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02 maio 2026

"Mãe e Filho" envolve o espectador em trama regada a sede de vingança

O roteiro consegue manter a atenção o tempo todo, acrescentando fatos em curtos intervalos na vida da enfermeira e seus dois filhos (Fotos: Retrato Filmes)
 
 

Patrícia Cassese

 
Um dos grandes trunfos de “Mãe e Filho”, em cartaz no Centro Cultural Unimed-BH Minas e Una Cine Belas Artes, é o de conseguir fazer com que o espectador adentre o universo da personagem feminina citada no título – a enfermeira Mahnaz (interpretada por Parinaz Izadyar) - e, desse modo, compartilhe de maneira intensa os sentimentos que povoam a jovem viúva, mãe de dois filhos, a cada etapa dos acontecimentos que constituem a narrativa. 


Tão importante quanto, principalmente a partir da segunda metade do filme iraniano dirigido por Saeed Roustaee, o roteiro é tão bem urdido que a ansiedade invade o público o tempo todo, fazendo-o ansiar pelo desdobrar da trama.

A parte inicial é mais dedicada a apresentar o filho mais velho de Mahnaz, o adolescente Aliyar (Sinan Mohebi), que, vale dizer, não soa como uma figura simpática. Ao contrário. A série de situações apresentadas que o envolvem diretamente dificultam que o espectador se apegue ao personagem. 


No entanto, um acontecimento abrupto promove uma reviravolta. Bem, comentar o filme sem incorrer em spoilers é uma tarefa hercúlea, mas, a partir deste ponto de virada, a figura materna ocupa ainda mais espaço. 

O sofrimento se avoluma de tal forma que é difícil não tentar praticar o exercício de se colocar no lugar de Mahnaz e pensar no que fazer quando todas as certezas parecem desmoronar como um castelo de cartas.

A decepção com a atitude dos familiares mais próximos – mãe e irmã – e com o núcleo do finado marido se potencializa com a atitude do noivo. O mar revolto se agrava à medida que uma cadeia de segredos começa a ser revelada. E, a partir daí, a sede de vingança dá a tônica. 


Ainda que não concordemos com as atitudes de Mahnaz, é impossível não a entender. Mesmo porque, em algum ponto da vida, todos nós nos sentimos injustiçados por um motivo ou outro, ainda que a maioria não em tamanha intensidade.

Muito bem planejado, o roteiro consegue manter a atenção o tempo todo, com o bônus de ir acrescentando fatos em curtos intervalos, assim como em colocar, na balança, a questão da ética em várias oportunidades. 

A performance de Parinaz Izadyar é um fator determinante para o resultado do filme. Trata-se de uma atriz que consegue dizer muito até com o olhar. A forma como defende, tal qual uma leoa, o filho é tocante. 


Em Mahnaz, tristeza e raiva se mesclam sem litígio e deságuam na ação tempestuosa, ainda que em um mundo no qual a personagem central está cônscia de que o patriarcado dita as regras. Em meio a tudo isso, vale citar, ainda, a atuação de Arshida Dorostkar, a atriz mirim que interpreta Neda, a filha mais nova de Mahnaz, outra que diz tanto pelo olhar. 

Completa o rol de trunfos a presença do ator Payman Maadi, conhecido do público cinéfilo brasileiro pela presença em “Separação” (2011), de Asghar Farhadi, que venceu na categoria Filme Estrangeiro no Oscar 2012. O longa, vale lembrar, pode ser visto no Prime.


Ficha técnica:
Direção: Saeed Roustaee
Produção: Iris Film
Distribuição: Retrato Filmes
Exibição: Centro Cultural Unimed-BH Minas e Una Cine Belas Artes
Duração: 2h11
Classificação: 16 anos
País: Irã
Gêneros: drama

30 abril 2026

Mais atual do que nunca: "O Diabo Veste Prada 2" mostra que o poder nunca sai de moda

Esperada sequência mantém o elenco original, além de trazer participações especiais de novas celebridades (Fotos: 20th Century Studios)
 
 

Patrícia Cassese

 
Passados 20 anos da estreia nas telas, os cinemas de todo o Brasil recebem nesta quinta-feira (30) a esperada sequência "O Diabo Veste Prada 2" ("The Devil Wears Prada 2"), que tem como epicentro o retorno de Andrea Sachs (Anne Hathaway) à redação da "Runway", ainda capitaneada por Miranda (Meryl Streep).

O elenco da sequência (comandada por David Frankel, mesmo diretor do primeiro) conta novamente com outros atores centrais do filme de 2006 - Emily Blunt (a secretária Emily) e Stanley Tucci (Nigel, assessor de Miranda). Um pequeno detalhe: o tempo parece não ter passado para eles. 

Por outro lado, acopla Kenneth Brannagh (marido de Miranda), Lucy Liu (a bilionária Sasha Barnes) e Patrick Brammall (o novo namorado de Andrea), entre outros. 

