30 agosto 2021

Engraçado e propositalmente besteirol, “Amigas de Sorte” tem elenco estelar que merecia mais originalidade

Arlete Salles, Susana Vieira e Rosi Campos formam o divertido trio da comédia em exibição no canal Globoplay (Fotos: Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni

 
Quando morre uma integrante do grupo de quatro amigas paulistas inseparáveis, as três que restaram ficam ainda mais unidas. Nina, dona de uma típica cantina italiana no bairro do Bexiga; Nelita, proprietária de uma loja de antiguidades, e Rita, professora aposentada, são mulheres maduras, beirando os 70 anos, e levam uma vida simples, de dinheiro curto e muita resignação. 

Mas o destino delas começa a mudar quando as três ganham uma bolada na Mega-Sena. Essa é a sinopse de “Amigas de Sorte”, comédia em cartaz no Globoplay que traz no elenco três estrelas da nossa televisão: Arlete Salles (79), Susana Vieira (78) e Rosi Campos (67).


Há quem chame de comédia feminina produções como essa, em que os homens presentes na trama são meros coadjuvantes. Pode ser. Embora não seja nenhuma obra-prima, “Amigas de Sorte” pode cumprir seu papel de provocar riso fácil como convém ao gênero. 

Besteirol popular na acepção da palavra, o filme tem, no elenco brilhante, seu maior mérito. O resto são piadinhas de sexo, estereotipadas velhotas assanhadas, confusões, brigas, desencontros, mentiras, correrias e coincidências nem sempre verossímeis.


Além das três, estão no elenco, em ótimas atuações, entre outros, Klebber Toledo como o galã Gabriel, Otávio Augusto como o marido de Nina e, para quem estava com saudade, até Luana Piovani, que reaparece como uma delegada uruguaia. Em papéis menores, entram Júlio Rocha, Bruno Fagundes e Fernando de Paula.

Quando se descobrem ganhadoras, Nina, Nelita e Rita decidem passear, mas escondem das famílias tanto o prêmio quanto o real destino da viagem. Animadíssimas, vão para Punta Del Este, no Uruguai, onde se hospedam no Conrad, luxuoso hotel cassino, sonho de nove entre dez brasileiros da elite, com suas suítes superconfortáveis, com direito a spa, massagens, champanhe, discoteca. E, claro, não faltam alusões e experiências com a maconha legalizada do Uruguai.


Pela ficha técnica, “Amigas de Sorte” cria certa expectativa. E embora não decepcione totalmente, podia ter menos clichês. Afinal, o argumento é do tarimbado casal Fernanda Young e Alexandre Machado, responsável, entre outras pérolas, pela criação de “Os Normais”. A direção é de Homero Olivetto (“Bruna Surfistinha”, “Reza a Lenda”), o roteiro de Lusa Silvestre, a fotografia de lugares maravilhosos é perfeita e a produção é da Globo Filmes. Ou seja: tudo parece ter sido pensado para fazer sucesso. Deve até fazer.


Só que a pegada, nitidamente comercial, talvez tenha exagerado nos estereótipos. Não que o longa não seja engraçado. Há cenas impagáveis como, por exemplo, quando as três passam pela alfândega e revelam suas maletas repletas de remédios típicos da terceira idade. O elenco, experiente e brilhante, certamente merecia mais originalidade.


Ficha técnica:
Direção:
Homero Olivetto
Exibição: Globoplay
Produção: Globo Filmes / Popcon
Distribuição: Downtown Filmes
Duração: 1h28
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gênero: Comédia

24 agosto 2021

"Infinito" abusa dos erros e dos clichês e desperdiça uma boa história

Mark Wahlberg é um ser especial que pode rever vidas passadas e precisa impedir o fim do mundo (Fotos: Reprodução/Paramount Pictures)


Jean Piter Miranda

"Infinito" ("Infinite"), filme disponível na plataforma Paramount +, conta a história de Evan Mc Cauley (Mark Wahlberg), um homem que vive assombrado por memórias de vidas passadas. Quando é encontrado por uma sociedade secreta chamada "Infinitos", ele descobre o que é realmente é: um ser especial que tem todas as lembranças de suas antigas existências. Aí então se depara com um dos seus semelhantes, Bathurst 2020 (Chiwetel Ejiofor), que tem o plano de acabar com todo tipo de vida na Terra.

