Mostrando postagens com marcador #DowntownFilmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #DowntownFilmes. Mostrar todas as postagens

07 abril 2026

“Cinco Tipos de Medo”: thriller brasileiro entrelaça, com qualidade, histórias e personagens

Filme marca a estreia no cinema dos atores de séries e telenovelas Bella Campos e Xamã, que conquistou
o troféu de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado (Fotos: Divulgação)
 
 

Eduardo Jr.

 
O cinema nacional vive, de fato, uma boa fase no quesito qualidade. O exemplo mais recente dessa safra é o interessante “Cinco Tipos de Medo”. Já com alguns prêmios na bagagem, o longa distribuído pela Downtown Filmes estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 9 de abril.  

Dirigido e roteirizado por Bruno Bini, o longa cruza, com habilidade, as histórias de cinco personagens. Talvez a proposta faça alguns leitores aqui se lembrarem do premiado “Crash: No Limite” (EUA, 2004). Ambos começam com reflexões do protagonista, entrelaçam histórias e entregam roteiros surpreendentes. 


Em “Cinco Tipos de Medo”, um jovem músico lida com uma perda e se envolve num romance que traz mais problemas do que paz. É quando começam a se cruzar as histórias de um traficante, um advogado de comportamento suspeito e uma policial com desejo de vingança.

A história se passa na periferia de Cuiabá (MT), cenário pouco explorado no audiovisual brasileiro. Ponto positivo para esta escolha. E apesar de ser um thriller, a direção consegue levar o olhar do espectador para além da tensão típica do gênero, com questões como a Covid-19, relacionamentos abusivos e para a ausência do estado em algumas comunidades, que leva pessoas a contar mais com o crime do que com o poder público.


O início já apresenta algo que chama a atenção, um aviso de que o longa se inspira em histórias reais. Logo depois, é mencionada uma pesquisa (sem informar a fonte ou se é real), sobre os maiores medos do homem: de médico, de lugares fechados, da solidão, de ficar sem dinheiro, e só então, no espantoso quinto lugar da lista, o medo de morrer. 

Bruno Bini, então, vai colorindo suas personagens com as tintas dessas preocupações. 


E o elenco, em sua maioria, dá conta do recado ao imprimir nas personagens esses traços. O filme conta com Bella Campos (Marlene) e Xamã (Sapinho) - ambos estrearam no cinema com este longa -, João Vítor Silva (Murilo), Bárbara Colen (a policial Luciana), Rui Ricardo Diaz (Ivan), Rejane Faria (Antônia), Jonathan Haaggensen (Hugo) e Zecarlos Machado (Régis).   

Criminalidade, suspense e violência dão corpo a esse thriller, que tem cenas apresentadas sem linearidade, mas que se encaixam bem no conjunto da obra. A luz correta, a fotografia bem executada, as conexões das histórias e as reviravoltas agradam bastante. 


Não por acaso o longa conquistou, no Festival de Gramado de 2025, os prêmios de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem, para Bruno Bini, além do troféu de Melhor Ator Coadjuvante para Xamã. E ainda viaja para disputas em festivais internacionais. 

Pode não ser um filme daqueles que conquistam indicações ao Oscar, mas prende o olhar do espectador na tela do início ao fim.  


Ficha Técnica:
Direção e roteiro: Bruno Bini
Produção: Plano B Filmes, Druzina Content, coprodução Quanta
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: salas da rede Cineart
Duração: 1h47
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, ação

01 abril 2025

“Câncer com Ascendente em Virgem”: uma obra sobre luta contra o câncer e amor à vida

Suzana Pires é Clara, uma professora diagnosticada com a doença que vai precisar contar com o apoio
da filha e da mãe (Fotos: Mariana Vianna)


Filipe Matheus
Blog Maravilha de Cinema


Dirigido por Rosane Svartman, “Câncer com Ascendente em Virgem”, estrelado por Suzana Pires, em cartaz nos cinemas, aborda a importância da prevenção contra o câncer de mama e de acreditar em si próprio.

Na trama, Clara (Suzana Pires) é professora de matemática e influenciadora educacional, acostumada a ter tudo sob controle. No entanto, ao receber o diagnóstico de câncer de mama, ela precisa aprender a lidar com a incerteza da vida e aceitar que nem tudo pode ser planejado.

Um dos pontos altos do filme é como ele se conecta com as mulheres, promovendo a conscientização sobre a importância da detecção precoce e dos cuidados preventivos. A produção não apenas sensibiliza o público, mas também oferece um processo de cura e reflexão para aqueles que necessitam.


Além de Suzana Pires, o elenco conta com Marieta Severo, Natalia Costa, Carla Cristina Cardoso, Fabiana Carla, Maria Gal, Giovana Lima, Mariana Costa, Ângelo Paes Leme, Arêne Souza, Júlio Conrad, Heitor Martinez e Yuri Marçal. 

