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12 janeiro 2026

Com duas estatuetas, Brasil faz história no Globo de Ouro com "O Agente Secreto"

Longa dirigido por Kleber Mendonça Filho conquista prêmios de Melhor Filme em Língua Não Inglesa
e Melhor Ator em Filme de Drama (Fotos: CinemaScópio Produções)
 
 

Maristela Bretas

 
"O Agente Secreto", do diretor Kleber Mendonça Filho, atingiu mais um feito histórico para o cinema brasileiro ao conquistar, neste domingo (11) os prêmios de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, e de Melhor Ator em Filme de Drama, recebido por Wagner Moura na 83ª edição do Globo de Ouro. Mais um para a coleção do ator, que também foi eleito Melhor Ator no Festival de Cannes de 2025 onde a produção fez sua estreia mundial.

O longa já soma mais de 20 prêmios concedidos por festivais e associações de críticos ao redor do mundo. Entre os destaques mais recentes estão as conquistas na 31ª edição do Critics Choice Awards 2026, onde venceu como Melhor Filme em Língua Estrangeira, e no New York Film Critics Circle (NYFCC) Awards 2026, no qual Wagner Moura recebeu o prêmio de Melhor Ator e o filme foi reconhecido como Melhor Filme Internacional.

Wagner Moura (Reprodução TV)

Orlando Bloom e Minnie Driver entregaram a estatueta de Melhor Filme em Língua Não-inglesa para o diretor Kleber Mendonça Filho. O longa brasileiro competiu com produções da Coreia do Sul, França, Noruega, Espanha e Tunísia.

Wagner Moura recebeu seu troféu das mãos dos atores Diane Lane e Colman Domingo, que ainda simulou no palco uma dança para comemorar com o ator brasileiro, que ao final de seu discurso em inglês, agradeceu em português a todos os brasileiros pela conquista.

Ambientado no Brasil de 1977, em pleno período da ditadura militar, "O Agente Secreto" acompanha Marcelo, interpretado por Wagner Moura, um professor que retorna de São Paulo para Recife, sua terra natal, tentando escapar de um passado violento e misterioso para ficar perto do filho. 


Mas logo percebe que o passado continua à espreita e, mesmo usando uma nova identidade, ainda corre risco e representa um perigo para todos ao seu redor. 

O longa é uma coprodução entre Brasil (CinemaScópio Produções), França (MK Productions), Holanda (Lemming) e Alemanha (One Two Films), com distribuição nacional da Vitrine Filmes.

"O Agente Secreto" foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2026. A 98ª edição da cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood está prevista para o dia 15 de março.

As premiações

George Clooney, ao lado de Don Cheadle, anunciou o vencedor da principal categoria do Globo de Ouro 2026. "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet", da diretora Chloé Zhao, foi escolhido Melhor Filme de Drama. 

A produção também levou a estatueta de Melhor Atriz em Filme de Drama, entregue por Chris Pine e Ana de Armas a Jessie Buckley por sua elogiada atuação.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet"
(Foto: Universal Pictures)

Com apresentação da comediante Nikki Glaser, o Globo de Ouro 2026, foi realizado no auditório do Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles. As atrizes Amanda Seyfried e Jennifer Garner entregaram o primeiro prêmio da noite, de Melhor Atriz Coadjuvante em Filme para Teyana Taylor, por sua atuação em "Uma Batalha Após a Outra", da Warner Bros. Pictures. 

A produção, considerada a favorita, foi a maior premiada conquistando outras três estatuetas: Melhor Roteiro em Filme, Melhor Direção em Filme e Melhor Filme de Comédia ou Musical, entregues ao diretor e roteirista Paul Thomas Anderson.

"Uma Batalha Após a Outra"
(Foto: Warner Bros. Pictures)

Nas séries, como era esperado, "Adolescência", da Netflix, também foi premiada quatro vezes: Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama, novamente para o jovem Owen Cooper, que aumentou sua coleção de estatuetas como protagonista; Melhor Ator em Minissérie ou Filme de TV, conquistado por Stephen Graham; Melhor Atriz Coadjuvante em Série para Erin Doherty, e Melhor Minissérie ou Filme para TV.