A ideia é muito boa e foi até comparada a Matrix. Em meio à humanidade, uma “raça” capaz de reencarnar. E a cada nova vida carrega consigo todas as memórias e habilidades de vidas passadas. Parte desse grupo usa dessa condição para tentar fazer do mundo um lugar melhor. Outros, querem por fim a esse ciclo, “descansar”, "se libertar”. Mas, para isso, não basta morrer, tem que destruir o mundo para não ter onde renascer.  


Era pra ser bom. Poderia ser muito bom. Mas "Infinito" exagera nos clichês e abusa dos erros de roteiro. O mocinho solitário que passa por problemas pessoais. O vilão que faz muitas caras e bocas, meio que pagando de louco. O combate final entre duas mulheres, que mesmo com pistolas e metralhadoras preferem sair na mão. A equipe do bem formada por gênios excêntricos, um fortão, uma garota bonita e um personagem oriental. E a turma do mal, claro, também é muito previsível.  

Mark Wahlberg e o diretor Antoine Fuqua

Os erros de roteiro são um tanto grosseiros. O vilão que uma hora está na sala e depois de uma explosão já aparece dentro de um carro, sem um pingo de poeira em seu terno, que está sempre alinhado, mesmo nas cenas de ação. Personagem molhado que segundos depois está seco.

Uma fortaleza de uma sociedade secreta que é encontrada facilmente e que é protegida por apenas três drones. Cena de ação em que o cara tem dezenas de armas à disposição, como pistolas e metralhadoras, e pega duas machadinhas para enfrentar um adversário sabidamente mais forte.  


São muitos e muitos os erros, que vão se acumulando, e que tornam "Infinito" difícil de engolir. Não dá nem para encarar como simples entretenimento. Cenas de ação fraquíssimas e completamente sem sentido. Tentar invadir uma fortaleza bem vigiada com um carro pela porta de frente? Saltar de um penhasco quando poderia ir de helicóptero e muitas outras situações que praticamente zombam da inteligência do espectador.  


Mark Wahlberg tem as mesmas poucas expressões faciais do início ao fim do filme. Dá a impressão de que ele não estava muito a fim de estar ali, que queria que tudo terminasse rápido. Ele tem potencial e já mandou bem em outras produções como “Quatro Irmãos” (2005), “Os Infiltrados” (2006), “O Vencedor” (2010) e, mais recentemente, em "De Repente Uma Família" (2018), também da Paramount Pictures. Mas nessa, atuou de forma decepcionante. Chiwetel Ejiofor, que brilhou em “12 Anos de Escravidão” (2014), se esforça muito, muito mesmo, para encarnar o vilão, mas não convence nem um pouco.


A mocinha Nora Brightman (Sophie Cookson) é inexpressiva. A mesma cara nas cenas de ação, de drama, de suspense. Não muda nem quando deveria interpretar medo ou dor. Dylan O'Brien, o menino da franquia “Maze Runner” ("Correr ou Morrer" - 2014, "Prova de Fogo" - 2015 e "A Cura Mortal" - 2018), faz o papel de Heinrich Treadway. Ele aparece pouco, tem um papel secundário, mas manda bem. É a única interpretação boa de todo o filme.  


O longa é uma adaptação do livro "The Reincarnationist Papers", de 2009, escrito por D. Eric Maikranz. A publicação tem 96% de aprovação entre os usuários do Google. Mas a produção cinematográfica tem se mostrado um desastre, com críticas negativas da imprensa especializada e dos espectadores.

"Infinito" teve um orçamento de US$ 100 milhões e era uma das grandes apostas da Paramount para 2021. Para aumentar o prejuízo, a produção utilizou 30 modelos de carros Aston Martin, muitos deles destruídos nas gravações.


A direção é do norte-americano Antoine Fuqua, que já fez muitos filmes e só tem um bom na carreira: “Dia De Treinamento” (2001), com Denzel Washington, sem esquecer que ele também dirigiu o ator em "O Protetor" (2014) e "O Protetor 2" (2018).

Sempre se esperou de Fuqua um novo filme de qualidade, impactante. Produção que nunca veio, mesmo trabalhando com boas histórias e ótimos elencos. Ele parece aquele jogador de futebol que brilha em uma única temporada, nunca mais repete as boas atuações e chega ao fim como eterna promessa.


