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03 março 2026

“Kokuho: O Preço da Perfeição”, o longa japonês que evidencia o teatro kabuki e desperta impaciência

Filme dirigido por Lee Sang-il e indicado ao Oscar 2026 na categoria Melhor Maquiagem e Penteado
(Fotos: Sato Company)
  
 

Eduardo Jr.

 
O sucesso deve ser reservado apenas a quem tem sangue de artista? Vocação e suor sem sobrenome famoso devem garantir o estrelato? Estas questões certamente vão ressoar na mente do público ao assistir “Kokuho: O Preço da Perfeição” ("Kokuho"), que estreia nos cinemas brasileiros dia 5 de março.

Dirigido por Lee Sang-il e indicado ao Oscar 2026 na categoria Melhor Maquiagem e Penteado, se tornou o longa japonês mais assistido da história do Japão, com mais de 12 milhões de espectadores.


A história começa em 1964, na cidade de Nagasaki, e termina 50 anos depois. No filme, tradições, laços de sangue, arte, ambição e ciúme atravessam as vidas de dois jovens. Kikuo (interpretado por Sōya Kurokawa na adolescência, e Ryô Yoshizawa na fase adulta) assiste ao pai, líder de uma gangue da Yakuza, ser assassinado. 

Órfão, ele passa a viver na casa de Hanai Hanjiro II (Ken Watanabe), um famoso ator do teatro kabuki. Daí, junto de Shunsuke (Keitatsu Koshiyama), filho único do ator, ele decide se dedicar a essa forma de arte.


O kabuki é um teatro surgido no século XVII, após o governo japonês proibir a presença de mulheres nos palcos. Com isso, os homens passam a desempenhar papéis femininos. Interpretam aquilo que não são. Uma bela metáfora sobre um dos dilemas vivido pelo protagonista.

A jornada de Kikuo, agora rebatizado de Toichiro, traz os elementos da humilhação e da dor física em busca da excelência. Mas estes não serão os únicos problemas dele. Herdar um sobrenome de peso, enfrentar o ciúme da família, lidar com a opinião pública, abdicar de aspectos da vida em nome da arte, enfrentar a angústia de não se sentir parte daquele mundo... 

Tudo isso vai criando camadas e se colocando como dramas do personagem – e alongando a história.


“Kokuho: O Preço da Perfeição” é inteligente ao mostrar personalidades complexas, desenvolvidas como num livro. Talvez por ser uma adaptação de um romance de mesmo nome, escrito por Shuichi Yoshida. Não há maniqueísmo. 

O adotado apresenta doçura e fúria, talento e medo; enquanto o herdeiro Shunsuke traz as tintas da ingenuidade, da inveja, da amizade e do revanchismo. Ninguém é só bom ou apenas ruim.

Por outro lado, o longa faz jus ao termo que o caracteriza: é longo! É contemplativo e também cansativo. A grande quantidade de marcações de passagem de tempo deixa as quase três horas de filme ainda maiores. Contar a vida de alguém leva tempo, mas não tira do espectador a sensação de cansaço.  


Durante esse tempo, o público vai desfrutar de câmeras bem posicionadas, colocando algumas cenas como pinturas orientais. Destaque para a cena no cemitério, onde as opiniões têm lados definidos, e as apresentações de kabuki nos palcos.

O termo kokuho significa “tesouro nacional”. Se esse título de importância se refere à arte centenária do teatro ou à pessoa que abre mão de diversas coisas em nome do topo da arte, é algo que fica no ar, indefinido. Assim como o filme: morno, no meio do caminho. Vale à pena assistir, mas desperta mais impaciência do que emoção.  


Ficha técnica:
Direção: Lee Sang-il
Distribuição: Sato Company e Imovision
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h54
Classificação: 14 anos
País: Japão
Gênero: drama

26 fevereiro 2026

"O Caso dos Estrangeiros": cinco histórias, países diferentes e a mesma busca sofrida por uma vida melhor

Longa é baseado em fatos reais sobre a fuga de refugiados de guerras, suas angústias e esperanças
(Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas


A partir das memórias de uma ex-refugiada, "O Caso dos Estrangeiros" ("I Was a Stranger") consegue contar histórias entrelaçadas de refugiados, suas angústias, sofrimentos e esperanças de uma vida melhor. 

Baseado em fatos reais, o filme é um retrato emocionante de uma situação quase diária que acompanhamos pelos noticiários, contada por quem vive ou viveu este drama.

Uma crítica ao título em português: "O Caso dos Estrangeiros" ficou muito ruim e não condiz com as histórias dos personagens. A tradução mais correta seria "Eu era um estrangeiro” ou “Eu era uma pessoa estranha ou desconhecida”, expressões que se aplicariam melhor às condições e fatos narrados por eles.


