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15 janeiro 2026

"Davi: Nasce Um Rei" - uma animação cristã sobre força e fé

Com linguagem acessível a todas as idades, filme narra a trajetória do pastor de ovelhas que se tornou
o segundo rei do povo de Israel (Fotos: Heaven Content)
 
 

Maristela Bretas

 
Entrou em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira (15), em versão dublada, a animação cristã "Davi: Nasce Um Rei" ("David") que narra, em linguagem acessível a todas as idades, a história bíblica do jovem pastor de ovelhas que enfrentou o gigante Golias com sua fé inabalável e se tornou o segundo rei dos judeus. 

Produzido pela Heaven Content e Sunrise Animation Studios, o longa traz mensagens fortes, de fé e esperança, transmitidas por meio de músicas entoadas pelo elenco, especialmente pelo protagonista, que recebeu as vozes originais de Brandon Engman (Davi menino) e Phil Wickham (Davi adulto).


"Davi: Nasce Um Rei" tem uma narrativa envolvente, até mesmo para aqueles que não conhecem bem as histórias de grandes personagens bíblicos. O lado divertido para as crianças são as ovelhinhas, com seus olhos grandes e muita energia. 

Elas são as companheiras fieis de Davi no início de sua jornada, antes mesmo de ser escolhido para ser o novo rei dos hebreus.

Das canções da mãe que embalavam seu coração às silenciosas conversas com Deus, Davi era um menino adorado por todos, especialmente por seus animais e a irmã caçula. Nascido em Belém e oitavo filho de Jessé, enfrentou e venceu o gigante filisteu, que desafiava o exército de Israel. 


Com sua fé inabalável em Deus e usando apenas uma funda e uma pedra, Davi matou Golias com uma pedrada na testa. Mas sua jornada estava apenas começando. Ele ainda teria de enfrentar outros desafios, como os inimigos do povo hebreu e a inveja do rei Saul (voz de Asim Chaudhry), além de ter sua fé testada a todo instante.

Claro que os detalhes mais violentos narrados na Bíblia são aliviados ou deixados de lado na animação, exatamente por ela ser direcionada a um público infantil. Afinal, o objetivo é apresentar um personagem jovem de coração bom e devoto a Deus.


Os diretores Brent Dawes e Phil Cunningham também tiveram uma grande preocupação com o visual, o ponto mais forte da animação. Eles entregam uma produção com cores vibrantes e um traço bem definido, especialmente dos personagens mostrados em closes que emocionam e ajudam a reforçar as mensagens de coragem e fé inabalável, mesmo nas horas difíceis. 

Também são belas as cenas abertas dos locais por onde Davi passa, tanto dos campos de batalha quanto de pastoreio. 


Mas a animação falha no excesso de músicas cristãs contemporâneas que interrompem a narrativa em momentos importantes. Mesmo tendo Joseph Trapanese (do live-action de "A Dama e o Vagabundo" - 2019 e "O Rei do Show" - 2017) como responsável pela trilha sonora e as poderosas vozes de Lauren Daigle (vencedora de dois Grammys) e do cantor evangélico Phil Wickham.

Outro ponto negativo é o fato de o roteiro dedicar pouco tempo para momentos importantes da trajetória de Davi, como o confronto com Golias, fato que mudou sua vida. Era para ser um dos pontos de maior destaque, mas passou mais rápido que o passeio de Davi com suas ovelhas do início do longa.


Excelente bilheteria

- "Davi: Nasce Um Rei" custou cerca de US$ 60 milhões;
- Arrecadou mais de US$ 70 milhões apenas nos cinemas norte-americanos;
- Ocupou a 2ª posição nas bilheterias dos EUA, atrás apenas de "Avatar: Fogo e Cinzas" (2025) nas primeiras semanas;
- Superou "Som da Liberdade" (2023) e outras animações do gênero, como "O Rei dos Reis" e "O Príncipe do Egito"
- Se tornou a animação com temática religiosa de maior bilheteria, segundo a fonte Angel Studios.

Com estes números, a expectativa é de que o longa deverá obter uma boa bilheteria no restante do mundo, agradando ao público, especialmente o cristão. Vale ser conferido pelo visual, a linguagem simples e pela história deste importante personagem de várias religiões.


Ficha técnica:
Direção:
Brent Dawes e Phil Cunningham
Roteiro: Brent Dawes, Kyle Portbury e Sam Wilson
Produção: Sunrise Animation Studios, com coprodução da Angel Studios e 2521 Entertainment
Distribuição: Heaven Content em parceria com a 360 WayUp
Exibição: salas das redes Cineart e Cinemark e Cinépolis Estação BH
Duração: 1h49
Classificação: 10 anos
País: EUA
Gêneros: animação, família, bíblico, musical

16 outubro 2025

“O Último Rodeio": drama, redenção e a luta final de um campeão

Neal McDonough interpreta um experiente peão que abandonou a arena no passado e agora precisa
retornar para salvar seu neto (Fotos: Angel Studios)
 
 

Silvana Monteiro


Em "O Último Rodeio" ("The Last Rodeo"), um experiente e premiado peão de rodeio é confrontado com as circunstâncias do destino. E para impactar, o enredo prova que o raio cai duas vezes, sim, desta vez, sobre a casa de Joe Wainwright (interpretado por Neal McDonough, que também participou do roteiro e é um os produtores). 

Primeiro, quando perde a esposa Rose (Ruve McDonough, esposa do ator e também produtora do filme), e se entrega, abandonando as arenas. Quinze anos mais tarde, quando o neto Cody (Graham Harvey), com quem tem uma relação de muita cumplicidade, é acometido por algo que ele, o avô, considera aterrorizante e traumático.  


Joe é o cowboy durão, aquele que mesmo quando o corpo se parte em cima de toneladas de músculos e ossos em movimento, não se dá ao direito de sentir e chorar. Seu domínio na arena é premiado e ele, apesar de já ter desistido de montar, pode querer uma última vez, pelo prêmio, mas muito mais pela vida de quem ele mais ama. 

Agora, o fogo que o prova é o da fé e do amor. Embora tenha um relacionamento desafiador com a filha Sally (Sarah Jones), os dois são conectados pelo amor do neto que transcende qualquer desentendimento entre pai e filha. 


E para tratar esse neto, Joe vai ser colocado à prova.  Entre laços de família, perdas e reconciliações, a narrativa mostra o peso, muitas vezes silencioso, das dores que não vêm do esporte, das fraturas e contusões à flor da pele, e sim do convívio familiar. 

O filme tem uma linda e sofisticada fotografia. A poeira, a luz do entardecer e o close nas mãos calejadas transformam a arena em território de redenção. 

Em alguns momentos, as atuações poderiam ser mais profundas e emocionantes, mas a obra, na maioria do tempo, mantém a rigor a ambientação do universo árido e simbólico dos rodeios americanos, o que é compreensível.


A direção aposta em planos longos e uma paleta terrosa que traduz a energia dos conflitos. A trilha sonora discreta, composta por Jeff Russo, reforça o tom, ora empolgante das arenas, ora contemplativo, deixando o silêncio falar tanto quanto as quedas e reerguimentos. 

Joe volta à arena não apenas por dinheiro, mas para confrontar o passado e buscar um tipo de reconciliação com a fé e consigo mesmo. No fundo, sem tantas reviravoltas, mas como uma mensagem importante, "O Último Rodeio" é menos sobre vitórias, mas sobre amor, resiliência e recomeços.


Ficha técnica:
Direção:
John Avnet
Produção: The McDonough Company
Distribuição: Paris Filmes e Abgel Studios
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h58
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gênero: drama