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23 junho 2022

"Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" é sobre a beleza e o multiverso das relações familiares

Michelle Yeoh é a protagonista desta comédia visionária, que beira o absurdo, capaz de prender do início ao fim (Fotos: Diamond Films)


Marcos Tadeu
blog Narrativa Cinematográfica


Daqueles filmes que você não espera nada e sai extasiado. Pois essa é a definição de "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" ("Everything Everywhere All at Once"), que estreia oficialmente nos cinemas nesta quinta-feira. Aclamado pela crítica com um alto índice de aprovação no Rotten Tomatoes de 96%, o longa é dirigido por Daniel Kwan e Daniel Scheinert, com produção dos irmãos Joe e Antony Russo ("Vingadores: Ultimato" - 2019) e da A24.


Na história conhecemos Evelyn Wang (Michelle Yeoh), dona de uma lavanderia com vários problemas financeiros e familiares - um pai intransigente e doente (o experiente James Hong), uma filha rebelde e um marido acomodado (Ke Huy Quan). Até ser surpreendida por uma situação que envolve multiversos e ameaças que podem explicar quem realmente ela é e as escolhas que tem feito.


Os dramas dos personagens funcionam de maneira orgânica, a começar pela protagonista e todos que estão a sua volta. A trama é dividida em três capítulos que conseguem dar profundidade aos personagens. O tempo de tela é suficiente para que desenvolvam seus conflitos, principalmente os do núcleo de Evelyn, permitindo também que se entenda o porquê de determinadas atitudes.


O filme é um espetáculo gráfico que vale a pena ser contemplado. As direções de arte, de fotografia e de efeitos visuais fazem uma junção perfeita que funciona bem em todos os formatos de exibição da maneira mais criativa possível. A Marvel pode até ter começado a discutir multiversos, mas "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" apresenta um diálogo profundo e inovador sobre a proposta de realidades paralelas.



A montagem é muito bem trabalhada e feita com carinho, o que dá a sensação de um ritmo frenético, mas harmônico, com a preocupação em juntar todas as peças do quebra-cabeça para o telespectador. 

Destaco as atuações de Michelle Yeoh, a nossa heroína que é o ponto chave da narrativa, além de Stephanie Hsu que faz o contraponto, interpretando a filha Joy/Jobu. Menção honrosa para Jamie Lee Curtis como Deirdre Beaubeirdra, o elo que guia toda a história.


"Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" é uma experiência para ser vivida no cinema. Apesar de toda a sua loucura, existe uma sobriedade no enredo que nos confronta como seres humanos em nossos núcleos familiares. 

Me marcaram os temas presentes no filme: a questão da rejeição, o amor próprio, a vida conjugal, tudo isso se resume em um único fim: família. Evelyn sofreu com a rejeição de seu pai e repetiu isso com Joy, ao mesmo tempo em que vê o marido como um cara inútil e sem valor. 


Nesse quesito, a narrativa se preocupa em criar um fio condutor linear e uma conexão para que esses personagens e suas viradas aconteçam. Toda essa jornada da protagonista enfatiza que é possível mudar relações e romper paradigmas. E o principal: é preciso começar a enxergar o outro e aprender a ouvir.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Daniel Scheinert e Daniel Kwan
Produção: IAC Films e A24
Distribuição: Diamond Films
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h19
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação / ficção científica / fantasia

13 junho 2022

"Assassino Sem Rastro" só faz o espectador esquecer da experiência de ver um bom filme

Liam Neeson volta às telas como um assassino de aluguel que está com Alzheimer e quer aposentar (Fotos: Diamond Filmes/Divulgação)



Marcos Tadeu
Blog Narrativa Cinematográfica


Existem filmes incríveis e filmes medianos. "Assassino Sem Rastro" ("Memory"), em cartaz nos cinemas, entra nessa segunda categoria. Confesso que fui conferir porque gosto de Liam Neeson desde "Busca Implacável" (2008), mas do ano desse icônico filme até hoje foram poucas as produções em que o ator entregou algo novo ou diferente.


