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29 outubro 2026

“O Bosque Selvagem”: uma animação mágica que encanta, assusta e emociona

Stop-motion levou cinco anos para ser criado e pode ser um dos favoritos na disputa por um Oscar em 2027 (Fotos: Laika Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Prepare-se para uma produção fora do convencional, inteiramente em stop-motion, que impressiona pelo cuidado com cada detalhe e merece figurar entre as melhores animações dos últimos anos. Não por acaso, o filme alcançou 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. 

Estou falando de “O Bosque Selvagem” ("Wildwood"), o projeto mais ambicioso da Laika Studios que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, com distribuição da Imagem Filmes.

A animação surpreende pela criação minuciosa dos personagens, montados e fotografados quadro a quadro, e pelas cenas que encantam o espectador, mas também provocam medo e desconforto pela violência. 

Apesar de muito colorido e de apresentar um roteiro impecável, especialmente para o público adulto, o longa tem uma atmosfera sombria, com cenas envolvendo suicídio, imagens sangrentas e guerra, além de linguagem imprópria. Por isso, é indicado para maiores de 14 anos.


Mas “O Bosque Selvagem” vai muito além da aventura fantástica. É uma história sobre perdas: de um filho, de um irmão, das terras, da dignidade e até do respeito ao coletivo. A trama também encontra espaço para criticar a morosidade da burocracia, que tantas vezes atrasa a vida dos cidadãos sem oferecer soluções para seus problemas. 

A abordagem ganha profundidade ao explorar o luto, o amor materno e os laços familiares, além da luta para proteger a terra deixada pelos ancestrais.

Na cidade de Portland, no estado de Oregon (EUA), os moradores não se arriscam a entrar no misterioso Bosque Impassável, escondido além da ponte que liga a cidade à floresta. Durante um passeio de bicicleta com o irmãozinho Mac, a adolescente Prue McKeel (voz original de Peyton Elizabeth Lee e dublagem brasileira de Giulia Benite) vê o bebê ser levado por uma revoada de corvos comandados por uma feiticeira.


Desesperada para resgatar o irmão, Prue precisa enfrentar um lugar sobre o qual conhece apenas dos avisos do pai, que sempre a proibiu de se aproximar dali. 

Nessa jornada, ela conta com a companhia do amigo Curtis Mehlberg (voz original de Jacob Tremblay e dublagem brasileira de Pedro Burgarelli), um garoto tímido que gosta dela e sonha em se tornar um guerreiro para proteger a si mesmo e a pessoa amada.

Na mata sombria, os dois descobrem um mundo mágico, habitado por animais falantes, bandidos e figuras poderosas e cruéis. Seus habitantes vivem amedrontados, especialmente diante do exército de lobos comandado pela feiticeira Alexandra (Carey Mulligan), conhecida como a “Viúva do Governador”. Consumida pela vingança, ela também carrega a dor de ter perdido o filho.


Prue e Curtis enfrentam inúmeras aventuras e precisam conquistar a confiança dos habitantes da floresta, além de contar com a ajuda de seus anciãos e com os poderes da própria mata. 

A história reúne ainda um elenco de vozes de peso, com nomes como Mahershala Ali, Awkwafina, Angela Bassett, Jake Johnson e Charlie Day, entre outros.

Os números do stop-motion 

Segundo a produtora, o longa levou cinco anos para ser criado, em razão do delicado trabalho artesanal, realizado sem a utilização de inteligência artificial. 

Embora tenha recorrido à computação gráfica (CGI) para o acabamento visual, a animação foi construída a partir da técnica stop-motion, com personagens e cenários físicos fotografados quadro a quadro. 


Os números impressionam: foram mais de 1.155 dias de trabalho, do início à conclusão da produção, que chegou à versão final com 2.804 planos. As gravações aconteceram em 132 cenários práticos, construídos em 117 locações distintas. 

Cada personagem principal recebe um rosto único para cada quadro de animação, o equivalente a 24 rostos por segundo de filme, e cada um deles é preservado no acervo da Laika como uma obra de arte individual.

Os 142.030 rostos substituíveis criados para a animação eram trocados constantemente para transmitir as emoções dos 233 bonecos com o máximo de expressividade e naturalidade.