Os fãs do filme original certamente se lembram do enredo, mas vamos lá, colocar em repasse. Nele, a jovem jornalista Andrea Sachs acalenta a pretensão de trabalhar em uma revista prodigiosa de Nova York, onde almeja fazer reportagens de vulto. 


No entanto, acaba parando na "Runway" (uma publicação de moda não estava de modo algum em seu radar), e contratada para ser a segunda secretária da toda-poderosa Miranda (a primeira é Emily), mulher a quem todos temem, evitando mesmo pegar o mesmo elevador que ela. 

Em um ambiente de extrema vaidade e luxo, Andrea corta um dobrado para atender aos infinitos caprichos da chefe (como ser desafiada a conseguir um original de um novo volume da saga Harry Potter antes da publicação) e, não bastasse, tentar manter o namoro e as amizades em dia. 

Em meio a tudo isso, diante do olhar implacável e rascante de Miranda, entende que, para continuar por ali, precisa também mudar seu modo de se comportar e, principalmente, de se vestir. Não é spoiler lembrar que, após a temporada de moda de Paris, Andrea acaba entendendo que seu ciclo por ali está encerrado, partindo para novos desafios profissionais.


"O Diabo Veste Prada 2" tem início com o nome de Andrea Sachs sendo anunciado como o vencedor entre os concorrentes a um prestigioso prêmio jornalístico. A noite, que deveria ser motivo de júbilo, porém, é arruinada pela demissão de vários jornalistas do veículo, Andrea inclusa. 

Pior: a demissão é feita por Whatsapp, ou seja, da maneira mais impessoal possível - trabalhadores de todo o mundo sabem que a tática tem sido comum nesses novos tempos. Com lágrimas nos olhos, ela sobe ao palco e, após receber o citado prêmio, faz um discurso potente que rapidamente viraliza.

Entre os que o visualizam o vídeo está Irv Ravitz (Tibor Feldman), dono do grupo que detém a "Runway", e seu filho, Jay, vivido por B.J. Novak. Entendem, ali, que estão diante de uma oportunidade e tanto: contratar Andrea Sachs para comandar um núcleo de reportagens especiais, visando deter a queda no prestígio da revista. 


Apenas "se esquecem" de contar o plano a Miranda. Ao ver uma entusiasmada Andrea adentrar a redação assim, do nada, a ficha - tanto a de Miranda quanto a de Nigel - demora a cair. E eis que Andrea se vê mais uma vez lutando para conquistar a aprovação da ex-chefe.

E onde entra Emily nessa história? Bem, a antiga secretária, que nunca perdoou Andrea por ir em seu lugar na Semana de Moda de Paris, agora trabalha para a Dior e namora um ricaço disposto a atender todos os desejos da bela. Se o mundo dá voltas, Emily é um exemplo. Agora mais poderosa que Miranda, ela no fundo acalenta um sonho muito particular quanto a "Runway".

"O Diabo Veste Prada" (Foto: Divulgação)

O filme de 2006

Lançado em 2003, o livro "O Diabo Veste Prada", de Lauren Weisberger, não tardou a se tornar best-seller - e muito do interesse pela leitura veio do fato de a autora ter trabalhado por algum tempo como assistente da toda poderosa Anna Wintour, figura mítica do mundo da moda. 

Como não poderia deixar de ser, ficou evidente que, mesmo com pinceladas ficcionais, a editora de moda descrita na obra - a temida Miranda Priestly - era uma representação da poderosa editora da "Vogue" norte-americana, enquanto a, digamos assim, mocinha da história, Andrea Sachs, uma jovem jornalista à procura de emprego em Nova Iorque; a da própria Weisberger. Na esfera ficcional, a "Vogue", porém, virou "Runway".

Em um caminho quase orgânico no mercado, o êxito de vendas do livro despertou a atenção dos estúdios cinematográficos e, em 2006, estreava o filme de mesmo nome, dirigido por David Frankel. 

Em cena, Meryl Streep dava vida a Miranda, enquanto Anne Hathaway, a Andrea (Andy) Sachs. O elenco se completava com atores de talento mais que reconhecido, como Emily Blunt e Stanley Tucci, além de trazer participações especiais de celebridades como Gisele Bündchen.


Temas atuais

O novo filme ganha muitos pontos ao abordar como as coisas mudaram no mundo nestas duas décadas entre um filme e outro - e aí não estamos falando só das demissões cada vez mais impessoais, mas de avanços tecnológicos, IA... 

Um ponto tratado é o próprio declínio das revistas impressas - alguns vão se lembrar dos (bons) tempos em que algumas edições ou títulos costumavam simplesmente esgotar nas bancas. 

Outro ponto que conversa bastante com a realidade é quando o herdeiro de Irv contrata profissionais que nada sabem do mercado, mas que ostentam ares de consultores, detentores da sabedoria quando a pauta é tentar salvar a empresa. 

