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03 janeiro 2026

"Anaconda" - Selton Mello rouba a cena nesta comédia em plena selva amazônica

Jack Black, Paul Rudd e seus amigos tentam fazer o remake de um sucesso do passado sobre uma
cobra gigante que ataca uma equipe de filmagem (Fotos: Sony Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Em cartaz nos cinemas, "Anaconda" surge como uma comédia escancaradamente absurda que entende perfeitamente o próprio ridículo — e faz disso sua maior virtude. Protagonizado por Jack Black, Paul Rudd e Selton Mello, o filme aposta na paródia, no humor e em referências pop para garantir boas risadas do início ao fim.

O grande destaque, sem dúvida, é Selton Mello. No papel do domador de cobras Carlos Santiago, o ator brasileiro rouba a cena sempre que aparece. Seu personagem carrega um jeitão que remete ao Chicó de "O Auto da Compadecida" (2000 e 2024), mas sem o medo crônico que marcou aquele papel. 


Aqui, Selton entrega falas e expressões tipicamente brasileiras, com um timing cômico afiadíssimo, sem dever nada a Jack Black ou Paul Rudd. A química entre os três funciona de forma surpreendentemente natural e é um dos pilares do filme.

Há momentos tão ridículos que ultrapassam o limite do bom senso — e é justamente aí que o humor acerta. As piadas são atuais, repletas de comentários metalinguísticos bem sacados, e não têm receio de zombar do próprio cinema, da indústria e até da produtora e distribuidora Sony Pictures. 

O diretor assume o tom de paródia do início ao fim, transformando o filme em uma sátira consciente do original.


Este remake também reserva surpresas para quem conhece ou, como eu, gosta de produções trashs absurdas com animais perigosos, como o "Anaconda" de 1997, que foi muito criticada à época, mas que diverte justamente pelo exagero e tem público cativo. 

Na época, o elenco contava com Jennifer Lopez, Ice Cube, Jon Voight, Eric Stoltz, Jonathan Hyde e Owen Wilson, e a trama também se passava na Amazônia, envolvendo uma equipe de documentaristas perseguida por uma cobra gigante. 

Classificado como terror, o filme sempre flertou com o lado cômico por conta de seu absurdo — algo que o novo "Anaconda" assume sem vergonha alguma.


Na versão atual, acompanhamos Griff (Paul Rudd), um ator de meia-idade em crise e desempregado, e Doug (Jack Black), um cineasta frustrado por ter sua carreira resumida a vídeos de casamento. 

Amigos de infância, eles decidem realizar um antigo sonho: viajar até a selva amazônica para produzir um reboot independente de seu filme favorito, "Anaconda".

Para a empreitada, contam com a ajuda de Carlos Santiago e Heitor, sua cobra “domesticada” (parece piada pronta), além da atriz Claire Simons (Thandiwe Newton), recém-saída de um divórcio, e do cinegrafista Kenny Trent (Steve Zahn), que não dispensa “umas biritas” turbinadas. 

Tudo corre bem até que uma anaconda gigante resolve entrar em cena, ao mesmo tempo em que o grupo acaba envolvido em uma perseguição policial a garimpeiros ilegais de ouro.


Curiosamente, apesar do título, a cobra aparece pouco. O protagonismo fica mesmo com o elenco humano, enquanto a anaconda funciona quase como um elemento catalisador do caos. 

O filme também se diverte citando com cenas que remetem a clássicos do cinema de aventura e ação, como a franquia "Jurassic Park - O Parque dos Dinossauros" (1993), quando a cobra gigante persegue o grupo e é acompanhada pelo retrovisor do carro.

Ou "Tubarão" (1975), quando ela circunda o barco da equipe no rio. Até mesmo a cena de Jack Black engolido por uma cobra gigante em "Jumanji - Próxima Fase" (2019) é lembrada. 


"Anaconda" é, acima de tudo, uma produção leve e despretensiosa, que entende seu lugar como entretenimento. Jack Black e Paul Rudd sustentam bem o humor, mas é Selton Mello quem dá um charme especial à narrativa, funcionando como uma âncora cômica e cultural. 

Não é um filme para ser levado a sério — e nem quer ser. Vale a pena justamente por isso: uma diversão honesta, autoconsciente e eficaz para quem busca boas risadas no cinema.