Cada um deles imprime grande profundidade a seu personagem, tocando o coração do espectador e reforçando a importância de discutir o tema.

O longa-metragem é inspirado na história da produtora de cinema Clélia Bessa. Durante o tratamento que a curou de um câncer de mama em 2008, ela criou o blog “Estou Com Câncer e Daí”, transformado em livro, publicado pela Editora Cobogó.


A produção também destaca a importância do apoio de familiares e amigos durante o tratamento, abordando a questão do abandono de mulheres com câncer por parte de seus parceiros. 

Esse é um tema delicado, que não poder ser ignorado, pois a solidão de quem enfrenta a doença pode agravar ainda mais a situação.

É imprescindível que todos os postos médicos ofereçam o tratamento adequado e os exames fundamentais. O filme também aborda sobre a importância de lutar pelos direitos e de não deixar para trás algo tão crucial como a saúde.


A música “Tudo Vai Passar”, de Preta Gil, faz parte da trilha sonora do filme. Em janeiro de 2023, a cantora foi diagnosticada com adenocarcinoma no intestino. Após um tratamento intensivo, que incluiu quimioterapia, radioterapia e cirurgia, ela compartilhou sua experiência e lançou a canção, que se tornou um símbolo de superação. 

Mart'Nália também deixa seu recado ma trilha sonora com o sucesso "Fullgás", de Marina Lima.

Vale a pena conferir “Câncer com Ascendente em Virgem” nos cinemas. O longa vai além de um tema popular. Ele explora a importância de cuidar da saúde, de buscar a felicidade e de estar ao lado de quem amamos. Mais do que um filme sobre a mulher, é uma obra emocionante, inspiradora e indispensável.


Ficha técnica:
Direção: Rosane Svartman
Roteiro: Suzana Pires, Martha Mendonça e Pedro Reinato
Produção: Raccord Produções, com coprodução da Globo Filmes e RioFilme
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h40
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, comédia

10 junho 2024

"Mallandro - O Errado Que Deu Certo" é uma comédia de bordões para os fãs do humorista

Sem deixar a comédia de lado, filme aborda um período difícil da vida do rei das pegadinhas dos anos 1980 (Fotos: Primeiro Plano Comunicação)


Maristela Bretas


Ele fez sua carreira pautada em bordões como "rá!", "ie-ié", "glu-glu", levou milhares de pessoas para a frente das TVs e platéias aos teatros. Caiu, levantou e ainda possui fãs pelo Brasil e fora do país. E é essa a história de "Mallandro - O Errado Que Deu Certo", filme que estreia nos cinemas dia 13 de junho com direção de Marco Antônio de Carvalho.

Antes mesmo da estreia, Sérgio Mallandro percorreu várias cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte, em sessões prévias que atraíram centenas de pessoas às salas de cinema que queriam ver de perto o ídolo dos anos 1980.


O longa aborda um período de perrengues da vida do ator, mostrando as mudanças em seu comportamento, na relação com os filhos e ex-mulheres. 

Sem dinheiro e vivendo das glórias do passado, Sérgio Mallandro precisa se reinventar. Recém eliminado de um reality show e com dívidas se acumulando, ele aceita participar de um piloto para um novo programa de auditório.

Porém, quando uma pegadinha dá errado, ele se vê em uma situação de vida ou morte e precisa tomar uma decisão que pode afetar sua carreira para sempre. Para quem acompanhou a trajetória do ator, uma famosa pegadinha do programa "Festa do Mallandro" é reproduzida no filme.


Além do próprio humorista, o elenco conta com artistas conhecidos da TV, teatro e cinema como André Mattos, Nany People, Lúcio Mauro Filho, Fernando Caruso, Hugo Bonemer, entre outros, que garantem os momentos divertidos.

Já a turma jovem, interpretando os filhos do comediante, é formada por Marianna Alexandre (de "Um Broto Legal" - 2022), como Mila, e Guilherme Garcia (a série "Dom", do Prime Video), no papel de Lucca. O filme conta ainda com as participações especiais da apresentadora Xuxa Meneghel e do ex-jogador Zico, uma boa forma de atrair público.


Carreira

Na TV, Sérgio apresentou programas como o infantil matinal "Oradukapeta", no SBT (1987 a 1990) e "Show do Mallandro", na Globo (1991 a 1993). No SBT, era considerado o rei das pegadinhas e foi dono de um dos quadros mais clássicos do Brasil a “Porta dos Desesperados”. 

No cinema, participou de diversas produções, entre elas os longas "Menino do Rio" (1982), “O Trapalhão na Arca de Noé" (1983), “Garota Dourada” (1984), "As Aventuras de Sérgio Mallandro" (1985), "Sonho de Verão" (1990), "Lua de Cristal" (1990), contracenando com Xuxa, e "Inspetor Faustão e o Mallandro" (1991). 


