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31 julho 2026

Maratona: "Toy Story 3" ensina que crescer é aprender a deixar ir

Woody, Buzz Lightyear e os demais enfrentam mudanças que colocam sua amizade à prova (Fotos: Pixar)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Na sequência de nossa maratona temos "Toy Story 3", que chegou aos cinemas em 2010 com orçamento de US$ 200 milhões e se tornou o primeiro longa de animação a ultrapassar US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais. 

Andy (voz de John Morris) cresceu e está indo para a faculdade. Ele precisa decidir o que fazer com seus antigos brinquedos. Quando Woody, Buzz e a turma vão parar na creche Sunnyside, descobrem que o lugar não é tão perfeito quanto parece. 


Agora, precisam escapar de um novo inimigo e encarar a difícil despedida de Andy. O grande mérito do filme está em fechar de maneira emocional a história do jovem e trabalhar com maturidade a passagem da infância para a vida adulta. 

Woody, Buzz e os demais enfrentam mudanças que colocam sua amizade à prova, principalmente o cowboy, que inicialmente só quer manter todos juntos em casa.


O urso de pelúcia Lotso é uma das grandes surpresas da nova animação. Aparentemente fofo, ele carrega um histórico de abandono e ressentimento que o transforma em um líder cruel e totalitário. 

O elenco reúne novamente a maioria dos dubladores do primeiro e do segundo filmes como Tom Hanks (Woody), Tim Allen (Buzz), Joan Cusack (Jessie), Don Rickles (Sr. Cabeça de Batata), Estelle Harris (Sra. Cabeça de Batata), Wallace Shawn (Rex), John Ratzenberger (Porquinho), Laurie Metcalf (Mãe de Andy) e Annie Potts (Betty). 


Mas trouxe também novos nomes como Emily Hahn (Bonnie), Ned Beatty (Lotso), Michael Keaton (o boneco Ken), Jodi Benson (Barbie), Whoopi Goldberg (Stretch), Kristen Schaal (Trixie) e Blake Clark (que substituiu Jim Varney, falecido em 2000 e que fazia a voz de Slinky), entre outros.

Na dublagem brasileira, os personagens ganharam as vozes de Marco Ribeiro, Guilherme Briggs, Mabel Cezar, Pádua Moreira, Alfredo Martins, Carmen Sheila, Marco Antônio Costa, Reginaldo Primo, Carlos Gesteira, Duda Ribeiro, Olavo Cavalheiro, Renata Ferreira, Sheila Dorfman, Fernanda Bullara e Miriam Ficher, respectivamente.


O ponto negativo de "Toy Story 3" está na fórmula repetida. Mais uma vez, os brinquedos são separados e precisam enfrentar uma situação perigosa para conseguirem voltar juntos. 

Bonnie, a nova criança que passa a fazer parte dessa história, também poderia ter recebido mais espaço para desenvolver sua relação com os brinquedos.


Ainda assim, "Toy Story 3" funciona justamente porque entende que crescer também significa aprender a deixar ir. O filme recebeu cinco indicações ao Oscar e venceu Melhor Animação e Melhor Canção Original, além de ter sido indicado a Melhor Filme. 

No fim, a despedida de Andy e dos brinquedos se tornou um dos momentos mais marcantes da Pixar: uma conclusão honesta, que permanece na memória e no coração mesmo quando a vida adulta chega e precisamos seguir nossas próprias escolhas.

Saiba mais sobre os outros filmes da franquia que estão disponíveis no Disney Plus clicando nos links: "Toy Story" (1995), "Toy Story 2" (1999), "Toy Story 4" (2019) e o mais recente, ainda no cinema, "Toy Story 5".


Ficha técnica:
Direção: Lee Unkrich
Produção: Pixar Animation Studio
Distribuição: Buena Vista Pictures Distribution
Exibição: Disney+
Duração: 1h40
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, comédia, infantil

30 julho 2026

Maratona "Toy Story 2" — O que importa é ser um brinquedo amado por uma criança

Continuação apresentou melhorias significativas na qualidade da animação, especialmente nas texturas, expressões faciais e movimentação dos personagens  (Fotos: Pixar) 
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Sequência direta do primeiro filme, "Toy Story 2" chegou aos cinemas em 1999 com a difícil missão de manter a essência do original, explorando o que significa ser um brinquedo por meio da amizade entre Buzz Lightyear e Woody (novamente dublados por Tim Allen e Tom Hanks), ao mesmo tempo em que expande esse universo com uma nova história. 