Ficha técnica:
Direção:
Tom Gormican
Roteiro: Tom Gormican e Kevin Etten
Produção e Distribuição: Sony Pictures
Duração: 1h40
Exibição: nos cinemas
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: comédia, ação, aventura

21 dezembro 2025

"Avatar: Fogo e Cinzas" - novo capítulo deixa apagada a grande novidade

No campo técnico, o filme segue sendo um espetáculo, como nos dois filmes anteriores do diretor James Cameron (Fotos: 20th Century Studios)
 
 

Marcos Tadeu
Blog Jornalista de Cinema

 
"Avatar: Fogo e Cinzas" ("Avatar: Fire and Ash"), em cartaz nos cinemas, chega com a missão de manter vivo e relevante o universo criado por James Cameron em 2009, que teve sua continuação somente 13 anos depois, em 2022, com "Avatar: O Caminho da Água". 

A grande promessa deste terceiro capítulo é a introdução do Povo das Cinzas, um grupo de Na’vi que vive em regiões vulcânicas de Pandora, além da ampliação dos conflitos internos do planeta. 


O elenco também cresce, com reforços como Oona Chaplin, Edie Falco, David Thewlis e Trinity Jo-Li Bliss, o que aumenta a expectativa por um olhar mais denso sobre esse mundo.

A proposta inicial funciona. Levar a história para um território dominado pelo fogo sugere um clima mais tenso e a chance de explorar disputas culturais e morais entre os próprios Na’vi. O problema é que o filme não sustenta essa ideia. 


O Povo das Cinzas aparece pouco, é pouco desenvolvido e acaba reduzido a uma ameaça genérica. Falta tempo (apesar das 3h15 de filme) ou interesse em mostrar sua cultura, seus conflitos e suas motivações, o que enfraquece bastante o impacto dessa “grande novidade”.

Outro ponto que pesa é a sensação de déjà-vu. A estrutura do roteiro repete fórmulas já vistas nos filmes anteriores, com conflitos que se alongam demais e cenas que impressionam visualmente, mas que pouco fazem a história avançar. 

O tempo de duração joga contra o longa, criando momentos de cansaço e a sensação de que faltou coragem para enxugar e arriscar mais.


No campo técnico, o filme segue sendo um espetáculo. O design de Pandora, as criaturas, os ambientes vulcânicos e a imersão sonora continuam em altíssimo nível, com destaque para o trabalho de som liderado por Brent Burge e Gwendolyn Yates Whittle, os efeitos visuais supervisionados por Eric Saindon e a equipe de VFX conduzida por Simon Franglen, que também assina a trilha sonora. 

É um conjunto que funciona perfeitamente para criar impacto sensorial, embora, desta vez, ele sirva mais como sustentação estética do que como motor narrativo.

O maior problema está na forma como os conflitos são resolvidos. O filme insiste em soluções baseadas em laços familiares, perdão e revelações emocionais que diluem a tensão. Em vez de assumir consequências mais duras, a narrativa frequentemente recua, transformando embates que poderiam ser mais fortes em resultados seguros e previsíveis.


No fim, "Avatar: Fogo e Cinzas" entrega exatamente o que se espera da franquia em termos de espetáculo visual e experiência de cinema. Para os fãs, isso pode ser o suficiente. Mas, narrativamente, fica a sensação de oportunidade perdida. 

A nova mitologia não se desenvolve como deveria, o roteiro se apoia demais no que já funcionou antes e falta ousadia para levar Pandora a caminhos realmente novos. Vale pela grandiosidade, mas deixa a impressão de que esse fogo poderia queimar bem mais alto.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: James Cameron
Produção: 20th Century Studios e Lightstorm Entertainment
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 3h15
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, fantasia, ficção, drama

19 novembro 2025

"O Sobrevivente" – o show sempre deve se superar

Glen Powell é Ben Richards, um desempregado que participa de um programa de TV ao vivo de vida e morte para conseguir dinheiro e salvar sua família  (Fotos: Paramount Pictures)
 
 

Maristela Bretas


Em 1987, quando surgiu pela primeira vez o personagem Ben Richards, vivido por Arnold Schwarzenegger, a expectativa era maior que o resultado: a bilheteria baixa não fez jus ao filme. Mesmo com efeitos visuais artesanais, porém adequados à época, e a interpretação limitada do protagonista, o longa não rendeu o esperado.

