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30 julho 2026

Maratona "Toy Story 2" — O que importa é ser um brinquedo amado por uma criança

Continuação apresentou melhorias significativas na qualidade da animação, especialmente nas texturas, expressões faciais e movimentação dos personagens  (Fotos: Pixar) 
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Sequência direta do primeiro filme, "Toy Story 2" chegou aos cinemas em 1999 com a difícil missão de manter a essência do original, explorando o que significa ser um brinquedo por meio da amizade entre Buzz Lightyear e Woody (novamente dublados por Tim Allen e Tom Hanks), ao mesmo tempo em que expande esse universo com uma nova história. 

Com um orçamento de US$ 90 milhões e uma bilheteria mundial de US$ 511,3 milhões, tornou-se a terceira maior arrecadação daquele ano e mais um grande sucesso comercial da Pixar.

A história gira em torno da descoberta de Woody sobre seu passado como estrela de um antigo programa de TV. Ao conhecer Jessie (voz de Joan Cusack), o cavalo Bala no Alvo (efeitos vocais de Frank Welker) e Pete Fedido (Kelsey Grammer), ele passa a questionar se deve permanecer ao lado de Andy e dos velhos amigos ou viver para sempre em um museu. 

Enquanto isso, Buzz e seus amigos embarcam em uma missão para resgatá-lo, invertendo a dinâmica do filme original. Lançada quatro anos após "Toy Story", a continuação apresentou melhorias significativas na qualidade da animação, especialmente nas texturas, iluminação, expressões faciais e movimentação dos personagens. 


Os cenários ficaram mais detalhados e a equipe conseguiu criar sequências mais complexas e dinâmicas, como a perseguição na loja Al's Toy Barn e a emocionante cena no aeroporto. O filme também demonstrou a evolução do RenderMan, software de renderização da Pixar que permitiu imagens mais sofisticadas e maior liberdade criativa para os animadores.

A qualidade técnica e narrativa da produção foi reconhecida com diversas premiações. "Toy Story 2" venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia em 2000 e conquistou vários Annie Awards, considerados os principais prêmios da indústria da animação. Vale lembrar que, naquela época, a categoria de Melhor Filme de Animação ainda não existia, sendo criada apenas alguns anos depois.

O grande mérito da continuação está na introdução de personagens carismáticos como Jessie, Bala no Alvo e Pete Fedido, ao mesmo tempo em que aprofunda a trajetória de Woody. 


O filme questiona o verdadeiro propósito de um brinquedo: ser preservado para sempre como peça de museu ou viver sua existência sendo amado por uma criança. Essa reflexão dá a narrativa uma maturidade emocional que vai muito além da aventura.

Outra novidade está na forma como o longa brinca com referências da cultura pop. A mais famosa delas envolve Buzz Lightyear e Zurg (Andrew Stanton). Durante o resgate de Woody, Buzz encontra seu maior inimigo e os dois recriam uma das cenas mais icônicas da história do cinema. 

Em uma clara homenagem a "Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca", Zurg revela a Buzz: "Eu sou seu pai". A piada funciona porque Buzz foi inspirado nos heróis das aventuras espaciais que marcaram as décadas de 1970 e 1980.


O filme também ri de si mesmo quando Buzz encontra uma fileira de outros Buzz Lightyear na loja de brinquedos. A cena satiriza a crise de identidade do primeiro filme ao mostrar que ele acreditava ser único quando, na verdade, era apenas mais um brinquedo produzido em massa. 

A brincadeira ganha força com a entrada de um astronauta semelhante na missão de resgate, criando situações divertidas e reforçando a confusão de identidades.

Um dos temas mais fortes de "Toy Story 2" é a busca por pertencimento e identidade. Diferentemente do primeiro filme, que explorava principalmente a amizade entre Woody e Buzz, a continuação questiona quem os brinquedos são e qual é seu verdadeiro propósito.

Agora amigos, eles não estão mais em conflito. A relação entre os dois amadureceu e serve como base para a narrativa. Enquanto o astronauta lidera a missão para resgatar o caubói, este passa por uma jornada interna ao descobrir que faz parte do antigo programa de televisão, "Woody's Roundup". 


Pela primeira vez, ele percebe que é mais do que o brinquedo favorito de Andy: é uma peça rara, com uma história e um legado próprios. É nesse momento que entram os novos personagens. Jessie carrega as marcas de ter sido abandonada por sua antiga dona e acredita que criar laços com crianças inevitavelmente leva ao sofrimento. Bala no Alvo demonstra uma lealdade incondicional a Woody, reforçando a ideia de pertencimento através dos vínculos. 

Já Pete Fedido representa o extremo oposto: por nunca ter sido escolhido por uma criança, acredita que o melhor destino para um brinquedo é ficar protegido em um museu, onde jamais será esquecido ou descartado.

