Dirigido por Madeline Sharafian, Domee Shi e Adrian Molina, "Elio" é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação. O filme acompanha Elio Solís (voz de Yonas Kibreab), menino de 11 anos sonhador, apaixonado pelo espaço e por vida alienígena.
Por engano, ele envia um sinal para o desconhecido e é “captado” pela misteriosa organização intergaláctica Comuniverso, onde é confundido com o embaixador da Terra. Agora, Elio precisa se adaptar, fazer amigos extraterrestres e descobrir quem realmente é.
O longa acerta ao tratar o tema do pertencimento de forma lúdica e inspiradora. Elio não se sente completamente em casa no mundo humano e, ironicamente, precisa encontrar seu lugar no universo que sempre sonhou explorar.
A tia Olga (Zoe Saldana) se destaca como figura de afeto e proteção, mas também como exemplo de sacrifício e responsabilidade familiar.
Por outro lado, a animação apresenta lacunas: o luto é apenas citado e personagens secundários têm pouca profundidade, funcionando mais como suporte à jornada do garoto.
A resolução de conflitos acontece rápido demais, deixando pouco espaço para nuances emocionais.
Ainda assim, "Elio" é encantador, com momentos de pura imaginação e emoção, além de uma ótima trilha sonora que conta, inclusive, com canções da banda "Queen".
Talvez perca pontos frente a outras animações mais ousadas da temporada, como "Guerreiras do K-Pop" (Netflix), mas cumpre bem sua função: emocionar e divertir, enquanto fala de amizade, coragem e autodescoberta.
Ficha técnica:
Direção e roteiro: Adrian Molina, Domee Shi e Madeline Sharafian Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures Distribuição: Disney Pictures Exibição: Disney+ Duração: 1h39 Classificação: Livre País: EUA Gêneros: infantil, aventura, animação
Em nova animação da Pixar, humanos e animais dividem o protagonismo, cada um apresentando seu lado de uma história (Fotos: Disney Pictures)
Maristela Bretas
Emocionante e divertido, uma animação para a família toda. A
Pixar Animation entrega, com “Cara de Um, Focinho de Outro” (“Hoppers”), mais
uma bela produção capaz de fazer rir e chorar, levando ao público — dos seis
aos 100 anos — uma mensagem bastante atual: é preciso cuidar e preservar a
natureza e aprender a viver em harmonia com ela.
O filme estreia nos cinemas no dia 5 de março, em versões
dubladas e legendadas, mas já pode ser conferido em várias salas das redes
Cineart, Cinemark e Cinépolis BH.
Humanos e animais dividem o protagonismo, cada um
apresentando seu lado de uma história que gira em torno de um pequeno lago nos
arredores de uma cidade. No passado, Mabel Tanaka (Piper Curda) já era
defensora dos animais, mesmo quando toda a população a criticava.
A única que a compreendia era sua avó, a Sra. Tanaka (Karen
Huie), que morava perto do lago. Foi ela quem ensinou à neta a importância de
ouvir os sons da natureza para entendê-la melhor, além de ajudá-la a lidar com
a própria raiva e a controlar suas emoções.
Na adolescência, não poderia ser diferente. Ao descobrir que
o pequeno refúgio natural onde viveu seus melhores dias de infância seria
destruído pelo “avanço do progresso”, Mabel decide recorrer a uma tecnologia
revolucionária para se conectar aos animais que ali habitavam e que precisaram
fugir.
Ela transfere sua consciência para o corpo de um castor
robótico, o que lhe permite explorar o universo animal — suas aventuras,
alegrias, emoções e conflitos.
A partir daí, promove uma verdadeira revolução
dos bichos, enfrentando Jerry (Jon Hamm), o prefeito da cidade, determinado a
acabar com o lago dos castores. Mas tudo tem seu preço, e a situação pode
acabar ameaçando também a existência dos humanos.
Nomes conhecidos de Hollywood participam da aventura como
dubladores. Meryl Streep dá voz à Rainha dos Insetos — na versão brasileira,
Renata Sorrah estreia na dublagem.
Dave Franco interpreta Titus, auxiliar da
professora Sam (Kathy Najimy), que também trabalha com Diane (voz de Vanessa
Bayer no original e de Thaís Fersoza na versão em português).
