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03 novembro 2026

"Três Horas Para Viver": Rodrigo Santoro sai no tapa com Jack Reacher em uma corrida eletrizante contra o tempo

Owen Wilson e Alan Ritchson formam uma dupla bem humorada tentando fugir de uma quadrilha enquanto transportam um órgão para transplante (Fotos: Diamond Films)  
 
 

Maristela Bretas

 
Um órgão para transplante. Uma jornada insana para salvar uma vida em apenas três horas e uma dupla disposta a tudo para chegar a tempo. Mesmo que, para isso, precise enfrentar uma quadrilha de mafiosos.

Esta é a história de "Três Horas Para Viver" ("Runner"), filme em cartaz nos cinemas que conta com um trio de protagonistas bastante versátil. A começar pelo brasileiro Rodrigo Santoro ("O Tradutor"- 2019 e "O Último Azul" - 2025), como um vilão que enfrenta o "parrudo" Alan Ritchson (da série "Reacher" - exibida desde 2022 no Prime Vídeo) e o engraçado Owen Wilson ("Uma Noite no Museu 3" - 2015 e "Zoolander 2" - 2016).


Os três protagonizam perseguições eletrizantes em alta velocidade, muita ação, tiroteios, pancadaria e até algumas cenas de emoção, numa corrida contra o tempo em que o que realmente importa é quem vai ficar com a carga.

Na trama, o ex-soldado e transportador de elite Hank Malone (Alan Ritchson) precisa levar Ben Bishop (Owen Wilson) a um hospital, junto com um fígado que será transplantado em uma menina de sete anos. O prazo máximo para que o órgão não seja perdido é de três horas.


O que parecia uma operação simples se complica quando entra em cena Damián Zaldívar (Santoro), líder de uma organização criminosa que, junto com sua quadrilha, está disposto a fazer qualquer coisa para colocar as mãos no órgão. Os três protagonistas, no entanto, têm motivos pessoais para querer completar sua missão.

Ritchson mantém o perfil de seu personagem na série, Jack Reacher (difícil não associá-lo ao agente fortão), mas também consegue entregar emoção. Além disso, forma uma dupla muito engraçada e carismática com o veterano Owen Wilson, conhecido por seus marcantes papéis cômicos.


Rodrigo Santoro recebeu um personagem bastante canastrão e exagerado, que só não deu errado graças ao talento do ator. Ele consegue mesclar violência e humor, até mesmo quando fala três idiomas em uma só frase (uma verdadeira sopa de letrinhas). O brasileiro mostra que sabe contornar as limitações de um roteiro e dar brilho ao personagem.

Dá para imaginar uma briga entre Ritchson e Santoro, no mano a mano (e com algumas facas)? Até parece injusto, mas o brasileiro dá uma boa surra no grandão. Ponto para a interpretação de Ritchson, que mostrou que até os brutos apanham!


Outro ponto positivo é a direção de Scott Waugh, que soube dosar ação e humor sem perder uma das principais características de seu trabalho: apostar na pancadaria, com cenas de luta bem coreografadas, mesmo que absurdas.

"Três Horas Para Viver" perde um pouco o ritmo quando entram as cenas mais emotivas e o excesso de clichês, mas nada que chegue a desagradar ao público. É aquele típico filme de Sessão da Tarde que vale a pena assistir.


Ficha técnica:
Direção: Scott Waugh
Roteiro: Miles Hubley e Tommy White
Produção: Broken Road Productions e Industry Entertainment
Distribuição: Diamond Films Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h38
Classificação: 16 anos
Países: EUA e Austrália
Gêneros: ação, suspense, comédia

25 outubro 2026

"Street Fighter": quando o videogame abraça a galhofa

Versão cinematográfica dirigida por Kitao Sakurai aposta nos personagens mais conhecidos da franquia
(Fotos: Paramount Pictures)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
As adaptações de videogames vêm conquistando cada vez mais espaço nas telas do cinema como demonstram produções inspiradas em franquias como "Super Mario Bros.", "Minecraft", "Tomb Raider" e "Resident Evil". 

Em 2026, "Street Fighter," dirigido por Kitao Sakurai, ganha uma nova versão cinematográfica live-action que aposta nos personagens mais conhecidos da franquia, especialmente Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo). 