Não bastasse, "O Diabo Veste Prada 2" aborda uma opção recorrente no "mundo real" do trabalho quando a ideia é "salvar" empresas: demitir os funcionários mais antigos de casa, portanto, os mais velhos.


A questão corte de despesas nas empresas, aliás, traz um momento particularmente divertido, quando Miranda está para embarcar no avião rumo à Semana de Moda de Milão. Sim. Se no primeiro filme o destino fashionista era Paris, neste, é a meca italiana, com direito a belas imagens do Lago de Como e de um frame particularmente belíssimo: o de Meryl Streep em uma galeria Vittorio Emanuele II vazia. 

Mas a cena mais emblemática do longa é a que se passa em um estúdio no qual o famoso afresco "A Santa Ceia", de Michelangelo, foi reproduzido. Evidentemente, as filmagens não poderiam jamais, em tempo algum, serem feitas junto à obra-prima original, que se encontra na igreja Santa Maria delle Grazie. 

No entanto, é o simbolismo da obra (pintada entre 1495 e 1498) e o contexto em que aparece em cena que verdadeiramente importam. Em meio à discussão sobre os novos tempos, diante do irrefreável avanço tecnológico, o capolavoro de Michelangelo, que atravessa os séculos mantendo seu misticismo e o poder de atrair milhares de interessados em visitá-lo (as reservas devem ser feitas com meses de antecedência), está a lembrar que as máquinas jamais vão substituir de todo o talento do homem, tampouco alcançar o status de arte.

Lady Gaga e Doechii (Divulgação)

No quesito participações especiais, os fashionistas não vão sair de "O Diabo Veste Prada 2" entendiados... Além de Donatella Versace e Lady Gaga, tem Heidi Klum, Marc Jacobs, Stefano Gabbana, Domenico Dolce e a belíssima modelo canadense Winnie Harlow, porta-voz do vitiligo, entre outros não menos glamourosos.

Outro ponto de destaque do longa é a trilha sonora com músicas inéditas de Lady Gaga, especialmente no dueto com a rapper Doechii na faixa dançante "Runway". Apesar dos rumores, foi desmentido o dueto de Gaga com Madonna, que só retorna na conhecida "Vogue", do primeiro filme. 

A seleção musical conta ainda com Dua Lipa na música "End of An Era"; Raye cantando "Worth It"; SZA interpretando "Saturn"; Olivia Dean, com "Nice To Each Other"; Miley Cyrus e Brittany Howard fazendo dueto em "Walk of Fame", entre outros intérpretes do pop. 

Com tantos ingredientes na receita, "O Diabo Veste Prada 2" tem artilharia para agradar a variados públicos, dos fãs de moda aos adeptos do bom entretenimento. E é óbvio que parte desse acerto se deve, como já pontuado, ao talento dos atores envolvidos - afinal, Meryl Streep não veio ao mundo a passeio. 


E se nesses 20 anos as caras de Miranda Priestley continuaram por aí, circulando em memes e gifs populares nas redes, certamente não será diferente desta vez - até porque, ela repete bordões, frases e olhares do filme matricial, para delírio dos espectadores.

Como não dá para não colocar um porém, esse fica por conta de o frenesi que a personagem Andrea exibe no curso da parte 2 da história uma familiaridade com o universo dos ricos e poderosos, bem como com os figurinos de grifes inalcançáveis aos meros mortais. Mesmo sendo um pouco dissonantes ao perfil intelectual que a "saga" inicialmente propõe para caracterizar a jornalista. 

Mas vamos relevar esse "detalhe". Se a vida demanda momentos de lazer e diversão, e o cinema entra muitas vezes como uma boa opção para tal, ir a "Diabo Veste Prada 2" é decisão acertada. Um entretenimento de primeira.


Ficha técnica:
Direção: David Frankel
Roteiro: Aline Brosh McKenna
Produção: Walt Disney Pictures e 20th Century Studios
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2 horas
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: comédia, drama

21 abril 2026

“Michael” acerta ao transformar espetáculo em emoção

Jaafar Jackson entrega a grande aposta do filme ao interpretar o tio com precisão (Fotos: Universal Pictures)
 
 

Robhson Abreu e Maristela Bretas
Parceiro da Revista PQN, Jornal de Belô e Bloco de Belô


Há filmes que procuram apenas contar uma história. Outros tentam reconstruir um mito. "Michael", no entanto, vai além dessas missões. O longa, dirigido por Antoine Fuqua (responsável por sucessos como a trilogia "O Protetor" 2014, 2018 e 2023 e "Sete Homens e um Destino" - 2016), estreou nesta terça-feira (21) nos cinemas brasileiros e mira no centro de uma das figuras mais complexas e influentes da cultura pop. 