Destaque para George (Bobby Moynihan), o Rei dos castores e Mamíferos, com sua coroa e varinha, liderando toda a comunidade com pompa e personalidade e que se torna o melhor amigo de Mabel.
O elenco conta ainda com
Melissa Villaseñor (Ellen), Ego Nwodim (Rainha dos Peixes), Sam Richardson
(Conner), Aparna Nancherla (Nisha), Nichole Sakura (Rainha dos Répteis), Isiah
Whitlock Jr. (Rei dos Pássaros), Steve Purcell (Rei dos Anfíbios).
Entre correrias, gritos e confusões no reino animal, “Cara
de Um, Focinho de Outro” aposta em um humor afiado ao tratar da destruição da
natureza pelo homem e de como ela pode revidar quando menos se espera.
A
história lembra um pouco “Avatar” — como a própria protagonista menciona — ao
utilizar a tecnologia para transferir mentes humanas para robôs, que passam a
funcionar como canal de comunicação com os animais reais.
Visualmente, a animação é impecável, com imagens vibrantes,
cenários bem detalhados e personagens que conquistam o público de imediato —
até mesmo os vilões.
Alguns personagens podem assustar crianças muito pequenas,
especialmente os reis e rainhas de determinadas espécies quando declaram guerra
aos humanos. Ainda assim, o filme equilibra bem tensão e humor, mantendo o tom
leve e reflexivo.
Mais uma vez, a Pixar mostra que sabe contar histórias que
divertem, emocionam e, principalmente, fazem pensar, agora sem deixar de lado a
presença da tecnologia como uma aliada.
Ficha técnica:
Direção: Daniel Chong Roteiro: Jesse Andrews e Daniel Chong Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures Distribuição: Disney Pictures e Disney+ Exibição: nos cinemas Duração: 1h45 Classificação: Livre País: EUA Gêneros: animação, aventura, comédia
Jack Black, Paul Rudd e seus amigos tentam fazer o remake de um sucesso do passado sobre uma cobra gigante que ataca uma equipe de filmagem (Fotos: Sony Pictures)
Maristela Bretas
Em cartaz nos cinemas, "Anaconda" surge como uma comédia escancaradamente absurda que entende perfeitamente o próprio ridículo — e faz disso sua maior virtude. Protagonizado por Jack Black, Paul Rudd e Selton Mello, o filme aposta na paródia, no humor e em referências pop para garantir boas risadas do início ao fim.
O grande destaque, sem dúvida, é Selton Mello. No papel do domador de cobras Carlos Santiago, o ator brasileiro rouba a cena sempre que aparece. Seu personagem carrega um jeitão que remete ao Chicó de "O Auto da Compadecida" (2000 e 2024), mas sem o medo crônico que marcou aquele papel.
Aqui, Selton entrega falas e expressões tipicamente brasileiras, com um timing cômico afiadíssimo, sem dever nada a Jack Black ou Paul Rudd. A química entre os três funciona de forma surpreendentemente natural e é um dos pilares do filme.
Há momentos tão ridículos que ultrapassam o limite do bom senso — e é justamente aí que o humor acerta. As piadas são atuais, repletas de comentários metalinguísticos bem sacados, e não têm receio de zombar do próprio cinema, da indústria e até da produtora e distribuidora Sony Pictures.
O diretor assume o tom de paródia do início ao fim, transformando o filme em uma sátira consciente do original.
Este remake também reserva surpresas para quem conhece ou, como eu, gosta de produções trashs absurdas com animais perigosos, como o "Anaconda" de 1997, que foi muito criticada à época, mas que diverte justamente pelo exagero e tem público cativo.
Na época, o elenco contava com Jennifer Lopez, Ice Cube, Jon Voight, Eric Stoltz, Jonathan Hyde e Owen Wilson, e a trama também se passava na Amazônia, envolvendo uma equipe de documentaristas perseguida por uma cobra gigante.
Classificado como terror, o filme sempre flertou com o lado cômico por conta de seu absurdo — algo que o novo "Anaconda" assume sem vergonha alguma.
Na versão atual, acompanhamos Griff (Paul Rudd), um ator de meia-idade em crise e desempregado, e Doug (Jack Black), um cineasta frustrado por ter sua carreira resumida a vídeos de casamento.
