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04 maio 2026

"2DIE4: 24 Horas no Limite": Imersão de tirar o fôlego deixa a história para trás

Primeira produção brasileira a apostar na tecnologia IMAX, acompanhando o piloto Felipe Nasr em tempo real (Fotos: Paulo Oliveira)
 
 

Maristela Bretas

 
Há uma ideia potente no centro de “2DIE4: 24 Horas no Limite” — e ela, de fato, acelera forte. O problema é que o filme parece mais interessado em impressionar do que em sustentar o percurso. Primeira produção brasileira a apostar na tecnologia IMAX, o longa dirigido pelos irmãos publicitários André e Salomão Abdala mergulha o espectador na experiência das 24 Horas de Le Mans de 2025.

O filme acompanha o piloto brasileiro Felipe Nasr, quase em tempo real, na prova de resistência mais famosa do automobilismo mundial, considerada a mais antiga e exigente da história.

Nesse aspecto é impossível negar seu impacto: há momentos em que a sensação de estar dentro do cockpit é tão convincente que o cinema praticamente desaparece — sobra apenas a corrida. Isso para uma produção que contou com apenas oito pessoas e levou dois anos para ser realizada.


A fotografia é um espetáculo à parte, especialmente nas cenas captadas ao amanhecer e durante o dia, quando a luz recorta os carros e a pista com precisão. A qualidade de imagem é, sem exagero, impressionante, e justifica plenamente a ambição de ser o primeiro filme brasileiro pensado para esta tecnologia. 

A proposta sensorial funciona: o longa não quer apenas ser visto, quer ser sentido. A produção foi vencedora do Motor Sports Film Award 2025 na categoria Melhor Documentário de Longa-Metragem.

Essa escolha, no entanto, cobra seu preço. Ao estruturar o filme como uma sucessão de “melhores momentos” da corrida, os diretores acertam no ritmo, mas sacrificam muito a construção dramática. O que poderia ser um retrato íntimo da pressão física e psicológica de uma prova de resistência se transforma em algo superficial, quase ilustrativo. 


A tentativa de criar um arco emocional para Nasr — por meio de narrações em off e cenas encenadas de preparação e introspecção — soa artificial. Em vez de aprofundar o personagem, que inegavelmente é um grande piloto, essas inserções lembram discursos motivacionais prontos, quebrando a autenticidade que o restante do filme tenta construir. 

A narrativa passa a imagem de uma pessoa arrogante e dona da verdade, que desmerece o trabalho da equipe e dos demais pilotos, se colocando quase que como única salvação para a vitória. Todos os demais são meros componentes de um filme que foi feito para valorizar Felipe Nasr e a Porsche.


Há também um desequilíbrio na mixagem de som. Embora a trilha sonora seja eficiente e envolvente, seu uso excessivo acaba sabotando a própria experiência. Em diversos momentos, a música se sobrepõe ao ronco dos motores — que deveria ser protagonista — e até mesmo às conversas de bastidores. Para um filme que busca imersão, chega a ser incoerente abafar, por diversas vezes, seus próprios elementos mais orgânicos.

“2DIE4: 24 Horas no Limite” tem seus méritos: ao abrir mão de entrevistas, contextualizações e explicações didáticas, ele aposta na imersão pura, transformando o espectador em participante direto da corrida. Uma associação interessante entre documentário e ficção sensorial, uma ousadia rara no cinema nacional.


Para os fãs de automobilismo, é um prato cheio: tecnicamente arrebatador e capaz de entregar momentos de tirar o fôlego. No entanto, a narrativa da produção é cansativa, com furos que incomodam até mesmo quem acompanha o mundo do automobilismo. 

Além de abusar em longos minutos de tela preta, que ajudam a confirmar que toda a potência do IMAX foi apenas parcialmente aproveitada, assim como o tema e que a duração de 60 minutos poderia ser menor. “2DIE4: 24 Horas no Limite” acelera com força, mas esquece de construir uma linha de chegada que valha a jornada ao cinema para o público comum.

OBS.: Como parte da divulgação do filme, o carro dirigido por Felipe Nasr pela equipe Porsche Penske Motorsport, o Porsche 963 de número 7, está em exibição no terceiro andar do Boulevard Shopping, em BH.


Ficha técnica:
Direção: André e Salomão Abdala
Produção: Abdala Brothers
Distribuição: 02 Play Filmes
Exibição: sala IMAX do Cineart Boulevard, sala 2 do Cineart Ponteio e sala 3 do Cinemark Pátio Savassi
Duração: 60 minutos
Classificação: livre
País: Brasil
Gênero: documentário

29 abril 2026

Cineart Open Air volta a BH mais sofisticado, acessível e ultra sensorial

Programação acontece de quinta a domingo no Espaço 356, com filmes, shows e atividades para a família
(Fotos: Cineart/Divulgação)
 
 

Da Redação

 
De 30 de abril a 31 de maio, o Cineart Open Air está de volta a Belo Horizonte no Espaço 356, bairro Olhos D'Água, em uma edição mais ambiciosa, mais sofisticada e muito mais expandida, com sessões Premium a céu aberto a partir de R$ 40,00.