Ambientado em 1993, o longa combina torneios de luta, conspirações e conflitos do passado para transportar o universo dos jogos para as telas. Diferentemente da adaptação de 1994, protagonizada por Jean-Claude Van Damme no papel de Guile, a nova versão concentra boa parte de sua narrativa na relação entre Ryu e Ken. 


Sakurai abraça a galhofa que marcou o antecessor e transforma o exagero em parte fundamental da experiência. Entretanto, por trás das lutas e situações absurdas, existe espaço para explorar os conflitos pessoais dos protagonistas.

Ryu apresenta uma dimensão dramática mais intensa, marcada pela morte de seu mestre e pelo afastamento das competições. Seu conflito envolve não apenas o retorno às lutas, mas também a compreensão do Hadou, uma força que exige domínio físico, mental e espiritual. 

Essa abordagem oferece ao personagem uma jornada de autoconhecimento que contrasta com o tom irreverente de boa parte da produção.


Ken, por sua vez, é praticamente o oposto do antigo parceiro. Vaidoso, interessado na fama e acostumado a uma vida confortável, ele transforma até os próprios escândalos em espetáculo. Sua personalidade exagerada rende momentos cômicos e ajuda a estabelecer o contraste com a introspecção de Ryu. 

O filme também aposta em referências diretas aos jogos, incluindo situações reconhecíveis pelos fãs, como a destruição de carros, reforçando o fan service e a conexão com o material de origem.

Essa proposta aparece ainda na caracterização dos demais lutadores. Jason Momoa interpreta Blanka, personagem de aparência monstruosa, pele verde e capacidade de liberar descargas elétricas. Os efeitos visuais assumem uma estética artificial que parece dialogar com o absurdo dos games. 


Em vez de buscar realismo a todo custo, o longa abraça o aspecto cartunesco de seus personagens e poderes, fazendo do exagero uma escolha estética e cômica.

As participações de personagens como Honda e Balrog (50 Cent) ajudam a ampliar o universo da franquia, mas também evidenciam uma das limitações do filme. Embora "Street Fighter" apresente um elenco numeroso, nem todos recebem espaço suficiente para desenvolver suas histórias. 

Honda, Balrog, Dhalsim e Vega poderiam ter conflitos mais bem explorados, em vez de aparecerem principalmente para compor os confrontos e alimentar o reconhecimento dos fãs. O núcleo de antagonistas, em particular, acaba funcionando mais como uma reunião de lutadores do que como um conjunto de personagens com motivações próprias.


A narrativa converge para o confronto com Bison (David Dastmalchian), que deseja ampliar seu poder ao absorver a energia de Ryu. Esse objetivo conecta a ameaça externa à jornada do protagonista, enquanto Ken oferece um contraponto mais leve e irreverente. 

Ainda assim, a concentração da história nos dois personagens reduz as possibilidades de aprofundar os demais integrantes desse universo. É nesse ponto que o longa, embora divertido, também revela seus limites: reconhecer um personagem é satisfatório, mas conhecer melhor suas motivações poderia tornar sua presença mais significativa.

Também é importante reconhecer que "Street Fighter" possui uma identidade própria, construída em torno de golpes especiais, rivalidades e personagens que atravessaram gerações de jogadores. 


Embora seja possível estabelecer comparações com "Mortal Kombat", as franquias apresentam estilos distintos. Aqui, a experiência não depende apenas da reprodução das lutas, mas da capacidade de preservar o espírito exagerado, colorido e irreverente que tornou os jogos tão populares.

No fim, "Street Fighter" entende que nem toda adaptação precisa levar seu universo a sério o tempo inteiro. Ao abraçar a galhofa, o filme encontra espaço para combinar ação, humor, drama e nostalgia, ainda que deixe alguns personagens pelo caminho. Para os fãs, é um prato cheio de referências, golpes conhecidos e situações absurdas. 

Mais do que tentar transformar o videogame em um drama convencional, o filme reconhece que parte de sua força está justamente naquilo que parece exagerado demais para ser levado a sério. Afinal, quando o assunto é "Street Fighter", a diversão também faz parte da luta.


Ficha técnica:
Direção: Kitao Sakurai
Produção: Legendary Pictures, Capcom e Paramount Pictures
Distribuição: Paramount Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h50
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, artes marciais

08 outubro 2026

"Coração Selvagem": uma linda história de amor de Brad Pitt e seu companheiro Odin

Dupla enfrenta uma dura jornada pelo Alasca para voltar a salvo para casa (Fotos: Paramount Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Quem ainda não teve oportunidade de assistir, não perca nos cinemas uma linda história de amor verdadeiro entre Brad Pitt e seu mais fiel companheiro, o pastor alemão Odin. O filme "Coração Selvagem" ("Heart of the Beast"), dirigido por David Ayer, entrega muita ação, dá um quentinho no peito e provoca muitas lágrimas.