Para entender a escala de "O Bosque Selvagem":
  • Recorde no stop-motion: uma única cena exigiu 1.124 rostos substituíveis, 555 para Prue e 569 para Curtis. Segundo a Laika, é o maior número já usado em um único plano na história da técnica;
  • Lágrimas: 67 planos mostram lágrimas visíveis, mais de dez vezes o recorde anterior do estúdio, que pertencia a Os Boxtrolls, com apenas seis;

Galeria da preparação do filme

O Bosque Selvagem
  • Do minúsculo ao gigante: o menor boneco, a Mini Septima, tem apenas 4,1 cm de altura. O maior, a General, mede 86 cm do bico à cauda e tem 1,63 m de envergadura, a altura de um adulto;
  • Pena por pena: cada boneco da General carrega 3.794 penas colocadas individualmente;
  • Uma floresta feita à mão: 728 árvores artesanais representam dez espécies do noroeste do Pacífico. A armação mais alta chega a 5,72 m, quase a altura de um sobrado;
  • Do tamanho de dois campos de futebol: as filmagens ocuparam 112 palcos, em uma área de mais de 14.400 m²;
  • De São Paulo a Brasília em arame: a produção usou cerca de 1.151 km de arame de latão, mais que a distância rodoviária entre as duas cidades. Todo o material foi reciclado ao fim das filmagens.

“O Bosque Selvagem” é baseado no livro homônimo escrito por Colin Meloy (vocalista da banda The Decemberists), com ilustrações de sua companheira, Carson Ellis. A obra se tornou um best-seller do The New York Times em 2014. Foi nessa época que o diretor do filme conheceu o casal e se encantou com a história.

A adaptação para o cinema só começou a ganhar forma em 2021, com a participação de Chris Butler no roteiro. Ele também dirigiu “Link Perdido”, produção da Laika Studios vencedora do Globo de Ouro de 2019, disponível no Disney+.


O estúdio é responsável ainda por excelentes animações como “Coraline e o Mundo Secreto” (2009) e “Kubo e as Cordas Mágicas” (2016), esta última também dirigida por Travis Knight. Ambos estão disponíveis nas plataformas Amazon Prime Video, YouTube, Apple TV e Google Play Filmes.

Entre os animadores do stop-motion está o mineiro Thiago Calçado, de Uberaba, que já havia trabalhado com Travis Knight em “Kubo e as Cordas Mágicas” e também foi animador sênior de "Pinóquio", de Guillermo del Toro (2022), vencedor do Oscar de Melhor Animação, e Marcelo Amp, especialista em moldagem e fundição de silicone.

Saiba Mais

Uma obra para sentir

“O Bosque Selvagem” é lindo, mágico e arrebatador. Encanta e choca, provoca espanto e arranca lágrimas. É uma obra em que todos os envolvidos na criação conseguiram transformar bonecos, cenários e movimentos minuciosamente planejados em sentimentos humanos verdadeiros, tratados com força e sensibilidade.

Saí da sessão encantada com a beleza e a criatividade da animação, mas também profundamente tocada pelas dores, pelos afetos e pelas perdas que ela retrata. É impressionante como uma história fantástica, construída quadro a quadro, consegue falar de sentimentos tão reais e universais.

Uma das melhores produções do ano e uma das melhores que assisti nos últimos tempos. O filme foge dos padrões, emociona sem subestimar o espectador e permanece na memória depois que as luzes da sala se acendem. Merece, sem dúvida, disputar — e ganhar — o Oscar de Melhor Animação em 2027.


Ficha técnica:
Direção: Travis Knight
Roteiro: Chris Butler
Produção: Estúdios Laika
Distribuição: Imagem Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h12
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: animação, drama, aventura
Nota: 5 (0 a 5)

09 dezembro 2025

Delicado e poético, "Livros Restantes" é uma sincera homenagem à literatura

Denise Fraga em excelente desempenho entrega uma protagonista quase onipresente (Fotos: H2O Films)
 
 

Mirtes Helena Scalioni

 
Embora apresente algumas surpresas no decorrer da trama, não se pode dizer que "Livros Restantes" seja um filme carregado de reviravoltas e plot twists, assim como não se pode considerá-lo suspense pelo fato de, em algum momento, a ação levar o espectador a se perguntar: houve mesmo um crime? 

Mas, talvez por isso, o longa dirigido por Márcia Paraíso e que estreia nos cinemas brasileiros dia 11 de dezembro mereça ser visto. É, no mínimo, uma história peculiar e curiosa, com cenas filmadas no Brasil e em Portugal. 

Tendo Denise Fraga em excelente performance como protagonista quase onipresente, o filme começa de um jeito lento e morno, como costumam ser os dias e noites praianos. 


Afinal, estamos em Florianópolis, mais precisamente num recanto chamado Barra da Lagoa, onde a professora Ana Catarina está se despedindo da família e de amigos, pois está de partida para Portugal onde - presume-se - ela vai continuar seus estudos e, como faz questão de dizer, contar apenas consigo mesma.

Aos poucos, o público se familiariza com o jeito sensível de Aninha - como é conhecida por todos na ilha - e, embora cause algum estranhamento, não é assim tão grave, esquisito ou indelicado o que ela se propõe a fazer logo no início. 


