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20 maio 2024

"Amigos Imaginários" é o reencontro com as emoções da infância que faz a gente chorar

Longa tem roteiro simples e bem conduzido, que remete a um mundo de fantasia (Fotos: Paramount Pictures)


Maristela Bretas


Se a intenção do diretor, roteirista e produtor John Krasinski era fazer com que uma história simples levasse às lágrimas apenas explorando as emoções e a imaginação, ele conseguiu bem demais. Impossível não tirar o lencinho da bolsa e ficar imune ao longa "Amigos Imaginários" ("If"), em cartaz nos cinemas.

O filme demora para entrar no mundo da fantasia dos personagens que um dia ocuparam a vida de milhões de crianças. Mas a partir do momento que surge o mais fofo deles - Blue (que é roxo), não tem como não se envolver com a história. 


Krasinski também tem importante papel no longa, como o pai da adolescente Bea (Cailey Fleming). Ele e a esposa criaram a filha mostrando que a fantasia e a imaginação são importantes na vida, especialmente nos momentos difíceis. 

Tudo começa quando a jovem precisa se mudar para a casa da avó (a veterana atriz Fiona Shaw) onde passou a infância com os pais. Após a morte da mãe e a doença do pai, Bea se sente deslocada e é incentivada pelo pai a reencontrar sua criatividade. 


Sem perceber o que estava acontecendo, ela começa a ver e interagir com os "migs", que só podem ser vistos por quem abre seu coração para as lembranças e emoções do passado. O encontro com Cal, que tem a aparência humana, vai mudar sua vida e a de todos à sua volta.

Ryan Reynolds está muito bem no papel de Cal, um cara que guarda mágoas do passado, mas que tenta ajudar os migs a reencontrarem seus amigos. O ator deixa de lado a ironia de "Deadpool" para apresentar um personagem que tenta recuperar a alegria de um dia ter sido amado por alguém. A presença de Bea faz com que ele deixe de ser o adulto antipático e mal-humorado para voltar a ficar de bem com a vida.


Destaque para Cailey Fleming, que entrega uma Bea abalada com a perda da mãe e a doença do pai. Mas que reencontra a felicidade ao ajudar os novos amigos diferentões. A jovem atriz (que interpretou a personagem Rey quando menina em "Star Wars: A Ascenção Skywalker" - 2019) se sai muito bem e vai conquistando o público ao longo da trama.

Mas as estrelas da produção são realmente os "Amigos Imaginários". Cada um, com sua história, só quer voltar a ser feliz junto com suas crianças, que agora cresceram e não se lembram mais deles. 

As personalidades são as mais diversas, reproduzindo o que cada uma de suas crianças sentia na época - alegres, faladoras, tímidas, medrosas, ousadas, histéricas, atrapalhadas, mas, acima de tudo, confiantes em seus migs.


O filme é colorido, vibrante, especialmente por causa dos personagens do mundo da fantasia. Enquanto os migs com suas trapalhadas encantam as crianças na plateia, é a pureza das boas lembranças do passado e os reencontros com seus antigos amigos que fazem os adultos se emocionarem e as lágrimas brotarem nos olhos.

Na versão dublada, a voz de Blue é do ator Murilo Benício, enquanto a boneca bailarina Blossom é dublada por Giovanna Antonelli. Até o filho do casal, Pietro, tem participação dando voz ao amigo Fantasma.

Na legendada, grandes nomes do cinema emprestam suas vozes aos "Amigos Imaginários": Emily Blunt (Unicórnio); Matt Damon (Sully); Steve Carell (o fofíssimo e engraçado Blue); Phoebe Waller-Bridge (a boneca Blossom), além de Brad Pitt, Bradley Cooper, George Clooney, Awkwafina, Sam Rockwell, Maya Rudolph, e muitos outros. 


A trilha sonora ganhou a batuta de Michael Giacchino, responsável por sucessos como as franquias "Jurassic World" (2015 a 2022), "Homem-Aranha" (2017 a 2021), "Planeta dos Macacos" (2014 a 2017), "Star Trek" (2009 e 2016), "Missão Impossível" (2006 a 2011), além de animações como "Divertida Mente" (2015), "Ratatouille" (2007) e "Viva - A Vida é Uma Festa"(2017) e dezenas de trilhas de outras obras cinematográficas.