Pitt interpreta o ex-oficial das Forças Especiais dos EUA, James Belmont, que, após deixar o Exército, passa o tempo viajando com seu cão de guerra aposentado pelas regiões geladas do Alasca. O ator demonstra uma grande sintonia com Odin, como se realmente um pertencesse ao outro. Ele também é um dos produtores executivos do longa.


Mas o grande destaque do filme é Odin, interpretado por Uber, um ex-cão socorrista de montanha da Nova Zelândia, e três de seus filhotes que atuaram como dublês nas cenas mais arriscadas: Seeka, Ryker e Hondo. 

Odin é um pastor alemão cujo olhar doce é capaz de encantar e derreter o coração do público. Apesar do sofrimento e dos traumas da guerra, que deixaram sérias sequelas, o cão consegue ser um guardião feroz de seu dono diante dos perigos da jornada e ainda protagoniza as cenas mais afetuosas do longa. Como afirmou o próprio Brad Pitt em entrevista, "Uber não fica em nada a dever aos grandes astros de Hollywood".


Durante uma das viagens de pesca, eles sofrem um acidente de avião, e a amizade entre os dois se torna cada vez mais importante para que consigam sobreviver na região e voltar para casa. 

O percurso, além de longo, por entre rios, matas e penhascos, reserva outros perigos e traz à tona velhas e traumáticas memórias. A cada novo perigo, a amizade é colocada à prova. A tensão domina boa parte do longa, levando o público a torcer pelos dois inseparáveis amigos. 


A dura jornada também permitirá à dupla conhecer outras pessoas importantes para a trama, mesmo em participações curtas, como os personagens de J.K. Simmons e Anna Lambe.

Um ótimo roteiro, bela fotografia, boa trilha sonora e paisagens de encher os olhos - o filme foi rodado na Nova Zelândia, em regiões semelhantes às paisagens do Alasca. Mas são as atuações de Brad Pitt e Uber que prendem a atenção e emocionam o público do início ao fim.

"Coração Selvagem" é um filme muito lindo, um dos melhores deste ano. Simplesmente imperdível, especialmente para quem ama cães.


Ficha técnica:
Direção: David Ayer
Produção: Plan B Entertainment, Temple Hill Entertainment, Domain Entertainment, Gulfstream Pictures
Distribuição: Paramount Pictures
Exibição: no cinemas
Duração: 1h41
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: drama, ação

28 setembro 2026

“A Queda 2” desafia a gravidade — e a paciência do espectador

Dupla de amigas se aventura em atravessar uma perigosa passarela suspensa na Tailândia a 3 mil
metros de altitude (Fotos: Paris Filmes)
 
 

Maristela Bretas

 
Apesar de ser angustiante do início ao fim, o que incomoda mesmo em “A Queda 2: No Limite” (“Fall 2: Deadpoint”) são as decisões estúpidas quando o assunto é correr riscos desnecessários por motivações pessoais. Continuação de “A Queda”, de 2022, o longa aposta novamente em situações extremas, mas exagera na dose ao construir suas personagens.

Assim como no primeiro filme, Jonathan Frank e Scott Mann assinam o roteiro, enquanto a direção desta vez fica por conta dos irmãos Michael e Peter Spierig. A estreia está prevista para esta quinta-feira nos cinemas, com distribuição da Paris Filmes.


As cenas de perigo, favorecidas por uma ótima fotografia, são tão tensas que chegam a dar “gastura” e revolta em quem está assistindo. Impossível não se perguntar como alguém se propõe a entrar em uma aventura como esta. No caso deste longa, assim como no anterior, eu chamaria de burrice.

Jax Hunter (Harriet Slater) está de luto pela morte da irmã Shiloh, personagem do primeiro filme. Apesar de ser uma jovem que não gosta de se arriscar, ela se une a Luce (Arsema Thomas), uma antiga amiga da irmã, para atravessar a perigosa passarela suspensa do Monte Kwan, na Tailândia. 

O objetivo é chegar até uma estátua de dragão cuja lenda diz ser capaz de devorar os medos de quem a encontra.