Anos depois, o jogo virou. O filme tornou-se cult por sua ficção distópica e pela crítica à sociedade e ao controle da mídia. Atualmente, voltou a ser procurado na Netflix – especialmente com o lançamento, nesta quinta-feira (20), da nova versão.


Passadas quase quatro décadas, "O Sobrevivente" ("The Running Man") retorna às telas em um reboot que modifica parte da história original e traz como protagonista o atual queridinho de Hollywood, o carismático Glen Powell.

Baseado no romance "O Concorrente", de Stephen King (sob o pseudônimo Richard Bachman), o novo filme mantém a crítica social: um mundo dividido entre ricos vivendo em palácios verticais e marginalizados isolados para além dos muros das grandes cidades. A TV manipula tudo o que é exibido, criando heróis e vilões para uma população faminta por violência.


Assim como no longa de 1987, a audiência é o objetivo máximo — mesmo que, para isso, o público seja bombardeado com cenas de lutas, ataques e mortes, reais ou simuladas, transmitidas como um grande reality show para uma plateia sedenta por sangue e vingança.

A nova história se passa em 2025, em um cenário caótico de um Estados Unidos falido, com o governo manipulando a mídia e os pobres lutando diariamente para sobreviver.

Para salvar a esposa e a filha doente, Ben Richards (Glen Powell) se inscreve no violento game show "The Running Man". Durante 30 dias, os participantes precisam escapar de uma equipe de assassinos profissionais. O vencedor recebe um prêmio milionário em dinheiro.


"O Sobrevivente" apresenta as questões sociais e políticas de forma até mais clara que o original, em meio a muita ação, violência brutal e efeitos visuais competentes. 

Glen Powell se destaca como o trabalhador desempregado, revoltado com os abusos das corporações e o descaso com quem não pertence à elite. Para os fãs, as cenas do galã apenas de toalha são um colírio e estão entre as divertidas do filme.

De temperamento explosivo, Ben não consegue manter empregos e acaba chamando a atenção de Dan Killian, o produtor do programa, interpretado por Josh Brolin. O ator entrega um vilão frio, preocupado apenas em “ver o circo pegar fogo” e aumentar os lucros do show número um da emissora.


O elenco traz ainda nomes conhecidos como William H. Macy, em participação especial como um rebelde; Colman Domingo, vivendo o sádico showman Bobby T.; Michael Cera, como o revolucionário Elton Parrakis; e Lee Pace, interpretando o caçador assassino Ewan MacCone, entre outros.

À medida que a trama avança, o diretor Edgar Wright intensifica a raiva e o desprezo de Ben Richards por uma sociedade hipócrita e imoral. O personagem quer justiça para sua família e para aqueles que foram esquecidos — nem que, para isso, precise “tocar o terror e ligar o f#d#-se” para o programa e seus responsáveis.


Além das sequências de ação e perseguição, "O Sobrevivente" conta com uma excelente trilha sonora composta por Steven Price, incluindo uma clássica canção de ninar em nova versão, logo nos primeiros minutos.

Resta saber se, ao contrário do original, o filme conseguirá atingir bons números de bilheteria para compensar os US$ 110 milhões investidos na produção. Ou se será reconhecido apenas após alguns anos, assim como a boa atuação de Glen Powell.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Edgar Wright
Produção: Paramount Pictures, Complete Fiction Films, Genre Films
Distribuição: Paramount Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h14
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: ficção, suspense, ação

21 agosto 2025

De férias com a família, Bob Odenkirk está mais violento e desequilibrado em "Anônimo 2"

Sequência do longa de 2021 é dirigida por Timo Tjahjanto e, como no primeiro, mantém semelhanças
com a franquia "John Wick" (Fotos: Universal Pictures)


Maristela Bretas


Para Hutch Mansell (Bob Odenkirk) tirar férias tranquilas com a família é algo praticamente impossível Ele continua um sujeito explosivo, que precisa de muito pouco para perder o controle, especialmente se sua família está em perigo. 

Não poderia ser diferente em "Anônimo 2" ("Nobody 2"), sequência que estreia nesta quinta-feira (21) nos cinemas, trazendo de volta o elenco principal de "Anônimo", lançado em 2021.