Amigos de infância, eles decidem realizar um antigo sonho: viajar até a selva amazônica para produzir um reboot independente de seu filme favorito, "Anaconda".
Para a empreitada, contam com a ajuda de Carlos Santiago e Heitor, sua cobra “domesticada” (parece piada pronta), além da atriz Claire Simons (Thandiwe Newton), recém-saída de um divórcio, e do cinegrafista Kenny Trent (Steve Zahn), que não dispensa “umas biritas” turbinadas.
Tudo corre bem até que uma anaconda gigante resolve entrar em cena, ao mesmo tempo em que o grupo acaba envolvido em uma perseguição policial a garimpeiros ilegais de ouro.
Curiosamente, apesar do título, a cobra aparece pouco. O protagonismo fica mesmo com o elenco humano, enquanto a anaconda funciona quase como um elemento catalisador do caos.
O filme também se diverte citando com cenas que remetem a clássicos do cinema de aventura e ação, como a franquia "Jurassic Park - O Parque dos Dinossauros" (1993), quando a cobra gigante persegue o grupo e é acompanhada pelo retrovisor do carro.
Ou "Tubarão" (1975), quando ela circunda o barco da equipe no rio. Até mesmo a cena de Jack Black engolido por uma cobra gigante em "Jumanji - Próxima Fase" (2019) é lembrada.
"Anaconda" é, acima de tudo, uma produção leve e despretensiosa, que entende seu lugar como entretenimento. Jack Black e Paul Rudd sustentam bem o humor, mas é Selton Mello quem dá um charme especial à narrativa, funcionando como uma âncora cômica e cultural.
Não é um filme para ser levado a sério — e nem quer ser. Vale a pena justamente por isso: uma diversão honesta, autoconsciente e eficaz para quem busca boas risadas no cinema.
Ficha técnica: Direção: Tom Gormican Roteiro: Tom Gormican e Kevin Etten Produção e Distribuição: Sony Pictures Duração: 1h40 Exibição: nos cinemas Classificação: 14 anos País: EUA Gêneros: comédia, ação, aventura
Após o sucesso da primeira parte do Ghibli Fest, de 18 de setembro a 1º de outubro deste ano, a Sato Company reprisa sete dos maiores sucessos do famoso estúdio japonês com roteiro e direção de Hayao Miyazaki, produzidos de 1984 a 2004.
Os filmes serão exibidos do Cinemark Replay e acontece entre 11 e 17 de dezembro, no Cinemark BH Shopping. Um filme diferente a cada dia, sempre às 19 horas, em versões legendadas.
"O Serviço de Entregas da Kiki"
A celebração se inicia com "Meu Amigo Totoro" (1988), onde duas irmãs se mudam para a zona rural do Japão e descobrem uma estranha criatura que as leva a viverem inúmeras aventuras.
No segundo dia de evento (12/12), será a vez de "O Serviço de Entregas da Kiki" (1989), que mostra a luta da jovem bruxa por sua independência.
"A Viagem de Chihiro" (2001) será a estrela do dia 13 (sábado). No filme vencedor do Oscar de Melhor Animação, a jovem Chihiro entra no mundo dos espíritos para salvar seus pais.
No domingo (14), "O Castelo Animado" (2004) ocupará as telonas para apresentar a odisseia de Sophia, que busca uma cura para sua maldição.
"A Viagem de Chihiro"
No dia 15 de dezembro, "Nausicaä do Vale do Vento" (1984) mostrará as tentativas da princesa Nausicaä de buscar pelo fim de uma guerra entre dois reinos, e evitar a destruição de uma floresta tóxica.
Na terça-feira (16), a jovem princesa-peixinho Ponyo e seu amigo Sasuke irão conquistar as telas em "Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar" (2008).
Encerrando o Cinemark Replay, na quarta-feira (17/12), "Porco-Rosso: O Último Herói Romântico" (1992) irá trazer ao público as desventuras do piloto e caça piratas mais famoso do Mar Adriático.