A narrativa, com diálogos em inglês, árabe e grego, envolve cinco famílias de quatro países diferentes, cujas histórias vão se entrelaçando após uma tragédia, com cada personagem sendo apresentado em fragmentos que vão formar o quebra-cabeça. Aos poucos, o espectador vai entendendo o drama de cada um, como se conheceram e criaram laços. 

O longa é inspirado no curta-metragem “Refugee” (2020), também do diretor e roteirista Brandt Andersen. Tudo começa em abril de 2023, a partir das lembranças da síria Amira (Yasmine Al Massari) que mora e trabalha em um hospital de Chicago, nos EUA. 


É dela o primeiro caso - A Médica -, ocorrido oito anos antes, quando era uma das responsáveis pelo atendimento às vítimas da guerra em Aleppo, na Síria. Para ela, não importava de qual lado vinha a pessoa ferida: como médica, ela dispensava o mesmo esforço. 

O desgaste diário com o sofrimento diário causado pela guerra só quebrado pelas reuniões alegres, com cantorias, na casa dos pais. Até que o conflito chega ao seu lar e a obriga a fugir com a filha do país de forma ilegal.


Na segunda parte - O Soldado - o personagem é Mustafa Faris (Yahya Mahayni), um militar sírio que sempre foi fiel à causa e ao governo. Mas ele passa a questionar seu trabalho e seus superiores após presenciar atrocidades e desvios de conduta. 

A suposta guerra contra terroristas que haviam lhe contado era, na verdade, uma maneira de eliminar os inimigos do governo, não importando o sexo ou a idade do "acusado".


Omar Sy é O Traficante, terceiro personagem. Ele é Marwan, um homem poderoso que mantém uma rede de tráfico de refugiados de quem ele extrai todas as economias para tirá-los ilegalmente da Turquia. 

Essas pessoas, que vivem em acampamentos vigiados pelo exército, querem deixar o país em busca de uma vida melhor na Grécia. Em troca, o traficante oferece um bote inflável inseguro e superlotado, dividido com outras dezenas de emigrantes.

Ao mesmo tempo em que despreza seus "passageiros", Marwan demonstra um amor carinhoso e verdadeiro por seu filho pequeno. E promete ao garoto, um dia, se mudar com ele para os Estados Unidos, a terra das oportunidades. Omar Sy, como esperado, tem uma ótima atuação, mesmo nos momentos de total silêncio.


Entre os refugiados do acampamento militar está nosso quarto personagem - O Poeta - de nome Fathi, papel vivido por Ziad Bakri. Ele, a esposa e os três filhos tentam fugir do local e procuram Marwan para viabilizar a viagem, mesmo sendo a opção mais insegura e perigosa. 

É no embarque para a "Terra Prometida", que todos esses personagens acabam se conhecendo e vão viver o mesmo perigo da travessia insana pelo Mar Mediterrâneo durante uma forte tempestade. 


O quinto caso - O Capitão - concretiza a trama. Ele é Stravos (Constantine Markoulakis), comandante de um dos navios da Guarda Costeira grega que resgata diariamente milhares de refugiados que chegam ao país em botes. Seu maior drama é não ter conseguido salvar todos. Mesmo assim não desiste, colocando muitas vezes sua família em segundo plano.

O sofrimento, as perdas, as escolhas, o desejo de proteger suas famílias e a fé formam a trama de "O Caso dos Estrangeiros". Apesar de terem vidas diferentes, enfrentam traumas semelhantes que as levam até mesmo questionar sua fé em Deus. 

Um viés que a Angel Studios vem apostando há tempos ao entregar produções de cunho religioso, algumas boas, que não extrapolam na pregação convencional. Uma que recomendo para assistir em família e está em cartaz nos cinemas é a animação "Davi - Nasce um Rei".


Além de Omar Sy, as atuações de Yasmine Al Massari e dos personagens principais das demais etapas são muito boas e sustentam a narrativa. 

Outro destaque do longa é a fotografia em tons frios e muitas vezes escuros, ressaltando o dilema de cada um e o reforçando que o futuro pode ser sombrio e vai exigir confiança, persistência e esperança.

"O Caso dos Estrangeiros" não é apenas um protesto do diretor Brandt Andersen, mas também uma forma de mostrar ao mundo um problema que precisa ter um basta, para que as pessoas parem de sofrer tentando fugir de seus países. Infelizmente, a solução está longe de vir de forma pacífica. 