Com um orçamento de US$ 90 milhões e uma bilheteria mundial de US$ 511,3 milhões, tornou-se a terceira maior arrecadação daquele ano e mais um grande sucesso comercial da Pixar.

A história gira em torno da descoberta de Woody sobre seu passado como estrela de um antigo programa de TV. Ao conhecer Jessie (voz de Joan Cusack), o cavalo Bala no Alvo (efeitos vocais de Frank Welker) e Pete Fedido (Kelsey Grammer), ele passa a questionar se deve permanecer ao lado de Andy e dos velhos amigos ou viver para sempre em um museu. 

Enquanto isso, Buzz e seus amigos embarcam em uma missão para resgatá-lo, invertendo a dinâmica do filme original. Lançada quatro anos após "Toy Story", a continuação apresentou melhorias significativas na qualidade da animação, especialmente nas texturas, iluminação, expressões faciais e movimentação dos personagens. 


Os cenários ficaram mais detalhados e a equipe conseguiu criar sequências mais complexas e dinâmicas, como a perseguição na loja Al's Toy Barn e a emocionante cena no aeroporto. O filme também demonstrou a evolução do RenderMan, software de renderização da Pixar que permitiu imagens mais sofisticadas e maior liberdade criativa para os animadores.

A qualidade técnica e narrativa da produção foi reconhecida com diversas premiações. "Toy Story 2" venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia em 2000 e conquistou vários Annie Awards, considerados os principais prêmios da indústria da animação. Vale lembrar que, naquela época, a categoria de Melhor Filme de Animação ainda não existia, sendo criada apenas alguns anos depois.

O grande mérito da continuação está na introdução de personagens carismáticos como Jessie, Bala no Alvo e Pete Fedido, ao mesmo tempo em que aprofunda a trajetória de Woody. 


O filme questiona o verdadeiro propósito de um brinquedo: ser preservado para sempre como peça de museu ou viver sua existência sendo amado por uma criança. Essa reflexão dá a narrativa uma maturidade emocional que vai muito além da aventura.

Outra novidade está na forma como o longa brinca com referências da cultura pop. A mais famosa delas envolve Buzz Lightyear e Zurg (Andrew Stanton). Durante o resgate de Woody, Buzz encontra seu maior inimigo e os dois recriam uma das cenas mais icônicas da história do cinema. 

Em uma clara homenagem a "Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca", Zurg revela a Buzz: "Eu sou seu pai". A piada funciona porque Buzz foi inspirado nos heróis das aventuras espaciais que marcaram as décadas de 1970 e 1980.


O filme também ri de si mesmo quando Buzz encontra uma fileira de outros Buzz Lightyear na loja de brinquedos. A cena satiriza a crise de identidade do primeiro filme ao mostrar que ele acreditava ser único quando, na verdade, era apenas mais um brinquedo produzido em massa. 

A brincadeira ganha força com a entrada de um astronauta semelhante na missão de resgate, criando situações divertidas e reforçando a confusão de identidades.

Um dos temas mais fortes de "Toy Story 2" é a busca por pertencimento e identidade. Diferentemente do primeiro filme, que explorava principalmente a amizade entre Woody e Buzz, a continuação questiona quem os brinquedos são e qual é seu verdadeiro propósito.

Agora amigos, eles não estão mais em conflito. A relação entre os dois amadureceu e serve como base para a narrativa. Enquanto o astronauta lidera a missão para resgatar o caubói, este passa por uma jornada interna ao descobrir que faz parte do antigo programa de televisão, "Woody's Roundup". 


Pela primeira vez, ele percebe que é mais do que o brinquedo favorito de Andy: é uma peça rara, com uma história e um legado próprios. É nesse momento que entram os novos personagens. Jessie carrega as marcas de ter sido abandonada por sua antiga dona e acredita que criar laços com crianças inevitavelmente leva ao sofrimento. Bala no Alvo demonstra uma lealdade incondicional a Woody, reforçando a ideia de pertencimento através dos vínculos. 

Já Pete Fedido representa o extremo oposto: por nunca ter sido escolhido por uma criança, acredita que o melhor destino para um brinquedo é ficar protegido em um museu, onde jamais será esquecido ou descartado.

A partir dessas diferentes perspectivas, Woody é colocado diante de uma escolha difícil. De um lado, a possibilidade de viver para sempre em um museu, sendo admirado e preservado como uma peça histórica. Do outro, continuar ao lado de Andy, sabendo que um dia será deixado para trás quando seu dono crescer.


