ser seu próximo ato noturno.     


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Filipe Matzembacher e Marcio Reolon
Produção: Avante Filmes, com coprodução da Vulcana Cinema
Distribuição: Vitrine Filmes
Exibição: Cine Una Belas Artes
Duração: 1h57
Classificação: 18 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, thriller

12 janeiro 2026

Com duas estatuetas, Brasil faz história no Globo de Ouro com "O Agente Secreto"

Longa dirigido por Kleber Mendonça Filho conquista prêmios de Melhor Filme em Língua Não Inglesa
e Melhor Ator em Filme de Drama (Fotos: CinemaScópio Produções)
 
 

Maristela Bretas

 
"O Agente Secreto", do diretor Kleber Mendonça Filho, atingiu mais um feito histórico para o cinema brasileiro ao conquistar, neste domingo (11) os prêmios de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, e de Melhor Ator em Filme de Drama, recebido por Wagner Moura na 83ª edição do Globo de Ouro. Mais um para a coleção do ator, que também foi eleito Melhor Ator no Festival de Cannes de 2025 onde a produção fez sua estreia mundial.

O longa já soma mais de 20 prêmios concedidos por festivais e associações de críticos ao redor do mundo. Entre os destaques mais recentes estão as conquistas na 31ª edição do Critics Choice Awards 2026, onde venceu como Melhor Filme em Língua Estrangeira, e no New York Film Critics Circle (NYFCC) Awards 2026, no qual Wagner Moura recebeu o prêmio de Melhor Ator e o filme foi reconhecido como Melhor Filme Internacional.

Wagner Moura (Reprodução TV)

Orlando Bloom e Minnie Driver entregaram a estatueta de Melhor Filme em Língua Não-inglesa para o diretor Kleber Mendonça Filho. O longa brasileiro competiu com produções da Coreia do Sul, França, Noruega, Espanha e Tunísia.

Wagner Moura recebeu seu troféu das mãos dos atores Diane Lane e Colman Domingo, que ainda simulou no palco uma dança para comemorar com o ator brasileiro, que ao final de seu discurso em inglês, agradeceu em português a todos os brasileiros pela conquista.

Ambientado no Brasil de 1977, em pleno período da ditadura militar, "O Agente Secreto" acompanha Marcelo, interpretado por Wagner Moura, um professor que retorna de São Paulo para Recife, sua terra natal, tentando escapar de um passado violento e misterioso para ficar perto do filho. 


Mas logo percebe que o passado continua à espreita e, mesmo usando uma nova identidade, ainda corre risco e representa um perigo para todos ao seu redor. 

O longa é uma coprodução entre Brasil (CinemaScópio Produções), França (MK Productions), Holanda (Lemming) e Alemanha (One Two Films), com distribuição nacional da Vitrine Filmes.

"O Agente Secreto" foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2026. A 98ª edição da cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood está prevista para o dia 15 de março.

As premiações

George Clooney, ao lado de Don Cheadle, anunciou o vencedor da principal categoria do Globo de Ouro 2026. "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet", da diretora Chloé Zhao, foi escolhido Melhor Filme de Drama. 

A produção também levou a estatueta de Melhor Atriz em Filme de Drama, entregue por Chris Pine e Ana de Armas a Jessie Buckley por sua elogiada atuação.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet"
(Foto: Universal Pictures)

Com apresentação da comediante Nikki Glaser, o Globo de Ouro 2026, foi realizado no auditório do Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles. As atrizes Amanda Seyfried e Jennifer Garner entregaram o primeiro prêmio da noite, de Melhor Atriz Coadjuvante em Filme para Teyana Taylor, por sua atuação em "Uma Batalha Após a Outra", da Warner Bros. Pictures. 

A produção, considerada a favorita, foi a maior premiada conquistando outras três estatuetas: Melhor Roteiro em Filme, Melhor Direção em Filme e Melhor Filme de Comédia ou Musical, entregues ao diretor e roteirista Paul Thomas Anderson.

"Uma Batalha Após a Outra"
(Foto: Warner Bros. Pictures)

Nas séries, como era esperado, "Adolescência", da Netflix, também foi premiada quatro vezes: Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama, novamente para o jovem Owen Cooper, que aumentou sua coleção de estatuetas como protagonista; Melhor Ator em Minissérie ou Filme de TV, conquistado por Stephen Graham; Melhor Atriz Coadjuvante em Série para Erin Doherty, e Melhor Minissérie ou Filme para TV.