Mais violento e sangrento, recheado de lutas e bons efeitos visuais, sem perder o humor irônico que marcou o personagem, "Anônimo 2" entrega uma boa continuação e deve agradar aos fãs. 


Além dos nomes da primeira produção, o elenco ganha reforços de peso: Sharon Stone e Colin Hanks chegam para colocar fim ao sossego da família Mansell.

Há quatro anos, Hutch deixou de ser o homem tão comum que era quase um "ninguém" e retornou à ativa de agente secreto e assassino, agora com o conhecimento da família. Se antes era o marasmo que atrapalhava o casamento, agora é a rotina de "trabalho" para a agência é que o afasta das pessoas que ama. 

Para mudar isso, ele e a esposa Becca (a sempre bela Connie Nielsen) resolvem tirar férias com os filhos Brady (Gage Munroe) e Sammy (Paisley Cadorath). E claro, com a presença do vovô David, papel de Christopher Lloyd, que também retorna na sequência.


Hutch decide levar todos para um parque temático em Plummerville, cidade onde o pai o levava com o irmão na infância. Era para ser uma viagem de boas memórias, mas Hutch não consegue ficar longe de confusões e da violência. 

Uma vilã sádica

Dessa vez o confronto é contra Lendina, a cruel e desequilibrada chefe de uma quadrilha do crime organizado, interpretada pela excelente Sharon Stone. Esbanjando sensualidade, a atriz entrega uma vilã implacável. Ao seu lado está o capanga Abel, xerife corrupto e ganancioso vivido com competência por Colin Hanks. 


Assim como no primeiro filme, o roteiro foi assinado por Derek Kolstad, responsável também pela franquia "John Wick" e "Duro de Matar". Não faltam, portanto, ação, lutas memoráveis e doses generosas de sangue e violência.

Bob Odenkirk, aos 62 anos, dedicou dois anos de sua vida em treinamento físico intenso para atingir uma boa forma física que permitisse a ele encarar cenas de lutas e acrobacias com maior intensidade. O esforço compensou: as sequências de ação ficaram ótimas.

Connie Nielsen também ganha mais destaque. Becca deixa de ser apenas uma mãe e corretora de imóveis para mostrar novas "habilidades" e entrar na briga. Ela se mostra ainda mais apaixonada pelo marido. A química entre os dois atores funciona muito bem em cena.


O elenco conta ainda com John Ortiz, como Wyatt Martin, dono do resort em que a família Mansell se hospeda e RZA, que retorna como Harry Mansell, irmão de Hutch.

"Anônimo 2" esclarece alguns pontos deixados em aberto no primeiro filme e ainda planta dúvidas e segredos que indicam um terceiro longa. Resta esperar para ver. 

Dica: vale à pena assistir ao primeiro longa para compreender melhor a trajetória de Hutch e sua família. Ele está disponível para aluguel na Amazon Prime Video, Google Play Filmes e Apple TV.


Ficha técnica:
Direção: Timo Tjahjanto
Roteiro: Derek Kolstad
Produção: 87North, Eighty Two Films e OPE Partners
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h29
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: ação, comédia

11 agosto 2025

“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” idealiza a "família perfeita" e peca em profundidade

Reboot dirigido por Matt Shakman apresenta a equipe em uma realidade paralela sem fazer referências a produções anteriores (Fotos: Marvel Studios)
 
 

Filipe Matheus
Parceiro do blog Maravilha de Cinema


A Marvel Studios trouxe de volta às telonas o “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” ("The Fantastic Four: First Steps") novo filme em cartaz em todo o Brasil, dirigido por Matt Shakman e baseado nos icônicos quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby. 

O longa nos transporta para 1961, acompanhando um grupo de astronautas que, durante um voo experimental, é exposto a uma tempestade de raios cósmicos, resultando em seus superpoderes. Com as novas habilidades, eles se tornam os protetores de Nova York contra grandes vilões.

Este reboot apresenta a equipe em uma realidade paralela dentro do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), coexistindo com clássicos como “Vingadores” e “Guardiões da Galáxia” (2014, 2017 e 2023), sem fazer referências a produções anteriores do “Quarteto Fantástico”.