Ficha técnica:

Direção: Antoine Fuqua Exibição: plataforma Paramount + Produção: Paramount Pictures e Di Bonaventura Pictures Duração: 1h46 Classificação: 14 anos País: EUA Gêneros: Ficção / Suspense / Ação Nota: 2 (de 0 a 5)

19 agosto 2021

"O Esquadrão Suicida" faz você esquecer que houve um primeiro filme

James Gunn acerta na direção e no roteiro e na escolha do elenco, respeitando os personagens dos quadrinhos da Dc Comics (Fotos: Jessica Miglio/Warner Bros.)


Maristela Bretas


Violento, com muito sangue, ação do início ao fim e um humor sarcástico, "O Esquadrão Suicida" ("The Suicide Squad"), dirigido por James Gunn ("Guardiões da Galáxia" - 2014) é tudo o que seu quase homônimo - "Esquadrão Suicida" (2916) - não conseguiu ser e ainda está agradando aos fãs da DC Comics.

Graças ao ótimo elenco estrelar (que o outro também tinha, mas não soube aproveitar), a versão em cartaz nos cinemas deve seu sucesso também ao roteiro de Gunn, que respeitou os personagens dos quadrinhos, mas não deixou de torná-los mais bizarros e violentos, amarrando muito bem a história de cada um deles.


Segundo o estilo de "Deadpool", com violência sem medidas, acompanhada de um humor escrachado que agrada apesar da situação, a produção prende o público, mesmo com tanta matança. Cabeças voam, o sangue jorra fácil e tudo acontece como se matar fosse uma coisa corriqueira.

Na verdade, para este grupo de psicopatas assassinos, a violência extrema é normal e o enredo apresenta personagens desprovidos de emoções, sem nada a perder. Não é à toa que estão "hospedados" na pior prisão dos EUA - Belle Reve -, onde morrer é como tomar café da manhã.


Como no antecessor, a diretora da penitenciária, Amanda Waller (a excelente Viola Davis) recruta um novo grupo de supervilões entre seus prisioneiros para destruir um projeto super secreto que ameaça o planeta.

Concluindo a missão eles terão suas penas reduzidas e as famílias preservadas. Enfrentar o exército da pequena ilha de Corto Maltese vai ser o menor dos problemas para o Esquadrão Suicida. O maior vilão está por vir -  o monstro Starro, o Conquistador - digno de um filme de super-heróis.


Apesar do banho de sangue, é impossível não simpatizar com alguns dos integrantes do grupo. E o brilho maior, como no filme de 2016, não poderia ser de ninguém mais que  "Arlequina" de Margot Robbie (que vive a supervilã também em "Aves de Rapina" - 2020). Sádica, bem humorada, violenta, sedutora, mas preocupada com os amigos, ela é um misto de emoções e fúria irresistíveis. 

Até mesmo com uma entrada triunfal, vinda diretamente do banheiro (só assistindo para entender), ela domina as cenas em que aparece - praticamente o filme todo. Ao mesmo tempo que enforca, asfixia ou fatia seus inimigos, exibe um sorriso ingênuo ou um olhar assassino.


Dividindo as atenções  temos a ótima interpretação de Idris Elba como "Sanguinário". O nome já diz tudo. Ele toma o lugar que no filme anterior foi de Will Smith, como "Pistoleiro"  e lidera o grupo na missão. Com ele outro rosto famoso do ringue e das telas, fazendo o estilo fortão sem noção - John Cena interpreta o vigilante "Pacificador". O personagem, inclusive, ganhou uma série na TV solo na HBO Max - "Peacemaker".

Além de "O Esquadrão Suicida", os dois atores estão também "Velozes e Furiosos 9", juntamente com Michael Rooker (Sábio). O elenco conta ainda com os superpoderes de David Bolinha (David Dastmalchian), de Caça-Ratos 2 (a atriz portuguesa Daniela Melchior), o Tubarão-Rei Nanaue (que recebe a voz de Sylvester Stallone). 


No segundo time de super-heróis bizarros temos ainda Capitão Boomerang (Jai Courtney), Caça-Ratos 1 (Taika Waititi ), Pensador (Peter Capaldo), Dardo (Flula Borg), OCD (Nathan Fillion), Doninha (Sean Gunn). A atriz brasileira Alice Braga também tem boa participação como a líder dos rebeldes Sol Soria. Joel Kinnaman ("O Informante" - 2019) volta mais "parrudo", bonito e simpático como o coronel Rick Flag.