Duas estatuetas

Outro filme que estava entre os favoritos na disputa pelo Globo de Ouro 2026 foi o filme "Pecadores", do diretor Ryan Coogler, com Michael B. Jordan interpretando dois irmãos gêmeos. O longa levou os prêmios de Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Campeão de Bilheteria. 

Sem novidade também foram as estatuetas entregues a "Guerreiras do K-Pop", da Netflix, que levou os prêmios de Melhor Música para Filme com a canção "Golden", e de Melhor Filme de Animação. Considerada um dos fenômenos da Netflix ela já teve uma nova temporada anunciada.

"Guerreiras do K-Pop" (Foto: Netflix)

Nas séries, uma das favoritas, "The Pitt" levou também dois troféus: Melhor Ator em Série de Drama, para Noah Wyle, e Melhor Série de Drama. A série da HBO Max, que estreou recentemente a segunda temporada, já anunciou uma terceira. 

"The Studio", da Prime Vídeo, foi outra que venceu em duas categorias do Globo de Ouro 2026: Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical, prêmio entregue a Seth Rogen, e Melhor Série de Comédia ou Musical. A série já teve sua segunda temporada confirmada.

"The Studio" (Foto: Prime Vídeo)

Veja a lista completa de vencedores:

- Melhor Filme de Drama: "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet"
- Melhor Filme de Comédia ou Musical: "Uma Batalha Após a Outra"
- Melhor Ator em Filme de Drama: Wagner Moura ("O Agente Secreto")
- Melhor Atriz em Filme de Drama: Jessie Buckley ("Hamnet: A Vida Antes de Hamlet")
- Melhor Série de Comédia ou Musical: "The Studio"
- Melhor Minissérie ou Filme para a TV: "Adolescência"

"Adolescência" (Foto: Netflix)

- Melhor Série de Drama: "The Pitt"
- Melhor Atriz em Série de Drama: Rhea Seehorn ("Pluribus")
- Melhor Performance de Comédia Stand-up na TV: Ricky Gervais ("Ricky Gervais: Mortality")
- Melhor Atriz Coadjuvante na TV: Erin Doherty ("Adolescência")
- Melhor Filme em Língua Não-inglesa: "O Agente Secreto"
- Melhor Filme de Animação: "Guerreiras do K-Pop"
- Melhor Direção em Filme: Paul Thomas Anderson ("Uma Batalha Após a Outra")
- Melhor Destaque em Bilheteria: "Pecadores"
- Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV: Michelle Williams ("Dying for Sex")
- Melhor Ator em Minissérie ou filme para a TV: Stephen Graham ("Adolescência")

"Pecadores" (Foto: Warner Bros. Pictures)

- Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical: Timothée Chalamet ("Marty Supreme")
- Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musica: Rose Byrne ("Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria")
- Melhor Roteiro de Filme: Paul Thomas Anderson ("Uma Batalha Após a Outra")
- Melhor Trilha Sonora de Filme: "Pecadores"
- Melhor Música para Filme: canção "Golden" ("Guerreiras do K-Pop")
- Melhor Podcast: "Good Hang with Amy Poehler"
- Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical: Seth Rogen ("The Studio")
- Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama: Owen Cooper ("Adolescência")
- Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical: Jean Smart ("Hacks")
- Melhor Ator em Série de Drama: Noah Wyle ("The Pitt")
- Melhor Ator Coadjuvante em Filme: Stellan Skarsgard ("Valor Sentimental")
- Melhor Atriz Coadjuvante em Filme: Teyana Taylor ("Uma Batalha Após a Outra")

Noah Wyle, de "The Pitt (Foto: HBO Max")

08 janeiro 2026

"A Empregada": o suspense que prova que confiança pode ser armadilha

Amanda Seyfried e Sydney Sweeney protagonizam o longa inspirado no best-seller homônimo escrito
por Freida McFadden (Fotos: Paris Filmes)
  
 

Marcos Tadeu
Do blog parceiro Jornalista de Cinema

  
"A Empregada" ("The Housemaid"), em cartaz nos cinemas, traz para as telas o suspense psicológico que conquistou leitores do best-seller de suspense de Freida McFadden. 