O projeto retorna com mais força em uma parceria com a produtora de eventos Box. A promessa é transformar novamente o céu da capital em telão, mas com um upgrade claro de proposta. 

O cinema continua sendo o coração da experiência, só que agora pulsa cercado por música ao vivo, DJs, festas temáticas, ambientação sensorial, gastronomia de primeira e uma programação pensada para prolongar a emoção muito além dos créditos finais. 


De quinta a sábado, as noites começam com um filme e seguem com diferentes desdobramentos. Às quintas, o espaço recebe noites de jazz e arte assinadas pelo DJ Leandro Rallo, Amy Wine Bar e Forninho, com sessões mais intimistas e intervenções artísticas. Às sextas, a programação se desdobra em happy hours com DJs convidados e bebidas especiais. 

As noites de sábado terão sessões temáticas seguidas de after parties assinadas por marcas aclamadas em BH, como Cafofo, Baile do Birico e Jack in the House. Todas especialmente desenhadas para conversar com a atmosfera do longa exibido. 

Já os domingos serão dedicados às famílias, com atividades infantis, oficinas e brincadeiras durante o dia ao ar livre, em parceria com o Extremo Park, o parque indoor do Espaço 356, antes de uma sessão ao final da tarde pensada para todas as idades. As atividades estão incluídas no valor do ingresso.


Uma estreia de peso

A edição deste ano também ganha um gancho pop poderoso. A estreia da temporada coincide com a chegada de “O Diabo Veste Prada 2”, um dos títulos mais aguardados de 2026 e capaz de conectar moda, cultura pop e cinema de forma quase irresistível. 

A programação reúne ainda outros títulos de forte apelo, como “Michael”, a cinebiografia que conta a história do Rei do Pop, Michael Jackson. Além desses, também serão exibidos títulos como “Super Mario Galaxy” e "Marte Um" (2022), promovendo o cinema nacional, dentre outros filmes que ainda serão divulgados.

Para Lúcio Otoni, diretor da Rede Cineart, o novo formato nasce de uma escuta atenta ao que o público demonstrou desejar na primeira edição. “O primeiro Open Air já mostrou que Belo Horizonte queria mais do que uma sessão especial ao ar livre. Queria viver uma noite ou tarde inteira em torno do filme e para além. Esta nova edição nasce justamente desse entendimento. O cinema continua sendo o centro, mas agora a experiência cresce em volta dele, com música, atmosfera, permanência e uma curadoria pensada para transformar a ida ao cinema em um acontecimento”, afirma.


Tudo em volta da tela

O público encontrará uma tela de 11m x 6m, projeção Barco 2K, som Dolby Digital 5.1, além de cadeiras estilo praia, pufes, mantas personalizadas e aquecedores para as noites mais frias.

Em volta da sessão, a experiência se completa com gastronomia, assinada pelo restaurante Barolio, carta de vinhos, drinques selecionados, bomboniére gourmet, um lounge com vista panorâmica para Belo Horizonte (onde música ao vivo e DJs ajudam a construir a atmosfera do evento) e muito mais.


Segundo Otoni, o projeto reafirma uma visão de experiência para a marca e representa um “universo sensorial completo”, em que gastronomia, cenografia e entretenimento se unem para criar momentos únicos. 

“A Cineart acredita cada vez mais no cinema como experiência. A sala escura continua sendo um lugar insubstituível, mas há formatos que permitem expandir essa potência e criar novos rituais em torno da sétima arte. O Open Air é uma forma de valorizar o filme e, ao mesmo tempo, tudo o que pode nascer em volta dele: encontro, cidade, música, celebração e memória”, comenta.

Funcionamento

Serão vendidos 120 ingressos por sessão, todos com direito ao filme e à programação do dia, incluindo as after parties ou atividades correspondentes. Esses ingressos custam R$ 80,00 a inteira e R$ 40,00 a meia, com vendas pelo site da Cineart


Além disso, a parte noturna terá também venda de ingressos avulsos para quem quiser participar apenas das festas posteriores à sessão, comercializados pelo app da Ingresse.

Os links das duas modalidades podem ser conferidos nos canais oficiais da Cineart e Ingresse. Os assentos das sessões serão livres, numa escolha que favorece um clima mais solto e convida o público a chegar antes, circular, ocupar o espaço com mais liberdade e entrar gradualmente no ritmo da noite (ou da tarde, no caso dos domingos).

Para o diretor da Cineart, o Open Air ajuda a consolidar Belo Horizonte como uma praça preparada para experiências culturais mais autorais, mais Premium e mais híbridas.