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Brandt Andersen
Produção: The Reel Foundation, Philistine Films, SpaceArt Entertainment, Karma Film Productions
Distribuição: Paris Filmes e Angel Studios
Exibição: Cinemark Patio Savassi
Duração: 1h44
Classificação: 16 anos
Países: Jordânia, Território Palestino Ocupado e EUA
Gênero: drama

18 fevereiro 2026

“O Frio da Morte”: thriller gelado sobre amor, solidão e sobrevivência

Emma Thompson brilha como a viúva que precisa salvar uma jovem mantida como refém numa cabana
em meio a uma floresta coberta de neve (Fotos: Leonine Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Um thriller de ação tenso e surpreendente, de gelar os ossos - literalmente - e que prende o espectador na cadeira do início ao fim. Este é "O Frio da Morte" ("Dead of Winter"), que estreia nesta quinta-feira (19) nos cinemas, com uma atuação brilhante de Emma Thompson no papel principal.

Ela é Barb, uma mulher que acaba de perder o marido, com quem passou boa parte da vida. Para atender ao último desejo do esposo, parte em sua velha caminhonete em uma viagem solitária até o Lago Hilda, no norte de Minnesota, onde pretende espalhar as cinzas no local em que passaram as primeiras férias juntos. 


Durante o trajeto é surpreendida por uma forte nevasca e se perde nas estradas tomadas pela neve perto do lago. Ao parar para pedir informações em uma cabana isolada na floresta, Barb descobre que uma jovem chamada Leah (Laurel Marsden) está sendo mantida em cativeiro por um casal, interpretado por Judy Greer (Purple Lady) e Marc Menchaca (Camo Jacket). Sem ter a quem recorrer, ela vai fazer de tudo para salvar a refém. 

Desde o início, o filme provoca tensão ao mostrar a protagonista circulando sozinha durante a tempestade, mal conseguindo enxergar o caminho. 


O cenário gélido, o estranho dono da cabana que mal pronuncia dez palavras ao lhe dar informações e a companheira dele, com fúria e angústia nos olhos, reforçam a atmosfera inquietante. 

Durante a tentativa de resgate da jovem ocorrem várias reviravoltas. A violência é latente e em alguns momentos, explícita. Mas o que mais incomoda é a presença constante da morte - tanto nas memórias da viúva, presa aos dias bons e ruins com o marido falecido, quanto na relação desgastada dos sequestradores.


Barb é uma mulher pacífica, mas as circunstâncias a levam a tomar medidas extremas para salvar Leah. Sem querer defender os "bandidos", eles também têm seus motivos pessoais para agir como agem, o que evidentemente, não justifica os crimes cometidos.

Os cenários são uma atração à parte. Filmado na Finlândia, Canadá e Alemanha (mesmo com a história ambientada nos Estados Unidos), "O Frio da Morte" entrega belas imagens de montanhas e florestas cobertas de neve e lagos congelados. Difícil não sentir o vazio e a finitude que emanam do ambiente.


Leah torna-se o ponto em comum entre Barb e os sequestradores. Torce para ser salva pela viúva, mas não sabe se o socorro chegará a tempo de evitar seu seja morta por seus algozes. Mas ficou uma falha no roteiro: como ela conheceu o casal que a sequestrou?

Já Barb sente a morte ainda mais presente após a perda do marido, e a jovem Lhe oferece uma nova razão para viver. Algo semelhante ocorri com Purple Lady e Camo Jacket, que mantêm um relacionamento conturbado marcado por violência doméstica.


O longa permite diversas interpretações - algumas sutis, outras mais evidentes - cabendo a cada personagem revelar por que está ali: memórias que não podem ser esquecidas, saudade, solidão, perdas, relação abusiva, a luta pela sobrevivência. 

O frio da morte pode significar a queda da temperatura do corpo (hipotermia ) que pode matar, a rigidez cadavérica, o desejo de morrer e também o medo de que isso aconteça antes da hora.

"O Frio da Morte" é um filme que eu recomendo. Pena que a reviravolta final não tenha sido a que eu desejava, embora faça sentido dentro da trama. Vale conferir nos cinemas. Um lembrete: não esqueça de levar um casaco - o ar-condicionado parece tornar a experiência ainda mais fria, além da neve Coisa de gelar os ossos. Depois comenta aqui o que achou.


Ficha técnica:
Direção: Brian Kirk
Roteiro: Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb
Produção: Augenschein Filmproduktion e Stampede Ventures, com a coprodução da Leonine Studios
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h38
Classificação: 14 anos
Países: EUA, Canadá e Alemanha
Gêneros: ação, suspense psicológico

09 dezembro 2025

Delicado e poético, "Livros Restantes" é uma sincera homenagem à literatura

Denise Fraga em excelente desempenho entrega uma protagonista quase onipresente (Fotos: H2O Films)
 
 

Mirtes Helena Scalioni

 
Embora apresente algumas surpresas no decorrer da trama, não se pode dizer que "Livros Restantes" seja um filme carregado de reviravoltas e plot twists, assim como não se pode considerá-lo suspense pelo fato de, em algum momento, a ação levar o espectador a se perguntar: houve mesmo um crime? 