Dirigido por Paul Feig (de "Um Pequeno Favor" - 2018), o filme aposta em mistério, tensão e jogos de manipulação para fisgar o público logo de cara, deixando claro que aquela casa luxuosa esconde muito mais do que parece.


A história acompanha Millie Calloway (Sydney Sweeney, de "Madame Teia" - 2024), uma jovem tentando recomeçar a vida depois de um passado difícil. 

A oportunidade surge quando ela aceita trabalhar como empregada doméstica na mansão de Nina (Amanda Seyfried, de "Mamma Mia" - 2018) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar, de "É Assim que Acaba" - 2025).

No início, tudo parece perfeito demais e é justamente aí que mora o perigo. Aos poucos, Millie percebe que seus patrões são estranhos, instáveis e donos de segredos perturbadores, transformando o que parecia um emprego dos sonhos em um verdadeiro pesadelo.


O filme acerta no elenco. Sydney Sweeney segura bem o papel e convence como alguém que tenta manter o controle mesmo quando tudo começa a sair do lugar. 

Amanda Seyfried e Brandon Sklenar também se destacam, criando personagens cheios de ambiguidades, daqueles que deixam o espectador o tempo todo desconfiado. A dinâmica entre os três é o que realmente move a história e sustenta o suspense até o fim.

O longa, no entanto, escorrega no ritmo. Em alguns momentos, ele aposta em exageros e ironias; em outros, fica pesado demais, trazendo discursos mais diretos sobre violência psicológica e união feminina. 


Essa mudança de tom pode causar estranhamento, mas não chega a estragar a experiência. O final ainda deixa algumas perguntas no ar, dando aquela sensação de “continua?”, o que pode indicar planos para uma sequência. 

"A Empregada" cumpre bem o que promete: prende a atenção, provoca desconforto e rende boas reviravoltas. É um suspense que funciona tanto para quem gosta de mistério quanto para quem busca um filme envolvente para começar o ano no cinema. 

Sem reinventar o gênero, o longa entrega entretenimento sólido e deixa claro por que essa história fez tanto sucesso antes mesmo de chegar às telonas.


Ficha técnica:
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Produção: Lionsgate, Hidden Film
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h13
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: suspense

06 janeiro 2026

Histórias de perda e reinvenção - Parte 2: “Vida Privada” e “Miroirs No. 3"

 
 

Carol Cassese

 
Dando sequência aos destaques da temporada iniciados em "Histórias de perdas e reinvenção - Parte 1: Hamnet e Valor Sentimental", a temática da perda e os modos de elaboração do luto estruturam também outros dois filmes recentes que vêm se destacando no circuito internacional. 

Em "Vida Privada", da realizadora francesa Rebecca Zlotowski, o tema da perda se constrói a partir da súbita morte de uma mulher, acontecimento que leva Lilian Steiner, psiquiatra da vítima, a questionar suas práticas profissionais. 


A recusa em tratar o episódio como encerrado transforma o luto em um processo de investigação, no qual a personagem passa a confrontar tanto a prática clínica quanto sua própria identidade.

Ambientado em Paris, o filme ganha força principalmente por conta da atuação de Jodie Foster, que apresenta uma significativa intensidade dramática e, ainda, um domínio impressionante do francês. 

Em entrevistas, a atriz comentou que atuar em outro idioma teve um impacto profundo sobre sua performance, em especial porque se sente “uma pessoa diferente quando conversa em francês”. 


Carregado de elementos hitchcockianos (já que a personagem principal decide investigar a morte de sua paciente), o filme ressalta a importância da escuta e ilustra como a aceleração da vida contemporânea prejudica a nossa capacidade de interpretação. 

A produção teve estreia mundial fora de competição no Festival de Cannes e passou pelo Festival do Rio em 2025. A revista Trois Couleurs incluiu "Vida Privada" em sua lista dos 50 filmes preferidos de 2025, destacando o trabalho da diretora e a atuação de Foster. 

Vale destacar que o trabalho de Zlotowski, nome promissor do cinema independente, reúne ainda referências importantes da cena francesa, como Virginie Efira, Daniel Auteuil e Vincent Lacoste.


