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07 agosto 2019

"Simonal" exalta ascensão do cantor e trata superficialmente acusações de dedo-duro da ditadura

Fabricio Boliveira entrega ótima interpretação do cantor e compositor, dono de uma das vozes mais encantadores do país na década de 1970 (Fotos: Divulgação)

Maristela Bretas


O diretor Leonardo Domingues tinha tudo para, na obra ficcional "Simonal", esclarecer melhor o que levou o cantor a carregar por boa parte de sua vida, até depois de sua morte, a imagem de dedo-duro. Porém, mais da metade do filme explorou a ascensão de Wilson Simonal, cantor negro, vindo de uma favela no Leblon, no Rio de Janeiro, dono de uma das vozes mais bonitas e melodiosas do Brasil e de um suingue que conquistava nas primeiras notas. Se a intenção do diretor era tentar mostrar (mais uma vez) que ele pode ter sido usado como bode expiatório das forças da ditadura militar, ele deixou muito a desejar. 


Na produção, a questão racial foi jogada bem para o final, apenas para justificar a cena inicial, não aprofundando nos fatos que realmente teriam ocorrido e que marcaram a vida de Simonal, destruindo sua meteórica carreira. O diretor deixa a entender que tudo não passou de uma trama armada pela polícia da época. Mas a abordagem foi bem superficial, como se temesse mexer em vespeiro. Deixa mais dúvidas do que explicações sobre a culpa de Simonal ter sido ou não informante da ditadura contra artistas da época.


Quem não conhecia a história do cantor (muitos no cinema nem sabiam quem foi Simonal) só conheceu o dono da bela voz que começou do nada e atraiu multidões pelo país. Mas muitos saíram achando que ele realmente "entregou" geral e se deu mal por isso até sua morte em 2000, aos 62 anos.

Boa reconstituição de época, com várias imagens e figurinos bem trabalhados. Fabrício Boliveira estudou com afinco as características de Wilson Simonal e entrega uma ótima interpretação. Isis Valverde também está bem como Tereza, a esposa do cantor. Leandro Hassum muito caricato, não convence como Carlos Imperial, que conseguia ter uma imagem muito marcante, apesar de ter sido considerado desagradável por muitos à época. Caco Ciocler está mediano como Santana, policial do Dops "amigo" de Simonal. Miele foi bem interpretado por João Velho.


Os filhos de Simonal - Wilson e Max - são os responsáveis pela ótima trilha sonora que reúne várias composições que marcaram a carreira do pai, como "Meu Limão, Meu Limoeiro", "Sá Marina", "Mamãe Passou Açúcar em Mim", "Vesti Azul", "País Tropical" e tantas outras. Inclusive a polêmica "Tributo a Martin Luther King", que levou Simonal a ter seu primeiro contato com o delegado Santana, do Dops, sob a acusação de se envolver com questões "subversivas".

Carismático e de charme irresistível, Wilson Simonal nasceu para ser uma das maiores vozes de todos os tempos da música brasileira. No entanto, após anos de sucesso conquistado com muito trabalho, seus gastos descontrolados o levaram a, num rompante de ignorância, tomar decisões que marcaram para sempre sua carreira.

Outras produções

Simonal já foi tema de dois outros filmes. No primeiro, "É Simonal" (1970), uma comédia musical dirigida por Domingos Oliveira, o cantor foi o ator principal.  A produção conta a história de um breve romance do cantor com uma fã mineira que foi ao Rio de Janeiro par conhecê-lo. Esquecível!


O segundo, este sim, um ótimo documentário, com depoimentos de pessoas famosas que conviveram com Wilson Simonal no auge da carreira e depois que caiu no esquecimento; "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei", de 2007, foi dirigido por Cláudio Manoel (do "Casseta e Planeta"), Micael Langer e Calvito Leal. Entre os entrevistados estão Luis Carlos Miele, Chico Anysio, Pelé, Ziraldo, os filhos de Simonal - Wilson Simoninha e Max de Castro, além de Jaguar (do Pasquim), Nelson Motta, o maestro Ricardo Cravo Albin, Boninho e Sérgio Cabral, entre outros.

Uma pena, "Simonal" apesar da duração de 1h45, é lento e se preocupa mais com detalhes da vida pessoal e do casamento dele com Tereza do que fazer um bom trabalho investigativo, juntando fatos comprovados sobre o que realmente aconteceu com o cantor e a acusação que sofreu. Uma biografia fraca de ascensão e queda de um ídolo, amado e odiado na mesma proporção. "Simonal" ficou muito a desejar como história. Vale pelas músicas, a produção e o ótimo trabalho de Fabrício Boliveira e Isis Valverde.