O que se vê é uma tentativa de devolver a Michael Jackson aquilo que o tempo, a fama e o próprio excesso de reverência muitas vezes lhe roubaram, sua dimensão humana. E é aí que o filme encontra sua força mais rara. Não apenas no brilho do ícone, mas na dor, na solidão e na pulsação íntima de um artista que se tornou maior do que a própria imagem.


O grande triunfo da produção, que custou mais de US$ 155 milhões, está na atuação de Jaafar Jackson, sobrinho de Michael e filho de Jermaine, o irmão mais velho e um dos integrantes da primeira geração do The Jackson 5. 

Em sua primeira grande passagem pelo cinema, Jaafar não interpreta o tio como quem reproduz um repertório de gestos conhecidos pelo mundo inteiro, ele o encarna com uma entrega que impressiona pela precisão e pela emoção. 


Há no seu trabalho uma combinação difícil de alcançar como a semelhança física, o domínio corporal, a respiração cênica, o olhar que alterna insegurança e magnetismo. Jaafar não copia Michael. Ele o reconstrói por dentro e dá ao personagem uma presença que vai além da lembrança nostálgica. Seu desempenho carrega o peso de uma herança monumental, mas também a coragem de não se esconder atrás dela.

Nos momentos musicais, Jaafar parece habitar um território em que técnica e encantamento se confundem. A dança não surge como truque, e sim como linguagem. A voz, embora inevitavelmente comparada à do artista original, não soa como simples reprodução. Ela tenta captar o espírito de uma assinatura vocal que moldou gerações. 


Mas é nas passagens mais silenciosas que o ator encontra sua maior potência. Quando o filme desacelera e deixa o espetáculo em segundo plano, Jaafar revela um Michael mais vulnerável, quase ferido pela própria grandeza. É nesses instantes que a performance ganha densidade dramática e faz o filme respirar.

O elenco de apoio também sustenta bem essa construção. Colman Domingo ("Rustin" - 2024), como Joe Jackson, imprime peso e tensão à narrativa, sem jamais diluir a sombra paterna que marcou a trajetória do cantor. Sua presença em cena tem autoridade e desconforto na medida certa. 


Nia Long ("The Banker", 2020) como Katherine Jackson, oferece um contraponto de ternura e resistência, emprestando ao núcleo familiar uma delicadeza que impede o filme de se tornar apenas um desfile de traumas.

Destaque também para Juliano Krue Valdi, que interpreta Michael criança, um garoto muito fofo que deu o tom certo ao personagem no período do surgimento do The Jackson 5. Cada coadjuvante, à sua maneira, ajuda a compor o ambiente em que o cantor e compositor foi forjado, pressionado e, muitas vezes, esmagado.

"Michael" dialoga diretamente com a cultura pop. O filme não trata apenas de um astro, mas de um fenômeno que moldou linguagem, imagem, coreografia, moda e comportamento. Michael Jackson não foi apenas um cantor, ele foi uma gramática estética que atravessou décadas e segue influenciando o entretenimento mundial. 


Revisitá-lo no presente é também uma forma de reavaliar o modo como a cultura pop fabrica ídolos, os consome e depois tenta decifrá-los. Nesse sentido, o longa, que vai dos anos 1960 até 1980, tem algo de ritual e de reparação. 

Explica alguns fatos da infância e da adolescência do artista - sua paixão por animais, o vitiligo que começa a se manifestar na pele, a obsessão por brinquedos e compras e o início do consumo de remédios.

Não podemos esquecer, no entanto, que a produção do filme é da família Jackson, que deixa de fora do enredo momentos comprometedores e complexos da vida do cantor e de suas relações pessoais e judiciais. A continuação está prevista para 2027 (ainda sem confirmação) que deverá abordar a fase adulta de Michael. 


Sem falar na reconstrução de clipes memoráveis que estão em nossas memórias por décadas como “Thriller”, "Bad", “Beat it”, “Dont' stop til you get enough”, entre outras. 

Algo fantástico para todos nós que só vimos o produto pronto e não como foi feito na época. É emocionante ver um ídolo sendo recriado com tanta emoção e carisma. Dá vontade de ver todo dia!

Com a ambição que exibe a força de seu protagonista e o apelo universal do personagem central, "Michael" entra naturalmente na conversa sobre a temporada de prêmios e com certeza desponta como um nome a ser observado com atenção rumo ao Oscar 2027. 


Filmes biográficos musicais costumam encontrar ressonância na Academia quando combinam transformação física, densidade emocional e apuro técnico. E em "Michael" há material de sobra para isso. 

Se mantiver o impacto que a interpretação de Jaafar Jackson sugere, o filme pode ir muito além da homenagem. Ele poderá se tornar um dos grandes eventos cinematográficos da década, assim como sempre foi o mito Michael Jackson, com uma expectativa dos produtores de atingir US$ 1 bilhão na bilheteria mundial. 