Serviço:
Cineart Open Air 2026
Período: de 29 de abril a 31 de maio
Dias: quinta a domingo
Horários: quintas a sábados, a partir das 18h
                domingos, a partir das 12h (com atividades infantis incluídas no ingresso)
Local: Espaço 356 - Rua Adriano Chaves e Matos, 100 - Olhos D'Água, Belo Horizonte
Ingresso cinema + experiência do dia: R$ 80,00 inteira / R$ 40,00 meia 
Venda: site da Cineart - https://cineart.com.br/cinema/cineart-open-air
Ingresso só after party: R$ 80,00 em média
Venda: app ou site da Ingresse - https://www.ingresse.com/cineart-open-air-30-de-abril-a-31-de-maio/



07 abril 2026

“Cinco Tipos de Medo”: thriller brasileiro entrelaça, com qualidade, histórias e personagens

Filme marca a estreia no cinema dos atores de séries e telenovelas Bella Campos e Xamã, que conquistou
o troféu de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Cinema de Gramado (Fotos: Divulgação)
 
 

Eduardo Jr.

 
O cinema nacional vive, de fato, uma boa fase no quesito qualidade. O exemplo mais recente dessa safra é o interessante “Cinco Tipos de Medo”. Já com alguns prêmios na bagagem, o longa distribuído pela Downtown Filmes estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 9 de abril.  

Dirigido e roteirizado por Bruno Bini, o longa cruza, com habilidade, as histórias de cinco personagens. Talvez a proposta faça alguns leitores aqui se lembrarem do premiado “Crash: No Limite” (EUA, 2004). Ambos começam com reflexões do protagonista, entrelaçam histórias e entregam roteiros surpreendentes. 


Em “Cinco Tipos de Medo”, um jovem músico lida com uma perda e se envolve num romance que traz mais problemas do que paz. É quando começam a se cruzar as histórias de um traficante, um advogado de comportamento suspeito e uma policial com desejo de vingança.

A história se passa na periferia de Cuiabá (MT), cenário pouco explorado no audiovisual brasileiro. Ponto positivo para esta escolha. E apesar de ser um thriller, a direção consegue levar o olhar do espectador para além da tensão típica do gênero, com questões como a Covid-19, relacionamentos abusivos e para a ausência do estado em algumas comunidades, que leva pessoas a contar mais com o crime do que com o poder público.


O início já apresenta algo que chama a atenção, um aviso de que o longa se inspira em histórias reais. Logo depois, é mencionada uma pesquisa (sem informar a fonte ou se é real), sobre os maiores medos do homem: de médico, de lugares fechados, da solidão, de ficar sem dinheiro, e só então, no espantoso quinto lugar da lista, o medo de morrer. 

Bruno Bini, então, vai colorindo suas personagens com as tintas dessas preocupações. 


E o elenco, em sua maioria, dá conta do recado ao imprimir nas personagens esses traços. O filme conta com Bella Campos (Marlene) e Xamã (Sapinho) - ambos estrearam no cinema com este longa -, João Vítor Silva (Murilo), Bárbara Colen (a policial Luciana), Rui Ricardo Diaz (Ivan), Rejane Faria (Antônia), Jonathan Haaggensen (Hugo) e Zecarlos Machado (Régis).   

Criminalidade, suspense e violência dão corpo a esse thriller, que tem cenas apresentadas sem linearidade, mas que se encaixam bem no conjunto da obra. A luz correta, a fotografia bem executada, as conexões das histórias e as reviravoltas agradam bastante. 


Não por acaso o longa conquistou, no Festival de Gramado de 2025, os prêmios de Melhor Filme, Melhor Roteiro, Melhor Montagem, para Bruno Bini, além do troféu de Melhor Ator Coadjuvante para Xamã. E ainda viaja para disputas em festivais internacionais. 

Pode não ser um filme daqueles que conquistam indicações ao Oscar, mas prende o olhar do espectador na tela do início ao fim.  


Ficha Técnica:
Direção e roteiro: Bruno Bini
Produção: Plano B Filmes, Druzina Content, coprodução Quanta
Distribuição: Downtown Filmes
Exibição: salas da rede Cineart
Duração: 1h47
Classificação: 16 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, ação

30 março 2026

"Ditto: Conexões do Amor" - uma experiência sensível sobre relações humanas

Os atores sul-coreanos Yeo Jin-goo e Cho Yi-hyun protagonizam este romance de ficção de 2022
(Fotos: Sato Company)
 
 

Silvana Monteiro

 
A refilmagem de "Ditto - Conexões do Amor" (2022), dirigida por Seo Eun-young, parte da narrativa de que a conexão entre os seres humanos atravessa o tempo. 

No decorrer da história é possível observar o que há de mais cotidiano nas relações: o encontro, o desencontro e inúmeras tentativas de buscar a concretização daquilo que para nós é ainda mais caro e necessário: olho no olho, frente a frente.