O problema é que a dupla acaba presa em uma estreita prancha, a mais de 3 mil metros de altitude, após um deslizamento de rochas. Separadas de seu guia, o misterioso Jon (Tom Brittney), resta a Jax enfrentar seus medos para sobreviver e ajudar a amiga.

As decisões e atitudes da dupla amadora aventureira beiram o absurdo. Por mais que sejam alertadas, elas insistem em continuar a jornada insana. 

Em alguns momentos, chega a dar raiva das protagonistas. E os roteiristas ainda deixam de lado questões básicas, as jovens não sentem fome, sede e cansaço, mesmo depois de três dias penduradas na montanha.


Pelo contrário, elas ainda encontram forças — e põe força nisso — para fazer malabarismos a 3 mil metros de altitude. Também conseguem dormir tranquilamente em uma prancha de uns 50 centímetros de largura (estou chutando o tamanho). Os roteiristas exageraram na dose.

Há ainda uma cena de Jax na ponte, nos momentos finais do filme, que os diretores simplesmente eliminaram e que poderia ter sido bem explorada. De repente, a protagonista já está em outro cenário, deixando para o espectador imaginar o que aconteceu.



Em compensação, os cenários abertos são muito bem explorados pela fotografia, assim como o som, especialmente o das rochas caindo, da prancha ruindo e das correntes se movimentando. Ponto positivo também para as atuações de Harriet Slater e Arsema Thomas. Já Tom Brittney entrega um papel bem canastrão.

“A Queda 2: No Limite”, no fim, é uma repetição de seu antecessor, com mais efeitos gráficos e decisões ainda mais irritantes. E, para completar, o final já abre caminho para um terceiro longa-metragem. Aguardemos. Tomara que seja melhor e consiga recuperar a força do primeiro.


Ficha técnica:
Direção:
Michael e Peter Spierig
Roteiro: Jonathan Frank e Scott Mann
Produção: Capston Pictures e Frawless
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h40
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: suspense, ação, aventura

17 setembro 2026

"One Piece: O Grande Pirata do Ouro": o maior tesouro não está no baú

Anime é uma aventura complementar dentro da franquia, pela primeira vez com versão dublada em
português (Fotos: Paris Filmes)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Depois do sucesso da série na Netflix, os piratas mais loucos do anime chegam dia 24 aos cinemas. "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" ou "One Piece: O Filme", como também está sendo chamado, funciona praticamente como uma aventura complementar dentro da franquia, que não exige conhecimento da extensa cronologia.

Com versão inédita dublada em português, direção de Junji Shimizu e distribuição da Paris Filmes, não é preciso encarar mais de mil episódios da série ou conhecer a produção para acompanhar a história. Basta gostar de anime, piratas e aventura. E conferir a crítica da série no @cinemanoescurinho clicando no link https://tinyurl.com/yfsj88md


A trama parte da lenda de Woonan, um pirata que teria desaparecido levando consigo um terço de todo o ouro do mundo e escondendo o tesouro em uma ilha misteriosa. 

Anos depois, Luffy e sua tripulação entram nessa busca e acabam enfrentando Eldrago, um pirata que também deseja encontrar a fortuna e possui os poderes de uma Akuma no Mi (fruta sobrenatural do anime e mangá), capazes de transformar sua voz em ondas ultrassônicas.

O tesouro, porém, é apenas a superfície da história. Woonan funciona como uma figura lendária, semelhante ao próprio Gol D. Roger, mostrando como alguém pode continuar influenciando outras pessoas mesmo depois de desaparecer. 


A diferença está no que cada personagem faz com aquilo que recebe como legado. Woonan e Ganzo seguiram caminhos diferentes, e suas escolhas ajudam a mostrar que identidade não nasce pronta: ela também é construída pelas experiências, pelos vínculos e pelas decisões que tomamos.

Essa discussão ganha mais força através de Tobio. O menino possui uma relação de avô e neto com Ganzo e encontra nessa convivência uma referência de afeto, cuidado e família. Ao mesmo tempo, busca entender qual é o seu lugar no mundo. 

É justamente aí que o filme encontra seu ponto mais interessante: pertencimento não depende do lugar onde nascemos nem do que conseguimos possuir, mas das relações que construímos. Tobio não precisa do ouro de Woonan para saber quem é. Precisa sentir que pertence a algum lugar e que existe alguém disposto a caminhar ao seu lado.