Na história conhecemos Alex Lewis (Liam Neeson), um assassino de aluguel que quer aposentar sua vida de crimes mas que antes precisa de fazer um último serviço que lhe renderá uma boa grana. Porém, ele descobre que nessa troca de favores com gente do crime terá de executar uma criança. Ao recusar a proposta, passa a ser perseguido por uma rede de corrupção maior do que poderia imaginar.


Nos primeiros minutos do longa, a trama parece ter fôlego suficiente para se sustentar até o final. Principalmente porque o protagonista manda bala e faz justiça com as próprias mãos (apesar de ser clichê, a opção ainda funciona em muitos filmes de ação).

Os carismáticos policiais Vincent Serra (Guy Pearce) e Linda Amistead (Taj Atwal) são o ponto alto da narrativa. Dá para sentir empatia pela dupla, apesar de nosso vilão/protagonista conseguir passá-los para trás.


A trama também aborda a questão do abuso infantil e dos cartéis do narcotráfico. Quem carrega esse papel é Monica Bellucci como a empresária Davana Sealman. Mas na narrativa essas abordagens são tão caricatas que praticamente soam de maneira desconexa perto do restante do filme.

As cenas de ação, a maioria com Alex dando muitos tiros em seus adversários, são até boas. Isso é um dos poucos elementos positivos que Neeson faz e faz bem. O problema maior é na execução do roteiro. Me incomodou as muitas conveniências do roteiro e, principalmente, as atuações.


Quando acrescentamos o ingrediente do Mal de Alzheimer sofrido pelo protagonista, a trama fica em um vai e vem sem fim. Ao mesmo tempo em que Liam Neeson é vilão, a doença o deixa frágil e toda sua construção acaba indo meio que pelos ares.

Algumas vezes, esse artifício do roteiro faz com que o próprio ator soe forçado em seu papel. Existe até uma reviravolta, quase como uma maneira desesperada de fisgar a audiência, mas é tão nos 45 segundos do segundo tempo que faltou um maior desenvolvimento do personagem. "Assassino Sem Rastro" é um filme facilmente esquecível, tanto pelo roteiro fraco quanto por tudo o que o ator tentou entregar.


Ficha técnica:
Direção: Martin Campbell
Produção: Black Bear Pictures, STX Films, Welle Entertainment
Distribuição: Diamond Films
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h54
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, ação

27 abril 2021

“Minari – Em Busca da Felicidade”: o sonho americano não é para todos

Uma família sul-coreana se muda da Califórnia para o interior do país na ilusão de iniciar um negócio (Fotos: Josh Ethan Johnson e Melissa Lukenbaugh / Prokino/ A24)


Mirtes Helena Scalioni


Alguém já disse que “Minari – Em Busca da Felicidade” é um filme sobre a imigração e suas consequências como a falta de adaptação e a sensação de não pertencimento a um grupo. Já foi dito que é sobre a sabedoria da maturidade, mas também definido como uma história familiar, com todas as nuances, afetos, diferenças e conflitos que isso costuma ter. Talvez seja melhor aceitar, então, que o longa dirigido pelo coreano americano Lee Isaac Chung é, na verdade, um pouco disso tudo, além de ser um filme de memórias de sua infância.


Autor também do roteiro, Chung se inspirou na trajetória do próprio pai, que se mudou da Coreia do Sul para os Estados Unidos em busca de alcançar o tão falado sonho americano. Na história, ambientada na década de 80, Jacob (Steven Yeun, um dos produtores executivos junto com Brad Pitt) arrasta sua mulher Mônica (Ye-Ri Han) mais dois filhos da Califórnia para a zona rural do Arkansas, com o firme propósito de cultivar ali vegetais utilizados na culinária coreana, de olho num mercado que ele acredita ser promissor.


Acontece que Jacob se esqueceu de combinar com a esposa, que detestou o lugar e só fala em retornar ao seu emprego de classificar o sexo de pintinhos na granja onde trabalhava na Califórnia. Além de não acreditar no sonho do marido, ela se preocupa também com o filho David (Alan S. Kim) que, aos sete anos, sofre de um problema cardíaco e pode precisar de socorro médico urgente naquele fim de mundo.

