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19 março 2026

Recomendo – "Casamento Sangrento: A Viúva" eleva o nível com mais terror, ação e pitadas cômicas

Samara Weaving volta a ser alvo de uma caçada mortal, desta vez ao lado da irmã
(Fotos: Searchlight Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Depois de sobreviver a uma noite de núpcias nada convencional — repleta de sangue e violência intensa — Samara Weaving retorna ao papel de Grace MacCaulley em "Casamento Sangrento: A Viúva" ("Ready or Not 2: Here I Come"). Misturando terror, ação e comédia (o bom e velho “terrir”), o longa estreia nesta quinta-feira (19) nos cinemas.

A sequência retoma os acontecimentos finais do filme de 2019, "Casamento Sangrento". Grace volta a se ver envolvida no mortal jogo de “esconde-esconde”, agora fugindo da seita satânica ligada à família de seu falecido marido, os Le Domas. 

No longa original, ela havia sido oferecida como sacrifício em um ritual macabro e precisava sobreviver até o amanhecer.


Desta vez, porém, Grace não está sozinha. Ela conta com a ajuda da irmã mais nova, Faith (Kathryn Newton), com quem não tinha contato há anos. Juntas, as duas enfrentam uma nova caçada, agora promovida por outros integrantes do grupo.

Samara Weaving está ainda melhor, retomando com segurança e intensidade a protagonista que conquistou o público. Kathryn Newton também se destaca, entregando uma atuação convincente. 


A química entre as duas funciona tanto nos momentos de tensão familiar — marcados por mágoas do passado — quanto nas cenas de ação, quando precisam lutar pela própria sobrevivência. A partir daí, o sangue literalmente escorre pela tela e a violência atinge níveis ainda mais brutais.

O elenco conta também com Elijah Wood, no papel — literalmente — do “advogado do Diabo”; Shawn Hatosy (em ótima atuação) e Sarah Michelle Gellar como os irmãos Titus e Ursula Danforth, herdeiros do milionário Chester Danforth, líder da seita, vivido por David Cronenberg. Mesmo com participação pequena, o diretor e roteirista, aos 83 anos, tem presença marcante.


Completam o elenco Néstor Carbonell, como Ignacio El Caído, ao lado de seus filhos Felipe (Juan Pablo Romero) e Francesca (Maia Jae); Olivia Cheng, como a imponente Wan Chen Xing; Antony Hall, como Wan Cheng Fu; além dos irmãos Madhu (Varun Saranga) e Viraj Rajan (Nadeem Umar-Khitab).

Para os fãs do primeiro filme, a sequência deve agradar bastante, especialmente pelos efeitos visuais que elevam a violência a um nível quase absurdo — sem abrir mão de boas doses de humor.


"Casamento Sangrento: A Viúva" é ação intensa do início ao fim, com explosões de corpos e sangue espirrando para todos os lados. O diretor não poupa ninguém e mantém o ritmo acelerado até os minutos finais. Vale conferir nos cinemas.

Fica a dica: tente assistir também ao primeiro filme, disponível nas plataformas Netflix e Disney+.


Ficha técnica:
Direção:
Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett
Roteiro: Guy Busick, Ryan Murphy
Produção: Seachrlight Pictures
Distribuição: 20th Century Studios e Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h48
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, terror, comédia

16 março 2026

Brasil sai sem prêmios, mas ganha prestígio; “Uma Batalha Após a Outra” vence o Oscar 2026

Filme protagonizado por Leonardo DiCaprio teve disputa acirrada com "Pecadores" e "Frankenstein" em número de estatuetas conquistadas (Fotos: Divulgação)
 
 

Maristela Bretas

 
Com seis prêmios conquistados entre 13 indicações, incluindo o principal da noite, Melhor Filme, “Uma Batalha Após a Outra” foi o grande vencedor da 98ª edição do Oscar 2026. 

A produção, dirigida por Paul Thomas Anderson, também levou as estatuetas de Melhor Direção, Melhor Direção de Elenco, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição.

O segundo filme mais premiado da noite foi “Pecadores”, que liderava a lista de indicações com 16 nomeações, mas só levou quatro estatuetas. As duas produções são da Warner Bros. Pictures.