A estrutura mais curta faz com que "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" não tenha ação o tempo inteiro. As principais sequências acontecem no início e próximo ao final, enquanto boa parte da narrativa se dedica a apresentar a lenda e seus personagens. 

Para quem espera uma aventura acelerada, isso pode causar certa estranheza. Por outro lado, permite que a história trabalhe melhor temas como memória, legado e identidade.

O problema está justamente em alguns personagens que poderiam receber mais atenção. Eldrago é um vilão funcional, mas pouco desenvolvido. Sua obsessão pelo ouro e pelo poder aparece de maneira rápida, sem que o roteiro consiga explorar o que existe por trás dessa ambição. 


A luta contra Luffy, entretanto, compensa parte dessa fragilidade e ganha força nas sequências de ação, especialmente quando projetadas na tela grande.

No fim, "One Piece: O Grande Pirata do Ouro" está menos interessado no ouro do que parece. Woonan representa o legado de uma lenda; Ganzo, as consequências das escolhas; e Tobio, a necessidade de encontrar um lugar e pessoas que dêem sentido à própria existência. 

É uma aventura curta, divertida e acessível, que pode funcionar tanto para fãs da franquia quanto para quem está chegando agora. Porque, no fim das contas, talvez o maior tesouro de "One Piece" seja descobrir quem somos, de onde viemos e, principalmente, com quem queremos compartilhar a nossa jornada.


Mais novidades

Lançado originalmente em 2000 no Japão, “One Piece: O Grande Pirata do Ouro” é o primeiro longa-metragem animado da franquia dublado em português. A parceria entre a Paris Filme e a Toei Animation, produtora da série, prevê a exibição de outros dois nos cinemas ainda em 2026. 

Os próximos serão "One Piece: Aventura na Ilha Espiral", dia 22 de outubro, e "One Piece: O Reino de Chopper na Ilha dos Animais Estranhos", em 3 de dezembro. Em seguida, os três serão incorporados ao catálogo da Netflix.


Ficha técnica:
Direção: Junji Shimizu
Produção: Toei Animation
Distribuição: Paris Filmes
Exibição: nos cinemas
Duração: 51 minutos
Classificação: 12 anos
País: Japão
Gêneros: animação, aventura, ação

10 setembro 2026

"Homem-Aranha: Um Novo Dia" coloca Peter Parker diante do seu maior inimigo: a solidão

Quarto filme do super-herói amplia as conexões do personagem com outros núcleos do Universo Cinematográfico Marvel (Fotos: Sony Pictures)
 
 

Maristela Bretas


Em “Homem-Aranha: Um Novo Dia” (“Spider-Man: Brand New Day”), em cartaz nos cinemas, sob a direção de Destin Daniel Cretton, encontramos o Amigo da Vizinhança vivendo integralmente para defender Nova York. 

Quatro anos depois dos acontecimentos de “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” (2021), ninguém mais se lembra que ele é Peter Parker (novamente vivido por Tom Holland) — nem mesmo aqueles que mais amava.

Mas o pior para o super-herói é acompanhar de longe a vida da amada MJ (Zendaya) e do melhor amigo Ned Leeds (Jacob Batalon), que também não se lembram dele. 


Peter, agora adulto e mais maduro, tornou-se um Homem-Aranha mais experiente, sem perder o carisma e o jeito doce de bom menino que sempre o diferenciaram dos demais Vingadores.

Direcionando toda sua energia para o combate ao crime, ele passa a trabalhar ao lado da polícia e da detetive Jean DeWolff (Liza Colón-Zayas). A solidão e o afastamento das pessoas que ama, porém, começam a cobrar um preço alto.

O corpo e a mente do Homem-Aranha sofrem transformações que aumentam seus poderes, mas também provocam alterações de comportamento e agressividade, colocando em risco quem está ao seu redor. 


Tudo se complica com o surgimento de uma nova ameaça, capaz de controlar a mente das pessoas. É Jean Grey (Sadie Sink, de “Stranger Things”), uma jovem mutante com poderes que ainda não faz parte dos X-Men e sequer teve contato com o Professor Charles Xavier. 

Após um trauma familiar, ela procura respostas e acaba se tornando uma das adversárias mais perigosas já enfrentadas pelo herói.

Esse é um dos pontos positivos de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”: o filme amplia as conexões do personagem com outros núcleos do Universo Cinematográfico Marvel. 
                      