Em 2019, o humorista também fez uma participação no filme “MIB: Homens de Preto Internacional”. Atualmente, ele apresenta o Podcast Papagaio Falante e também realiza shows de stand-up por todo o país e shows corporativos para grandes empresas.

"Mallandro - O Errado Que Deu Certo", no entanto, é uma produção que se arrasta por longos 102 minutos entre a comédia e o drama. E ouvir, o tempo todo, o comediante repetir seus bordões, até mesmo quando ele tenta deixar de usá-los, é muito cansativo. Chega a ser chato e a diversão poderá não ser a esperada.


Ficha técnica
Direção: Marco Antônio de Carvalho
Produção: Melodrama, com coprodução Telecine e RioFilme
Distribuição: Downtown Filmes
Duração: 1h42
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gêneros: comédia, drama

06 março 2024

Comédia “Os Farofeiros 2” aposta na popularidade do primeiro filme

A viagem do grupo de amigos de empresa para um resort na Bahia tem tudo para dar errado
novamente (Fotos: Camisa Listrada)



Eduardo Jr.


Após uma viagem recheada de problemas, Lima, Alexandre, Rocha e Diguinho estão de volta. Em “Os Farofeiros 2”, o diretor Roberto Santucci agora coloca os quatro colegas de trabalho e suas famílias em uma viagem à Bahia. Distribuído pela Downtown Filmes, o longa chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (7), trazendo piadas que fazem o público se identificar. 

A equipe do Cinema no Escurinho acompanhou a pré-estreia em uma das salas da rede Cineart, e observou uma plateia reagindo bem ao roteiro de Paulo Cursino - que também escreveu para o primeiro filme da franquia. 

Desta vez, a trama tem como ponto de partida a tentativa de Alexandre (Antônio Fragoso) de resgatar a popularidade junto à sua equipe de trabalho, e assim conseguir um cargo mais alto na empresa. 


Ao ganhar uma viagem, o gerente é convencido pela chefe a dividir o prêmio com os colegas, como forma de reconquistá-los. E claro, a temporada em um resort de luxo se transforma em uma farofada (daquelas com situações com as quais muita gente vai se identificar). 

Mas a comédia demora um pouquinho pra conquistar as primeiras risadas, porque começa com os filhos dos protagonistas na escola, convocados pela diretora para explicar porque apresentaram redações idênticas sobre suas férias. Serão eles os narradores dos eventos na Bahia. 

Do conhecido elenco, Lima (Maurício Mafrini), Jussara (Cacau Protásio) e Rocha (Charles Paraventi) conduzem muito bem a comédia. Danielle Winits segue como a madame histriônica, usando caras e bocas (até demais, diga-se de passagem). 

Em contrapartida, o Alexandre vivido por Fragoso não arranca risos. Seu resgate de popularidade fica em segundo plano. 


O mesmo acontece com as personagens Vanete (Elisa Pinheiro), Ellen (Aline Campos) e Diguinho (Nilton Bicudo). Este último está altamente paranoico com a pandemia - deixando margem para questionamentos sobre fazer piada com o Covid-19. 

Outro ponto de gosto duvidoso é a construção de piadas sobre a personagem Darcy (Sulivã Bispo). A despachada gerente do resort é uma mulher trans, e a direção optou por tentar fazer graça com a dificuldade das famílias em saber qual pronome usar para se referir a ela, e sobre o incômodo das esposas em dividir espaço na sauna com a funcionária. 


Apesar desses pontos que podem soar como “contras” da produção, as piadas “de tiozão”, a entrada de figuras como o ótimo personagem Edvan e o uso de paródias de outros filmes colocam “Os Farofeiros 2” com grandes chances de repetir o sucesso de bilheteria do primeiro longa e de cair nas graças do público. 

Curiosidades

- "Os Farofeiros", de 2018, esteve no topo das bilheterias, atraindo mais de um milhão de espectadores. 

_ O primeiro filme estreou há exatos seis anos e repete agora o mesmo elenco. 

- O diretor Roberto Santucci também assina este longa, além de outros sucessos da comédia nacional como “De Pernas para o Ar” (2010), "O Porteiro" (2023) e a trilogia “Até Que a Sorte nos Separe” (2012 a 2015).


Ficha técnica:
Direção: Roberto Santucci
Produção: Camisa Listrada, com coprodução Globo Filmes, Globoplay, Telecine e Panorama Filmes
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h44
Classificação: Livre
País: Brasil
Gêneros: Comédia, família

01 novembro 2023

Longa “Mussum - O Filmis” apresenta o homem por trás do palhaço - que é tão engraçado quanto

Obra joga luz sobre a vida - e dilemas - de Antônio Carlos Bernardes Gomes, um dos maiores humoristas
da TV brasileira (Fotos: Downtown Filmes)
 



Eduardo Jr.


