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06 julho 2026

"Mestres do Universo" - "Pelos poderes de Grayskull... Eu tenho a força!"

He-Man devolve a infância aos fãs, mas também prova que nostalgia sozinha não sustenta um reino,
ainda mais Eternia (Fotos: Sony Pictures)
 
 

Robhson Abreu
Parceiro do Jornal de Belô e Revista PQN

 
Muito antes de os super-heróis dominarem as plataformas de streaming e as bilheterias do cinema, um guerreiro de cabelos loiros, espada em punho e força sobre-humana já mobilizava milhões de crianças brasileiras diante da televisão. 

Exibido diariamente no "Xou da Xuxa", na segunda metade da década de 1980, He-Man e os Mestres do Universo transformou-se em um dos maiores fenômenos de audiência da programação infantil brasileira. 

O sucesso foi tão avassalador que ultrapassou as telas, impulsionou a venda de brinquedos, álbuns de figurinhas e inspirou uma canção gravada pelo grupo infantil Trem da Alegria que, até hoje, permanece viva na memória afetiva de quem cresceu naquela época.

He-Man, o guardião musculoso e bronzeado de Eternia, já ocupava um lugar privilegiado no imaginário de uma geração que transformou o príncipe Adam, o Castelo de Grayskull, Mentor, Teela, a Feiticeira e o temido Esqueleto e sua gangue em personagens inesquecíveis. 

He-Man, série animada de TV (Reprodução)

Quase quatro décadas depois, essa mesma geração, hoje formada por homens e mulheres acima dos 50 anos, volta a encontrar seus heróis nas telonas com o aguardado live-action de "Mestres do Universo" ("Masters of the Universe"), em cartaz nos cinemas da rede Cineart.

Reviver um clássico da cultura pop nunca é tarefa simples. A memória afetiva costuma ser implacável com qualquer adaptação. O diretor Travis Knight ("Bumblebee", 2018) demonstra desde a primeira sequência que conhece o peso dessa responsabilidade. 

Em vez de apostar apenas no apelo nostálgico, constrói uma aventura que respeita o legado da animação e, ao mesmo tempo, entrega um espetáculo visual compatível com as grandes produções contemporâneas. 

Eternia finalmente ganha a grandiosidade que os fãs imaginaram durante décadas, com cenários monumentais, figurinos ricos em detalhes e efeitos especiais que valorizam o universo criado pela Mattel.


O roteiro, assinado por Chris Butler ("Link Perdido", 2019), em parceria com David Callaham ("Homem-Aranha no Aranhaverso", 2018), além dos irmãos Aaron e Adam Nee ("A Cidade Perdida", 2022), preserva a essência dos personagens enquanto atualiza a narrativa para um público mais amplo. 

Algumas passagens poderiam ser mais desenvolvidas e certos conflitos se resolvem com rapidez excessiva, mas a história encontra um bom equilíbrio entre ação, emoção e fidelidade ao material original.

Boas atuações

Nicholas Galitzine ("Uma Ideia de Você", 2024), dublado em português por Garcia Júnior (voz original do herói na TV) entrega um Príncipe Adam convincente e um He-Man fisicamente imponente, transmitindo a evolução do jovem herdeiro até assumir plenamente o papel de defensor de Eternia. 


Mas quem domina boa parte da narrativa é Jared Leto ("Casa Gucci", 2021). Seu Esqueleto está ótimo, reunindo sarcasmo, inteligência e uma presença ameaçadora que transforma cada aparição em um dos grandes momentos do filme. 

O vilão acaba roubando a cena em diversos momentos, confirmando que grandes aventuras também dependem de antagonistas memoráveis.

O elenco de apoio também merece destaque. Idris Elba ("O Esquadrão Suicida", 2021) imprime autoridade, experiência e carisma ao Mentor de Armas, tornando Duncan um dos personagens mais sólidos da produção. 

Sua interpretação transmite a confiança de quem conhece cada batalha travada em Eternia e entende o peso de preparar o verdadeiro campeão de Grayskull, o tímido príncipe Adam.


Outro nome que chama a atenção do público brasileiro é Camila Mendes ("Música", 2024). Filha de pais brasileiros, a atriz assume o papel de Teela com personalidade, coragem e protagonismo. Sua personagem está longe de ocupar uma posição secundária. 

Ela participa das principais sequências de ação, demonstra independência e estabelece uma relação convincente com Adam, tornando-se uma das figuras mais importantes da narrativa.

Morena Baccarin ("Deadpool & Wolverine", 2024) empresta elegância e serenidade à Feiticeira de Grayskull, enquanto Alison Brie ("Bela Vingança", 2020) constrói uma Maligna fria, calculista, lora e ambiciosa, ampliando o clima de tensão que envolve a disputa pelo destino de Eternia.


Em busca da espada do poder

O rei Randor, interpretado por James Purefoy (série "Pennyworth", 2019–2022), e a rainha Marlena, vivida pela atriz Charlotte Riley (minissérie "Peaky Blinders", 2014), enviam Adam aos 10 anos para a Terra, a fim de protegê-lo da invasão liderada por Esqueleto. 

Em um portal mágico aberto pela Feiticeira, o jovem príncipe viaja em uma dimensão e acaba caindo em Oklahoma City, nos Estados Unidos. Durante a travessia, a Espada do Poder se separa dele, e esse é o acontecimento que desencadeia toda a história. 

