Dorama tem como destaque os atores sul-coreanos Koo Kyo-hwan e Go Youn-jung que formam uma relação de acolhimento (Fotos: Netflix)
Silvana Monteiro
Para quem gosta de histórias ambientadas nos bastidores do cinema, das produções audiovisuais e de personagens complexos, fica minha indicação de um dorama da Netflix: "A Gente Tenta" ("We Are All Trying Here").
A minissérie acompanha um grupo de cineastas que se reúne regularmente no bar de uma amiga e colega de profissão. Entre projetos frustrados, sonhos adiados, rivalidades, afetos e muita conversa regada a álcool, acompanhamos personagens que tentam sobreviver — e criar — em um mercado audiovisual nem sempre acolhedor.
Os destaques ficam para Hwang Dong-man (interpretado por Koo Kyo-hwan), que há décadas tenta emplacar um roteiro nas grandes produtoras, e Byeon Eun-ah (papel de Go Youn-jung), que carrega um segredo bombástico capaz de ressignificar muitas das relações ao seu redor.
Go Youn-jung é uma atriz sul-coreana que tem em sua filmografia sucessos séries como "Alquimia das Almas" (2022-2023), "O Amor Pode Ser Traduzido" (2026) e "Em Movimento" (desde 2023).
Já Koo Kyo-hwan, também sul-coreano, alcançou maior sucesso por sua atuação na série "D.P. Dogs Day (2021-2023, da Netflix, além da participação nos filmes "Jane" (2016) e "Invasão Zumbi 2" (2020).
A dinâmica entre eles dois, que são os mais novos do grupo, e o restante da turma, é construída aos poucos, revelando ressentimentos, admiração, inveja, amizade e sentimentos difíceis de nomear.
No meio disso tudo, dois atores consagrados do cinema sul-coreano são disputados por sua capacidade de interpretação, mas são colocados, para além do conflito técnico, à prova de suas humanidades.
O grande mérito da minissérie está nos diálogos, na construção dos acontecimentos e nos temas sensíveis os quais ela aborda. São daqueles que parecem simples à primeira vista, mas continuam pulsando na nossa cabeça e no nosso coração depois que o episódio termina.
A atuação da dupla principal é impressionante, e a narrativa está repleta de referências sutis a obras consagradas do cinema, um prato cheio para quem gosta de identificar camadas e homenagens.
A forma como os personagens são desenvolvidos, sem a história de um encobrir a outra, mantendo um ritmo convidativo e interessante, faz querer digerir os capítulos como se faz com um bom prato de comida quando se está faminto.
Apesar do título modesto em português, a obra é muito mais rica do que parece. Além do humor e dos conflitos profissionais, a série aborda temas como autoria e coautoria, financiamento público para a cultura, maternidade, equidade de gênero no audiovisual e outras questões sensíveis, como o autoextermínio, sem cair em discursos fáceis.
É uma dessas produções que entretêm, fazem rir, provocam reflexão e deixam alguns temas e reflexões ocupando espaço na cabeça por dias. A fotografia também é um grande trunfo. Merece aplausos.
Ficha técnica:
Direção: Cha Young-hun Roteiro: Park Hae-young Produção: Netflix Exibição: Netflix Duração: 12 episódios Classificação: 16 anos País: Coreia do Sul Gêneros: minissérie, dorama, romance
Muito antes de os super-heróis dominarem as plataformas de streaming e as bilheterias do cinema, um guerreiro de cabelos loiros, espada em punho e força sobre-humana já mobilizava milhões de crianças brasileiras diante da televisão.
Exibido diariamente no "Xou da Xuxa", na segunda metade da década de 1980, He-Man e os Mestres do Universo transformou-se em um dos maiores fenômenos de audiência da programação infantil brasileira.
O sucesso foi tão avassalador que ultrapassou as telas, impulsionou a venda de brinquedos, álbuns de figurinhas e inspirou uma canção gravada pelo grupo infantil Trem da Alegria que, até hoje, permanece viva na memória afetiva de quem cresceu naquela época.
He-Man, o guardião musculoso e bronzeado de Eternia, já ocupava um lugar privilegiado no imaginário de uma geração que transformou o príncipe Adam, o Castelo de Grayskull, Mentor, Teela, a Feiticeira e o temido Esqueleto e sua gangue em personagens inesquecíveis.