O cartaz de divulgação já revela um dos méritos de “Mussum - O Filmis”: a perfeita caracterização do ator Aílton Graça para viver um personagem que fez o país gargalhar por 25 anos, integrando o humorístico “Os Trapalhões”. 

E a entrega para viver o trapalhão também parece ser a mesma que o então sambista, falecido em 1994, fez décadas atrás. O longa, dirigido por Silvio Guindane e distribuído pela Downtown Filmes, chega aos cinemas no dia 2 de novembro.   


A obra se baseia no livro “Mussum - Uma História de Amor e Samba”, de Juliano Barreto. Para que as páginas se transformassem em produto audiovisual, foram dez anos de espera.

Na pré-estreia do longa em Belo Horizonte, a convite da rede Cineart, o protagonista Aílton Graça nos contou que esses anos de pesquisa foram uma grande descoberta.


Antes de chegar ao auge da carreira do biografado, o espectador é apresentado à infância de Antônio Carlos Bernardes Gomes. Ali estão detalhes pouco conhecidos da vida do Antônio criança (vivido por Thawan Lucas Bandeira), que já demonstrava interesse pelo samba. 

Mas a criação rígida da mãe (personagem de Cacau Protásio na primeira e segunda fases do longa) o levou para um colégio interno, desviando - ou apenas atrasando - um caminho que era inevitável.    


A fase da formação militar e da paixão pela música é vivida pelo humorista Yuri Marçal. As piadas são apresentadas com naturalidade, provavelmente pela experiência de Marçal nos palcos fazendo stand-up. 

Mas o texto e a edição também são trunfos para tirar risos do público. A montagem cola momentos com agilidade, estruturando um tempo de comédia que agrada bastante.


Na fase adulta, Aílton Graça apresenta um Antônio Carlos dedicado ao samba, sem se achar engraçado e voltado à família.  A desenvoltura do protagonista no grupo Originais do Samba e em Os Trapalhões são boas. 

Porém, a perda de ritmo para apresentar a construção e entrada do Mussum no programa de Chico Anísio - a Escolinha do Professor Raimundo - excede na duração.


Vale dizer que, nessa terceira fase, as atuações do elenco crescem na tela. Destaque para Neuza Borges (Dona Malvina), Édio Nunes (Bigode) e Gustavo Nader (Zacarias), que encontraram a medida exata do tom, da profundidade e da firmeza de seus personagens.

"Mussum, O Filmis" traz ainda grandes figuras da cultura brasileira para dividir a tela com o protagonista. Entre elas, Grande Otelo (Nando Cunha), Alcione (Clarice Paixão), Jorge Ben (Ícaro Silva), Cartola (Flávio Bauraqui), Chico Anysio (Vanderlei Bernardino), Garrincha (Wilson Simoninha), Boni (Augusto Madeira), Nilton da Mangueira (Mussunzinho), Milton Carneiro (Marcello Picchi) e Elza Soares (Larissa Luz). 


E claro, Aílton Graça consegue ir além da semelhança física, imprimindo tensões e graça, de acordo com o momento. O protagonista afirma, ainda, que o valor de Antônio Carlos vai além da qualidade artística. A história de Mussum foi emblemática para uma luta que ainda se faz necessária.


Tantas qualidades fazem o filme chegar badalado ao grande público. Apresentado no Festival de Gramado, conquistou seis Kikitos: Melhor Filme, Melhor Filme Pelo Júri Oficial, Melhor Filme Pelo Júri Popular, Melhor Ator para Aílton Graça e Melhor Ator Coadjuvante para Yuri Marçal. 

Premiado ou não, "Mussum - O Filmis" vale o ingresso, a pipoca e até repetir a sessão, pra se divertir com o músico e humorista que atravessa gerações sem perder a graça.


Ficha técnica:
Direção: Silvio Guindane
Roteiro: Paulo Cursino
Produção: Camisa Listrada, com coprodução da Panorama Filmes, Globo Filmes, Globoplay, Telecine, RioFilmes
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h03
País: Brasil
Classificação: 12 anos
Gêneros: comédia, drama

04 outubro 2023

Superficial e incompleto, “Ângela” não consegue contar a verdadeira história da pantera mineira

Atuação de Isis Valverde como Ângela Diniz é convincente e de total entrega à personagem, apesar do roteiro fraco (Fotos: Downtown Filmes)


Mirtes Helena Scalioni


Quem assiste à “Ângela”, sabendo apenas vagamente do rumoroso caso que abalou o Brasil em 1976, vai achar o filme fraco. Quem viu pelos jornais da época a tragédia da pantera mineira, a socialite que morreu brutalmente assassinada à queima-roupa pelo amante ciumento às vésperas de um réveillon em Búzios, talvez ache o longa fraco e vago. 