Protagonizada por Yeo Jin-goo e Cho Yi-hyun a obra chegou aos cinemas brasileiros por meio da Sato Company. O enredo traz a história dos universitários Kim Yong (Yeo Jin-goo) e Mo-nee (Cho Yi-hyun) que acabam se encontrando e interagindo apenas por meio das ondas de rádio, um dispositivo antigo amador encontrado por acaso, por ele. 

Ao conectar Kim Yong, em 1999, e Mo-nee, em 2022, o filme transforma a comunicação em metáfora. Além de tratar de um recurso de ficção científica, o filme nos traz uma reflexão sobre como, em qualquer época — seja por meio de rádios transceptores, redes sociais ou encontros presenciais —, seguimos tentando alcançar o outro, muitas vezes sem saber exatamente o que esperamos encontrar.


Há, nesse sentido, uma poesia discreta na forma como a história se desenrola: a vida como um campo de possibilidades, mas também de entraves. 

A condução narrativa aposta no afeto e na nostalgia, especialmente ao contrastar dois tempos que, embora próximos, revelam mudanças sutis nas formas de se relacionar.

As conversas entre os protagonistas sustentam o filme, ainda que, em alguns momentos, o roteiro se alongue mais do que o necessário. Há também escolhas previsíveis, que aproximam a obra de certos clichês do gênero romântico.


Ainda assim, "Ditto - Conexões do Amor" mantém um equilíbrio que o torna acessível. Não busca reinventar o romance nem a ficção científica, mas oferecer uma experiência sensível sobre conexões humanas. 

É bem simples e morno às vezes: uma história sobre como, apesar das distâncias, sejam elas temporais ou emocionais, seguimos buscando formas de nos reconhecer no outro.

No fim, é um filme razoável, que pode agradar tanto a quem se aproxima pela primeira vez quanto aos que carregam alguma memória afetuosa da obra original. 

Mais do que sobre o tempo, "Ditto - Conexões do Amor" fala sobre a tentativa constante, e sempre tentante, de conexões afetivas. Com certeza é uma boa pedida para dorameiras e dorameiros de plantão.


Ficha técnica:
Direção: Seo Eun-young
Distribuição: Sato Company
Exibição: Cineart Shopping Cidade
Duração: 1h54
Classificação: 12 anos
País: Coreia do Sul
Gêneros: romance, ficção

12 dezembro 2025

"Sorry, Baby" reflete sobre o impacto de uma agressão sexual na vida de uma mulher

A cineasta e roteirista franco-americana Eva Victor também protagoniza este drama que narra sua própria experiência no passado (Fotos: A24)
 
 

Patrícia Cassese

 
No dia 19 de novembro deste ano, a Organização Mundial da Saúde divulgou dados apontando que cerca de 840 milhões de mulheres em todo o mundo já sofreram algum episódio de violência doméstica ou sexual ao longo da vida. 

Na ocasião, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da agência especializada da ONU, lembrou que, por trás de cada um desses corpos que compõem a estatística, uma vida foi alterada para sempre. 

O número, claro, pode ser muito maior, já que muitas vítimas sequer denunciam as agressões sofridas. Em cartaz no Cineart Ponteio e demais cinemas, "Sorry, Baby", primeiro longa-metragem da cineasta e roteirista franco-americana Eva Victor, tem como espinha dorsal justamente um caso de abuso. 


No caso, impetrado por um homem do círculo de convívio da vítima - o orientador da tese da personagem central, a estudante Agnes, interpretada pela própria Eva, hoje com 31 anos.

Embora o início da narrativa flagre a personagem passados alguns anos do fatídico episódio, não demora para que o espectador tenha a contextualização dos eventos que antecederam esse momento. 

Agnes é abusada pelo professor/orientador Preston Decker (Louis Cancelmi) durante um encontro na casa do docente, teoricamente articulado por uma revisão de alguns pontos do trabalho da garota - o qual, aliás, ele tece elogios. A câmara não mostra exatamente o que acontece ali dentro. 


O detalhamento possível (posto que um acontecimento desse impacto não raro turva a mente da vítima) chega ao público por meio do relato de Agnes à amiga com a qual divide a casa, Lydie (Naomi Ackie). 

De todo modo, a diretora marca pontos ao, no momento em que a violência se desenrola, fixa a câmera diante da parte frontal da residência de Decker, passando a sinalizar a passagem das horas pela variação cromática que marca o dia. 

A sequência encerra-se com a noite já caída, quando Agnes sai apressada e extremamente nervosa da casa, preocupada em amarrar os cadarços de suas botas e sem olhar para trás. 


Corroborando as palavras do diretor da OMS, citadas no início da matéria, naquele dia, a vida de Agnes é, pois, alterada para sempre. Ao contrário das mulheres que silenciam, porém, ela resolve sim, se submeter a um exame de corpo de delito até para ter subsídios em uma eventual denúncia contra o agressor. 