Nem mesmo a chegada de Soonja (Yuh-Jung Youn), mãe de Mônica, faz melhorar as relações da família. Embora cooperativa e disposta a ajudar, a avó de David e de Anne (Noel Cho) não consegue harmonizar o ambiente, apesar de a presença sábia ter desencadeado mudanças importantes na trama.


A atuação da sul-coreana Yuh-Jung Youn, de 73 anos, é um capítulo à parte e fez por merecer o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante do Oscar deste ano. Dizem que se trata da Fernanda Montenegro de seu país e não parece exagero. Ela está realmente fantástica no papel de uma velha discreta e equilibrada, que sabe até onde pode chegar para ajudar. Cabe ao seu personagem, a certa altura, esclarecer ao público que minari é um vegetal comestível tipicamente coreano que nasce em lugares úmidos.


Outro destaque é o menino Alan S. Kim. Seu David brilha e convence como uma criança contida e tímida, consciente de suas limitações por causa da doença, mas sempre atento ao que está acontecendo a sua volta. E é utilizando mais olhares e gestos do que palavras que ele e Soonja estabelecem, depois de muitos conflitos, uma relação de cumplicidade entre neto e avó. Anne faz um contraponto ao personagem.

E, correndo por fora, tem Will Patton fazendo Paul, uma espécie de empregado da fazenda que, pateticamente, nas horas vagas, vira um fanático religioso tão bizarro quanto triste de se ver.


“Minari...” não é definitivamente um filme de ação. O longa se arrasta lento, simples, mas prende, graças também à envolvente trilha sonora de Emile Mosseri. Em alguns momentos, o espectador pode até pensar que a trama vai cair no óbvio caso do marido sonhador versus mulher ranzinza pé no chão. Só impressão. 

A história toma outros rumos, surpreende, emociona. E o público fica com a nítida sensação de que não é preciso muito malabarismo para contar a saga de uma família, falar de imigração, xenofobia, sonhos, lembranças, raízes, maturidade, sabedoria...


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Lee Isaac Chung
Produção: A24 e Plan B
Distribuição: Diamond Films
Exibição: Nos cinemas
Duração: 1h55
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gênero: Drama

24 julho 2019

"As Rainhas da Torcida": óbvio, engraçadinho e tipicamente americano, mas emociona

Diane Keaton comanda o primeiro grupo do país de "cheerleaders" da terceira idade, com direito a dança e pompons (Fotos: Universum Film/Divulgação)

Mirtes Helena Scalioni


Por preconceito ou não, dificilmente alguém que entenda minimamente de cinema vai se interessar por um filme chamado "As Rainhas da Torcida". E desta vez, não se pode culpar os tradutores e responsáveis pela versão. O título original é "Poms", algo que talvez signifique "Pompons". Ou seja: nada de atrativo. E quando a produção é classificada como comédia, ficam ainda mais reduzidas as chances de atrair. Acontece que o elenco é encabeçado por Diane Keaton, atriz cujo nome está sempre ligado a bons trabalhos e atuações elogiadas. Está aí um bom motivo para arriscar uma olhadela nas salas onde o filme será exibido a partir desta quinta-feira (25). 


Outra possibilidade que o filme tem de conquistar o público é a sinopse: com problemas de saúde, Martha (Diane Keaton) vai viver numa comunidade de aposentados perto de Phoenix, capital do estado americano do Arizona. Subvertendo as rígidas regras do condomínio, decide criar um grupo de "cheerleaders", o primeiro do país composto apenas por mulheres acima de 60 anos. 



Um detalhe: "cheerleaders" são aquelas meninas normalmente lindas e de corpos perfeitos que costumam rebolar e sacudir pompons para animar jogos nos Estados Unidos. O resumo é, portanto, no mínimo, curioso, e pode despertar o interesse de determinada faixa etária do público. Filmes sobre a maturidade estão na moda e tendem a fazer sucesso.  


Nada mais americano do que líderes de torcida. Nada mais americano do que condomínios cheios de regras onde moram idosos ricos e remediados. Nada mais americano do que desrespeitar essas regras, desde que o fim seja nobre e edificante o suficiente e ainda valorize a atividade física na terceira idade. Nada mais americano do que um bando de gente velha que canta, salta e dança sem se importar com o ridículo das gordurinhas e a falta de jeito. No Brasil, seriam chamadas de "velhinhas ilariê".