MIROIRS NO. 3

Outro longa que apareceu em um número significativo de listas dos melhores filmes do ano foi "Miroirs No. 3", do diretor alemão Christian Petzold. O filme acompanha Laura (Paula Beer), uma jovem que, após sobreviver a um acidente de carro, passa a conviver com uma família desconhecida e bastante misteriosa. 

Abalada pelo trauma, a protagonista se aproxima desse núcleo familiar por reconhecer nele uma fragilidade compartilhada, já que os personagens também parecem estar marcados por uma ausência traumática. 


Inspirado na obra musical "Miroirs", de Maurice Ravel, o título remete à ideia de espelhamento, sugerindo identidades que se refletem e, de certa forma, se duplicam ao longo da narrativa, assumindo um tom marcadamente enigmático e apostando na ambiguidade como motor narrativo. 

O longa, que está em cartaz em cinemas europeus e deve chegar ao Brasil em 2026 com distribuição da Imovision, carrega um tom bastante enigmático e prende a atenção do início ao fim. "Miroirs No. 3" se destacou em listas de fim de ano de veículos críticos internacionais, incluindo a da Cahiers du Cinéma.


Narrativas reflexivas

Chama a atenção o fato de que os diretores de "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", "Valor Sentimental", "Vida Privada" e "Miroirs No. 3" possuem nacionalidades diversas – Estados Unidos/China, França, Noruega e Alemanha –, o que reforça como os temas da perda e da reconstrução estão presentes em múltiplos contextos culturais. 

Ainda que partam de realidades específicas, as produções dialogam entre si ao mostrar como essas experiências dolorosas e profundamente humanas encontram ressonância em diferentes países.


Dessa maneira, os longas se afirmam como boas escolhas para quem busca narrativas reflexivas e intrigantes, sustentadas por atuações marcantes. 

Em uma sociedade em que a exibição constante de felicidade parece ganhar cada vez mais força, essas produções oferecem oportunidades valiosas de introspecção.

Histórias de perda e reinvenção - Parte 1: “Hamnet” e “Valor Sentimental"



Carol Cassese


A temática da perda e os modos de elaboração do luto estruturam pelo menos quatro filmes recentes que vêm se destacando no circuito internacional, articulando experiências familiares a processos de reconstrução subjetiva. 

O assunto será abordado em duas postagens. Enquanto este post será centrado em "Hamnet" e "Valor Sentimental", o segundo traz breves análises dos longas "Vida Privada" e "Miroirs No. 3".

"Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", que estreou nos cinemas estadunidenses em 5 de dezembro e chega às salas brasileiras em 15 de janeiro, é um exemplo notável do tema. 


Dirigido por Chloé Zhao (“Nomadland” - 2021) e inspirado no romance homônimo de Maggie O’Farrell, a produção reflete sobre como a ficcionalização pode ser um mecanismo de enfrentamento ao luto. 

O filme dialoga diretamente com a vida de William Shakespeare e com o modo como sua experiência de perda teria ressoado na criação de Hamlet (sabe-se que Hamnet Shakespeare, filho do dramaturgo, faleceu aos 11 anos).

"Hamnet" estreou no Telluride Film Festival, em agosto de 2025. Posteriormente, a produção foi exibida no Toronto International Film Festival, onde venceu o People’s Choice Award, um dos principais prêmios de público da temporada. 


Em dezembro, o filme integrou a programação de eventos especiais do Main Cinema, em Minneapolis (Estados Unidos), onde tive a oportunidade de acompanhar um debate após a sessão com Katherine Scheil, autora de "Imagining Shakespeare’s Wife: The Afterlife of Anne Hathaway" (vale ressaltar que a sala de cinema estava lotada, em uma manhã de sábado com temperatura de –10 °C). 

A discussão abordou o apagamento histórico de figuras femininas ao longo dos séculos e também evocou a curiosa coincidência em torno do nome Anne Hathaway, esposa de William Shakespeare e homônima da conhecida atriz hollywoodiana. 

Vale notar que, no século XVI, os nomes Hamnet e Hamlet eram usados de maneira intercambiável, o que reforça a proximidade simbólica entre a experiência biográfica do dramaturgo e sua criação literária.


Além da forte recepção no circuito de festivais, a produção protagonizada por Jessie Buckley e Paul Mescal já aparece entre os títulos mais comentados do circuito de premiações, sendo frequentemente mencionado em projeções para grandes disputas. 

