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| Cillian Murphy está de volta como Thomas Shelby, personagem que o consagrou na série homônima (Fotos: BBC Films) |
Jean Piter Miranda
O ano é 1940 e a cidade inglesa de Birmingham está sendo atacada pelo exército alemão, durante a Segunda Guerra Mundial. Thomas Shelby (Cillian Murphy) segue recluso, distante de tudo, convivendo com suas dores.
Após tantas perdas ao longo da vida, ele deixou pra trás seus dias de gângster. Porém, a ligação de nazistas com seu filho Duke (Barry Keoghan) faz com que o maior de todos os Shelby volte à ativa para uma última batalha.
Esse é “Peaky Blinders: O Homem Imortal” ("Peaky Blinders: The Immortal Man"), filme disponível na Netflix. O longa chega para fechar “Peaky Blinders”, série de grande sucesso mundial que teve seis temporadas entre 2013 e 2022.
Ao longo de 30 capítulos, Tommy Shelby se torna um dos maiores gângsteres da Europa. A trama envolve questões familiares, crimes, amizades, lealdade e traições. Muitas brigas, violência, a entrada do clã no mundo dos negócios e também na política.
Depois de perder amigos, familiares e amores, Tommy não vê mais sentido na vida. Ele então se retira, vai viver sozinho, no interior do país. O antigo gângster agora passa os dias em uma casa assombrada, remoendo diariamente o passado, como uma espécie de penitência.
Escrevendo um livro de memórias como um ritual para esquecer tudo o que viveu. Sua única irmã viva, Ada (Sophie Rundle) vai até o seu encontro para pedir ajuda. Ela conta dos problemas que enfrenta, em especial com o filho dele, Duke.
Como é de se esperar, Ada não consegue convencer Tommy a voltar para Birmingham. Porém, a visita inesperada da cigana Kaulo (Rebecca Ferguson) muda tudo. Com seus poderes místicos, ela faz com ele mude de ideia. Aí então se inicia a ação.
É nesse segundo ato que o filme começa a se perder. Se na introdução tudo seguia bem, com um desenvolvimento esperado e satisfatório, a partir da saída de Tommy do exílio tudo fica acelerado. Dessa forma, nada parece ter consistência. Nada convence a partir de então.
A ligação de Duke com os nazistas é rasa, não inspira segurança para nenhum dos lados. Ainda mais se tratando de uma missão secreta de alta prioridade. A revolta de Duke com o pai que, a princípio parece ser a raiz do filme, não se explica.
O que indicava uma rivalidade e um antagonismo íntimo entre pai e filho, simplesmente não acontece. Tudo se resolve rápido demais, sem nenhum esforço.
Duke que hora parece ser um gângster duro e destemido muda rapidamente. Mostra-se mostra fraco, frágil, sem a imponência e a autoridade de um verdadeiro Shelby.
Destoa muito do que é apresentado no início. Um líder anarquista, que estava pronto para ajudar os nazistas, e que, do nada, passa a integrar uma missão de vingança que também vai salvar a nação.
Tommy Shelby vai para o que parece ser sua última batalha, que também dará o desfecho para o filme e para a série. Momentos que até emocionam, mas não sem forçar muito a barra.
Um roteiro pouco razoável, que apresenta situações nada críveis, que são difíceis de engolir. É como se tivessem escrito uma temporada inteira e depois fosse cortando partes e fazendo adaptações para tudo caber em um longa. Claro, não ficou bom.
A série fez de Tommy Shelby um ícone pop. Um personagem temido, respeitado, admirado e amado. Uma aura que saiu das telas e gerou uma legião de fãs pelo mundo.
Mas, assim como outras séries, “Peaky Blinders” também não soube a hora de parar. Se estendeu demais, para dar lucro, é evidente, e assim comprometeu sua essência. É claro que os fãs mais apegados farão vista grossa a tudo isso, em nome da nostalgia e de uma boa despedida.
Ficha técnica:
Direção: Tom HarperRoteiro: Steven Knight
Produção:Tiger Aspect Productions, BBC Films, BBC Studios
Exibição: Netflix
Duração: 1h52
Classificação: 18 anos
País: Reino Unido
Gêneros: policial, ação, suspense