Ficha técnica:
Direção: Antoine Fuqua
Produção: Lionsgate, GK Films
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h05
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: musical, drama, biografia

18 abril 2026

“The Beauty - Lindos de Morrer”: o que você faria para ter beleza eterna?

Nova série de Ryan Murphy expõe o preço da perfeição em um mundo onde estética e imagem valem
mais que a alma (Fotos: Fox)
 
 

Robhson Abreu

 
Se você tivesse um visual não tão atraente, alguma enfermidade e soubesse que a indústria farmacêutica criou uma fórmula capaz de curar todos os males e ainda te deixar lindo (a), o que faria? Pagaria por essa fórmula milagrosa que custaria uma fortuna? E se soubesse que a fórmula poderia ser sexualmente transmissível, transaria por isso? Tudo em prol da beleza e aceitação social? 

Em tempos de medicamentos milagrosos para emagrecimento parece que a série "Lindos de Morrer" ("The Beauty"), do canal Fox e exibida na plataforma Disney+, não é tão fantasiosa.


Há séries que entretêm e outras que provocam. E, em se tratando de Ryan Murphy (“‘Glee”, "Pose" e "American Horror Story"), as duas sensações caminham juntas. O diretor manteve sua habilidade de trabalhar temas provocativos e universos estilizados, mas com um tom mais reflexivo, sem abrir mão do impacto visual que marca sua carreira.

"The Beauty" é uma série que seduz ao mesmo tempo em que desconforta. O roteiro é simples na superfície e brutal em suas implicações. 

Por meio de uma injeção ou por sexo, qualquer pessoa pode ficar extraordinariamente bonita. Em troca, um preço irreversível. O que poderia soar como fantasia logo se revela um comentário ácido sobre o mundo real.


Inspirada nos quadrinhos de Jeremy Haun e Jason A. Hurley, a narrativa acompanha os detetives Cooper Madsen (Evan Peters, da série "Mare of Easttown" - 2021) e Jordan Bennett (Rebecca Hall, de "Godzilla e Kong: O Novo Império" - 2024) que investigam uma possível conspiração entre o governo e a indústria farmacêutica para lucrar com a disseminação controlada da doença de “ser bonito”. 

Assim, eles investigam mortes que orbitam a fórmula chamada Beauty, enquanto tentam compreender como algo tão desejado pode esconder consequências tão devastadoras.


O elenco amplia a densidade da trama. Peters sustenta o protagonismo com um registro contido, quase silencioso, que cresce em tensão a cada episódio. Rebecca oferece um contraponto emocional, trazendo humanidade a uma história que poderia facilmente se tornar apenas conceitual. 

Entre os nomes de peso, Ashton Kutcher ("Jobs" - 2013) assume um papel central e perturbador, enquanto Isabella Rossellini ("Conclave" - 2024) imprime sofisticação e ambiguidade. O elenco conta ainda com Jeremy Pope ("A Inspeção" - 2022) e Anthony Ramos ("Twisters" - 2024), que ajudam a ampliar as camadas sociais e emocionais da narrativa.


Kutcher, como o ambicioso Byron Forst, acredita ter alcançado o que a humanidade sempre quis - a fonte da juventude e da beleza eterna. Mais do que um usuário da Beauty, ele se enxerga como alguém acima dela, quase um criador, alguém capaz de controlar e redefinir os padrões do mundo. 

Essa convicção o leva a ultrapassar limites morais com frieza, eliminando qualquer pessoa que represente ameaça ao seu projeto de poder. Há nele uma dimensão quase messiânica, distorcida por vaidade e ambição, que o aproxima da ideia de um “Deus da beleza”.


Ao mesmo tempo, a construção do personagem evita reduzi-lo a um vilão unidimensional. A narrativa revela fissuras. Quando os efeitos colaterais começam a se intensificar, especialmente entre aqueles contaminados pela transmissão sexual, surge outro lado. 

Aquele que observa as consequências fora de controle, que percebe a falha no sistema que acreditava dominar. É nesse ponto que o personagem expõe traços de humanidade, ainda que tardios, ainda que atravessados por culpa e desespero.


Uma nova IST?

Esse arco reforça um dos temas centrais da série. Beauty promete perfeição, mas escapa ao controle. A mesma tecnologia pode ser interpretada como uma espécie de Infecção Sexualmente Transmissível (IST), transmitida pelo contato íntimo que, ao contrário das doenças combatidas, desperta desejo coletivo. 

Em um mundo que ainda luta para controlar infecções como o HIV, a série inverte a lógica ao apresentar uma doença que muitos querem contrair. O risco deixa de ser evitado e passa a ser buscado. O contágio vira símbolo de status.


No entanto, o acesso seguro depende de um tratamento caro, aplicado por injeção, restrito a quem pode pagar. A tecnologia não é democrática. Para quem não tem recursos, resta uma alternativa informal e arriscada. 