"Porco-Rosso: O Último Herói Romântico"
Ghibli Fest - 2ª Parte
O Ghibli Fest - Parte 2, com estreia prevista para o primeiro semestre de 2026, terá oito títulos, completando os 22 programados pela Sato Company para a retrospectiva dos longas do Studio Ghibli. São eles:
- Contos de Terramar (2006)
- O Castelo no Céu (1986)
- Princesa Mononoke (1997)
- O Reino dos Gatos (2002)
- O Mundo dos Pequeninos (2010)
- O Conto da Princesa Kaguya (2013)
- As Memórias de Marnie (2014)
- Túmulo dos Vagabundos (1998)
Ficha técnica:
Direção e roteiro: Hayao Miyazaki Produção: Studio Ghibli Distribuição: Sato Company Exibição: Cinemark BH Shopping Duração: entre 1h30 e 2 horas Classificação: livre País: Japão Gêneros: fantasia, romance, aventura
Os monstros criados pelo Doutor Maluco vivem em um assustador castelo, escondidos dos seres humanos (Fotos: Gringo Filmes e Senator Film Produktion)
Maristela Bretas
Chega aos cinemas nesta quinta-feira (23), a animação "Frankie e os Monstros" ("Stitch Head"), uma aventura gótica de terror divertida e cheia de easter eggs, do início ao fim. O filme mistura um pouco de tudo: um cientista maluco que lembra o Doutor Emmett Brown (interpretado por Christopher Lloyd em De Volta para o Futuro), monstros simpáticos e bem coloridos, além de um clima sombrio, mas nada assustador.
A produção, dirigida por Steve Hudson e com direção de animação de David Nasser — conhecido por sucessos como "Meu Malvado Favorito", "Hotel Transilvânia" e "Rio 2" — ainda faz alusões a "Pinóquio", à personagem Tristeza de "Divertida Mente", aos "Minions", e até ao clássico "E.T. – O Extraterrestre".
São referências que enriquecem a narrativa e tornam a história mais cativante. Cada cena que lembrava uma produção do passado é capaz de fazer o público vibrar e se emocionar. A produção é inspirada na série de livros infantis Stitch Head, de Guy Bass.
Tudo começa no Castelo Grotescal, onde o Professor Maluco (voz original de Rib Brydon) vive tentando criar o monstro perfeito em seu laboratório. Como um verdadeiro Doutor Frankenstein, ele dá vida a diferentes criaturas, mas logo se esquece de cada uma delas, passando para a próxima experiência.
Entre essas criações está Stitch Head/Frankie (dublado por Asa Butterfield), seu assistente e primeira criatura, um pequeno menino de aparência estranha remendada e cabeça careca. Stitch está sempre em busca da atenção e do carinho de seu criador, mas nunca recebe ou sequer é notado.
Enquanto isso, ele se dedica a proteger e esconder os demais monstros criados no laboratório, mantendo o castelo seguro. Todos temem que os humanos que habitam a vila de Grubbers Nubbin, localizada ao pé da montanha, descubram que eles existem e queiram destruí-los.
Até que a chegada à cidade de um Circo de Horrores decadente em busca de novas atrações muda toda a rotina de Stitch. Ao descobrir a existência do jovem, o dono do espetáculo oferece a ele a ilusão de que se fizesse parte do grupo conquistaria tudo o que sempre desejou: amor, fortuna e fama. Mas esta escolha trará sérias complicações para os monstros e os moradores da vila.
O elenco de personagens é carismático e diverso. Destaque para a Criatura (dublado por Joel Fry), o mais recente experimento do Doutor Maluco, que considera Stitch seu melhor amigo; Arabella (voz de Tia Bannon), uma jovem moradora da cidade que não tem medo de monstros; a ranzinza Nan (Alison Steadman), tutora de Arabella que acredita que todos no castelo são perigosos e cruéis.
Além da história encantadora que traz boas lembranças de filmes que marcaram a infância de diferentes gerações, "Frankie e os Monstros" também tem uma trilha sonora, composta por Nick Urata, que é um show à parte. Com grandes sucessos do passado, contribui para o clima nostálgico e emocional do filme.
Apesar de sua atmosfera gótica e alguns momentos sombrios, "Frankie e os Monstros" é conduzido com leveza e sensibilidade, de uma forma divertida, mas que toca o coração do público ao tratar de temas como abandono, preconceito, ganância, medo do desconhecido, lealdade, e acima de tudo, amizade. Uma animação que promete emocionar diferentes gerações.