Mas, talvez por isso, o longa dirigido por Márcia Paraíso e que estreia nos cinemas brasileiros dia 11 de dezembro mereça ser visto. É, no mínimo, uma história peculiar e curiosa, com cenas filmadas no Brasil e em Portugal. 

Tendo Denise Fraga em excelente performance como protagonista quase onipresente, o filme começa de um jeito lento e morno, como costumam ser os dias e noites praianos. 


Afinal, estamos em Florianópolis, mais precisamente num recanto chamado Barra da Lagoa, onde a professora Ana Catarina está se despedindo da família e de amigos, pois está de partida para Portugal onde - presume-se - ela vai continuar seus estudos e, como faz questão de dizer, contar apenas consigo mesma.

Aos poucos, o público se familiariza com o jeito sensível de Aninha - como é conhecida por todos na ilha - e, embora cause algum estranhamento, não é assim tão grave, esquisito ou indelicado o que ela se propõe a fazer logo no início. 


Depois de esvaziar a casa, tirar móveis, objetos e animais domésticos, ela descobre que sobraram cinco livros na sua estante de madeira. Como estão autografados e com dedicatórias, a professora decide devolver cada um deles às pessoas que, em algum momento da vida, lhe deram os tais livros de presente.

Numa espécie de miolo do filme, enquanto o espectador vai sendo lentamente apresentado à família de Ana, alguns assuntos sempre considerados espinhosos chegam à tona. 


E o que emerge das conversas à mesa, entre camarões, moquecas e brindes, pode não agradar, ferir e machucar. São os chamados segredos de família, passíveis de ocorrer em todos os agrupamentos familiares, independente da nacionalidade deles.

Além de Denise Fraga e Augusto Madeira - que faz o ex-marido dela, Carlos Henrique -, os demais atores e atrizes são desconhecidos do grande público e tudo indica que a diretora foi buscá-los na região. 

Para citar os mais frequentes, estão lá Renato Turnes, Vanderleia Will, Manuela Campagna, Marcinho Gonzaga, Andrea Buzato, Paulo Vasilescu, Severo Cruz, Joana dos Santos, Adriano de Brito e Leandro Batz, variando entre familiares e amigos da protagonista. 


Outro ponto alto de "Livros Restantes" é a trilha sonora. Em sua maioria, são canções conhecidas que pontuam aqui e ali, embalando ora cenas de ternura e amizade, ora de crises e brigas. 

Mas o que chama a atenção é uma música cuja autoria é atribuída a Zininho e que aparece no filme em duas versões: às vezes como um samba, deliciosamente tocado e cantado nos momentos festivos; outras vezes em ritmo de fado, criando toda aquela atmosfera de tristeza e saudade. Genial. 

Por falar em Portugal, é preciso registrar que o livreiro que atende a protagonista numa livraria em Portugal é o maestro Antônio Vitorino de Almeida. 


A beleza do filme está exatamente nos reencontros que Ana Catarina programa e promove para devolver os livros que restaram em sua estante. 

Até porque, em alguns casos, o tempo acabou por distanciá-la de algumas dessas pessoas e algumas não fazem mais parte do seu círculo de amigos. Houve até quem se modificasse tanto a ponto de não ser mais a mesma pessoa de antes. 

Nesses encontros, nem sempre bem sucedidos, é que parece estar o grande motivo do longa de Márcia Paraíso: fazer uma ode ao livro, uma verdadeira louvação à literatura, E isso é feito de uma forma tão delicada e bonita que é como se o público estivesse diante de um poema.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Márcia Paraíso
Produção: Plural Filmes e coprodução Filmógrafo
Distribuição: H2O Films
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h44
Classificação: 14 anos
Países: Brasil e Portugal
Gênero: drama

27 outubro 2025

"Bom Menino": terror sobrenatural visto pelos olhos de um cachorro

Indy é a estrela do filme e sua atuação encanta o público mesmo nos momentos de suspense sobrenatural (Fotos: Divulgação)
 
 
Maristela Bretas

"Bom Menino" ("Good Boy"), que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas, oferece uma perspectiva única ao narrar momentos de terror pela visão de um cachorro. A trama acompanha Indy, o fiel cão de Todd (Shane Jensen), um paciente gravemente doente que decide se isolar em uma fazenda para passar seus últimos dias. 

A intenção do diretor Ben Leonberg de explorar o instinto canino para perceber o sobrenatural é, inegavelmente, um ponto de partida diferente e interessante, mas pode gerar apreensão no espectador, especialmente para quem é tutor de um animal de estimação.