Quinze anos depois e já com 25 anos de idade, Adam usa o nome Glenn. Ele trabalha no setor de recursos humanos de uma empresa e divide um apartamento com o desconfiado Hussein interpretado por Christian Vunipola ("Nascida Para Cantar", 2024). 

Diariamente ele procura na internet o rumo da Espada do Poder para voltar a Eternia, até encontrá-la e se meter em confusões. 


Ao voltar para casa, Glenn/Adam é perseguido pelo Homem-Fera, interpretado pelo ator Gary Martin ("Minions", 2015). Fiel escudeiro de Esqueleto, ele persegue o príncipe pelas ruas da cidade é uma das principais sequências de ação da primeira parte do filme. E é justamente nesse momento que a bela Teela reaparece para salvar Adam e ajudá-lo a retornar a Eternia.

Esse é um dos principais diferenciais do filme em relação ao desenho do Xou da Xuxa. Na animação, Adam sempre viveu em Eternia e já era o príncipe do reino. No live-action, os roteiristas optaram por construir uma história de origem, mostrando o herói crescendo longe de seu planeta natal antes de assumir definitivamente a força de He-Man. 

Os fãs mais antigos certamente perceberão a ausência de alguns personagens fundamentais na animação original. O tigre Pacato aparece pouco durante o filme até sua aguardada transformação em Gato Guerreiro. 

Embora a escolha prepare o terreno para os próximos capítulos da franquia, fica a sensação de que um dos personagens mais carismáticos de Mestres do Universo merecia maior participação. 


Outro que aparece somente no final do longa é o atrapalhado Gorpo. O pequeno mago, inseparável companheiro de He-Man em praticamente toda a série animada dos anos 1980, sequer integra a aventura principal. 

Para quem acompanhou o desenho desde a infância, sua ausência provoca estranhamento e deixa evidente que a produção preferiu guardar personagens importantes como estratégia para uma futura continuação. Com certeza ele daria maior leveza à história com suas confusões.

Boa trilha sonora

Outro acerto importante em Mestres do Universo está na trilha sonora composta por Daniel Pemberton ("Enola Holmes", 2020, e "Ferrari", 2023). Em vez de viver apenas das lembranças da série animada, o compositor cria uma identidade própria para o filme, alternando momentos épicos e passagens mais emocionais que ampliam a força dramática da história. 

O principal destaque é "Eternia", composta por Pemberton em parceria com o guitarrista Brian May. A faixa abre o filme e ganha uma versão estendida nos créditos finais. O solo de guitarra de May dá à música uma identidade que remete ao rock épico dos anos 1980, uma escolha inspirada na trilha de Flash Gordon (1980), também marcada pela participação do Queen.


Ainda assim, fica a sensação de uma oportunidade perdida. Para o público brasileiro, especialmente aquele que hoje integra a geração 50+, uma discreta homenagem à música composta por Michael Sulivan e Paulo Massadas e gravada pelo Trem da Alegria teria sido um presente inesquecível. A canção ajudou a popularizar He-Man no Brasil e permanece viva na memória afetiva de milhões de fãs. 

Bastaria uma breve referência instrumental, talvez durante os créditos finais, para estabelecer uma conexão emocional ainda mais forte com quem descobriu os heróis de Eternia nas manhãs da eterna rainha dos baixinhos. Nas redes sociais, a Amazon MGM Studios soltou um trailer com a música He-Man, o que levou muito marmanjo aos cinemas.

A produtora fez uma aposta ambiciosa ao investir em uma franquia que marcou profundamente a infância de milhões de pessoas. O resultado demonstra que ainda existe espaço para grandes clássicos quando recebem planejamento, respeito ao material original e qualidade técnica. 

O estúdio deixa claro que pretende transformar "Mestres do Universo" em uma nova franquia cinematográfica.


Vale a pena permanecer na sala até o encerramento completo dos créditos. A cena extra não está ali apenas para cumprir uma tradição de Hollywood. Ela abre caminho para uma continuação e apresenta um importante gancho envolvendo Adora, a irmã gêmea de Adam, a She-Ra, que luta pela honra de Grayskull. 

Isso ampliará o universo da franquia, além de deixar evidente que novas aventuras já fazem parte dos planos da Amazon MGM Studios, embora a confirmação oficial dependa muito do desempenho nas bilheterias e do streaming.

"Mestres do Universo" está longe de ser apenas um exercício de nostalgia. O filme emociona quem cresceu repetindo o juramento diante da Espada do Poder, mas também apresenta esse universo para uma nova geração que só conhece a música do Trem da Alegria. 

Talvez essa seja sua maior qualidade. Mostrar que alguns heróis envelhecem muito bem e que certas lembranças continuam tão poderosas quanto no primeiro dia em que entraram na nossa vida.


Ficha técnica:
Direção: Travis Knight
Produção: Amazon MGM Studios
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: salas da rede Cineart: Boulevard, Cidade e Del Rey
Duração: 2h13
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, fantasia

25 junho 2026

"Supergirl": nem Milly Alcock nem o adorável Krypto conseguem salvar uma heroína sem roteiro

Super-heroína inspiradora que marcou os quadrinhos estreia nova versão nas telonas (Fotos: DC Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Depois do bom recomeço promovido por "Superman", a DC Studios dá um passo atrás com "Supergirl", que estreia hoje nos cinemas. Desta vez, quem acaba prejudicada é justamente a prima do Homem de Aço. 