Ficha técnica: Direção e roteiro: Steve Hudson Produção: Gringo Films GmbH, Fabrique d’Images, Senator Film Produktion, Traumhaus Studios, Mia Wallace Productions e Senator Film Köln Distribuição: Paris Filmes Exibição: nos cinemas Duração: 1h32 Classificação: Livre Países: Alemanha, Luxemburgo, Reino Unido, França e República Tcheca Gêneros: aventura, família, animação, comédia
A história se insere no escaninho das produções que flagram o ritual de passagem da adolescência para a juventude (Fotos: Leonardo Feliciano)
Patrícia Cassese
Muitos são os fatores que corroboram para que, ao fim de uma sessão de cinema, o espectador saia da sala escura convicto de que sim, assistiu a um filme "fora da curva". Uma experiência, em suma, daquelas para ficar tatuada na memória.
Esse é indiscutivelmente o caso de "O Último Episódio", destaque entre as estreias dessa semana de mudanças na programação dos cinemas. Com a chancela da mineira Filmes de Plástico, o filme, vale dizer, marca a estreia de Maurilio Martins na direção solo de um longa-metragem.
A história se insere no escaninho das produções que flagram o ritual de passagem da adolescência para a juventude - neste caso, por meio do personagem Erik (Matheus Sampaio). Aos 13 anos, ele embarca em uma aventura insólita junto aos vizinhos de bairro, Cassinho (Daniel Victor) e Cristiane/Cristão (Tatiane Costa, simplesmente encantadora).
Apaixonado por Sheila (Lara Silva), e cônscio do interesse da garota pelo universo da “Caverna do Dragão”, a icônica série de animação fenômeno dos anos 1980, Erik diz a ela ter, em casa, a fita cassete contendo o último episódio.
Falamos fita de vídeo? Sim, "O Último Episódio" se passa em 1991, quando, claro, nem se sonhava que um dia o mundo teria um acesso tão mais fácil a conteúdos audiovisuais como filmes e séries, por meio da internet e dos serviços de streaming. Uma época em que a TV e as locadoras de vídeo eram a via para se acessar conteúdos afins.
Com o interesse de Sheila atiçado pela possibilidade de assistir à fita contendo o tal desenlace, Erik resolve, junto aos citados dois amigos de fé, produzir, ele mesmo, o capítulo. Aos trancos e barrancos, diga-se, mas com muita (muita) criatividade. Ocorre que, claro, as coisas não são tão simples.
Paralelamente à empreitada, o filme espraia seu olhar por outros temas relevantes, como a ausência paterna (e o motivo dessa), os desafios de uma mãe solo, a vida na periferia das cidades e a solidariedade que emana entre seus habitantes. Aqui, um grupo de moradores do bairro Laguna, em Contagem, onde, não por coincidência, Maurilio Martins nasceu e se criou.
Aqui, uma pequena pausa se faz necessária: o cineasta admite que sim, há traços biográficos em "O Último Episódio", ainda que as experiências do personagem Erik tenham sido imaginadas. "Eu não necessariamente morei na casa onde o personagem mora, mas ela fica em frente à minha casa.
A inserção das fotos no filme também é significativa. São imagens nas quais eu apareço, minha família aparece, meus amigos".
Do mesmo modo, os personagens estudam na instituição educativa na qual Maurílio Martins estudou, a Escola Estadual Jardim Laguna, depois rebatizada como Escola Estadual Jardim Silva Couto. "Eles vivem no mesmo bairro, na mesma época. Eu sou muito da memória, sou muito nostálgico, então tem muito de mim ali”, contextualizou Maurilio.
Voltando ao universo de personagens que orbita em torno de Erik, é provável que muitos deles exalem características que vão remeter o espectador - em particular, o mineiro, pelas características de quem vive por aqui - a pessoas reais, do âmbito de suas relações mesmo.
Quem viveu aquela época certamente frequentou uma escola cuja responsável tinha traços que similares aos da diretora Simone (Babi Amaral, divertidíssima), que, em "O Último Episódio", vemos envolvida até a medula nos preparativos para a Feira de Cultura, um evento de destaque no ano letivo da instituição, e que mobiliza alunos e professores
Neste ponto, vale retornar ao início desse texto. Ao pontuar sobre a somatória de fatores que efetivamente transformam o ato de assistir a um filme em uma experiência inesquecível, no melhor dos sentidos, obviamente deve-se colocar, nesta conta, o calibre de quesitos como roteiro (Maurilio Martins e Thiago Macêdo Correia), direção, elenco, trilha sonora, fotografia (Leonardo Feliciano), montagem...