Fica um alerta: após todos os créditos há uma homenagem especial ao ator Louis Gossett Jr., que faleceu em março deste ano, e fez a voz do sábio urso de pelúcia Lewis. 

Não perca a oportunidade de se emocionar e até lembrar de seu Amigo Imaginário da infância. Ah, não se esqueça de levar um lencinho. E se alguém descobrir quem foi a criança de Lewis, me conte, por favor.


Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção: John Krasinski
Produção e Distribuição: Paramount Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h44
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: família, fantasia, comédia, aventura

11 abril 2024

"Ghostbusters - Apocalipse de Gelo" é uma boa e nostálgica sequência do longa de 2021

Elencos dos dois primeiros filmes e da produção de 2021 estão juntos novamente, lutando contra um perigoso vilão que quer congelar o planeta (Fotos: CTMG)


Maristela Bretas


Atenção fãs da franquia, estreia nesta quinta-feira nos cinemas o longa "Ghostbusters - Apocalipse de Gelo" ("Ghostbusters: Frozen Empire"), uma sequência de "Ghostbusters: Mais Além" (2021) que pode agradar. 

Ele explora novamente a nostalgia, trazendo referências em cenas e diálogos ao início da franquia, além da união dos novos caça-fantasmas com os originais, como aconteceu há três anos. 

Gil Kenan, roteirista do filme anterior, assume a direção no lugar de Jason Reitman – que continua no roteiro ao lado de Kenan. A dupla faz uma homenagem ao pai de Jason, Ivan Reitman, que dirigiu os dois primeiros filmes - "Os Caça-Fantasmas" (1984) e "Os Caça-Fantasmas 2" (1989). 


O roteiro dessas duas produções foi escrito por Dan Aykroyd e o ator/diretor/roteirista Harold Ramis (falecido em 2014), que também interpretou o professor Egon Spengler e foi homenageado em 2021. 

Em "Ghostbusters - Apocalipse de Gelo", Callie (Carrie Coon), e seus filhos Trevor (Finn Wolfhard) e Phoebe (Mckenna Grace) agora vivem com o professor Gary Grooberson (Paul Rudd) e se tornaram Caça-Fantasmas. 

Eles assumem a responsabilidade que um dia foi do pai de Callie, o professor Spengler, e seus amigos. A família retorna para o antigo quartel de bombeiros em Nova York, onde funcionava a sede do grupo original. 


A descoberta de um artefato antigo liberta uma entidade maligna que ameaça congelar todo o planeta. Para enfrentar o novo vilão, "Ghostbusters - Apocalipse do Gelo" traz novamente os caça-fantasmas que iniciaram a franquia.

Peter Venkman (Bill Murray), Ray Stantz (Dan Aykroyd) e o agora empresário e financiador dos Caça-Fantasmas, Winston Zeddemore (Ernie Hudson), se juntam aos novos caçadores. 

Eles ainda vão poder contar com a participação da antiga secretária do grupo, Janine Melnitz (Annie Potts) e do prefeito Walter Peck (papel de William Atherton). 


A produção tem várias referências aos filmes originais, a começar pela participação de Geleia, o fantasma verde gosmento. Mas a repaginada de CGI que deram nele não ficou tão simpática e engraçada quanto o primeiro. 

Também estão de volta as perversas e divertidas miniaturas do Homem de Marshmallow Stay Puft, que aproveitam para mostrar que ainda podem aprontar bastante.

Os diálogos da "velha turma" são pura nostalgia. Quem assistiu aos filmes de 1984 e 1989 vai entender as menções que eles fazem às situações engraçadas e de perigo que viveram no passado. A impressão que dá é de que, mais um pouco, entravam em cena Sigourney Weaver e Rick Moranis.


De "Ghostbusters: Mais Além" estão de volta também Logan Kim, como Podcast, e Celeste O´Connor, como Lucky Domingo. O elenco ganha o ótimo reforço de Kumail Nanjiani, que faz o papel do comerciante picareta de objetos antigos, Nadeem Razmaadi, e será peça importante na trama.

Ao contrário do filme anterior, "Ghostbusters - Apocalipse de Gelo" é mais descontraído e retoma o estilo de comédia, graças especialmente à turma antiga, que ganha uma participação maior. 

