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17 abril 2026

“Maldição da Múmia”: terror sobrenatural aposta no grotesco e esquece de assustar

Natalie Grace interpreta a jovem Katie, possuída por uma entidade maligna da antiguidade que vai
atormentar a vida de seus familiares (Fotos: Warner Bros. Pictures) 
 
 

Maristela Bretas

 
O terror contemporâneo tem apostado cada vez mais no desconforto físico e psicológico do espectador — e “Maldição da Múmia” segue exatamente por esse caminho. Em cartaz nos cinemas de Belo Horizonte, o longa troca o susto fácil por uma experiência mais perturbadora e sobrenatural, que provoca mais repulsa do que medo. E como anunciado pela produção, Brendan Frazer e Rachel Weisz não estão neste filme.

Produzido pela Blumhouse Productions em parceria com a Atomic Monsters e New Line Cinema, o filme carrega a expectativa de quem já entregou bons títulos do gênero. Mas, sob a direção de Lee Cronin, de “A Morte do Demônio: A Ascensão” (2023), o resultado é irregular — com mais impacto visual do que narrativa consistente.


A trama acompanha uma família marcada por uma tragédia inexplicável: a filha de um jornalista norte-americano desaparece durante uma viagem ao Egito e é dada como morta. 

Oito anos depois, porém, ela reaparece — ferida, deformada e carregando algo muito mais sombrio do que o trauma do desaparecimento. Encontrada dentro de um antigo sarcófago, a jovem retorna como um enigma perturbador.

O que deveria ser um reencontro emocionante logo se transforma em pesadelo. A presença da garota contamina o ambiente familiar, revelando sinais de possessão ligados a antigas seitas egípcias. E, nesse ponto, o filme acerta ao trazer o horror para dentro de casa, virando a vida dos personagens completamente de cabeça para baixo.


Se a proposta de Cronin era reinventar o terror com múmias, aproximando-o do cotidiano de uma família comum, ele até consegue. O problema é como faz isso. “Maldição da Múmia” tem um roteiro preguiçoso, que abandona o desenvolvimento dramático em favor de um festival de excessos visuais: olhos esbugalhados, dentes sendo arrancados, sangue escorrendo, fluidos corporais e uma coleção de sons grotescos, mas nada assustador.

Ainda assim, há méritos técnicos. Os closes nos rostos da criatura e de suas vítimas reforçam a tensão em momentos-chave, potencializando o desconforto de cada ataque. É um recurso eficiente — ainda que usado em excesso. 

Uma cena em especial chama a atenção e fica gravada na mente: a do cortador de unhas. Ponto positivo também para as referências sutis a cenas de filmes como "Branca de Neve e os Sete Anões" e "O Exorcista".


O elenco, pouco conhecido, tem nomes como Jack Reynor, Laia Costa, Shylo Molina e Verónica Falcón, além da detetive egípcia interpretada por Dalia Zaki, que investiga o desaparecimento e os eventos estranhos após o retorno da jovem. Mesmo com esforço do elenco, os personagens acabam limitados por um roteiro que pouco aprofunda suas relações.

E esse talvez seja um dos maiores problemas do filme: a presença da múmia dentro de casa até expõe fragilidades familiares interessantes, mas tudo fica na superfície. Falta densidade emocional para sustentar o impacto das situações vividas.

O grande destaque fica com Natalie Grace, convincente como Katie, a jovem possuída. Sua atuação equilibra fragilidade e ameaça, sendo um dos poucos elementos que realmente sustentam a narrativa.


“Maldição da Múmia” pode não agradar a quem espera um terror mais clássico, cheio de sustos e tensão crescente. Mas pode encontrar seu público entre aqueles que preferem o horror mais gráfico, bizarro e incômodo de Cronin — e que não se importam tanto com a falta de profundidade ou de medo genuíno.