E é nessa somatória que "O Último Episódio" se insere na representativa lavra de bons filmes que estão chegando aos cinemas neste 2025 - caso de "Manas", "A Melhor Mãe do Mundo" etc.
O filme de Maurílio Martins é simplesmente uma pepita. Daquelas com potencial para suscitar uma miríade de sensações no espectador, de fazê-lo se emocionar em certos trechos, rir em outros e, ainda, compartilhar o aperto no peito dos personagens em diversos momentos.
Um daqueles filmes que, a despeito do reino mágico que Erik tenta reproduzir, finca seu pilar na realidade. Aquela, vivenciada pela maioria esmagadora dos brasileiros, com muitos malabarismos para pagar as contas, mas que ainda acorda no dia seguinte com fé.
A localização temporal também possibilita que o espectador - em particular, o "mais maduro" - viaje no tempo, diante de ecos de uma época a se reviver com nostalgia, seja por meio de objetos de cena, figurino, reprodução de comportamentos ou, ainda, por conta da trilha sonora.
Essa, aliás, leva a assinatura acima de qualquer suspeita de John Ulhoa e Richard Neves, do Pato Fu. Com toda certeza, quem assistir ao filme vai ficar com a versão de "Qualquer Jeito" ("Não está sendo Fácil"), agora na voz de Fernanda Takai, grudada na cabeça.
A música, lembre-se, estourou em 1987 com Kátia, afilhada artística de Roberto Carlos, com quem fez dueto em especial de TV. Outro hit da época que marca presença em "O Último Episódio" é “Doce de Mel”, sucesso do repertório de - sim, você sabe - Xuxa.
O elenco é uma aba à parte. Além do talento inequívoco do trio de adolescentes, já citado, a projeção vai fazer o público se extasiar com o talento de Rejane Araújo ou Camila Morena da Luz, tal qual com as participações especiais, como as de Eid Ribeiro, Robert Frank, André Novais Oliveira e Gabriel Martins.
Um luxo extra é a presença do incrível artista Froiid, que coloca sua assinatura nos créditos iniciais. Por último, mas não menos importante: a distribuição de “O Último Episódio” é da Malute e da Embaúba Filmes. Quer um conselho? Só vai!
Ficha técnica:
Direção: Maurílio Martins Roteiro: Maurilio Martins e Thiago Macêdo Correia Produção: Filmes de Plástico com coprodução do Canal Brasil e Cine Film Distribuição: Malute Filmes e Embaúba Filmes Exibição: Cineart Cidade, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Una Cine Belas Artes Duração: 2h03 Classificação: 12 anos País: Brasil Gêneros: aventura, ficção
Animação aborda união em meio às diferenças entre espécies ameaçadas por um apocalipse alienígena (Fotos: Diamond Films)
Maristela Bretas
Repleta de referências a clássicos do cinema como "ET - O Extraterrestre" (1982) e "Tubarão" (1975) e produções de terror, estreia nesta quinta-feira (25) nos cinemas "Zoopocalipse - Uma Aventura Animal" ("Night of the Zoopocalypse").
A coprodução canadense, francesa e belga tem a direção de dois veteranos da animação: Ricardo Curtis ("Os Incríveis" - 2004 e "Monstros S.A." - 2001) e Rodrigo Perez-Castro ("Festa no Céu" - 2014 e "O Touro Ferdinando" - 2018). O resultado é uma obra divertida e vibrante, feita para toda a família.
A trama explora temas como união, diversidade e pertencimento para contar a história de Gracie, uma lobinha entediada com sua vida "pouco animal", dublada em português por Viih Tube.
Ela e seus amigos do Zoológico Colepepper veem suas pacatas e até monótonas rotinas virarem de cabeça pra baixo quando um meteoro atinge o local e transforma os animais em zumbis semelhantes a geleias coloridas.
Com a maioria dos habitantes do zoo controlados por um coelhinho (que lembra bastante o Bola de Neve, de "Pets – A Vida Secreta dos Bichos" - 2016) agora possuído por um alienígena com planos de dominação mundial, cabe a Gracie tentar salvar a todos, especialmente sua alcateia.