Uma curiosidade que pode enriquecer o filme, que tem roteiro e direção de Zara Hayes: além do elenco, majoritariamente feminino, dos cinco componentes da equipe de produção, três são mulheres, além da montadora. Isso talvez confira à produção um olhar marcadamente feminino, com suas particularidades, tons, cores e diálogos, nem sempre delicados. Às vezes, há ironia, principalmente quando o tema é a independência da mulher. 


"As Rainhas da Torcida" é, enfim, uma comédia tipicamente americana, com alguns toques de drama para equilibrar e temperar. Além de Diane Keaton - cuja transformação e expressão corporal impressionam ao longo do filme, na medida em que sua saúde piora - as demais atuações são corretas: Jacki Weaver como a espevitada vizinha de Martha; Celia Weston e Pam Grier como as amigas solidárias Vicki e Olive; Alisha Boe e Charlie Tahan como Chloe e Ben, os inevitáveis personagens jovens que acabam apostando nas velhinhas; e Bruce McGill, como Carl, espécie de xerife do condomínio, meio bravo, meio bonzinho. 

Tudo como o esperado, sem nenhuma surpresa ou novidade. Interessante é que, talvez por ser tão bem construído dentro de obviedades, o filme emociona. Em certos momentos, fica difícil segurar as lágrimas.
Classificação: 12 anos
Duração: 1h31
Distribuição: Diamond Films


Tags: #AsRainhasDaTorcida, #Poms, #DianeKeaton, #DiamondFilms, #comedia, #cinemanoescurinho

15 março 2019

"Suprema" mostra a trajetória de uma mulher contra o machismo e o preconceito

Felicity Jones interpreta a jurista Ruth Bader Ginsburg, primeira mulher a ocupar um cargo na Suprema Corte dos EUA (Fotos: eOne/Divulgação)

Maristela Bretas


Com boa interpretação, Felicity Jones salva o filme "Suprema"  ("On The Basis of Sex") sobre a trajetória da juíza da Suprema Corte dos EUA, Ruth Bader Ginsburg. A personagem, primeira mulher a conquistar um dos cargos mais importantes daquele país entre as décadas de 50 e 60, enfrentou o machismo por ser uma das poucas a se graduar em Direito nas universidades de Harvard e Columbia (dominada pelos homens) e de tentar mostrar todo o seu potencial como profissional. 

Para piorar, RBG era baixinha, mas superava tudo com uma forte personalidade. Desprezada pelos escritórios de advocacia, ela se especializou em direito relacionado ao gênero, decidindo atacar o Estado norte-americano para derrubar centenas de leis que permitiam a discriminação às mulheres.

Em tempos de produções sobre o poder e a força das mulheres, o filme fica muito restrito e dá a impressão e ser apenas para americano ver. Há momentos tá arrastados que chegam a ser chatos, graças à preocupação da diretora Mimi Leder em ser fiel demais à história da juíza, que exagerou na duração - duas horas é muito para uma biografia sem grandes reviravoltas. 

Sem desmerecer as conquistas e a garra de RBG para chegar onde chegou. Especialmente na luta contra a discriminação feminina, seu maior empecilho para crescer e se destacar num mundo feito por homens e para homens. E que insiste em afirmar que "lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos e da cozinha".

Martin Ginsburg, marido de Ruth, interpretado por Armie Hammer, é típico coadjuvante que só recebe algum destaque por ser um dos poucos homens que a apoia em sua luta a favor das mulheres. Mesmo assim, diante dos amigos e do chefe de advocacia onde trabalha, deixa escapar posições machistas também. 

Justin Theroux e Sam Waterson (ótimo) têm mais destaque e entregam melhores interpretações que Hammer, que não perde a cara de cachorro que caiu da mudança. Já Kathy Bates, que interpreta a advogada militante dos direitos humanos Dorothy Kenyon, tem participação pequena e foi mal aproveitada pelo roteiro.

Uma boa ambientação de época, com abordagem correta do que foi o trabalho da jurista (ainda viva e que é apresentada no final) e a importância do seu legado de ativismo. Como biografia atende bem, não chega a emocionar, força algumas situações, mas serve de inspiração para muitas mulheres de brigarem por espaço e igualdade.