Na sequência, em número de prêmios o vencedor foi “Frankenstein”, da Netflix, com três. Apesar de contar com cinco indicações, o Brasil não venceu em nenhuma categoria.

"Uma Batalha Após a Outra"
(Crédito: Warner Bros Pictures)

Cerimônia

A cerimônia começou com uma montagem reunindo cenas dos filmes indicados a Melhor Filme. Em seguida, o comediante Conan O’Brien, fantasiado de Gladys Lilly — personagem de Amy Madigan em “A Hora do Mal” — surgiu fugindo de um grupo de crianças, em referência a uma cena do longa.

Ao chegar ao palco do Dolby Theatre, em Los Angeles, já sem a fantasia, o apresentador iniciou oficialmente a transmissão, apresentando cada um dos indicados com comentários bem-humorados e irônicos.

"A Hora do Mal"
(Crédito: Warner Bros. Pictures)

A primeira estatueta da noite foi entregue por Zoe Saldana, que anunciou Amy Madigan como vencedora de Melhor Atriz Coadjuvante em "A Hora do Mal". 

A atriz também revelou o ganhador de Melhor Animação, “Guerreiras do K-Pop”, produção que já vinha acumulando prêmios ao longo da temporada. 

Na categoria Melhor Curta de Animação, o vencedor foi “The Girl Who Cried Pearls”, animação canadense em stop-motion.

O primeiro número musical da cerimônia foi “I Lied to You”, do filme “Pecadores”, cuja apresentação encantou a plateia ao reproduzir fielmente uma das cenas do longa.

"Guerreiras do K-Pop"
(Crédito: Netflix)


“Frankenstein” também marcou presença ao conquistar três prêmios técnicos: Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Cabelo.

Wagner Moura, Gwyneth Paltrow, Delroy Lindo e Chase Infiniti entregaram o prêmio de Melhor Direção de Elenco, categoria que estreou nesta edição do Oscar. A vencedora foi Cassandra Kulukundis, por “Uma Batalha Após a Outra”. Essa era uma das categorias nas quais o Brasil concorria.

Um dos momentos curiosos da noite aconteceu na categoria Melhor Curta-Metragem, que terminou em empate — algo raro na história do Oscar. As estatuetas foram para o norte-americano “The Singers” e para a produção franco-americana “Two People Exchanging Saliva”.

Sean Penn - "Uma Batalha Após a Outra"
(Crédito: Warner Bros. Pictures)

Kieran Culkin anunciou o vencedor de Melhor Ator Coadjuvante, prêmio concedido a Sean Penn, por “Uma Batalha Após a Outra”. O ator não compareceu à cerimônia.

Os atores Chris Evans e Robert Downey Jr. entregaram o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado a Paul Thomas Anderson, também diretor do filme vencedor da noite. Na categoria Melhor Roteiro Original, sem grandes surpresas, Ryan Coogler venceu por “Pecadores”.

"Pecadores"
(Crédto: Warner Bros. Pictures)

Homenagens póstumas

Como em edições anteriores, o Oscar prestou homenagem aos profissionais do cinema falecidos em 2025. Billy Crystal conduziu o momento inicial, lembrando o diretor Rob Reiner e sua esposa, Michele Singer Reiner. 

Rachel McAdams falou sobre as perdas femininas no cinema, destacando especialmente Diane Keaton, de quem era amiga pessoal.

Barbra Streisand emocionou o público ao lembrar o amigo e parceiro Robert Redford, com quem atuou no clássico “Nosso Amor de Ontem” (1973). Ela destacou a importância do ator dentro e fora das telas e encerrou a homenagem cantando “The Way We Were”, música vencedora do Oscar na época.

"Frankenstein"
(Crédito: Netflix)

Sigourney Weaver e Pedro Pascal também participaram da cerimônia com uma apresentação bem-humorada sobre extraterrestres no cinema, com direito à presença de Groku na plateia. 

Eles anunciaram o prêmio de Melhor Direção de Arte, vencido por “Frankenstein”. Já “Avatar: Fogo e Cinzas” conquistou Melhores Efeitos Visuais.