As perguntas protocolares do médico - sim, um homem - encarregado do atendimento já deixam claro que Agnes não vai encontrar, ali, a guarida necessária. 

Mais tarde, ao tentar levar o caso à própria instituição de ensino, a jovem se depara com outra barreira: horas antes, a pretexto de ir morar em Nova Iorque, o agressor se desligou do quadro de funcionários da universidade. Assim, como o relato da dicente se dá após a saída dele, eventuais sanções profissionais não podem mais ser aplicadas por lá.


Em um misto de raiva, dor, impotência, Agnes chega a pensar em soluções extremas, embora não leve o plano que lhe acorre à cabeça a cabo. Resta-lhe, pois, seguir tocando a vida, ainda que as implicações do ocorrido sigam assombrando a garota, num compasso demarcado com muita sagacidade pela diretora. 

Inclusive na escolha dos figurinos pós-evento, severos, marcados por tons sombrios, fechados, e de modelagem ampla, inclusive "masculinizada" - como se fosse uma saída inconsciente para que seu corpo deixe de provocar desejo nos homens.

Neste percurso, várias nuances de uma agressão sexual são abordadas de forma muito competente. Caso da reconexão de Agnes com a possibilidade de afeto, ativada quando, no meio de um trajeto, se depara com um filhote de gato. Ou seja, um ser que demanda cuidados. 


Ou, ainda, de uma situação inusitada e específica que envolve o felino. Da mesma maneira, quando ela entende ser o momento de tentar reativar a pulsão sexual, que foi bruscamente interrompida. 

Há uma cena particularmente curiosa, quando a jovem, escolhida para compor um corpo de jurados, pede ao tribunal que seja dispensada, por ter vivido uma situação de violência que pode influenciar em suas deliberações. 

Ao ser instada a falar mais detalhes, ela pontua que não quer compartilhar o episódio que sofreu com estranhos. No entanto, em outra cena, é a um estranho - um homem que vende sanduíches - que a socorre em um ataque de pânico que ela resolve se abrir um pouco. Aliás, atenção para esse diálogo, muito contundente e assertivo.


A palavra "sorry", do título, é proferida durante o filme mais de uma vez, inclusive na já referida situação envolvendo o gato. Mas é no final, quando Agnes estabelece uma conversa com um interlocutor muito particular (não dá para citar pormenores), é que o filme endossa o que já de certa forma já estava no cerne da conversa com o vendedor de sanduíches, com a amiga de vida e mesmo com o vizinho de casa. 

Se não há nada que possa afastar o mal de nosso caminho, que pelo menos seja possível encontrar pessoas que possam nos ajudar a reunir forças para seguir adiante.


Ficha técnica:
Direção e roteiro:
Eva Victor
Produção: High Frequency Entertainment, Big Beach, Tango Entertainment, Pastel
Distribuição: Mares Filmes e Alpha Filmes
Exibição: Cineart Ponteio e rede Cinemark
Duração: 1h44
Classificação: 14 anos
Países: Espanha, França
Gêneros: drama, comédia

14 abril 2025

"Abá e sua Banda": música para discutir temas sociais importantes

Com uma preocupação evidente com a linguagem, o roteiro aposta numa fala acessível às crianças
(Fotos: Studio Z)

 

Silvana Monteiro

 
"Abá e sua Banda" é um desses projetos que parecem brotar de um desejo sincero de reunir gerações diante da tela. E, nesse sentido, acerta em cheio: crianças se encantam com o ritmo, as cores e o humor simples; adultos são fisgados pela estética que, de relance, evoca os desenhos das manhãs de sábado dos anos 1980.

Tem também a trilha sonora que aposta em músicos de verdade, como André Mehmari, Silvia Fraiha e Milton Guedes — nomes que não são apenas ornamentais, mas que emprestam textura e sofisticação à experiência sonora. 

A animação, dirigida por Humberto Avelar, estreia nesta quinta-feira (17) em salas de cinema de Belo Horizonte e Poços de Caldas, e de diversas cidades brasileiras.


A proposta do filme — que mistura 3D e 2D de forma fluida — é tão ousada quanto gentil. Um grupo de frutas-personagens forma uma banda em que o ritmo é ferramenta de inclusão, a harmonia é metáfora de democracia, e a diferença entre um caju e uma jabuticaba é justamente o que faz a música acontecer. 

Pode parecer simples (e é), mas essa simplicidade carrega uma inteligência visual e narrativa que surpreende em diversos momentos. Ao tratar de temas como luto, busca pela realização dos sonhos, diversidade, equidade e inclusão, o filme sai à frente com uma abordagem leve, porém efetiva. 


Há uma preocupação evidente com a linguagem: o roteiro aposta numa fala acessível, sem jamais subestimar a criança ou forçar piadas ao adulto. O humor está mais na situação do que no excesso de referências. 