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Ficha técnica:
Direção: Mimi Leder
Produção: Participant Media
Distribuição: Diamond Films
Duração: 2h01
Gêneros: Drama / Biografia
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 2,8 (0 a 5)

Tags: #Suprema, #OnTheBasieOfSex, #FelicityJones, #ArmieHammer, #RuthBaderGinsburg, #biogrtadia, #drama, #DiamondFilms, #cinemanoescurinho

03 fevereiro 2019

“Uma Nova Chance” - comédia romântica com Jennifer Lopez no estilo sessão da tarde

Filme conta, com humor, como uma simples vendedora se torna a alta executiva de uma empresa de cosméticos (Fotos: Motion Picture Artwork/Divulgação)

Maristela Bretas


Bem leve e sem grandes pretensões, a comédia romântica “Uma Nova Chance” ("Second Art") tem Jennifer Lopez como protagonista e principal atração. A atriz retoma o estilo que lhe garantiu bons filmes ao longo de 20 anos, como "Encontro de Amor" (2002), "A Sogra" (2005) ou "Plano B" (2010). 

Porém ficou muito limitada pelo fraco roteiro, recheado de clichês, em que a fórmula humor e seriedade não foi bem empregada, resultando num personagem muito comum em alguns momentos. Diria até que a Maya Vargas vivida por Lopez seria uma versão 2018 de Marisa Ventura, interpretada por ela em "Encontro de Amor".

Lopez é a principal vendedora de uma loja de cosméticos e produtos de beleza e está insatisfeita com sua vida profissional. Esta primeira parte da produção apresenta bons momentos cômicos, com o suporte de Leah Rimini (como Joan, sua melhor amiga), Charlyne Yi (Ariana, a funcionária atrapalhada) e Alan Aisenberg (Chase, o químico nerd).

Na segunda parte, Vanessa Hudgens (a estrela de "High School Musical") é Zoe, chefe de Maya, que inicialmente não aceita, mas depois cria laços de amizade com ela. Melodramática a aproximação, mas a química entre as duas atrizes até funciona. O ator Milo Ventimiglia ("Creed II") que faz Trey, o "namorido" sem tempero de Maya, também foi mal aproveitado - entra, some e volta e ninguém nem notou que ele saiu. Até Treat Williams foi tirado do baú e faz um empresário de sucesso que contrata a vendedora.

Com uma história que gira em torno de Maya, "Uma Nova Chance" começa abordando a a insatisfação da vendedora, que não tinha sua competência reconhecida na empresa em que trabalhava. Namorava um cara legal que gostava dela e queria que eles se casassem. Sempre rejeitada por não ter uma graduação, Maya vê sua vida dar uma reviravolta ao ter um perfil profissional falso criado nas redes sociais por seu afilhado, apresentando-a como uma destacada consultora de venda de cosméticos.

Por causa disso, é convidada por uma multinacional do ramo a prestar serviços para a empresa e cai nas graças do dono, desagradando à filha dele. Em meio a novos desafios, ela terá de provar que a experiência adquirida com anos de trabalho e contato direto com o público vale tanto quanto um diploma universitário. No entanto, toda essa mentira e o passado mal resolvido de Maya podem atrapalhar sua ascensão social. O filme é todo ambientado em Nova York e parece um outdoor multimarcas de cosméticos.

Claro que por ser uma comédia romântica o final feliz é esperado, com direito a mensagens do tipo - "a verdade é melhor que a mentira", "as coisas só acontecem quando as pessoas correm atrás de seus sonhos" ou "o amor supera tudo". Mas é graças a Lopez que "Uma Nova Chance" consegue, pelo menos, ser indicado para uma sessão em tarde chuvosa.