A partir dessas diferentes perspectivas, Woody é colocado diante de uma escolha difícil. De um lado, a possibilidade de viver para sempre em um museu, sendo admirado e preservado como uma peça histórica. Do outro, continuar ao lado de Andy, sabendo que um dia será deixado para trás quando seu dono crescer.


A trilha sonora ficou novamente a cargo de Randy Newman, que ampliou os temas musicais apresentados no primeiro filme e ajudou a dar uma identidade emocional ainda mais forte à continuação. 

O grande destaque é a canção "When She Loved Me", interpretada por Sarah McLachlan, que recebeu indicação ao Oscar de Melhor Canção Original. A música acompanha a história de Jessie e se tornou uma das cenas mais emocionantes da história da animação, abordando sentimentos como abandono, saudade e passagem do tempo. A trilha também conta com novas versões de "You've Got a Friend in Me" e músicas inspiradas no universo de Woody's Roundup.

O que deixa a desejar é que a trama repete parte da estrutura do primeiro filme, com Woody novamente separado dos demais brinquedos e Buzz assumindo a liderança de uma missão de resgate. 

Além disso, personagens já conhecidos, como Rex (Wallace Shawn), Slinky (Jim Varney), Porquinho (John Ratzenberger) e Betty (Annie Potts), recebem pouco desenvolvimento, ficando em segundo plano para dar espaço aos novos integrantes da história. 


No fim, a mensagem é simples e poderosa: Woody descobre que ser um cowboy famoso, raro ou valioso não importa tanto quanto aquilo que sempre deu sentido à sua existência: brincar, criar memórias e fazer parte da vida de uma criança. Nenhuma coleção, museu ou reconhecimento pode substituir o sentimento de ser amado por seu dono.

É justamente nessa escolha que "Toy Story 2" encontra sua força emocional e se consolida como uma das melhores continuações da história da animação. Saiba mais sobre os outros filmes da franquia que estão disponíveis no Disney Plus clicando nos links: "Toy Story" (1995), "Toy Story 3" (2010), "Toy Story 4" (2019) e o mais recente, ainda no cinema, "Toy Story 5".


Ficha técnica:
Direção: John Lasseter, Ash Brannon, Lee Unkrich
Produção: Pixar Animation Studio
Distribuição: Buena Vista Pictures Distribution
Exibição: Disney+
Duração: 1h32
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, comédia, infantil

29 julho 2026

Maratona - "Toy Story": o que importa é ser brinquedo e compartilhar

Obra apresentou ao mundo uma nova forma de contar histórias animadas, ajudando a redefinir os rumos
deste gênero no cinema (Fotos: Pixar)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Quem diria que uma história protagonizada por brinquedos poderia se transformar em um fenômeno de público e crítica? Lançado em 1995, "Toy Story - Um Mundo de Aventuras" não apenas conquistou espectadores de todas as idades, como também marcou definitivamente a história do cinema.

Levando cerca de quatro anos para ser produzido foi o primeiro longa-metragem da Pixar e também a primeira animação da história inteiramente realizada por computação gráfica (CGI).
 
Sob a direção de John Lasseter e com roteiro assinado por Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen, Pete Docter e Alec Sokolow, a obra apresentou ao mundo uma nova forma de contar histórias animadas, ajudando a redefinir os rumos deste gênero no cinema.


Por trás desse avanço artístico, havia também uma base científica fundamental. Nomes como Ed Catmull e Alvy Ray Smith, cofundadores da Pixar Animation Studios, foram essenciais nesse processo. 

Catmull, especialista em computação gráfica, ajudou a desenvolver e aprimorar sistemas de imagem digital e a estruturar o pipeline de produção 3D que tornou o filme possível. 

Já Alvy Ray Smith contribuiu com fundamentos matemáticos e visuais que permitiram a criação de imagens digitais consistentes em larga escala. Sem esse tipo de engenharia, "Toy Story" simplesmente não existiria.

O resultado foi um sucesso imediato. Com um orçamento considerado modesto para os padrões de Hollywood — cerca de US$ 30 milhões — o filme arrecadou impressionantes US$ 394,4 milhões nas bilheterias mundiais. O desempenho consolidou o estúdio como uma das maiores forças da animação e abriu caminho para uma nova era do cinema animado.


Na história, o cowboy Woody (voz de Tom Hanks) é o brinquedo favorito de Andy e o líder entre os brinquedos do quarto. Sua rotina muda completamente quando Buzz Lightyear (Tim Allen), um moderno patrulheiro espacial, chega como presente de aniversário. 

O que começa como rivalidade logo se transforma em uma grande aventura, cheia de perigos, descobertas e amizade, enquanto tentam encontrar o caminho de volta para casa. 