A trilha sonora ficou novamente a cargo de Randy Newman, que ampliou os temas musicais apresentados no primeiro filme e ajudou a dar uma identidade emocional ainda mais forte à continuação. 

O grande destaque é a canção "When She Loved Me", interpretada por Sarah McLachlan, que recebeu indicação ao Oscar de Melhor Canção Original. A música acompanha a história de Jessie e se tornou uma das cenas mais emocionantes da história da animação, abordando sentimentos como abandono, saudade e passagem do tempo. A trilha também conta com novas versões de "You've Got a Friend in Me" e músicas inspiradas no universo de Woody's Roundup.

O que deixa a desejar é que a trama repete parte da estrutura do primeiro filme, com Woody novamente separado dos demais brinquedos e Buzz assumindo a liderança de uma missão de resgate. 

Além disso, personagens já conhecidos, como Rex (Wallace Shawn), Slinky (Jim Varney), Porquinho (John Ratzenberger) e Betty (Annie Potts), recebem pouco desenvolvimento, ficando em segundo plano para dar espaço aos novos integrantes da história. 


No fim, a mensagem é simples e poderosa: Woody descobre que ser um cowboy famoso, raro ou valioso não importa tanto quanto aquilo que sempre deu sentido à sua existência: brincar, criar memórias e fazer parte da vida de uma criança. Nenhuma coleção, museu ou reconhecimento pode substituir o sentimento de ser amado por seu dono.

É justamente nessa escolha que "Toy Story 2" encontra sua força emocional e se consolida como uma das melhores continuações da história da animação. Saiba mais sobre os outros filmes da franquia que estão disponíveis no Disney Plus clicando nos links: "Toy Story" (1995), "Toy Story 3" (2010), "Toy Story 4" (2019) e o mais recente, ainda no cinema, "Toy Story 5".


Ficha técnica:
Direção: John Lasseter, Ash Brannon, Lee Unkrich
Produção: Pixar Animation Studio
Distribuição: Buena Vista Pictures Distribution
Exibição: Disney+
Duração: 1h32
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, comédia, infantil

29 julho 2026

Maratona - "Toy Story": o que importa é ser brinquedo e compartilhar

Obra apresentou ao mundo uma nova forma de contar histórias animadas, ajudando a redefinir os rumos
deste gênero no cinema (Fotos: Pixar)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Quem diria que uma história protagonizada por brinquedos poderia se transformar em um fenômeno de público e crítica? Lançado em 1995, "Toy Story - Um Mundo de Aventuras" não apenas conquistou espectadores de todas as idades, como também marcou definitivamente a história do cinema.

Levando cerca de quatro anos para ser produzido foi o primeiro longa-metragem da Pixar e também a primeira animação da história inteiramente realizada por computação gráfica (CGI).
 
Sob a direção de John Lasseter e com roteiro assinado por Joss Whedon, Andrew Stanton, Joel Cohen, Pete Docter e Alec Sokolow, a obra apresentou ao mundo uma nova forma de contar histórias animadas, ajudando a redefinir os rumos deste gênero no cinema.


Por trás desse avanço artístico, havia também uma base científica fundamental. Nomes como Ed Catmull e Alvy Ray Smith, cofundadores da Pixar Animation Studios, foram essenciais nesse processo. 

Catmull, especialista em computação gráfica, ajudou a desenvolver e aprimorar sistemas de imagem digital e a estruturar o pipeline de produção 3D que tornou o filme possível. 

Já Alvy Ray Smith contribuiu com fundamentos matemáticos e visuais que permitiram a criação de imagens digitais consistentes em larga escala. Sem esse tipo de engenharia, "Toy Story" simplesmente não existiria.

O resultado foi um sucesso imediato. Com um orçamento considerado modesto para os padrões de Hollywood — cerca de US$ 30 milhões — o filme arrecadou impressionantes US$ 394,4 milhões nas bilheterias mundiais. O desempenho consolidou o estúdio como uma das maiores forças da animação e abriu caminho para uma nova era do cinema animado.


Na história, o cowboy Woody (voz de Tom Hanks) é o brinquedo favorito de Andy e o líder entre os brinquedos do quarto. Sua rotina muda completamente quando Buzz Lightyear (Tim Allen), um moderno patrulheiro espacial, chega como presente de aniversário. 

O que começa como rivalidade logo se transforma em uma grande aventura, cheia de perigos, descobertas e amizade, enquanto tentam encontrar o caminho de volta para casa. 