A talentosa Milly Alcock, destaque da série "A Casa do Dragão", entrega uma atuação convincente, mas esbarra em uma personagem difícil de conquistar o público.

O maior problema não está na atriz, e sim na construção de Kara. Em vez da heroína inspiradora que marcou os quadrinhos e outras adaptações para a TV e o cinema, surge uma jovem amarga, impulsiva e movida quase exclusivamente pela vingança. 

Em diversos momentos, suas atitudes se aproximam mais das de uma vilã do que das de uma super-heroína. Confesso que, para mim, Melissa Benoist continua sendo a melhor intérprete da personagem.


Quem realmente rouba a cena é Krypto. O fiel e atrapalhado cão de Kara é, de longe, o elemento mais divertido do filme. Sempre que aparece, quebra o clima pesado da narrativa e conquista facilmente a simpatia do público. 

Se existe um verdadeiro protagonista carismático nesta produção, ele tem quatro patas. e tem sua origem revelada no filme.

A trama ganha algum fôlego com a chegada de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem que também busca vingança. A relação entre as duas movimenta a história, embora o roteiro não aprofunde suficientemente suas motivações.


Entre os personagens masculinos, Superman (David Corenswet) faz uma participação importante ao conectar os acontecimentos deste filme aos de "Superman" (2025), dirigido por James Gunn, onde Supergirl apareceu pela primeira vez neste novo universo.

Do lado dos vilões, Matthias Schoenaerts ("Operação Red Sparrow" - 2018) interpreta Krem com competência, ainda que sem grandes surpresas e com características pouco marcantes. Já Jason Momoa retorna ao universo da DC em um papel diferente. 


Depois de viver o herói em "Aquaman" (2018), agora assume o personagem Lobo, um caçador de recompensas intergaláctico de visual extravagante e garras afiadas. A mudança soa forçada, e Momoa praticamente repete o mesmo estilo irreverente e desleixado que costuma apresentar em outros personagens.

O roteiro também decepciona. A história aposta em longas sequências de ação, excesso de computação gráfica e efeitos digitais para sustentar uma narrativa que oferece poucas novidades. As cenas de pancadaria ocupam boa parte do tempo, mas pouco acrescentam ao desenvolvimento dos personagens, tornando o filme repetitivo e previsível.


Curiosamente, enquanto "Superman" optou por suavizar a violência, "Supergirl" segue o caminho oposto. Kara demonstra uma crueldade que chega a incomodar, especialmente para quem conhece a personagem dos quadrinhos. 

Como uma das minhas heroínas preferidas da DC, esperava encontrar uma protagonista mais humana, inspiradora e empática, não alguém capaz de matar.

A trilha sonora, por outro lado, merece destaque. "Garota de Ipanema" volta a marcar presença, acompanhada de outras boas escolhas musicais que ajudam a criar alguns dos melhores momentos da produção.


No fim das contas, "Supergirl" certamente vai dividir opiniões. Milly Alcock faz o que pode com o material que recebeu, enquanto Krypto conquista o público sem esforço. Mas isso não basta para esconder um roteiro frágil e uma protagonista que perdeu justamente a principal qualidade que sempre a diferenciou: o carisma. 

Se quiser consolidar seu novo universo cinematográfico, a DC precisará rever alguns conceitos antes dos próximos filmes de seus heróis.

Obs. O filme não tem cenas pós créditos.


Ficha técnica:
Direção: Craig Gillespie
Produção: DC Studios
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h50
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, ficção

11 maio 2026

“O Gênio do Crime”: aventura divertida aposta no carisma dos detetives mirins

Gordo, Edmundo, Pituca e Beré formam o quarteto que vai investigar a falsificação de figurinhas da
Copa do Mundo (Fotos: Pivô Audiovisual)
 
 

Maristela Bretas

 
“O Gênio do Crime”, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, aposta na combinação de aventura, mistério, humor e amizade para conquistar o público infantojuvenil — e também os adultos que cresceram acompanhando histórias de detetives mirins. 

Adaptado da clássica obra literária de João Carlos Marinho, o longa apresenta a Turma do Gordo em uma investigação cheia de reviravoltas envolvendo a falsificação de uma figurinha rara do álbum da Copa do Mundo de 2026.


A trama acompanha João, mais conhecido como Gordo (Francisco Galvão), Edmundo (Samuel Estevam) e Pituca (Breno Kaneto), trio inseparável que ganha o reforço da inteligente e destemida Berenice, a Beré (Bella Alelaf). 

Juntos, eles tentam descobrir quem está produzindo as figurinhas falsas que ameaçam levar à falência a editora Escanteio, comandada pelo Sr. Tomé, personagem de Ailton Graça.

Na tentativa de salvar a empresa, Sr. Tomé acaba se unindo aos adolescentes, que também contam com a ajuda — nem sempre eficiente — do famoso detetive televisivo Mister Mistério, interpretado por Marcos Veras. 


Convencido de que não precisa de ninguém para solucionar casos, o personagem rende alguns dos momentos mais engraçados do filme, funcionando como um alívio cômico que conversa bem com o público infantil.

Ambientado em São Paulo, o longa segue uma linha semelhante à de “Detetives do Prédio Azul” (D.P.A.), fenômeno criado por Flávia Lins e Silva para a TV e posteriormente levado aos cinemas. Assim como na produção carioca, aqui o protagonismo infantil é o grande motor da narrativa, conduzindo uma investigação repleta de pistas, suspeitos e descobertas.