A atuação de Buckley, que recentemente levou o prêmio de Melhor Atriz no Critics Choice Awards, e o trabalho de Zhao vêm sendo apontados como destaques relevantes da temporada. 

Ao se inscrever no campo da ficção histórica, a adaptação do livro de O'Farrell propõe uma reflexão sobre a recriação do passado e a mescla entre fatos, imaginação e elaboração estética. 

Dessa maneira, Hamnet se alinha a uma tendência crescente no cinema e na literatura contemporânea, em que narrativas históricas são revisitadas a partir de perspectivas criativas.


VALOR SENTIMENTAL

Também em destaque na temporada de premiações, "Valor Sentimental" (ainda em circulação nos cinemas brasileiros), obra do diretor norueguês Joachim Trier, é centrada no retorno de um pai, cuja presença reabre feridas ligadas à memória familiar. 

Assim como ocorre em "Hamnet", o filme propõe reflexões sobre o retrato ficcional de acontecimentos trágicos, mostrando como a recriação de experiências difíceis pode, de maneira complexa e não linear, auxiliar na elaboração de traumas.


Como mencionamos na introdução, o novo filme do diretor norueguês Joachim Trier, que assinou produções como "Oslo, 31 de Agosto" (2011) e "A Pior Pessoa do Mundo" (2021), é centrado nos efeitos conturbados de um reencontro familiar. 

Mais especificamente, a narrativa acompanha um cineasta, interpretado por Stellan Skarsgård, e suas duas filhas, vividas por Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas, em meio a tensões ligadas à memória e a feridas que permanecem abertas. 


Nesse contexto, o filme introduz ainda a personagem de Elle Fanning, uma atriz americana convidada a interpretar ficcionalmente episódios dolorosos da história da família – gesto que desloca a experiência do trauma para o campo da representação. 

Aqui, é interessante pensar como a presença da personagem de Fanning opera também como uma alusão a um processo enfrentado por muitos diretores da cena independente: a passagem por um crivo hollywoodiano, seja em termos de reconhecimento crítico ou validação dentro de um mercado desigual. 

Bastante aclamado pela crítica, o longa estreou na competição oficial do Festival de Cannes 2025, onde venceu o Grand Prix (Grande Prêmio do Júri). 


03 janeiro 2026

"Anaconda" - Selton Mello rouba a cena nesta comédia em plena selva amazônica

Jack Black, Paul Rudd e seus amigos tentam fazer o remake de um sucesso do passado sobre uma
cobra gigante que ataca uma equipe de filmagem (Fotos: Sony Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Em cartaz nos cinemas, "Anaconda" surge como uma comédia escancaradamente absurda que entende perfeitamente o próprio ridículo — e faz disso sua maior virtude. Protagonizado por Jack Black, Paul Rudd e Selton Mello, o filme aposta na paródia, no humor e em referências pop para garantir boas risadas do início ao fim.

O grande destaque, sem dúvida, é Selton Mello. No papel do domador de cobras Carlos Santiago, o ator brasileiro rouba a cena sempre que aparece. Seu personagem carrega um jeitão que remete ao Chicó de "O Auto da Compadecida" (2000 e 2024), mas sem o medo crônico que marcou aquele papel. 


Aqui, Selton entrega falas e expressões tipicamente brasileiras, com um timing cômico afiadíssimo, sem dever nada a Jack Black ou Paul Rudd. A química entre os três funciona de forma surpreendentemente natural e é um dos pilares do filme.

Há momentos tão ridículos que ultrapassam o limite do bom senso — e é justamente aí que o humor acerta. As piadas são atuais, repletas de comentários metalinguísticos bem sacados, e não têm receio de zombar do próprio cinema, da indústria e até da produtora e distribuidora Sony Pictures. 

O diretor assume o tom de paródia do início ao fim, transformando o filme em uma sátira consciente do original.


Este remake também reserva surpresas para quem conhece ou, como eu, gosta de produções trashs absurdas com animais perigosos, como o "Anaconda" de 1997, que foi muito criticada à época, mas que diverte justamente pelo exagero e tem público cativo. 

Na época, o elenco contava com Jennifer Lopez, Ice Cube, Jon Voight, Eric Stoltz, Jonathan Hyde e Owen Wilson, e a trama também se passava na Amazônia, envolvendo uma equipe de documentaristas perseguida por uma cobra gigante. 