O filme não se apoia no medo tradicional, mas sim na tensão e no sofrimento do cão Indy, que acompanha do início ao fim o drama do dono. Indy é a estrela absoluta da produção. Todd e os demais personagens humanos são meros coadjuvantes, cujos rostos, inclusive, não são mostrados, reforçando o foco narrativo no ponto de vista do animal.

Desde filhote, Indy e Todd compartilham uma relação intensa. O cão percebe sutilmente que seu dono não está bem, mas o vínculo entre eles se mantém inabalável, com o jovem carinhosamente se referindo a ele como "Bom Menino". 


A câmera trabalha com precisão no olhar e nas atitudes do animal, capturando tanto os momentos de afeto com o dono quanto o crescente pavor nas cenas de terror, onde Indy tem visões do futuro e é atacado por entidades.

Na história, a dupla se muda para uma casa em uma área rural que pertenceu ao avô de Todd. O ambiente é sinistro, carregado de lembranças ruins, onde vários familiares morreram jovens. A última morte, a do avô do rapaz, é cercada de mistério, assim como o desaparecimento de seu próprio cachorro.


Indy é um cão fofo, esperto e dotado de uma forte percepção extrassensorial. Ele entende que algo muito errado está acontecendo e, embora seja colocado em situações assustadoras e perigosas, sua lealdade a Todd o impede de abandoná-lo. 

Essa representação do instinto aguçado dos cães, que se manifesta principalmente no olfato e na audição, é o ponto central da trama, permitindo que eles percebam a presença de entidades sobrenaturais e também sinais emocionais e físicos sutis das pessoas. 

Estudos científicos já comprovam a impressionante capacidade canina de detectar doenças como o câncer, AVC ou infarto.


A proposta de Ben Leonberg de mostrar o gênero terror sob o ponto de vista do cão, e não de um humano, é o que torna "Bom Menino" uma produção diferenciada. Nesse aspecto, o filme resgata a temática do instinto animal – embora com uma abordagem mais sombria – que foi levemente explorada no drama romântico "Juntos Para Sempre" (2019), com Dennis Quaid.

Infelizmente, a cópia fornecida para avaliação da imprensa estava muito escura, o que prejudicou a visualização de alguns detalhes de sombra e luz da produção.

Curiosidade

Indy pertence ao diretor e levou três anos para ser finalizado, seguindo o ritmo e a disposição do animal, que brilha e encanta. "Bom Menino" é quase uma homenagem de Ben Leonberg ao seu melhor amigo, feita com paciência, amor e criatividade. É pagar para ver. Comente depois o que achou.


Ficha técnica:
Direção: Ben Leonberg
Roteiro: Ben Leonberg e Alex Cannon
Produção: What´s Wrong With Your Dog
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h13
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: terror sobrenatural, suspense

16 outubro 2025

“O Último Rodeio": drama, redenção e a luta final de um campeão

Neal McDonough interpreta um experiente peão que abandonou a arena no passado e agora precisa
retornar para salvar seu neto (Fotos: Angel Studios)
 
 

Silvana Monteiro


Em "O Último Rodeio" ("The Last Rodeo"), um experiente e premiado peão de rodeio é confrontado com as circunstâncias do destino. E para impactar, o enredo prova que o raio cai duas vezes, sim, desta vez, sobre a casa de Joe Wainwright (interpretado por Neal McDonough, que também participou do roteiro e é um os produtores). 

Primeiro, quando perde a esposa Rose (Ruve McDonough, esposa do ator e também produtora do filme), e se entrega, abandonando as arenas. Quinze anos mais tarde, quando o neto Cody (Graham Harvey), com quem tem uma relação de muita cumplicidade, é acometido por algo que ele, o avô, considera aterrorizante e traumático.  


Joe é o cowboy durão, aquele que mesmo quando o corpo se parte em cima de toneladas de músculos e ossos em movimento, não se dá ao direito de sentir e chorar. Seu domínio na arena é premiado e ele, apesar de já ter desistido de montar, pode querer uma última vez, pelo prêmio, mas muito mais pela vida de quem ele mais ama. 

Agora, o fogo que o prova é o da fé e do amor. Embora tenha um relacionamento desafiador com a filha Sally (Sarah Jones), os dois são conectados pelo amor do neto que transcende qualquer desentendimento entre pai e filha. 


E para tratar esse neto, Joe vai ser colocado à prova.  Entre laços de família, perdas e reconciliações, a narrativa mostra o peso, muitas vezes silencioso, das dores que não vêm do esporte, das fraturas e contusões à flor da pele, e sim do convívio familiar. 

O filme tem uma linda e sofisticada fotografia. A poeira, a luz do entardecer e o close nas mãos calejadas transformam a arena em território de redenção. 

Em alguns momentos, as atuações poderiam ser mais profundas e emocionantes, mas a obra, na maioria do tempo, mantém a rigor a ambientação do universo árido e simbólico dos rodeios americanos, o que é compreensível.