No meio da jornada, eles cruzam com Sid (Erik von Detten), o vizinho de Andy, um garoto que desmonta brinquedos e cria invenções estranhas com suas peças. Presos na casa do destruidor, Woody e Buzz precisam encontrar uma forma de escapar antes que seja tarde demais.


O grande mote do longa está justamente na relação entre Woody e Buzz. Acostumado a ser o brinquedo favorito de Andy, o cowboy vê a chegada do astronauta como uma ameaça e faz de tudo para afastá-lo, chegando a provocar a queda dele pela janela. 

A atitude de Woody provoca revolta nos outros brinquedos, que passam a condená-lo pelo ocorrido. A partir daí, os dois são forçados a conviver e a enfrentar seus conflitos.

Existe aqui um interessante contraste entre gerações. Woody representa os brinquedos tradicionais, ligados ao Velho Oeste e a uma ideia mais artesanal de diversão. Já Buzz simboliza a modernidade, a tecnologia e o fascínio infantil por aventuras espaciais.


Esse choque fica ainda mais evidente na forma como Buzz acredita ser, de fato, um patrulheiro espacial, incapaz de aceitar sua condição de brinquedo.

É nesse ponto que surge uma das subtramas mais fortes do filme. Enquanto Woody insiste repetidamente em afirmar para Buzz “você é um brinquedo”, o astronauta luta para sustentar sua fantasia de missão espacial. O momento em que tenta voar para escapar da casa de Sid é o ponto de virada emocional da narrativa. 

Ao som de “I Will Go Sailing No More”, ele finalmente confronta a realidade e compreende que não é um herói espacial e sim mais uma das diversões de Andy. É uma cena melancólica e surpreendentemente madura para uma animação infantil, tratando identidade, aceitação e propósito com rara sensibilidade.


A partir desse conflito, "Toy Story" revela seu tema mais profundo: pertencimento e identidade. Esses dois conceitos não aparecem de forma abstrata, mas como experiências vividas dentro da própria dinâmica do grupo dos brinquedos. 

O filme constrói isso de maneira simples e precisa: quem pertence ao grupo nem sempre se sente pertencente, e quem é aceito pelo grupo nem sempre se reconhece dentro dele.

Woody é o principal exemplo dessa tensão. No início, ocupa uma posição de estabilidade como líder e brinquedo favorito de Andy. Existem harmonia e reconhecimento naquele universo. Porém, a chegada de Buzz desestabiliza essa estrutura. 

Depois do conflito com a queda do astronauta, Woody passa a ser visto com desconfiança pelos outros brinquedos. Ele continua fisicamente dentro do grupo, mas perde o reconhecimento emocional. Está presente, mas já não pertence plenamente. Esse deslocamento mostra que pertencimento não é automático: ele depende de confiança, validação e reconhecimento coletivo.


Buzz, por outro lado, vive o movimento inverso. Ele chega como um estranho, mas é rapidamente aceito pelos outros brinquedos. Sua aceitação, porém, não se baseia em quem ele realmente é, mas na imagem que representa: um brinquedo avançado e admirável. Ou seja, ele pertence ao grupo sem compreender esse pertencimento.

O astronauta vive uma crise de identidade, não se vê como brinquedo, mas como um patrulheiro espacial em missão. Isso cria uma ironia central: ele é aceito por todos, mas não se reconhece e vai precisar se desconstruir até que aceite sua realidade.

No fundo, "Toy Story" fala de algo profundamente humano: não basta fazer parte de um grupo para se sentir pertencente, e não basta ser reconhecido pelos outros para compreender a si mesmo. 


É nesse encontro entre perda de lugar e descoberta de si que o filme encontra sua força emocional mais profunda — e é aí que deixa de ser apenas um marco tecnológico para se tornar uma história sobre o que significa existir dentro de um mundo que também precisa te reconhecer.

Mas a conclusão dessa jornada vai além da identidade individual. O que "Toy Story" realmente revela é que o pertencimento só se completa quando existe aceitação — de si e do outro. É nesse ponto que Woody e Buzz deixam de ser apenas opostos e passam a ser parceiros.

Se no início representam choque de gerações, egos e visões de mundo, ao longo da narrativa constroem algo mais forte do que suas diferenças: uma amizade baseada na transformação mútua. 

Woody aprende a dividir espaço, perder o controle e reconhecer o valor do outro. Buzz, por sua vez, aprende a se aceitar sem abrir mão da coragem e do sentido de propósito que o define.