Ficha técnica:
Direção: Leonardo Domingues
Produção: Forte Filmes / Globo Filmes
Distribuição: Downtown Filmes 
Duração: 1h45
Gêneros: Drama, Biografia, Musical
País: Brasil
Classificação: 14 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #SimonalOFilme, #WilsonSimonal, #drama, #biografia, #musical, #ForteFilmes, #GloboFilmes, #FabricioBoliveira, #IsisValverde, #EspaçoZ, #Cineart_oficial, @cinemaescurinho

04 julho 2019

Hesitação entre o heroísmo e a vida comum marcam “Homem-Aranha: Longe de Casa”

O super-herói amigo da vizinhança  precisa deixar as férias de lado e assumir a luta contra seres de outra dimensão (Fotos: Sony Pictures/Divulgação)

Amanda Lira


No turbilhão da vida adolescente, como lidar com as contradições entre os desejos pessoais e uma vida heroica? É diante desse dilema que se desdobra a trama de “Homem-Aranha: Longe de Casa” ("Spider-Man: Far From Home"), que estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas. Sem seu mentor, Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Peter Parker (Tom Holland) é, no filme, um jovem um tanto quanto vulnerável, que sofre com a falta de um referencial para se ancorar. 


Em um mundo em que seres humanos desapareceram repentinamente durante cinco anos e voltam após um “blip”, Parker tem planos para férias “comuns”. Sua maior preocupação, afinal, é conquistar, durante uma excursão para Europa com Ned e a turma da escola, o coração de sua amada MJ (Zendaya). Como esperado, as expectativas do jovem logo são frustradas e o Homem-Aranha se vê obrigado a entrar em ação ao ser convocado por Nick Fury (Samuel L. Jackson) para ajudar a enfrentar os ataques dos seres Elementais.


Durante a luta contra o inimigo, Parker encontra, enfim, um novo mentor e desenvolve uma admiração genuína por Quentin Beck (Jake Gyllenhaal), conhecido como Mysterio. O herói, que escancara a existência de um multiverso, admite trazer consigo o know-how para enfrentar os desafios que recairiam sobre a Terra. O filme se desdobra, então, em uma série de plot-twists. Ao longo das pouco mais de duas horas de projeção, o público assiste a intensas cenas de ação que, de forma genial, envolvem tecnologias de drones e hologramas, além das belas paisagens do Velho Continente.


As consecutivas quebras de expectativas, no entanto, podem confundir espectadores desavisados, que não necessariamente acompanham o universo Marvel e suas inúmeras referências. Nesse sentido, as tentativas de didatismo protagonizadas pelos heróis podem, por um lado, soar levemente forçadas para os fãs, e, por outro, insuficientes para o público em geral. Ainda assim, é inegável que o filme reserva boas surpresas, especialmente nos dois créditos finais.


O humor característico do Homem-Aranha mantém-se em “Longe de Casa” com os devidos ares de juventude e de ingenuidade trabalhados por Holland. A insegurança de um garoto apaixonado, a curiosidade de um sobrinho afetuoso e as indecisões de um jovem frente a escolhas difíceis são algumas das facetas de Parker que conferem leveza ao filme. Isso sem falar nas cenas iniciais, que, embora um pouco deslocadas com relação ao tom do filme como um todo, arrancam risadas da plateia.


“Homem-Aranha: Longe de Casa” trabalha bem a humanização do herói (iniciada em "Homem-Aranha: De Volta ao Lar"), especialmente em suas fragilidades e impotências. A necessidade de realizar escolhas, de lidar com as consequências de suas ações e de ter um referencial no qual se inspirar são as principais mensagens do filme, que dá uma boa continuidade a “Vingadores - Ultimato” sem, de forma alguma, colocar um ponto final na saga. Afinal, a revelação reservada para os últimos segundos do longa é uma grande ponta solta que deixa brecha para muita história.