Cada integrante do grupo possui características bem definidas. Gordo é inteligente, curioso e apaixonado por histórias de investigação, especialmente pelo programa de Mister Mistério. Edmundo é o atleta da turma, fanático por futebol e figurinhas, além de ser justamente quem encontra a rara figurinha do Vini Jr., prêmio que garante assistir à final da Copa do Mundo. 

Já Pituca se destaca pelo jeito atrapalhado, carismático e sempre bem-humorado, responsável por boa parte das situações cômicas. A chegada de Beré traz equilíbrio ao grupo: ela é corajosa, observadora e rapidamente se torna peça fundamental na solução do caso.


Os jovens atores funcionam muito bem juntos. Têm naturalidade, carisma e falam diretamente com o público da mesma faixa etária, tornando crível a dinâmica dos “detetives mirins”. O filme acerta especialmente ao construir personagens que se comportam como adolescentes reais, com inseguranças, disputas, amizades e descobertas típicas da idade.

Dirigido por Lipe Binder e produzido por Tiago Mello, “O Gênio do Crime” consegue equilibrar aventura, suspense, ação e humor em um ritmo leve e acessível. 

Ao mesmo tempo, aborda temas importantes sem perder o tom divertido, como a transição da infância para a adolescência, o bullying relacionado ao peso de João, os primeiros interesses amorosos e as mudanças naturais nas amizades.


O elenco conta ainda com atores conhecidos da TV e do cinema que garantem o suporte necessário para a obra: Douglas Silva, Rafael Losso, Marcelo Goes, Fafá Rennó, Favel Andrade, Estevam Nabote, Thelmo Fernandes e Larissa Nunes.

Mesmo sendo um filme essencialmente familiar, há uma cena específica que sugere um crime que pode assustar crianças menores. Ainda assim, o saldo é bastante positivo. 

Com uma narrativa ágil, personagens simpáticos e clima de sessão da tarde, “O Gênio do Crime” tem potencial para iniciar uma nova franquia nacional voltada ao público jovem — algo raro e necessário no cinema brasileiro atual.


Ficha técnica:
Direção: Lipe Binder
Roteiro: Ana Reber
Produção: Boutique Filmes, coprodução com a Globo Filmes e Paris Entretenimento
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h30
Classificação: 10 anos
País: Brasil
Gêneros: aventura, ação, infantojuvenil

07 maio 2026

“Mortal Kombat 2” entrega lutas brutais e nostalgia gamer sem pedir desculpas

Sequência traz Karl Urban no papel de Johnny Cage, personagem conhecido da franquia que foi resgatado
pelo novo roteirista (Fotos: New Line Cinema)
 
 

Maristela Bretas

 
Passados cinco anos desde o lançamento do primeiro filme, estreia nesta quinta-feira nos cinemas Mortal Kombat 2, sequência feita sob medida para agradar aos fãs da clássica franquia dos videogames. E ela sabe exatamente o que quer entregar: violência exagerada, nostalgia e lutas coreografadas como se o controle estivesse nas mãos do público.

Desta vez, o protagonismo sai de cena para dar espaço ao ex-lutador e ator decadente Johnny Cage, vivido por Karl Urban. Mesmo em baixa na carreira, Cage é convocado para integrar os guerreiros da Terra na batalha final contra o impiedoso Shao Kahn, interpretado por Martyn Ford, que ameaça destruir o Reino da Terra e escravizar seus habitantes.


Personagem clássico dos games, Johnny Cage foi resgatado pelo novo roteirista, Jeremy Slater, que substituiu a dupla Dave Callaham e Greg Russo, responsável pelo longa de 2021 (disponível no HBO Max). A mudança funciona muito bem. 

Cage mantém o perfil debochado, arrogante e narcisista dos games, sempre se achando o homem mais bonito do grupo, mas que faz de tudo para escapar da pancadaria.

A valentia só aparece quando perde de seus inseparáveis óculos escuros de astro dos anos 1990. Karl Urban entende perfeitamente o tom do personagem e transforma Cage no grande alívio cômico do filme. 


Seus comentários absurdos arrancam risadas constantes, inclusive dos próprios companheiros de equipe, que frequentemente parecem tão incrédulos quanto o público diante das besteiras que ele fala.

A trama começa após Shao Kahn conquistar dois reinos. Agora, o Reino da Terra é o próximo alvo. Para dominar tudo, porém, ele precisa vencer o torneio Mortal Kombat contra os guardiões liderados por Raiden e reforçados pelo imprevisível Johnny Cage.

Além de Urban, o elenco ganha duas novidades importantes: Adeline Rudolph, como a princesa Kitana, e Tati Gabrielle, no papel de Jade, guerreira fiel ao exército de Shao Kahn. Até mesmo Ed Boon cocriador do game, faz uma rápida participação para agradar aos fãs mais atentos.


O diretor Simon McQuoid também retorna, acompanhado de boa parte do elenco do primeiro longa: Lewis Tan (Cole Young), Tadanobu Asano (Lord Raiden), Hiroyuki Sanada (Hanzo Hasashi/Scorpion), Joe Taslim (Bi-Han/Sub-Zero), Jessica McNamee (Sonya Blade), Josh Lawson (Kano), Ludi Lin (Liu Kang), Mehcad Brooks (Jax), Damon Herriman (Quan Chi), Chin Han (Shang Tsung), Desmond Chiam (Rei Jerrod, entre outros.