Não se trata apenas de estar no mesmo lugar, mas de construir um lugar em conjunto. A canção “Amigo Estou Aqui” sintetiza essa virada emocional de forma definitiva. 

Mais do que um tema musical, ela traduz apoio, presença e permanência mesmo diante das diferenças. Woody e Buzz descobrem que a força não está em competir por atenção, mas em caminhar lado a lado.

No fim, "Toy Story" não fala apenas sobre brinquedos de uma criança. Fala sobre vínculos que se formam quando dois mundos diferentes aprendem a coexistir, se transformar e se reconhecer. E é aí que tudo se fecha com simplicidade e força: amizade é quando o outro deixa de ser ameaça — e passa a ser parte de quem você é. 

Saiba mais sobre os outros filmes da franquia que estão disponíveis no Disney Plus clicando nos links: "Toy Story 2" (1999), "Toy Story 3" (2010), "Toy Story 4" (2019) e o mais recente, ainda no cinema, "Toy Story 5".


Ficha técnica:
Direção: John Lasseter
Produção: Pixar Animation Studio
Distribuição: Buena Vista Pictures Distribution
Exibição: Disney+
Duração: 1h17
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, comédia, infantil

09 março 2026

"Elio": aventura, amizade e pertencimento pelo olhar da Pixar

Filme é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação (Fotos: Walt Disney Studios)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Dirigido por Madeline Sharafian, Domee Shi e Adrian Molina, "Elio" é mais uma aposta da Pixar na corrida pelo Oscar 2026 de Melhor Animação. O filme acompanha Elio Solís (voz de Yonas Kibreab), menino de 11 anos sonhador, apaixonado pelo espaço e por vida alienígena. 

Por engano, ele envia um sinal para o desconhecido e é “captado” pela misteriosa organização intergaláctica Comuniverso, onde é confundido com o embaixador da Terra. Agora, Elio precisa se adaptar, fazer amigos extraterrestres e descobrir quem realmente é.


O longa acerta ao tratar o tema do pertencimento de forma lúdica e inspiradora. Elio não se sente completamente em casa no mundo humano e, ironicamente, precisa encontrar seu lugar no universo que sempre sonhou explorar. 

A tia Olga (Zoe Saldana) se destaca como figura de afeto e proteção, mas também como exemplo de sacrifício e responsabilidade familiar.


Por outro lado, a animação apresenta lacunas: o luto é apenas citado e personagens secundários têm pouca profundidade, funcionando mais como suporte à jornada do garoto. 

A resolução de conflitos acontece rápido demais, deixando pouco espaço para nuances emocionais.


Ainda assim, "Elio" é encantador, com momentos de pura imaginação e emoção, além de uma ótima trilha sonora que conta, inclusive, com canções da banda "Queen". 

Talvez perca pontos frente a outras animações mais ousadas da temporada, como "Guerreiras do K-Pop" (Netflix), mas cumpre bem sua função: emocionar e divertir, enquanto fala de amizade, coragem e autodescoberta.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Adrian Molina, Domee Shi e Madeline Sharafian
Produção: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures
Distribuição: Disney Pictures
Exibição: Disney+
Duração: 1h39
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: infantil, aventura, animação

09 novembro 2024

"A Música de John Williams", uma viagem no tempo a lembranças memoráveis do cinema

Documentário conta a trajetória de um dos maiores compositores de trilhas sonoras inesquecíveis de Hollywood (Fotos: Divulgação/Reprodução)


Maristela Bretas


Poderia ser somente mais um documentário como outros produzidos pelos Estúdios Disney. Mas "A Música de John Williams" sacode as lembranças e toca fundo no coração de diversas gerações, especialmente daqueles que acompanharam grandes sucessos do cinema nas últimas cinco décadas. 

Quem não se lembra dos temas principais de "ET - O Extraterrestre" (1982), a abertura e a trilha sonora das sagas "Star Wars"? Bastam os primeiros acordes para que a memória volte forte, o arrepio tome conta de nossos braços e lágrimas desçam por nossas faces. 

Sim, é isso que o compositor e maestro John Williams sempre provocou ao entregar músicas memoráveis que marcaram sucessos do cinema. E muitos destes sucessos podem ser revistos no documentário dirigido por Laurent Bouzereau, sobre a vida e a carreira deste grande artista, hoje com 92 anos e em plena atividade. 


John Williams foi capaz de transformar duas notas musicais em tema de uma ficção científica, como acontece com "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" (1977). Ou de um simples som de suspense deixar uma plateia inteira de cabelos em pé à espera do ataque de um certo “Tubarão" (1975). 

