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04 novembro 2026

"Assalto à Brasileira": quando a realidade do país supera qualquer roteiro de comédia

Filme é baseado em um fato ocorrido em Londrina no ano de 1987 que ganhou repercussão nacional
pelo número de reféns (Fotos: +Galeria
)
 
 

Maristela Bretas

 
Não importa a época, a cidade ou mesmo os fatos. O certo é que o brasileiro é um ser que precisa ser estudado pela ciência. E "Assalto à Brasileira", que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, é a prova de que até mesmo uma ação criminosa pode fazer vítimas mudarem de lado, apoiarem bandidos e ainda transformá-los em heróis.

Londrina, 10 de dezembro de 1987. O Brasil, recém-saído da Ditadura Militar, era presidido por José Sarney e vivia uma de suas piores crises econômicas. Os remarcadores de preços disputavam espaço nas prateleiras com os consumidores, numa corrida para ver quem chegava primeiro aos produtos antes que as etiquetas fossem trocadas.


O povo sofria com a hiperinflação, a falta de dinheiro e os juros bancários extorsivos. É nesse contexto que sete rapazes desempregados e fortemente armados resolvem assaltar a agência do Banestado, a maior da cidade, exigindo 30 milhões de cruzados (cerca de US$ 10 milhões na época) e fazendo mais de 300 reféns.

Liderada por Moreno (Christian Malheiros) e Barba (Robson Nunes), a quadrilha não tem um plano decente para a ação criminosa e nem sabe como escapar depois que a polícia chega ao local. Alguns integrantes mal sabiam segurar um revólver. 


Tinha tudo para dar errado, até que entra em cena Paulo (Murilo Benício, de "Divórcio", 2017), um jornalista recém-demitido que estava no local tentando receber sua rescisão e acaba virando refém. 

Ele assume o papel de mediador para evitar que a situação piore ainda mais e passa a orientar a quadrilha sobre como agir para que todos saiam vivos do local, com o dinheiro e sem ferir ninguém.

Do lado de fora, o caricato comandante Fonseca (Paulo Miklos, numa ótima atuação) fica responsável por conduzir as tensas negociações. É um cenário caótico, que vai do drama dos reféns ao completo despreparo da polícia e dos assaltantes, agora orientados por um repórter que enxerga na situação sua grande matéria jornalística.


O caso é tão surreal que, a todo momento, os meliantes afirmam aos reféns que não são bandidos, apenas cidadãos desesperados. Esse é um dos pontos cômicos da trama, muito bem explorado pelo diretor José Eduardo Belmonte ("Uma Família Feliz", 2024), que consegue transformar o clima e a relação entre todos que estão dentro e fora da agência.

Se, no assalto verdadeiro, uma multidão de mais de cinco mil pessoas se concentrou em frente ao banco, torceu pelos assaltantes e até aplaudiu quando eles saíram com os reféns, imagine essa história adaptada para o cinema com este elenco! Era como se os bandidos tivessem virado mocinhos e estivessem vingando o povo que sofria nas mãos do sistema bancário.


Adaptado do livro homônimo do jornalista Domingos Pellegrini, com roteiro de L.G. Bayão, "Assalto à Brasileira" é uma comédia policial baseada em fatos reais. A frase que aparece no início do filme resume bem a proposta: "Pense em um absurdo. Ele já aconteceu antes no Brasil".

Um dos maiores roubos a banco do país é transformado em quase uma comédia, com diálogos inacreditáveis, tanto dos bandidos quanto dos reféns. Tem até pedidos de desculpas, distribuição de dinheiro e flertes.

Murilo Benício é carismático e mantém o estilo de outras produções, dominando as cenas. Ele forma uma boa parceria nos diálogos com Christian Malheiros, cujo personagem tem tudo, menos cara de ladrão. 


Malheiros é conhecido também por seu papel em "Maníaco do Parque" (2024), disponível no Prime Vídeo. Já o humorista Robson Nunes trabalhou com o diretor José Eduardo Belmonte em "O Auto da Boa Mentira" (2021).

Outros integrantes da quadrilha também entregam ótimas cenas de humor, em especial Matheus Macena. Fazem parte ainda do grupo os atores Vertin Moura, Vinícius Marinho e Ariclenes Barroso. O elenco conta ainda com Fernanda de Freitas, Yohama Eshima, Laura Luz, Mila Ribeiro, Augusto Madeira, Débora Duboc, Luiz Thunderbird e Fernando Rubro, entre outros.

"Assalto à Brasileira" consegue reproduzir acontecimentos reais de um momento delicado do país, equilibrando ação, tensão e humor ácido, às vezes até inocente, com atuações imprevisíveis dos protagonistas. 


