Mostrando postagens com marcador #universoproducao. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #universoproducao. Mostrar todas as postagens

01 fevereiro 2026

Mostra de Cinema de Tiradentes reafirma seu papel estratégico no audiovisual brasileiro

Encerramento da 29ª edição que contou, de 23 a 31 de janeiro, com a presença de mais de 38 mil pessoas (Fotos: Leo Lara, Jackson Romanelli e Leo Fontes/Universo Produção)
 
 

Da Redação

 
Após nove dias de intensa e diversificada programação gratuita online e presencial, a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes encerra com números expressivos e consolida seu papel estratégico no calendário cultural brasileiro como espaço de lançamento, reflexão crítica, formação e articulação do audiovisual nacional. 

Os vencedores deste ano foram: o documentário "Anistia 79" (RJ), de Anita Leandro, que conquistou os prêmios Carlos Reichnbach de Melhor Filme na Mostra Olhos Livres e  Melhor Longa pelo Júri Popular; o mineiro "Para os Guardados", de Desali e Rafael Rocha, na Mostra Aurora, pelo Júri Jovem; “Entrevista com Fantasmas” (RS/SP), de LK, como Melhor Curta pelo Júri Oficial na Mostra Foco; e “Recife Tem um Coração” (RN), de Rodrigo Sena, como Melhor Curta pelo Júri Popular.

O nome de destaque desta edição foi a diretora e atriz Karine Teles, que teve sete filmes de sua trajetória exibidos na Mostra Homenagem.

O evento reuniu realizadores, profissionais do setor, pesquisadores, imprensa e um público de idades variadas. Mais de 38 mil pessoas participaram das ações, que movimentaram a cidade histórica e seu entorno, gerando impacto direto na economia local. 


A partir do tema central “Soberania Imaginativa”, a Mostra propôs um olhar sobre a invenção como gesto central do cinema nacional atual, valorizando a autonomia criativa e a diversidade de vozes e territórios. 

Com uma programação que celebrou o cinema brasileiro, a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes exibiu 137 filmes nacionais, provenientes de 23 estados, entre longas e curtas-metragens, todos em pré-estreia, espalhados em 21 mostras ou sessões especiais. 

Os títulos, entre produções e coproduções estaduais, refletiram a diversidade e vitalidade da produção nacional. A Mostra exibiu trabalhos de Rio de Janeiro (30 filmes), Minas Gerais (27), São Paulo (22), Pernambuco (8), Rio Grande do Sul (7), Ceará (7), Bahia (6), Goiás (5), Pará (4), Paraná (3), Paraíba (3), Distrito Federal (2), Rio Grande do Norte (2), Maranhão (2), Espírito Santo (2), Sergipe (2) e Amazonas (2), Amapá (1), Santa Catarina (1), Rondônia (1), Piauí (1), Mato Grosso (1) e Alagoas (1).


4º Fórum Tiradentes 

A 29ª Mostra também sediou o 4º Fórum de Tiradentes – Encontros pelo Audiovisual, que reuniu mais 70 profissionais em seis grupos de trabalho e promoveu a sessão de abertura, três debates temáticos, seis painéis e uma sessão plenária. 

Com o tema central “Convergências de políticas públicas para o fortalecimento do setor audiovisual brasileiro”, o Fórum contou com a presença de representantes dos governos federal, estadual e de BH, de entidades e profissionais do setor audiovisual, entre outros.

Raquel Hallak - Coordenadora geral do Fórum

As discussões resultaram na Carta de Tiradentes 2026, documento que sistematiza propostas e diretrizes e será encaminhado a gestores públicos e instituições do setor. 

O texto reafirma a necessidade de convergência entre União, estados e municípios para superar assimetrias regionais e garantir um Sistema Nacional do Audiovisual baseado no equilíbrio federativo, na descentralização e no planejamento de longo prazo.

“A efetividade da Carta de Tiradentes 2026 dependerá do compromisso contínuo de todos nós, profissionais, instituições, redes e territórios representados aqui, em difundir, incorporar e transformar essas proposições em práticas concretas”, afirmou Raquel Hallak, coordenadora geral do Fórum. Leia a íntegra da carta clicando aqui.

Público presente

Atrações culturais

Além das exibições e debates, a Mostra promoveu uma programação artística diversa, com 32 atrações que ocuparam diferentes espaços da cidade, reforçando a integração entre cinema, artes e território. A edição também contou com o lançamento de sete livros, ampliando o debate sobre audiovisual e cultura brasileira.

O evento reafirmou Tiradentes como protagonista de sua própria narrativa ao contar com programação que incluiu uma exposição instalada em painéis urbanos no Cine Petrobras na Praça, a exibição de cinco filmes realizados na cidade — um longa-metragem e quatro curtas-metragens - e a participação de uma ala temática no Cortejo da Arte, tendo a Serra de São José como referência simbólica. 

Mais do que cenário, a cidade se apresentou como espaço de memória, experiência e imaginação, com atividades que ocuparam a praça central e promoveram o encontro entre moradores e visitantes.