Elenco estelar

Uma curiosidade que agradou bastante aos fãs é a inclusão da Fundação do Futuro, organização idealizada por Reed Richards nos quadrinhos para usar a ciência em prol da humanidade. Ver essa parte da mitologia ganhando vida na tela grande é um deleite para quem acompanha as HQs, mostrando um cuidado com o material original.

O elenco estelar conta com Pedro Pascal ("Gladiador II" - 2024) como Reed Richards/Senhor Fantástico, Vanessa Kirby ("Missão: Impossível - Efeito Fallout" - 2018) como Sue Storm/Mulher Invisível, Joseph Quinn ("Um Lugar Silencioso: Dia Um" - 2024) como Johnny Storm/Tocha Humana e Ebon Moss-Bachrach ("O Urso" - 2024) como Ben Grimm/O Coisa. Apesar do esforço dos heróis, o filme peca no desenvolvimento dos conflitos, que por vezes carecem de profundidade.


Um dos pontos altos do longa é, sem dúvida, a performance de Joseph Quinn como Tocha Humana. Sua atuação é um show à parte e crucial para o andamento da história, adicionando uma camada de carisma e dinamismo à equipe. Ele consegue criar conflitos com os vilões sem forçar, diferente do Senhor Fantástico de Pedro Pascal, que se perde no papel.

Em contraste, o filme por vezes cai na idealização da “família perfeita” dos Fantásticos, o que soa um tanto superficial. Essa tentativa de retratar uma harmonia impecável acaba tirando um pouco do drama e da profundidade que a equipe poderia ter, deixando um gosto de “pura balela”.


Vilões pouco aproveitados

O icônico vilão Galáctus (Ralph Ineson, de "Resistência" - 2023) tenta chegar com tudo, mas acaba ofuscado pela Surfista Prateada, interpretada por Julia Garner ("A Hora do Mal" - 2025). A personagem, que deveria ter sido mais explorada, parece mais uma coadjuvante do que uma das vilãs centrais, um potencial perdido que poderia ter enriquecido muito mais a trama.

A expectativa para ver o “Quarteto Fantástico” nos próximos filmes dos “Vingadores” que fazem parte da Fase 6 do MCU é alta, mas também gera preocupações. A chance de eles aparecerem em “Vingadores: Doomsday” (que estreia este ano) pode ser um risco, embora faça parte da estratégia da Marvel de inserir seus personagens no multiverso.

No geral, o novo filme do “Quarteto Fantástico” entrega uma experiência mista. Há atuações de destaque e a promessa de uma equipe icônica no MCU, mas acaba pecando em seus personagens. É um reboot que tem seus momentos empolgantes, mas que poderia ter ido além na construção de conflitos e na profundidade dos heróis.


Ficha técnica:
Direção: Matt Shakman
Produção: Marvel Studios e 20th Century Fox
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h55
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: ação, ficção

29 julho 2025

Com muita ação, “Predador: Assassino de Assassinos” une filmes da franquia e abre novas possibilidades

Animação tem uma dinâmica muito boa com a divisão em três histórias distintas que acabam interligadas (Fotos. 20th Century Studios)
 
 

Jean Piter Miranda

 
Está disponível no Disney+ “Predador: Assassino de Assassinos” (2025). O longa-metragem de animação dá continuidade à franquia dos Yautjas. São três histórias, ocorridas em épocas distintas, que acabam se cruzando. 

Primeiro, uma guerreira viking busca vingança junto de seu grupo. Eles são observados por um predador. Da mesma forma, no Japão feudal, dois irmãos, um ninja e um samurai lutam entre si para resolver questões pessoais. O outro personagem é um piloto estadunidense em batalha na Segunda Guerra Mundial. 


Nas três histórias, os personagens são confrontados por predadores. Os Yautjas, como sempre, estão em busca de enfrentar os guerreiros mais fortes do universo. 

O filme é dirigido por Dan Trachtenberg, que também esteve à frente do ótimo “Predador: A Caçada” (2022). A animação tem um gráfico bem particular. É um tanto sombrio e bem envolvente, reforçado pela trilha sonora de Alan Silvestri, responsável pelas composições de sucessos como "Vingadores: Ultimato" (2019) e "Vingadores: Guerra Infinita" (2018).