No fim, é um filme que chama atenção pelo choque, mas que deixa a sensação de uma boa ideia mal aproveitada, especialmente por ter James Wan, Jason Blum e John Keville entre seus produtores e os estúdios responsáveis por sucessos como a franquia "Invocação do Mal".


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Lee Cronin
Produção: Blumhouse Productions, Atomic Monsters, New Line Cinema, Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h14
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, terror sobrenatural

27 junho 2025

"M3GAN 2.0" entrega mais violência, ação e uma versão atualizada para combate

Boneca-robô assassina retorna após dois anos do último filme com upgrade para enfrentar uma rival
criada com IA (Fotos: Universal Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
A icônica robô assassina que arrebatou mais de 2 milhões de espectadores nos cinemas nacionais em 2023, mantendo-se por cinco semanas entre as dez maiores bilheterias do país, está de volta.

"M3GAN 2.0" estreou nos cinemas pronta para confrontar uma adversária ainda mais violenta e sem controle, criada com Inteligência Artificial para ser uma máquina de guerra.

A história se passa dois anos após Gemma (Allison Williams) ter criado M3GAN para ser a companhia ideal de sua sobrinha Cady (Violet McGraw). A androide, no entanto, se tornou uma boneca assassina implacável e precisou ser desativada. 

Gemma agora é uma autora de prestígio e defensora da supervisão governamental da IA, enquanto Cady, já adolescente, discorda da superproteção da tia.


Sem o conhecimento da criadora, a tecnologia de M3GAN é roubada e utilizada para desenvolver um novo protótipo cuja única missão é ser uma arma militar extremamente letal. Batizada de Amélia (Ivanna Sakhno), ela rapidamente cria consciência própria e se torna uma máquina sem controle, disposta a exterminar a raça humana. 

A única chance de impedir que esta versão 2.0 destrua a humanidade é ressuscitar M3GAN (interpretada por Amie Donald e dublada por Jenna Davis), fazendo algumas atualizações para deixá-la mais rápida, mais forte e preparada para enfrentar Amélia. Apesar de ter se tornado uma assassina, M3GAN não perdeu seu principal objetivo - proteger Cady.


Assim como no filme original, "M3GAN 2.0" é violento, com sangue espirrando nas paredes e apresenta mais de um vilão, que inicialmente até parece bonzinho. 

Os efeitos visuais são destaque, principalmente nas coreografias de luta, capazes de transformar até mesmo personagens comuns em verdadeiros lutares no estilo Bruce Lee. O ponto alto da produção é o confronto eletrizante entre M3GAN e Amélia. 

Embora o filme apresente situações por vezes forçadas, elas estão dentro do esperado e contribuem para a agilidade da trama, mantendo a narrativa dinâmica e envolvente. 


O longa se afasta do gênero terror puro, apesar de contar com a Blumhouse (responsável por sucessos como "Sobrenatural - A Porta Vermelha" - 2023 e "O Homem Invisível" - 2020), e James Wan (diretor de "Invocação do Mal 2" - 2016 e "Maligno" - 2021) como produtores.

"M3GAN 2.0" explora mais a ação, o suspense violento e uma abordagem futurista que questiona o destino da humanidade caso os robôs assumirem o controle da tecnologia global. É quase uma Skynet de "O Exterminador do Futuro", mas com um corpo humanizado e atualizada com Inteligência Artificial.


No elenco, além das protagonistas temos o retorno de Brian Jordan Alvarez (Cole) e Jen Van Epps (Tess), parceiros de pesquisa de Gemma no primeiro filme. E novos participantes como Aristotle Athari (Christian, namorado de Gemma), Timm Sharp (Agente Sattler), Jermaine Clement (o empresário Alton Appleton) e Mayen Mehta (Naveen).

Com efeitos visuais de alta qualidade e uma boa produção, o filme apresenta a famosa robô mais madura e uma rival assassina tão bela quanto letal, prometendo mais uma vez conquistar o público.