Depois de esvaziar a casa, tirar móveis, objetos e animais domésticos, ela descobre que sobraram cinco livros na sua estante de madeira. Como estão autografados e com dedicatórias, a professora decide devolver cada um deles às pessoas que, em algum momento da vida, lhe deram os tais livros de presente.

Numa espécie de miolo do filme, enquanto o espectador vai sendo lentamente apresentado à família de Ana, alguns assuntos sempre considerados espinhosos chegam à tona. 


E o que emerge das conversas à mesa, entre camarões, moquecas e brindes, pode não agradar, ferir e machucar. São os chamados segredos de família, passíveis de ocorrer em todos os agrupamentos familiares, independente da nacionalidade deles.

Além de Denise Fraga e Augusto Madeira - que faz o ex-marido dela, Carlos Henrique -, os demais atores e atrizes são desconhecidos do grande público e tudo indica que a diretora foi buscá-los na região. 

Para citar os mais frequentes, estão lá Renato Turnes, Vanderleia Will, Manuela Campagna, Marcinho Gonzaga, Andrea Buzato, Paulo Vasilescu, Severo Cruz, Joana dos Santos, Adriano de Brito e Leandro Batz, variando entre familiares e amigos da protagonista. 


Outro ponto alto de "Livros Restantes" é a trilha sonora. Em sua maioria, são canções conhecidas que pontuam aqui e ali, embalando ora cenas de ternura e amizade, ora de crises e brigas. 

Mas o que chama a atenção é uma música cuja autoria é atribuída a Zininho e que aparece no filme em duas versões: às vezes como um samba, deliciosamente tocado e cantado nos momentos festivos; outras vezes em ritmo de fado, criando toda aquela atmosfera de tristeza e saudade. Genial. 

Por falar em Portugal, é preciso registrar que o livreiro que atende a protagonista numa livraria em Portugal é o maestro Antônio Vitorino de Almeida. 


A beleza do filme está exatamente nos reencontros que Ana Catarina programa e promove para devolver os livros que restaram em sua estante. 

Até porque, em alguns casos, o tempo acabou por distanciá-la de algumas dessas pessoas e algumas não fazem mais parte do seu círculo de amigos. Houve até quem se modificasse tanto a ponto de não ser mais a mesma pessoa de antes. 

Nesses encontros, nem sempre bem sucedidos, é que parece estar o grande motivo do longa de Márcia Paraíso: fazer uma ode ao livro, uma verdadeira louvação à literatura, E isso é feito de uma forma tão delicada e bonita que é como se o público estivesse diante de um poema.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Márcia Paraíso
Produção: Plural Filmes e coprodução Filmógrafo
Distribuição: H2O Films
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h44
Classificação: 14 anos
Países: Brasil e Portugal
Gênero: drama

04 dezembro 2025

“Five Nights at Freddy’s 2” tenta se aproximar do game, mas repete as falhas de roteiro do primeiro filme

Os animatrônicos estão de volta, mais cruéis e vingativos, comandados por uma entidade do mal 
(Fotos: Blumhouse)
 
 

Maristela Bretas

 
Dirigido novamente por Emma Tammi, "Five Nights at Freddy’s 2" chega aos cinemas nesta quinta-feira (4) prometendo revisitar os traumas deixados pelo primeiro longa, "Five Nights At Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim", de 2023.

A premissa é instigante: 20 anos após a morte misteriosa de uma menina na Freddy Fazbear’s Pizza, Mike Schmidt (Josh Hutcherson), sua irmã Abby (Piper Rubio) e sua ex-namorada Vanessa (Elizabeth Lail) ainda lidam com cicatrizes emocionais do dia do crime — lembranças que insistem em não desaparecer.


Eles agora tentam encontrar uma maneira de sobreviver por cinco dias ao novo grupo de animatrônicos que promete provocar o caos na cidade. 

Os antigos robôs, que deveriam ter sido destruídos, ressurgem durante um festival que relembra a antiga pizzaria e seus personagens. E estão mais fortes e dominados por uma entidade vingativa.

Mas, se a história sugere um mergulho mais profundo nesses personagens, o filme não entrega a intensidade que poderia. Freddy, Chica, Foxy, Bonnie e até o Cupcake deixam de ser criaturas fofinhas e adoradas pelas crianças e se tornam instrumentos de um mal que persegue Mike e quem quer que se aproxime dele. No papel, parece assustador. Na tela, nem tanto.


Apesar do potencial, “Five Nights at Freddy’s 2” é visivelmente mais fraco que o primeiro. Os sustos são escassos e previsíveis; a tensão, quase inexistente. Há momentos em que o ritmo lento não apenas prejudica o suspense, mas ameaça entediar o espectador. 