No meio da jornada, eles cruzam com Sid (Erik von Detten), o vizinho de Andy, um garoto que desmonta brinquedos e cria invenções estranhas com suas peças. Presos na casa do destruidor, Woody e Buzz precisam encontrar uma forma de escapar antes que seja tarde demais.


O grande mote do longa está justamente na relação entre Woody e Buzz. Acostumado a ser o brinquedo favorito de Andy, o cowboy vê a chegada do astronauta como uma ameaça e faz de tudo para afastá-lo, chegando a provocar a queda dele pela janela. 

A atitude de Woody provoca revolta nos outros brinquedos, que passam a condená-lo pelo ocorrido. A partir daí, os dois são forçados a conviver e a enfrentar seus conflitos.

Existe aqui um interessante contraste entre gerações. Woody representa os brinquedos tradicionais, ligados ao Velho Oeste e a uma ideia mais artesanal de diversão. Já Buzz simboliza a modernidade, a tecnologia e o fascínio infantil por aventuras espaciais.


Esse choque fica ainda mais evidente na forma como Buzz acredita ser, de fato, um patrulheiro espacial, incapaz de aceitar sua condição de brinquedo.

É nesse ponto que surge uma das subtramas mais fortes do filme. Enquanto Woody insiste repetidamente em afirmar para Buzz “você é um brinquedo”, o astronauta luta para sustentar sua fantasia de missão espacial. O momento em que tenta voar para escapar da casa de Sid é o ponto de virada emocional da narrativa. 

Ao som de “I Will Go Sailing No More”, ele finalmente confronta a realidade e compreende que não é um herói espacial e sim mais uma das diversões de Andy. É uma cena melancólica e surpreendentemente madura para uma animação infantil, tratando identidade, aceitação e propósito com rara sensibilidade.


A partir desse conflito, "Toy Story" revela seu tema mais profundo: pertencimento e identidade. Esses dois conceitos não aparecem de forma abstrata, mas como experiências vividas dentro da própria dinâmica do grupo dos brinquedos. 

O filme constrói isso de maneira simples e precisa: quem pertence ao grupo nem sempre se sente pertencente, e quem é aceito pelo grupo nem sempre se reconhece dentro dele.

Woody é o principal exemplo dessa tensão. No início, ocupa uma posição de estabilidade como líder e brinquedo favorito de Andy. Existem harmonia e reconhecimento naquele universo. Porém, a chegada de Buzz desestabiliza essa estrutura. 

Depois do conflito com a queda do astronauta, Woody passa a ser visto com desconfiança pelos outros brinquedos. Ele continua fisicamente dentro do grupo, mas perde o reconhecimento emocional. Está presente, mas já não pertence plenamente. Esse deslocamento mostra que pertencimento não é automático: ele depende de confiança, validação e reconhecimento coletivo.


Buzz, por outro lado, vive o movimento inverso. Ele chega como um estranho, mas é rapidamente aceito pelos outros brinquedos. Sua aceitação, porém, não se baseia em quem ele realmente é, mas na imagem que representa: um brinquedo avançado e admirável. Ou seja, ele pertence ao grupo sem compreender esse pertencimento.

O astronauta vive uma crise de identidade, não se vê como brinquedo, mas como um patrulheiro espacial em missão. Isso cria uma ironia central: ele é aceito por todos, mas não se reconhece e vai precisar se desconstruir até que aceite sua realidade.

No fundo, "Toy Story" fala de algo profundamente humano: não basta fazer parte de um grupo para se sentir pertencente, e não basta ser reconhecido pelos outros para compreender a si mesmo. 


É nesse encontro entre perda de lugar e descoberta de si que o filme encontra sua força emocional mais profunda — e é aí que deixa de ser apenas um marco tecnológico para se tornar uma história sobre o que significa existir dentro de um mundo que também precisa te reconhecer.

Mas a conclusão dessa jornada vai além da identidade individual. O que "Toy Story" realmente revela é que o pertencimento só se completa quando existe aceitação — de si e do outro. É nesse ponto que Woody e Buzz deixam de ser apenas opostos e passam a ser parceiros.

Se no início representam choque de gerações, egos e visões de mundo, ao longo da narrativa constroem algo mais forte do que suas diferenças: uma amizade baseada na transformação mútua. 

Woody aprende a dividir espaço, perder o controle e reconhecer o valor do outro. Buzz, por sua vez, aprende a se aceitar sem abrir mão da coragem e do sentido de propósito que o define.


Não se trata apenas de estar no mesmo lugar, mas de construir um lugar em conjunto. A canção “Amigo Estou Aqui” sintetiza essa virada emocional de forma definitiva. 

Mais do que um tema musical, ela traduz apoio, presença e permanência mesmo diante das diferenças. Woody e Buzz descobrem que a força não está em competir por atenção, mas em caminhar lado a lado.

