28 junho 2026

"O Menino da Calça Rosa" reconstrói uma história para alertar sobre a prática do bullying

Samuele Carrino interpreta o jovem Andrea Spezzacatena que tirou a própria vida devido ao assédio
contínuo na escola (Fotos: Divulgação)
 
 

Patrícia Cassese

 
Filmes baseados em episódios da vida real trazem, em seu bojo, a peculiaridade de o público adentrar a sala de exibição de certa forma já sabendo o desenlace da história – bem, claro, salvo no caso daqueles que, por variados motivos, não tomaram conhecimento do fato, principalmente quando este ocorreu em outro país. 

Evidentemente, essa característica – de o que acontece ao fim já ser sabida - não depõe contra a realização de tais iniciativas, pois, assim como há o chamariz de ver como uma história real foi transposta para o écran, há também a pertinência de levar certos episódios à telona para que não sejam esquecidos.

É o caso de “O Menino da Calça Rosa” ("Il Ragazzo Dai Pantaloni Rosa"), de Margherita Ferri, que integrou a programação da 8 ½ Festa do Cinema Italiano Brasil, exibida em vários cinemas do país, inclusive de BH.

Trata-se de uma encenação a partir de um caso real que comoveu a Itália. Em novembro de 2012, pouco após completar 15 anos, Andrea Spezzacatena tirou a própria vida, solapado pela tormenta que atravessava na escola, onde era vítima de bullying e cyberbullying.


Ao transpor o caso para a telona, a diretora permitiu-se entremear os fatos comprovados (após a morte, a mãe do garoto teve acesso ao conteúdo do celular dele e, assim, tomou conhecimento da dimensão do assédio dos colegas, que chegaram a criar um perfil chamado O Menino da Calça Rosa com toques ficcionais.

Por serem menores, à época, os alunos que perpetraram sofrimento e humilhação a Andrea (vivido no longa-metragem pelo expressivo Samuele Carrino) tiveram a identidade preservada. 

De todo modo – e, mesmo como apontamos, já sabendo o desenlace – o filme alcança o que imaginamos ser seu objetivo precípuo, ou seja, ratificar a necessidade de prevenir a prática do bullying. Assim como saber lidar com a questão quando esse já se implantou, tanto no acolhimento de quem procura a direção da escola ou diretamente algum professor para pedir ajuda.


Ou na percepção da dinâmica da classe (já que, muitas vezes, por vergonha ou medo, o alvo recolhe-se ao silêncio), assim como no tratamento e eventual punição (de educativa à expulsão) de quem o pratica e no investimento na prevenção futura. 

O assunto é premente. Para se ter uma ideia, pesquisa nacional realizada pelo Departamento de Educação dos EUA apontou que 100% dos estudantes ouvidos relataram ter vivenciado, testemunhado ou tido conhecimento de atos de bullying durante o ano letivo de 2021-2022. 

No Brasil, em matéria da Agência Brasil, quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmam já ter sido alvos de bullying, e 27,2% dos alunos nessa faixa etária já sofreram alguma forma de humilhação duas ou mais vezes.  


Os dados foram divulgados em março de 2026, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), e se referem a depoimentos coletados em 2024 em escolas de todo o Brasil. 

Vale dizer que Teresa Manes, a mãe de Andrea (vivida, no filme, pela belíssima Claudia Pandolfi), desde a morte do filho se dedica a percorrer escolas do país ministrando palestras para conscientizar jovens e educadores sobre as consequências do bullying. 

Também fundou a Associazione Italiana Prevenzione Bullismo e escreveu o livro “Andrea, para além da calça rosa” (tradução livre). Por seu empenhado trabalho, aliás, em 2022 foi agraciada com a ordem Cavaleiro do Mérito da República por Sergio Mattarella, o presidente da República Italiana. 


Em tempo: a calça rosa citada no título do filme e em outros pontos desta matéria refere-se à peça de vestuário que Andrea ganhou de presente de sua mãe. 

Na verdade, a calça era originalmente da cor vinho, mas uma lavagem na máquina fez com que o tingimento esmaecesse, deixando a peça com um tom rosado – inacreditavelmente, ainda hoje atrelada ao sexo feminino.

Assistir a “O Menino da Calça Rosa” é, pois, uma experiência dolorosa, da qual ninguém sai inalterado. Não se surpreenda ao se flagrar pesquisando o caso a fundo e se afundar na cadeira refletindo como uma prática tão destrutiva e perversa, com um potencial tão significativo de acabar com uma vida e, na esteira, dilacerar famílias inteiras, possa seguir arrebanhando adeptos. De todo modo, uma experiência necessária.