A sensação é de que o longa evita arriscar — e acaba não oferecendo nada realmente novo ou memorável. Apenas um conjunto de animatrônicos, sets e personagens que são ícones do jogo e eram aguardados pelos fãs.


Assim como o filme original, esta continuação não faz jus ao universo rico e enigmático criado por Scott Cawthon em 2014, cuja popularidade foi determinante para levar quase 3 milhões de espectadores aos cinemas em 2023. 

A adaptação, mais uma vez, falha em capturar a atmosfera sinistra e a sensação de perigo constante que os games proporcionam.

Além de Josh Hutcherson e Elizabeth Lail estão de volta Matthew Lillard, retomando o papel de William Afton/Springtrap, e Theodus Crano, como Jeremiah, amigo de Mike. A novidade é a presença de Freddy Carter, interpretando Jeremy Fitzgerald, um personagem aguardado que remete aos jogos.


O elenco faz o possível com o material que tem, mas o roteiro não oferece profundidade suficiente para que o drama familiar ou o terror realmente se destaquem. 

No fim, "Five Nights at Freddy’s 2" parece funcionar mais como um fan service protocolar do que como um filme de terror sólido. Falta ousadia, falta tensão e falta, sobretudo, o espírito inquietante que tornou a franquia dos games um fenômeno mundial. 


Ficha técnica:
Direção: Emma Tammi
Roteiro: Emma Tammi e Scott Cawthon
Produção: Blumhouse
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h33
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gênero: terror
Nota: 2,5 (0 a 5)

19 novembro 2025

"O Sobrevivente" – o show sempre deve se superar

Glen Powell é Ben Richards, um desempregado que participa de um programa de TV ao vivo de vida e morte para conseguir dinheiro e salvar sua família  (Fotos: Paramount Pictures)
 
 

Maristela Bretas


Em 1987, quando surgiu pela primeira vez o personagem Ben Richards, vivido por Arnold Schwarzenegger, a expectativa era maior que o resultado: a bilheteria baixa não fez jus ao filme. Mesmo com efeitos visuais artesanais, porém adequados à época, e a interpretação limitada do protagonista, o longa não rendeu o esperado.

Anos depois, o jogo virou. O filme tornou-se cult por sua ficção distópica e pela crítica à sociedade e ao controle da mídia. Atualmente, voltou a ser procurado na Netflix – especialmente com o lançamento, nesta quinta-feira (20), da nova versão.


Passadas quase quatro décadas, "O Sobrevivente" ("The Running Man") retorna às telas em um reboot que modifica parte da história original e traz como protagonista o atual queridinho de Hollywood, o carismático Glen Powell.

Baseado no romance "O Concorrente", de Stephen King (sob o pseudônimo Richard Bachman), o novo filme mantém a crítica social: um mundo dividido entre ricos vivendo em palácios verticais e marginalizados isolados para além dos muros das grandes cidades. A TV manipula tudo o que é exibido, criando heróis e vilões para uma população faminta por violência.


Assim como no longa de 1987, a audiência é o objetivo máximo — mesmo que, para isso, o público seja bombardeado com cenas de lutas, ataques e mortes, reais ou simuladas, transmitidas como um grande reality show para uma plateia sedenta por sangue e vingança.

A nova história se passa em 2025, em um cenário caótico de um Estados Unidos falido, com o governo manipulando a mídia e os pobres lutando diariamente para sobreviver.

Para salvar a esposa e a filha doente, Ben Richards (Glen Powell) se inscreve no violento game show "The Running Man". Durante 30 dias, os participantes precisam escapar de uma equipe de assassinos profissionais. O vencedor recebe um prêmio milionário em dinheiro.


"O Sobrevivente" apresenta as questões sociais e políticas de forma até mais clara que o original, em meio a muita ação, violência brutal e efeitos visuais competentes. 

Glen Powell se destaca como o trabalhador desempregado, revoltado com os abusos das corporações e o descaso com quem não pertence à elite. Para os fãs, as cenas do galã apenas de toalha são um colírio e estão entre as divertidas do filme.

De temperamento explosivo, Ben não consegue manter empregos e acaba chamando a atenção de Dan Killian, o produtor do programa, interpretado por Josh Brolin. O ator entrega um vilão frio, preocupado apenas em “ver o circo pegar fogo” e aumentar os lucros do show número um da emissora.


O elenco traz ainda nomes conhecidos como William H. Macy, em participação especial como um rebelde; Colman Domingo, vivendo o sádico showman Bobby T.; Michael Cera, como o revolucionário Elton Parrakis; e Lee Pace, interpretando o caçador assassino Ewan MacCone, entre outros.

À medida que a trama avança, o diretor Edgar Wright intensifica a raiva e o desprezo de Ben Richards por uma sociedade hipócrita e imoral. O personagem quer justiça para sua família e para aqueles que foram esquecidos — nem que, para isso, precise “tocar o terror e ligar o f#d#-se” para o programa e seus responsáveis.