Para completar a história, nada como uma boa trilha sonora, composta por Diogo Poças e Leo Mendes, que inclui músicas de Rita Lee, Ira!, Titãs e até do lendário Odair José.

Premiações

O longa também recebeu três prêmios no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2025: Melhor Ator, para Murilo Benício; Melhor Ator Coadjuvante, para Christian Malheiros; e Melhor Filme pelo Júri Popular. Também foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

No fim das contas, "Assalto à Brasileira" confirma que, quando o assunto é a realidade do país, nenhum roteirista precisa exagerar muito para criar uma boa comédia. Não perca as cenas pós-créditos.


Ficha técnica:
Direção: José Eduardo Belmonte
Roteiro: LG Bayão e Domingos Pellegrini
Produção: Santa Rita Filmes, com coprodução +Galeria e Telefilms
Distribuição: Galeria Distribuidora
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h30
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gêneros: comédia, policial, ação

27 outubro 2026

“As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” emociona ao falar de amizade, luto e recomeços

 Giulia Be e Any Gabrielly entregam interpretações emocionantes e demonstram sintonia na trama
(Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas

 
Prepare os lencinhos, porque “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” faz muito marmanjo enxugar as lágrimas. O filme conta a história de duas amigas inseparáveis, Gabriela (Any Gabrielly) e Julia (Giulia Be), e aposta na emoção para conquistar o público. A premissa não é exatamente original, mas a química entre as duas atrizes funciona muito bem e dá força à narrativa.

A produção aborda temas delicados, como luto, depressão, relações familiares, redescobertas e, principalmente, a força da amizade, que pode permanecer mesmo depois da morte. Com sensibilidade, o longa acompanha as dificuldades de uma adolescente para lidar com a perda e encontrar coragem para mudar a própria vida.


Dirigido por Diego Freitas e baseado no livro "As Dez-vantagens de Morrer Depois de Você", de Fernanda De Castro Lima, o filme apresenta Gabriela e Julia, amigas desde a infância, mas com personalidades bastante diferentes. Gabi é reservada, tímida e tem medo de sair da própria zona de conforto. Julia, por outro lado, é extrovertida, carismática e aproveita a vida intensamente.

Tudo muda quando Julia sofre um acidente de carro. Antes de morrer, ela escreve dez cartas para a amiga, cada uma com um desafio destinado a ajudá-la a enfrentar seus medos e superar a timidez. As mensagens também levam Gabi a refletir sobre situações que poderia ter enfrentado de outra maneira se tivesse tido coragem de arriscar.


É nesse processo que surge Lorena (Pamela Germano), uma nova colega de escola que se aproxima de Gabi e a ajuda a cumprir as missões deixadas por Julia. Aos poucos, a protagonista começa a se reconectar consigo mesma, a compreender melhor o luto e a importância do perdão, além de descobrir que seguir em frente não significa esquecer quem se foi.

Música e emoção em cena

As duas entregam interpretações emocionantes, monstrando sintonia nos momentos mais delicados da trama. E a música tem papel importante na história e aproxima ainda mais as protagonistas. 


Giulia Be, conhecida também por sua atuação em “Depois do Universo” (2022) e do documentário “Toquinho Maravilhoso” (2024), divide a tela com Any Gabrielly, que faz sua estreia no cinema como atriz. 

Além de cantora e compositora, Any Gabrielly é conhecida por dar voz à personagem Moana em "Moana 2" (2024), da Disney, e por ter integrado o grupo internacional Now United, do qual foi representante brasileira até 2022.

A canção é um ponto comum entre as protagonistas. As duas interpretam canções originais que contribuem para a atmosfera emotiva do filme. Entre elas está “Te Olhando Daqui”, na voz de Giulia Be, uma das músicas que mais intensificam a carga emocional da narrativa e podem levar o público às lágrimas.


Já “Ecoar”, escrita e interpretada por Any Gabrielly em inglês, reforça a presença da música como elemento de conexão entre as personagens. A trilha sonora é assinada por Fábio Góes.

O elenco conta ainda com Sheron Menezzes e Paulo Lessa, que interpretam Márcia e André, pais de Gabi; Regiane Alves, no papel de Lili, mãe de Julia; e Léo Jaime, como Toninho, um senhor divertidíssimo que se torna amigo de Gabi durante um dos desafios. 

Michel Joelsas (Nico) e Daniel Rangel (Lucas) também participam da trama como interesses amorosos da protagonista, entre outros nomes.


Os clichês típicos dos dramas adolescentes estão presentes, mas não chegam a comprometer a narrativa. O filme consegue alternar tristeza e humor, sem perder de vista os conflitos de sua protagonista. 

Ao acompanhar a transformação de Gabi, a história convida o espectador a refletir sobre a importância de valorizar a vida, enfrentar os próprios medos e cuidar das pessoas que fazem parte dela.