Mas, quem teve a oportunidade de acompanhar os oito episódios do podcast “Praia dos Ossos” (2020) vai sair do cinema decepcionado, certo de que a história foi muito mal contada, deixando pontas soltas, além de colaborar para que a imagem da moça seja, de novo, achincalhada, como se ela não passasse de uma mulher meio inconsequente e louca por sexo.


Responsável por algumas importantes mudanças na forma de se julgar um feminicídio, o assassinato de Ângela Diniz merecia um filme mais completo, capaz de levar a reflexões ainda hoje necessárias. Em pleno 2023, homens continuam matando mulheres como baratas porque se sentem seus donos. 

Nem mesmo o movimento feminista que, naquele tempo, mobilizou o Brasil a ponto de exigir um segundo julgamento do assassino, foi bem colocado no longa. O tal recorte dos últimos dias da pantera, escrito por Duda de Almeida e dirigido por Hugo Prata, deixa a desejar.

Ângela Diniz e Doca Street (Reprodução)

Para não ficar só na corrente do contra, talvez se possa pinçar algum mérito em “Ângela”: a atuação, convincente e de total entrega, de Isis Valverde. Apesar do roteiro fraco, a atriz mineira consegue revelar nuances de uma mulher moderna, libertária e atrevida, mas ao mesmo tempo melancólica, reflexiva e, de certa forma, solitária. 

Os aplausos podem ser estendidos também a Gabriel Braga Nunes, que faz o ciumento, agressivo e picareta Raul Doca Street, o amante assassino. 


De um modo geral, o elenco é todo um acerto, incluindo Gustavo Machado como o colunista Ibrahim Sued, Chris Couto como a mãe de Ângela, Bianca Bin como Tóia (representando todas as amigas da protagonista), Emilio Orciolo Neto como Moreau, Carolina Mânica como Adelita Scarpa e Alice Carvalho como Lili, a empregada que se torna amiga da patroa na casa de Búzios.


Quem gosta de música também vai poder observar que as guitarras falam muito alto na trilha sonora assinada por Otávio de Moraes, também responsável pelas composições de "Meu Nome é Gal". 

Belos solos embalam e preenchem cenas paradisíacas de praias, ondas que vêm e vão, sol se pondo, lua nascendo e tudo o mais necessário para ilustrar e valorizar um romance – que aliás não se concretiza com beleza – mas parece antever o trágico.

Outro detalhe que chama a atenção no filme, principalmente das mulheres: as cenas tórridas das muitas transas de Ângela e Raul são exageradas e nada plásticas. Há quem diga que nem parece paixão.


Ficha técnica:
Direção: Hugo Prata
Roteiro: Duda de Almeida
Produção: Bravura Cinematográfica, coprodução Star Productions
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: na sala 1 do UNA Cine Belas Artes, sessões às 14 e 18 horas 
Duração: 1h44
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, biografia

15 setembro 2022

Comédia "Uma Pitada de Sorte" trata do sonho nosso de cada dia

Fabiana Karla e Mouhamed Harfouch entregam bons momentos de comicidade como o casal nada romântico (Fotos: Fábio Bouzas/Paris Filmes)


Maristela Bretas


Com estreia nesta quinta-feira (15), "Uma Pitada de Sorte" chega aos cinemas com uma pegada leve, um pouco de romance e situações atrapalhadas que valem pela distração, especialmente pela sintonia da dupla principal, Fabiana Karla e Mouhamed Harfouch. Dirigido por Pedro Antônio, o filme busca mostrar que vale a pena correr atrás dos sonhos, mesmo quando a vida passa muitas rasteiras.

Fabiana interpreta a quase chef Pérola Brandão, uma mulher batalhadora, que sonha um dia ter seu próprio restaurante. Está sempre tentando emplacar suas receitas nos restaurantes onde trabalha e acaba se dando mal por isso. 


Nada parece que vai dar certo para a moça. Uma virada em sua vida a torna um sucesso de TV, ao lado do famoso chef francês Diego Gomes (Ivan Espeche, que segura bem seu papel). Mas isso pode afastá-la ainda mais de seu sonho. 

Companheiro inseparável, mas escondendo seu amor platônico pela amiga de infância está Lugão (Harfouch), ele é o amigo de todas as horas e da vizinhança (faz de tudo e ajuda todo mundo, quase um Homem-Aranha sem teia).


Correndo de um lado para outro, entre a função de sous-chef (auxiliar do chef) e as festas infantis organizadas pela empresa da mãe, Pérola vive esgotada e, além de Lugão, só tem o irmão Fred (JP Rufino) para desabafar. 

