Mostrando postagens com marcador #warnerbrosbr. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #warnerbrosbr. Mostrar todas as postagens

25 junho 2026

"Supergirl": nem Milly Alcock nem o adorável Krypto conseguem salvar uma heroína sem roteiro

Super-heroína inspiradora que marcou os quadrinhos estreia nova versão nas telonas (Fotos: DC Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Depois do bom recomeço promovido por "Superman", a DC Studios dá um passo atrás com "Supergirl", que estreia hoje nos cinemas. Desta vez, quem acaba prejudicada é justamente a prima do Homem de Aço. 

A talentosa Milly Alcock, destaque da série "A Casa do Dragão", entrega uma atuação convincente, mas esbarra em uma personagem difícil de conquistar o público.

O maior problema não está na atriz, e sim na construção de Kara. Em vez da heroína inspiradora que marcou os quadrinhos e outras adaptações para a TV e o cinema, surge uma jovem amarga, impulsiva e movida quase exclusivamente pela vingança. 

Em diversos momentos, suas atitudes se aproximam mais das de uma vilã do que das de uma super-heroína. Confesso que, para mim, Melissa Benoist continua sendo a melhor intérprete da personagem.


Quem realmente rouba a cena é Krypto. O fiel e atrapalhado cão de Kara é, de longe, o elemento mais divertido do filme. Sempre que aparece, quebra o clima pesado da narrativa e conquista facilmente a simpatia do público. 

Se existe um verdadeiro protagonista carismático nesta produção, ele tem quatro patas. e tem sua origem revelada no filme.

A trama ganha algum fôlego com a chegada de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem que também busca vingança. A relação entre as duas movimenta a história, embora o roteiro não aprofunde suficientemente suas motivações.


Entre os personagens masculinos, Superman (David Corenswet) faz uma participação importante ao conectar os acontecimentos deste filme aos de "Superman" (2025), dirigido por James Gunn, onde Supergirl apareceu pela primeira vez neste novo universo.

Do lado dos vilões, Matthias Schoenaerts ("Operação Red Sparrow" - 2018) interpreta Krem com competência, ainda que sem grandes surpresas e com características pouco marcantes. Já Jason Momoa retorna ao universo da DC em um papel diferente. 


Depois de viver o herói em "Aquaman" (2018), agora assume o personagem Lobo, um caçador de recompensas intergaláctico de visual extravagante e garras afiadas. A mudança soa forçada, e Momoa praticamente repete o mesmo estilo irreverente e desleixado que costuma apresentar em outros personagens.

O roteiro também decepciona. A história aposta em longas sequências de ação, excesso de computação gráfica e efeitos digitais para sustentar uma narrativa que oferece poucas novidades. As cenas de pancadaria ocupam boa parte do tempo, mas pouco acrescentam ao desenvolvimento dos personagens, tornando o filme repetitivo e previsível.


Curiosamente, enquanto "Superman" optou por suavizar a violência, "Supergirl" segue o caminho oposto. Kara demonstra uma crueldade que chega a incomodar, especialmente para quem conhece a personagem dos quadrinhos. 

Como uma das minhas heroínas preferidas da DC, esperava encontrar uma protagonista mais humana, inspiradora e empática, não alguém capaz de matar.

A trilha sonora, por outro lado, merece destaque. "Garota de Ipanema" volta a marcar presença, acompanhada de outras boas escolhas musicais que ajudam a criar alguns dos melhores momentos da produção.


No fim das contas, "Supergirl" certamente vai dividir opiniões. Milly Alcock faz o que pode com o material que recebeu, enquanto Krypto conquista o público sem esforço. Mas isso não basta para esconder um roteiro frágil e uma protagonista que perdeu justamente a principal qualidade que sempre a diferenciou: o carisma. 

Se quiser consolidar seu novo universo cinematográfico, a DC precisará rever alguns conceitos antes dos próximos filmes de seus heróis.

Obs. O filme não tem cenas pós créditos.


Ficha técnica:
Direção: Craig Gillespie
Produção: DC Studios
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h50
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, ficção

26 junho 2025

"F1 - O Filme" é velocidade, adrenalina e realismo que aceleram o coração

Produção é quase como assistir uma corrida real, porém com mais emoção e tensão em disputas eletrizantes (Fotos; Warner Bros. Pictures)


Maristela Bretas


Os motores já estão roncando à espera o sinal verde para a grande largada de "F1: O Filme" nos cinemas nesta quinta-feira. O público (e não só os fãs de Fórmula 1) pode separar seu lugar no cockpit da sala IMAX do Cineart Boulevard e nas salas 3D. O longa, produzido com este sistema de resolução, entrega tudo o que os amantes da velocidade e do cinema de ação poderiam desejar. 