A divisão do longa em três histórias dá uma dinâmica muito boa à animação. Os diálogos são suficientes e não se perdem em explicações desnecessárias e repetitivas. Os trechos silenciosos também dizem muito. Tudo na medida certa. 

As cenas de ação são intensas, bem desenvolvidas e muito bem construídas. A parte da guerreira viking traz uma violência bruta, em cenários de neve e gelo. Uma composição muito acertada. Da mesma forma a representação do Japão feudal com seus guerreiros e suas espadas afiadas. É poesia em forma de pancadaria. 


Destoando das duas primeiras histórias, a parte do piloto estadunidense é menos envolvente. Por se tratar de batalhas aéreas, perde o envolvimento das narrativas anteriores. Mesmo tudo sendo feito com a mesma qualidade, fica a sensação de que algo ficou faltando. 

No fim, como se espera, as histórias se cruzam e deixam muitas portas abertas. Com certeza uma continuação já está em produção. Há ainda pontos que ligam o filme com a série “Predador: Badlands (2025)”, que será lançada em novembro no Disney+. 


Também são apresentadas conexões com “Predador: A Caçada” (2022) e com os dois primeiros filmes da franquia: “O Predador” (1987), com Arnold Schwarzenegger, e “O Predador 2: A Caçada Continua” (1990), com Danny Glover. 

E pra deixar os fãs ainda mais eufóricos, há também ligações com “Alien: Romulus” (2024). Ao que tudo indica, muito em breve, predadores e aliens devem se enfrentar novamente.

“Predador: Assassino de Assassinos” tem muitas qualidades e faz uma ligação entre todos os filmes já produzidos pela franquia. Mostra que há muita coisa a ser explorada sem ser repetitivo. É pra curtir e esperar os próximos capítulos.


Ficha técnica:
Direção: Dan Trachtenberg e Josh Wassung
Roteiro: Micho Rutare
Produção: 20th Century Studios
Exibição: Disney+ Brasil
Duração: 1h30
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: ação, ficção, animação

10 julho 2025

James Gunn acerta com seu "Superman” mais humano e menos super

David Corenswet entrega uma boa atuação do herói da capa vermelha nesta nova versão (Fotos: Warner Bros.)
 
 

Maristela Bretas

 
Um super-herói que se distancia das versões anteriores mostradas no cinema e se revela mais humano. Este é o novo "Superman" que estreia  nos cinemas oferecendo uma visão diferenciada do diretor e roteirista James Gunn (da aclamada franquia "Guardiões da Galáxia" - 2014, 2017 e 2023). A trama é repleta de muita ação, questionamentos políticos e sociais e grandes efeitos visuais, expostos de maneira audaciosa e eficaz.

Gunn escolhe não revisitar a história original e já conhecida do alienígena Kal-El: sua chegada à Terra, o despertar dos poderes, a entrada no Planeta Diário como Clark Kent, o encontro com Lois Lane e o surgimento de Lex Luthor em sua vida. 


Esqueça tudo isso. Quem já viu qualquer filme do Superman já sabe estes pontos, e Gunn não quis ser repetitivo. Optou por abrir com um breve histórico em texto e entrar diretamente no presente, com o herói em meio a confrontos e apanhando muito. 

Uma vulnerabilidade que o torna mais humano, confirmando a icônica frase de Batman em "A Origem da Justiça" (2016) - "o Superman sangra".

Além de sangrar, o Homem de Aço, interpretado por David Corenswet, mostra-se mais emotivo, romântico, sofre com as críticas que recebe pela forma de agir em favor da salvação do planeta Terra e de seus habitantes. Admito que fui com poucas expectativas para este filme e me surpreendi com a boa interpretação do personagem feita por Corenswet. 


Apesar de ser muito parecido fisicamente com Henry Cavill, seu antecessor (que é ainda mais bonito), ele tem um olhar mais doce. Ele passa mais credibilidade ao demonstrar o amor por Lois Lane (Rachel Brosnahan) e a importância da família em sua formação. 

Sem esquecer a preocupação com a humanidade e os animais, do esquilo ao cachorro, estando sempre pronto para tentar salvar todos que puder. Nesta nova versão, Clark Kent aparece pouco, deixando o protagonismo para o Superman.