Se o elenco e suas interpretações já são motivo de sobra para assistir a "O Esquadrão Suicida", a trilha sonora espetacular arrasa, assim como os efeitos visuais. Destaque para as lutas com espadas, especialmente nas mãos de Arlequina.

Apesar de não ter agradado ao público dos EUA, o mesmo não aconteceu no restante do mundo e garantiu, até o momento, uma bilheteria de quase US$ 120 milhões. O valor ainda não chegou à metade do que foi investido na produção - US$ 285 milhões. Mas vale a pena conferir.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: James Gunn
Distribuição: Warner Bros.
Exibição: Nos cinemas e HBO Max
Duração: 2h12
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: Aventura / Ação
Nota: 4 (de 0 a 5)

12 agosto 2021

“O Labirinto” fisga pela retórica. E só.

Thriller de terror é baseado na obra do escritor Donato Carrisi, que também roteiriza e dirige a produção para o cinema (Fotos: Loris T. Zambelli)


Wallace Graciano


A última sexta-feira 13 de 2021 terá um motivo a mais para amantes da sétima arte irem ao cinema. Isso porque nesta quinta, 12, logo na véspera do dia mais “sombrio” do ano, estreia “O Labirinto” ("L'uomo del Labirinto”, no título original) nas salas de todo o Brasil. 

Adaptada da obra literária homônima de Donato Carrisi, que também dirige o filme, a película tem em seu elenco nomes consagrados como Dustin Hoffman e Toni Servillo para levar ao espectador a mergulhar em um labirinto de suspense, onde cada porta se mostra indecifrável, apesar de sua obviedade constante na sequência. 


Sim, parece estranho misturar dois conceitos tão antagônicos, como o óbvio e o suspense, mas é a premissa da película de Carrisi. Nela, Doutor Green (Dustin Hoffman) presta seus cuidados a Samantha (Valentina Bellè), uma jovem que ainda tenta se recuperar de uma incômoda amnésia pós-traumática. 

E a partir desse momento, o espectador mergulha em uma narrativa regressiva na qual aos poucos é bombardeado com informações que levaram a mulher até aquele estado, tentando encaixar as peças do quebra-cabeça em um caminho tortuoso e dúbio de um sequestro que durou 15 minutos.


Paralelamente, Bruno Genko (Toni Servillo) foge dos atributos médicos para procurar o sequestrador de Samantha. Investigador nato, passa a procurar evidências em camadas para solucionar o mistério de quem manteve a jovem em cárcere privado.


Nesse ritmo, os caminhos e motivações se cruzam e Carrisi passa a bagunçar a cabeça do espectador, como se o filme um labirinto fosse. O diretor vai trabalhando conceitos como o suspense, a aflição, a inocência e a maldade em linhas paralelas, que tornam-se perpendiculares em determinados momentos, caminhando para um plot twist iminente. 


Essa narrativa difusa faz com que até mesmo o caráter de vítima da paciente e de investigador de Bruno sejam colocados em xeque durante a narrativa. 

Essa narrativa perturbadora  –  e excitante  – merecia melhor ser combinada com a estética da película, que exagera nas cores quentes e filtros, perdendo todo o teor de suspense que o filme poderia trazer. Ao invés do caráter claustrofóbico que um labirinto poderia trazer, somos levados a sensação que estamos em um pub ‘inferninho” pós-pandemia de Covid.


Em síntese, “O Labirinto” é um filme que te fisga pela narrativa, mas peca demais ao associá-la ao aspecto visual. É um bom entretenimento, mas certamente você verá algum fã da obra literária afirmar que “no livro foi melhor”. E ele terá razão. 


Ficha Técnica
Direção e roteiro: Donato Carrisi
Distribuição: Pandora Filmes
Gêneros: suspense / terror
Exibição: nos cinemas
País: Itália
Duração: 2h10
Classificação: 16 anos

08 agosto 2021

Documentário “Elvis Presley – The Searcher” mostra por que o ídolo continua vivo

Série em dois episódios mostra a influência de diversos gêneros musicais nos sucessos do inesquecível Rei do Rock (Fotos: Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni


Diversos provavelmente vão se queixar: faltou intimidade, novidades sobre o homem, fofocas, segredos. Mas basta um olhar mais atento para entender e aceitar de cara boa a série documental “Elvis Presley – The Searcher” (2018), da HBO Documentary Films, em exibição na Netflix. A começar pelo título, faz todo o sentido chamar o artista de “buscador”, “pesquisador”. Afinal, em sua curta carreira, ele nunca deixou de procurar influências, recriar e inovar.