No fim, "Toy Story" não fala apenas sobre brinquedos de uma criança. Fala sobre vínculos que se formam quando dois mundos diferentes aprendem a coexistir, se transformar e se reconhecer. E é aí que tudo se fecha com simplicidade e força: amizade é quando o outro deixa de ser ameaça — e passa a ser parte de quem você é. 

Saiba mais sobre os outros filmes da franquia que estão disponíveis no Disney Plus clicando nos links: "Toy Story 2" (1999), "Toy Story 3" (2010), "Toy Story 4" (2019) e o mais recente, ainda no cinema, "Toy Story 5".


Ficha técnica:
Direção: John Lasseter
Produção: Pixar Animation Studio
Distribuição: Buena Vista Pictures Distribution
Exibição: Disney+
Duração: 1h17
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, comédia, infantil

16 julho 2026

"A Odisseia": Christopher Nolan transforma um clássico em um espetáculo monumental

Diretor supera os próprios limites em seu filme mais grandioso, gravado em seis países, totalmente em
IMAX (Fotos: Universal Pictures)
 
 

Maristela Bretas

 
Christopher Nolan reúne novamente um elenco estelar para entregar uma obra épica em todos os sentidos: duração, elenco, efeitos visuais e, ainda, o fato de ser o primeiro longa-metragem totalmente filmado em IMAX 15/65 mm.

Falo de “A Odisseia” (“The Odyssey”), em cartaz nos cinemas a partir desta quinta-feira. O diretor e roteirista de sucessos como "Oppenheimer" (2023), "Dunkirk" (2017), "Interestelar" (2014) e "Batman – O Cavaleiro das Trevas" (2008) mostra, mais uma vez, que consegue se superar a cada nova produção.

“A Odisseia” é um espetáculo visual e sonoro que prende o público do início ao fim, mesmo com quase três horas de duração. O IMAX é utilizado com maestria por Nolan, que prometeu recorrer minimamente à Inteligência Artificial — algo que, ao que tudo indica, foi cumprido. 


O filme, escrito e dirigido por Nolan, é baseado no poema épico da Antiguidade atribuído ao poeta grego Homero. O diretor segue de perto a narrativa original, alternando a trajetória de Odisseu e suas aventuras com a vida de Penélope e Telêmaco, que permanecem em Ítaca à espera de seu retorno.

Além da imponência visual, Nolan demonstra grande cuidado na construção de uma narrativa envolvente. Mesmo quem não conhece esse clássico da literatura consegue acompanhar o enredo sem dificuldade, já que as experiências dos personagens vão se encaixando como peças de um quebra-cabeça até a conclusão da história.


Matt Damon, em ótima atuação, interpreta o rei grego Odisseu (ou Ulisses, nome dado pelos romanos), comandante do grupo de soldados que utiliza o gigantesco cavalo de madeira para entrar em Troia e destruir a cidade e seu exército.

A trama começa após essa vitória e acompanha a longa jornada de Odisseu e seus homens para retornar à ilha de Ítaca e reencontrar suas famílias depois de 20 anos afastados — dez deles lutando na Guerra de Troia e o restante tentando voltar para casa.

É uma jornada marcada por novas batalhas contra criaturas da mitologia grega, como o ciclope Polifemo, filho de Poseidon; a feiticeira Circe (Samantha Morton, grande destaque do filme), que transforma humanos em animais; as sereias; e a misteriosa Calipso (Charlize Theron, que poderia ter sido melhor aproveitada).


Odisseu está disposto a enfrentar tudo isso para reencontrar a esposa Penélope (Anne Hathaway) e o filho Telêmaco (Tom Holland), que nunca conheceu. Também precisa recuperar seu trono, cobiçado por dezenas de pretendentes vindos de toda a Grécia, entre eles Antínoo (Robert Pattinson), decidido a se casar com a rainha e ocupar o poder.

O elenco de peso conta ainda com Zendaya (Athena), Elliot Page (Sinon), Jon Bernthal (Menelau), Lupita Nyong’o (Helena de Troia), Bill Irwin (voz do ciclope Polifemo), Mia Goth (Melanto), Himesh Patel (Euríloco), Ben Safdie (Agamenon) e John Leguizamo (o servo cego Eumeu), entre outros.


Não espere, porém, um filme sentimental. Pelo contrário: Nolan expõe a frieza humana tanto nas batalhas campais quanto nas ações dos personagens, levando até mesmo o herói a questionar seus princípios e o sentido da guerra diante de tanta crueldade.

Se a narrativa impressiona, o trabalho técnico eleva ainda mais o filme. A fotografia de Hoyte van Hoytema aproveita ao máximo o formato IMAX para criar imagens de impacto, explorando a beleza das locações e a imponência das batalhas. 

A trilha sonora de Ludwig Göransson confere emoção e intensidade na medida certa, enquanto a montagem mantém o ritmo fluido mesmo em uma produção de quase três horas. 