Destaque absoluto para a atuação de Nicholas Hoult como Lex Luthor. O ator vem realizando ótimos trabalhos e está excelente no papel do gênio bilionário, arrogante, machista e invejoso, cuja obsessão é destruir o Superman - o alienígena que conquistou a humanidade e é responsável por sempre frustrar seus planos.

Hoult entrega um vilão à altura do personagem, que vai de explosões de fúria a momentos de choro quanto seus planos falham. O ator talvez seja um dos melhores ou o melhor Lex Luthor já apresentado pelo cinema.


Outro ponto alto é o fofo e alucinado Krypto, o cão que Superman está cuidando temporariamente para sua prima Supergirl. As cenas em que ele aparece, criadas em CGI, são as mais divertidas e, em algumas situações, decisivas, especialmente pela forma descontrolada como ele se comporta. Nem o Homem de Aço dá conta de tanta adrenalina canina. Apaixonei pela versão macho do meu cachorro.

A Lois Lane de Rachel Brosnahan também ganha mais tempo de tela e também é essencial em diversas cenas. Com habilidade, o diretor aproveita para relembrar a franquia "Guardiões da Galáxia" ao colocar a jornalista pilotando uma espaçonave no estilo de Peter Quill/Star Lord.


"Superman" também entrega efeitos visuais incríveis, dignos de um grande super-herói dos quadrinhos e da telona. Embora algumas informações tecnológicas complexas possam deixar o público em geral confuso (os fãs "nerds" vão entender), isso nada impede a compreensão do enredo.

A trama é recheada de monstros gigantescos, Inteligência Artificial avançada e portais tridimensionais. Além disso, dá uma "cutucada" nada sutil em conflitos mundiais e nos replicadores de fake news que trabalham incessantemente para destruir a imagem do super-herói. 

Outros super-heróis atuam também na defesa de Metrópolis e do mundo: Lanterna Verde (Nathan Fillion, num papel que deixa o personagem abobalhado), Isabela Merced (Mulher Gavião) e Edi Gathegi (Senhor Incrível). 


O elenco conta ainda com nomes conhecidos em papéis menores como Bradley Cooper, Frank Grillo, Maria Gabriela de Faria, Skyler Gisondo, Milly Alcock, entre outros. 

Até William Reeve, filho caçula de Christopher Reeve, o primeiro e um dos mais queridos Superman do cinema, teve uma breve aparição no longa como o âncora de um noticiário. 

A música-tema original, composta por John Williams, ganhou novas versões e continua marcante nos principais momentos do super-herói. Associada a ela, a trilha sonora sob a batuta de John Murphy reunindo outros sucessos, está disponível no Spotify.


James Gunn acertou na escolha do elenco, na qualidade dos efeitos visuais e na abordagem da narrativa para contar a história de um dos mais emblemáticos super-heróis da DC, sem cair na mesmice. 

Mas será o sucesso nas bilheterias de "Superman", adaptado dos quadrinhos de Jerry Siegel e Joe Shuster, que irá ditar a fórmula a ser aplicada nas próximas produções do estúdio. 

Esta ficou ótima e merece ser assistida em IMAX ou 3D para uma experiência mais completa. Uma dica: não saia correndo da sala de cinema, o filme tem duas cenas pós-credito.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: James Gunn
Produção: DC Studios, Warner Bros.
Distribuição: Warner Bros Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h09
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, ficção, aventura

26 junho 2025

"F1 - O Filme" é velocidade, adrenalina e realismo que aceleram o coração

Produção é quase como assistir uma corrida real, porém com mais emoção e tensão em disputas eletrizantes (Fotos; Warner Bros. Pictures)


Maristela Bretas


Os motores já estão roncando à espera o sinal verde para a grande largada de "F1: O Filme" nos cinemas nesta quinta-feira. O público (e não só os fãs de Fórmula 1) pode separar seu lugar no cockpit da sala IMAX do Cineart Boulevard e nas salas 3D. O longa, produzido com este sistema de resolução, entrega tudo o que os amantes da velocidade e do cinema de ação poderiam desejar. 

Ele merece ser visto com a melhor qualidade de som e imagem disponíveis. Desde o preparo dos carros com o ronco dos motores, passando pelas grandiosas pistas dos icônicos circuitos mundiais, até os acidentes cronometrados com precisão assustadora. 