Ao lado do Teioso aparecem Frank Castle, o Justiceiro (Jon Bernthal), Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) e Yelena Belova/Viúva Negra (Florence Pugh), que acabam se tornando importantes aliados na batalha. 

O encontro com o Justiceiro, principalmente, dá ao longa um tom mais urbano e próximo das histórias de crime que fazem parte da origem do personagem nos quadrinhos.

No elenco também estão nomes conhecidos da franquia, como Marisa Tomei, novamente como tia May; Michael Mando, como Mac Gargan/Escorpião; e Tramell Tillman, como Bill Metzger, ligado ao Departamento de Controle de Danos. 



A trilha sonora é outro destaque. Michael Giacchino, responsável pelas partituras dos três filmes anteriores de Tom Holland como Homem-Aranha, retorna com uma composição que acompanha tanto a ação quanto o momento mais solitário de Peter. 

As músicas escolhidas ajudam a criar uma identidade mais urbana e contemporânea para o longa, com nomes como Tame Impala, Bad Bunny, TV on the Radio, Chaka Khan, Cannons e Steve Lacy.

Mais que um filme de super-herói, com teias, explosões, lutas, perseguições pelas ruas de Nova York e acrobacias no ar, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” aposta no amadurecimento de Peter Parker e nas consequências de sua escolha de dedicar a vida ao combate ao crime. 


O personagem ganhou experiência, força e confiança como Homem-Aranha, mas perdeu justamente aquilo que fazia sua vida como Peter Parker valer a pena.

Em nenhum dos filmes anteriores do personagem a ideia de que "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades" parece tão presente quanto aqui. 

Peter precisa entender que ser herói não significa abrir mão de tudo que o torna humano. Por trás da máscara ainda existe um homem que sente falta de ter amigos, de amar e de ser lembrado.


E é justamente aí que Tom Holland encontra um dos melhores momentos de sua atuação como Peter Parker. Mais solitário, cansado e emocionalmente machucado, ele mostra um herói que já não precisa aprender a balançar entre os prédios, mas ainda necessita descobrir como viver sem as pessoas que perdeu. O Homem-Aranha está mais forte. Peter Parker, nem tanto.

Mesmo sabendo que não pode simplesmente voltar ao passado, o público torce para que Peter encontre novamente seu caminho até MJ e consiga recuperar a amizade com Ned. Afinal, o Homem-Aranha pode viver sozinho por algum tempo, mas Peter Parker não precisa — e talvez nem consiga — continuar assim.


Como toda boa franquia que ainda movimenta multidões, o filme deixa portas abertas para novas aventuras. Até o momento, o longa arrecadou mundialmente mais de US$ 2,4 bilhões, tornando-se a terceira maior bilheteria da história do cinema. 

A cena pós-créditos reforça a promessa de que o Homem-Aranha voltará, enquanto a presença de personagens como a Viúva Negra, Hulk, Justiceiro e Jean Grey amplia ainda mais as possibilidades para o futuro do Universo Marvel.  

O longa também prepara terreno para acontecimentos maiores, como “Vingadores: Doomsday”, com estreia em dezembro de 2026, e “Vingadores: Guerras Secretas”, previsto para dezembro de 2027. Jean Grey ainda terá participação no novo filme dos X-Men, que deverá estrear em 2028.



No fim, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” entrega aquilo que os fãs esperam — ação, humor, referências aos quadrinhos e grandes encontros —, mas ganha força justamente quando deixa as explosões de lado para mostrar a solidão de Peter. 

Porque, antes de ser um dos maiores heróis da Marvel, ele continua sendo um garoto que queria fazer a coisa certa.

Talvez esse seja o verdadeiro “novo dia” do título: não o nascimento de um novo Homem-Aranha, mas o começo de uma nova fase para Peter Parker, que finalmente precisa aprender que salvar o mundo não significa necessariamente abrir mão de ter uma vida. 

Para quem ainda não assistiu, este é um dos melhores filmes da franquia atual.


Ficha técnica:
Direção: Destin Daniel Cretton
Roteiro: Chris McKenna e Erik Sommers
Produção: Columbia Pictures, Sony Pictures Marvel Studios
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h30
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura

23 julho 2026

Cine Humberto Mauro realiza mostra com a filmografia completa de Akira Kurosawa até 16 de agosto

Retrospectiva exibe 30 longas e conta com sessões comentadas por especialistas (Crédito: Akira Kurosawa)
 
 

Da Redação

 
O Cine Humberto Mauro realiza mostra dedicada a exibir a filmografia completa de Akira Kurosawa (1910-1998), considerado um dos principais cineastas do Japão. 