O destaque da vez fica para a personagem Phoebe, que precisa resolver sua relação com o padrasto e ainda provar que é capaz, com seus 15 anos, de ser uma caça-fantasmas e vencer as forças do mal.


Um ponto negativo é a cena da batalha, que poderia ter sido melhor explorada, especialmente por reunir os dois grupos e colocá-los frente a frente com Garraka e seu exército de fantasmas. 

Durou pouco tempo, poderia ser uma batalha grandiosa, mas pecou em efeitos especiais, atrapalhando a participação do vilão do gelo, que tinha tudo para ser o novo Gozer da franquia.

Mesmo assim, "Ghostbusters - Apocalipse de Gelo" vale a pena assistir nos cinemas e curtir, mais uma vez essa turma junta enfrentando os piores e também os mais divertidos fantasmas. E o diretor já deixou a brecha para um terceiro filme. Alerta: tem cena curta pós-crédito. 


Ficha técnica:
Direção: Gil Kenan
Roteiro: Gil Kenan e Jason Reitman
Produção e distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h56
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, fantasia, comédia

20 março 2024

“Pobres Criaturas”: bizarrices e loucuras para falar de libertação feminina e limites éticos da ciência

Filme é tão bizarro e risível, e ao mesmo tempo tão sério e profundo, que causa desconforto ao espectador (Fotos: Searchlight Pictures)


Mirtes Helena Scalioni


Difícil definir, numa só palavra, o filme “Pobres Criaturas”, dirigido pelo grego Yorgos Lanthimos. De comédia dramática a aventura, de ficção científica a fábula, tudo pode se encaixar nesse longa cujo trunfo é – clara e propositadamente - o estranhamento. 

É tudo tão esquisito, tão bizarro e risível, e ao mesmo tempo tão sério e profundo, que resta ao espectador levar para casa o desconforto que permanece ao final da história. O ganhador de quatro Oscar poderá ser conferido a partir desta quarta-feira (20), no canal Star+.



Como um Frankenstein moderno, o Dr. Godwin Baxter, feito na medida por Willem Dafoe, vive de criar seres estranhíssimos em seu estranhíssimo laboratório. Mas nada se compara a Bella Baxter, a mulher que ele criou a partir do cérebro de um bebê. 

Magistralmente interpretada por Emma Stone, Bella é uma espécie de bebê adulto, que precisa aprender a caminhar, falar, comer, se comunicar, mas, principalmente, conviver.

O filme talvez não fosse o sucesso que é sem Emma, que não por acaso, é a vencedora do Oscar de Melhor Atriz de 2024. Ela hipnotiza e confunde o público, que ri e torce contra - e a favor – da personagem em sua difícil jornada em busca de adaptação no mundo.


Com expressão corporal só vista em grandes artistas, Emma Stone dá o tom certeiro de uma Bella Baxter inteligente e libertária, mas sem filtros, aprendendo a viver num ambiente repleto de regras, limitações e etiquetas, ao mesmo tempo em que se mostra sedenta de conhecimento.

Para além das bizarrices, “Pobres Criaturas”, que é baseado no livro do britânico Alasdair Gray, desperta boas reflexões sobre a luta pela libertação das mulheres, cuja sexualidade foi – e é – historicamente tolhida. E ainda esbarra no debate do limite ético – ou a falta dele – nos experimentos científicos. Afinal, o Dr. Godwin Baxter é quase um Deus. Não por acaso, Bella Baxter, sua mais incrível criação, o chama de God.


É preciso falar também das atuações de Ramy Youssef e Mark Ruffalo, que enriquecem o filme com interpretações seguras. O primeiro, como Max McCandless, o romântico noivo de Bella, e o segundo como o astuto advogado Duncan Wedderburn, que a leva para conhecer o mundo. 

São nessas viagens que a estranha criatura descobre, além do próprio corpo, os livros, a filosofia, a esperteza, as diferenças sociais, a miséria e até Deus.


Precioso e impagável é o momento em que Bella Baxter foge do hotel onde está hospedada em Lisboa e sai, sozinha, caminhando a esmo pelos becos e ruelas da cidade. Até que um som chama a sua atenção. Numa varanda, uma mulher toca maravilhosamente um fado. 