O polêmico e emocionante “Quartos Vazios” venceu Melhor Documentário em Curta-Metragem, prêmio anunciado por Jimmy Kimmel, que também revelou o vencedor de Melhor Documentário, “Mr. Nobody Against Putin”.

"Avatar: Fogo e Cinzas"
(Crédito: 20th Century Studios)

“Pecadores” levou sua segunda estatueta ao vencer Melhor Trilha Sonora Original. O prêmio foi entregue pelas atrizes Kristen Wiig, Maya Rudolph, Melissa McCarthy e Rose Byrne, que também anunciaram “F1 – O Filme” como vencedor de Melhor Som.

A quarta estatueta de “Uma Batalha Após a Outra” foi entregue por Bill Pullman e seu filho, Lewis Pullman, na categoria Melhor Edição.

Demi Moore anunciou Autumn Durald como vencedora de Melhor Fotografia por “Pecadores”, tornando-se a primeira mulher negra a conquistar o prêmio. Ela foi aplaudida de pé por diversas mulheres presentes na plateia. O brasileiro Adolpho Veloso também concorria na categoria por seu trabalho em “Sonhos de Trem”.

"F1 - O Filme"
(Crédito: Warner Bros Pictures)

Ao lado de Priyanka Chopra, Javier Bardem iniciou sua participação pedindo o fim da guerra e destacando a importância da Palestina. Em seguida, anunciou “Valor Sentimental” como vencedor de Melhor Filme Internacional, superando o brasileiro “O Agente Secreto”.

Lionel Richie subiu ao palco para confirmar “Golden”, da animação “Guerreiras do K-Pop”, como Melhor Canção Original, garantindo a segunda estatueta para a produção.

Paul Thomas Anderson também venceu Melhor Direção, prêmio entregue por Robert Pattinson e Zendaya, consolidando “Uma Batalha Após a Outra” como o grande destaque da noite.

"O Agente Secreto"
(Crédito: Cinemascópio Produções)

O prêmio de Melhor Ator ficou com Michael B. Jordan, por sua dupla atuação em “Pecadores”. O brasileiro Wagner Moura também estava entre os indicados, ao lado de Leonardo DiCaprio.

Na categoria Melhor Atriz, Jessie Buckley foi premiada por sua atuação em “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”.

Por fim, Ewan McGregor e Nicole Kidman anunciaram o momento mais esperado da noite: “Uma Batalha Após a Outra” como Melhor Filme do Oscar 2026, encerrando a cerimônia consagrando a produção como a grande vencedora da edição.

Jessie Buckley - “Hamnet: A Vida Antes
de Hamlet” (Crédito:  Focus Feature)

Confira os vencedores por categoria:

MELHOR FILME
"Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR DIREÇÃO
Paul Thomas Anderson - "Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR ATRIZ
Jessie Buckley - "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet"

MELHOR ATOR
Michael B. Jordan - "Pecadores"


MELHOR FOTOGRAFIA
"Pecadores"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Madigan - "A Hora do Mal"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sean Penn - "Uma Batalha Após a Outra"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"Avatar: Fogo e Cinzas"

MELHOR ANIMAÇÃO
"Guerreiras do K-Pop"

"Quartos Vazios"
(Crédito: Divulgação)

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"Quartos Vazios"

MELHOR SOM
"F1 - O Filme"

MELHOR EDIÇÃO
"Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR DOCUMENTÁRIO
"Mr. Nobody Against Putin"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"Frankenstein"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Golden', de "Guerreiras do K-Pop"


"Valor Sentimental"
(Crédito: Mubi)

MELHOR FILME INTERNACIONAL
"Valor Sentimental" - Noruega

MELHOR FIGURINO
"Frankenstein"

MELHOR DIREÇÃO DE ELENCO
Cassandra Kulukundis - "Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Pecadores"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Uma Batalha Após a Outra"

MELHOR CURTA-METRAGEM (empate)
"The Singers"
"Two People Exchanging Saliva"

MELHOR ANIMAÇÃO DE CURTA-METRAGEM
"The Girl Who Cried Pearls"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
"Pecadores"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
"Frankenstein"