He-Man, série animada de TV (Reprodução)
Quase quatro décadas depois, essa mesma geração, hoje formada por homens e mulheres acima dos 50 anos, volta a encontrar seus heróis nas telonas com o aguardado live-action de "Mestres do Universo" ("Masters of the Universe"), em cartaz nos cinemas da rede Cineart.
Reviver um clássico da cultura pop nunca é tarefa simples. A memória afetiva costuma ser implacável com qualquer adaptação. O diretor Travis Knight ("Bumblebee", 2018) demonstra desde a primeira sequência que conhece o peso dessa responsabilidade.
Em vez de apostar apenas no apelo nostálgico, constrói uma aventura que respeita o legado da animação e, ao mesmo tempo, entrega um espetáculo visual compatível com as grandes produções contemporâneas.
Eternia finalmente ganha a grandiosidade que os fãs imaginaram durante décadas, com cenários monumentais, figurinos ricos em detalhes e efeitos especiais que valorizam o universo criado pela Mattel.
O roteiro, assinado por Chris Butler ("Link Perdido", 2019), em parceria com David Callaham ("Homem-Aranha no Aranhaverso", 2018), além dos irmãos Aaron e Adam Nee ("A Cidade Perdida", 2022), preserva a essência dos personagens enquanto atualiza a narrativa para um público mais amplo.
Algumas passagens poderiam ser mais desenvolvidas e certos conflitos se resolvem com rapidez excessiva, mas a história encontra um bom equilíbrio entre ação, emoção e fidelidade ao material original.
Boas atuações
Nicholas Galitzine ("Uma Ideia de Você", 2024), dublado em português por Garcia Júnior (voz original do herói na TV) entrega um Príncipe Adam convincente e um He-Man fisicamente imponente, transmitindo a evolução do jovem herdeiro até assumir plenamente o papel de defensor de Eternia.
Mas quem domina boa parte da narrativa é Jared Leto ("Casa Gucci", 2021). Seu Esqueleto está ótimo, reunindo sarcasmo, inteligência e uma presença ameaçadora que transforma cada aparição em um dos grandes momentos do filme.
O vilão acaba roubando a cena em diversos momentos, confirmando que grandes aventuras também dependem de antagonistas memoráveis.
O elenco de apoio também merece destaque. Idris Elba ("O Esquadrão Suicida", 2021) imprime autoridade, experiência e carisma ao Mentor de Armas, tornando Duncan um dos personagens mais sólidos da produção.
Sua interpretação transmite a confiança de quem conhece cada batalha travada em Eternia e entende o peso de preparar o verdadeiro campeão de Grayskull, o tímido príncipe Adam.
Outro nome que chama a atenção do público brasileiro é Camila Mendes ("Música", 2024). Filha de pais brasileiros, a atriz assume o papel de Teela com personalidade, coragem e protagonismo. Sua personagem está longe de ocupar uma posição secundária.
Ela participa das principais sequências de ação, demonstra independência e estabelece uma relação convincente com Adam, tornando-se uma das figuras mais importantes da narrativa.
Morena Baccarin ("Deadpool & Wolverine", 2024) empresta elegância e serenidade à Feiticeira de Grayskull, enquanto Alison Brie ("Bela Vingança", 2020) constrói uma Maligna fria, calculista, lora e ambiciosa, ampliando o clima de tensão que envolve a disputa pelo destino de Eternia.
Em busca da espada do poder
O rei Randor, interpretado por James Purefoy (série "Pennyworth", 2019–2022), e a rainha Marlena, vivida pela atriz Charlotte Riley (minissérie "Peaky Blinders", 2014), enviam Adam aos 10 anos para a Terra, a fim de protegê-lo da invasão liderada por Esqueleto.
Em um portal mágico aberto pela Feiticeira, o jovem príncipe viaja em uma dimensão e acaba caindo em Oklahoma City, nos Estados Unidos. Durante a travessia, a Espada do Poder se separa dele, e esse é o acontecimento que desencadeia toda a história.
Quinze anos depois e já com 25 anos de idade, Adam usa o nome Glenn. Ele trabalha no setor de recursos humanos de uma empresa e divide um apartamento com o desconfiado Hussein interpretado por Christian Vunipola ("Nascida Para Cantar", 2024).