Ficha técnica:
Direção: Peter Segal
Produção: STX Films / H. Brothers
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h44
Gêneros: Comédia / Romance
País: EUA
Classificação: 12 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #UmaNovaChance, #JenniferLopez, #VanessaHudgens, #DiamondFilms, #comediaromantica, @cinemanoescurinho

09 novembro 2018

Diamond Films divulga trailer teaser de "UglyDolls", que estreia em 2019



Eles são fofinhos e vão deixar crianças e adultos apaixonados. Conheça um pouco mais sobre os “UglyDolls” no trailer teaser que a Diamond Films acaba de divulgar. A animação, baseada na marca criada por David Horvath e Sun-Min Kim de brinquedos de pelúcia, chega dia 16 de maio de 2019 aos cinemas brasileiros.

Moxy e seus amigos Ox, Ugly Dog, Wage, Babo e Lucky Bat, que moram na colorida e divertida cidade de Uglyville partem para uma aventura ao Instituto da Perfeição. E durante a jornada vão descobrir que não é preciso ser perfeito para ser incrível. Afinal, o que mais importa é quem você realmente é.



Tags: #UglyDolls, #brinquedosdepelucia, #infantil, #animação, #DiamondFilms, #CinemaNoEscurinho


18 outubro 2018

Com história clichê, Jennifer Garner volta à ação pesada em "A Justiceira"

Filme conta a trajetória de uma mulher para vingar a morte de sua família, cujos culpados foram inocentados pela corrupção (Fotos: Tony Rivetti Jr./STXFilms)

Maristela Bretas


Ela já foi a agente Sydney Bristow nas cinco temporadas da série de TV "Alias" (2001 a 2005), interpretou Elektra (personagem dos quadrinhos da Marvel) ao lado do ex-marido Ben Affleck no filme "Demolidor - O Homem Sem Medo" (2003), retomou a super-heroína numa produção solo no ano seguinte e fez seu último filme de ação em 2007, como a agente do FBI Janet Mayes em "O Reino", ao lado de Jamie Foxx.

Onze anos depois, Jennifer Garner retorna aos filmes de ação intensa, com muita luta, tiros, explosões e vingança de sobra para viver "A Justiceira" ("Peppermint"), filme dirigido por Pierre Morel (“Busca Implacável”) que estreia nesta quinta-feira nos cinemas. A bela atriz, em excelente forma física, bate muito (e apanha muito também), mas teve sua atuação prejudicada e não consegue salvar o filme, graças ao fraco roteiro de Chad St. Jones (“Invasão a Londres” - 2016) recheado de clichês e cópia de filmes como "O Justiceiro" (2004) e "Desejo de Matar" (2018). 


A começar pela história: Riley North vê o marido e a filha serem mortos durante um passeio no parque de diversões para comemorar o aniversário da menina. Graças à corrupção sustentada pelo narcotráfico, os culpados são inocentados. Ela passa cinco anos treinando e planejando sua vingança contra todos os envolvidos. 

Jennifer Garner entrega uma boa atuação, primeiro como a mãe e esposa amorosa no início do filme, que se transforma na matadora que proporciona ao expectador muita ação e cenas de extrema violência. Em entrevista ela contou que logo que se uniu ao projeto para interpretar Riley North, em “A Justiceira”, iniciou um treinamento intensivo de fortalecimento corporal e desenvolvimento de habilidades. 


Diariamente, durante horas, a atriz dedicou seu tempo a aulas de boxe, krav maga, musculação, condicionamento físico e dança. “Eu cresci como dançarina e acho que é por isso que a ação faz tanto sentido para mim, é tudo coreografado e usando um método baseado na dança, que funciona muito bem para as cenas de luta”, explica Garner.

Além do condicionamento físico, Garner passou um tempo com os membros da marinha americana para melhorar suas técnicas táticas e de manuseio de armas. “Eu tinha uma compreensão básica de como usar uma arma e trocar a munição, mas já fazia muito tempo”, conta a atriz que fez todas as cenas perigosas sob a orientação da dublê, Shauna Duggins, que a acompanha há quase 20 anos. 



Sem grandes abordagens, "A Justiceira" é só um filme de ação, mas que poderá ser lembrado apenas como a versão feminina de "O Justiceiro", sem nada de novo e desmerecendo o talento da atriz principal para filmes do gênero e que merecia uma produção no padrão de "Alias" (dirigido por J.J. Abrams) ou até melhor. Para piorar, até o restante do elenco é pouco conhecido e sem peso. Acompanhado de pipoca e um refrigerante, "A Justiceira" vale como distração.