Tem também as trilhas para as ousadas expedições de um certo historiador e caçador de relíquias que usava chapéu e chicote (1981 a 2023), e de aventureiros em busca de um "Parque de Dinossauros" (franquia de 1993 a 2022).  

Não sei dizer o que mais me emociona, mas com certeza, ouvir a música orquestrada que abre uma certa franquia que fala de "A long time ago in a galaxy far, far away..." me faz chorar até hoje. Para quem não é fã, esta é a abertura de "Star Wars".


Entre os depoimentos, estão os de amigos inseparáveis, como Steven Spielberg e George Lucas, que viram seus filmes e franquias ganharem prêmios e a paixão dos fãs. Vários outros diretores também falam sobre o trabalho incansável de John Williams, cuja mente e sensibilidade brilhantes tiram música do ar. 

Entre eles estão Ron Howard ("Inferno" - 2016 e "Uma Mente Brilhante" - 2001); J.J. Abrams ("Star Wars : O Despertar da Força" - 2015); Chris Columbus (dos filmes de 2001 e 2002 da saga "Harry Potter", e dos longas "Esqueceram de Mim 1 e 2" - 1990 e 1992); Frank Marshall ("Indiana Jones" - 1981 e 2023) e James Mangold ("Logan" - 2017 e "Ford vs Ferrari" 2019). 

Além de atores, como Ke Huy Quan e Kate Capshaw ("Indiana Jones: Os Caçadores da Arca Perdida" - 1981) e Seth Mac Farlane (dublador do ursinho "Ted 1 e 2" 2012 e 2015), e cantores, como Chris Martin, da banda Coldplay.


Além dos depoimentos e das grandes composições do John Williams, o documentário ainda oferece ao espectador a chance de conhecer um pouco da vida pessoal do maestro. Da convivência com os filhos, até seu tempo servindo como militar na Força Aérea dos EUA e como todas essas experiências influenciaram em sua música. 

São cenas cedidas por familiares e por Spielberg, feitas durante as gravações de seus filmes. Sem contar a coleção de prêmios e indicações ao Grammy, Oscar, Bafta, Emmy e Globo de Ouro. Imperdível, emocionante, inesquecível. Vale a pena conferir o documentário "A Música de John Williams", disponível apenas no Disney+ por assinatura.


Ficha técnica
Direção e produção:
Laurent Bouzereau
Distribuição: Disney Plus
Exibição: Disney Plus
Duração: 1h45
Classificação: livre
País: EUA
Gêneros: drama, musical

03 janeiro 2023

Confira os melhores filmes de 2022 escolhidos pela equipe do Cinema no Escurinho

Fotos: Divulgação

 

Equipe Cinema no Escurinho


Alguns dos integrantes do blog Cinema no Escurinho escolheram seus filmes preferidos de 2022. Sem fugir dos blockbusters, fizemos uma seleção do que ainda está no cinema e das produções em exibição nas plataformas de streaming.

Houve um consenso de que os filmes do ano que se encerrou foram bem mais fracos do que se apresentou no passado. A cada dia que passa, as plataformas digitais têm agradado mais ao público, oferecendo horas e horas de entretenimento, com conteúdo nem sempre satisfatório, mas capaz de afastar o espectador das salas de cinema.

O que se constata, no entanto, é que o mercado vem sendo inundado com um grande volume de produções, para os formatos físico e digital, mas que não significam sinônimo de qualidade em muitos casos.


Veja o que nossos colaboradores indicam e saiba onde assistir. Alguns desses longas ainda podem ser conferidos nas salas de cinema, outros nos streamings e o restante aguardando uma chance para ganhar um lugar ao sol nos espaços de exibição. 

Marca aí na sua lista e não deixe de conferir. Tem sugestões para todos os gostos.