E os dubladores — Robson Nunes, Filipe Bragança, Zezé Motta, Carol Valença, Mauro Ramos e Rafael Infante, entre outros — entregam personagens vivos, ainda que previsíveis. 

Esse talvez seja o ponto em que a animação menos ousa: os arquétipos estão todos ali — o sonhador, a sabichona, o teimoso, o inflexível— e seguem o trilho esperado.


Mas a previsibilidade não tira a força do conjunto. Ao contrário, em tempos de saturação de multiversos e piadas autoconscientes, "Abá e sua Banda" se apoia na ternura e na clareza de sua proposta. 

É um longa que acredita na escuta, no encontro e na beleza do coletivo. Talvez não reinvente a roda, mas certamente faz dela um bom tambor.

Portanto, a obra chega a ser nostálgica sem ser saudosista, animada sem ser atropelada e educativa sem ser doutrinadora, "Abá e sua Banda" é aquele tipo de produção que poderia tranquilamente ser exibida em praça pública — com gente de todas as idades assistindo, vibrando, cantando junto e refletindo.


Curiosidades

- A banda tem um Instagram que vale conferir -https://www.instagram.com/abaesuabanda/

- Assista aos vídeos dos bastidores clicando aqui

- Desde que estreou mundialmente no Festival de Gramado de 2024, o longa já conquistou três prêmios: Melhor Filme Oficial do Júri no Epic ACG Fest, nos Estados Unidos; Melhor Filme de Animação no Kids Festival em Málaga, na Espanha; e Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema Ambiental (Ecocine), no Brasil. 

- A obra também participou de mais de 15 festivais e esteve entre os 10 finalistas do New York Animation Film Awards. 


Ficha técnica:
Direção:
Humberto Avelar
Roteiro: Silvia Fraiha, Sylvio Gonçalves, Daniel Fraiha
Produção: Fraiha Produções e coprodução Globo Filmes, Gloob e Rio Filme
Distribuição: Manequim Filmes
Exibição: Cineart Del Rey – sessão 14h40
Duração: 1h24
Classificação: Livre
País: Brasil
Gênero: animação

19 março 2025

Disney acerta em CGI de animais, mas peca como musical em "Branca de Neve"

Rachel Zegler e Gal Gadot dividem o protagonismo do novo live-action  da Disney dirigido por Mark Webb (Fotos: Walt Disney Pictures)


Maristela Bretas


Os irmãos Grimm, autores da famosa obra "Branca de Neve e os Sete Anões" não devem estar nada satisfeitos em seus túmulos com a nova produção da Disney, "Branca de Neve" ("Disney's Snow White"), que estreia nesta quinta-feira (20) nos cinemas. 

Não bastassem as muitas polêmicas nas redes sociais (uma delas até envolvendo o filho do diretor, que não gostou do filme), a produção deverá deixar muito espectador que acompanhou o desenho na infância, como eu, decepcionado com este novo live-action.


Apesar de ter classificação livre, o longa é um musical, com algumas belas canções, mas cansativo e até chato em certos momentos, o que não deve prender a atenção das crianças. 

Para elas, o atrativo serão os bichinhos animados que vivem na floresta encantada. Eles são fofos e carismáticos, têm vida no olhar e movimentos, ao contrário do que houve com os animais de "O Rei Leão" (2019). 

Desta vez o estúdio acertou, o cervo, os coelhinhos, os passarinhos e o simpático ouriço valem o filme. Outro ponto que agrada, o visual com cores vivas e alegres, contrastando com o reino tomado pelas sombras após a Rainha Má assumir o poder. Muitas cenas são reproduções bem próximas do desenho.

Desenho" Branca de Neve e os Sete Anões",
 de 1937 (Walt Disney Pictures)

A produção também recupera algumas canções de "Branca de Neve e os Sete Anões", de 1937, como "Heigh Ho" (conhecida em português como "Eu Vou"), que marcou gerações e foi a primeira animação da Disney. Esta é uma versão com poucos recursos, mas com encanto, que vale muito a pena conferir. Está disponível no Disney+.

Para quem não conhece a história, Branca de Neve era uma princesa que tinha uma vida feliz, até perder seus pais e virar uma escrava de sua madrasta má que tenta matá-la por inveja de sua beleza. Na floresta onde se esconde, conhece novos amigos que vão ajudá-la a recuperar o reino.


Mas parou por aí. Falei em polêmicas e uma delas é sobre a comparação da beleza de Branca de Neve, interpretada pela colombiana Rachel Zegler ("Amor, Sublime Amor" - 2021), com a da Rainha Má, papel de Gal Gadot ("Mulher Maravilha" - 2017). 

A explicação do "Espelho, Espelho Meu" é tão míope quanto ele e só funcionou para os produtores. Gadot é muito mais bonita, mas não convence cantando. 