A simpatia e o sorriso largo de Fabiana são o maior diferencial de seu personagem. Pena que o roteiro não tenha explorado mais seu lado cômico, bem conhecido de outras produções.


A parte mais engraçada do filme é a seleção da pessoa que irá auxiliar o chef Diego no programa. Há outros bons momentos cômicos, garantidos por  Mouhamed Harfouch como o bombadão apaixonado, a veterana e sempre ótima Jandira Martini (como Dona Gina, mãe de Pérola) e Pedroca Monteiro como Bob, o assistente de produção da TV. 


O jovem JP Rufino começa tímido e vai se soltando já na primeira metade do filme. No elenco estão também Regiane Alves, como Margô, diretora de TV linha dura que não gosta de Pérola; Flávia Reis, a vizinha fofoqueira Raylane; Pablo Sanabio no papel de Vicente, também assistente de produção e vários outros atores conhecidos do público. Até mesmo o cantor Thiaguinho tem participação ultrarrápida e se sai bem. 


Um dos pontos especiais do longa foi a escolha do local para locação: Jurujuba, bairro de Niterói (RJ) de frente para a Baía da Guanabara. Com um visual lindo do mar no fim de tarde, a fotografia ganha destaque na produção. Imagens muito belas. 

O final é previsível como esperado, mas não atrapalha. Para quem procura um filme leve, sem muita pretensão, "Uma Pitada de Sorte" entrega o que se propõe - ser uma comédia romântica.


Ficha técnica:
Direção:
Pedro Antonio
Produção: Melodrama Produções / Globo Filmes / Telecine
Distribuição: Downtown Filmes / Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h33
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gênero: comédia romântica

19 janeiro 2022

Cruel e real, "Pureza" retrata o Brasil invisível onde a abolição da escravatura ainda não chegou

Dira Paes tem interpretação impecável da mulher forte que lutou para encontrar o filho desaparecido (Fotos: Divulgação)


Maristela Bretas


Não bastasse ser um filme sobre uma das maiores chagas do país, o trabalho análogo à escravidão, "Pureza", do diretor Ricardo Barbieri, conseguiu reunir vários outros pontos positivos que vão além da denúncia: fotografia, locação, luz, roteiro e especialmente elenco. 

Ainda que lento no início, o longa vai ganhando vigor quando a protagonista deixa tudo para trás para iniciar sua jornada na busca incansável pelo filho Abel (Matheus Abreu, de "O Segredo dos Diamantes"- 2014) desaparecido há meses.

Com previsão de estreia em 2022 nos cinemas nacionais, “Pureza” já foi exibido em 34 festivais. Ganhou 26 prêmios nacionais e internacionais em 17 países: Brasil, França, EUA, Guadalupe, Itália, Rússia, China, Alemanha, Panamá, Bolívia, Marrocos, Cuba, Reino Unido, México, Argentina, Colômbia e Líbano. 


Dira Paes ("Veneza" - 2019) entrega uma interpretação profunda, real e emocionante de Pureza Loyola, sem esconder as marcas no rosto de uma vida sem descanso. A atriz dá um show, passando da trabalhadora simples, que faz tijolos para sustentar a família, com resignação e humildade, à mãe forte que quer resgatar o filho a qualquer custo. 

Na sua busca, Pureza Loyola se torna meio mãe de outros filhos que também trabalham escravizados em fazendas no Pará. A força e o amor dessa mulher podem ser resumidos numa cena de cortar o coração: a reprodução da Virgem Maria que desce o corpo de Jesus da cruz e reza sobre ele, debaixo de chuva. 


Sem falar nos outros homens, velhos e novos, que só têm na presença daquela mulher um pouco de alento desde que deixaram suas famílias para buscar uma condição melhor de vida e acabaram caindo na armadilha de patrões poderosos que comandam, matam e escravizam impunemente. 

Aos poucos, ela se torna a voz, muitas vezes solitária, daqueles que foram esquecidos, denunciando os fatos às autoridades federais, mesmo que, para conseguir provas, coloque em risco a própria vida.

Adonias Mendes dos Santos ("Baiano"), João Batista Gonçalves Lima ("Siracura") e Milson Gomes de Souza Almeida ("Tiozão")

O longa é quase um documentário, incluindo no elenco 11 ex-trabalhadores rurais que foram resgatados de fazendas e que dão depoimentos tocantes. É o caso de Adonias Mendes dos Santos ("Baiano"), João Batista Gonçalves Lima ("Siracura") e Milson Gomes de Souza Almeida ("Tiozão"), entre muitos outros. 

Como representante dos "vilões" temos a ótima interpretação de Flávio Bauraqui ("Faroeste Caboclo" - 2013) no papel de Narciso, gerente das fazendas e mandante dos assassinatos, que sente prazer com a imagem que criou de si próprio.