O desenho de som, aliado aos efeitos visuais discretos e ao uso predominante de recursos práticos, faz com que o espectador se sinta dentro da jornada de Odisseu, transformando a sessão em uma experiência cinematográfica envolvente.

Com orçamento estimado em US$ 250 milhões e filmagens realizadas em seis países — Marrocos (que representa Troia), Grécia, Islândia (o submundo de Hades), Escócia, Itália (palco da ilha de Ítaca) e Estados Unidos —, “A Odisseia” é uma obra cinematográfica monumental e ambiciosa, à altura do próprio Christopher Nolan, e merece ser vista em IMAX.

Uma coisa é certa: o longa entra desde já como fortíssimo candidato a várias estatuetas do Oscar 2027.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Christopher Nolan
Produção: Universal Pictures, Syncopy
Distribuição: Universal Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h52
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, fantasia

06 julho 2026

"Mestres do Universo" - "Pelos poderes de Grayskull... Eu tenho a força!"

He-Man devolve a infância aos fãs, mas também prova que nostalgia sozinha não sustenta um reino,
ainda mais Eternia (Fotos: Sony Pictures)
 
 

Robhson Abreu
Parceiro do Jornal de Belô e Revista PQN

 
Muito antes de os super-heróis dominarem as plataformas de streaming e as bilheterias do cinema, um guerreiro de cabelos loiros, espada em punho e força sobre-humana já mobilizava milhões de crianças brasileiras diante da televisão. 

Exibido diariamente no "Xou da Xuxa", na segunda metade da década de 1980, He-Man e os Mestres do Universo transformou-se em um dos maiores fenômenos de audiência da programação infantil brasileira. 

O sucesso foi tão avassalador que ultrapassou as telas, impulsionou a venda de brinquedos, álbuns de figurinhas e inspirou uma canção gravada pelo grupo infantil Trem da Alegria que, até hoje, permanece viva na memória afetiva de quem cresceu naquela época.

He-Man, o guardião musculoso e bronzeado de Eternia, já ocupava um lugar privilegiado no imaginário de uma geração que transformou o príncipe Adam, o Castelo de Grayskull, Mentor, Teela, a Feiticeira e o temido Esqueleto e sua gangue em personagens inesquecíveis. 

He-Man, série animada de TV (Reprodução)

Quase quatro décadas depois, essa mesma geração, hoje formada por homens e mulheres acima dos 50 anos, volta a encontrar seus heróis nas telonas com o aguardado live-action de "Mestres do Universo" ("Masters of the Universe"), em cartaz nos cinemas da rede Cineart.

Reviver um clássico da cultura pop nunca é tarefa simples. A memória afetiva costuma ser implacável com qualquer adaptação. O diretor Travis Knight ("Bumblebee", 2018) demonstra desde a primeira sequência que conhece o peso dessa responsabilidade. 

Em vez de apostar apenas no apelo nostálgico, constrói uma aventura que respeita o legado da animação e, ao mesmo tempo, entrega um espetáculo visual compatível com as grandes produções contemporâneas. 

Eternia finalmente ganha a grandiosidade que os fãs imaginaram durante décadas, com cenários monumentais, figurinos ricos em detalhes e efeitos especiais que valorizam o universo criado pela Mattel.


O roteiro, assinado por Chris Butler ("Link Perdido", 2019), em parceria com David Callaham ("Homem-Aranha no Aranhaverso", 2018), além dos irmãos Aaron e Adam Nee ("A Cidade Perdida", 2022), preserva a essência dos personagens enquanto atualiza a narrativa para um público mais amplo. 

Algumas passagens poderiam ser mais desenvolvidas e certos conflitos se resolvem com rapidez excessiva, mas a história encontra um bom equilíbrio entre ação, emoção e fidelidade ao material original.

Boas atuações

Nicholas Galitzine ("Uma Ideia de Você", 2024), dublado em português por Garcia Júnior (voz original do herói na TV) entrega um Príncipe Adam convincente e um He-Man fisicamente imponente, transmitindo a evolução do jovem herdeiro até assumir plenamente o papel de defensor de Eternia. 


Mas quem domina boa parte da narrativa é Jared Leto ("Casa Gucci", 2021). Seu Esqueleto está ótimo, reunindo sarcasmo, inteligência e uma presença ameaçadora que transforma cada aparição em um dos grandes momentos do filme. 

O vilão acaba roubando a cena em diversos momentos, confirmando que grandes aventuras também dependem de antagonistas memoráveis.

O elenco de apoio também merece destaque. Idris Elba ("O Esquadrão Suicida", 2021) imprime autoridade, experiência e carisma ao Mentor de Armas, tornando Duncan um dos personagens mais sólidos da produção. 