Mas essa escolha cobra seu preço. Os efeitos colaterais funcionam como uma verdadeira caixa de surpresas. Em alguns casos, a transformação pode acontecer dentro do esperado. 

Em outros, o resultado foge completamente ao controle, revelando consequências físicas e emocionais imprevisíveis. A promessa de perfeição convive, o tempo todo, com a possibilidade de fracasso. O que nos faz querer maratonar a temporada.


A Beauty pode ou não dar certo. Essa incerteza sustenta a tensão da narrativa e amplia seu impacto simbólico. A promessa de perfeição vem acompanhada de instabilidade. Cada rosto impecável carrega a possibilidade de colapso.

Há também um diálogo interessante com o cinema recente. "The Beauty" ecoa, em certa medida, às inquietações de "A Substância" (2024), filme protagonizado por Demi Moore. Lembra? Além do conteúdo, a forma também se destaca. A trilha sonora contribui de maneira decisiva para a atmosfera da série. 

Os figurinos seguem a mesma estética, com peças elegantes e contemporâneas. Já as locações apostam em ambientes luxuosos, frios e controlados como clínicas, coberturas e espaços urbanos de alto padrão, que ajudam a construir um universo onde a beleza não é apenas atributo, mas capital.


A série de Murphy, com 11 episódios na primeira temporada, é precisa ao construir um mundo onde a beleza é quase um produto. A fotografia valoriza peles impecáveis, simetrias e brilhos artificiais, criando imagens que remetem a campanhas publicitárias. 

Ao mesmo tempo, há algo deslocado em cada enquadramento, como se aquela perfeição estivesse sempre prestes a se desfazer. 

Em um mundo de muitos influencers em que ser belo é condição nata, "The Beauty - Lindos de Morrer" é um espelho distorcido que reflete com clareza o presente. 

Assim Murphy levanta uma questão direta: você tomaria uma medicação para alcançar a beleza e a juventude eternas, mesmo sabendo dos seus possíveis efeitos colaterais?


Ficha técnica:
Direção: Ryan Murphy, Alexis Martin Woodall e Michael Uppendahl 
Produção: Fox
Exibição: Disney+ e FX/Hulu
Duração: 1ª temporada - 11 episódios, média de 40 minutos por episódio
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: drama, policial, terror, suspense

16 abril 2026

"O Estrangeiro": Ozon coloca seu talento a serviço de um cânone da literatura

Benjamin Voisin interpreta o francês Meursault, um jovem que não demonstra sentimentos nem com a
morte da mãe (Fotos: California Filmes)
 
 

Patrícia Cassese

 
Publicado em 1942, “O Estrangeiro” ("L'Étranger), do franco-argelino Albert Camus (1913 – 1960), não tardou a entrar para o panteão dos clássicos, conquistando mais e mais leitores no curso do tempo, mundo afora. 

Previsivelmente, não tardou a ser adaptado para o teatro e para o cinema – no último caso, por Luchino Visconti, em 1967, com Marcello Mastroianni como protagonista. 

A mais recente versão para a sétima arte desta obra, desta vez, dirigida pelo francês François Ozon, está em cartaz no Una Cine Belas Artes e no Centro Cultural Unimed-BH Minas. Lembrando  que, ano passado, o título foi exibido em algumas sessões em BH dentro do Festival de Cinema Francês (antigo Varilux). 


Agora, Meursault é vivido pelo ótimo Benjamin Voisin, de “Ilusões Perdidas”. O jovem ator, vamos lembrar, teve seu primeiro papel de destaque no cinema pelas mãos do mesmo Ozon, no tocante “Verão de 85”. 

Logo no início da trama de “O Estrangeiro”, o personagem central, funcionário de um escritório em Argel (então ainda colônia da França), recebe a notícia do falecimento da mãe, que vivia em um asilo em Marengo, a 80 quilômetros da capital. 

Ao contrário do comportamento esperado pela sociedade em situações afins, Meursault não deixa transparecer laivos de inconformismo diante do anúncio. Sequer uma vaga tristeza. Ao contrário, mantém a fleuma e a apatia características de sua personalidade, declinando inclusive da oferta de que o caixão fosse aberto, para que pudesse ver, pela última vez, a genitora.


Em uma sociedade na qual a dor de perder um ente querido é majoritariamente validada por rituais que incluem lágrimas, soluços e manifestações vívidas de inconformismo, a impassibilidade de Meursault chama a atenção dos companheiros de moradia da falecida. 

Mais tarde, a indiferença do único filho da sexagenária volta à baila quando Meursault já está no banco dos réus, após assassinar um rapaz árabe a cinco tiros, sendo quatro disparados quando a vítima já estava sem vida.

O episódio que muda irreversivelmente a vida de Meursault, como quem leu o livro bem se recorda, se dá num dia de muito calor em que, a convite de um vizinho, o comerciante Raymond (Pierre Lottin), o protagonista vai à praia com a namorada, Marie (Rebecca Marder). 