Atônita e claramente envolvida pela música, aquela estranha e rústica criatura se deixa envolver e se emociona. Uma cena rápida, mas tocante, que só poderia ser feita – e entendida – por uma grande atriz.


Ficha técnica
Direção: Yorgos Lanthimos
Produção: Searchlights Pictures e Film4
Distribuição: 20th Century Studios
Exibição: Canal Star+
Duração: 2h21
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: drama, fantasia, romance, comédia

17 março 2024

"Donzela" - insubordinação ao destino e sede de viver

Produção reúne fantasia, ação, um dragão vingativo e uma princesa nada convencional (Fotos: Netflix)


Silvana Monteiro 


Millie Bobby Brown, que interpretou Eleven em "Stranger Things" (2016 a 2024 - 5 temporadas), dá vida à princesa Elodie, uma figura insubmissa disposta a uma luta sangrenta no filme "Donzela" ("Damsel"), disponível na Netflix. O longa estreou no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e, como não poderia deixar de ser, traz consigo uma perspectiva feminista.

A narrativa, que figura entre as dez mais assistidas desde o lançamento, inicia-se com uma proposta não convencional: um conto de fadas no qual a princesa não é salva por um príncipe em um cavalo branco. 


O que se segue é um enredo que remete à clássica história de "Barba Azul", mas com um enigmático plot twist. A família real busca uma noiva para o príncipe, porém com uma intenção macabra, que é posta em prática logo após a troca de alianças.

A genialidade do filme reside nos diálogos entre a vítima e sua algoz, um dragão (voz original de Shohreh Aghdashloo, de "Renfield - Dando o Sangue Pelo Chefe" - 2023) atormentado por uma dor incurável e com um compromisso de vingança contra a família real que se estende às futuras princesas. 


As reviravoltas são rápidas. Apesar de ter pouco mais de 1 hora e 40 minutos de duração, o filme transmite uma sensação de concisão e possui um ritmo muito bom. 

Poderia explorar mais a lenda e aprofundar-se nas tramas da maldição, mas a magia, as cenas de redenção e os desafios empreendidos pela princesa Elodie são satisfatórios e compensam, em certa medida, essas falhas. A fotografia é a cereja do bolo no filme, o que vai encher os olhos dos amantes dessa técnica. 


A direção é de Juan Carlos Fresnadillo, o roteiro foi escrito por Dan Mazeau e a própria Millie Bobby Brown assume a produção executiva, como fez em “Enola Holmes” (2020). 

O elenco conta com nomes como Ray Winstone (“Viúva Negra” – 2021) e Angela Bassett (“Pantera Negra” - 2018), como Lord e Lady Bayford, pais de Elodie e da irmã Floria (Brooke Carter);  Robin Wright (“Mulher Maravilha” - 2017), como a rainha Isabelle; e Nick Robinson, como o príncipe Henry (“Com Amor, Simon” - 2018). 

O filme não foi feito para morrer nas lágrimas, mas para surpreender e emocionar em algumas cenas. Se você aprecia contos de fadas às avessas, repletos de resiliência feminina, pegue o controle remoto e embarque nessa história.


Ficha técnica:
Direção: Juan Carlos Fresnadillo
Roteiro: Dan Mazeau
Produção e exibição: Netflix
Duração: 1h48
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, fantasia

07 dezembro 2023

"Wonka" - Uma comédia musical colorida e com muita magia, mas que poderia ser mais curta

Timothée Chalamet interpreta o jovem que criou a maior e mais fantástica fábrica de chocolate do cinema (Fotos: Warner Bros. Pictures)


Maristela Bretas


Antes de sua estreia na segunda parte de "Duna", Timothée Chalamet poderá ser visto no cinema, a partir desta quinta-feira, como protagonista da comédia musical "Wonka", dirigida por Paul King. O filme conta a origem do jovem Willy Wonka que criou "A Fantástica Fábrica de Chocolate", que se transformou em dois filmes de sucesso - o de 1971, com Gene Wilder, e no remake de 2005, com Johnny Depp. Mas não espere a mesma linha nesta produção. 

O diretor deste prequel explorou bem as cores, fez um ótimo trabalho no figurino e na reprodução de época e trouxe de volta a música-tema "Pure Imagination", maior referência às produções passadas, além de uma trilha sonora com algumas canções bem chicletes, como a dos Oompa-Loompas. 