Já Zegler não tem uma beleza tão grande, mas vai ganhando a simpatia do público a partir do meio da animação e está mais à vontade cantando muito bem e entregando boa interpretação. Além de formar um par romântico simpático com o ladrão e rebelde Jonathan (Andrew Burnap).


Por trás da história de fantasia, há uma abordagem, às vezes sutil, outras nem tanto, dos sentimentos e traumas dos personagens. Branca de Neve vive o dilema de não conseguir se tornar a líder que seu pai, o rei, disse que ela seria um dia. Mas tem coragem e bom coração, briga por seus direitos e pelo reino e não depende de um príncipe no cavalo branco para salvá-la. 

A Rainha Má, por sua vez, é caricata, histérica e dependente de um espelho mágico (Patrick Page) para se sentir eternamente bela e poderosa. A empatia da personagem é zero, salva apenas pela interpretação de Gadot, mas até nisso perdeu para sua antecessora que foi mais marcante.


Sem falar nos sete anões, cada um com seu dilema, especialmente Dunga (Andrew Barth Feldman). Mas todos são bem simpáticos, até mesmo o rabugento Zangado (Martin Klebba). 

Além deles temos Dengoso (Tituss Burgess), Atchim (Jason Kravits), Mestre (Jeremy Swift), Feliz (George Salazar) e Soneca (Andy Grotelueschen). Mais uma polêmica, uma vez que todos foram criados por computação gráfica, no lugar de usar pessoas com nanismo. 

Para quem já esteve nos parques da Disney, uma das cenas com os Sete Anões é a reprodução do brinquedo Seven Dwarfs Mine Train, no Magic Kingdom, em Orlando, que é ótimo. Agora é conferir nos cinemas e contar pra gente o que achou do novo "Branca de Neve".


Ficha técnica:
Direção: Marc Webb
Produção: Walt Disney Pictures
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h49
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: fantasia, musical, aventura

06 novembro 2024

"Ainda Estou Aqui" - um filme sobre resiliência, coragem e tempos sombrios

O aguardado longa de Walter Salles entra em cartaz nos cinemas de BH e promete cativar o público
(Fotos: Alile Dara Onawale/Divulgação)


Eduardo Jr.


Estreia nesta quinta-feira (7/11), o longa "Ainda Estou Aqui", novo trabalho do diretor Walter Salles, distribuído pela Sony Pictures. Coincidência ou não, no mesmo dia da morte de Evandro Teixeira, fotojornalista que clicou momentos icônicos do combate à ditadura no Brasil, a equipe do Cinema no Escurinho foi convidada para acompanhar, no Cineart Boulevard, a pré-estreia deste que se configura como mais um resgate memorável desse triste período da história. 

O buzz em torno do filme, após a exibição no Festival de Veneza, tem tudo para se justificar em terras brasileiras. Adaptado do livro homônimo do jornalista Marcelo Rubens Paiva, o longa conta a história de Eunice Paiva, mãe de Marcelo e mulher do ex-deputado Rubens Paiva, que é levado de casa por policiais, nos anos 1970, dando início ao drama.


Aliás, o termo "drama" se aplica mais ao segundo ato da obra, que inicia com a apresentação das personagens e com um suspense, canalizado na presença dos caminhões com militares, que passam pelas ruas e provocam um incômodo na protagonista, em contraste com o cotidiano festivo do casal e seus cinco filhos. 

Walter Salles é inteligente ao mostrar Rubens Paiva (Selton Mello) com uma rotina familiar e depois sua prisão sem motivos claros. Imprime a percepção de que, na ditadura, qualquer coisa era motivo para violar direitos. 

Deixa no espectador o vazio da falta daquele personagem (talvez uma espécie de simulacro da falta que um ente desaparecido deixa nos familiares). É aí que o cotidiano solar e colorido da família começa a se transformar.  

(Foto: Lais Catalano Aranha/Divulgação)

A entrada dos milicos é digna de "O Poderoso Chefão" (1972), com sujeitos mal-intencionados emergindo das sombras. A fotografia faz questão de escurecer a tela. A maldade do regime consegue causar impacto no espectador sem apelar para arroubos cinematográficos ou de emoção. E nem precisa. 

A câmera nos faz enxergar a Eunice criada por Fernanda Torres, uma escolha visual que se mostra acertadíssima! A protagonista começa uma mulher de classe média alta, muda para dona de casa sem privilégios, se reinventa como advogada, e comunica tudo com uma atuação e expressões impecáveis, entregando melancolia e força até nos gestos mais sutis. 

Além de Fernanda, todo o elenco parece ter entendido que menos é mais. O filme traz atuações precisas e bem sintonizadas entre atores que dão vida aos personagens na 1ª fase e os que assumem após a passagem de tempo. 


Ponto positivo também para a excelente trilha sonora, com músicas da época muito condizentes com a mensagem e com o momento (de ontem e o atual, embora o filme seja também sobre memória). 