"Sonhos de Trem"
(Crédito: Netflix")

05 março 2026

NÃO É NÃO – "A Noiva" surpreende ao defender os direitos das mulheres em tempos de Frankenstein

Christian Bale e Jessie Buckley entregam ótimas atuações e formam um casal que chega a ser simpático
aos olhos do público (Fotos: Warner Bros. Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Maggie Gyllenhaal foi extremamente ousada ao escrever e dirigir "A Noiva" ("The Bride!), apostando forte no feminismo sem levantar bandeiras explícitas, mas deixando bem claro, nos diálogos e nas atitudes revolucionárias da protagonista, a revolta contra o desprezo, a violência e o descaso aplicados às mulheres.

Mostrando realidades que nós, mulheres, vivemos diariamente, a diretora abusa do burlesco sem ser vulgar e da violência crua envolvendo os personagens principais. Como diria o parceiro do blog, Marcos Tadeu, do @jornalistadecinema: “se 'Coringa: Delírio a Dois' (2024) tivesse seguido este caminho, seria arrasador”.


A escolha de Jessie Buckley ("A Filha Perdida" - 2021, também escrito e dirigido por Maggie Gyllenhaal) para interpretar a Noiva de Frankenstein foi outro grande acerto da produção. 

Ao lado dela, Christian Bale entrega uma excelente atuação e a sincronia do casal funciona muito bem. O público chega a torcer por eles, mesmo com toda a loucura da relação.

A atriz está impecável, assim como em "Hamnet - A Vida Antes de Hamlet", forte candidato ao Oscar 2026 de Melhor Filme. Ela também entra na disputa por uma estatueta como Melhor Atriz.


O filme começa em Chicago, na década de 1930, e acompanha a história de origem da Noiva, uma jovem assassinada ressuscitada nos mesmos moldes de Frankenstein.

Cansado da solidão, o famoso monstro procura a Dra. Euphronius (Annette Bening) para criar uma companheira para ele, saída do mundo dos mortos. Juntos, eles trazem a jovem de volta à vida, nascendo assim a criatura batizada de “A Noiva”, uma mulher revolucionária, além do seu tempo.

Numa época marcada pela violência, pela criminalidade e, especialmente, pelo desprezo às mulheres, o estranho casal vive uma paixão além do tempo — selvagem e explosiva — recheada de ação, mortes e fugas alucinantes.


Um Road movie que prende do início ao fim, sem perder a coerência. Com um fator que explica, já nos primeiros minutos de exibição, as mudanças repentinas de humor e comportamento da Noiva.

A diretora reforça sua posição de defensora feminista ao creditar à escritora Mary Shelley — autora de Frankenstein — o motivo de o filme ser protagonizado por uma mulher e reforçar tanto seus direitos. 

A protagonista usa até mesmo a frase, tão atual, “NÃO É NÃO” quando os abusos acontecem, mesmo colocando sua sobrevivência e a de seu parceiro em risco.


Não bastassem os direitos violados da Noiva, outras mulheres vivem a mesma situação, como a detetive Myrna Mallow, interpretada pela ótima Penélope Cruz. Num mundo totalmente dominado pelos homens — o da polícia —, ela precisa conviver com situações constrangedoras. 

Como ser chamada de secretária pelo colega detetive Jake Wiles (Peter Sarsgaard) e ver suas ordens serem ignoradas por outros policiais, só por ser mulher.

Christian Bale entrega um Frankenstein diferente, que quer alguém para dividir a vida. Apaixonado e romântico, ele também mostra que pode deixar seu lado cruel aflorar se sua amada estiver em perigo.


E quem disse que monstro não pode ser sensível e ter bom gosto? O maior prazer de Frankie é assistir a musicais no cinema de um ator que acompanha há anos — Ronnie Reed, papel de Jake Gyllenhaal —, numa clara referência a Fred Astaire. O filme, inclusive, faz referências a outros dançarinos famosos de Hollywood na época.

“A Noiva” acerta em vários quesitos — direção, roteiro, efeitos visuais, maquiagem e cabelo, elenco excelente e trilha sonora, entregue à compositora premiada Hildur Guðnadóttir. Tem tudo para concorrer a várias premiações este ano e disputar um Oscar em 2027. 