A direção aposta em planos longos e uma paleta terrosa que traduz a energia dos conflitos. A trilha sonora discreta, composta por Jeff Russo, reforça o tom, ora empolgante das arenas, ora contemplativo, deixando o silêncio falar tanto quanto as quedas e reerguimentos. 

Joe volta à arena não apenas por dinheiro, mas para confrontar o passado e buscar um tipo de reconciliação com a fé e consigo mesmo. No fundo, sem tantas reviravoltas, mas como uma mensagem importante, "O Último Rodeio" é menos sobre vitórias, mas sobre amor, resiliência e recomeços.


Ficha técnica:
Direção:
John Avnet
Produção: The McDonough Company
Distribuição: Paris Filmes e Abgel Studios
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h58
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gênero: drama

16 setembro 2025

Cinemas de BH recebem retrospectiva inédita de 22 produções do Estúdio Ghibli

Ghibli Fest será dividido em duas partes: em setembro deste ano e no
primeiro semestre de 2026 (Fotos: Sato Company)
 
 

Da Redação

 
Em uma celebração dupla, a Sato Company, reconhecida pela distribuição de filmes asiáticos no Brasil, comemora seus 40 anos de história trazendo aos cinemas brasileiros uma retrospectiva inédita dos longas do Estúdio Ghibli. 

Há quatro décadas, a excelência na animação do estúdio japonês encanta gerações com histórias atemporais, personagens cativantes e uma profunda conexão com a cultura asiática.

O Ghibli Fest terá 22 títulos no total e será dividido em duas partes. A primeira com exibição em várias salas de BH, de 18 de setembro a 1º de outubro. 

"A Viagem de Chihiro"

Serão 14 filmes que marcaram gerações, com histórias profundas, emocionantes e visualmente encantadoras, dentre eles, dois indicados e um vencedor do Oscar. A segunda parte terá oito títulos, com estreia prevista para o primeiro semestre de 2026.

Essa é uma chance única de vivenciar grandes clássicos da animação mundial na tela grande, com toda a beleza e profundidade que só o cinema pode proporcionar. A seleção promete encantar gerações de fãs e conquistar novos públicos com narrativas poéticas e temas universais. 

"Meu Amigo Totoro"

Prepare-se para reviver (ou descobrir) a magia de um dos estúdios mais amados da história da animação mundial. Entre os títulos selecionados para a Parte 1 da Mostra, estão obras que definiram a identidade do estúdio e se tornaram referências mundiais na animação. 

“A Viagem de Chihiro” (2001), vencedor do Oscar de Melhor Animação e sucesso internacional, conta a jornada da jovem Chihiro por um mundo mágico repleto de deuses, espíritos e desafios que refletem o crescimento pessoal. Dirigido pelo mestre Hayao Miyazaki, o filme foi selecionado recentemente como o 9º Melhor Filme do Século XXI pela New York Times. 

"O Castelo Animado"

Já “Meu Amigo Totoro” (1988) apresenta as irmãs Satsuki e Mei e sua amizade com o espírito da floresta Totoro, em uma celebração da infância e da natureza que se tornou símbolo da produtora.

“O Castelo Animado” (2004) envolve o público em uma fantasia romântica onde uma jovem amaldiçoada encontra refúgio no castelo ambulante de um excêntrico mago, em uma obra que combina imaginação e crítica à guerra. 

A programação também inclui “Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar” (2008), inspirado no conto da Pequena Sereia e que mistura magia, infância e ecologia. Além de “O Serviço de Entregas da Kiki” (1989), um delicado retrato do amadurecimento de uma jovem bruxa em busca de independência. 

"Porco Rosso: O Último Herói Romântico"

O aventureiro “Porco Rosso: O Último Herói Romântico” (1992) leva o espectador à Itália entre guerras, onde um piloto amaldiçoado com aparência de porco vive aventuras aéreas carregadas de lirismo. 

Outro título aclamado é “Vidas ao Vento” (2013), inspirado na vida do engenheiro Jirô Horikoshi, que reflete sobre sonhos, amor e sacrifícios em meio ao Japão em transformação.

As preocupações ambientais do estúdio aparecem desde cedo, como em “Nausicaä do Vale do Vento” (1984), obra visionária que influenciou a fundação do Ghibli e narra a luta de uma princesa pela harmonia entre humanidade e natureza. 

"Nausicaä do Vale do Vento"

O romance juvenil também tem espaço em “Sussurros do Coração” (1995), que acompanha a estudante Shizuku em uma história de amadurecimento e autodescoberta. 

Já “Pom Poko: A Grande Batalha dos Guaxinins” (1994) traz uma sátira ecológica, enquanto “Meus Vizinhos, os Yamadas” (1999) diverte com seu traço estilizado e retrato bem-humorado da vida familiar japonesa.

