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| Natalie Grace interpreta a jovem Katie, possuída por uma entidade maligna da antiguidade que vai atormentar a vida de seus familiares (Fotos: Warner Bros. Pictures) |
Maristela Bretas
O terror contemporâneo tem apostado cada vez mais no desconforto físico e psicológico do espectador — e “Maldição da Múmia” segue exatamente por esse caminho. Em cartaz nos cinemas de Belo Horizonte, o longa troca o susto fácil por uma experiência mais perturbadora e sobrenatural, que provoca mais repulsa do que medo. E como anunciado pela produção, Brendan Frazer e Rachel Weisz não estão neste filme.
Produzido pela Blumhouse Productions em parceria com a Atomic Monsters e New Line Cinema, o filme carrega a expectativa de quem já entregou bons títulos do gênero. Mas, sob a direção de Lee Cronin, de “A Morte do Demônio: A Ascensão” (2023), o resultado é irregular — com mais impacto visual do que narrativa consistente.
A trama acompanha uma família marcada por uma tragédia inexplicável: a filha de um jornalista norte-americano desaparece durante uma viagem ao Egito e é dada como morta.
Oito anos depois, porém, ela reaparece — ferida, deformada e carregando algo muito mais sombrio do que o trauma do desaparecimento. Encontrada dentro de um antigo sarcófago, a jovem retorna como um enigma perturbador.
O que deveria ser um reencontro emocionante logo se transforma em pesadelo. A presença da garota contamina o ambiente familiar, revelando sinais de possessão ligados a antigas seitas egípcias. E, nesse ponto, o filme acerta ao trazer o horror para dentro de casa, virando a vida dos personagens completamente de cabeça para baixo.
Se a proposta de Cronin era reinventar o terror com múmias, aproximando-o do cotidiano de uma família comum, ele até consegue. O problema é como faz isso. “Maldição da Múmia” tem um roteiro preguiçoso, que abandona o desenvolvimento dramático em favor de um festival de excessos visuais: olhos esbugalhados, dentes sendo arrancados, sangue escorrendo, fluidos corporais e uma coleção de sons grotescos, mas nada assustador.
Ainda assim, há méritos técnicos. Os closes nos rostos da criatura e de suas vítimas reforçam a tensão em momentos-chave, potencializando o desconforto de cada ataque. É um recurso eficiente — ainda que usado em excesso.
Uma cena em especial chama a atenção e fica gravada na mente: a do cortador de unhas. Ponto positivo também para as referências sutis a cenas de filmes como "Branca de Neve e os Sete Anões" e "O Exorcista".
O elenco, pouco conhecido, tem nomes como Jack Reynor, Laia Costa, Shylo Molina e Verónica Falcón, além da detetive egípcia interpretada por Dalia Zaki, que investiga o desaparecimento e os eventos estranhos após o retorno da jovem. Mesmo com esforço do elenco, os personagens acabam limitados por um roteiro que pouco aprofunda suas relações.
E esse talvez seja um dos maiores problemas do filme: a presença da múmia dentro de casa até expõe fragilidades familiares interessantes, mas tudo fica na superfície. Falta densidade emocional para sustentar o impacto das situações vividas.
O grande destaque fica com Natalie Grace, convincente como Katie, a jovem possuída. Sua atuação equilibra fragilidade e ameaça, sendo um dos poucos elementos que realmente sustentam a narrativa.
“Maldição da Múmia” pode não agradar a quem espera um terror mais clássico, cheio de sustos e tensão crescente. Mas pode encontrar seu público entre aqueles que preferem o horror mais gráfico, bizarro e incômodo de Cronin — e que não se importam tanto com a falta de profundidade ou de medo genuíno.
No fim, é um filme que chama atenção pelo choque, mas que deixa a sensação de uma boa ideia mal aproveitada, especialmente por ter James Wan, Jason Blum e John Keville entre seus produtores e os estúdios responsáveis por sucessos como a franquia "Invocação do Mal".
Direção e roteiro: Lee Cronin
Produção: Blumhouse Productions, Atomic Monsters, New Line Cinema, Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h14
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, terror sobrenatural





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