Gostei muito do longa de Maggie Gyllenhaal. A roteirista e diretora deu um olhar diferente e mais ousado para a história da noiva de Frankenstein, já contada em várias outras produções. Vale conferir. 


Ficha técnica:
Direção: Maggie Gyllenhaal
Produção: First Love Films e In The Current Company
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h07
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: ficção, drama, terror, suspense, romance

23 janeiro 2026

"A Vingança de Charlie" - um suspense de terror sobre traumas, medos e reviravoltas

Katheleen Kenny e seu agressor centralizam todo a ação e são os únicos a aparecerem (Fotos: Sofá DGTL)
 
 

Maristela Bretas

 
Gosta de um bom suspense de terror, daqueles que prende do início ao fim. Então a dica do blog de hoje é "A Vingança de Charlie" ("Sorry, Charlie"). O filme, lançado em 2023, entrou no catálogo da plataforma Filmelier+, streaming da Sofá DGTL que pode ser acessada pelo Prime Vídeo por aluguel.

Dirigido e produzido por Colton Tran, o longa vai contando aos poucos o drama de Charlie, em ótima atuação de Katheleen Kenny. Recém mudada para uma antiga casa que recebeu de herança da avó, a jovem é atraída à noite pelo choro de um bebê no jardim. 

Ao sair da residência, a jovem é atacada e estuprada por um homem de roupa preta e máscara de caveira, que estuprava suas vítimas somente para vê-las grávidas dele. 


Meses depois, um suspeito é preso por ter atacado outras mulheres usando o mesmo método para atrair as vítimas. Mas Charlie nunca se esqueceu da voz de seu agressor e não acredita que "O Cavalheiro" (papel de Travis William Harris e voz de Connor Brannigan), como foi identificado, seja aquele que a atacou.

Ainda morando na casa, ela agora trabalha como voluntária de um serviço de apoio emocional a pessoas que sofreram algum trauma (tipo um CVV). Charlie ainda tem pesadelos com seu estuprador, especialmente por causa da gravidez indesejada avançada, resultado do ataque. 


Para piorar, ela se sente vigiada constantemente, mesmo com os amigos e familiares insistindo que é apenas coisa da cabeça dela. É essa tensão que vai tomando conta do filme. Toda a ação ocorre num espaço - a casa de Charlie.

À medida que as suspeitas de Charlie vão tomando forma e seu agressor ganha corpo, ela percebe que ele está mais perto do que imaginava. A partir daí, o longa dá uma reviravolta com um final surpreendente que deve agradar ao telespectador.

Segundo o diretor, o filme teria sido inspirado em eventos reais, o que o torna ainda mais tenso. Não bastasse a voz sussurrante e ameaçadora ao telefone do verdadeiro "Cavalheiro", a máscara de caveira ajuda a compor o perfil do assediador implacável. 


O pacote fica completo com a trilha sonora de Alexander Taylor, que conta com uma canção macabra de ninar e outras como "Now I Just Don't Care" e a música de encerramento - "I'm Still Here" ("Eu Ainda Estou Aqui").

Claro que os erros padrões dos filmes de terror acontecem, mas no caso de "A Vingança de Charlie" há pelo menos uma explicação para que todas as vítimas do agressor tenham cometido o mesmo erro. 

Segundo o filme, "estudos mostram que o choro de um bebê provoca simpatia e cuidados nas mulheres, gerando uma reação instintiva de cuidado, mesmo em indivíduos que não tiveram experiência com a maternidade". E é exatamente deste instinto que o suspeito se aproveita.


O filme é todo centrado em Charlie, que vai levando a vida tentando superar seus traumas e medos após a agressão. Por sua linha telefônica chegam diariamente ligações de seus pais, de amigos, da psiquiatra que a atende e das pessoas que procuram o serviço de apoio emocional. 

Mas nenhuma delas aparece, apenas suas vozes são ouvidas, reforçando o ambiente isolado e escuro vivido pela protagonista. Toda a ação ocorre na casa de Charlie, com destaque para a piscina no jardim. 