Mas os personagens secundários, especialmente os vilões, são caricatos, e alguns até dispensáveis, como a turma da lavanderia. A história deixa muitos pontos soltos e que sequer foram mencionados ou estão relacionados nas versões passadas. Até por que, os diretores eram outros, com outras linhas de abordagem. A começar por Tim Burton, em 2005.

Timothée Chalamet interpreta Willy Wonka, criador de chocolates perfeitos, com gostos e ingredientes exóticos, como um feito com leite extraído de girafa. O ator, que também canta na produção, é um jovem simples, sonhador e que fazia mágicas. 

Criado com amor pela mãe (Sally Hawkins), Willy acredita na honestidade das pessoas e vai enfrentar muitos obstáculos e inimigos para conseguir realizar seu sonho de fabricar seus doces. Completamente diferente dos personagens adultos e cheios de traumas interpretados por Wilder e Depp.


A turma de coadjuvantes é formada por nomes conhecidos e premiados do cinema, como Olivia Colman, que apesar de fazer o papel da dona do hotel que transforma seus "hóspedes" em escravos, está engraçada em alguns momentos. Mas as cenas com o ajudante (papel de Tom Davis) não acrescentam em nada e só ajudam a aumentar a duração do filme, que poderia ter no máximo 1h30 e não quase 2 horas.

Hugh Grant ("Dungeons & Dragons - Honra entre Rebeldes" - 2023) dá vida ao Oompa-Loompa laranja de cabelo verde, com carregado sotaque britânico. Ele está muito bem, mas o CGI para transformá-lo em um anão é bem questionável e chega a incomodar. A escolha do ator chegou a gerar polêmica, uma vez que os pequenos ajudantes de Wonka sempre foram interpretados por pessoas com nanismo.


Outro britânico que marca presença na parte hilária é Rowan Atkinson (o eterno "Mister Been"), como o pároco local que é chocólatra. Os trejeitos e as caras engraçadas de outros filmes de sua carreira são sua marca registrada e se repetem neste longa. O trio divertido é completo por Keegan-Michael Key, como o chefe de polícia, viciado em chocolate, que vende até a alma por uma caixinha do doce. 

Outro trio que entrega algumas situações engraçadas é o de vilões milionários que dominam o comércio de chocolate na cidade, formado por Mathew Baynton (Fickelgruber), Matt Lucas (Prodnose) e Paterson Joseph (Slugworth). 


"Wonka" é uma comédia musical baseada no clássico livro "A Fantástica Fábrica de Chocolate", do escritor britânico Roald Dahl, e que se não fosse o nome do personagem principal, pouco lembraria as produções anteriores homônimas à obra literária. 

O filme entrega algumas boas mensagens e muita fantasia que vão agradar as crianças, assim como a presença de Chalamet é um atrativo para os fãs do ator. O longa tem, como seu maior destaque, as cenas em que Willy distribui seus chocolates e a abertura de sua loja. Puro encantamento.


Ficha técnica:
Direção: Paul King
Produção: Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h56
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: fantasia, musical, comédia, família, aventura
Nota: 3,7 (0 a 5)

24 novembro 2022

Explore a emoção e diversidade de um "Mundo Estranho" muito fofo e colorido

Uma aventura recheada de fantasia, seres estranhos e uma família nada convencional (Walt Disney Pictures) 


Maristela Bretas


Quer uma animação que faz toda a família se emocionar e sair se sentindo mais leve do cinema? Então assista "Mundo Estranho" ("Strange Word"), mais uma produção do Walt Disney Animation Studios, que não erra ao juntar numa só história aventura, diversidade, relação familiar inter-racial, personagem com deficiência física e fantasia. Tudo com muita cor e fofurice, sob a direção de Don Hall, vencedor do Oscar com "Operação Big Hero" (2015), e Qui Nguyen.


O longa, em cartaz nos cinemas, encanta a todas as idades e traz, como sempre, uma bela mensagem. Algo que o estúdio do Ratinho mais famoso do mundo tem se aprimorado em suas produções e se tornado cada vez mais atuante para mudar conceitos e acabar com o preconceito. 

No elenco de dubladores norte-americanos temos Jake Gyllenhaal (voz de Searcher Clade), Dennis Quaid (o pai Jaeger Clade), Jaboukie Young-White (o jovem Ethan Clade), Gabrielle Union (como a mãe Meridian) e Lucy Liu (como a guerreira Callisto Mal).