Além das sequências de ação e perseguição, "O Sobrevivente" conta com uma excelente trilha sonora composta por Steven Price, incluindo uma clássica canção de ninar em nova versão, logo nos primeiros minutos.

Resta saber se, ao contrário do original, o filme conseguirá atingir bons números de bilheteria para compensar os US$ 110 milhões investidos na produção. Ou se será reconhecido apenas após alguns anos, assim como a boa atuação de Glen Powell.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Edgar Wright
Produção: Paramount Pictures, Complete Fiction Films, Genre Films
Distribuição: Paramount Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h14
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: ficção, suspense, ação

10 novembro 2025

Documentário "Lar" lança olhar sensível sobre o conceito de “família”

Filme mineiro observa o cotidiano de famílias LGBTQIAPN+ em Belo Horizonte e escuta falas sobre convivência, adoção e criação de laços (Fotos Embaúba Filmes)
 
 

Eduardo Jr.

 
“Filmes são gestos simples e complexos, que podem revelar muito de quem somos”. A frase apresentada em certo momento do documentário “Lar”, que estreia dia 13 de novembro nos cinemas, dá uma ideia do que é o longa dirigido por Leandro Wenceslau e distribuído pela Embaúba Filmes.  

A produção observa o cotidiano de famílias LGBTQIAPN+ em Belo Horizonte e escuta falas sobre convivência, adoção e criação de laços. Ao mesmo tempo, o diretor/narrador traz suas próprias vivências e embala em sentimentos sua obra. 


O diretor queria ter um filho com o marido, mas não sabia como. Até que um casal de professoras universitárias compartilhou com ele as experiências sobre a construção da família, que fizeram Wenceslau entender que, das mais diferentes formas, se edifica um núcleo familiar. Ele decidiu conhecer outras famílias LGBTQIAPN+, e teve a ideia de fazer o filme. 

Em "Lar", o cotidiano simples acaba revelando momentos e sentimentos marcantes. Pais e mães se abrem sobre os desafios de viver em família. Jovens adotados falam sobre pais viciados, abandono e sobre o misto de raiva e culpa que sentem por terem ido para um abrigo. 

Mesmo acolhidos por novas famílias e recebendo afeto, as memórias e percepções do passado os acompanham, provando que o convívio não se faz só de alegrias. 


Na tela, a direção se mostra inteligente. As imagens do Parque Municipal, em Belo Horizonte, casadas com um dos relatos de Wenceslau, deixam claro que, desde cedo, já havia uma busca por se conhecer, se entender como pessoa, como filho e sobre o exercício do papel de pai. 

Sutilmente, a busca por acolhimento se concretiza para o público por meio da construção imagética proposta no filme. Mais precisamente na cena da criança que relaxa, contemplando o céu e o telhado sobre sua cabeça. 

Os passeios e refeições em grupo também estão ali, democráticos, disponíveis aos mais diversos tipos de família. Seja com uma mãe trans, com os avós cisgênero, com dois pais… lar está muito além do laço sanguíneo. 


A sociedade precisa se despir da crença de que há um padrão de família a ser considerado. A conversa sobre a atuação das escolas diante de determinadas composições familiares é um dos pontos altos do documentário "Lar". 

Em síntese, a fala de uma das personagens traduz o que se vê na tela. Família é estar próximo. Apesar dos desencontros, dos traumas e das feridas que o tempo não apaga, a conexão com o mundo pode renascer. 

O documentário deixa claro: lar não é somente abrigo, é reconstrução. É onde se aprende a cair e levantar, a dividir o peso e a força, a controlar e a deixar ir. É no movimento entre rupturas e recomeços que se revela o verdadeiro sentido de pertencimento.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Leandro Wenceslau
Produção: Estalo Criativo
Distribuição: Embaúba Filmes
Exibição: Cine Una Belas Artes
Duração: 1h16
Classificação: livre
País: Brasil
Gênero: documentário

06 novembro 2025

"Grand Prix - A Toda Velocidade": uma corrida de amizade, família e confiança

Um time animal de corrida que vai mostrar que nas pistas existe mais do que uma disputa (Fotos: Mack Magic)
 
 

Maristela Bretas

 
"Grand Prix - A Toda Velocidade" ("Grand Prix Of Europe"), com estreia nos cinemas nesta quinta-feira, é uma animação que acelera em torno dos temas de família, velocidade, sonhos e amizades. Embora se assemelhe visualmente a produções como "Zootopia" (2016), talvez não atinja o mesmo nível de emoção de outras animações protagonizadas por animais.