"A Vingança de Charlie" é um dos bons lançamentos dos catálogos de streaming para abrir a temporada de terror de 2026. Não emprega efeitos visuais grandiosos de um blockbuster, a história é interessante e os atores, mesmo pouco conhecidos, dão conta do recado. Vale conferir.


Ficha técnica:
Direção: Colton Tran
Produção: Night Night, coprodução com a Colton Tran Films
Distribuição: Synapse Distribution
Exibição: Filmelier+ disponível na plataforma Prime Video, com aluguel a partir de R$ 6,90.
Duração: 1h15
Classificação: 16 anos

País: EUA
Gêneros: terror, suspense

22 janeiro 2026

"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" decepciona ao tentar reproduzir famosa franquia

Longa novamente dirigido por Christophe Gans é uma adaptação do videogame "Silent Hill 2"
(Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas


"Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno" ("Return To Silent Hill") estreia nesta quinta-feira nos cinemas tentando ressuscitar o prestígio de uma das franquias mais cultuadas do terror psicológico, mas acaba entregando um retorno decepcionante. 

Dirigido novamente por Christophe Gans, o longa é uma adaptação de "Silent Hill 2", um dos jogos mais aclamados da série, porém com menos impacto, menos personalidade e muito mais problemas. Até oferece um susto ou outro nos primeiros 10 minutos e mais nada.


A história acompanha James (Jeremy Irvine, de "Mamma Mia 2" - 2018), um pintor atormentado que recebe uma carta misteriosa de Mary (Hannah Emily Anderson), seu amor perdido após a separação, pedindo que ele retorne à estranha cidade de Silent Hill para um possível reencontro. 

O que ele encontra, no entanto, é uma cidade devastada por um incêndio, tomada por névoa e lembranças fragmentadas de uma comunidade tão bizarra quanto ameaçadora. Conforme James revisita memórias de seu passado com Mary, figuras tenebrosas começam a surgir, colocando sua sanidade mental à prova.


Entre essas presenças está o icônico Piramidy Head, vivido novamente por Robert Strange, uma das poucas conexões diretas com o imaginário dos jogos da Konami e do filme original. 

Também chama atenção a presença da jovem Eve Templeton, embora sua personagem seja pouco explorada pelo roteiro. Infelizmente, mesmo com elementos reconhecíveis para os fãs, o filme falha em construir tensão verdadeira ou aprofundar seus personagens.


Apesar de tentar se aproximar mais da estética e da mitologia da famosa série de videogames Silent Hill, o longa entrega uma versão diluída e confusa desse universo.

O terror psicológico dá lugar a cenas repetitivas e previsíveis, que apostam mais em criaturas grotescas do que em atmosfera. A direção de Gans parece presa ao passado, reciclando ideias sem o mesmo cuidado ou impacto visual que marcaram a série de videogames.


O roteiro, por sua vez, se perde em explicações vagas e revelações sem peso emocional. O drama de James nunca se desenvolve plenamente, e sua jornada entre culpa, amor e trauma não encontra força suficiente para envolver o espectador. O resultado é um filme que parece sempre à beira de algo interessante, mas nunca chega lá.

No fim, “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” soa como uma continuação desnecessária. Ao tentar agradar fãs dos jogos e do primeiro longa, acaba entregando uma experiência inferior, esquecível e sem o impacto psicológico que tornou Silent Hill um nome tão marcante no terror. 

Um retorno que confirma que algumas portas talvez devessem permanecer fechadas.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Christophe Gans
Produção: Davis Films, em parceria com Electric Shadow
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gênero: terror

Deu Brasil cinco vezes indicado ao Oscar 2026

(Crédito: CinemaScopio Produções)
 
 

Maristela Bretas


"O Agente Secreto" faz história novamente ao receber quatro indicações ao Oscar 2026. O filme brasileiro vai disputar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura, e Melhor Direção de Elenco. 

Depois de faturar o Globo de Ouro como Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Melhor Ator, o longa dirigido por Kleber Mendonça Filho se equipara a "Cidade de Deus", que também recebeu este número em 2004.