O diretor Joseph Kosinski (o mesmo de "Top Gun: Maverick" - 2022) não teve dó em destruir carros contra guard rails e encenar espetaculares capotamentos, reproduzindo com fidelidade impressionante o que realmente acontece nas corridas. Até mesmo os "toques propositais" para tirar adversários da competição são retratados com destaque. 

Todo esse realismo contou com a consultoria do heptacampeão mundial de Fórmula 1, Lewis Hamilton, que também atua como produtor executivo do filme e faz participações especiais interpretando a si mesmo.


A trama conta com duas estrelas do cinema: Brad Pitt, que também é um dos produtores executivos, e Javier Bardem. A dupla dá show de interpretação e charme, aquecendo até mesmo os motores dos fãs mais exigente. 

Pitt é o piloto veterano Sonny Hayes, que após abandonar a Fórmula 1 e se tornou um nômade que não obedece a regras e participa de competições aleatórias das mais diversas categorias, movido unicamente pelo prazer da velocidade.


Ele é convencido a retornar às pistas de F1 para apoiar um velho amigo de equipe, Ruben Cervantes, papel de Bardem, que agora é um empresário e proprietário da fictícia escuderia ApexGP. 

No entanto, Ruben enfrenta sérios problemas financeiros, já que seus carros não conseguem se classificar, colocando em risco o futuro da empresa. Ele pede que Sonny ajude a equipe a garantir a classificação nas últimas provas do campeonato, uma missão quase impossível, como diria Tom Cruise. 


A tarefa é ainda mais desafiadora porque seu companheiro de equipe é Joshua Pearce (Damson Idris em ótima atuação), um piloto-revelação arrogante, que só se preocupa com o marketing pessoal e o glamour que a categoria proporciona.

A função de Sonny, além de unir a equipe e torná-la vitoriosa, é transformar Joshua em um piloto ousado e campeão. Mas os dois não se dão bem e, a partir deste ponto, começa uma dura disputa entre a experiência e falta de regras do veterano piloto e a imprudência e prepotência do novato, ameaçando ainda mais a estabilidade física e financeira da escuderia. 


Além de Lewis Hamilton, "F1: O Filme" conta com a participação de alguns dos novos campeões e pilotos, interpretando a si mesmos, como Max Vestappen, Charles Leclerc, Carlos Sainz Jr., Lando Norris, Pierre Gasly, Kevin Magnussen, entre outros. 

A equipe de produção realizou as gravações com eles e suas escuderias durante os finais de semana nas pistas de Grandes Prêmios reais no ano passado, em circuitos como Silverstone (Inglaterra), Monza (Itália), Las Vegas (EUA), Spa-Francorchamps (Bélgica), entre outros. Até mesmo o nosso maior ídolo, Ayrton Senna é lembrado em diálogos e cenas.


No elenco estão também Kerry Condon, Callie Cooke, Sarah Niles, Tobias Menzies, Kim Bodnia, Abdul Salls, Samson Kayo, entre outros. A ótima trilha sonora composta pelo premiado Hans Zimmer é outro destaque, incluindo sucessos como "We Will Rock You", do Queen, e "Highway To Hell", do AC/DC, que aceleram o sangue nas veias do espectador.

O público que busca ação não terá do que reclamar. O diretor não economiza em cenas de acidentes, alta velocidade e ótimos efeitos visuais de tirar o fôlego. 

A adrenalina toma conta das 2h35 de duração do longa, que passam voando, e ainda oferece uma pequena amostra dos bastidores desta categoria esportiva que atrai milhares de fãs pelo mundo.


"F 1" é um filme autêntico, quase como assistir uma corrida real, porém com mais emoção e tensão elevadas por disputas eletrizantes e dramáticas. 

Uma produção de peso, com um custo superior a US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,50 bilhão) de orçamento, que tem tudo para agradar não só os amantes deste esporte, mas o público em geral. Pode ser considerado como um dos maiores lançamentos deste ano.


Ficha técnica:
Direção: Joseph Kosinski
Roteiro: Ehren Kruger
Produção: Plan B Entertainment, Apple Original Films, Monolith Pictures, Jerry Bruckheimer e Dawn Apollo Films
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h35
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: corrida, ação