Para isso, ela precisará contar com a ajuda de um grupo bem improvável: Dan, um leão-da-montanha rabugento e de poucos amigos; Xavier (dublado por Ed Gama), um lêmure cinéfilo que sabe tudo sobre filmes de terror; Frida, uma capivara destemida; Felix, um babuíno atrapalhado; Ash, um avestruz cheio de estilo; e Lu, uma filhote de hipopótamo pigmeu rosa muito fofa e tagarela.
Juntos, precisam deixar instintos e diferenças de lado para enfrentar a ameaça alienígena. Dá para imaginar um leão da montanha faminto tendo que proteger um filhotinho rechonchudo de hipopótamo (quase um toucinho)?
Entre planos mirabolantes — nem sempre bem-sucedidos — e tentativas de fuga, o grupo vai aprendendo a confiar uns nos outros e a se unir, sob a liderança da esperta Gracie, para evitar o apocalipse animal.
O mais engraçado de todos é Xavier, que usa seus conhecimentos adquiridos assistindo filmes de terror durante a madrugada na clínica veterinária para prever os movimentos dos inimigos.
É por meio dele que são inseridos cenas e trechos icônicos de músicas inesquecíveis de clássicos, tornando a animação ainda mais divertida e nostálgica.
O elenco de dubladores brasileiros reúne nome como Luiz Feier, Manolo Rey, Valentina Pawlowna, Jorge Vasconcellos, Carina Eiras, Mauro Horta, Mariangela Cantú, Eduardo Drummond, Jessica Dannemann, Marianna Alexandre, Maurício Berger, Rafinha Lima e Telma da Costa.
Apesar de ser uma comédia com ritmo de aventura, o longa traz algumas cenas de ataques e mutações que podem assustar crianças menores "Zoopocalipse - Uma Aventura Animal" mistura terror infantil, referências clássicas e muito humor de 10 anos. Por isso, vale a atenção dos pais quanto à classificação indicativa.
Mas a emoção e o humor bem dosados, reforçados pelas cores vibrantes e personagens carismáticos, fazem de "Zoopocalipse - Uma Aventura Animal" um filme de terror leve, capaz de divertir e emocionar públicos de todas as idades.
Ficha técnica:
Direção: Ricardo Curtis e Rodrigo Perez-Castro Roteiro: Steven Hoban e James Kee Produção: Mac Guff Productions, Copperheart Entertainment, UMedia Productions Distribuição: Diamond Films Exibição: nos cinemas Duração: 1h31 Classificação: 10 anos Países: Canadá, França e Bélgica Gêneros: animação, aventura, comédia, família
Ghibli Fest será dividido em duas partes: em setembro deste ano e no primeiro semestre de 2026 (Fotos: Sato Company)
Da Redação
Em uma celebração dupla, a Sato Company, reconhecida pela distribuição de filmes asiáticos no Brasil, comemora seus 40 anos de história trazendo aos cinemas brasileiros uma retrospectiva inédita dos longas do Estúdio Ghibli.
Há quatro décadas, a excelência na animação do estúdio japonês encanta gerações com histórias atemporais, personagens cativantes e uma profunda conexão com a cultura asiática.
O Ghibli Fest terá 22 títulos no total e será dividido em duas partes. A primeira com exibição em várias salas de BH, de 18 de setembro a 1º de outubro.
"A Viagem de Chihiro"
Serão 14 filmes que marcaram gerações, com histórias profundas, emocionantes e visualmente encantadoras, dentre eles, dois indicados e um vencedor do Oscar. A segunda parte terá oito títulos, com estreia prevista para o primeiro semestre de 2026.
Essa é uma chance única de vivenciar grandes clássicos da animação mundial na tela grande, com toda a beleza e profundidade que só o cinema pode proporcionar. A seleção promete encantar gerações de fãs e conquistar novos públicos com narrativas poéticas e temas universais.
"Meu Amigo Totoro"
Prepare-se para reviver (ou descobrir) a magia de um dos estúdios mais amados da história da animação mundial. Entre os títulos selecionados para a Parte 1 da Mostra, estão obras que definiram a identidade do estúdio e se tornaram referências mundiais na animação.