Sucesso do anterior

A nova produção pretende repetir o sucesso de seu antecessor que permaneceu por cinco semanas entre as dez maiores bilheterias do Brasil. "M3GAN", que teve um orçamento de US$ 12 milhões, também quebrou recordes, arrecadando US$ 30,4 milhões em sua estreia nos EUA.

O filme tornou-se a maior abertura de final de semana de um filme de terror PG-13 desde “Um Lugar Silencioso - Parte II”. No total, ultrapassou US$ 180 milhões na bilheteria mundial. A expectativa é de que "M3GAN 2.0" alcance números de bilheteria tão impressionantes quantos os de seu antecessor. 


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Gerard Johnstone
Produtores: James Wan, Jason Blum e Allison Williams
Produção: Blumhouse Productions e Atomic Monsters
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2 horas
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: terror, ficção, ação, suspense

12 outubro 2023

“O Exorcista - O Devoto” é corajoso, mas a coragem nunca é um bom sinal no horror

Produção traz “jump scares” que não conseguiriam assustar nem uma criança desalmada (Fotos: Universal Pictures)


Wallace Graciano


Antes de lhe passar uma opinião sobre “O Exorcista - O Devoto” ("The Exorcist - Believer"), preciso traçar contigo um limite, caro leitor: dispa-se de suas convicções sobre a obra pregressa, “O Exorcista”. Afinal, estamos tratando de um épico, de um longa que fez com que um gênero todo girasse ao seu redor e deixasse o underground e colocasse o horror/terror na cultura pop. 

Isso posto, preciso deixar claro que o filme que estreia neste 12 de outubro, Dia das Crianças, em todo o Brasil, está bem longe de igualar a película de 1973. Primeiro, por conta das expectativas e comparações, que são, de longe, o maior entrave para qualquer obra que ouse fazer uma releitura de um clássico. Segundo, porque o roteiro é bem costurado, mas peca em alguns pontos essenciais onde o ápice batia à porta.


“O Devoto”, se assim podemos chamar neste ponto para não confundir com a icônica obra escrita por William Peter Blatty, bebe da fonte da suas antecessoras (“Exorcista II - O Herege” - 1977, “O Exorcista III” - 1990 e “O Exorcista - O Início” - 2004), mas abre caminho para novos filmes da franquia. Nele, a temática de possessão continua presente, com os feitos do passado da Igreja Católica sendo evocados, mas com certo ar de dúvidas que assolam suas próprias certezas.


Em “O Devoto”, Angela (Lidya Jewett) e Katherine (Olivia O'Neill), duas amigas de 13 anos, ganham o protagonismo que outrora foi de Regan (vivida por Linda Blair), que na obra original foi possuída por Pazuzu (spoiler de 50 anos…). 

Após enganarem seus pais e irem a uma floresta para tentar aflorar sua espiritualidade, elas se perdem no caminho, voltando após três dias com comportamentos erráticos e agressivos. Aqui você já deve bem suspeitar o que ocorreu…


Pois bem, é nesse ponto que a trama se desenvolve. Mesmo que com personagens pouco cativantes (incluindo as meninas, que foram pouco desenvolvidas), o filme passa a buscar novas soluções para as possessões do presente através do passado. 

Entre elas, inclusive, está um fanservice, onde o pai de Angela recorre a Chris MacNeil (mãe de Regan), interpretada novamente por Ellen Burstyn, para trazer respostas para o tortuoso caminho que as meninas teriam pela frente. 


E de forma surpreendentemente positiva, a trama, apesar de evocar uma forte personagem do passado, não fica presa ao enredo de outrora para explicar a possessão. 

Agora, “O Devoto” tenta transformar a Igreja Católica como personagem ativa de todo o processo, mas não como única e central, fazendo com que o sincretismo religioso seja uma força na luta contra o mal, incluindo a presença e união de religiões de matrizes africanas e protestantes. 