Mais do que uma história sobre a perda, “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” fala sobre aprender a continuar vivendo. E lembra que, mesmo quando alguém parte, o afeto, as lembranças e tudo o que essa pessoa nos ensinou permanecem conosco.


Ficha técnica:
Direção: Diego Freitas
Roteiro: Diego Freitas e Rod Azevedo
Produção: Paris Entretenimento
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gênero: drama

26 setembro 2026

"Virtuosas": quando o controle aprende a falar de liberdade

Longa leva para as telonas um retiro VIP que promete aperfeiçoar mulheres em busca de sua melhor
versão (Fotos: Olhar Filmes)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema 

 
E se a promessa de ser uma mulher melhor for, na verdade, aprender a obedecer melhor? É a partir dessa provocação que "Virtuosas", novo terror de Cíntia Domit Bittar, constrói seu desconforto. O filme está em cartaz no Cine Belas Artes estrelado por Bruna Linzmeyer, Maria Galant, Juliana Lourenção, Sarah Motta e Brisa Marques. 

Produzido pela Novelo Filmes e distribuído pela Olhar Filmes e Filmes do Estação, o longa também chega ao circuito comercial depois de conquistar o Goes to Cannes Award 2025, durante o Marché du Film, e o Prêmio Netflix da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.


Na trama, Virgínia Heinzel (Bruna Linzmeyer), uma espécie de coach conhecida nas redes sociais, conduz um retiro que promete transformar mulheres em suas “melhores versões”. Germina (Maria Galant), Lorena Canolo (Juliana Lourenção), Bárbara Rossi (Sarah Motta) e Gorete (Brisa Marques) são selecionadas após uma palestra em que Virgínia esconde rosas embaixo das cadeiras. 

O que parece uma oportunidade de autoconhecimento, porém, logo revela regras cada vez mais rígidas. Virgínia é justamente uma das personagens mais interessantes porque não vende submissão de maneira explícita. Pelo contrário: fala em força, protagonismo e transformação. 


A ideia de que a mulher seria o “pescoço” e o homem, a “cabeça”, parece empoderadora até descobrirmos o que esse poder significa na prática: cozinhar, cuidar da casa, preparar tudo para o marido, aprender a tricotar e cumprir expectativas tradicionalmente associadas ao papel feminino. O velho modelo aparece com uma nova embalagem.

É aí que "Virtuosas" encontra sua melhor discussão: o patriarcado também pode sobreviver quando aprende a falar a linguagem do empoderamento. A ordem deixa de ser simplesmente “obedeça” e passa a ser “melhore”. Se você não consegue cumprir as expectativas, o problema passa a ser você. Em vez de questionar a estrutura, é preciso se adaptar a ela.


A jornalista Germina é quem começa a perceber essa contradição e questionar as regras do retiro. Ao mesmo tempo, a própria Virgínia nem sempre parece disposta a seguir aquilo que exige das participantes. 

A tão prometida “melhor versão” começa a parecer menos uma descoberta pessoal e mais um modelo pronto de mulher. A pergunta, então, se torna inevitável: se alguém já decidiu como você deve ser, que liberdade existe nessa transformação?

O terror funciona justamente porque o medo nasce de situações reconhecíveis. Não é necessário recorrer constantemente ao sobrenatural para provocar desconforto. O que assusta está nas relações de poder, na manipulação e na maneira como determinadas ideias podem ser apresentadas como cuidado, orientação ou autoconhecimento.


As próprias participantes ampliam essa discussão. Lorena, esposa de um deputado, recebe privilégios que as demais não têm, mostrando que até dentro de uma estrutura de controle existem diferentes níveis de poder. A regra, portanto, não é aplicada da mesma maneira para todas. Dependendo da posição social ocupada, algumas mulheres podem encontrar brechas que outras não têm.

É uma ideia interessante, mas também revela uma das limitações do filme. "Virtuosas" apresenta questões bastante provocadoras sobre fé, feminilidade, privilégio, manipulação e poder, porém nem sempre consegue aprofundar todas elas. Algumas ideias aparecem com força, mas são abandonadas antes de alcançar todo o potencial dramático.


O mesmo acontece com algumas personagens. Germina possui uma função clara dentro da investigação das contradições do retiro, enquanto Bárbara e Gorete poderiam ter conflitos próprios mais desenvolvidos. 

Em determinados momentos, elas acabam funcionando principalmente como representações de diferentes tipos de mulheres dentro daquele sistema. Dar maior espaço às experiências individuais dessas personagens poderia tornar o impacto do retiro ainda mais forte.

A comparação com "Corra!" (2017) faz sentido justamente pela aproximação com o terror social. Assim como no filme de Jordan Peele, o horror nasce menos de um monstro do que de relações sociais reconhecíveis que escondem algo perturbador. 