Maristela Bretas
- A Mulher Rei - Gina Prince-Bythewood - Google Play, Apple TV, Prime Vídeo, Net/Claro
- Top Gun: Maverick - Joseph Kosinski - Telecine Play
- Doutor Estranho no Multiverso da Loucura - Sam Raimi - Disney+
- Ela Disse - Maria Schrader - nos cinemas
- Elvis - Baz Luhrmann - HBO Max
- Argentina, 1985 - Santiago Mitre - Prime Vídeo
- Pureza - Renato Barbieri - Globo Play
- Enfermeiro da Noite - Tobias Lindholm - Netflix
- Mundo Estranho - Don Hall e Qui Nguyen - Disney+
- Filho da Mãe - Susana Garcia e Ju Amaral - Prime Vídeo



Mirtes Helena
- Argentina, 1985 - Santiago Mitre - Prime Vídeo
- Medida Provisória - Lázaro Ramos - Globo Play
- Elvis - Baz Luhrmann - HBO Max
- Marte Um - Gabriel Martins - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- O Enfermeiro da Noite - Tobias Lindholm - Netflix
- O Milagre - Sebastián Lelio - Netflix

Jean Piter
"Os estúdios de cinema e de streaming estão preferindo mais o volume de produção do que a qualidade. Blockbusters, do tipo "Star Wars", parecem estar perdendo a linha, criando coisas porque sabem que têm um público cativo. Da mesma forma a DC e a Marvel.  

Eles roubam grande parte da audiência, é dinheiro garantido nas bilheterias e isso acaba tirando o espaço de outras produções, interferindo no calendário de lançamentos. E com isso, o público acaba ficando meio refém dessas grandes produções." 


"De forma geral, eu vejo que a gente está tendo muitas produções mas pouca qualidade. foi meio difícil fazer esta lista de 2022. E cada vez mais a gente vai ver grandes produções lançadas diretamente no streaming."

- Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo - Daniel Scheinert e Daniel Kwan - Net/Claro, Claro Vídeo, Apple TV, Google Play e Prime Vídeo
- Top Gun: Maverick - Joseph Kosinski - Telecine Play
- A Mulher Rei - Gina Prince-Bythewood - Google Play, Apple TV, Prime Vídeo, Net/Claro
- O Predador: A Caçada - Dan Trachtenberg - Star+
- The Batman - Matt Reeves - HBO Max
- Pinóquio - Guillermo del Toro - Netflix
- Elvis - Baz Luhrmann - HBO Max
- Argentina, 1985 - Santiago Mitre - Prime Vídeo


Marcos Tadeu
"Assim como Jean Piter, eu também acho que o mercado do cinema está muito inchado, com muitas produções em streaming. Às vezes, fica até difícil de ver tudo e achar filmes que são muito bons, mas que se perdem no volume de opções oferecidas. 

Neste ponto, o cinema ajuda na escolha. Eu também acho que falta qualidade. Não tive tanta dificuldade em escolher, pois meu critério foi mais o que passou no cinema. Se ficasse refém ao streaming, tivesse mais dificuldade."

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo - Daniel Scheinert e Daniel Kwan - Net/Claro, Claro Vídeo, Apple TV, Google Play e Prime Vídeo
- The Batman - Matt Reeves - HBO Max
- Elvis - Baz Luhrmann - HBO Max
- Top Gun: Maverick - Joseph Kosinski - Telecine Play
- Pinóquio - Guillermo del Toro - Netflix
- Sorria - Parker Finn - Net/Claro, Claro Vídeo, Apple TV, Google Play e Prime Vídeo
- O Predador: A Caçada - Dan Trachtenberg - Star+
- A Mulher Rei - Gina Prince-Bythewood - Google Play, Apple TV, Prime Vídeo, Net/Claro
- Medida Provisória - Lázaro Ramos - Globo Play
- Marte Um - Gabriel Martins - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING


Carol Cassese
- Triângulo da Tristeza - Ruben Östlund - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
O Próximo Passo - Cédric Klapisch - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- O Menu - Mark Mylod - HBO Max
- O Bom Patrão - Fernando León de Aranoa - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- Mães Paralelas - Pedro Almodóvar - Netflix
- O Milagre - Sebastián Lelio - Netflix
- Pinóquio - Guillermo del Toro - Netflix
- Marte Um - Gabriel Martins - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- Noites de Paris - Mikhaël Hers - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- A Acusação - Yvan Attal - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING


Eduardo Jr.
- Marte Um - Gabriel Martins - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- Medida Provisória - Lázaro Ramos - Globo Play
- The Batman - Matt Reeves - HBO Max
- Respect - A História de Aretha Franklin - Liesl Tommy - Prime Vídeo
- As Verdades - José Eduardo Belmonte - Telecine
- Mães Paralelas - Pedro Almodóvar - Netflix

27 novembro 2022

Quinze anos depois, "Desencantada" é uma continuação que perde o encanto

Novo longa reúne personagens do primeiro filme, com Amy Adams ainda como protagonista (Fotos: Walt Disney Pictures)


Marcos Tadeu
Narrativa cinematográfica


"Desencantada" ("Disenchanted"), o filme mais aguardo da sequência de "Encantada" (2007), que você pode conferir crítica clicando aqui, chegou ao Disney+ no dia 16/11. E veio com a grande promessa que iria manter os moldes do filme anterior, trazendo uma Giselle diferente do que estamos acostumados. Vale lembrar que mais de 15 anos se passaram para o elenco original e seus personagens.