Uma dessas pautas da atualidade já era parte da biografia de Eunice. Após a tragédia familiar, ela voltou a estudar, se formou em Direito e passou a atuar em prol das causas indígenas (que voltaram aos noticiários, recentemente) e violações dos Direitos Humanos. 

Se assim podemos dizer, uma das vitórias foi a dela própria, ao obter a certidão de óbito do marido. Eunice recebe o documento como sempre fez, sorrindo. Por ordem dela, não era permitido à família Paiva chorar ou sofrer frente às câmeras, pois essa seria uma vitória dos assassinos que destruíram tantas outras famílias brasileiras. 


Eunice morreu em dezembro de 2018, com 86 anos, em decorrência do Mal de Alzheimer. Está representada nessa fase final por Fernanda Montenegro. E com a mesma força expressiva que a filha deu à personagem no início e meio do longa. 

No final deste filme, de tamanho refinamento técnico que mal se percebe o passar das duas horas de exibição, o espectador observa algo que pode ser interpretado como o que essas famílias experimentam: a busca de uma completude que nunca mais existirá. O que fica, é memória. Filme imperdível! 

"Ainda Estou Aqui" é a produção brasileira escolhida para integrar a lista de possíveis indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. A prévia dos finalistas sai no dia 17 de dezembro e a lista com os cinco escolhidos será divulgada no dia 17 de janeiro. 


Ficha técnica:
Direção: Walter Salles
Roteiro: Murilo Hauser e Heitor Lorega
Produção: Mact Productions, VideoFilmes, Arte France, RT Features
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h15
Classificação: 14 anos
País: Brasil
Gêneros: drama, suspense

09 abril 2024

"Evidências do Amor" é um filme para fãs de Sandy e Fábio Porchat

Dupla tem boa química, mas comédia longa e morna não traz nada de novo e fica bem cansativa da metade
em diante (Fotos: Warner Bros. Pictures)


Maristela Bretas


Curtiu Sandy e Júnior na adolescência? Acompanha Fábio Porchat no Porta dos Fundos ou em seus programas? Não consegue ficar livre de uma música chiclete, mesmo sendo uma de suas preferidas? Então, "Evidências do Amor", que estreia nesta quinta-feira (11 de abril) é um filme que poderá lhe agradar. 

Dirigido por Pedro Antônio Paes, a comédia traz o casal pouco provável como artistas num romance que começa num piscar de olhos e acaba sem explicações. 


Para delírio dos fãs, o roteiro coloca Sandy e Porchat se beijando de uma maneira bem convincente do início ao fim do filme, ao som de "Evidências", que apesar de ser uma música linda, gruda na cabeça a ponto de irritar, de tanto que toca e nos mais variados formatos.

O filme é inspirado na música, composta por José Augusto e Paulo Sérgio Valle e lançada pela dupla Chitãozinho & Xororó. A história acompanha o casal, Marco Antônio (Fábio Porchat) e Laura (Sandy), que se apaixonam após cantarem "Evidências" juntos em um karaokê. 


Em meio a muitos altos e baixos, eles acabam terminando o namoro, mas todas as vezes que escuta a música, Marco sofre um apagão e retorna a momentos em que discutia com sua ex. Agora ele só quer colocar um fim neste tormento.

A dupla mostra uma boa química, mas não apresenta nada além do que os artistas já fazem em suas carreiras. Sandy é a cantora com uma voz linda e o mesmo rosto bonito de quando era adolescente, que volta a atuar depois de 10 anos e deverá arrastar uma infinidade de seguidores para os cinemas.


Já o humorista exagera nas caras e bocas em cenas cômicas e até mesmo nas dramáticas. Exceto quando o personagem lembra do pai - este é um momento emocionante e ele segurou bem. Mas Porchat passa o filme sendo Porchat. 

Os personagens são superficiais, assim como o roteiro cheio de clichês, com piadas sem graça. A cena de nudez do humorista durante uma festa careta de família até arranca algumas risadas do público. 

Ponto positivo para Evelyn Castro (a amiga Júlia) que, com seu jeito espalhafatoso, consegue segurar os momentos engraçados e poderia ter sido mais bem aproveitada.


A trilha sonora, além da música-tema também é recheada de sucessos sertanejos conhecidos do público, especialmente os cantados pela dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó, que também faz uma pequena participação no longa, claro.

Não espere muito de "Evidências do Amor". É uma comédia de sessão da tarde longa e morna, com efeitos especiais que, de tão repetitivos e forçados, chegam a ficar chatos. Mas o que mais marca o filme é a maldição de sair do cinema sem conseguir tirar a música-tema da cabeça. Uma produção para fãs, com certeza.


Ficha técnica:
Direção: Pedro Antônio Paes
Produção: Framboesa Filmes e Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h46
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gêneros: comédia, romance