Dirigida por Thom Zimny, a série de dois episódios tem pouco mais de três horas de duração, tempo necessário para contar, principalmente, a infância do menino pobre que nasceu em Tupelo, no Mississipi, e que, ainda adolescente se mudou para Memphis, no Tennessee, onde foi praticamente descoberto cantando numa festa de colégio.


O doc não deixa dúvidas sobre as primeiras influências do Rei do Rock. Definitivamente, ele era um cantor de “alma negra gospel'', por mais estranho que isso possa soar hoje. A cantoria dos pretos nas igrejas da sua infância foi fundamental na carreira do cantor de voz possante e de longo alcance. 

Do gospel ao country, passando pelo autêntico blues, ele cantou, exaustivamente, pelo simples prazer de cantar, na Beale Street, a famosa rua de bares em Memphis. E haja blues.


É possível que o documentário tenha se prendido mais à infância do cantor, mas os fãs vão adorar saber, por exemplo, que ele foi um filho exemplar, eternamente amoroso e cuidadoso com sua mãe, Gladys. Na verdade, a série deixa transparecer que Elvis foi um bom rapaz, mesmo no seu auge, nos anos de 1960, quando o mundo vivia as rebeliões raciais e sociais e o boom das drogas.


A maior rebeldia do Rei do Rock foi a sensualidade, arma que ele soube usar naturalmente, mas que não serviu de nada quando ele foi convocado pelo Exército norte-americano, no auge da fama, para servir na Alemanha. Há quem diga que foi uma retaliação do governo aos requebros e ao som negro que ele fazia. Resignado, Elvis interrompeu a carreira por dois anos. Os fãs, pacientemente, esperaram.


A resignação, aliás, parece resumir bem a carreira de Elvis Presley, que fez dezenas de péssimos filmes sem querer, se matava em turnês desumanas e foi explorado por um agente que nunca permitiu que ele saísse dos Estados Unidos. O palco, onde ele exercia com maestria, talento e carisma – com resposta sempre apaixonada do público -, parece ter sido seu suficiente lugar.


Jornalistas, produtores, engenheiros de som, amigos e artistas como Bob Dylan e Bruce Springsteen enriquecem, com seus depoimentos, o documentário muito bem amarrado pelo roteiro de Alan Light. A ex-mulher Priscila Presley, claro, também comparece, com entrevistas e filmes caseiros da possível vida doméstica do ídolo, falecido no dia 16 de agosto de 1977.


Saber de Elvis Presley é sempre bom. Melhor ainda é ver imagens inéditas, rever pedacinhos de seus mais de 30 filmes e 1.600 shows e ouvir, de novo, pelo menos 18 dos sucessos mais conhecidos desse artista impecável que gravou – em algumas edições definitivas - mais de 750 canções. Deve ser por isso que dizem que ele não morreu.


Ficha técnica:
Direção: Thom Zimny
Produção: HBO Documentary Films (2018)
Exibição: Netflix
Duração: 3h35 (em dois episódios)
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: documentário / série / biografia

06 agosto 2021

"O Diabo Branco" é um filme de terror que não assusta ninguém

A viagem de férias de um grupo de jovens  se torna um pesadelo nesta coprodução entre Argentina e Brasil (Fotos: Pandora Filmes)


Jean Piter Miranda


Para quem gosta de um filme de terror, já está em cartaz nos cinemas a coprodução entre Brasil e Argentina, “O Diabo Branco” ("El Diablo Blanco"). O longa conta a história de quatro amigos que vão para o interior passar uns dias de férias em uma pousada. Uma espécie de hotel fazenda, bem retirado.

E o que parecia ser uma temporada de descanso e lazer acaba se tornado um tormento com o surgimento de um homem misterioso. O grupo se vê preso em uma lenda maligna que toma conta da pequena cidade.


É bem clichê a história de um grupo de amigos ir para um lugar “mal assombrado”. "O Diabo Branco" parte dessa fórmula, muito utilizada no cinema americano, com pistas deixadas ao longo do filme. Seria um quebra-cabeça para o espectador juntar os pedaços e ficar preso, instigado com os próximos acontecimentos. Mas isso não acontece. Não há nada oculto e nem é preciso fazer muita força pra entender o que está se passando. 