Com um olhar mais maduro e intimista, “Memórias de Ontem” (1991) alterna presente e passado para refletir sobre infância e escolhas adultas. Produzido originalmente para a TV, “Eu Posso Ouvir o Oceano” (1993) traz uma visão realista sobre juventude, amizade e primeiros amores. 

"Sussurros do Coração"

E encerrando a seleção da primeira parte, “Da Colina Kokuriko” (2011) apresenta um romance ambientado no Japão dos anos 1960, onde um grupo de estudantes luta para preservar sua escola em meio às transformações sociais do pós-guerra.

O Ghibli Fest - Parte 1 oferece ao público brasileiro a chance rara de vivenciar esses clássicos na tela grande, com toda a beleza que só o cinema pode proporcionar. É uma verdadeira celebração da arte, da imaginação e da emoção — marcas registradas do Estúdio Ghibli ao longo de quatro décadas.

“Da Colina Kokuriko”

Confira a lista completa dos filmes da primeira parte:

- "A Viagem de Chihiro" - 2001 (DUB/LEG) - Vencedor do Oscar - classificação: livre
- "Meu Amigo Totoro" - 1988 (DUB/LEG) - classificação: livre
- "O Castelo Animado" - 2004 (DUB/LEG) - Indicado ao Oscar - classificação: livre
- "Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar" - 2008 (DUB/LEG) - classificação: livre
- "O Serviço de Entregas da Kiki" - 1989 (DUB/LEG) - classificação: livre
- "Porco Rosso: O Último Herói Romântico" - 1992 (DUB/LEG) - classificação: 14 anos
- "Vidas ao Vento" - 2013 (DUB/LEG) - Indicado ao Oscar - classificação: 12 anos
- "Nausicaä do Vale do Vento" - 1984 (LEG) - classificação: 12 anos
- "Sussurros do Coração" - 1995 (DUB/LEG) - classificação: livre
- "Pom Poko: A Grande Batalha dos Guaxinins" - 1994 (DUB/LEG) - classificação: 10 anos
- "Meus Vizinhos, os Yamadas" - 1999 (DUB/LEG) - classificação: 10 anos
- "Memórias de Ontem" - 1991 (DUB/LEG) - classificação: 10 anos
- "Eu Posso Ouvir o Oceano" - 1993 (DUB/LEG) - classificação: 10 anos
- "Da Colina Kokuriko" - 2011 (LEG) - classificação: 10 anos

"Princesa Mononoke"

Para o Ghibli Fest - Parte 2, que estreia no primeiro semestre do próximo ano, serão oito títulos: 

- Contos de Terramar (2006)
- O Castelo no Céu (1986)
- Princesa Mononoke (1997)
- O Reino dos Gatos (2002)
- O Mundo dos Pequeninos (2010)
- O Conto da Princesa Kaguya (2013)
- As Memórias de Marnie (2014)
- Túmulo dos Vagabundos (1998)


Ficha técnica
Ghibli Fest
Programação:

Parte 1 - 14 títulos - de 18 de setembro a 1º de outubro de 2025
Parte 2 - 8 títulos - estreia no primeiro semestre de 2026)
Produção: Estúdio Ghibli
Distribuição: Sato Company
Exibição: salas Cineart Cidade, Cinemark BH Shopping, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cine Una Belas Artes
Classificação: variável
Gêneros: animação, fantasia, aventura


04 setembro 2025

"Invocação do Mal 4 - O Último Ritual" encerra a franquia com alguns sustos e uma overdose maligna

Patrick Wilson e Vera Farmiga se despedem de seus papéis como Ed e Lorraine Warren na saga iniciada em 2013 (Fotos: Warner Bros. Pictures)


Maristela Bretas


Lançado nesta quinta-feira nos cinemas, "Invocação do Mal 4: O Último Ritual" ("The Conjuring: Last Rites") marca o encerramento da franquia iniciada em 2013 que originou outros nove filmes e criou o chamado "Invocaverso".

O longa foi escrito por David Leslie Johnson-McGoldrick e dirigido por Michael Chaves, o mesmo de "Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" (2021), "A Freira 2" (2023) e do fraco "A Maldição da Chorona" (2019). 

Neste quarto capítulo, acompanhamos o caso considerado o mais difícil enfrentado pelo casal de investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren na vida real. Patrick Wilson e Vera Farmiga retornam a seus personagens neste último filme da franquia (pelo menos até o momento). 


"Invocação do Mal 4" revisita o passado e traz de volta figuras icônicas, como a boneca Annabelle, que marcaram a franquia e fez muitos fãs pularem na cadeira. 

A trama é bem desenvolvida em sua maior parte, ao resgatar acontecimentos anteriores que ajudam a contextualizar os fatos investigados neste filme. 