A verdadeira Pureza e seu filho Abel (Reprodução)

Além do elenco e da história, ambos fortes e comoventes, Renato Barbieri, que dividiu roteiro e produção com Marcus Ligocki Jr., também contou com um belo trabalho da equipe técnica, desde a fotografia, montagem, figurino à edição e locações. 

O filme foi gravado no Pará, em áreas rurais de Marabá e Itupiranga, com riqueza na reprodução de detalhes. Para completar, é preciso registar a beleza da trilha sonora do compositor americano Kevin Riepl, que contou com duas músicas de Aurélio Santos.

Combate ao trabalho escravo



O diretor também conseguiu reunir abolicionistas que fizeram parte do Grupo de Fiscalização Móvel de Combate ao Trabalho Escravo no país naquela época, composto por integrantes de várias instituições, e também o então ministro Paulo Paiva. Foi a partir daí e da luta de Pureza Loyola que as ações no campo se intensificaram, com maior apoio à atuação dos fiscais do trabalho, também vítimas dos criminosos.


Um exemplo disso foi a Chacina de Unaí (Noroeste de Minas), que no dia 28 de janeiro completa 18 anos. Três auditores fiscais e um motorista, funcionários do Ministério do Trabalho, foram mortos a tiros na região quando investigavam denúncias desde crime em fazendas de café da região. 

De 1995 a 2021, o Grupo Móvel resgatou mais de 55 mil trabalhadores em situação degradante e análoga à escravidão no país. "Pureza" tenta mostrar um pouco dessa triste realidade. É a arte a serviço da justiça social.


Ficha técnica:
Direção: Renato Barbieri
Roteiro: Renato Barbieri e Marcus Ligocki Jr.
Produção: Gaya Filmes / Ligocki Entretenimento
Distribuição: Paris Filmes / Downtown Filmes
Duração: 1h41
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: drama // documentário
Nota: 4,8 (de 0 a 5): 

17 janeiro 2022

"Eduardo e Mônica" é Renato Russo em prosa, verso e vídeo, com simpatia e emoção

Gabriel Leone e Alice Braga formam o casal que vive um grande amor apesar da idade e personalidade diferentes (Fotos: Janine Moraes)


Maristela Bretas


Encantador e envolvente, "Eduardo e Mônica", que estreia dia 20 de janeiro em mais de 500 salas de cinema do país, faz a gente sorrir, cantar e se emocionar com as "coisas feitas pelo coração" Com uma história simples, que muitas pessoas já viveram ou gostariam de viver, o filme traz para as telas a versão do sucesso homônimo da banda Legião Urbana, lançado em 1986 no disco "Dois". 

O diretor René Sampaio e a produtora Bianca De Felippes souberam captar bem a essência da música composta por Renato Russo, ambientando locações e situações à letra. Como fizeram com “Faroeste Caboclo” (2013), outro grande sucesso da banda brasiliense adaptado para o cinema, que foi visto por mais de 1,5 milhão de espectadores. 


"Eduardo e Mônica" foi filmado em 2018 com um custo total de 10 milhões de reais e conquistou em 2020 o prêmio de Melhor Filme no Festival de Edmonton, no Canadá. Alice Braga ("O Esquadrão Suicida" - 2021) e Gabriel Leone formam o casal romântico totalmente diferente que vive um amor de encontros e desencontros na cidade de Brasília nos anos 1980. 

Mesmo com idades e personalidades distintas, Eduardo e Mônica resolvem se conhecer melhor. Mas "ela fazia medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês. Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, de Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud. E o Eduardo gostava de novela e jogava futebol-de-botão com seu avô".


A química da dupla principal funcionou muito bem e é carismática. Como na música, "ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz". Gabriel Leone está fofo como um adolescente de 16 anos, como na letra da música (apesar de seus 28 anos de idade). Entregou uma interpretação simpática, divertida e também dramática quando precisou. Alice está cada dia melhor como atriz e mais parecida fisicamente com a tia, Sônia Braga, principalmente quando sorri. Quanto ao talento, este é inquestionável. 


Outro destaque é a atuação de Victor Lamoglia, que faz o papel de Inácio, amigo de Eduardo, garantindo os momentos divertidos do longa. Também estão no elenco Otávio Augusto (como Bira, avô de Eduardo), Juliana Carneiro da Cunha (Lara, mãe de Mônica), Bruna Spínola (Karina, irmã de Mônica) e Fabrício Boliveira em participação especial relâmpago e até dispensável. Dá a impressão que ele apareceu somente para atrair público e associar com "Faroeste Caboclo" que ele protagonizou.

Com uma equipe de mais de 200 pessoas, "Eduardo e Mônica" foi filmado em Brasília, no Rio de Janeiro e no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, durante oito semanas em 2018. As locações são um destaque à parte da produção, criando a ambientação perfeita, especialmente nos desfiladeiros, quedas d’água e piscinas naturais de uma das áreas ambientais mais bonitas do país.