E ninguém deve se apegar demais às mortes do filme anterior. Assim como nos jogos, personagens ressuscitam sem cerimônia — embora nem todos retornem do lado certo da luta.


O sangue continua sendo protagonista absoluto. Decapitações, corpos esmagados, crânios destruídos e litros de violência gráfica transformam “Mortal Kombat 2” em um dos filmes mais brutais inspirados em videogames dos últimos tempos. 

Ainda assim, o longa encontra espaço para equilibrar o exagero com humor e fan service. As cenas de luta são o grande destaque. Coreografadas com precisão quase cirúrgica, elas reproduzem movimentos clássicos dos games e evocam a nostalgia dos fliperamas para quem cresceu nos anos 1990 tentando decorar fatalidades.


Simon McQuoid também aproveita muito bem os recursos de IMAX, principalmente no desenho de som e nos efeitos visuais. Há detalhes escondidos em cenários, golpes e enquadramentos que os jogadores mais antigos certamente vão identificar antes mesmo da batalha final começar. E, claro, a icônica música-tema da franquia aparece no momento certo para incendiar a sessão.

“Mortal Kombat 2” não está preocupado em construir uma narrativa complexa ou profunda. Sua missão é entregar entretenimento barulhento, violento e nostálgico — e nisso o filme acerta em cheio.

A franquia, aliás, está longe de terminar. Os produtores já confirmaram o desenvolvimento do terceiro longa, mantendo diretor e roteirista. Agora resta esperar pelo próximo round. Confira o filme e comente aqui o que achou.


Ficha técnica:
Direção:
Simon McQuoid
Roteiro: Jeremy Slater
Produção: New Line Cinema e Broken Road Productions
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h56
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: aventura, ação

26 março 2026

Leve capa de chuva, "Eles Vão Te Matar" e vai chover sangue

Zazie Beetz é a protagonista da carnificina que domina o filme do início ao fim, mesclada com muita
ação e humor ácido que agradam (Fotos: Warner Bros. Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Estreia nesta quinta-feira (26) nos cinemas, com direito a muito sangue jorrando, cabeças e membros cortados e efeitos visuais absurdos, a comédia de terror "Eles Vão Te Matar" ("They Will Kill You"). Se "Casamento Sangrento: A Viúva" (2026) já agradou muitos fãs do gênero, esta nova produção vai deixar o público bem inquieto nas cadeiras do cinema, tamanha a violência e a matança. 

Ao mesmo tempo, os ataques são tão espantosos e sem noção que provocam risos e surpresa no espectador durante toda a trama. Sim, "Eles Vão te Matar" é uma comédia de terror com muita ação, com cenas que lembram a franquia "John Wick" (2014 a 2023), e os filmes "Deadpool" (2016) e "Kill Bill" (2003 e 2004). 

E mesmo com toda essa selvageria, o longa, de 95 minutos de duração, é uma boa surpresa e agrada.


A protagonista Asia Reaves (interpretada por Zazie Beetz, de "Coringa" (2019), "Deadpool 2" (2018) e "Trem Bala" (2022), é quase uma ninja que faz John Wick parecer um garoto de jardim de infância aprendendo a ser um assassino. 

Ela luta com facas, adagas, chaves de fenda; atira com revólver e escopeta - uma verdadeira especialista em armas. Fez curso completo de luta e tiro em 10 anos passados numa penitenciária de mulheres.


No filme, Asia e sua irmã Maria (Myha'la) tentam fugir do pai abusador e violento, mas tudo acaba errado e ela acaba presa. Cumprida a pena, Asia encontra emprego no centenário Hotel Virgil, em Nova York, onde vai descobrir que o luxo e a riqueza do local escondem uma seita satânica - e ela é o novo sacrifício. O que seus matadores não contavam era com a "experiência" da jovem em lidar com "situações de risco".

No elenco, temos ainda nomes conhecidos como Patrícia Arquette (a governanta Lilly), e os moradores permanentes e adoradores da entidade vividos por Tom Felton (Kevin), Heather Graham (Sharon), Paterson Joseph (marido de Lilly), entre outros.


Uma mistura de terror, ação e humor ácido que o diretor Kirill Sokolov soube mesclar bem, com cenas absurdas, deixando o filme eletrizante, sanguinário, mas que também provoca comentários, sustos e risadas - até mesmo quando os corpos são cortados ao meio. 

As cenas de lutas são sincronizadas e bem coreografadas, abusando do slow-motion, e a trilha sonora complementa a ação. Sokolov contou com a experiência de dois especialistas em terror na produção - Andy e Barbara Muschietti -, responsáveis pela série "IT: Bem-Vindos a Derry".


Além do banho de sangue da carnificina que deve ter acabado com o estoque da produtora, as mortes são épicas e cheias de surpresas (não vou dar spoiler!). E quando você acha que há um alívio em uma cena dramática ou outra, elas voltam com carga total, a cada andar do misterioso arranha-céu. 