Em um nicho clichê, onde vários filmes de possessão esgotaram por completo todas as narrativas que se tornaram repetitivas com os mesmos roteiros de sempre, "O Exorcista - O Devoto" acerta ao ousar tentar trilhar um novo caminho. Agora, do ateísmo ao preconceito religioso são colocados em xeque enquanto as certezas se dissolvem. Porém, peca ao desenvolver muito mal seus personagens e trazer jump scares que não conseguiriam assustar nem uma criança desalmada.

Em síntese, "O Exorcista - O Devoto", tal qual Angela e Katherine, peca em suas ações, mas compensa pela coragem do enredo e por um final que pouco se espera. Porém, se quer abrir um caminho para novas adaptações, precisa evoluir. E muito. Afinal, se uma coisa que o horror nos ensinou muito bem nesse meio século é que a coragem é sempre válida, mas perigosa.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: David Gordon Green
Produção: Universal Pictures, Blumhouse Productions, Morgan Creek Productions
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h57
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: terror

19 janeiro 2023

"M3gan" - aquele parente que é melhor não ter na família

A atriz-mirim Amie Donald interpreta a boneca robô com cara de assassina que tem vida infinita (Fotos: Universal Pictures)


Maristela Bretas


A roupa lembra uma professora primária, mas não se engane com esse novo brinquedo de 10 mil dólares que entrou em cartaz nos cinemas. Ela é "M3gan", uma boneca desenvolvida para ter vida infinita e ser a melhor amiga e protetora de sua dona. O que sua criadora não esperava é que ela também se tornasse seu maior pesadelo.

A produção não chega a ser um terror pesado. Os ataques da boneca começam mesmo a acontecer do meio do filme para frente. Antes disso, o roteiro é comum e segue explicando os dramas da criança amiga da boneca e sua relação com a família e o brinquedo. 


Só a cara e o olhar macabro de M3gan já causam pânico em qualquer um. Tudo indica que coisa boa não vai sair dali. A mesma sensação provocada por outros brinquedos do mal. 

Como Chucky (2019), na nova versão robotizada, ao contrário do original em pano e resina de 1998, como Annabelle (2014). Ambos assustam pela aparência. Não é normal um pai querer que algo bizarro assim passe longas horas com o filho.


Mas é exatamente isso o que acontece. Mesmo sendo um filme de terror, o roteiro tenta mostrar que a pequena órfã Cady (Violet McGraw, de "Doutor Sono" - 2019) só se liga na boneca porque a tia Gemma (Allison Williams, de "Corra" - 2017), roboticista de uma empresa high-tech de brinquedos para crianças, não lhe dá a atenção necessária. 


M3gan (com excelente interpretação da atriz-mirim, dublê e dançarina Amie Donald) é um protótipo de boneca realista, ainda em fase experimental, que usa Inteligência Artificial. 

No vídeo com conteúdos especiais, divulgado dia 18 nas redes sociais da Universal Pictures Brasil, elenco e produtores afirmam que a companheira de Cady é "a melhor amiga", "radiante como um raio de luz', até surtar. 


Programada para ser uma aliada dos pais e a maior companheira das crianças, ela é dada por Gemma à sobrinha Cady como teste para que aprenda a interagir com os humanos. Só que M3gan passa a assumir responsabilidades que deveriam ser da tia e suprir a carência da menina.

Mas a boneca vai além e se torna independente e possessiva com relação à Cady, não permitindo que nada nem ninguém lhe cause dor ou sofrimento. A partir daí, o pânico e as mortes passam a fazer parte da vida de Gemma e daqueles ao seu redor. 


M3gan não tem dó em usar um martelo, uma chave de fenda, ácido ou sua própria força para eliminar aqueles que ela não gosta ou que tentam afastá-la de Cady. 

As cenas de ataques não são explícitas, não se vê cabeças cortadas e corpos mutilados, mas o suspense é conduzido de maneira satisfatória e o sangue corre pela parede. 


Uma das melhores cenas é a "dancinha" que ela faz no corredor. Outro ponto positivo é a ótima trilha sonora de Anthony Willis, escolhida a dedo para compor as ações da personagem do mal. Destaque para “Titanium”, de Rihanna, interpretada por Jenna Davis, que também faz a voz da boneca. Clique aqui para conferir. 