Em entrevista, o diretor René Sampaio explica que o filme é uma delicada história de amor. "Ela fala, entre outras coisas, sobre como é possível amar e respeitar quem pensa muito diferente de você". Bianca De Felippes conta que era importante ser fiel ao espírito de Renato Russo. "Das músicas compostas por ele, esta é a mais solar. Então, a ideia era manter essa energia". 

Uma playlist da trilha sonora original, composta por Lucas Marcier, Fabiano Krieger e Pedro Guedes, do ARPX Estúdio, foi disponibilizada pela TIM, uma das patrocinadoras do filme, na plataforma de streaming Deezer. Ela pode ser acessada por todos os usuários do app. A coletânea está disponível no link https://www.deezer.com/br/playlist/9793270762. Não deixe de conferir, "Eduardo e Mônica é uma agradável volta no tempo.


Ficha técnica:
Direção: René Sampaio
Produção: Gavea Filmes, Barry Company, Fogo Cerrado e Globo Filmes
Distribuição: Downtown Filmes e Paris Filmes
Exibição: Somente nos cinemas
Duração: 1h54
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gêneros: comédia / drama / romance

30 agosto 2021

Engraçado e propositalmente besteirol, “Amigas de Sorte” tem elenco estelar que merecia mais originalidade

Arlete Salles, Susana Vieira e Rosi Campos formam o divertido trio da comédia em exibição no canal Globoplay (Fotos: Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni

 
Quando morre uma integrante do grupo de quatro amigas paulistas inseparáveis, as três que restaram ficam ainda mais unidas. Nina, dona de uma típica cantina italiana no bairro do Bexiga; Nelita, proprietária de uma loja de antiguidades, e Rita, professora aposentada, são mulheres maduras, beirando os 70 anos, e levam uma vida simples, de dinheiro curto e muita resignação. 

Mas o destino delas começa a mudar quando as três ganham uma bolada na Mega-Sena. Essa é a sinopse de “Amigas de Sorte”, comédia em cartaz no Globoplay que traz no elenco três estrelas da nossa televisão: Arlete Salles (79), Susana Vieira (78) e Rosi Campos (67).


Há quem chame de comédia feminina produções como essa, em que os homens presentes na trama são meros coadjuvantes. Pode ser. Embora não seja nenhuma obra-prima, “Amigas de Sorte” pode cumprir seu papel de provocar riso fácil como convém ao gênero. 

Besteirol popular na acepção da palavra, o filme tem, no elenco brilhante, seu maior mérito. O resto são piadinhas de sexo, estereotipadas velhotas assanhadas, confusões, brigas, desencontros, mentiras, correrias e coincidências nem sempre verossímeis.


Além das três, estão no elenco, em ótimas atuações, entre outros, Klebber Toledo como o galã Gabriel, Otávio Augusto como o marido de Nina e, para quem estava com saudade, até Luana Piovani, que reaparece como uma delegada uruguaia. Em papéis menores, entram Júlio Rocha, Bruno Fagundes e Fernando de Paula.

Quando se descobrem ganhadoras, Nina, Nelita e Rita decidem passear, mas escondem das famílias tanto o prêmio quanto o real destino da viagem. Animadíssimas, vão para Punta Del Este, no Uruguai, onde se hospedam no Conrad, luxuoso hotel cassino, sonho de nove entre dez brasileiros da elite, com suas suítes superconfortáveis, com direito a spa, massagens, champanhe, discoteca. E, claro, não faltam alusões e experiências com a maconha legalizada do Uruguai.


Pela ficha técnica, “Amigas de Sorte” cria certa expectativa. E embora não decepcione totalmente, podia ter menos clichês. Afinal, o argumento é do tarimbado casal Fernanda Young e Alexandre Machado, responsável, entre outras pérolas, pela criação de “Os Normais”. A direção é de Homero Olivetto (“Bruna Surfistinha”, “Reza a Lenda”), o roteiro de Lusa Silvestre, a fotografia de lugares maravilhosos é perfeita e a produção é da Globo Filmes. Ou seja: tudo parece ter sido pensado para fazer sucesso. Deve até fazer.


Só que a pegada, nitidamente comercial, talvez tenha exagerado nos estereótipos. Não que o longa não seja engraçado. Há cenas impagáveis como, por exemplo, quando as três passam pela alfândega e revelam suas maletas repletas de remédios típicos da terceira idade. O elenco, experiente e brilhante, certamente merecia mais originalidade.


Ficha técnica:
Direção:
Homero Olivetto
Exibição: Globoplay
Produção: Globo Filmes / Popcon
Distribuição: Downtown Filmes
Duração: 1h28
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gênero: Comédia