Classificado como terror, o filme sempre flertou com o lado cômico por conta de seu absurdo — algo que o novo "Anaconda" assume sem vergonha alguma.


Na versão atual, acompanhamos Griff (Paul Rudd), um ator de meia-idade em crise e desempregado, e Doug (Jack Black), um cineasta frustrado por ter sua carreira resumida a vídeos de casamento. 

Amigos de infância, eles decidem realizar um antigo sonho: viajar até a selva amazônica para produzir um reboot independente de seu filme favorito, "Anaconda".

Para a empreitada, contam com a ajuda de Carlos Santiago e Heitor, sua cobra “domesticada” (parece piada pronta), além da atriz Claire Simons (Thandiwe Newton), recém-saída de um divórcio, e do cinegrafista Kenny Trent (Steve Zahn), que não dispensa “umas biritas” turbinadas. 

Tudo corre bem até que uma anaconda gigante resolve entrar em cena, ao mesmo tempo em que o grupo acaba envolvido em uma perseguição policial a garimpeiros ilegais de ouro.


Curiosamente, apesar do título, a cobra aparece pouco. O protagonismo fica mesmo com o elenco humano, enquanto a anaconda funciona quase como um elemento catalisador do caos. 

O filme também se diverte citando com cenas que remetem a clássicos do cinema de aventura e ação, como a franquia "Jurassic Park - O Parque dos Dinossauros" (1993), quando a cobra gigante persegue o grupo e é acompanhada pelo retrovisor do carro.

Ou "Tubarão" (1975), quando ela circunda o barco da equipe no rio. Até mesmo a cena de Jack Black engolido por uma cobra gigante em "Jumanji - Próxima Fase" (2019) é lembrada. 


"Anaconda" é, acima de tudo, uma produção leve e despretensiosa, que entende seu lugar como entretenimento. Jack Black e Paul Rudd sustentam bem o humor, mas é Selton Mello quem dá um charme especial à narrativa, funcionando como uma âncora cômica e cultural. 

Não é um filme para ser levado a sério — e nem quer ser. Vale a pena justamente por isso: uma diversão honesta, autoconsciente e eficaz para quem busca boas risadas no cinema.


Ficha técnica:
Direção:
Tom Gormican
Roteiro: Tom Gormican e Kevin Etten
Produção e Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h40
Exibição: nos cinemas
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: comédia, ação, aventura

31 dezembro 2025

Em "Jovens Mães", irmãos Dardenne lançam foco sobre a gravidez na adolescência

Filme retrata uma questão que, infelizmente, é presente entre jovens em todos os países do mundo,
numa fase em que estão descobrindo a sexualidade (Fotos: Christine Plenus)
 
 

Patrícia Cassese

 
Com uma chancela de respeito - a assinatura dos irmãos Dardenne tanto na direção quanto no roteiro -, entra em cartaz na cidade o filme "Jovens Mães", que, vale dizer, integrou a programação do Festival de Cinema Francês desse ano, porém, com poucas sessões. Em cena, cinco representantes do que o título - que, na tradução brasileira, mantém o original, "Jeunes Mères" - já revela ao espectador. 

Mais preciso que o uso da palavra "jovem", na verdade, seria "adolescente", posto que a câmera dos belgas Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne flagra a maternidade em uma faixa etária na qual a inocência da infância ainda se mescla às descobertas do mundo adulto. 


São cinco, as jovens mães do filme, e, à exceção de uma, as demais dividem o tempo de duração do longa. Um denominador comum é que nenhuma ali vem de uma vida propriamente fácil. Ao contrário, alguns relatos de episódios da infância são de causar calafrios.

De todo modo, na retratação de uma questão que, infelizmente, é presente em todos os países do mundo - a gravidez acidental na vida de pessoas numa fase em que estão, na verdade, descobrindo a sexualidade, "Jovens Mães" apresenta uma situação que já de pronto mostra a distância entre os ditos países do primeiro mundo e os mais pobres. 


É que as cinco meninas estão provisoriamente abrigadas em uma casa de acolhimento na qual as funcionárias tratam de explicar, com paciência e medida insistência, os cuidados básicos com os bebês para quem pouco tempo atrás certamente brincava de boneca. 