Ficha técnica:
Direção: Pierre Morel
Produção: Huayi Brothers Pictures / Lakeshore Entertainment
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h35
Gêneros: Suspense / Ação
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #AJusticeira, #Peppermint, #JenniferGarner, #suspense, #ação, #DiamondFilms, #CinemanoEscurinho

23 setembro 2018

"22 Milhas" tem muita ação, mas roteiro confuso para uma história simples

Mark Wahlberg é o líder de uma equipe de elite que precisa cuidar de um misterioso informante (Fotos: Diamond Films/Divulgação)

Maristela Bretas



Mark Wahlberg repete seu jeito "Transformers de ser" como o mocinho que vai resolver a parada toda com muito tiro e porrada, auxiliado por outros brutamontes. Em "22 Milhas" ("Mile 22"), ele é o líder de uma unidade secreta de elite dos EUA, a Overwatch, chamada sempre quando nem as forças militares nem a diplomacia são suficientes para resolver um conflito. 

A missão do grupo é levar um misterioso informante por um trajeto de 22 milhas até o local de embarque para os EUA onde este irá liberar informações confidenciais sobre uma carga de material radioativo roubada. História simples, sem mistério. Mas o roteirista quis complicar e acabou fazendo de "22 Milhas" um filme extremamente confuso, cheio de rodeios sem explicação, que só permite ao expectador entender a trama depois da metade da exibição.

Tem muita ação, com certeza, bem ao estilo de Wahlberg, mas até o mocinho musculoso tem falas fracas, como se fosse um iniciante. Quando fala, apresenta um personagem antipático e destemperado, como se tivesse com raiva do mundo ou de ter feito o filme, diferente de outros que já interpretou. Pior é ouvir o agente James Silva, papel do ator, gritando o tempo, com comentários machistas sobre a colega de equipe separada que tem uma filha pequena que mora com o pai.

A proposta de "22 Milhas" lembra vagamente a história de "Protegendo o Inimigo" (2012), que teve no elenco Ryan Reynolds, Denzel Washington e Vera Farmiga, que entregaram interpretações bem melhores que Mark Wahlberg, John Malkovich (desperdício de talento) e Lauren Cohan prejudicados pelo roteiro fraco e confuso até na locação - a produção se apresenta como num país no sudeste asiático, mas foi todo filmado na Colômbia (????). O mesmo que gravar em Copacabana e dizer que é uma praia no Taiti. Tudo bem, dos males o menor.

Dirigido por Peter Berg, “22 Milhas” tem ainda no elenco a lutadora de WWE Ronda Rousey e o ator, lutador, coreógrafo de lutas e dublê Iko Uwais, como o policial tailandês Li Noor que tem os segredos do Césio desaparecido e só entrega sua localização após receber asilo nos EUA. Uwais tem uma atuação que se sobressai e está muito melhor que o ator principal, além de dar um show de luta.

Não espere uma história coerente, "22 Milhas" é para aqueles que gostam de muita ação, mesmo que não entendam porque em algumas situações ela está acontecendo. Não foi uma boa investida de Mark Wahlberg e Peter Berg, parceiros em outras boas produções, como “O Grande Herói” (2013) e “O Dia do Atentado (2017), esta última com roteiro ágil e bem articulado que surpreende e emociona.



Ficha técnica:
Direção: Peter Berg
Produção: Film 44 / Closest to The Hole Productions
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h35
Gêneros: Ação / Suspense
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 2,5 (0 a 5)

Tags: #22Milhas, @Mile22Movie, #Mark Wahlberg, #IkoUwais, #LaurenCohan, #JohnMalkovich, #RondaRousey, #ação, #DiamondFilms, #RedeCinemark, #CinemanoEscurinho

15 setembro 2018

"Hotel Artemis" - Um entretenimento que vai bem com uma pipoca

Jodie Foster protagoniza este suspense futurista ambientado quase na íntegra dentro de um hospital para criminosos (Fotos: Matt Kennedy/Diamond Films)

Matheus Ciolete


O filme se passa em 2028 em uma Los Angeles pós-apocalíptica quando há uma rebelião da população, sobretudo contra a empresa Cintra Clearwater, devido a dificuldades causadas pela privatização da água. A enfermeira (Jodie Foster), com a ajuda de seu fiel escudeiro Everest (Dave Bautista), é responsável por um dos hospitais clandestinos que, utilizando tecnologia futurística, tratam criminosos: o Hotel Artemis.