A quinta indicação de um brasileiro foi para Adolpho Veloso como Melhor Fotografia por seu trabalho em "Sonhos de Trem", produzido pela Netflix. Ele já havia sido premiado como Melhor Diretor de Fotografia na Los Angeles Film Critics Association, em 2025, e no Critics Choice Awards 2026 por esta produção, que é concorrente de "O Agente Secreto" na categoria de Melhor Filme.


Os demais indicados ao Oscar deste ano são "Pecadores", com direção de Ryan Coogler, que recebeu 16 indicações, batendo recorde do Oscar: Melhor Filme, Direção, Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Fotografia, Efeitos Visuais, Som, Montagem, Direção de Arte, Canção Original, Figurino, Direção de Elenco, Roteiro Original, Trilha Sonora Original e Maquiagem e Cabelo.

Na sequência, o filme dirigido por Paul Thomas Anderson, "Uma Batalha Após a Outra, teve 13 indicações. "Frankenstein", "Marty Supreme" e "Valor Sentimental" tiveram nove cada, e "Hamnet" - A Vida Antes de Hamlet", indicado em oito categorias.


A cerimônia de entrega da 98ª edição do Oscar será realizada no dia 15 de março, em Los Angeles (EUA).

04 dezembro 2025

“Five Nights at Freddy’s 2” tenta se aproximar do game, mas repete as falhas de roteiro do primeiro filme

Os animatrônicos estão de volta, mais cruéis e vingativos, comandados por uma entidade do mal 
(Fotos: Blumhouse)
 
 

Maristela Bretas

 
Dirigido novamente por Emma Tammi, "Five Nights at Freddy’s 2" chega aos cinemas nesta quinta-feira (4) prometendo revisitar os traumas deixados pelo primeiro longa, "Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim", de 2023.

A premissa é instigante: 20 anos após a morte misteriosa de uma menina na Freddy Fazbear’s Pizza, Mike Schmidt (Josh Hutcherson), sua irmã Abby (Piper Rubio) e sua ex-namorada Vanessa (Elizabeth Lail) ainda lidam com cicatrizes emocionais do dia do crime — lembranças que insistem em não desaparecer.


Eles agora tentam encontrar uma maneira de sobreviver por cinco dias ao novo grupo de animatrônicos que promete provocar o caos na cidade. 

Os antigos robôs, que deveriam ter sido destruídos, ressurgem durante um festival que relembra a antiga pizzaria e seus personagens. E estão mais fortes e dominados por uma entidade vingativa.

Mas, se a história sugere um mergulho mais profundo nesses personagens, o filme não entrega a intensidade que poderia. Freddy, Chica, Foxy, Bonnie e até o Cupcake deixam de ser criaturas fofinhas e adoradas pelas crianças e se tornam instrumentos de um mal que persegue Mike e quem quer que se aproxime dele. No papel, parece assustador. Na tela, nem tanto.


Apesar do potencial, “Five Nights at Freddy’s 2” é visivelmente mais fraco que o primeiro. Os sustos são escassos e previsíveis; a tensão, quase inexistente. Há momentos em que o ritmo lento não apenas prejudica o suspense, mas ameaça entediar o espectador. 

A sensação é de que o longa evita arriscar — e acaba não oferecendo nada realmente novo ou memorável. Apenas um conjunto de animatrônicos, sets e personagens que são ícones do jogo e eram aguardados pelos fãs.


Assim como o filme original, esta continuação não faz jus ao universo rico e enigmático criado por Scott Cawthon em 2014, cuja popularidade foi determinante para levar quase 3 milhões de espectadores aos cinemas em 2023. 

A adaptação, mais uma vez, falha em capturar a atmosfera sinistra e a sensação de perigo constante que os games proporcionam.

Além de Josh Hutcherson e Elizabeth Lail estão de volta Matthew Lillard, retomando o papel de William Afton/Springtrap, e Theodus Crano, como Jeremiah, amigo de Mike. A novidade é a presença de Freddy Carter, interpretando Jeremy Fitzgerald, um personagem aguardado que remete aos jogos.


O elenco faz o possível com o material que tem, mas o roteiro não oferece profundidade suficiente para que o drama familiar ou o terror realmente se destaquem. 