A programação inclui sessões comentadas por especialistas e 30 filmes emblemáticos do realizador, como “Rashomon”, (1950), “Os Sete Samurais” (1954), “Trono Manchado de Sangue” (1957), “Dersu Uzala” (1975) e “Ran” (1985), formando um panorama da carreira de Kurosawa ao longo de seis décadas e de séculos da história japonesa. 

A mostra segue até o dia 16 de agosto, com entrada gratuita, sendo a retirada de ingressos antecipados na plataforma Sympla; e  a partir de 1 hora antes de cada exibição, na bilheteria principal do Palácio das Artes.

(Dersu Uzala)

A mostra começou no dia 16 de julho com uma exibição do filme “A Fortaleza Escondida” (1958), épico de aventura, ação, drama e humor que se Inspira nos faroestes do diretor hollywoodiano John Ford. Logo depois,  houve a abertura oficial com uma apresentação de Taiko com o Grupo Raiki Daiko, nos jardins internos do Palácio das Artes. 

A noite se encerrou com a sessão de “Yojimbo, o Guarda-Costas” (1961), seguida por comentário do professor e pesquisador José Ricardo Miranda Júnior – haverá tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais. 

"Yojimbo, o Guarda-Costas"

A mostra segue com mais sessões comentadas, oferecendo ao público a oportunidade de aprofundar o diálogo com os filmes ao explorar aspectos históricos, estéticos e temáticos que ajudam a iluminar a riqueza da obra de Kurosawa. 

Nesta segunda semana da mostra, no dia 24 de julho (sexta-feira), às 18h30, “O Idiota” (1951) será comentado pelo crítico e pesquisador João Paulo Campos. 

Dia 28 (terça-feira), às 19h, a curadora Layla Braz conversa com o público sobre “Não Lamento Minha Juventude” (1946). Fechando as sessões comentadas, o cineasta Affonso Uchoa participa da exibição de “Dodeskaden - O Caminho da Vida” (1970), às 16h do dia 1º de agosto (sábado).

“Dodeskaden - O Caminho da Vida”

Cineasta inspirador

Com curadoria de Vitor Miranda, programador do Cine Humberto Mauro, a mostra propõe uma aproximação com a obra de Akira Kurosawa a partir de suas múltiplas dimensões: sua relação com a cultura japonesa, sua inventividade formal e sua capacidade de transformar questões humanas específicas de seu país de origem – moral, honra, poder, memória, justiça, violência e responsabilidade coletiva – em experiências cinematográficas de alcance universal. 

Considerado um dos diretores mais influentes da história do cinema, Akira Kurosawa nasceu em Tóquio e viveu uma trajetória que acompanhou o surgimento e a consagração do cinema como forma de arte. 

"O Idiota"

Durante sua infância, o pai levava a família ao cinema para assistir a filmes internacionais, e seu irmão mais velho, Heigo, tornou-se um benshi — narrador que acompanhava ao vivo a exibição de filmes mudos —, com a companhia frequente de Akira. 

Após um período atuando como pintor, ativista e entusiasta da literatura no grupo clandestino Liga dos Artistas Proletários, Kurosawa respondeu, em 1936, a um anúncio de vagas para assistentes de direção no estúdio P.C.L. Film Studios. 

"Não Lamento Minha Juventude"

Lá, trabalhou como aprendiz por sete anos sob a tutela do cineasta Kajiro Yamamoto antes de dirigir seu primeiro longa-metragem, “A Saga do Judô” (1943), aos 33 anos. 

Inspirando-se no teatro, em suas obras favoritas da literatura japonesa e internacional e em cineastas como Sergei Eisenstein, D.W. Griffith e Abel Gance, Kurosawa fundiu essas influências na criação de uma linguagem cinematográfica autoral que seria desenvolvida até seu último filme, a comédia dramática “Madadayo” (1993), lançado quando o cineasta tinha 83 anos.