Diariamente ele procura na internet o rumo da Espada do Poder para voltar a Eternia, até encontrá-la e se meter em confusões.
Ao voltar para casa, Glenn/Adam é perseguido pelo Homem-Fera, interpretado pelo ator Gary Martin ("Minions", 2015). Fiel escudeiro de Esqueleto, ele persegue o príncipe pelas ruas da cidade é uma das principais sequências de ação da primeira parte do filme. E é justamente nesse momento que a bela Teela reaparece para salvar Adam e ajudá-lo a retornar a Eternia.
Esse é um dos principais diferenciais do filme em relação ao desenho do Xou da Xuxa. Na animação, Adam sempre viveu em Eternia e já era o príncipe do reino. No live-action, os roteiristas optaram por construir uma história de origem, mostrando o herói crescendo longe de seu planeta natal antes de assumir definitivamente a força de He-Man.
Os fãs mais antigos certamente perceberão a ausência de alguns personagens fundamentais na animação original. O tigre Pacato aparece pouco durante o filme até sua aguardada transformação em Gato Guerreiro.
Embora a escolha prepare o terreno para os próximos capítulos da franquia, fica a sensação de que um dos personagens mais carismáticos de Mestres do Universo merecia maior participação.
Outro que aparece somente no final do longa é o atrapalhado Gorpo. O pequeno mago, inseparável companheiro de He-Man em praticamente toda a série animada dos anos 1980, sequer integra a aventura principal.
Para quem acompanhou o desenho desde a infância, sua ausência provoca estranhamento e deixa evidente que a produção preferiu guardar personagens importantes como estratégia para uma futura continuação. Com certeza ele daria maior leveza à história com suas confusões.
Boa trilha sonora
Outro acerto importante em Mestres do Universo está na trilha sonora composta por Daniel Pemberton ("Enola Holmes", 2020, e "Ferrari", 2023). Em vez de viver apenas das lembranças da série animada, o compositor cria uma identidade própria para o filme, alternando momentos épicos e passagens mais emocionais que ampliam a força dramática da história.
O principal destaque é "Eternia", composta por Pemberton em parceria com o guitarrista Brian May. A faixa abre o filme e ganha uma versão estendida nos créditos finais. O solo de guitarra de May dá à música uma identidade que remete ao rock épico dos anos 1980, uma escolha inspirada na trilha de Flash Gordon (1980), também marcada pela participação do Queen.
Ainda assim, fica a sensação de uma oportunidade perdida. Para o público brasileiro, especialmente aquele que hoje integra a geração 50+, uma discreta homenagem à música composta por Michael Sulivan e Paulo Massadas e gravada pelo Trem da Alegria teria sido um presente inesquecível. A canção ajudou a popularizar He-Man no Brasil e permanece viva na memória afetiva de milhões de fãs.
Bastaria uma breve referência instrumental, talvez durante os créditos finais, para estabelecer uma conexão emocional ainda mais forte com quem descobriu os heróis de Eternia nas manhãs da eterna rainha dos baixinhos. Nas redes sociais, a Amazon MGM Studios soltou um trailer com a música He-Man, o que levou muito marmanjo aos cinemas.
A produtora fez uma aposta ambiciosa ao investir em uma franquia que marcou profundamente a infância de milhões de pessoas. O resultado demonstra que ainda existe espaço para grandes clássicos quando recebem planejamento, respeito ao material original e qualidade técnica.
O estúdio deixa claro que pretende transformar "Mestres do Universo" em uma nova franquia cinematográfica.
Vale a pena permanecer na sala até o encerramento completo dos créditos. A cena extra não está ali apenas para cumprir uma tradição de Hollywood. Ela abre caminho para uma continuação e apresenta um importante gancho envolvendo Adora, a irmã gêmea de Adam, a She-Ra, que luta pela honra de Grayskull.
Isso ampliará o universo da franquia, além de deixar evidente que novas aventuras já fazem parte dos planos da Amazon MGM Studios, embora a confirmação oficial dependa muito do desempenho nas bilheterias e do streaming.
"Mestres do Universo" está longe de ser apenas um exercício de nostalgia. O filme emociona quem cresceu repetindo o juramento diante da Espada do Poder, mas também apresenta esse universo para uma nova geração que só conhece a música do Trem da Alegria.