Trata-se de uma produção notavelmente familiar, visto que vários membros da produtora Mack Magic, responsável pelo longa, pertencem à mesma família. O filme demonstra claramente a paixão por carros e velocidade, algo que ironicamente ressoa até no nome do diretor, Waldemar Fast. 


O enredo revela também uma preocupação com aqueles que rodeiam os protagonistas e são essenciais para que as coisas aconteçam.

"Grand Prix - A Toda Velocidade" conta a história da jovem ratinha Edda (voz de Gemma Arterton) que sonha em se tornar piloto de corrida e idolatra o campeão Ed (Thomas Brodie-Sangster), também um rato, que é notoriamente egocêntrico. 

Apesar de seu grande desejo, Edda sabe que não pode abandonar seu pai, Erwin (Lenny Henry), dono de um parque de diversões no subúrbio de Paris, construído por ele e sua falecida esposa e mãe de Edda.


Para complicar a situação, o parque enfrenta uma séria crise financeira e o pai de Edda é ameaçado por uma dupla que deseja se apossar do local, que abriga diversos "funcionários" de variadas espécies animais. 

Para ajudar o pai e realizar seu sonho, Edda se inscreve no Grande Prêmio da Europa de corrida, fingindo ser Ed após um contratempo. É aí que seus problemas começam.

A animação é vibrante, muito colorida, repleta de ação, com mocinhos e vilões que podem surpreender. Há um papagaio locutor que narra as corridas, acompanhado de um camelo que está sempre mudo e emburrado. 


Curiosamente, os protagonistas ratinhos não transmitem a simpatia esperada, ao contrário dos animais do parque de diversões, como Rosa, a atrapalhada vidente, e Enzo, o responsável pelo sorvete e o melhor amigo de Edda.

"Grand Prix - A Toda Velocidade" transmite boas mensagens, enfatizando, entre elas, a importância de não julgar as pessoas pelas aparências e o valor de cultivar e preservar uma amizade sincera.


Ficha técnica:
Direção:
Waldemar Fast
Produção: Mack Magic e Warner Bros. Entertainment
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h38
Classificação: livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, família

05 novembro 2025

"Dollhouse" é uma obra que relembra a elegância fria do j-horror clássico

Incursão do diretor Shinobu Yaguchi no gênero terror tem semelhanças com "Annabelle", da franquia "Invocação do Mal" (Fotos: Sato Company)
 
 

Wallace Graciano


Obra resgata o medo silencioso da mitologia japonesa. Uma carta de amor ao gênero que se arrasta, mas não decepciona. Preciso jogar limpo, caro leitor. Nunca havia visto um filme sequer do diretor Shinobu Yaguchi. Porém, ao procurar sobre sua carreira, ficou claro que ele sempre foi sinônimo de leveza e superação jovial. 

Talvez por isso, sua incursão no terror, gênero que exige peso e introspecção, me despertou uma extrema curiosidade ao receber o convite para assistir "Dollhouse". E posso falar que ele não precisava assinar sob pseudônimo, como o fez. Afinal, o filme não apenas abraça o J-Horror clássico, mas o faz com uma convicção surpreendente.


Distribuído no Brasil pela Sato Company e com estreia nesta quinta-feira, 6 de novembro, "Dollhouse" é uma obra que se apoia na estrutura previsível para, justamente, construir sua força. 

Aqui, o clichê é uma homenagem, e a repetição do ciclo de maldição evoca a tradição de "Ringu" e "Ju-On", obras tão aclamadas pelo público. Abaixo, explico o porquê.

O clichê do trauma e da tragédia

De cara, podemos falar que "Dollhouse" não economiza em tragédia inicial. No filme, conhecemos Yoshie (Masami Nagasawa), uma mãe traumatizada após a perda da filha, Mei em um brutal acidente doméstico com uma máquina de lavar. 

O luto da matriarca é a verdadeira semente do horror. Incapaz de seguir, ela preenche o vazio com uma boneca ningyō ikiningyō, um artefato realista do período Showa.


Cinco anos depois, a paz do casal Yoshie e Tadahiko (Koji Seto) é desfeita quando a segunda filha, Mai, encontra a boneca esquecida. O que começa como um drama familiar de negação se torna um pesadelo psicológico: a boneca, agora chamada Aya, manifesta um ciúme possessivo, deixando hematomas em Mai e reivindicando, de alguma forma, seu "lugar de volta".

A narrativa atinge sua elegância fria ao transformar o luto em uma entidade viva e ameaçadora. O terror se constrói no som do vento, no ranger do assoalho da antiga casa e na frieza assustadora da boneca. 

Yaguchi demonstra um entendimento profundo de que o horror japonês funciona melhor no silêncio e na sugestão, ancorando a narrativa na superstição e na cultura japonesa de rituais com bonecas.