Recomendo conferir no cinema para aproveitar melhor os efeitos visuais. E leve uma capa de chuva para se proteger dos respingos. "Eles Vão Te Matar" é um dos filmes de terror/comédia mais sangrentos, divertidos e melhores do ano até o momento.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Kirill Sokolov
Produção: New Line Cinema e Nocturna
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h35
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: terror, comédia, ação

24 março 2026

“Peaky Blinders: O Homem Imortal” e o problema de não saber a hora de parar

Cillian Murphy está de volta como Thomas Shelby, personagem que o consagrou na série homônima
(Fotos: BBC Films)
 
 

Jean Piter Miranda

 
O ano é 1940 e a cidade inglesa de Birmingham está sendo atacada pelo exército alemão, durante a Segunda Guerra Mundial. Thomas Shelby (Cillian Murphy) segue recluso, distante de tudo, convivendo com suas dores. 

Após tantas perdas ao longo da vida, ele deixou pra trás seus dias de gângster. Porém, a ligação de nazistas com seu filho Duke (Barry Keoghan) faz com que o maior de todos os Shelby volte à ativa para uma última batalha. 

Esse é “Peaky Blinders: O Homem Imortal” ("Peaky Blinders: The Immortal Man"), filme disponível na Netflix. O longa chega para encerrar “Peaky Blinders”, série de grande sucesso mundial que teve seis temporadas entre 2013 e 2022. 


Ao longo de 30 capítulos, Tommy Shelby se torna um dos maiores gângsteres da Europa. A trama envolve questões familiares, crimes, amizades, lealdade e traições. São muitas brigas, violência, a entrada do clã no mundo dos negócios e também na política. 

Depois de perder amigos, familiares e amores, Tommy não vê mais sentido na vida. Ele então se retira e vai viver sozinho, no interior do país. O antigo gângster agora passa os dias em uma casa assombrada, remoendo o passado diariamente, como uma espécie de penitência. 


Escreve um livro de memórias como um ritual para esquecer tudo o que viveu. Sua única irmã viva, Ada (Sophie Rundle) vai ao seu encontro para pedir ajuda. Ela relata os problemas que enfrenta, em especial com Duke, filho dele.

Como era de se esperar, Ada não consegue convencê-lo a voltar para Birmingham. Porém, a visita inesperada da cigana Kaulo (Rebecca Ferguson) muda tudo. Com seus poderes místicos, ela faz com Tommy mude de ideia. 


É nesse segundo ato, quando a ação se inicia, que o filme começa a se perder. Se na introdução tudo seguia bem, com um desenvolvimento esperado e satisfatório, a partir da saída de Tommy do exílio tudo fica acelerado. Dessa forma, nada parece ter consistência e nem convence. 

A ligação de Duke com os nazistas é rasa, não inspira segurança para nenhum dos lados, ainda mais se tratando de uma missão secreta de alta prioridade. A revolta de Duke com o pai, que a princípio parece ser a base do filme, não se explica. 


O que indicava uma rivalidade e um antagonismo íntimo entre pai e filho, simplesmente não acontece. Tudo se resolve rápido demais, sem nenhum esforço. 

Duke que ora parece ser um gângster duro e destemido, muda rapidamente. Mostra-se fraco e frágil, sem a imponência e a autoridade de um verdadeiro Shelby. 

Isso destoa muito do que é apresentado no início: um líder anarquista pronto para ajudar os nazistas, e que, de repente, passa a integrar uma missão de vingança que também visa salvar a nação. 


Tommy Shelby parte para o que parece ser sua última batalha, que também dará o desfecho ao filme e à série. São momentos que até emocionam, mas não sem forçar muito a barra. 

O roteiro é pouco consistente e apresenta situações nada críveis, difíceis de engolir. É como se tivessem escrito uma temporada inteira e depois fossem cortando partes e fazendo adaptações para tudo caber em um longa - e claro, não ficou bom. 


A série transformou Tommy Shelby em um ícone pop: um personagem temido, respeitado, admirado e amado. Uma aura que saiu das telas e conquistou uma legião de fãs pelo mundo. 

Mas, assim como outras produções, “Peaky Blinders” também não soube a hora de parar. Se estendeu demais - para dar lucro, é evidente - e acabou comprometendo sua essência. É claro que os fãs mais apegados podem fazer vista grossa a tudo isso, em nome da nostalgia e de uma  despedida satisfatória.


Ficha técnica:
Direção: Tom Harper
Roteiro: Steven Knight
Produção:Tiger Aspect Productions, BBC Films, BBC Studios
Exibição: Netflix
Duração: 1h52
Classificação: 18 anos
País: Reino Unido
Gêneros: policial, ação, suspense

23 março 2026

“13 Dias, 13 Noites” - a fuga do Afeganistão em obra recheada de tensão

Longa é baseado na biografia de Mohamend Bida, ex-chefe de segurança da embaixada da França no Afeganistão na época da ocupação (Fotos: California Filmes)
  
 

Eduardo Jr.

 
As cenas do Talibã tomando Cabul e retirando direitos das mulheres são de 2021, mas devem estar frescas na memória de muita gente. O que pouco se viu e se fala é sobre a negociação e a retirada de franceses do Afeganistão. 

Este é o mote de “13 Dias, 13 Noites” ("13 Jours, 13 Nuits"), do diretor Martin Bourboulon ("Os Três Mosqueteiros: D'Artagnan" - 2023). Distribuído pela California Filmes, o longa estreia nos cinemas brasileiros no dia 26 de março. 


A obra é baseada no livro autobiográfico do comandante Mohamend Bida, que foi chefe de segurança da embaixada da França em território afegão na época. 