Em "Virtuosas", o perigo está justamente naquilo que parece familiar: alguém oferecendo acolhimento, transformação e uma suposta oportunidade de mudança enquanto, aos poucos, estabelece as regras que devem ser seguidas.

Mesmo com essas limitações, Cíntia Domit Bittar encontra no gênero uma maneira eficiente de discutir algo que ultrapassa o próprio terror. O filme não apresenta o patriarcado apenas como uma figura masculina autoritária, mas como uma estrutura capaz de se adaptar e mudar de discurso para continuar funcionando.

E essa talvez seja a parte mais incômoda do longa. Uma regra não deixa de ser regra porque foi apresentada como conselho. Controle continua sendo controle quando vem acompanhado de cuidado. E cobrança não se transforma automaticamente em liberdade apenas porque recebeu o nome de empoderamento.


O desfecho segue essa mesma lógica. É duro, brutal e não oferece um alívio fácil ao espectador. A escolha combina com uma narrativa que passou boa parte do tempo discutindo controle e violência, evitando transformar uma experiência tão incômoda em uma conclusão excessivamente confortável.

O roteiro poderia aprofundar melhor algumas das questões que levanta e dar mais complexidade a determinadas personagens, mas "Virtuosas" consegue deixar uma provocação que permanece depois dos créditos: talvez o verdadeiro terror não seja alguém dizer quem você deve ser, mas fazer você acreditar que essa escolha sempre foi sua.


Ficha técnica:
Direção:
Cíntia Domit Bittar
Produção: Novelo Filmes, coprodução Olhar Filmes
Distribuição: Filmes do Estação
Exibição: Cine Belas Artes
Duração: 1h26
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: Suspense, ficção, terror

25 setembro 2026

“Papaya” - O poder de mudar o mundo começa nas nossas raízes

Longa de animação conta a saga de uma semente de mamão que quer conhecer o mundo e sonha em poder voar
(Fotos: Boulevard Filmes)
 
 

Eduardo Jr.

 
Uma produção nacional que vale a pena conferir. "Papaya", em cartaz no Cine Belas Artes, marcou história como a primeira animação brasileira selecionada para o Festival Internacional de Cinema de Berlim, mesmo sem levar prêmios oficiais.

O longa-metragem de estreia da diretora e roteirista Priscilla Kellen conta a saga de uma semente de mamão que sonha em poder voar. A distribuição é da Cajuína Audiovisual e da Sessão Vitrine Petrobras, projeto voltado à democratização do cinema brasileiro.

Depois do impacto e do sucesso de "Flow", animação da Letônia que levou pra casa um Oscar e um Globo de Ouro em 2025, o público brasileiro já pode se apaixonar por mais um longa sem diálogos, e mesmo assim muito expressivo.


Colorida e com gráficos que lembram xilogravuras, a obra promete estimular a compreensão do público infantil - e também trazer mensagens para os adultos. 

Na abertura, o espectador é ambientado ao universo de “Papaya” com sons da natureza. A câmera vai subindo por uma raiz, e a vida parece se formar ao som de uma trilha suave. 

Essa música, que parece típica para acalmar um recém-nascido, se mostra coerente quando uma semente de mamão se encontra com uma gota de leite de um seio cor de mamão. 


Assim como essa sementinha, inúmeras outras se alimentam. Mas a primeira delas (cujo destino traçado no nascimento é ser nossa heroína) é arrancada do seio frutífero quando um pássaro aparece para se alimentar daquilo que é o lar de Papaya, a semente pretinha e esperta. 

Curiosa, ela vai em direção à luz que entra por uma fresta aberta na fruta e descobre que o tal pássaro pode voar. Essa habilidade a encanta, é quase um chamado. Num piscar de olhos, ela está no colo da mãe natureza. Tão encantador quanto esta cena é o forrozinho que toca ao fundo. 

Neste primeiro contato com o mundo exterior, tudo é estímulo. Se até uma joaninha, pequena e escura, pode bater suas asas por aí, uma semente de mamão também deve ter esse direito, ora bolas! Mas não. 


Mamãe natureza não deixa, pois há uma grande diferença entre voar e germinar. A saída para não estagnar e criar raízes é se movimentar, se aproximar do amigo sol, que faz suas irmãs sementes brotarem e crescerem.

É quando se intensifica a saga de Papaya, indo além do destino pré-determinado e tentando caminhar com as próprias pernas (ou voar como as pétalas de dente-de- leão). 

Mas nessa aventura ela vai descobrir a hostilidade do arame cercando o egoísmo da propriedade privada, as torres de eletricidade ferindo a paisagem, o ronco das máquinas que fazem tristes as sementes do agronegócio. 