Talvez essa seja sua maior qualidade. Mostrar que alguns heróis envelhecem muito bem e que certas lembranças continuam tão poderosas quanto no primeiro dia em que entraram na nossa vida.
Ficha técnica:
Direção: Travis Knight Produção: Amazon MGM Studios Distribuição: Sony Pictures Exibição: salas da rede Cineart: Boulevard, Cidade e Del Rey Duração: 2h13 Classificação: 14 anos País: EUA Gêneros: ação, aventura, fantasia
Os amarelinhos mais amados do planeta voltam com novas aventuras e inimigos bem coloridos e tão loucos quanto eles (Fotos: Illumination Entertainment)
Maristela Bretas
Quando você pensa que a receita já não cabe mais nenhuma atualização, os Minions se reinventam, voltam ao passado e entregam uma animação ainda mais divertida, com ótimas referências ao mundo do cinema e contando um pouco da saga dos amarelinhos mais loucos de Hollywood.
Este é "Minions & Monstros", em cartaz nos cinemas para alegria da criançada e dos adultos também. Mas não espere ver Bob, Stuart, Kevin e Otto. Estes nossos amiguinhos são da primeira animação da turma - "Minions" (2015) -, que depois se tornaram leais servidores de Gru em "Meu Malvado Favorito 3” (2022).
A onda agora que está dominando o planeta e deixando os fãs loucos, com baldes de pipoca e copos nas salas de exibição, tênis, sanduíches, acessórios e até locadoras de veículos explorando o grande filão do momento, são outros quatro atrapalhados amigos amarelinhos - James, Harry, Ed e Dick (líder do grupo e mais rabugento).
James é o protagonista da vez e descobre no mundo do cinema sua vocação. Vive desenhando e criando histórias, sonha ser diretor de um filme e ganhar o prêmio máximo da academia.
E é em Hollywood que nossos amigos acabam caindo, sempre em busca do líder malvado perfeito. James, Ed e Harry são inseparáveis e essa amizade vai levá-los ao glamour e à riqueza, transformando-os em grandes astros.
Mas os Minions também vão conhecer seus mais perigosos inimigos, que podem parecer fofinhos, só que não. Os coloridos Goomi e sua turma, especialmente a gosmenta Irene, são os vilões - mal dá para acreditar.
Nossos heróis de camisa amarela e macacão azul vão ter de se unir e contar com toda ajuda possível para vencerem estes estranhos seres que querem destruir o mundo.
A magia do cinema
Um dos maiores destaques de "Minions & Monstros" está na forma como o diretor, novamente Pierre Coffin, soube trazer para uma animação os anos 1920, durante a Era de Ouro de Hollywood, como pano de fundo.
Como diria Martin Scorsese, o filme é "Absolute Cinema", cheio de referências, relembrando grandes sucessos como "ET - O Extraterrestre", "Toy Story", "Minions", "Jurassic Park". O diretor fez paródia com o diretor George Lucas e até mesmo com clássicos como "Casablanca" e "Tempos Modernos".
Participações que fizeram toda a diferença e ainda contaram com a ótima trilha sonora de John Powell também com influências de diferentes gêneros e períodos, variando entre "Star Wars" e compositores eruditos como Tchaikovsky.
A voz inconfundível dos Minions é novamente do diretor e cocriador dos personagens Pierre Coffin, tendo como dubladores originais nomes como Jeff Bridges, Jesse Eisenberg e Christoph Waltz.
Mas é na versão dublada que estão nossos talentos brasileiros: Guilherme Briggs (Goomi), Márcio Simões (o diretor de cinema Max), Carla Pompilio (Olivia), Manolo Rey (Howard), Wendel Bezerra (Phillips), Alexandre Moreno (Dort), entre outros.
Muita ação, diversão e cores fazem de "Minions & Monstros" uma das melhores opções de entretenimento para crianças e adultos nestas férias. Imperdível. Assista e conte aqui o que achou desta nova aventura.