Ficha técnica:
Direção: Jon Watts
Produção: Sony Pictures  / Columbia Pictures / Marvel Studios / Walt Disney Studios 
Distribuição: Sony Pictures 
Duração: 2h10
Gênero: Aventura
País: EUA
Classificação: 10 anos

Tags: #HomemAranhaLongedeCasa, #SpiderMan, #PeterParker, #TomHolland, #JakeGyllenhaal, #aventura, #SonyPictures, #MarvelStudios, #EspacoZ, #cinemaescurinho, #cineart_oficial

27 junho 2019

"Annabelle 3 - De Volta Para Casa" - sustos só começam a partir da metade do filme

A famosa boneca do mal retorna para buscar a alma da filha do famoso casal de paranormais que a prendeu numa caixa de vidro (Fotos: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Com um título que não tem nada a ver com a história do filme, "Annabelle 3 - De Volta Para Casa" ("Annabelle Comes Home"), não é nenhum "Homem-Aranha" e entra para o grupo dos filmes fracos do universo "Invocação do Mal" (que tem sete filmes), ficando atrás de "Annabelle" (2014) e "A Freira" (2018). Quem não assistiu às produções anteriores pode ter dificuldade em entender, apesar da rápida explicação de como a horrenda boneca foi parar na vida e na coleção do famoso casal Ed e Lorraine Warren, interpretados novamente por Patrick Wilson e Vera Farmiga.


Os sustos são poucos e previsíveis, mas ainda pegam alguns poucos incautos no cinema. Ao contrário de "Annabelle 2" que "toca o terror" (como diz meu amigo @tulliodias, do @CinemadeButeco), o novo filme insere também algumas cenas cômicas e rola até um romance - sempre tem um jovem apaixonado e tímido que surge para "salvar" a bela mocinha.


A ordem cronológica está invertida, mas a produção que entra em cartaz nesta quinta-feira encerra a trilogia de Annabelle, o caso mais tenebroso e assustador tratado pelos Warren. A sequência correta seria "Annabelle 2 - A Criação do Mal" (de 2017, o melhor de todos, inclusive da franquia, juntamente com "Invocação do Mal 2", de 2016), que conta a origem da boneca. Em seguida, "Annabelle" (o mais fraco dos três), quando o casal tem seu primeiro contato com o "brinquedo", finalizando com "Annabelle 3".

A "Chuck de vestido", que já era assustadora, em 2014, na versão atual consegue ficar mais medonha. Talvez por ter passado muito tempo trancada num armário de vidro esperando para ser solta por algum curioso sem cérebro que não respeita o aviso na porta de "NÃO ABRIR DE FORMA ALGUMA". Annabelle, que um dia pertenceu a uma menina que morreu, comanda os ataques de personagens e objetos mal-assombrados ou amaldiçoados da Sala dos Artefatos dos Warren aos ocupantes da casa.

Boneca do filme X boneca original

Baseado em fatos reais, a versão para o cinema tratou de criar uma Annabelle extremamente assustadora, ao contrário da verdadeira que era uma boneca de pano até simpática. Ela permanece trancada juntamente com o restante do acervo, no Museu dos Warren, mesmo após a morte do casal.


Se Vera Farmiga e Patrick Wilson eram as estrelas dos outros filmes, desta vez ficou para a jovem Mckenna Grace, como Judy, a filha do casal, impedir que a boneca escape da casa e roube a alma de alguma pessoa. Com ela estão Madison Iseman (sua babá) e Katie Sarife (a amiga dela, Daniela). A jovem está muito bem, enfrentado a boneca do mal como foi ensinada pelos pais.


No novo filme, Ed e Lorraine Warren viajam num fim de semana e deixam a filha Judy aos cuidados de sua babá. Daniela, a amiga da babá vai visitá-las, curiosa com as histórias contadas sobre os pais de Judy. Mas as três passam a correr perigo quando a maligna boneca Annabelle é libertada e, aproveitando que os investigadores paranormais estão fora, tenta capturar a alma da menina.

Boa distração, mas sem muitos avanços na história da boneca. Confesso que esperava mais de "Annabelle 3". O diretor e também um dos roteiristas Gary Daubermane acerta novamente na escolha da trilha sonora, na maquiagem dos personagens do Museu e em alguns efeitos visuais. Mas em 1h46 de duração (que parece mais), deixa para provocar medo somente a partir do meio do filme, em algumas poucas e boas cenas de terror.   Agora é esperar pelo possível oitavo filme da franquia - "The Crocket Man", apresentado em "Invocação do Mal 2".


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Gary Dauberman
Produção: New Line Cinema / Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Duração: 1h46
Gênero: Terror
País: EUA
Classificação: 16 anos
Nota: 3 (0 a 5)

Tags: #Annabelle3, #VeraFarmiga, #PatrickWilson, #MckennaGrace, #CasalWarren, #terror, #WarnerBrosPictures, #EspacoZ, #cinemanoescurinho, #cineart_oficial