O filme tem ainda outros clichês. Pessoas que parecem hostis a princípio, mas que não são os vilões. Um personagem que parece louco, mas que diz coisas sensatas e importantes. Por parecer descontrolada, ninguém liga. Tem também o mocinho, que banca o corajoso e faz burradas impensadas. É bem incômodo ver tudo isso. Sem contar os erros de roteiro sendo repetidos em uma produção que tenta se vender como novidade. 


E as mortes vão ocorrendo. Mesmo assim, o grupo não consegue ir embora. Pessoas normais fugiriam a pé, mas não ficariam de jeito nenhum. Logo, é um tanto ofensivo para a inteligência de quem está assistindo aceitar que o grupo é tão burro ou tão ingênuo, exatamente por se tratarem de adultos. Os acontecimentos que forçam os jovens a ficarem presos no local não convencem, são situações bem forçadas.


Dá pra notar também que o filme foi feito com um baixo (ou talvez baixíssimo) orçamento. São poucas as locações e cenários e, praticamente, não há efeitos especiais. O elenco é bem pequeno. Não houve nem mesmo o cuidado em caracterizar uma viatura de polícia. É um produto simples, um tanto previsível e bem frustrante por não ter reviravoltas. 

"O Diabo Branco" começa e termina sem grandes emoções. Sem que o espectador consiga ter simpatia pelos protagonistas. A história caminha do início ao fim sem novidades, sem sustos, sem medo, sem nada pra pensar depois. Um filme que destoa muito das grandes produções argentinas dos últimos anos. É uma tentativa de fazer terror que falhou. 



Ficha técnica:

Direção e roteiro: Ignácio Rogers

Distribuição: Pandora Filmes

Exibição: nos cinemas

Duração: 1h23

Países: Argentina / Brasil

Gênero: Terror

Nota: 2,5 (de 0 a 5)

04 agosto 2021

Jason Statham, mais vingativo e sem perder o estilo porrada e tiro, retorna em "Infiltrado"

Produção dirigida por Guy Ritchie é a quarta parceria do diretor com o ator britânico (Fotos: MGM/Divulgação)


Maristela Bretas


Com sangue nos olhos, Jason Statham protagoniza "Infiltrado" ("Wrath of Man"), produção dirigida por Guy Ritchie que estreia dia 26 de agosto nos cinemas. O ator chega com um semblante ainda mais sombrio, em busca de vingança, sem brecha para momentos de ironia ou piadinhas. Como na franquia "Mercenários" (2010, 2012 a 2014), "Velozes e Furiosos - Hobbs & Shaw" (2019) e até mesmo "Megatubarão" (2018).


Trabalhar com Guy Ritchie não é novidade para Statham. Na verdade, o diretor foi quem descobriu o ator em 1998 e o convidou para entrar para o mundo do cinema na produção "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes" (1998). 

A dupla se encontrou novamente em "Snatch - Porcos e Diamantes" (2000) e pela terceira vez em "Revólver" (2005). Dezesseis anos depois, eles se reencontram em "Infiltrado", sem perder o ritmo e o estilo que sempre marcou a carreira do ator.


O novo filme, como era de se esperar, tem muita ação, porrada e tiros. Statham é Harry (ou, como é mais conhecido, "H"), um homem misterioso contratado por uma empresa de carros-fortes que transporta milhões de dólares diariamente pela cidade de Los Angeles.


Com habilidades de luta e grande conhecimento de armas ele consegue se livrar de um assalto. Logo se destaca entre os colegas de trabalho e desperta a atenção dos chefes. O que eles não sabem é o real motivo de Harry estar trabalhando na empresa.


"Infiltrado" é bem conduzido por Guy Ritchie, tem boas cenas de luta, e um elenco que conta, além do protagonista, com Scott Eastwood como o outro nome conhecido. São poucas estrelas que ajudam Statham a se destacar, até mesmo quando está apanhando e pode agradar aos fãs do ator.


Com uma arrecadação superior a 100 milhões de dólares nos cinemas dos EUA e internacionais, além da exibição na plataforma de streaming, somente agora o longa desembarca nas telas brasileiras. Isso pode tirar um pouco o interesse de parte do público de ir ao cinema. Mas é um filme que merece ser visto na tela grande.


Ficha técnica:
Direção: Guy Ritchie
Exibição: nos cinemas 
Distribuição: Imagem Filmes
Duração: 1h59
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: Ação / Suspense
Nota: 3 (de 0 a 5)