Na trama, continuamos literalmente depois do "felizes para sempre" e de alguns anos. Giselle e Robert (novamente interpretados por Amy Adams e Patrick Dempsey) agora são pais da pequena Sofia, enquanto Morgan (Gabriella Baldacchino) começa a enfrentar a fase da adolescência. 


Nossa protagonista descobre que a vida em Nova York não é um conto de fadas, o que a deixa muito cansada, ainda mais agora que tem que cuidar de uma bebê. Foi aí que teve a ideia de se mudar para Moronvile. 

Nancy e Edward (Idina Menzel e James Marsden, também do primeiro filme) vão visitar a família e deixa uma varinha de desejos de Andalasia. Mas somente quem pode usá-la é uma filha do antigo reino. 

Morgan, por outro lado, questiona por estar longe e não se sentir parte daquele novo lugar. Sua relação com a madrasta também muda.  Robert também sofre por trabalhar em Nova York e ter de se adaptar. 


Talvez o ponto mais positivo seja o primeiro ato do filme, que consegue trazer um contexto sobre o que o público irá esperar. Esses minutos iniciais nos levam a crer que ainda estamos com todos aqueles personagens de 2007. 

Porém, ao chegar na segunda parte, existe uma tentativa tão grande em mudar os rumos da história que tudo fica muito artificial, chato, vira praticamente outro filme.


Notamos que Giselle usou a varinha de Andalasia como forma de voltar a ser o que era antes e, principalmente, para ter um bom relacionamento com Morgan. Nossa protagonista se torna vilã, mas de uma maneira muito forçada. 

Amy Adams transita muito bem entre mocinha e madrasta má, porém isso não é suficiente para que o enredo ande de forma natural.


A desconstrução da personagem parece até interessante em um primeiro momento, mas logo se perde. Talvez fosse mais legal se o filme contasse como Giselle vive sua vida de adulta em Nova York. 

A produção abandona ou torna bobo os personagens e tudo fica muito sem nexo. Até Morgan tem uma mudança radical de comportamento,

Nancy, mostrada em duas ou três cenas, talvez seja a mais coerente em toda a sua história, mas ainda assim, a atriz Indina Mezel é prejudicada pelo roteiro fraco. Edward também é quase esquecido, vemos pouco de suas ações ao longo da trama.


As músicas da trilha sonora não têm a mesma força de ser "chiclete" e grudar na cabeça como o filme original. Também o figurino é bem exagerado, mais do que o comum.

É impossível não fazer comparações com a primeira produção, que teve referências a personagens e objetos da Disney colocadas de maneira pontual. Aqui existe uma necessidade extrema de ficar "arrotando referências" em toda obra, o que a deixa cansativo. 


Num terceiro momento, há outro ponto negativo: a necessidade de esclarecer o porquê Giselle de ela se tornar uma vilã. E ainda canta ao explicar isso ao amigo Pipe, quase chamando o espectador de burro.

Até com relação às vilãs, vemos que existe competitividade entre as mulheres. em "Desencantada" conhecemos Malvina Monroe, interpretada por Maya Rudolph, que está excelente em seu papel. 

Apesar de sua motivação ser apenas a de tomar a varinha do desejo para si e querer mostrar autoridade sobre Giselle, essa rivalidade entre as duas soa fraca e sem graça.


Tanto os cenários como o CGI parecem menos profissionais e mais artificiais. No longa original era possível ver algumas coisas que se misturavam ao cenário real. Mas no novo filme tudo é tão forçado e exagerado ao extremo que fica difícil "comprar a ideia".

"Desencantada" apesar de mágico e fabuloso, não consegue ser uma continuação à altura de "Encantada". Vale a pena conferir se for muito fã de Amy Adams, que também produtora desse segundo longa. Ela sim, carrega o filme nas costas e com classe, fora isso é uma produção que desencanta a quem assiste.


Ficha técnica:
Direção: Adam Shankman
Produção: Walt Disney Pictures / Entertainment
Exibição: Disney+
Duração: 2h01
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: comédia, fantasia, aventura, família