O rapaz árabe, por sua vez, é irmão da amante de Raymond, uma moça a quem ele recentemente espancara. Portanto, aparece no balneário, junto a amigos, em tom de intimidação e possível vingança ao agressor. 


No momento que precede o crime, porém, os rapazes já tinham inclusive se distanciado do ponto da praia onde Raymond, Meursault e companhia estavam. Ocorre que, subitamente, sem um propósito explicitado, Meursault deixa o grupo para, sozinho, dar uma nova caminhada. É quando, metros adiante, ainda na praia, volta a encontrar o hercúleo rapaz, desta vez já sozinho. É quando, sob o brilho do sol inclemente, o crime acontece.

Com sua agudeza particular, François Ozon não deixa de explorar o racismo contra os árabes, em falas como a do advogado de Meursault (diga-se, escolhido à revelia do personagem, já que, por ele, nem teria defesa), que cita o fato de que vários franceses foram anteriormente absolvidos por matar locais, comprovando, assim, uma dinâmica de povos subjugados. 

O julgamento do personagem central - que mantém a letargia característica em seu curso, quase como se fosse um espectador do processo, e não o homem sentado no banco dos réus - assume, claro, a metade final da narrativa.


Cumpre dizer que, nesta transposição, Ozon mantém-se bem fiel à obra de Camus, ainda que insira uma licença poética que não vai passar despercebida aos que trazem frescos na memória detalhes da icônica obra. 

Trata-se de um momento fugaz em que Meursault lança um olhar fixo ao corpo delineado do rapaz árabe, em particular, à axila do mesmo, o que sutilmente sugere que houve outro motivo para que descarregasse o cartucho no garoto.

Com apenas 29 anos, Benjamin Voisin já mostrou várias vezes a que veio, com um talento que lhe permite dar corpo a personagens densos, de vieses distintos, mas que muito exigem da interpretação. Aqui, surge perfeito como Meursault, um atento e interessado observador do comportamento humano, mas que, apático até a medula, não busca interferir no rumo dos acontecimentos, limitando-se a aceitar o fluxo da vida com resignação e mesmo certo abatimento. 


A opção pelo preto & branco mostra-se perfeitamente acertada, gerando imagens em que os contrastes de luz e sombra criam quadros belíssimos. Talvez um pequeno reparo possa ser feito em relação à percepção de que o calor descrito com tanto detalhamento e intensidade no livro de Camus (como nas frases “havia já duas horas que o dia deitara sua âncora neste oceano de metal fervente “ou “a ardência do sol queimava-me as faces e senti o suor amontoar-se nas minhas sobrancelhas”) não apareça na tela de modo mais demarcado, o que poderia ser alcançado, por exemplo, com o efeito de roupas empapadas ou suor escorrendo pelo rosto dos personagens.

Nada, porém, que interfira no deleite de ver um clássico de volta ao cinema com a condução de um expoente como Ozon, e com elenco tão empenhado. Portanto, vá ao cinema – e, se possível, aproveite para ler ou reler o livro.
 

Ficha técnica:
Direção e roteiro: François Ozon
Distribuição: California Filmes
Exibição: Una Cine Belas Artes e Centro Cultural Unimed-BH Minas
Duração: 2h02
Classificação: 16 anos
Países: França, Bélgica e Marrocos
Gêneros: drama, crime

08 abril 2026

Até onde vai a confiança de Robert Pattinson em Zendaya? Confira em "O Drama"

Revelação de segredos do passado e do presente ameaça o momento que deveria ser o mais feliz do casal (Fotos: Diamond Films Brasil)
 
 

Maristela Bretas

 
Um encontro nada casual, dois jovens decididos a se casar e um segredo revelado às vésperas da cerimônia capaz de destruir tudo. Essa é a premissa de "O Drama" ("The Drama"), que estreia nesta quinta-feira (9) nos cinemas. 

Vendido como comédia romântica, o filme se aproxima muito mais do drama com suspense - e acerta ao apostar nisso.  Seu maior trunfo são as atuações afiadas de Zendaya ("Rivais" - 2024) e Robert Pattinson ("Mickey 17" - 2025), que funcionam com intensidade e química na primeira parceria em cena.


Eles vivem Emma e Charlie, que se conhecem em um encontro armado por ele numa cafeteria. A relação avança rápido até o noivado. Às vésperas do casamento, durante uma brincadeira entre casais, um segredo do passado da noiva vem à tona - e desestabiliza a confiança não só entra ela e Charlie, mas de todo o grupo.

Até onde um segredo nunca revelado pode corroer uma relação construída sobre amor e cumplicidade? Entre intrigas, traições e desconfianças, o diretor e roteirista Kristoffer Borgli vai criando um ambiente sufocante, marcado por tensão crescente, constrangimentos e doses certeiras de humor sombrio. Um exemplo disso é a cena desconfortável do casal com a fotógrafa do casamento, um dia após as revelações. 