Ficha técnica:
Direção: Margherita Ferri
Roteiro: Roberto Proia
Produção: Eagle Pictures, Weekend Films
Distribuição: Weekend Films
Duração: 1h54
Classificação: 16 anos
País: Itália
Gênero: drama

25 junho 2026

"Supergirl": nem Milly Alcock nem o adorável Krypto conseguem salvar uma heroína sem roteiro

Super-heroína inspiradora que marcou os quadrinhos estreia nova versão nas telonas (Fotos: DC Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Depois do bom recomeço promovido por "Superman", a DC Studios dá um passo atrás com "Supergirl", que estreia hoje nos cinemas. Desta vez, quem acaba prejudicada é justamente a prima do Homem de Aço. 

A talentosa Milly Alcock, destaque da série "A Casa do Dragão", entrega uma atuação convincente, mas esbarra em uma personagem difícil de conquistar o público.

O maior problema não está na atriz, e sim na construção de Kara. Em vez da heroína inspiradora que marcou os quadrinhos e outras adaptações para a TV e o cinema, surge uma jovem amarga, impulsiva e movida quase exclusivamente pela vingança. 

Em diversos momentos, suas atitudes se aproximam mais das de uma vilã do que das de uma super-heroína. Confesso que, para mim, Melissa Benoist continua sendo a melhor intérprete da personagem.


Quem realmente rouba a cena é Krypto. O fiel e atrapalhado cão de Kara é, de longe, o elemento mais divertido do filme. Sempre que aparece, quebra o clima pesado da narrativa e conquista facilmente a simpatia do público. 

Se existe um verdadeiro protagonista carismático nesta produção, ele tem quatro patas. e tem sua origem revelada no filme.

A trama ganha algum fôlego com a chegada de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem que também busca vingança. A relação entre as duas movimenta a história, embora o roteiro não aprofunde suficientemente suas motivações.


Entre os personagens masculinos, Superman (David Corenswet) faz uma participação importante ao conectar os acontecimentos deste filme aos de "Superman" (2025), dirigido por James Gunn, onde Supergirl apareceu pela primeira vez neste novo universo.

Do lado dos vilões, Matthias Schoenaerts ("Operação Red Sparrow" - 2018) interpreta Krem com competência, ainda que sem grandes surpresas e com características pouco marcantes. Já Jason Momoa retorna ao universo da DC em um papel diferente. 


Depois de viver o herói em "Aquaman" (2018), agora assume o personagem Lobo, um caçador de recompensas intergaláctico de visual extravagante e garras afiadas. A mudança soa forçada, e Momoa praticamente repete o mesmo estilo irreverente e desleixado que costuma apresentar em outros personagens.

O roteiro também decepciona. A história aposta em longas sequências de ação, excesso de computação gráfica e efeitos digitais para sustentar uma narrativa que oferece poucas novidades. As cenas de pancadaria ocupam boa parte do tempo, mas pouco acrescentam ao desenvolvimento dos personagens, tornando o filme repetitivo e previsível.


Curiosamente, enquanto "Superman" optou por suavizar a violência, "Supergirl" segue o caminho oposto. Kara demonstra uma crueldade que chega a incomodar, especialmente para quem conhece a personagem dos quadrinhos. 

Como uma das minhas heroínas preferidas da DC, esperava encontrar uma protagonista mais humana, inspiradora e empática, não alguém capaz de matar.

A trilha sonora, por outro lado, merece destaque. "Garota de Ipanema" volta a marcar presença, acompanhada de outras boas escolhas musicais que ajudam a criar alguns dos melhores momentos da produção.


No fim das contas, "Supergirl" certamente vai dividir opiniões. Milly Alcock faz o que pode com o material que recebeu, enquanto Krypto conquista o público sem esforço. Mas isso não basta para esconder um roteiro frágil e uma protagonista que perdeu justamente a principal qualidade que sempre a diferenciou: o carisma. 

Se quiser consolidar seu novo universo cinematográfico, a DC precisará rever alguns conceitos antes dos próximos filmes de seus heróis.

Obs. O filme não tem cenas pós créditos.


Ficha técnica:
Direção: Craig Gillespie
Produção: DC Studios
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h50
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, ficção

24 junho 2026

21ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto começa nesta quinta-feira

(Fotos: Jackson Romanelli/Universo Produção)
 
 

Da Redação

 
Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, a mineira Ouro Preto recebe de 25 a 30 de junho, a 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, principal evento brasileiro dedicado à preservação, história e educação audiovisual. 

Ilustrada pelo conceito "Um país existe nas imagens que preserva", a cerimônia oficial de abertura acontece às 19h30, no Cine-Praça, montado na Praça Tiradentes, com uma performance audiovisual concebida por Chico de Paula e Raquel Hallak e dedicada à celebração dos temas que orientam esta edição. 