Entre eles, a limpeza do umbigo, o banho ou a melhor forma de dar mamadeira - posto que, ali, dado o estresse inerente à situação, nem todas têm leite para alimentar seus rebentos. Importante dizer que as garotas do filme foram mães por opção, uma vez que, sim, havia a alternativa de se submeter a um aborto. 


No entanto, em casos como o de Jessica (Babette Verbeek), o bater o martelo em manter a gravidez se deu no bojo do sonho de construção de uma união dela com o pai do bebê. Uma ilusão que, mundo afora, muitas adolescentes acalentam.

Mesmo com a escolha do aborto afastada pelas cinco quando ainda havia tempo, resta, a elas, uma última decisão: entregar o filho para uma família ou assumir a maternidade (inclusive, a maternidade solo) nessa etapa tão complexa da vida.


Entre as cinco, talvez o caso que mais afete o espectador seja o de Jessica, que, na reta final da gravidez, tenta se reconectar com a mãe, Morgane (India Hair), que, no passado, a abandonou ainda recém-nascida. Vale muito pontuar o talento da jovem atriz belga que a interpreta, e que dá conta de transmitir o desespero que invade a menina ali, sozinha. 

De todo modo, ela não está disposta a repetir a decisão de sua genitora. Detalhe: a idade da atriz que interpreta Morgane dá indícios que ela também foi mãe na adolescência, mostrando como esse ciclo se repete na sociedade, não obstante os avanços de métodos contraceptivos.


Ariane (Janaina Halloy Fokan, atriz de apenas 16 anos) é outro caso que comove, pelo fato de a garota também vir de uma família esfacelada - a mãe mantém um relacionamento tóxico (apesar de jurar para a filha que colocou um ponto final, o namorado sempre retorna para buscar objetos). 

Não bastasse isso, o envolvimento com drogas que faz a polícia volta e meia bater à sua porta. É nela que a possibilidade de entregar a criança à adoção fala mais alto.

A situação de Julie (Elsa Houben) é um pouco diferente das colegas, sendo ela a única cujo pai do bebê segue não só presente, mas mantendo o intuito de formar uma família. Mesmo assim, ambos lidam com a falta de perspectiva de ter um teto, assim como com o fantasma do vício em drogas. Julie também narra a experiência de um abuso praticado dentro de casa. 


Como ela, Perla (Lucie Larvelle, ótima presença em cena), ao dar continuidade à gravidez, acreditou que o bebê seria o ponto de partida para a construção de uma célula familiar. 

Sua situação não vai deixar o espectador incólume, inclusive quando ela coloca em repasse a relação com a mãe e uma maldade cometida por essa que a marcou para sempre. Além do fato de ser uma adolescente mãe solteira, Perla ainda tem que lidar com o racismo. 

A quinta adolescente do roteiro tem uma presença mais breve na trama. Naïma (Samia Hilmi), mãe da Selma e a mais serena das adolescentes.


Detalhe: "Jovens Mães" foi o título indicado pela Bélgica para o Oscar 2026, na categoria Filme Estrangeiro. Certo, foi eliminado na lista de pré-selecionados, mas isso de forma alguma tira a importância da narrativa que, como salientado no início, fala de uma questão que preocupa não só as autoridades ou pessoas envolvidas em situações similares, mas também aos mais conscientes mundo afora.

Além de mostrar como o acolhimento - familiar ou externo - é imprescindível em tais casos, uma vez que a insegurança e a pouca experiência intrínsecas à idade pode levar a decisões bastante equivocadas, passíveis de virarem traumas para toda uma vida.


Ficha técnica:
Direção:
Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Produção: Les Films du Fleuve, Archipel 35, The Reunion (Delphine Tomson, Denis Freyd)
Distribuição: Vitrine Filmes
Exibição: Cine Una Belas Artes e Centro Cultural Unimed-BH Minas
Duração: 1h46
Classificação: 16 anos
Países: Bélgica e França
Gênero: drama

24 dezembro 2025

“Tainá e os Guardiões da Amazônia - Em Busca da Flecha Azul" une aventura infantil e preservação da Amazônia

Animação usa linguagem educativa e divertida para conscientizar gerações sobre meio ambiente
(Fotos: Sincrosine Produções)
 
 

Maristela Bretas

 
Com estreia marcada para 25 de dezembro, em pleno Natal, "Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul" chega aos cinemas como uma animação brasileira que entende muito bem seu papel: entreter, educar e conscientizar, sem jamais perder o apelo lúdico necessário para dialogar com crianças — e também com adultos.

