![]() |
| Nova adaptação do romance infantil de Carlo Collodi é mais uma versão em live-action duvidosa (Fotos: Paris Filmes) |
Maristela Bretas
Uma versão russa em live-action que se propõe diferente do romance escrito em 1883 pelo italiano Carlo Collodi — que provavelmente estaria se revirando no túmulo. Este é “Pinóquio” ("Pinocchio"), longa que estreia nesta quinta-feira (16) nos cinemas brasileiros.
Sem o carisma da adaptação animada da Disney de 1940 (esqueça o live-action de 2022 com Tom Hanks), o filme ainda aposta em situações politicamente incorretas, especialmente no desfecho, ao sugerir que crianças ignorem regras e desobedeçam aos pais.
A versão dublada em português também deixa a desejar, e até o protagonista carece de leveza e convicção — mesmo nos momentos em que tenta defender animais e amigos. O excesso de informações transforma a narrativa em algo confuso, especialmente para o público infantil.
Na tentativa de se diferenciar, o diretor Igor Voloshin inclui números musicais longos e dispensáveis, além de uma carga exagerada de violência por parte dos vilões. Entre os temas abordados estão exploração de mão de obra e mensagens perigosas, como a ideia de que roubar ou enganar não é necessariamente errado.
Esqueça tudo o que você já viu: este novo boneco de madeira é ingênuo, seu nariz grande não tem função narrativa — aqui, a famosa máxima “se você mentir, seu nariz vai crescer” praticamente não existe.
A fada madrinha também abandona o papel de figura iluminada e benevolente. Mas nada é mais estranho do que a substituição do Grilo Falante por três baratas falantes. Simpáticas, é verdade — mas ainda são baratas. Quem, afinal, anda com três delas no ombro ou na gola da camisa?
Inicialmente, a trama segue o romance original, ambientado na Toscana. O carpinteiro Gepeto, solitário e triste, é “aconselhado” pelas três baratas a esculpir um boneco de madeira que se tornará seu filho de verdade.
No entanto, o sonho de Gepeto e Pinóquio rapidamente se complica ao enfrentarem um mundo cheio de aventuras, mas também de armadilhas.
Tecnicamente, o filme apresenta recursos medianos e um elenco engessado, com exceção do vilão Carabaz, líder de um circo mambembe que chega à cidade determinado a tomar posse de Pinóquio.
Mudanças e adaptações de clássicos podem render bons resultados — mas, desta vez, a aposta simplesmente não funciona.
Direção: Igor Voloshin
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: redes Cineart - Cidade, Del Rey e Via Shopping - e Cinemark BH Shopping (somente versão dublada)
Duração: 1h42
Classificação: 12 anos
País: Rússia
Gêneros: aventura, live-action, infantil, drama


























.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)













.jpg)