Na Preservação, a temática é “Primeiros gestos na preservação audiovisual: práticas, memórias e futuro”; na História, “Como elas começaram? Memórias do primeiro filme”; e na Educação, “Primeira vez: cinema, descoberta e invenção”. 

Mostra Preservação

Na abertura acontece ainda a homenagem à cineasta Helena Solberg, uma das pioneiras do cinema dirigido por mulheres no Brasil. Ela estará presente para receber o Troféu Vila Rica e terá parte de sua obra exibida durante o evento. 

A performance audiovisual da abertura este ano pretende traduzir por sons, músicas, imagens e movimentos as reflexões propostas pelas curadorias do evento e tem por ponto de partida a ideia de uma primeira experiência audiovisual e dos instantes que antecedem a criação. 

“Todas as três abordagens da mostra têm uma afinidade na proposta de cada uma. A gente construiu a abertura desse ano muito baseada nessa questão da primeira vez, da primeira experiência, do primeiro momento, do momento que antecede o fato, o acontecimento. Tem um repertório muito amarrado com as temáticas, com cada tema, com cada momento. Então, a gente vai partir da criação do mundo, da criação do cinema, da criação da vida”, afirma o diretor Chico de Paula.

Helena Solberg
(Foto: Ique Esteves/Universo Produção)

Em seguida à cerimônia, o público na praça vai assistir à sessão especial dedicada à homenageada Helena Solberg, com os curtas-metragens “A Entrevista”, de 1966, considerado um marco do cinema feminista brasileiro, e “Meio-Dia”, de 1970. Ambos sintetizam os primeiros movimentos de Solberg e dialogam diretamente com as reflexões propostas pela edição. 

Com programação inteiramente gratuita, a mostra ocupa diferentes espaços da cidade com exibições de filmes, debates, encontros, atividades artísticas, lançamentos e apresentações musicais.

Na mesma noite, às 22h30, o Cine Lounge Show, no Centro de Convenções, recebe o DJ Pátrida e a banda ouro-pretana Tropikaus com um repertório inspirado na Tropicália e na música popular brasileira das décadas de 1960 e 1970. 

Com 15 anos de trajetória como pesquisador musical e DJ, Pátrida apresenta uma discotecagem que atravessa músicas eletrônicas, grooves brasileiros e sonoridades de diferentes épocas. 

DJ Pátrida e banda Tropikaus 
(Fotos: Divulgação)

Na sexta, a partir das 22h30, a programação musical continua com apresentação do DJ David Maurity e da Banda Retrowave. Integrante da Cia. Toda Deseo, Maurity mistura pop e música brasileira em sets dançantes e irreverentes. 

Já a Retrowave apresenta um repertório dedicado aos grandes sucessos do rock nacional e internacional, recriando clássicos que marcaram diferentes gerações.

Na noite de sábado o Cine Lounge Show recebe o DJ Afro Bool e Cabra Guaraná. Com mais de duas décadas de atuação, Afro Bool apresenta um repertório marcado pela soul music, funk e grooves brasileiros. 

Em seguida, Cabra Guaraná assume a pista com sets que misturam brega, funk, piseiro, paredão e música eletrônica, em uma proposta que conecta diferentes referências da cultura popular brasileira.

Cine Expressão
(Foto: Jackson Romanelli/Universo Produção)

A programação literária da Mostra acontece no domingo, 28 de junho, às 12h30, no Hall de Convivência, no segundo andar do Centro de Convenções. Ao todo, serão lançados 21 títulos, sendo 20 livros impressos e um e-book, dedicados a temas relacionados ao cinema, à educação, à memória e ao audiovisual.

Fechando a programação musical do Cine Lounge Show, no domingo, a partir das 22h30, retornam às pick-ups o DJ David Maurity e a Banda Hocus Pocus. Com mais de quatro décadas de trajetória, o grupo é reconhecido como uma das principais referências brasileiras na interpretação da obra dos Beatles, recriando com fidelidade e energia os clássicos do quarteto de Liverpool.


Cortejo da Arte

Um dos momentos mais tradicionais da Mostra acontece no sábado, 27 de junho, às 11h30, com o Cortejo da Arte. Com saída da Praça Tiradentes, a celebração reúne artistas, grupos culturais e manifestações populares em um percurso pelas ruas do centro histórico de Ouro Preto. 

Participam do cortejo artistas circenses, o Bloco Zé Pereira dos Lacaios, o Congado Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Mercês, o contador de histórias Marcelinho Xibil, a Escola de Samba do São Cristóvão, a Fanfarra da Escola Estadual Desembargador Horácio Andrade, a Fanfarra da Escola Marília de Dirceu, o Grupo Mambembe Teatro de Rua e a Turma do Pipoca.