A animação de Priscila Kellen traz uma poesia delicada. Está na sutileza de, no final do arco-íris, reencontrar a esperança quando o sonho de ganhar o mundo te afasta de casa. Na percepção de que se reconectar com suas origens é importante. Na mensagem de que florescer onde você foi plantado é vitória.

Em um Brasil que se fez, também, graças a um êxodo rural, uma animação que aborda a mudança, o sonho, e que vem embrulhada em uma trilha sonora com sanfona, pandeiro e tarol tem muita chance de conquistar corações brasileiros. 

Como atrativos, o longa tem ainda a coprodução de Alê Abreu, que dirigiu “O Menino e o Mundo” (2013), indicado ao Oscar 2016; a ótima trilha sonora de Talita del Collado e a participação da cantora Tulipa Ruiz.  


Brotando em festivais

“Papaya” teve sua primeira exibição em 2025 no Festival de Brasília, integrando a mostra Festivalzinho. O longa também passou pela Première Brasil do Festival do Rio 2025, pela 24ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, pela Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, além de exibição especial na COP30, em Belém. 

Também teve sessões na Mostra de Cinema de Tiradentes, na CineOP e no Olhar de Cinema de Curitiba em junho deste ano. É o primeiro longa-metragem de animação do Brasil a integrar a competitiva mostra Generation KPlus do Festival de Berlim de 2026. 

Assim como a sementinha Papaya, a obra de Priscilla Kellen também quer voar, voar e voar. Vale a pena ir ao cinema e ajudar na decolagem deste filme. 


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Priscilla Kellen
Produção: Boulevard Filmes, Birdo Studios, coprodução Alê Abreu
Distribuição: Cajuína Audiovisual e Vitrine Filmes
Exibição: Cine Belas Artes
Duração: 1h14
Classificação: livre
País: Brasil
Gênero: animação


08 setembro 2026

“Minha Melhor Amiga": quando a amizade vira reencontro com a própria vida

Comédia nacional reúne no elenco principal as atrizes e amigas de longas datas na vida real Mônica
Martelli e Ingrid Guimarães (Fotos: Desirée do Valle)
 
 

Marcos Tadeu
Blog Jornalista de Cinema

 
O que acontece quando duas melhores amigas chegam aos 50 anos e percebem que a vida está mudando — e que talvez seja hora de mudar com ela? É a partir dessa pergunta que “Minha Melhor Amiga”, nova comédia dirigida por Susana Garcia, coloca Mônica Martelli e Ingrid Guimarães lado a lado em uma história sobre amizade, amadurecimento, maternidade e a descoberta de que nunca é tarde para recomeçar.

Distribuída pela Paris Filmes, a produção chega aos cinemas quebrando o recorde de maior abertura de um filme nacional de todos os tempos. O filme está em exibição em 1.531 telas de 773 cinemas, em 436 cidades brasileiras, superando “Minha Mãe É Uma Peça 3” (2019), segunda maior bilheteria do cinema nacional nos últimos dez anos.

Estrelado por Mônica Martelli e Ingrid Guimarães, o filme, rodado no Rio de Janeiro, Sevilha (Espanha) e Lisboa (Portugal), é dirigido por Susana Garcia, que já possui uma trajetória muito ligada à comédia brasileira e ao cinema protagonizado por mulheres.


Susana Garcia dirigiu “Minha Mãe É Uma Peça 3”, “Minha Vida em Marte” (2018), com Mônica Martelli e o falecido ator Paulo Gustavo, e “Minha Irmã e Eu” (2023), com Ingrid Guimarães e Tatá Werneck. Seus filmes anteriores somaram mais de 20 milhões de ingressos vendidos, segundo a Paris Filmes.

Na história, conhecemos Júlia (Ingrid Guimarães) e Clara (Mônica Martelli), que chegam aos 50 anos diante de uma nova fase da vida. Entre os efeitos da menopausa e a saída das filhas de casa - Manu (Giulia Benite) e Isadora (Gabi Amaral) -, as duas se encontram por acaso em um aeroporto e descobrem que as meninas estão no mesmo voo para Portugal onde farão um intercâmbio.


O encontro dá início a uma amizade inesperada. Ao viajarem para visitar as filhas, Júlia e Clara deixam a rotina de lado e se envolvem em uma série de aventuras, com viagens, festas, romances, shows e situações inusitadas. Ao longo da jornada, as duas passam a questionar escolhas, relações e a própria maneira de enxergar as filhas.

O que começa como uma viagem para acompanhar as jovens se transforma em uma oportunidade de redescobrir a própria vida e perceber que nunca é tarde para mudar os planos.