Falta um pouco de ritmo

Visualmente, "Dollhouse" é impecável. A fotografia em tons azulados e a direção de arte minimalista transformam o cotidiano da casa em uma fonte de angústia. 

Somado a isso, podemos dizer que as atuações seguem a mesma tônica, com Masami Nagasawa transmitindo, sem explorar o pieguismo do drama, a dor e a fragilidade de Yoshie, bastando apenas dar um olhar vazio que comunica melhor do que qualquer diálogo. 

Porém, o filme tropeça em sua ambição. Embora o terror se aprofunde com a aparição do sacerdote Kanda (Tetsushi Tanaka) e a exploração da mitologia da boneca, o roteiro chega a trazer um pouco de bocejos. 


A longa jornada do casal para tentar incinerar o objeto amaldiçoado, incluindo contratempos e até momentos de humor macabro, torna o clímax excessivamente prolongado. 

No fim, "Dollhouse" é uma obra dolorosa, elegantemente dirigida e profundamente humana. É um filme sobre o que acontece quando o amor se recusa a aceitar a morte, transformando o luto no verdadeiro fantasma. 

Yaguchi, se era tido como um mestre da comédia por quem o viu (não este que vos escreve, mas que confia demais no julgamento), se revela um promissor artesão do terror.

O que achamos de "Dollhouse"?

"Dollhouse" é um retorno bem-vindo e sofisticado ao terror japonês de raiz, ancorado em grandes atuações e uma mitologia assustadora. Apesar de um ritmo desigual e um clímax alongado, a força da sua construção atmosférica e o peso emocional o elevam acima da média do gênero.


Ficha técnica:
Direção: Shinobu Yaguchi
Distribuição: Sato Company
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h50
Classificação: 16 anos
País: Japão
Gênero: terror
Nota: 4 (0 a 5)

04 novembro 2025

“Quando o Céu se Engana”: um caos celestial divertido sobre erros e acertos

Keanu Reeves interpreta um anjo insatisfeito com seu trabalho que quer mudar a vida de seus protegidos (Fotos: Lionsgate)
 
 

Maristela Bretas

 
Para quem curte uma comédia leve sobre caos celestial, crise existencial, duas pessoas vivendo situações sociais opostas e um anjo cheio de boa vontade, mas atrapalhado, vale conferir “Quando o Céu se Engana” ("Good Fortune"), que estreia nesta quinta-feira (6) nos cinemas.

No filme, Keanu Reeves troca as armas e os ternos de John Wick por asas, ainda que pequenas e um tanto amassadas. Ele interpreta Gabriel, um anjo da guarda "basiquinho", encarregado de proteger motoristas distraídos que insistem em checar o celular enquanto dirigem por Los Angeles. É uma função burocrática, repetitiva e desinteressante para alguém que sonha com promoções celestiais.


Cansado de salvar motoristas distraídos e de preencher relatórios espirituais sobre “intervenções mínimas”, Gabriel decide provar que pode fazer mais. O problema é que, ao tentar “melhorar” a vida dos humanos que protege, ele bagunça completamente o sistema celestial — e a vida de dois homens na Terra.

O primeiro é Arj, vivido por Aziz Ansari, que também assina o roteiro, a direção e a produção do longa. Ele é um cara honesto, espirituoso, mas completamente sem sorte — dorme no carro, vive de bicos e tenta manter a dignidade em meio à precariedade moderna. Com tantos pontos contra, Arj não vê sentido para sua vida e Gabriel acompanha tudo isso com preocupação.


O segundo protegido é Jeff, interpretado por Seth Rogen, um milionário superficial que tem tudo, mas vive entediado e não se preocupa com o mundo normal, apenas como seus carros importados e banhos especiais.

Em um momento de “excesso de zelo celestial”, Gabriel decide trocar as vidas dos dois para que saibam as dificuldades e os prazeres que suportam. Arj acorda na mansão de Jeff, e este, em pânico, se vê vivendo em um carro velho, cheiro de batata frita fria e tendo de procurar empregos de baixa remuneração para sobreviver.

“Quando o Céu se Engana” é uma comédia de erros divina em que as boas intenções de Gabriel podem levá-lo a uma reavaliação profissional por parte de sua chefe, Martha, interpretada por Sandra Oh. A ponto de ele precisar viver as dificuldades de ser humano.


Humor afiado com toque filosófico

Aziz Ansari acerta ao equilibrar comédia absurda com reflexão existencial. A troca de corpos, um clichê clássico do cinema, aqui ganha novas camadas:
- O rico descobre o valor das pequenas coisas;
- O pobre percebe que o dinheiro pode ser uma prisão disfarçada;
- E o anjo percebe que talvez os humanos não precisem de salvação, mas de empatia.