Cortejo de Arte
(Foto: Leo Lara/Universo Produção)

Arraiá do CineOP

Ainda no sábado, às 18h, acontece o tradicional Arraiá da CineOP, uma das atividades mais aguardadas da Mostra Valores. Realizada pelo quinto ano consecutivo, a festa reúne comunidade, visitantes e participantes da CineOP em uma celebração marcada pela música, pela dança, pela gastronomia típica e pelo fortalecimento das tradições populares. 

A programação inclui apresentações da Quadrilha Pé de Moleque e da Quadrilha da Escola Estadual Antônio Pereira, além do show do grupo Forró da Lu. Com barraquinhas de comidas e bebidas, brincadeiras e ambientação temática, o arraiá transforma o Cine Lounge Show em um espaço de convivência, encontro e celebração da cultura popular. 

A iniciativa também reforça o compromisso da Mostra com a valorização das manifestações culturais locais e com a participação da comunidade na programação do evento.

Arraiá do CineOP 
(Foto:  Leo Lara/Universo Produção)

Cine-Concerto

O encerramento da programação artística da 21ª CineOP acontece na terça-feira, 30 de junho, às 20h, no Cine-Praça, com o cine-concerto “Canção para o Novo Mundo”. Concebido como uma experiência sensorial que une música, poesia e audiovisual, o espetáculo reúne a cantora Titane, o pianista e compositor Túlio Mourão, o percussionista Yuri Vellasco e o videoartista Eder Santos, quatro importantes nomes da cena artística mineira. 

Tendo como ponto de partida o universo estético e musical do Clube da Esquina, a apresentação propõe uma travessia poética por temas como memória, afeto, pertencimento e esperança, articulando canções, projeções visuais e paisagens sonoras em uma narrativa que dialoga com os desafios e as inquietações do mundo contemporâneo. 

A força interpretativa de Titane, a sofisticação musical de Túlio Mourão, a criação visual de Eder Santos e a percussão de Yuri Vellasco convergem em um espetáculo que celebra a potência transformadora da arte e encerra a 21ª CineOP em sintonia com a proposta da Mostra de refletir sobre as imagens, os sons e as histórias que ajudam a construir a memória coletiva.

Trofeus da Mostra
 (Foto: Leo Lara/Universo Produção)

SERVIÇO
21ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto
Data: 25 a 30 de junho de 2026
Locais: Cine-Praça/Praça Tiradentes | Cine-Teatro Petrobras/ Centro de Artes e Convenções | Cine-Museu / Anexo do Museu da Inconfidência
Mais informações: www.cineop.com.br

23 junho 2026

BH recebe 13ª edição da “8 ½ Festa do Cinema Italiano por Generali”

(Divulgação)
 
 

Da Redação

 
A partir do dia 25 de junho, a "8 ½ Festa do Cinema Italiano por Generali" dá início à sua 13ª edição no Brasil, que prossegue até 1º de julho. Em Belo Horizonte, a programação será exibida no Cine Belas Artes BH e no Centro Cultural Unimed-BH Minas. 

Em 2026, o convidado especial do Festival é Federico Ferrone, que dirige, ao lado de Michele Manzolini um dos destaques dessa edição: “Os Irmãos Segreto”. 

O documentário ítalo-brasileiro acompanha a trajetória de Pasquale, Gaetano e Alfonso Segreto, três irmãos imigrantes italianos que se tornaram os pioneiros do cinema no Brasil. A versão brasileira do filme, vale dizer, tem narração do ator Paulo Betti.

"Os Irmãos Segreto", de Federico Ferrone
e Michele Manzolini
 
A programação reúne 10 filmes, com destaque também para o clássico “Caro Diário”, de Nanni Moretti. O longa, que tem Moretti também como protagonista, será exibido em cópia restaurada. 

A produção recebeu o David di Donatello de Melhor Filme e Melhor Música (Nicola Piovani), em 1994, e foi indicado à Palma de Ouro e premiado com Melhor Direção em Cannes, no mesmo ano. 

Caro Diário”, de Nanni Moretti

Outro destaque é o drama de época “Modi - Três Dias Nas Asas da Loucura”, de Johnny Depp, que marca o retorno do astro à direção depois de 29 anos. O filme conta com Al Pacino e Riccardo Scamarcio no elenco. 

Com roteiro de Jerzy e Mary Olson-Kromolowski, o longa adapta a peça teatral “Modigliani”(1980), de Dennis McIntyre, que conta, com humor e liberdade, a história do escultor e pintor italiano Amedeo Modigliani, conhecido como Modi.

Fuori”, de Mario Martone

O longa “Fuori”, de Mario Martone, é uma biografia dramática inspirada na escritora italiana Goliarda Sapienza; foi indicado à Palma de Ouro, no Festival de Cannes 2025. A produção explora o universo feminino na sua complexidade, entre um aparente caos e uma profunda intensidade emocional, com uma interpretação magistral de Valeria Golino. 