É uma noite agitada e o “hotel” está funcionando em sua capacidade máxima, recheado de bandidos cuja única informação a princípio é o nome do quarto em que estão. São os mais importantes para a trama: Acapulco (Charlie Day), um traficante de armas sem educação; Nice (Sofia Boutella), que faz o tipo “tão gata quanto letal” comum aos filmes de ação hollywoodianos; os irmãos Waikiki (Sterling K Brown) e Honalulu (Brian Tyree Henry), respectivamente o irmão competente e honrado e o incompetente e sem princípios.

As coisas começam a ficar complicadas quando aparecem dois hóspedes inesperados: Orion (Jeff Goldblum), o chefão do crime da cidade, e Mo (Jenny Slate), uma policial que a enfermeira conhecia desde antes da farda. A partir daí a trama de "Hotel Artemis" começa a se desenrolar e vemos as reais intenções de cada personagem durante o longa.

Apesar de a maior parte da ação se passar em um local fechado, o próprio hotel, não há a sensação de aprisionamento ou claustrofobia que costumam ser inerentes a filmes onde a área de ação é limitada e carece de locações amplas e variadas. Ponto positivo que se estende como elogio à direção de Drew Pearce, também roteirista do filme.

A estreia do diretor em longas metragens é marcada por sequências construídas com planos que conseguem alguma profundidade devido à exploração dos corredores do Hotel Artemis. Isto, alternando com algumas tomadas aéreas e às poucas cenas no exterior do prédio fazem tanto o filme quanto o espectador respirarem durante os 97 minutos de exibição.

Toda a trama se desenrola durante apenas uma noite em L.A. e, por isso, em alguns momentos, o filme parece andar rápido demais. Assim alguns personagens devem em profundidade e deixam evidentes as possíveis viradas de roteiro, contribuindo para a previsibilidade do filme.

Uma tentativa digna de nota é a de ressaltar o momento crítico da ação com o auxílio da fotografia. Quando o caldo realmente entorna no hospital, todo o clima é alterado por meio da iluminação vermelha que diegeticamente advém das luzes de segurança do prédio, acionadas quando a energia cai, e que marcam uma mudança na intensidade do filme.

A partir daí, quando o sinal vermelho é ligado, o clima esquenta e a ação se desenrola. As personagens mostram suas habilidades especiais e dividem o filme em duas partes: antes e depois da luz vermelha. Na primeira, onde os personagens se apresentam e a tensão começa a se formar, e na segunda, onde os problemas começam a ser resolvidos, geralmente da forma mais violenta possível. Por fim, e no fim, há ainda a epifania da enfermeira que segue seu caminho em meio à imagem enevoada, sugerindo que o futuro é inevitável e turvo para quem descobriu que “é mais difícil sair que entrar”. 

As superficialidades dos personagens, que deixam o roteiro óbvio demais, são o grande ponto negativo, mas o filme se salva pela boa produção, vide fotografia e direção, bem como pelas boas sequências de luta, em especial as vividas por Nice, e acaba tendo um saldo positivo.

Vale a pena assistir "Hotel Artemis" para quem não espera muito mais de um filme que diversão e um balde de pipoca. Apesar de ter estreado na última quinta-feira nos cinemas brasileiros, a previsão é de que o DVD e o Blu-ray de "Hotel Artemis" comecem a ser vendidos no dia 9 de outubro nos EUA.



Ficha técnica:
Direção e roteiro: Drew Pearce
Distribuição: Diamond Films
Duração: 1h35
Gêneros: Ação / Suspense / Ficção
Países: EUA / Reino Unido
Classificação: 16 anos

Tags: #HotelArtemis, #JodieFoster, #DaveBautista, #DrewPearce, #SofiaBoutella, #CharlieDay, #suspense, #ação, #DiamondFilms, #Cinemark, #CinemanoEscurinho