A história mostra franceses e afegãos buscando abrigo e tentando deixar o território. A missão de Bida é levar o grupo de quase 500 pessoas até o aeroporto para escaparem de uma Cabul dominada pelo Talibã.  


Sim, é um filme de guerra. Mas não se engane com as cenas em dias claros ou com a tela preenchida por cores. Por trás disso está a tensão que deixa o espectador na ponta da cadeira. 

As conversas sussurradas, os personagens que surgem e não se sabe se são de confiança… tudo é motivo para esperar o pior. 


O protagonista Bida (vivido Roschdy Zem) canaliza essa tensão, que aparentemente impacta até sua vida pessoal. Não por acaso apresenta um semblante carregado e quase nenhum sorriso. 

Ele é quem se esforça para proteger agentes ameaçados pelo Talibã, que enfrenta o perfil burocrata do embaixador e tenta garantir a sobrevivência do maior número possível de cidadãos.       


Alcançar esse objetivo demanda negociar com colegas militares, dialogar com o inimigo, enfrentar conversas que podem ser encerradas a bala, e superar traições e artifícios que podem deflagrar uma guerra entre países. 

Ação e suspense se unem ao contexto político para criar uma obra muito interessante. O longa foi indicado ao Cesar na categoria de Melhor Montagem. Mais um incentivo para ir aos cinemas e conferir a produção. 


Ficha Técnica:
Direção:
Martin Bourboulon
Roteiro: Martin Bourboulon e Alexandre Smia, com colaboração de Trân-Minh Nam
Produção: Chapter 2 e coprodução de Pathé Films e M6 Films
Distribuição: California Filmes
Duração: 1h52
Países: França e Bélgica
Gêneros: biografia, drama, ação, guerra

16 março 2026

Brasil sai sem prêmios, mas ganha prestígio; “Uma Batalha Após a Outra” vence o Oscar 2026

Filme protagonizado por Leonardo DiCaprio teve disputa acirrada com "Pecadores" e "Frankenstein" em número de estatuetas conquistadas (Fotos: Divulgação)
 
 

Maristela Bretas

 
Com seis prêmios conquistados entre 13 indicações, incluindo o principal da noite, Melhor Filme, “Uma Batalha Após a Outra” foi o grande vencedor da 98ª edição do Oscar 2026. 

A produção, dirigida por Paul Thomas Anderson, também levou as estatuetas de Melhor Direção, Melhor Direção de Elenco, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição.

O segundo filme mais premiado da noite foi “Pecadores”, que liderava a lista de indicações com 16 nomeações, mas só levou quatro estatuetas. As duas produções são da Warner Bros. Pictures.

Na sequência, em número de prêmios o vencedor foi “Frankenstein”, da Netflix, com três. Apesar de contar com cinco indicações, o Brasil não venceu em nenhuma categoria.

"Uma Batalha Após a Outra"
(Crédito: Warner Bros Pictures)

Cerimônia

A cerimônia começou com uma montagem reunindo cenas dos filmes indicados a Melhor Filme. Em seguida, o comediante Conan O’Brien, fantasiado de Gladys Lilly — personagem de Amy Madigan em “A Hora do Mal” — surgiu fugindo de um grupo de crianças, em referência a uma cena do longa.

Ao chegar ao palco do Dolby Theatre, em Los Angeles, já sem a fantasia, o apresentador iniciou oficialmente a transmissão, apresentando cada um dos indicados com comentários bem-humorados e irônicos.

"A Hora do Mal"
(Crédito: Warner Bros. Pictures)

A primeira estatueta da noite foi entregue por Zoe Saldana, que anunciou Amy Madigan como vencedora de Melhor Atriz Coadjuvante em "A Hora do Mal". 

A atriz também revelou o ganhador de Melhor Animação, “Guerreiras do K-Pop”, produção que já vinha acumulando prêmios ao longo da temporada. 

Na categoria Melhor Curta de Animação, o vencedor foi “The Girl Who Cried Pearls”, animação canadense em stop-motion.

O primeiro número musical da cerimônia foi “I Lied to You”, do filme “Pecadores”, cuja apresentação encantou a plateia ao reproduzir fielmente uma das cenas do longa.

"Guerreiras do K-Pop"
(Crédito: Netflix)


“Frankenstein” também marcou presença ao conquistar três prêmios técnicos: Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Cabelo.

Wagner Moura, Gwyneth Paltrow, Delroy Lindo e Chase Infiniti entregaram o prêmio de Melhor Direção de Elenco, categoria que estreou nesta edição do Oscar. A vencedora foi Cassandra Kulukundis, por “Uma Batalha Após a Outra”. Essa era uma das categorias nas quais o Brasil concorria.

Um dos momentos curiosos da noite aconteceu na categoria Melhor Curta-Metragem, que terminou em empate — algo raro na história do Oscar. As estatuetas foram para o norte-americano “The Singers” e para a produção franco-americana “Two People Exchanging Saliva”.

Sean Penn - "Uma Batalha Após a Outra"
(Crédito: Warner Bros. Pictures)

Kieran Culkin anunciou o vencedor de Melhor Ator Coadjuvante, prêmio concedido a Sean Penn, por “Uma Batalha Após a Outra”. O ator não compareceu à cerimônia.

Os atores Chris Evans e Robert Downey Jr. entregaram o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado a Paul Thomas Anderson, também diretor do filme vencedor da noite. Na categoria Melhor Roteiro Original, sem grandes surpresas, Ryan Coogler venceu por “Pecadores”.