Mas o principal está nos seres do tal "Mundo Estranho". São monstrinhos azuis que parecem gelatinas com braços, seres semelhantes a uma ave de papel cor de rosa que voam e comem o que vêm pela frente, peixinhos voadores, dinossauros nada convencionais, gotas douradas que se transformam em flores. 

Tudo com muita vida, capaz de preencher a tela do cinema de uma maneira emocionante e alegre. Até mesmo os "vilões" mais perigosos são simpáticos. 


A história foca nos Clade, uma família nada convencional cujo pai, Jaeger é um famoso explorador. Ele mora com a mulher e o filho no pequeno vilarejo de Avalonia, localizado entre várias montanhas de onde ninguém nunca conseguiu sair. 

Jaeger, no entanto, nunca desistiu de tentar saber o que há além do vale e vive sua vida para isso. Só esqueceu de perguntar ao filho Searcher se ele queria seguir seus passos. Uma grande descoberta, no entanto, vai separar estes dois.


Anos depois, Searcher, agora um homem casado e pai de um adolescente de 16 anos, está feliz como fazendeiro, é respeitado pela comunidade por seu achado que mudou a vida de todos, abomina a ideia de ser um explorador como o pai, mas ainda vive à sombra dele, mesmo ele tendo desaparecido. 

Mas um fato pode mudar a vida de Avalonia e Searcher terá de deixar sua vida tranquila e caseira para enfrentar um mundo novo, inexplorado e nada seguro. E vai descobrir que, por mais que deteste aceitar, está fazendo com Ethan o mesmo que seu pai fez com ele - tentando definir seu destino.


Na balança para equilibrar as relações familiares entre os homens está Meridian, uma mãe carinhosa, que entende muito de mecânica e é uma excelente piloto de aeronaves. Temos também Callisto, uma velha amiga dos Clade, líder destemida de Avalonia e protetora da comunidade.

Claro que uma família não seria a mesma sem um "bichinho de estimação". Para divertir a garotada temos Lenda, a cadela de três patas dos Clade que apronta todas e é a fiel amiga de Ethan.


A animação tem ainda outro ponto que atrai, desta vez os apaixonados por "Star Wars", como eu. São muitas as referências aos filmes da franquia. A animação é uma mistura de ficção e pura fantasia e lembra, em alguns momentos um dos maiores sucessos do estúdio Disney - "Fantasia" -, criado em 1940, que reúne música, cor e magia. 


As crianças pequenas vão se encantar pelos monstrinhos coloridos, mas serão os mais velhos e, especialmente os pais que irão receber uma aula de relação familiar. Com um final surpreendente e encantador, "Mundo Estranho" é uma animação digna de ser assistida numa tela grande, apesar de já haver boatos de que deverá estrear no canal de streaming Disney+ até o Natal deste ano.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Don Hall e Qui Nguyen
Produção: Walt Disney Animation Studios
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h42
Classificação: livre
País: EUA
Gêneros: fantasia, família, animação, ficção

20 novembro 2022

O "dream man" Jason Momoa leva órfã para uma aventura na "Terra dos Sonhos"

Um ótimo filme de aventura e fantasia para ser assistido em família (Fotos: Netflix)


Silvana Monteiro


Para crianças de 8 a 80 anos, "Terra dos Sonhos" ("Slumberland") é um ótimo filme de aventura e fantasia e uma boa pedida para assistir em família. Produzido e exibido pela Netflix, o longa é dirigido por Francis Lawrence e escrito por David Guion e Michael Handelman, baseado na história em quadrinhos "Little Nemo in Slumberland", de Winsor McCay. 


Além de contar com um ator que chama a atenção e já conhecido do público por sua beleza e simpatia - Jason Momoa, o "Aquaman" (2018), do Universo DC. O filme entrega um roteiro intenso e animador ao tratar de realidade, sonhos, pesadelos, luto e depressão, mas de uma forma encantadora.


A história é centrada na menina Nemo - leia se "Nimo" (Marlow Barkley) - que mora em um farol com seu pai, Peter (Kyle Chandler). Educada em casa, ela vive num mundo afetuoso e seguro em sua humilde casa. Mas a morte do pai, além de trazer a orfandade para a criança, vai provocar uma mudança radical em seu modo de viver. 