"Os Sete Samurais"

Arte marcial japonesa

Impulsionado pelo interesse no kendo – arte marcial tradicional japonesa de combate com a espada – durante a infância e pelas conexões familiares de seu pai com samurais reais, Kurosawa destacou-se no gênero jidai-geki com alguns dos épicos de samurai mais reverenciados de todos os tempos — histórias ambientadas no Japão feudal e diversos outros períodos. 

Ele aplicou o mesmo virtuosismo visual e a narrativa de grande proporção aos seus dramas contemporâneos – gênero gendai-geki –, incluindo “O Anjo Embriagado” (1948) e “Viver” (1952).

"Trono Manchado de Sangue"

Fonte de inspiração para diversos cineastas ocidentais, como Sidney Lumet, Sam Peckinpah, Sergio Leone, Spike Lee e George Lucas – que bebeu de “A Fortaleza Escondida” para criar “Star Wars” (1977) –, Kurosawa está presente também em uma das animações mais queridas de todos os tempos – “Vida de Inseto”, dirigida por John Lasseter e produzida pela Pixar, que tomou emprestada a trama de “Os Sete Samurais”.

A primeira fase significativa da carreira do diretor ocorreu no pós-Segunda Guerra Mundial com “O Anjo Embriagado” e “Cão Danado”, filmes noir que inauguraram sua longa colaboração com o ator Toshiro Mifune – parceiros em 16 filmes no total. 

"A Fortaleza Escondida"

No início da década de 1950, Kurosawa alcançou fama mundial com “Rashomon”, um marco na narrativa não-linear que despertou o interesse internacional pelo cinema japonês. 

Nos anos seguintes, ele manteve um diálogo frutífero com o Ocidente, inspirando-se em autores canônicos como Shakespeare e Dostoiévski, mas também em escritores contemporâneos como Dashiell Hammett. 

Na década de 1960, Kurosawa mudou o foco para obras mais sombrias e pessimistas, situadas no ambiente urbano, como “Céu e Inferno” (1963) e “O Barba Ruiva” (1965), que encerraram sua colaboração com Mifune. 

Nos anos 1970, ele enfrenta uma crise, com a fraca bilheteria de “Dodeskaden - O Caminho da Vida”. Porém, é premiado com o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira por “Dersu Uzala” (que Kurosawa já havia ganho por “Rashomon”), feito em parceria com a produtora soviética Mosfilm. 

“Rashomon”

Na década de 80, com o apoio dos cineastas estadunidenses George Lucas e Francis Ford Coppola, o diretor segue com obras internacionalmente reconhecidas, centrados na queda de figuras heroicas e poderosas, como “Kagemusha, a Sombra de um Samurai” (1980), ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes, e Ran – indicado aos Oscars de Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte, e vencedor do Oscar de Melhor Figurino.  

Nos anos 90, o cineasta encerra a carreira com “Sonhos” (1990), “Rapsódia em Agosto” (1991) e “Madadayo” — obras contemplativas que fazem um uso tido como visionário das cores. 

"Sonhos"

A programação inclui ainda a exibição do documentário “Uma Mensagem de Kurosawa” (2000), de Hisao Kurosawa, filho do cineasta. A obra revisita a trajetória do realizador por meio de imagens de arquivo, depoimentos e reflexões sobre seu processo criativo.

Com uma filmografia marcada por sequências de ação cuidadosamente coreografadas e uso dramático do clima, Kurosawa foi influenciado e inspirou, em um processo recíproco, o cinema ocidental. 

Mas ele é também lembrado por colocar tais elementos a serviço de uma constante investigação da condição humana, o que o torna parte de uma linhagem de cineastas humanistas que encontraram no cinema uma maneira de observar o mundo e compreender as complexidades da experiência humana.

"Ran"

SERVIÇO:
Data: até 16 de agosto
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificações indicativas: variáveis
Programação completa no site: www.cinehumbertomauromais.com/programacao
Entrada: gratuita; 50% dos ingressos estarão disponíveis, de forma on-line, a partir do meio-dia da data das sessões, na plataforma Sympla; o restante será distribuído presencialmente na bilheteria principal do Palácio das Artes e nos totens, a partir de 1 hora antes de cada exibição.
Sessão da Meia-Noite: acontece mensalmente, em exibição única, na madrugada de sexta-feira para sábado. Para essa sessão, metade dos ingressos estará disponível de forma on-line a partir das 18h do dia da sessão, pela plataforma Sympla. O restante ficará disponível no Totem de Autoatendimento localizado no hall do Cine Humberto Mauro - uma hora antes da sessão.