No longa, feito por mulheres para mulheres, podemos ver como o conceito de sororidade, palavra muito usada hoje em dia, cabe nessa obra de Susana Garcia. A definição está associada à ideia de irmandade entre mulheres, valorizando a cooperação, o respeito e o fortalecimento umas das outras, especialmente diante de situações de desigualdade, preconceito ou violência.


Segundo o Dicionário Michaelis, amizade é o vínculo estabelecido entre pessoas por meio de uma relação de afeição, simpatia, estima e confiança. Mais do que uma simples convivência, a amizade pressupõe proximidade, respeito, lealdade e reciprocidade, criando um laço afetivo que se constrói e se fortalece ao longo do tempo.

Isso fica claro dentro e fora da tela. Podemos ver como Mônica e Ingrid, de fato, conseguem representar esse conceito, cada uma com sua personalidade, e como as duas, juntas, em meio a tantos anos de amizade, estabelecem uma relação de respeito e simpatia.

O filme acerta ao aproximar o público de Mônica e Ingrid. A sinergia entre ambas e todas as histórias, confusões, perrengues, crises e conflitos trazem o telespectador para perto dessa amizade tão bem construída ao longo de vários anos, que vai além do roteiro do filme.


Algumas curiosidades ajudam a dar o tom da narrativa: a história nasceu da amizade real das protagonistas. Em vez de simplesmente interpretarem duas amigas, Ingrid e Mônica levaram para a ficção experiências que  efetivamente viveram juntas, como a viagem real com as filhas adolescentes pela Europa, que serviu de inspiração para a história.

Apesar de a cena da “chave não está aqui” provocar boas risadas, senti falta das filhas no carro e de como essa parte do roteiro poderia ter sido mais bem trabalhada, incluindo as jovens no perrengue das mães. Um sofrimento a quatro poderia ser mais divertido.


Conflitos emocionais

Júlia, uma jornalista, se depara com um ambiente de trabalho que descarta as mulheres mais maduras para colocar rostos jovens em suas mídias e no mercado. Ela se encontra em conflito, com medo de ficar perdida profissionalmente e também emocionalmente.

Já Clara tem uma visão bonita de um casamento que acabou há muito tempo, mas que precisa encontrar novas formas de viver a vida e de lutar pelo que acredita. Sempre fica a sensação de que ela é muito velha para viver novas experiências e de que não irá conseguir acompanhar a modernidade.

O filme talvez deixe a desejar por apenas “pincelar” vários conflitos que afetam o universo feminino no campo profissional e afetivo, como o das mães acima dos 50 anos. 


O roteiro poderia explorar mais momentos dramáticos. O que se vê, no geral, são as personagens interpretando quem são. As atrizes não precisam sair de sua zona de conforto. Não que isso seja um problema, mas não mostra nada diferente do que já vimos em seus filmes anteriores.

Mesmo com essas ressalvas, “Minha Melhor Amiga” cumpre aquilo que promete: divertir, emocionar e lembrar que a vida não termina quando os filhos crescem, quando um casamento acaba ou quando os 50 chegam. Pelo contrário. Pode ser justamente aí que começa uma nova história.

É um filme solar, leve, para sair do cinema com o coração quentinho e querendo encontrar o seu melhor amigo ou amiga. Porque amizade verdadeira é isso: estar ao lado nos melhores momentos, dividir as confusões, enfrentar os perrengues e, principalmente, lembrar ao outro que nunca é tarde para viver aquilo que ainda falta. 

As diferenças e os embates só reforçam esse laço que podemos levar para o resto da vida, para o que der e vier.


Ficha técnica:
Direção: Susana Garcia
Produção: Paris Entretenimento
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h58
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gênero: comédia

15 junho 2026

"Criadas" propõe quebrar paredes que perpetuam as desigualdades raciais, sociais e de gênero

Entre os maiores méritos da obra está a atuação das protagonistas Ana Flávia Cavalcanti e Mawusi Tulani (Fotos: Vitrine Filmes)
 
 

Silvana Monteiro

 
Em "Criadas", Carol Rodrigues constrói um drama que parte da intimidade de uma casa para investigar estruturas profundas da sociedade brasileira na pele de mulheres, a maioria delas negras. 

Sandra (Mawusi Tulani) está em busca de lembranças de sua mãe. Por isso ela procura Mariana (Ana Flávia Cavalcanti), sua prima, que vive no lugar em que sua mãe atuou como trabalhadora doméstica. 

O reencontro entre elas é permeado de conflitos necessários para ressignificar as relações. Por ser a herdeira de uma mulher que viveu o trabalho doméstico, Sandra traz em si uma força motriz com maior sensibilidade. 


A atuação das duas funciona como o eixo de uma narrativa que examina as diferentes experiências de mulheres negras situadas em posições sociais distintas, revelando como raça, classe e pertencimento produzem trajetórias marcadas por privilégios e vulnerabilidades desiguais. 