O humor é rápido, inteligente e muitas vezes autodepreciativo. A cena em que Gabriel tenta “corrigir” a confusão usando um aplicativo de mensagens para anjos é puro caos tecnológico celestial — com Keanu Reeves entregando uma das atuações mais cômicas (e estranhamente doces) de sua carreira.


Crítica social com boas risadas

O longa também fala sobre classes sociais, culpa, ego espiritual e a eterna busca humana (e divina) por propósito. Ansari faz humor com a desigualdade sem parecer cínico, e Reeves traz um anjo confuso, frustrado e adorável — quase um funcionário público do além.

Seth Rogen, por sua vez, interpreta o milionário Jeff com aquele equilíbrio perfeito entre arrogância e ingenuidade, tornando sua “queda terrena” uma das partes mais divertidas do filme.

Keanu Reeves prova que pode ser engraçado sem perder a alma, Aziz Ansari reafirma seu talento como contador de histórias. “Quando o Céu se Engana” é uma comédia leve, espirituosa e cheia de coração, que lembra o público de que errar — mesmo no céu — faz parte do aprendizado. Entrega exatamente o que promete: uma bagunça divina com coração humano.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Aziz Ansari
Produção: Lionsgate
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h39
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gênero: comédia

17 setembro 2025

"Animais Perigosos" - o mal está sobre as águas

Jai Courtney é um serial killer que aprecia tubarões e despreza seres humanos (Fotos: Diamond Films)


Maristela Bretas


Um terror tenso e cruel. Assim é "Animais Perigosos" ("Dangerous Animals"), filme dirigido por Sean Byrne que estreia nesta quinta-feira (18) nos cinemas. Difícil não sentir aflição com o desenrolar da trama, que mostra que o perigo real não está sob as águas, mas convivendo entre nós.

O longa apresenta Tucker (Jai Courtney), um serial killer que usa seu barco para levar turistas a regiões habitadas por tubarões. Essas pessoas acabam se tornando suas vítimas. Não satisfeito em assassiná-las, ele ainda registra os crimes em vídeo durante os ataques dos ferozes animais - um verdadeiro espetáculo de horrores. 

Para piorar, Tucker obriga seus reféns assistirem à morte de outras vítimas. É o caso da surfista Zephyr (Hassie Harrison), mantida algemada em um compartimento do barco, em alto-mar, quase sem chances de escapar, junto com Heather (Elia Newton), outra prisioneira.


Jai Courtney está excelente no papel e é o destaque do filme. Seu personagem, com um sorriso irônico, e ao mesmo tempo charmoso, chega a despertar ódio pela crueldade que inflige às vítimas. Frio e impiedoso com as pessoas demonstra, em contrapartida, respeito pelos tubarões. 

O roteirista Nick Lepard conta que pesquisou a fundo sobre tubarões para criar o personagem Tucker: “Ao mesmo tempo em que ele é obcecado por ataques de tubarões, também defende que os animais sejam protegidos”.

O filme critica a obsessão humana por assistir a ataques desses animais. O serial killer questiona a lógica das pessoas em transformar os tubarões em vilões, quando na verdade elas são os predadores, em busca de sangue e espetáculo.


Hassie Harrison também entrega uma boa atuação, mas sua personagem, a surfista nômade comete erros ingênuos ao tentar escapar de seu sequetrador - atitudes que tornam algumas cenas previsíveis. A ponto de provocar exclamações do tipo: "Não acredito que ela fez isso!". 

Ainda assim isso não compromete o andamento da trama, que conta também com Josh Heuston, no papel de Moses, namorado de Zephyr.

"Animais Perigosos" foge do padrão dos filmes de tubarão, que começaram com o clássico de 1975 dirigido por Steven Spielberg, que abriu caminho para inúmeras cópias, muitas delas nem sempre "assistíveis", e outras muito boas, como "Águas Rasas" (2016).


Dos mesmos produtores de “Longlegs - Vínculo Mortal” (2024), "Animais Perigosos" é um terror eletrizante sobre sobrevivência: uma disputa entre o serial killer e sua presa. 

O filme cumpre o que promete, com cenas perturbadoras, exceto uma delas no final, prejudicada por um efeito visual bastante tosco. 

Ainda assim, a condução do filme e a ótima trilha sonora, que inclui até uma conhecida canção infantil sobre tubarões cantada por Tucker, compensam qualquer deslize. O resultado é um filme que se mantém apavorante do início ao fim e que vale a pena conferir.


Ficha técnica:
Direção: Sean Byrne
Roteiro: Nick Lepard
Distribuição: Diamond Films
Produção: Brouhaha Entertainment, Mister Smith Entertainmetn, LD Entertainment
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h38
Classificação: 18 anos
País: EUA
Gêneros: terror, suspense