Ela será levada para a casa do tio Phillip (Chris O'Dowd), um vendedor de maçanetas (uma referência a um desdobramento importante da história). A menina passa a frequentar a escola, mas sente-se segura apenas em seu quarto, de preferência, dormindo.


É na "Terra dos Sonhos" que ela vai viver suas maiores aventuras ao lado de seu bichinho de pelúcia, o porco. Sonhando, Nemo conhece Flip (Jason Momoa), uma figura mitológica que vai levá-la a realizar seu maior desejo.

Entre pérolas marinhas, aves gigantescas, navios, aviões, e muitas portas (numa referência às descobertas e experiências), os dois vão viver aventuras incríveis que prenderão o telespectador. 


Os destaques do filme são os figurinos, a estética dos cenários numa fotografia arrojada e a brilhante ideia de jogar, no meio da história, personagens passageiros, que ficam por poucos minutos, exatamente como acontece quando sonhamos e acordamos. 

Além de Momoa, a Agente Verde (Weruche Opia), que vive perseguindo Flip e Nemo, se destaca pela essência perfeita do Black Power. Seus looks ao estilo dos anos 70 são incríveis. 


A personagem funciona como uma justificativa ao alter ego fora da lei de Flip, como se seu comportamento policialesco, agindo como uma "atrapalhadora" de sonhos, justificasse o arquétipo criminoso do protagonista.

O filme é uma imersão no universo psicanalítico, tem profundas referências à semiótica e a psiquiatria, temas envoltos numa narrativa interessantíssima do mundo onírico. Tudo tratado com bom humor e sensibilidade do início ao fim.


Ficha técnica:
Direção: Francis Lawrence
Produção, distribuição e exibição: Netflix
Duração: 1h57
Classificação: 10 anos
País: EUA
Gêneros: aventura, fantasia, família

29 junho 2022

“Carro Rei” é curioso e instigante, mesmo se perdendo no excesso de discursos

Produção é um prato cheio para apreciadores de ficção científica e tem Matheus Nachtergaele como destaque (Fotos: Boulevard Filmes/Divulgação)


Mirtes Helena Scalioni


Mais do que ousado, “Carro Rei” é um filme estranho. Misturando automóveis que falam, agroecologia, rebelião de máquinas poderosas, tecnologia desenfreada e um certo maniqueísmo de homens versus robótica, a ficção científica dirigida por Renata Pinheiro deixa ao final uma sensação de história mal contada. Talvez até pelo excesso de temas, todos oportunos, certamente, mas nem sempre bem colocados e costurados. O filme estreia nesta quinta-feira na sala 3 do Una Cine Belas Artes.


O roteiro, escrito por Leo Pyrata, Sérgio Oliveira e a própria diretora, chega a ser instigante e curioso: Luciano Pedro Júnior interpreta o filho do dono de uma empresa de táxi. Seu nome, como não poderia deixar de ser, é Uno. 

Na intimidade, o menino solitário e órfão de mãe, e que cresceu entre automóveis, é chamado de Uninho ou Ninho. E ele tem uma particularidade também inusitada, pois, desde criança, se comunica com carros. A voz é do ator Tavinho Teixeira.


Na outra ponta da família está Zé Macaco, tio de Uninho, interpretado magistralmente pelo sempre brilhante Matheus Nachtergaele. Dono de um ferro velho, ele também entende a alma dos automóveis e, embora pareça ser um homem rude, é capaz de alguma subjetividade, nem sempre do lado do bem.

A trama toda começa a esquentar quando o prefeito de Caruaru, cidade onde se passa a história, proíbe que carros fabricados antes de 2003 circulem pelas ruas. O início de uma rebelião e a consequente transformação do velho automóvel em um Carro Rei com plenos poderes ao mesmo tempo em que elevam o tom do longa, pode confundir o espectador.


Para tentar personificar o - digamos - lado bom da história, o roteiro apresenta estranhezas nem sempre justificáveis como a jovem Mercedes (Jules Eiting) que transa com o tal Carro Rei, e a bem intencionada e ecológica Amora (Clara Pinheiro de Oliveira), cheia de ideias de sustentabilidade, de limpar o solo e salvar o Planeta. É a mocinha da história.