Roma, 1980. A escritora Goliarda Sapienza é presa por roubo de joias, mas o encontro com jovens presidiárias se torna, para ela, uma experiência de renascimento.

A Última Rodada”, de Francesco Sossai

A Última Rodada”, de Francesco Sossai, é um dos filmes mais premiados desta edição. No Festival de Cannes 2025, foi exibido na mostra Un Certain Regard e venceu oito prêmios no David di Donatello Awards, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. 

O longa é um road movie cômico e ao mesmo tempo poético, que acompanha a viagem etílica de dois cinquentões e de um estudante de arquitetura. A viagem improvisada entre bares e estradas vazias acaba transformando a visão de mundo do rapaz.

Primavera”, de Damiano Michieletto

Primavera”, de Damiano Michieletto, marca a estreia de Michieletto, aclamado diretor de ópera, em longas-metragens. Com roteiro de Ludovica Rampoldi e Michieletto. 

Na história, Cecilia, uma violinista de 20 anos, vive confinada em um orfanato para meninas e passa a questionar sua realidade quando conhece o compositor Antonio Vivaldi. A produção é baseada no romance “Stabat Mater”, de Tiziano Scarpa, de 2008.

O Negociador”, de Alessandro Tonda

O Negociador”, de Alessandro Tonda, é um thriller dramático de 2025, ano em que se completou 20 anos da morte de Nicola Calipari. Alto dirigente do SISMI (Serviço de Informações e Segurança Militar), apelidado de Il Nibbio, ele perdeu a vida durante uma operação de inteligência destinada à libertação da jornalista Giuliana Sgrena, raptada no Iraque por uma célula terrorista. O longa narra os 28 dias que antecederam sua morte durante a operação.

O Menino da Calça Rosa, de Margherita Ferri

O Menino da Calça Rosa”, de Margherita Ferri, é um dos filmes italianos mais vistos de 2025, com mais de um milhão e meio de espectadores. O longa é baseado na história real de Andrea Spezzacatena, um jovem de 15 anos, que tirou a própria vida, tornando-se o primeiro caso conhecido em Itália de suicídio de um menor provocado por homofobia, bullying e cyberbullying.

O caso teve início após suas calças vermelhas ficarem cor-de-rosa após uma lavagem errada e ele começar a ser perseguido na escola. A produção se baseia no livro da mãe de Andrea, “Andrea Além das Calças Cor-de-Rosa”.

Três Vezes Adeus”, de Isabel Coixet

Baseado no livro homônimo de Michela Murgia, o drama “Três Vezes Adeus”, de Isabel Coixet, conta com Alba Rohrwacher e Elio Germano no elenco. 

Depois de uma discussão que parece banal, Marta e Antonio separam-se. Ela fecha-se em si própria, marcada por uma súbita falta de apetite; ele, chef em ascensão, refugia-se no trabalho, mas sem conseguir esquecê-la. 

Agnus Dei”, de Massimiliano Camaiti

O documentário “Agnus Dei”, de Massimiliano Camaiti, exibido no Festival de Veneza, acompanha a rotina do Mosteiro de Santa Cecília em Trastevere, no coração de Roma, onde uma tradição secular se renova todos os anos: em janeiro, dois cordeiros recém-nascidos, após serem adornados e abençoados, são confiados aos cuidados de uma das freiras de clausura.

Ela cuida deles com a ternura de uma mãe, amamentando-os e alimentando-os. A presença dos animais tem um propósito específico: com a lã deles, as freiras tecem o pálio que o Papa usa no dia 29 de junho, na Solenidade de São Pedro e São Paulo. No entanto, no Ano Santo de 2025, enquanto o rito ocorria, o Papa adoece subitamente.


SERVIÇO:
“8 ½ Festa do Cinema Italiano por Generali”

Data: 25 de junho a 1º de julho
Locais: Cine Belas Artes BH e Centro Cultural Unimed-BH Minas
Preço dos ingressos: o mesmo já praticado pelas salas
Programação: https://br.festadocinemaitaliano.com/programa-e-locais/belo-horizonte e no site do Centro Cultural Unimed-BH Minas
Informações: https://festadocinemaitaliano.com.br/

21 junho 2026

"Toy Story 5": quando os brinquedos enfrentam o maior rival de todos, as telas

Animação é uma aventura divertida com um importante alerta para pais e filhos sobre os perigos do
mundo digital (Fotos: Disney Pixar)
 
 

Maristela Bretas

 
A convite da @Cineart_oficial@nerdexperience, assisti a uma sessão especial de "Toy Story 5" na sala Imax do Cineart Boulevard. E gostei bastante deste novo capítulo da franquia que está em cartaz em vários cinemas de BH, Contagem e Betim.