Embora ambas compartilhem origens, raça e afetos, suas experiências são atravessadas por formas distintas de reconhecimento social. Mariana, filha da patroa, alcança uma condição de relativa mobilidade e circula por espaços onde sua identidade racial é frequentemente relativizada ou invisibilizada por olhares brancos. 

Sandra, mulher negra retinta, ocupa uma posição de destaque profissional, mas continua submetida às formas mais explícitas do racismo estrutural e do machismo corporativo. O contraste entre as duas personagens permite ao filme abordar questões como colorismo, trabalho doméstico, mobilidade social e desigualdade racial sem recorrer a soluções simplificadoras.


A casa onde a narrativa se desenvolve torna-se uma metáfora do próprio Brasil. Seus cômodos guardam memórias, silêncios e hierarquias que atravessam gerações. 

As paredes não delimitam apenas espaços físicos, mas também fronteiras simbólicas entre quem serve e quem é servido, entre quem herda privilégios e quem precisa constantemente justificar sua presença. 

A ancestralidade ocupa papel central na narrativa. Os fantasmas que percorrem a casa não são apenas recursos sobrenaturais; representam memórias coletivas que insistem em permanecer. 

O passado não aparece como lembrança distante, mas como uma presença concreta que interfere no presente e desafia as protagonistas a compreenderem quem são. 


Nesse sentido, a busca pelo eu se confunde com a necessidade de reconhecer as marcas deixadas pela história, pela família e pelas relações raciais que moldam suas identidades.

O roteiro também amplia a discussão ao abordar relações afetivas fora da lógica heteronormativa. A sexualidade de Mariana traz, de modo breve, à reflexão sobre pertencimento, liberdade e construção identitária. O filme traz à tona os questionamentos de uma relação interracial. 

Entre os maiores méritos da obra está a atuação das protagonistas. Ana Flávia Cavalcanti entrega uma Mariana complexa, marcada por contradições e zonas de desconforto. 


Sua interpretação evita respostas fáceis e evidencia uma personagem constantemente tensionada entre consciência social e reprodução de privilégios. Já Mawusi Tulani oferece à Sandra uma presença de grande força dramática. 

Sua composição transita entre firmeza e vulnerabilidade, conferindo humanidade a uma mulher que precisa enfrentar diariamente estruturas de discriminação sem perder a capacidade de afeto. 

O encontro entre as duas atrizes constitui o coração emocional do filme de sustentar os debates sociais sem reduzir as personagens a meros instrumentos discursivos.


A trilha sonora, composta por excelentes canções brasileiras de grande sensibilidade, amplia essa dimensão afetiva. A fotografia é maravilhosa e nos leva à memória de um ambiente ancestral e afetivo. "Criadas" propõe uma reflexão ampla sobre o Brasil contemporâneo. 

Embora seja um pouco longo, trata-se de um filme que, mesmo quando sacrifica a sutileza em favor da pedagogia, demonstra coragem ao enfrentar temas historicamente silenciados e ao colocar duas mulheres negras no centro de uma narrativa sobre memória, identidade e transformação.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Carol Rodrigues
Produção: Gato do Parque Cinematográfica, em coprodução com Telecine, Canal Brasil, NayMovie, Cinefilm, Volta Filmes e Netas de Esméria
Distribuição: Vitrine Filmes
Exibição: Cine Belas Artes BH
Duração: 1h45
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gênero: drama

09 junho 2026

Uma "BuenosAires" muito particular - e encantadora

Município pernambucano tem tantas peculiaridades que acabou virando tema de um documentário
(Fotos: Garimpo Filmes e Divulgação)
 
 

Patrícia Cassese

 
Na cidade de Buenos Aires, apenas um habitante nasceu de fato na Argentina. Não, você não leu errado. Ocorre que a "BuenosAires" à qual estamos nos referindo não é a capital do país vizinho, mas, sim, uma cidade localizada no interior de Pernambuco – precisamente, na Zona da Mata norte do estado, a cerca de 80 km do Recife. 

Na verdade, enquanto povoado, o local atendia pelo nome de Jacu, mas, em 1928, com a elevação do status para vila, virou Buenos Aires. Hoje com cerca de 13 mil habitantes, o município pernambucano tem tantas peculiaridades que acabou virando tema de um documentário – que, aliás, estreia no Cine Belas Artes BH neste 11 de junho. 


Dirigido pela cineasta Tuca Siqueira, “BuenosAires” apresenta ao espectador, por meio de uma professora de espanhol (que ministra aulas gratuitas para poucos alunos), o universo rico e deleitante desse lugar tão fora da curva, no qual, para citar um pequeno exemplo, há que mulheres empenhadas em se aperfeiçoar no preparo das empanadas (iguaria típica da Argentina e outros países platinos), para venda. 