Dirigido por Alê Camargo e Jordan Nugem, produzido pela Sincrocine Produções e distribuído pela Paris Filmes, o longa tem classificação livre e se posiciona como uma obra pensada para todas as idades.  

Seu grande mérito está justamente no equilíbrio entre um tema urgente e delicado — a destruição da Amazônia — e uma narrativa leve, colorida e acessível, que transforma a conscientização ambiental em aventura.


Mesmo inserido em um contexto extremamente atual, marcado por mudanças climáticas, queimadas e desmatamento, o filme evita o tom panfletário. 

Os diretores apostam em uma linguagem educativa e bem-humorada, criando situações divertidas e diálogos simples, capazes de captar a atenção do público infantil sem subestimar sua inteligência. 

O resultado é uma animação que fala de preservação ambiental a partir da infância, entendendo que é ali que nasce a verdadeira mudança. 

A relevância do projeto ficou evidente com seu pré-lançamento durante a COP-30, em Belém, reforçando o compromisso da obra com a pauta ambiental e com a valorização da cultura amazônica. 


Essa conexão também se reflete no elenco de dublagem, que conta com nomes paraenses de peso. Fafá de Belém empresta sua voz à ancestral e sábia preguiça Mestra Aí, enquanto Juliana Nascimento dá vida à protagonista Tainá, trazendo carisma e energia à personagem.

Na trama, acompanhamos uma Tainá jovem, impulsiva e ansiosa, em pleno treinamento para se tornar uma Guardiã da Amazônia. Ao perder a Flecha Azul, artefato mágico que guia aqueles destinados à proteção da floresta, a heroína coloca seu próprio destino em risco. 

A partir daí, inicia-se uma jornada clássica de amadurecimento, repleta de encontros, aprendizados e desafios.


É nesse percurso que surgem alguns dos personagens mais carismáticos do filme. Catu, o macaquinho encrenqueiro dublado por Caio Guarnieri, é o grande responsável pelo alívio cômico; Pepe, o sábio urubu-rei vivido por Yuri Chesman, traz equilíbrio e reflexão; e Suri, a delicada e charmosa ouricinha rosa dublada por Laura Chasseraux, completa o grupo com ternura. 

A dinâmica entre eles funciona muito bem, especialmente nas cenas mais leves, garantindo ritmo e diversão. Unidos, eles aprendem a lidar com suas diferenças para formar os Guardiões da Amazônia, grupo que representa valores essenciais como amizade, cooperação e respeito à natureza. 


O filme ainda incorpora elementos do folclore brasileiro ao apresentar o temido Jurupari, figura lendária que assombra os animais da floresta, enriquecendo o universo narrativo. 

No entanto, a ameaça mais concreta e assustadora não vem da lenda, mas do mundo real: Jaime Bifão e seu trator, símbolo direto da devastação ambiental. 

É nesse ponto que a animação se mostra mais contundente, traduzindo em imagens simples e compreensíveis um problema complexo e urgente. Quando tudo parece perdido, resta gritar “Cru-cru” e confiar na coragem de Tainá — um gesto simbólico que reforça a esperança e o poder da ação coletiva.


Personagem criada nos anos 2000

Criada há 25 anos, Tainá retorna agora em um longa que foi idealizado antes da série exibida nos anos 2000, explicando suas origens, o início de seu treinamento e a formação do grupo que marcou uma geração. 

Para quem já conhece a personagem, há um agradável sentimento de nostalgia; para os novos espectadores, uma apresentação envolvente e atualizada. "Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul" é, acima de tudo, uma linda produção nacional, que honra sua proposta ao divertir enquanto educa. 

Um filme que fala sobre a importância de preservar a Floresta Amazônica sem perder a leveza, provando que o cinema infantil pode — e deve — ser também um espaço de reflexão e responsabilidade. 

Uma ótima escolha para o período natalino e um passo importante para o fortalecimento da animação brasileira.


Ficha técnica:
Direção:
Alê Camargo e Jordan Nugem
Roteiro: Gustavo Colombo
Produção: Sincrocine Produções e coprodução Tietê Produções
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h28
Classificação: Livre
País: Brasil
Gêneros: animação, aventura