O longa foi criado a partir do roteiro de Akela Cooper, com história de James Wan, que também é um dos produtores e tem em sua filmografia sucessos do terror como "Maligno" (2021), "Invocação do Mal 2" (2016), "Invocação do Mal "(2013), "Gritos Mortais" (2007) e "Jogos Mortais" (2004).


Apesar de ser um terror mediano, "M3gan" agrada e o público não sai insatisfeito do cinema. A boneca, apesar de ter uma cara que provoca arrepios, é com certeza a estrela do filme, sem passar uma aspecto fake

Pelo contrário, parece bem real e pode tirar o sono de muita criancinha. Entra para a minha lista dos bonecos assassinos que cumprem o que prometem. 


Ficha técnica:
Direção: Gerard Johnstone
Produção: Blumhouse Productions e Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h42
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: terror, suspense

13 agosto 2022

"O Telefone Preto" só deixa ocupado o público em um suspense mediano

Ethan Hawke é um sequestrador de crianças que aterroriza uma pequena cidade (Fotos: Universal Studios)


Marcos Tadeu
Blog Narrativa Cinematográfica

 
Recebendo uma nota de 87% de aprovação no Rotten Tomatoes, sendo 101 críticas positivas e 15 negativas, "O Telefone Preto" ("The Black Phone"), dirigido e roteirizado por Scott Derrickson, chegou aos cinemas fazendo barulho por ser um terror psicológico que foge do óbvio. Mas decepciona no quesito susto e abusa nos clichês do gênero.


Em Colorado, 1978, conhecemos Finney Shaw (Mason Thames), um garoto de 13 anos tímido mas muito inteligente, que é raptado pelo Sequestrador (Ethan Hawke) que o coloca em um quarto à prova de som. Existe na cela um telefone preto que começa a tocar e a passar recomendações para ajudar o protagonista a sair daquele lugar.


Parte do enredo busca mostrar a temática da nostalgia e da infância, por se passar em uma cidade com poucos habitantes. Vemos como aquelas crianças dali se divertem em sua comunidade e como é a relação com os seus pais. 

Somos apresentados ao núcleo do nosso protagonista, que sofre com problemas de consumo de álcool e acaba se tornando muito violento. Quando Gwen (Madeleine McGraw), irmã mais nova de Finney, começa a ter visões sobre a questão dos sequestros, seu pai muito ríspido, proíbe que a menina veja e tenha acesso ao que está ocorrendo.


Em questão do terror, "O Telefone Preto" até funciona, colocando alguns jump scare que até provocam sustos no espectador. Mas achei que iam explorar mais esta parte.

Precisamos falar de Ethan Hawke como o Sequestrador: ele está à vontade no papel e assusta até com máscara cobrindo o rosto. A atuação dele chama a atenção. 


Um grande problema aqui é a falta de profundidade do vilão. Sabemos que ele sequestra algumas crianças e mata outras, mas qual a motivação? Será que ele teve um pai abusivo? O que o levou a planejar esses sequestros? Tudo isso fica numa camada rasa e em nenhum momento se propõe a resolver.


O maior defeito do filme, sem dúvida, são as saídas clichês para o protagonista. Ele recebeu orientações de outras crianças e tudo estava muito fácil, não consegue sentir emoção e adrenalina. Se do outro lado do telefone preto já tinha um time de crianças orientando, tudo isso fica em uma camada superficial e de fácil solução. Senti que isso atrapalha até os personagens secundários, como os policiais que não serviam de nada.

O que se pode concluir é que "O Telefone Preto" é um filme que só faz ocupar o público com uma história mediana. Apesar das grandes notas, faltou uma continuação ou um prequel para explicar as motivações do sequestrador.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Scott Derrickson
Produção: Blumhouse Productions / Universal Pictures
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h43
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: terror / suspense