Sua interpretação transmite a confiança de quem conhece cada batalha travada em Eternia e entende o peso de preparar o verdadeiro campeão de Grayskull, o tímido príncipe Adam.


Outro nome que chama a atenção do público brasileiro é Camila Mendes ("Música", 2024). Filha de pais brasileiros, a atriz assume o papel de Teela com personalidade, coragem e protagonismo. Sua personagem está longe de ocupar uma posição secundária. 

Ela participa das principais sequências de ação, demonstra independência e estabelece uma relação convincente com Adam, tornando-se uma das figuras mais importantes da narrativa.

Morena Baccarin ("Deadpool & Wolverine", 2024) empresta elegância e serenidade à Feiticeira de Grayskull, enquanto Alison Brie ("Bela Vingança", 2020) constrói uma Maligna fria, calculista, lora e ambiciosa, ampliando o clima de tensão que envolve a disputa pelo destino de Eternia.


Em busca da espada do poder

O rei Randor, interpretado por James Purefoy (série "Pennyworth", 2019–2022), e a rainha Marlena, vivida pela atriz Charlotte Riley (minissérie "Peaky Blinders", 2014), enviam Adam aos 10 anos para a Terra, a fim de protegê-lo da invasão liderada por Esqueleto. 

Em um portal mágico aberto pela Feiticeira, o jovem príncipe viaja em uma dimensão e acaba caindo em Oklahoma City, nos Estados Unidos. Durante a travessia, a Espada do Poder se separa dele, e esse é o acontecimento que desencadeia toda a história. 

Quinze anos depois e já com 25 anos de idade, Adam usa o nome Glenn. Ele trabalha no setor de recursos humanos de uma empresa e divide um apartamento com o desconfiado Hussein interpretado por Christian Vunipola ("Nascida Para Cantar", 2024). 

Diariamente ele procura na internet o rumo da Espada do Poder para voltar a Eternia, até encontrá-la e se meter em confusões. 


Ao voltar para casa, Glenn/Adam é perseguido pelo Homem-Fera, interpretado pelo ator Gary Martin ("Minions", 2015). Fiel escudeiro de Esqueleto, ele persegue o príncipe pelas ruas da cidade é uma das principais sequências de ação da primeira parte do filme. E é justamente nesse momento que a bela Teela reaparece para salvar Adam e ajudá-lo a retornar a Eternia.

Esse é um dos principais diferenciais do filme em relação ao desenho do Xou da Xuxa. Na animação, Adam sempre viveu em Eternia e já era o príncipe do reino. No live-action, os roteiristas optaram por construir uma história de origem, mostrando o herói crescendo longe de seu planeta natal antes de assumir definitivamente a força de He-Man. 

Os fãs mais antigos certamente perceberão a ausência de alguns personagens fundamentais na animação original. O tigre Pacato aparece pouco durante o filme até sua aguardada transformação em Gato Guerreiro. 

Embora a escolha prepare o terreno para os próximos capítulos da franquia, fica a sensação de que um dos personagens mais carismáticos de Mestres do Universo merecia maior participação. 


Outro que aparece somente no final do longa é o atrapalhado Gorpo. O pequeno mago, inseparável companheiro de He-Man em praticamente toda a série animada dos anos 1980, sequer integra a aventura principal. 

Para quem acompanhou o desenho desde a infância, sua ausência provoca estranhamento e deixa evidente que a produção preferiu guardar personagens importantes como estratégia para uma futura continuação. Com certeza ele daria maior leveza à história com suas confusões.

Boa trilha sonora

Outro acerto importante em Mestres do Universo está na trilha sonora composta por Daniel Pemberton ("Enola Holmes", 2020, e "Ferrari", 2023). Em vez de viver apenas das lembranças da série animada, o compositor cria uma identidade própria para o filme, alternando momentos épicos e passagens mais emocionais que ampliam a força dramática da história. 

O principal destaque é "Eternia", composta por Pemberton em parceria com o guitarrista Brian May. A faixa abre o filme e ganha uma versão estendida nos créditos finais. O solo de guitarra de May dá à música uma identidade que remete ao rock épico dos anos 1980, uma escolha inspirada na trilha de Flash Gordon (1980), também marcada pela participação do Queen.


Ainda assim, fica a sensação de uma oportunidade perdida. Para o público brasileiro, especialmente aquele que hoje integra a geração 50+, uma discreta homenagem à música composta por Michael Sulivan e Paulo Massadas e gravada pelo Trem da Alegria teria sido um presente inesquecível. A canção ajudou a popularizar He-Man no Brasil e permanece viva na memória afetiva de milhões de fãs. 

Bastaria uma breve referência instrumental, talvez durante os créditos finais, para estabelecer uma conexão emocional ainda mais forte com quem descobriu os heróis de Eternia nas manhãs da eterna rainha dos baixinhos. Nas redes sociais, a Amazon MGM Studios soltou um trailer com a música He-Man, o que levou muito marmanjo aos cinemas.