Desta vez, o protagonismo fica com Jessie (novamente com a voz de Joan Cusack e dublagem em português de Mabel Cezar), que se recusa a perder sua dona Bonnie (Scarlett Spears) para o novo brinquedo da menina: um tablet em formato de sapo chamado Lilypad (Greta Lee/Maisa).


Mais uma vez, a Pixar acerta na abordagem ao retratar a dificuldade de crianças pequenas e tímidas em fazer amizade com outras da mesma idade. Uma situação agravada pelo uso excessivo da tecnologia como forma de ocupar um tempo que poderia estar sendo dedicado às brincadeiras, à imaginação e à convivência.

É nesse momento que os adultos se tornam o principal alvo de "Toy Story 5". Muitos acreditam que celulares e tablets podem resolver problemas de socialização e aproximar seus filhos de outras crianças. Um grande engano, que pode abrir caminho para riscos ainda maiores, como a exposição precoce às redes sociais, ambientes que nem sempre são acolhedores.

Apesar da abordagem mais madura, o filme conseguiu envolver bem as crianças presentes na sessão. Foi o caso de uma sobrinha de 6 anos que me acompanhou e se divertiu durante toda a exibição.


Confesso que meus dois filmes preferidos da franquia continuam sendo o primeiro, lançado em 1995, e o quarto, de 2019 (ambos em exibição no canal DisneyPlus). Ainda assim, a Pixar mostra que sabe se atualizar — mesmo que com algum atraso — ao apontar de forma precisa os impactos do universo digital nas relações humanas e na educação infantil.


Desta vez, Jessie, Buzz Lightyear (Tim Allen/Guilherme Briggs), Woody (Tom Hanks/Marco Ribeiro) e todos os brinquedos de Bonnie ficam alarmados com a chegada de Lilypad, que conecta virtualmente a garota, de apenas 8 anos, às colegas da escola e da dança. Meninas que parecem se relacionar apenas por meio de jogos e redes sociais.


Mas será que essa é a amizade que Bonnie realmente procura? Cabe aos seus velhos e leais brinquedos, liderados por Jessie, a missão de ajudá-la a encontrar conexões verdadeiras e descobrir o valor da convivência presencial. 

Para isso, eles contarão com novos aliados que surgem ao longo da animação e enfrentam problemas semelhantes, como o divertido Amigo Rolinho, dublado em português por Rafael Infante.

"Toy Story 5" tem menos momentos emocionantes do que seus antecessores, mas a atuação dos brinquedos continua sendo sua maior força. Jessie assume uma postura quase maternal em relação a Bonnie, enquanto luta para aceitar que as máquinas estão ocupando cada vez mais espaço e empurrando ela e seus amigos para o esquecimento.


Ao mesmo tempo, a jovem xerife precisa encarar seus próprios fantasmas e o medo de ser trocada novamente. A personagem ganha até uma canção inédita na trilha sonora, interpretada por Taylor Swift: "I Knew It, I Knew You".

Buzz também enfrenta seu próprio dilema: continua apaixonado por Jessie, mas sem coragem para se declarar. Já Woody — agora exibindo uma brilhante careca — percorre o mundo em busca de brinquedos tradicionais abandonados por seus donos, sempre ao lado da amada Betty (Annie Potts).


Com essa atualização, sete anos após o último filme, tenho a impressão de que a franquia finalmente chega ao fim. Mas deixa um alerta importante sobre algo que já acontece no mundo real: aparelhos eletrônicos estão ocupando espaços que antes pertenciam às pessoas.

É preciso que os adultos redescubram o prazer de brincar com as crianças, de criar conexões presenciais feitas de abraços, risadas e diversão compartilhada. E "Toy Story 5" procura mostrar, de forma sensível e divertida, a urgência dessa mudança.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Andrew Stanton e McKenna Harris
Produção: Disney Pixar
Distribuição: Walt Disney Studios
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h42
Classificação: livre
País: EUA
Gêneros: Animação, infantil, aventura, família

19 junho 2026

Os meandros da psiquê humana conduzem "As Correntes"

Longa foca na personagem interpretada por Isabel Aimé Gonzalez-Sola que tem sua vida mudada por
completo após uma viagem à Suíça (Fotos: Filmes do Estação)
 
 

Patrícia Cassese

 
Com um título um tanto quanto emblemático, por remeter, por exemplo, a elos que aprisionam, ou ao fluxo de uma massa de água, “As Correntes”, produção em cartaz no Cine Belas Artes BH, centra seu foco na personagem Lina (Isabel Aimé Gonzalez-Sola), uma jovem estilista (34 anos) que, nos momentos iniciais do filme, está em outro país – a Suíça - para receber um prêmio por seu trabalho. 