Petrobras na Praça

Números da Mostra
● Filmes: 137 filmes de 23 estados brasileiros
● Atividades Formativas: 17 atividades com 623 vagas (10 oficinas, 2 workshops, 2 laboratórios e 3 masterclasses)
● Jornalistas credenciados: 97
● Número de pousadas parceiras: 21
● Número de restaurantes parceiros: 16
● Veículos de imprensa: Mais de 600
● Seminários: 160 profissionais em 59 debates e bate-papos
● Homenageada: Karine Teles, com 7 filmes exibidos na Mostra Homenagem
● Livros lançados: 7
● 4º Fórum Tiradentes: 6 grupos de trabalho, 5 debates, Carta de Tiradentes 2026 elaborada com a colaboração de 70 profissionais do setor
● Atrações artísticas: 32
● Conexão Brasil CineMundi: 20 projetos audiovisuais em desenvolvimento (14 projetos de longa + 6 wip), selecionados para rodadas de negócios com 22 convidados e players do mercado internacional, vindos de 12 países. Foram realizadas 70 reuniões entre os produtores e realizadores dos filmes WIP e convidados.
● Equipe de trabalho: 184 pessoas
● Empregos gerados - diretos e indiretos: mais de 2500
● Empresas mineiras contratadas: 280
● Público: Mais de 38 mil pessoas
● Recursos injetados na economia local: mais de R$ 10 milhões
● Plataformas digitais do evento: 4,2 milhões de visualizações e mais de 300 mil acessos contabilizados no site, vindos de 74 países.


Serviço:
29ª Mostra de Cinema de Tiradentes
Data de realização: de 23 a 31 de janeiro de 2026
Saiba mais: http://www.mostratiradentes.com.br/
Fotos do evento: https://www.flickr.com/photos/universoproducao/

25 janeiro 2023

"Até o Fim" é sobre lembranças, conflitos do passado e irmandade

Longa foi apresentado na 26ª Mostra de Cinema de Tiradentes, na categoria Mostra Homenagem
(Fotos: Rosza Filmes)



Marcos Tadeu
Narrativa Cinematográfica


Com uma direção muito afinada e um texto primoroso, a obra "Até o Fim" (2020) é um dos longas que compõem a 26º Mostra de Tiradentes na categoria Mostra Homenagem. 

Para saber mais sobre esta e outras produções do evento, basta entrar no link www.mostratiradentes.com.br. A programação, que segue até o dia 28 de janeiro, é online e presencial, totalmente gratuita.


Os diretores Ary Rosa e Glenda Nicácio são os homenageados da edição deste ano e levaram para o evento outras cinco obras - "Voltei" (2021), "Café com Canela" (2017), "Ilha" (2018), "Mugunzá" e "Na Rédea Curta", produções de 2022 que abriram a Mostra no dia 21.

"Até o Fim" é uma obra que se passa quase todo o tempo na mesa do quiosque à beira de uma praia, no Recôncavo Baiano. A dona é Geralda, uma mulher humilde, trabalhadora, que recebe um telefonema do hospital dizendo que seu pai pode morrer a qualquer momento. 


Ela convoca as três irmãs para aguardarem a morte e o quiosque se torna o ponto de encontro. A conversa é repleta de desabafos e lembranças. Geralda é a protagonista, mas divide bem o tempo de tela com as irmãs, expondo seus traumas, lembranças, culpa e arrependimentos.

Ao compartilhar tudo isso com Rose, Bel e Vilmar, a irmandade se torna o elo principal do filme. Cada irmã tem um diferencial, Rose é mais leve e para cima, lembra de histórias engraçadas do pai, apesar do passado complicado com Geralda.


Bel se tornou atriz e até separou, mas tem boas lembranças tanto da mãe, quanto do pai. E Vilmar, o caçula, que agora se chama Ana. Ela é a personagem com mais problemas por causa de sua transexualidade e ainda carrega muita mágoa do pai. Muitas vezes desejou que ele estivesse morto.

O encontro de Ana e Geralda é o ponto de maior conflito do filme. A caçula questiona a irmã sobre como o pensamento radical e atrasado fez com que ela perdesse muito de sua vida e da relação entre elas. E que agora tem a chance de fazer melhor e aceitar.  


Aninha agora é publicitária e se posiciona sobre os lugares que precisa e quer estar e deixa isso muito claro para sua irmã. Mesmo após 15 anos da morte da mãe, ela e Geralda não conseguem dizer as palavras "mãe" e "filha". 

No desabafo entre irmãs, ela fala das dores para se tornar uma pessoa transgênero e, principalmente, ao contar que quando foi violentado, em nenhum momento o pai decidiu defendê-la.


Talvez o maior defeito do filme sejam os cortes repetitivos, falas que voltam sem nenhuma necessidade, fazendo com que o ritmo fique um pouco truncado. 

Mesmo assim, ainda é agradável de se ver. "Até o Fim" é daquelas obras que você sai orgulhoso por ter a marca do cinema nacional, o tempero da Bahia e a força de quatro mulheres. 

Sobre os diretores

Mineiros de nascimento - Glenda Nicácio é de Poços de Caldas e Ary Rosa, de Pouso Alegre -, radicaram-se em Cachoeira (BA) em 2010, quando foram estudar cinema na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). 

Glenda Nicácio e Ary Rosa (Foto: Leo
Lara/Universo Produção)

A homenagem à dupla na 26ª Mostra de Cinema de Tiradentes é também estendida à produtora Rosza Filmes, fundada por eles e responsável por alguns dos títulos mais celebrados do cinema brasileiro contemporâneo. Construíram uma vasta comunidade local de realizadores, inclusive em projetos de educação audiovisual.

Glenda e Ary assinaram a direção conjunta de cinco longas-metragens em cinco anos: “Café com Canela” (2017), “Ilha” (2018), “Até o Fim” (2020), “Voltei!” (2021), “Mugunzá” (2022) e “Na Rédea Curta” (2022). Glenda ainda dirigiu um projeto solo, o média-metragem “Eu não Ando Só” (2021). 


Ficha técnica:
Direção: Ary Rosa e Glenda Nicácio
Produção: Rosza Filmes
Duração: 1h33
Classificação: 14 anos
País: Brasil (feito na Bahia)
Gênero: Ficção