Não se pode dizer que “Carro Rei” seja um filme desinteressante. De jeito nenhum. Quem começa a assisti-lo, vai, certamente, chegar até o final, mesmo que seja para descobrir que as causas são boas e os discursos necessários. Mas talvez isso tudo careça de uma maior articulação para desembaralhar e unir as pontas.


Ficha técnica:
Direção:
Renata Pinheiro
Distribuição: Boulevard Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h37
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: fantasia, drama

07 janeiro 2022

"Harry Potter: De Volta a Hogwarts" - um emocionante retorno ao mundo mágico do famoso bruxo

(Fotos: HBO Max e Divulgação)


Maristela Bretas


Passados 20 anos desde a estreia no cinema de "Harry Potter e a Pedra Filosofal" (2001), o famoso bruxinho ainda é capaz de provocar lágrimas e trazer boas lembranças. Prova disso é o especial "Harry Potter: De Volta a Hogwarts", produzido para comemorar as duas décadas de magia e encanto. O documentário está em exibição na HBO Max

Para os fãs e todas as pessoas que tiveram a oportunidade de acompanhar a história de Harry Potter (Daniel Radcliffe), Hermione Granger (Emma Watson), Ron Weasley (Rupert Grint) e seus amigos e inimigos mágicos, o especial é um presente imperdível.


Tudo começa a partir de um convite feito aos atores e diretores que vão contar a história desta saga, dividida em oito filmes, exibidos ao longo de dez anos. Claro que o público é parte importante dessa trajetória. Daniel, Emma e Rupert relembram os bons momentos e as transformações sofridas. 

Desde o primeiro filme, quando tinham 12, 10 e 13 anos respectivamente, até a despedida em "Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte 2", em 2011. De crianças que achavam tudo uma grande diversão a atores adultos encerrando uma das mais marcantes adaptações da literatura juvenil que marcou gerações.


"Harry Potter: De Volta a Hogwarts" não economiza recordações e emoções. Mostra as brincadeiras no set de filmagens, as amizades formadas entre os integrantes do elenco, os erros de gravação, a vibração por uma cena bem realizada, o aprendizado com grandes nomes do cinema britânico e também a tristeza pela perda de alguns deles. 

Inclusive durante as filmagens, como Richard Harris, (que faleceu em 2002), intérprete do poderoso e simpático mestre bruxo Alvo Dumbledore. Uma linda homenagem é prestada a ele e outras grandes estrelas do elenco que já partiram, como Alan Rickman (Severus Snape), que morreu em 2016, e John Hurt (Sr. Ollivaras), em 2017.

Da esq. para direita: Richard Harris, Alam Rickman e John Hurt

É muito bacana ver os atores conversando nos cenários recriados de Hogwarts, contando como eram montados os efeitos usados na época, os diretores falando sobre como foi trabalhar com os atores ainda crianças e também como foi vê-los crescer física e profissionalmente. Mas o que mais atraiu e encantou a todos foi a magia saindo dos livros de J. K. Rowling e ganhando as telas de cinema, atraindo milhares de fãs até hoje. 


Além do trio principal, participam do especial os atores Gary Oldman (Sirius Black), Helena Bonham Carter (Bellatrix), Robbie Coltrane (Rubeus Hagrid), Ralph Fiennes (Lord Voldemort), Tom Felton (Draco Malfoy), os gêmeos James e Oliver Phelps (Fred e George Weasley), Bonnie Wright (Ginny Weasley), Matthew Lewis (Neville Longbottom), Evanna Lynch (Luna Lovegood) e vários outros atores, e diretores como Chris Columbus, responsável pelos dois primeiros filmes.


Tudo isso é mostrado no documentário, com vários atores contando sua experiência na saga e revisitando alguns cenários do primeiro filme, como a escola de magia Hogwarts. Vilões e heróis dividem o mesmo espaço, relembram cenas marcantes, se emocionam e se divertem no encontro. 

Vale muito a pena conferir, uma grande viagem ao Mundo de Harry Potter. Caem até alguns ciscos nos olhos em várias partes do filme, especialmente no final.


Ficha técnica
Exibição: HBO Max
Duração:1h30
Classificação: Livre
Gêneros: Documentário / Fantasia
Nota: 4 (0 a 5)