Um momento de coroamento, mas que, ao fim, acaba por implodir a ordem que até então pautava sua vida junto ao marido e à filha pequena em seu território de origem, a Argentina.

A cena inicial do filme – cujo roteiro e direção são de Milagros Mumenthaler - mostra justamente a cerimônia de entrega da láurea, que, diga-se, tem um destino inesperado (estamos falando do objeto em si). 


Pouco à frente, o espectador é surpreendido com um inesperado mergulho de Lina nas águas geladas do rio Ródano (pontuando-se que a cena notadamente se passa em período de frio), com a câmara focando também um objeto que ela portava e que fica a flutuar após a imersão da moça. 

A sequência já mostra Lina retornando ao hotel envolta em uma capa térmica e com as roupas que portava antes do pulo envoltas em um saco plástico, embora a cena completa, detalhada, do que houve, só vá aparecer mais adiante no longa-metragem. 

Fato é que a personagem retorna a Buenos Aires e enigmaticamente opta por não compartilhar com o parceiro, Pedro (Esteban Bigliardi, de “Os Delinquentes”, atualmente disponível no Mubi), o ocorrido – ainda que a mudança de comportamento seja evidente. 


Em uma das cenas, por exemplo, o marido insiste em uma conversa a dois para tentar entender a inequívoca alteração nas atitudes cotidianas, dizendo, em dado momento: “Parece que você não voltou” (referindo-se à viagem).

Sim, um certo alheamento é um dos pontos que o coloca em alerta, mas, por outro lado, há detalhes que só o espectador tem acesso, como a aversão que Lina passa a sentir do contato de seu corpo com a água, fazendo-a inclusive evitar lavar os cabelos – a ponto de o couro cabeludo começar a coçar e, em decorrência, apresentar sinais de vermelhidão. Em dado momento, ela inclusive passa a usar xampu seco para esconder do marido o “novo hábito”.  

Na verdade, a própria higiene corporal diária passa a ser feita sem Lina estar diretamente sob o fluxo de um chuveiro. E mesmo no momento do banho da filha (que, por ser pequena, demandaria acompanhamento de um adulto), a estilista sente resistência em adentrar o toilette, esperando que a menina se resolva sozinha. 


Quando a situação começa a fugir do controle, Lina procura uma antiga amiga – desconhecida pelo marido, atestando que há uma face oculta da vida da parceira que muitos desconhecem – para que ela lave suas madeixas. Detalhe: mediante uma inalação sedativa prévia, para que ela esteja desacordada. 

Há um trecho do filme no qual Lina fala a um terapeuta sobre esse pavor à água, citando o medo de ser arrastada, à revelia, por hipotéticas correntes. A fobia ao banho, no entanto, segue sendo um sintoma imperceptível para o marido, ainda que, como já pontuado, outros comportamentos gerem estranheza nos demais personagens. A sogra, por exemplo, certo dia aparece à porta da casa da família, sem avisar, levando comida para o casal e a neta, preocupada com a alimentação ali. 


Um ponto interessante é que se a personagem é apresentada inicialmente como Lina, um diminutivo de seu nome de batismo, Catalina, em dado momento, temos em cena pessoas que a chamam de Cata. Portanto, é como se duas personas habitassem o mesmo corpo, mas cada uma desse as caras para um entorno distinto, com jeitos próprios de ser. 

O marido de Lina não conhece as facetas de Cata, assim como pessoas ligadas a Cata – como a mãe da estilista – não conhecem bem a faceta Lina. A divisão aponta para um transtorno dissociativo, que, numa consulta informal, sem pretensões de diagnósticos precisos, podem surgir como mecanismo de defesa contra traumas na infância. Há, no filme, uma pista para tal.


Exatamente por isso, “As Correntes” vem sendo apresentado como um drama psicológico, e a direção acerta ao recorrer a tons escuros para acompanhar a narrativa de uma personagem que busca, principalmente, fazer com que o passado não contamine de forma irremediável a relação com o marido e, principalmente, com a filha. 

No frigir dos ovos, um filme duro, desconfortável, incômodo, mas que vai interessar ao público afeito ao enigmático mistério da mente humana. 