A produtora fez uma aposta ambiciosa ao investir em uma franquia que marcou profundamente a infância de milhões de pessoas. O resultado demonstra que ainda existe espaço para grandes clássicos quando recebem planejamento, respeito ao material original e qualidade técnica. 

O estúdio deixa claro que pretende transformar "Mestres do Universo" em uma nova franquia cinematográfica.


Vale a pena permanecer na sala até o encerramento completo dos créditos. A cena extra não está ali apenas para cumprir uma tradição de Hollywood. Ela abre caminho para uma continuação e apresenta um importante gancho envolvendo Adora, a irmã gêmea de Adam, a She-Ra, que luta pela honra de Grayskull. 

Isso ampliará o universo da franquia, além de deixar evidente que novas aventuras já fazem parte dos planos da Amazon MGM Studios, embora a confirmação oficial dependa muito do desempenho nas bilheterias e do streaming.

"Mestres do Universo" está longe de ser apenas um exercício de nostalgia. O filme emociona quem cresceu repetindo o juramento diante da Espada do Poder, mas também apresenta esse universo para uma nova geração que só conhece a música do Trem da Alegria. 

Talvez essa seja sua maior qualidade. Mostrar que alguns heróis envelhecem muito bem e que certas lembranças continuam tão poderosas quanto no primeiro dia em que entraram na nossa vida.


Ficha técnica:
Direção: Travis Knight
Produção: Amazon MGM Studios
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: salas da rede Cineart: Boulevard, Cidade e Del Rey
Duração: 2h13
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, fantasia

02 julho 2026

"Minions & Monstros" reinventa a bagunça e aposta no cinema para garantir muita diversão

Os amarelinhos mais amados do planeta voltam com novas aventuras e inimigos bem coloridos e tão
loucos quanto eles (Fotos: Illumination Entertainment)
 
 

Maristela Bretas

 
Quando você pensa que a receita já não cabe mais nenhuma atualização, os Minions se reinventam, voltam ao passado e entregam uma animação ainda mais divertida, com ótimas referências ao mundo do cinema e contando um pouco da saga dos amarelinhos mais loucos de Hollywood.

Este é "Minions & Monstros", em cartaz nos cinemas para alegria da criançada e dos adultos também. Mas não espere ver Bob, Stuart, Kevin e Otto. Estes nossos amiguinhos são da primeira animação da turma - "Minions" (2015) -, que depois se tornaram leais servidores de Gru em "Meu Malvado Favorito 3” (2022).


A onda agora que está dominando o planeta e deixando os fãs loucos, com baldes de pipoca e copos nas salas de exibição, tênis, sanduíches, acessórios e até locadoras de veículos explorando o grande filão do momento, são outros quatro atrapalhados amigos amarelinhos - James, Harry, Ed e Dick (líder do grupo e mais rabugento).

James é o protagonista da vez e descobre no mundo do cinema sua vocação. Vive desenhando e criando histórias, sonha ser diretor de um filme e ganhar o prêmio máximo da academia.

E é em Hollywood que nossos amigos acabam caindo, sempre em busca do líder malvado perfeito. James, Ed e Harry são inseparáveis e essa amizade vai levá-los ao glamour e à riqueza, transformando-os em grandes astros.


Mas os Minions também vão conhecer seus mais perigosos inimigos, que podem parecer fofinhos, só que não. Os coloridos Goomi e sua turma, especialmente a gosmenta Irene, são os vilões - mal dá para acreditar. 

Nossos heróis de camisa amarela e macacão azul vão ter de se unir e contar com toda ajuda possível para vencerem estes estranhos seres que querem destruir o mundo.

A magia do cinema

Um dos maiores destaques de "Minions & Monstros" está na forma como o diretor, novamente Pierre Coffin, soube trazer para uma animação os anos 1920, durante a Era de Ouro de Hollywood, como pano de fundo. 


Como diria Martin Scorsese, o filme é "Absolute Cinema", cheio de referências, relembrando grandes sucessos como "ET - O Extraterrestre", "Toy Story", "Minions", "Jurassic Park". O diretor fez paródia com o diretor George Lucas e até mesmo com clássicos como "Casablanca" e "Tempos Modernos".

Participações que fizeram toda a diferença e ainda contaram com a ótima trilha sonora de John Powell  também com influências de diferentes gêneros e períodos, variando entre "Star Wars" e compositores eruditos como Tchaikovsky.



A voz inconfundível dos Minions é novamente do diretor e cocriador dos personagens Pierre Coffin, tendo como dubladores originais nomes como Jeff Bridges, Jesse Eisenberg e Christoph Waltz.