Ele merece ser visto com a melhor qualidade de som e imagem disponíveis. Desde o preparo dos carros com o ronco dos motores, passando pelas grandiosas pistas dos icônicos circuitos mundiais, até os acidentes cronometrados com precisão assustadora. 


O diretor Joseph Kosinski (o mesmo de "Top Gun: Maverick" - 2022) não teve dó em destruir carros contra guard rails e encenar espetaculares capotamentos, reproduzindo com fidelidade impressionante o que realmente acontece nas corridas. Até mesmo os "toques propositais" para tirar adversários da competição são retratados com destaque. 

Todo esse realismo contou com a consultoria do heptacampeão mundial de Fórmula 1, Lewis Hamilton, que também atua como produtor executivo do filme e faz participações especiais interpretando a si mesmo.


A trama conta com duas estrelas do cinema: Brad Pitt, que também é um dos produtores executivos, e Javier Bardem. A dupla dá show de interpretação e charme, aquecendo até mesmo os motores dos fãs mais exigente. 

Pitt é o piloto veterano Sonny Hayes, que após abandonar a Fórmula 1 e se tornou um nômade que não obedece a regras e participa de competições aleatórias das mais diversas categorias, movido unicamente pelo prazer da velocidade.


Ele é convencido a retornar às pistas de F1 para apoiar um velho amigo de equipe, Ruben Cervantes, papel de Bardem, que agora é um empresário e proprietário da fictícia escuderia ApexGP. 

No entanto, Ruben enfrenta sérios problemas financeiros, já que seus carros não conseguem se classificar, colocando em risco o futuro da empresa. Ele pede que Sonny ajude a equipe a garantir a classificação nas últimas provas do campeonato, uma missão quase impossível, como diria Tom Cruise. 


A tarefa é ainda mais desafiadora porque seu companheiro de equipe é Joshua Pearce (Damson Idris em ótima atuação), um piloto-revelação arrogante, que só se preocupa com o marketing pessoal e o glamour que a categoria proporciona.

A função de Sonny, além de unir a equipe e torná-la vitoriosa, é transformar Joshua em um piloto ousado e campeão. Mas os dois não se dão bem e, a partir deste ponto, começa uma dura disputa entre a experiência e falta de regras do veterano piloto e a imprudência e prepotência do novato, ameaçando ainda mais a estabilidade física e financeira da escuderia. 


Além de Lewis Hamilton, "F1: O Filme" conta com a participação de alguns dos novos campeões e pilotos, interpretando a si mesmos, como Max Vestappen, Charles Leclerc, Carlos Sainz Jr., Lando Norris, Pierre Gasly, Kevin Magnussen, entre outros. 

A equipe de produção realizou as gravações com eles e suas escuderias durante os finais de semana nas pistas de Grandes Prêmios reais no ano passado, em circuitos como Silverstone (Inglaterra), Monza (Itália), Las Vegas (EUA), Spa-Francorchamps (Bélgica), entre outros. Até mesmo o nosso maior ídolo, Ayrton Senna é lembrado em diálogos e cenas.


No elenco estão também Kerry Condon, Callie Cooke, Sarah Niles, Tobias Menzies, Kim Bodnia, Abdul Salls, Samson Kayo, entre outros. A ótima trilha sonora composta pelo premiado Hans Zimmer é outro destaque, incluindo sucessos como "We Will Rock You", do Queen, e "Highway To Hell", do AC/DC, que aceleram o sangue nas veias do espectador.

O público que busca ação não terá do que reclamar. O diretor não economiza em cenas de acidentes, alta velocidade e ótimos efeitos visuais de tirar o fôlego. 

A adrenalina toma conta das 2h35 de duração do longa, que passam voando, e ainda oferece uma pequena amostra dos bastidores desta categoria esportiva que atrai milhares de fãs pelo mundo.


"F 1" é um filme autêntico, quase como assistir uma corrida real, porém com mais emoção e tensão elevadas por disputas eletrizantes e dramáticas. 

Uma produção de peso, com um custo superior a US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,50 bilhão) de orçamento, que tem tudo para agradar não só os amantes deste esporte, mas o público em geral. Pode ser considerado como um dos maiores lançamentos deste ano.


Ficha técnica:
Direção: Joseph Kosinski
Roteiro: Ehren Kruger
Produção: Plan B Entertainment, Apple Original Films, Monolith Pictures, Jerry Bruckheimer e Dawn Apollo Films
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h35
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: corrida, ação