No fim, "Five Nights at Freddy’s 2" parece funcionar mais como um fan service protocolar do que como um filme de terror sólido. Falta ousadia, falta tensão e falta, sobretudo, o espírito inquietante que tornou a franquia dos games um fenômeno mundial. 


Ficha técnica:
Direção: Emma Tammi
Roteiro: Emma Tammi e Scott Cawthon
Produção: Blumhouse
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h33
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gênero: terror
Nota: 2,5 (0 a 5)

23 novembro 2025

"Frankenstein", de Guillermo del Toro, discute solidão e busca por pertencimento

Longa dá um novo significado à criatura, longe da brutalidade que outras versões insistiram em perpetuar (Fotos: Netflix)
 
 

Silvana Monteiro

 
A mais recente adaptação de "Frankenstein", lançada pela Netflix, desloca o olhar tradicional para algo mais íntimo do que a mera oposição entre criador e criatura. Em vez de repetir o clichê do “monstro que aterroriza”, o filme investe naquilo que sempre foi seu núcleo mais humano: a busca pelo sentido da existência.

O grande mérito da obra está na forma como ressignifica a criatura. Longe da brutalidade que tantas versões insistiram em perpetuar, o ser renascido em laboratório pode estar vivo e pode estar morto, mas qual é o sentido de viver ou morrer, de fato? 


Sem se apoiar em explicações excessivas, o diretor Guillermo del Toro constrói um ritmo que abraça a contemplação. O que poderia ser apenas uma história sobre criação científica torna-se um ensaio visual sobre pertencimento. 

As escolhas de fotografia, sempre entre a penumbra e a luz filtrada, ajudam a materializar o sentimento de estar “entre mundos”: vivo, mas não nascido; consciente, mas sem raízes.

Em busca de respostas

Quando o médico Victor Frankenstein (Oscar Isaac) decide extrapolar seus conhecimentos e buscar uma sabedoria além da vida e da morte, ele não imaginava que as coisas poderiam sair do controle. Pelo contrário, embora testando, ele achava que dominava as práticas. 


Uma das maiores surpresas é a relação que se estabelece — ainda que fragmentada — entre a criatura (interpretada por Jacob Elordi), Victor Frankenstein e os demais personagens da história. Com dois deles em especial, há ainda desdobramentos muito mais incríveis que vão mexer com os sentimentos do telespectador. 

Em relação a Victor e o monstro, a obra tenta mostrar que, a sua maneira, cada um representa dois seres igualmente perdidos, ambos tentando lidar com a própria incapacidade de preencher o vazio que carregam. 

O filme sugere, com extrema sutileza, que há ainda um gesto final, uma forma de romper a cadeia que prende as almas e os corações, dos vivos e dos mortos. 


Nuances dos personagens

O interessante é que o roteiro se equilibra para não empurrar o espectador nem para a pena, nem para o medo. Em vez disso, é convidado a enxergar nuances: a criatura que observa o mundo com cuidado; o criador que tenta decifrar os danos que causou; a vida que escapa a qualquer forma de controle. 

A força da crítica social — presente em toda história de "Frankenstein" — aparece não como discurso, mas como camada: o que fazemos com quem não se encaixa? O que acontece com aqueles que não foram desejados, mas existem?


É nesse ponto que a obra conquista sua singularidade. O filme transforma a narrativa em uma reflexão sobre autonomia e humanidade. Sem recorrer a grandes revelações ou reviravoltas explícitas, a adaptação da Netflix entrega um filme que respira poesia nos intervalos das monstruosidades, seja dos humanos, seja das invenções criadas por mãos insanas.

Curiosidade

Acompanhando o lançamento do filme, o clássico absoluto da literatura gótica e do horror escrito pela jovem Mary Shelley em 1816 ganha nova edição ilustrada. O livro chega pelo selo Planeta Minotauro, com ilustrações de Amanda Miranda e apresentação de Cláudia Fusco. Reconstituído, como a própria criatura, esta edição especial quer atrair uma nova geração de leitores.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Guillermo del Toro
Produção: Columbia Pictures e Netflix
Distribuição: O2 Filmes e Netflix
Exibição: Netflix
Duração: 2h30
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: drama, ficção, terror