“A Viagem de Chihiro” (2001), vencedor do Oscar de Melhor Animação e sucesso internacional, conta a jornada da jovem Chihiro por um mundo mágico repleto de deuses, espíritos e desafios que refletem o crescimento pessoal. Dirigido pelo mestre Hayao Miyazaki, o filme foi selecionado recentemente como o 9º Melhor Filme do Século XXI pela New York Times.
"O Castelo Animado"
Já “Meu Amigo Totoro” (1988) apresenta as irmãs Satsuki e Mei e sua amizade com o espírito da floresta Totoro, em uma celebração da infância e da natureza que se tornou símbolo da produtora.
“O Castelo Animado” (2004) envolve o público em uma fantasia romântica onde uma jovem amaldiçoada encontra refúgio no castelo ambulante de um excêntrico mago, em uma obra que combina imaginação e crítica à guerra.
A programação também inclui “Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar” (2008), inspirado no conto da Pequena Sereia e que mistura magia, infância e ecologia. Além de “O Serviço de Entregas da Kiki” (1989), um delicado retrato do amadurecimento de uma jovem bruxa em busca de independência.
"Porco Rosso: O Último Herói Romântico"
O aventureiro “Porco Rosso: O Último Herói Romântico” (1992) leva o espectador à Itália entre guerras, onde um piloto amaldiçoado com aparência de porco vive aventuras aéreas carregadas de lirismo.
Outro título aclamado é “Vidas ao Vento” (2013), inspirado na vida do engenheiro Jirô Horikoshi, que reflete sobre sonhos, amor e sacrifícios em meio ao Japão em transformação.
As preocupações ambientais do estúdio aparecem desde cedo, como em “Nausicaä do Vale do Vento” (1984), obra visionária que influenciou a fundação do Ghibli e narra a luta de uma princesa pela harmonia entre humanidade e natureza.
"Nausicaä do Vale do Vento"
O romance juvenil também tem espaço em “Sussurros do Coração” (1995), que acompanha a estudante Shizuku em uma história de amadurecimento e autodescoberta.
Já “Pom Poko: A Grande Batalha dos Guaxinins” (1994) traz uma sátira ecológica, enquanto “Meus Vizinhos, os Yamadas” (1999) diverte com seu traço estilizado e retrato bem-humorado da vida familiar japonesa.
Com um olhar mais maduro e intimista, “Memórias de Ontem” (1991) alterna presente e passado para refletir sobre infância e escolhas adultas. Produzido originalmente para a TV, “Eu Posso Ouvir o Oceano” (1993) traz uma visão realista sobre juventude, amizade e primeiros amores.
"Sussurros do Coração"
E encerrando a seleção da primeira parte, “Da Colina Kokuriko” (2011) apresenta um romance ambientado no Japão dos anos 1960, onde um grupo de estudantes luta para preservar sua escola em meio às transformações sociais do pós-guerra.
O Ghibli Fest - Parte 1 oferece ao público brasileiro a chance rara de vivenciar esses clássicos na tela grande, com toda a beleza que só o cinema pode proporcionar. É uma verdadeira celebração da arte, da imaginação e da emoção — marcas registradas do Estúdio Ghibli ao longo de quatro décadas.
“Da Colina Kokuriko”
Confira a lista completa dos filmes da primeira parte:
- "A Viagem de Chihiro" - 2001 (DUB/LEG) - Vencedor do Oscar - classificação: livre
Para o Ghibli Fest - Parte 2, que estreia no primeiro semestre do próximo ano, serão oito títulos:
- Contos de Terramar (2006)
- O Castelo no Céu (1986)
- Princesa Mononoke (1997)
- O Reino dos Gatos (2002)
- O Mundo dos Pequeninos (2010)
- O Conto da Princesa Kaguya (2013)
- As Memórias de Marnie (2014)
- Túmulo dos Vagabundos (1998)
Ficha técnica
Ghibli Fest Programação: Parte 1 - 14 títulos - de 18 de setembro a 1º de outubro de 2025 Parte 2 - 8 títulos - estreia no primeiro semestre de 2026) Produção: Estúdio Ghibli Distribuição: Sato Company Exibição: salas Cineart Cidade, Cinemark BH Shopping, Centro Cultural Unimed-BH Minas e Cine Una Belas Artes Classificação: variável Gêneros: animação, fantasia, aventura