"Pecadores"
(Crédto: Warner Bros. Pictures)

Homenagens póstumas

Como em edições anteriores, o Oscar prestou homenagem aos profissionais do cinema falecidos em 2025. Billy Crystal conduziu o momento inicial, lembrando o diretor Rob Reiner e sua esposa, Michele Singer Reiner. 

Rachel McAdams falou sobre as perdas femininas no cinema, destacando especialmente Diane Keaton, de quem era amiga pessoal.

Barbra Streisand emocionou o público ao lembrar o amigo e parceiro Robert Redford, com quem atuou no clássico “Nosso Amor de Ontem” (1973). Ela destacou a importância do ator dentro e fora das telas e encerrou a homenagem cantando “The Way We Were”, música vencedora do Oscar na época.

"Frankenstein"
(Crédito: Netflix)

Sigourney Weaver e Pedro Pascal também participaram da cerimônia com uma apresentação bem-humorada sobre extraterrestres no cinema, com direito à presença de Groku na plateia. 

Eles anunciaram o prêmio de Melhor Direção de Arte, vencido por “Frankenstein”. Já “Avatar: Fogo e Cinzas” conquistou Melhores Efeitos Visuais.

O polêmico e emocionante “Quartos Vazios” venceu Melhor Documentário em Curta-Metragem, prêmio anunciado por Jimmy Kimmel, que também revelou o vencedor de Melhor Documentário, “Mr. Nobody Against Putin”.

"Avatar: Fogo e Cinzas"
(Crédito: 20th Century Studios)

“Pecadores” levou sua segunda estatueta ao vencer Melhor Trilha Sonora Original. O prêmio foi entregue pelas atrizes Kristen Wiig, Maya Rudolph, Melissa McCarthy e Rose Byrne, que também anunciaram “F1 – O Filme” como vencedor de Melhor Som.

A quarta estatueta de “Uma Batalha Após a Outra” foi entregue por Bill Pullman e seu filho, Lewis Pullman, na categoria Melhor Edição.

Demi Moore anunciou Autumn Durald como vencedora de Melhor Fotografia por “Pecadores”, tornando-se a primeira mulher negra a conquistar o prêmio. Ela foi aplaudida de pé por diversas mulheres presentes na plateia. O brasileiro Adolpho Veloso também concorria na categoria por seu trabalho em “Sonhos de Trem”.

"F1 - O Filme"
(Crédito: Warner Bros Pictures)

Ao lado de Priyanka Chopra, Javier Bardem iniciou sua participação pedindo o fim da guerra e destacando a importância da Palestina. Em seguida, anunciou “Valor Sentimental” como vencedor de Melhor Filme Internacional, superando o brasileiro “O Agente Secreto”.

Lionel Richie subiu ao palco para confirmar “Golden”, da animação “Guerreiras do K-Pop”, como Melhor Canção Original, garantindo a segunda estatueta para a produção.

Paul Thomas Anderson também venceu Melhor Direção, prêmio entregue por Robert Pattinson e Zendaya, consolidando “Uma Batalha Após a Outra” como o grande destaque da noite.

"O Agente Secreto"
(Crédito: Cinemascópio Produções)

O prêmio de Melhor Ator ficou com Michael B. Jordan, por sua dupla atuação em “Pecadores”. O brasileiro Wagner Moura também estava entre os indicados, ao lado de Leonardo DiCaprio.

Na categoria Melhor Atriz, Jessie Buckley foi premiada por sua atuação em “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”.

Por fim, Ewan McGregor e Nicole Kidman anunciaram o momento mais esperado da noite: “Uma Batalha Após a Outra” como Melhor Filme do Oscar 2026, encerrando a cerimônia consagrando a produção como a grande vencedora da edição.

Jessie Buckley - “Hamnet: A Vida Antes
de Hamlet” (Crédito:  Focus Feature)

Confira os vencedores por categoria:

MELHOR FILME
"Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR DIREÇÃO
Paul Thomas Anderson - "Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR ATRIZ
Jessie Buckley - "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet"

MELHOR ATOR
Michael B. Jordan - "Pecadores"


MELHOR FOTOGRAFIA
"Pecadores"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Madigan - "A Hora do Mal"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sean Penn - "Uma Batalha Após a Outra"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"Avatar: Fogo e Cinzas"

MELHOR ANIMAÇÃO
"Guerreiras do K-Pop"

"Quartos Vazios"
(Crédito: Divulgação)

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"Quartos Vazios"

MELHOR SOM
"F1 - O Filme"

MELHOR EDIÇÃO
"Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR DOCUMENTÁRIO
"Mr. Nobody Against Putin"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"Frankenstein"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Golden', de "Guerreiras do K-Pop"


"Valor Sentimental"
(Crédito: Mubi)

MELHOR FILME INTERNACIONAL
"Valor Sentimental" - Noruega

MELHOR FIGURINO
"Frankenstein"

MELHOR DIREÇÃO DE ELENCO
Cassandra Kulukundis - "Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Pecadores"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR CURTA-METRAGEM (empate)
"The Singers"
"Two People Exchanging Saliva"

MELHOR ANIMAÇÃO DE CURTA-METRAGEM
"The Girl Who Cried Pearls"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
"Pecadores"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
"Frankenstein"

"Sonhos de Trem"
(Crédito: Netflix")