05 abril 2026

Com leveza e muito humor "Parque Lezama" trata das dores e delícias da velhice

Luis Brandoni e Eduardo Blanco são os protagonistas octogenários desta comédia dramática que se
passa, na maior parte do tempo, num parque (Fotos: Netflix)
 
 

Mirtes Helena Scalioni

 
Mais uma vez, o diretor argentino Juan Campanella acerta em cheio, ao roteirizar e dirigir "Parque Lezama", filme tão engraçado e delicioso quanto incômodo. Os encontros frequentes de dois octogenários num parque popular de Buenos Aires levam o público ao inevitável confronto com a velhice que, se ainda não chegou, um dia chegará. 

Daí a maestria do diretor, que em 2010 levou o Oscar por "O Segredo dos Seus Olhos", ao nos apresentar com graça e nostalgia, os diálogos e - por que não dizer - as peraltices e aventuras desses dois homens tão diferentes um do outro.


Antônio Cardoso (Eduardo Blanco) é um velho conformado com seu lugar no mundo. Discreto, trabalha como zelador de caldeira de um prédio há mais de 40 anos e não pensa em se aposentar tão cedo. Já León Schwartz, magistralmente interpretado por Luiz Brandoni, é matreiro, loroteiro e sagaz. Sua vida é uma incógnita. 

Presume-se apenas que foi um militante comunista e que vive uma vida desregrada, mas cheia de aventuras. Embora se encontrem com frequência no mesmo parque, os dois são como água e azeite e, algumas vezes, chegam às vias de fato nas muitas discussões que eles próprios constroem. 


Sabe-se que Eduardo Blanco e Luiz Brandoni interpretaram os dois velhinhos por muito tempo em teatros na Argentina, sempre com muito sucesso. Não é pra menos. O roteiro é rico, bem construído e as situações apresentadas ao espectador sempre surpreendem. Nunca se sabe do que o ardiloso León Schwartz vai ser capaz de aprontar. 

A história é quase toda em cima dos diálogos dos dois personagens, mas nunca cansativa. Outros atores e atrizes entram como coadjuvantes em raros momentos, servindo apenas como escada para a dupla. Destacam-se Verônica Pelaccini como Clarita, filha de León, e Augustin Aristarán como Gonzalo, o sindico do edifício onde Antônio trabalha.


Mas que ninguém se engane: nem só de risadas vive o espectador de "Parque Lezama". Há momentos de muita ternura e amizade, além, claro, de esbarrões em questionamentos muito reais sobre a velhice e suas inevitáveis consequências e dificuldades. 

É possível envelhecer sem se tornar um peso para os filhos? Pode-se ficar velho e, ao mesmo tempo, independente? O filme está em cartaz no Netflix.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Juan José Campanella
Exibição: Netflix
Duração: 1h55
Classificação: 14 anos
País: Argentina
Gêneros: drama, comédia

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