Isso também facilita a compreensão para quem não assistiu aos demais longas, apresentando o trabalho do casal e sua relação tanto familiar quanto espiritual com as entidades malignas.


O ritmo da narrativa, porém, cai nos 20 minutos finais ao exagerar no número de aparições demoníacas em pouco tempo, o que chega a confundir o público e provocar menos sustos que o esperado. 

Essas cenas acabam enfraquecendo a proposta inicial do diretor de esclarecer a origem de tudo e concluir a franquia de forma consistente. 

Oficialmente, este deve ser a última participação de Wilson e Farmiga no Invocaverso, mas, como sempre, a bilheteria é quem manda. Os milhares de casos documentados ao longo de décadas e o acervo de objetos amaldiçoados guardados no famoso museu do casal Warren ainda oferecem bastante material para bons enredos no cinema.


Desta vez, a história se passa em 1986. Ed e Lorraine estão aposentados e vivem de palestras. A única filha, Judy (Mia Tomlinson) está crescida e namora Tony Spera (Ben Hardy, de "X-Men: Apocalipse" - 2016). 

Até que um dia o casal é chamado pelo padre Gordon (Steve Coulter, que também retorna à franquia) para ajudar a família Smurl, atormentada por ataques de uma entidade violenta em sua casa na Pensilvânia. 

O que Ed e Lorraine não esperavam enfrentar era que esse espírito seria o mais perigoso de suas vidas, capaz de ameaçar sua própria família. O elenco ainda conta com Rebecca Calder, Elliot Cowan, Kíla Lord Cassidy, Beau Gadsdon, John Brotherton e Shannon Kook.


Cronologia dos fatos X lançamento dos filmes

"Invocação do Mal 4: O Último Ritual" adota uma narrativa bem didática ao explicar o trabalho dos Warren, o que ajuda novos espectadores a se situarem na franquia.

No entanto, quem não acompanhou todos os longas pode se perder diante das várias referências a acontecimentos anteriores — especialmente porque a ordem de lançamento dos filmes não segue a cronologia dos fatos.

Para ajudar a compreender melhor, veja abaixo a ordem cronológica dos acontecimentos: 

1952 - "A Freira" (2018) - primeira aparição do demônio Valak, na Romênia.

1955 - "Annabelle 2: A criação do Mal" (2017) - a boneca Annabelle é possuída.

Década de 1950 - "A Freira 2(2023) - Valak retorna pouco tempo após sua primeira manifestação.


1967 - "Annabelle" (2014) - a boneca reaparece em outra casa.

1971 - "Invocação do Mal" (2013) - Ed e Lorraine Warren investigam uma casa com possessões demoníacas; primeiro filme da franquia dirigido por James Wan.

1972 - "Annabelle 3: De Volta Para Casa" (2019) - Judy, filha do casal Warren, se envolve com a boneca demoníaca.

1973 - "A Maldição da Chorona" (2019) - baseado na lenda de La Llorona, sobre uma mulher que afogou os filhos e, arrependida, passa a capturar crianças.

1977 - "Invocação do Mal 2" (2016) - o casal Warren investiga uma família em Londres atormentada por uma entidade maligna; também dirigido por James Wan.

Década de 1980 - "Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" (2021) - caso de assassinato atribuído a possessão demoníaca.

1986 - Invocação do Mal 4: O Último Ritual (2025), também dirigido por Michael Chaves.


Sustos e recursos técnicos

Exceto por "A Maldição da Chorona", considerado o mais fraco dos demais filmes e praticamente banido da franquia, os demais longas sustentam seus roteiros, alguns com ressalvas, mas provocam bons sustos. 

O primeiro "Invocação do Mal" e "Annabelle 3" ainda são os melhores da franquia, mas em "Invocação do Mal 4: O Último Ritual" o diretor soube explorar bem os recursos visuais e técnicos, reforçados por uma fotografia sombria e ambientes fechados e claustrofóbicos que ajudam a intensificar o suspense e a tensão.


O maior trunfo da franquia, no entanto, continua sendo a química entre Patrick Wilson e Vera Farmiga, cuja parceria carismática tem conquistado o público há mais de uma década. 

Nesta produção final, eles mantêm a qualidade, agora dividindo espaço com Mia Tomlinson, que contribui para dar um desfecho digno à saga — ainda que sem descartar futuras continuações.

P.S. - Não é filme de super-herói, mas tem uma cena pós-créditos que não justifica permanecer no cinema.


Ficha técnica:
Direção: Michael Chaves
Roteiro: Ian Goldberg & Richard Naing e David Leslie Johnson-McGoldrick
Produção: New Line Cinema, Safran Company, Atomic Monster
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h15
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: terror, suspense