Ou, ainda, quem tente reproduzir as casinhas coloridas características do Caminito, em La Boca, ponto turístico obrigatório para quem vai à Buenos Aires argentina (pelo menos na primeira visita). 

Há também o morador – Luzivaldo – que, enquanto fã de carteirinha do lendário jogador que hoje atua no Inter Miami, colocou o nome de Lionel em seu filho mais novo. 

No documentário, Janaína, a mãe do garoto, inclusive assume o arrependimento de não ter atendido ao desejo inicial do marido, que era registrar o rebento como Lionel Messi. Em tempo: um dos sonhos não realizados de Luzivaldo era morar na Argentina.


O futebol também é responsável pelo clima de frenesi que toma conta dos habitantes às vésperas do “clássico” Penãrol X Boca Juniors (não os originais, claro, mas os locais, homônimos ao time uruguaio e ao argentino). No alto falante, anuncia-se uma promoção de camisas da seleção argentina, assim como da brasileira, na loja Zé Paulo Variedades. 

Este comércio, vale dizer, é comandado por um ex-jogador (sim, óbvio, o Zé Paulo) que, apaixonado pelo Boca Juniors, criou o clube homônimo no sertão pernambucano, onde atua como preparador, técnico e massagista, além de também entrar no campo. Sua esquadra enfrenta times como o River Plate da Paraíba ou o já citado Penãrol pernambucano.


Em uma cena, jovens da Buenos Aires brasileira comentam, em tom de crítica, o fato de, por conta do nome da cidade, muitos habitantes do município torcerem entusiasticamente pela seleção argentina, e não pela brasileira, o que seria mais natural. 

Parênteses: isso porque as imagens de “BuenosAires” foram captadas em 2022, ano do Mundial, que, ao fim, foi vencido pelo país banhado pelo Rio da Prata, no confronto com a França. 

Outro momento do longa, mais uma vez ligado ao futebol, mostra torcedores vestidos com a camisa oficial do time azul e branco cantando: “Eu... sou argentino/com muito orgulho/com muito amor”. 

Ah, sim... A cidade pernambucana também tem um La Bombonera, que ostenta, na entrada, uma estátua de Maradona, assim como, nos muros que o delimitam, pinturas retratando ídolos como Messi ou Tévez. 


Para além das semelhanças com a capital argentina, “BuenosAires” também mostra outras características da cidade pernambucana, como o sósia de Roberto Carlos ou a rotina dos que trabalham na colheita da cana de açúcar. 

Mas mesmo aí a adoração pela seleção argentina se infiltra, como na figura de Catita, trabalhador que acorda às quatro da manhã para garantir o futuro da família, e que aparece na telona com a camisa da seleção argentina. 

Não só. Até a tradição cultural mais importante da cidade, o maracatu, surge maculada pela paixão pela bola em campo. Um contraponto é o patriótico Biart, escultor de figuras sacras (lindíssimas), que, lá atrás, sonhou em ser famoso com sua faceta cantor/compositor de rock e reggae – uma de suas músicas, aliás, está presente na trilha. 


Em um momento divertido, o doc fala de uma marcante semelhança entre as duas cidades: a presença incômoda dos mosquitos. Quem levanta o fato é o argentino citado no início da matéria, Leonardo, nascido em La Pampa, mas criado em Bariloche (não por outro motivo, o moço penou para se adaptar ao clima da sua nova morada, dividida com Josi, a “Gringa”). 

Programador de software, ele hoje é profundo conhecedor da história local e sonha em criar o Museu dos Engenhos. A câmera o flagra com seu detector de metais a procurar moedas no solo árido.


O cemitério da cidade (e seus túmulos singelos, pintados com afinco), a agremiação que faz bonito no Carnaval pernambucano, a alegria que emerge em meio às despretensiosas conversas cotidianas nas calçadas (para as quais as cadeiras são trazidas no interior das casas e instaladas nas calçadas, a fanfarra que motiva os jovens a ensaiarem coreografias, exibidas de forma empenhada... 

Outros pontos se incumbem de delinear de forma mais precisa o dia a dia dessa cidade que, ao fim, deixa no espectador a vontade sincera de conhecê-la. E o desenlace não poderia ser embalado por outra música que não a de Biart: “Na velha cidade da lua/na velocidade da luz/você é a nave que me conduz/e no balanço do reggae eu chego lá”. Ou, quizá, no balanço do tango, do maracatu...


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Tuca Siqueira
Produção: Garimpo Filmes
Distribuição: ArtHouse Distribuidora
Exibição: Cine Belas Artes BH
Duração: 1h10
Classificação: 10 anos
País: Brasil
Gênero: documentário