Em tempo: nascida na Argentina e criada na Suíça, Milagros Mumenthaler chega, com “As Correntes”, a seu segundo longa. O primeiro, “Abrir Puertas y Ventanas”, registre-se, recebeu o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno. Aos 49 anos, ela também já foi premiada pelos curtas que assinou.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Milagros Mumenthaler
Produção: Alina Film e Ruda Cine, coprodução RTS Radio Télevision Suisse
Distribuição: Filmes do Estação
Exibição: Cine Belas Artes BH
Duração: 1h44
Classificação: 16 anos
Países: Suíça e Argentina
Gênero: drama

15 junho 2026

"Criadas" propõe quebrar paredes que perpetuam as desigualdades raciais, sociais e de gênero

Entre os maiores méritos da obra está a atuação das protagonistas Ana Flávia Cavalcanti e Mawusi Tulani (Fotos: Vitrine Filmes)
 
 

Silvana Monteiro

 
Em "Criadas", Carol Rodrigues constrói um drama que parte da intimidade de uma casa para investigar estruturas profundas da sociedade brasileira na pele de mulheres, a maioria delas negras. 

Sandra (Mawusi Tulani) está em busca de lembranças de sua mãe. Por isso ela procura Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), sua prima, que vive no lugar em que sua mãe atuou como trabalhadora doméstica. 

O reencontro entre elas é permeado de conflitos necessários para ressignificar as relações. Por ser a herdeira de uma mulher que viveu o trabalho doméstico, Sandra traz em si uma força motriz com maior sensibilidade. 


A atuação das duas funciona como o eixo de uma narrativa que examina as diferentes experiências de mulheres negras situadas em posições sociais distintas, revelando como raça, classe e pertencimento produzem trajetórias marcadas por privilégios e vulnerabilidades desiguais. 

Embora ambas compartilhem origens, raça e afetos, suas experiências são atravessadas por formas distintas de reconhecimento social. Mariana, filha da patroa, alcança uma condição de relativa mobilidade e circula por espaços onde sua identidade racial é frequentemente relativizada ou invisibilizada por olhares brancos. 

Sandra, mulher negra retinta, ocupa uma posição de destaque profissional, mas continua submetida às formas mais explícitas do racismo estrutural e do machismo corporativo. O contraste entre as duas personagens permite ao filme abordar questões como colorismo, trabalho doméstico, mobilidade social e desigualdade racial sem recorrer a soluções simplificadoras.


A casa onde a narrativa se desenvolve torna-se uma metáfora do próprio Brasil. Seus cômodos guardam memórias, silêncios e hierarquias que atravessam gerações. 

As paredes não delimitam apenas espaços físicos, mas também fronteiras simbólicas entre quem serve e quem é servido, entre quem herda privilégios e quem precisa constantemente justificar sua presença. 

A ancestralidade ocupa papel central na narrativa. Os fantasmas que percorrem a casa não são apenas recursos sobrenaturais; representam memórias coletivas que insistem em permanecer. 

O passado não aparece como lembrança distante, mas como uma presença concreta que interfere no presente e desafia as protagonistas a compreenderem quem são. 


Nesse sentido, a busca pelo eu se confunde com a necessidade de reconhecer as marcas deixadas pela história, pela família e pelas relações raciais que moldam suas identidades.

O roteiro também amplia a discussão ao abordar relações afetivas fora da lógica heteronormativa. A sexualidade de Mariana traz, de modo breve, à reflexão sobre pertencimento, liberdade e construção identitária. O filme traz à tona os questionamentos de uma relação interracial. 

Entre os maiores méritos da obra está a atuação das protagonistas. Ana Flávia Cavalcanti entrega uma Mariana complexa, marcada por contradições e zonas de desconforto. 


Sua interpretação evita respostas fáceis e evidencia uma personagem constantemente tensionada entre consciência social e reprodução de privilégios. Já Mawusi Tulani oferece à Sandra uma presença de grande força dramática. 

Sua composição transita entre firmeza e vulnerabilidade, conferindo humanidade a uma mulher que precisa enfrentar diariamente estruturas de discriminação sem perder a capacidade de afeto. 

O encontro entre as duas atrizes constitui o coração emocional do filme de sustentar os debates sociais sem reduzir as personagens a meros instrumentos discursivos.


A trilha sonora, composta por excelentes canções brasileiras de grande sensibilidade, amplia essa dimensão afetiva. A fotografia é maravilhosa e nos leva à memória de um ambiente ancestral e afetivo. "Criadas" propõe uma reflexão ampla sobre o Brasil contemporâneo. 

Embora seja um pouco longo, trata-se de um filme que, mesmo quando sacrifica a sutileza em favor da pedagogia, demonstra coragem ao enfrentar temas historicamente silenciados e ao colocar duas mulheres negras no centro de uma narrativa sobre memória, identidade e transformação.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Carol Rodrigues
Produção: Gato do Parque Cinematográfica, em coprodução com Telecine, Canal Brasil, NayMovie, Cinefilm, Volta Filmes e Netas de Esméria
Distribuição: Vitrine Filmes
Exibição: Cine Belas Artes BH
Duração: 1h45
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gênero: drama