O que deveria ser o momento mais feliz da vida a dois se transforma numa batalha silenciosa, que desgasta a relação dia após dia. O filme abandona rapidamente a leveza inicial e mergulha numa narrativa de suspense psicológico, cheia de reviravoltas, onde até a sanidade dos protagonistas passa a ser questionada.

Borgli conduz a trama com precisão ao explorar fragilidades e ressentimentos. Emma carrega um trauma do passado que ameaça destruir seu presente. 


Charlie, por sua vez, revela-se um homem inseguro e emocionalmente despreparado para lidar com a verdade. Zendaya e Pattinson entregam atuações intensas, transmitindo angústia em olhares, gestos e silêncios que adoecem a relação diante do espectador.

O elenco de apoio também se destaca, especialmente os padrinhos Rachel e Mike, interpretados por Alana Haim (“Uma Batalha Após a Outra” - 2025) e Mamoudou Athie (“Jurassic World: Domínio” - 2022). São eles que acendem o estopim do conflito e rapidamente expõem a superficialidade e a hipocrisia que sustentavam a amizade com o casal.


Ao longo de "O Drama", novas revelações aprofundam o desconforto e provocam o público a repensar ideias romantizadas sobre amor, confiança e culpa. Não espere um final reconfortante. 

O que fica é um nó na garganta — e a sensação incômoda de que talvez o filme diga mais sobre relações reais do que gostaríamos de admitir.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Kristoffer Borgli
Produção: A24
Distribuição: Diamond Films Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: drama, romance

07 abril 2026

“Cinco Tipos de Medo”: thriller brasileiro entrelaça, com qualidade, histórias e personagens

Filme marca a estreia no cinema dos atores de séries e telenovelas Bella Campos e Xamã, que conquistou
o troféu de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado (Fotos: Divulgação)
 
 

Eduardo Jr.

 
O cinema nacional vive, de fato, uma boa fase no quesito qualidade. O exemplo mais recente dessa safra é o interessante “Cinco Tipos de Medo”. Já com alguns prêmios na bagagem, o longa distribuído pela Downtown Filmes estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 9 de abril.  

Dirigido e roteirizado por Bruno Bini, o longa cruza, com habilidade, as histórias de cinco personagens. Talvez a proposta faça alguns leitores aqui se lembrarem do premiado “Crash: No Limite” (EUA, 2004). Ambos começam com reflexões do protagonista, entrelaçam histórias e entregam roteiros surpreendentes. 


Em “Cinco Tipos de Medo”, um jovem músico lida com uma perda e se envolve num romance que traz mais problemas do que paz. É quando começam a se cruzar as histórias de um traficante, um advogado de comportamento suspeito e uma policial com desejo de vingança.

A história se passa na periferia de Cuiabá (MT), cenário pouco explorado no audiovisual brasileiro. Ponto positivo para esta escolha. E apesar de ser um thriller, a direção consegue levar o olhar do espectador para além da tensão típica do gênero, com questões como a Covid-19, relacionamentos abusivos e para a ausência do estado em algumas comunidades, que leva pessoas a contar mais com o crime do que com o poder público.


O início já apresenta algo que chama a atenção, um aviso de que o longa se inspira em histórias reais. Logo depois, é mencionada uma pesquisa (sem informar a fonte ou se é real), sobre os maiores medos do homem: de médico, de lugares fechados, da solidão, de ficar sem dinheiro, e só então, no espantoso quinto lugar da lista, o medo de morrer. 

Bruno Bini, então, vai colorindo suas personagens com as tintas dessas preocupações. 


E o elenco, em sua maioria, dá conta do recado ao imprimir nas personagens esses traços. O filme conta com Bella Campos (Marlene) e Xamã (Sapinho) - ambos estrearam no cinema com este longa -, João Vítor Silva (Murilo), Bárbara Colen (a policial Luciana), Rui Ricardo Diaz (Ivan), Rejane Faria (Antônia), Jonathan Haaggensen (Hugo) e Zecarlos Machado (Régis).   

Criminalidade, suspense e violência dão corpo a esse thriller, que tem cenas apresentadas sem linearidade, mas que se encaixam bem no conjunto da obra. A luz correta, a fotografia bem executada, as conexões das histórias e as reviravoltas agradam bastante. 


Não por acaso o longa conquistou, no Festival de Gramado de 2025, os prêmios de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem, para Bruno Bini, além do troféu de Melhor Ator Coadjuvante para Xamã. E ainda viaja para disputas em festivais internacionais. 

Pode não ser um filme daqueles que conquistam indicações ao Oscar, mas prende o olhar do espectador na tela do início ao fim.  


Ficha Técnica:
Direção e roteiro: Bruno Bini
Produção: Plano B Filmes, Druzina Content, coprodução Quanta
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: salas da rede Cineart
Duração: 1h47
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, ação