OBS. - Tem cenas estendidas e divertidas até o final dos créditos
Ficha técnica:
Direção: Pierre Coffin Produção: Illumination Entertainment Distribuição: Universal Pictures Brasil Exibição: nos cinemas Duração: 1h27 Classificação: 10 anos País: EUA Gêneros: aventura, animação, comédia
Filme escancara as bizarrices de um governante negacionista que foi responsável por mais de 700 mil mortes na pandemia de Covid-19 (Fotos: Divulgação)
Mirtes Helena Scalioni
Imprescindível. Talvez seja essa a palavra que melhor define
"Anatomia do Caos", filme que mostra, com riqueza de detalhes, o que
se passou no Brasil a partir da decretação da pandemia de Covid 19 em março de
2020 pela Organização Mundial da Saúde, lembrando que o país era governado por
Jair Messias Bolsonaro.
Com roteiro e direção de Dandara Ferreira ("Meu Nome éGal" - 2023), o documentário, que estreia nesta quinta-feira (2) no Cine Belas Artes, é peça importante para que não caia no
esquecimento os absurdos inacreditáveis vividos pelos brasileiros naqueles dias.
A começar pelo gigantesco número de mortes - mais de 700 mil
- o filme escancara as bizarrices de um governante negacionista, anticiências e
adepto de um chamado tratamento preventivo à base de Hidroxicloroquina,
comprovadamente ineficaz.
O filme, que ao final faz questão de deixar clara a intenção
de ser um documento de interesse público e de finalidade informativa, mostra a
instalação e desenvolvimento da CPI da Covid-19 que levou milhões de brasileiros
para a frente das TVs todas as manhãs.
Tornou populares figuras como Omar Aziz, Renan Calheiros,
Randolfe Rodrigues, Simone Tebet, Osmar Terra, a médica Nise Yamaguchi e o
senador Flávio Bolsonaro, sempre pronto a defender o pai.
São inacreditáveis as muitas falas do presidente da
República durante a pandemia. Em live ou entrevistas, ele chama a doença de
gripezinha, debocha dos doentes com falta de ar, chama os brasileiros de 'maricas',
indica medicamentos que não funcionam e responde mal aos jornalistas quando a
pergunta é sobre as mortes.
Todos se lembram da famosa frase "eu não sou
coveiro" e da campanha contra as máscaras e vacinas. Ou do discurso dele
na ONU, quando disse ter salvado o Brasil que estava à beira do socialismo.
Igualmente inesquecível é o chamado gabinete paralelo, que
tinha à frente Osmar Terra, defensor intransigente da imunização de rebanho
junto com o desastroso ministro da Saúde, Eduardo Pazzuello.
Outra lembrança importante ativada pelo documentário é a
crise de escassez de oxigênio em Manaus, quando milhares de pessoas morreram
literalmente por falta de ar.
O Brasil perdeu também grupos indígenas que foram
exterminados pela doença levada pelos brancos, mas a CPI pegou fogo mesmo
quando o deputado federal Luis Miranda denunciou o que passou a ser chamado de
escândalo da Covaxin, quando veio à tona a proposta de pagar muito além do
preço de tabela por essa vacina.
Não faltou também menção ao caso da Prevent Sênior, com seus
números duvidosos e a surpreendente declaração da médica responsável:
"Óbito também é alta".
Com placas indicando o número de mortes aumentando a cada
dia, a CPI ouviu também os empresários Carlos Wizard, que defendia o tratamento
precoce com Cloroquina enquanto citava versículos bíblicos.
E o impagável e estranhíssimo Luciano Hang, conhecido como
"veio da Havan", que marcou presença com suas fanfarronices e
convites a motociatas enquanto o Brasil se tornava responsável por 33% das
mortes por Covid 19 em todo o mundo.
O tempo costuma apagar tudo, até mesmo as dores mais cruéis.
Nesse sentido, "Anatomia do Caos" faz seu papel importante, usando a
arte para reativar a memória e para que episódios como esses jamais se repitam.
Vale ressaltar que, em 2022, Jair Bolsonaro torna-se o
primeiro presidente desde a redemocratização a não ser reeleito.
Ficha técnica:
Direção: Dandara Ferreira Roteiro: Dandara Ferreira e Élcio Verçosa Filho Produção: Movioca Casa de Conteúdo, Las Margaridas e LabV Distribuição: Descoloniza Filmes Exibição: Cine Belas Artes BH Duração: 1h29 Classificação: 12 anos País: Brasil Gêneros: documentário, drama