Mas é na versão dublada que estão nossos talentos brasileiros: Guilherme Briggs (Goomi), Márcio Simões (o diretor de cinema Max), Carla Pompilio (Olivia), Manolo Rey (Howard), Wendel Bezerra (Phillips), Alexandre Moreno (Dort), entre outros.   

Muita ação, diversão e cores fazem de "Minions & Monstros" uma das melhores opções de entretenimento para crianças e adultos nestas férias. Imperdível. Assista e conte aqui o que achou desta nova aventura. 

OBS. - Tem cenas estendidas e divertidas até o final dos créditos


Ficha técnica:
Direção: Pierre Coffin
Produção: Illumination Entertainment
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h27
Classificação: 10 anos
País: EUA
Gêneros: aventura, animação, comédia

25 junho 2026

"Supergirl": nem Milly Alcock nem o adorável Krypto conseguem salvar uma heroína sem roteiro

Super-heroína inspiradora que marcou os quadrinhos estreia nova versão nas telonas (Fotos: DC Studios)
 
 

Maristela Bretas

 
Depois do bom recomeço promovido por "Superman", a DC Studios dá um passo atrás com "Supergirl", que estreia hoje nos cinemas. Desta vez, quem acaba prejudicada é justamente a prima do Homem de Aço. 

A talentosa Milly Alcock, destaque da série "A Casa do Dragão", entrega uma atuação convincente, mas esbarra em uma personagem difícil de conquistar o público.

O maior problema não está na atriz, e sim na construção de Kara. Em vez da heroína inspiradora que marcou os quadrinhos e outras adaptações para a TV e o cinema, surge uma jovem amarga, impulsiva e movida quase exclusivamente pela vingança. 

Em diversos momentos, suas atitudes se aproximam mais das de uma vilã do que das de uma super-heroína. Confesso que, para mim, Melissa Benoist continua sendo a melhor intérprete da personagem.


Quem realmente rouba a cena é Krypto. O fiel e atrapalhado cão de Kara é, de longe, o elemento mais divertido do filme. Sempre que aparece, quebra o clima pesado da narrativa e conquista facilmente a simpatia do público. 

Se existe um verdadeiro protagonista carismático nesta produção, ele tem quatro patas. e tem sua origem revelada no filme.

A trama ganha algum fôlego com a chegada de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem que também busca vingança. A relação entre as duas movimenta a história, embora o roteiro não aprofunde suficientemente suas motivações.


Entre os personagens masculinos, Superman (David Corenswet) faz uma participação importante ao conectar os acontecimentos deste filme aos de "Superman" (2025), dirigido por James Gunn, onde Supergirl apareceu pela primeira vez neste novo universo.

Do lado dos vilões, Matthias Schoenaerts ("Operação Red Sparrow" - 2018) interpreta Krem com competência, ainda que sem grandes surpresas e com características pouco marcantes. Já Jason Momoa retorna ao universo da DC em um papel diferente. 


Depois de viver o herói em "Aquaman" (2018), agora assume o personagem Lobo, um caçador de recompensas intergaláctico de visual extravagante e garras afiadas. A mudança soa forçada, e Momoa praticamente repete o mesmo estilo irreverente e desleixado que costuma apresentar em outros personagens.

O roteiro também decepciona. A história aposta em longas sequências de ação, excesso de computação gráfica e efeitos digitais para sustentar uma narrativa que oferece poucas novidades. As cenas de pancadaria ocupam boa parte do tempo, mas pouco acrescentam ao desenvolvimento dos personagens, tornando o filme repetitivo e previsível.


Curiosamente, enquanto "Superman" optou por suavizar a violência, "Supergirl" segue o caminho oposto. Kara demonstra uma crueldade que chega a incomodar, especialmente para quem conhece a personagem dos quadrinhos. 

Como uma das minhas heroínas preferidas da DC, esperava encontrar uma protagonista mais humana, inspiradora e empática, não alguém capaz de matar.

A trilha sonora, por outro lado, merece destaque. "Garota de Ipanema" volta a marcar presença, acompanhada de outras boas escolhas musicais que ajudam a criar alguns dos melhores momentos da produção.


No fim das contas, "Supergirl" certamente vai dividir opiniões. Milly Alcock faz o que pode com o material que recebeu, enquanto Krypto conquista o público sem esforço. Mas isso não basta para esconder um roteiro frágil e uma protagonista que perdeu justamente a principal qualidade que sempre a diferenciou: o carisma. 

Se quiser consolidar seu novo universo cinematográfico, a DC precisará rever alguns conceitos antes dos próximos filmes de seus heróis.

Obs. O filme não tem cenas pós créditos.


Ficha técnica:
Direção: Craig Gillespie
Produção: DC Studios
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 1h50
Classificação: 14 anos
País: EUA
Gêneros: ação, aventura, ficção