Duas estatuetas

Outro filme que estava entre os favoritos na disputa pelo Globo de Ouro 2026 foi o filme "Pecadores", do diretor Ryan Coogler, com Michael B. Jordan interpretando dois irmãos gêmeos. O longa levou os prêmios de Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Campeão de Bilheteria. 

Sem novidade também foram as estatuetas entregues a "Guerreiras do K-Pop", da Netflix, que levou os prêmios de Melhor Música para Filme com a canção "Golden", e de Melhor Filme de Animação. Considerada um dos fenômenos da Netflix ela já teve uma nova temporada anunciada.

"Guerreiras do K-Pop" (Foto: Netflix)

Nas séries, uma das favoritas, "The Pitt" levou também dois troféus: Melhor Ator em Série de Drama, para Noah Wyle, e Melhor Série de Drama. A série da HBO Max, que estreou recentemente a segunda temporada, já anunciou uma terceira. 

"The Studio", da Prime Vídeo, foi outra que venceu em duas categorias do Globo de Ouro 2026: Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical, prêmio entregue a Seth Rogen, e Melhor Série de Comédia ou Musical. A série já teve sua segunda temporada confirmada.

"The Studio" (Foto: Prime Vídeo)

Veja a lista completa de vencedores:

- Melhor Filme de Drama: "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet"
- Melhor Filme de Comédia ou Musical: "Uma Batalha Após a Outra"
- Melhor Ator em Filme de Drama: Wagner Moura ("O Agente Secreto")
- Melhor Atriz em Filme de Drama: Jessie Buckley ("Hamnet: A Vida Antes de Hamlet")
- Melhor Série de Comédia ou Musical: "The Studio"
- Melhor Minissérie ou Filme para a TV: "Adolescência"

"Adolescência" (Foto: Netflix)

- Melhor Série de Drama: "The Pitt"
- Melhor Atriz em Série de Drama: Rhea Seehorn ("Pluribus")
- Melhor Performance de Comédia Stand-up na TV: Ricky Gervais ("Ricky Gervais: Mortality")
- Melhor Atriz Coadjuvante na TV: Erin Doherty ("Adolescência")
- Melhor Filme em Língua Não-inglesa: "O Agente Secreto"
- Melhor Filme de Animação: "Guerreiras do K-Pop"
- Melhor Direção em Filme: Paul Thomas Anderson ("Uma Batalha Após a Outra")
- Melhor Destaque em Bilheteria: "Pecadores"
- Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para a TV: Michelle Williams ("Dying for Sex")
- Melhor Ator em Minissérie ou filme para a TV: Stephen Graham ("Adolescência")

"Pecadores" (Foto: Warner Bros. Pictures)

- Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical: Timothée Chalamet ("Marty Supreme")
- Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musica: Rose Byrne ("Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria")
- Melhor Roteiro de Filme: Paul Thomas Anderson ("Uma Batalha Após a Outra")
- Melhor Trilha Sonora de Filme: "Pecadores"
- Melhor Música para Filme: canção "Golden" ("Guerreiras do K-Pop")
- Melhor Podcast: "Good Hang with Amy Poehler"
- Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical: Seth Rogen ("The Studio")
- Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama: Owen Cooper ("Adolescência")
- Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical: Jean Smart ("Hacks")
- Melhor Ator em Série de Drama: Noah Wyle ("The Pitt")
- Melhor Ator Coadjuvante em Filme: Stellan Skarsgard ("Valor Sentimental")
- Melhor Atriz Coadjuvante em Filme: Teyana Taylor ("Uma Batalha Após a Outra")

Noah Wyle, de "The Pitt (Foto: HBO Max")

10 fevereiro 2023

“The Last of Us” e "Uncharted" entre as 10 melhores adaptações de videogames para TV e cinema

HBO MAX (Divulgação)

Sony Pictures (Divulgação)


Da Redação

Apesar de ter sido lançado há menos de um mês, “The Last of Us” está em terceiro lugar geral nas principais adaptações de videogames de séries de TV de todos os tempos. “Arcane”, o programa adaptado do jogo “League of Legends”, ocupa a primeira colocação. 


Para filmes, “Uncharted” (clique para conferir a crítica no blog) lidera a lista desta semana. Curiosamente, ambos os filmes de “Sonic the Hedgehog” também fizeram parte da lista. Veja os gráficos abaixo dos Top 10 TV Show e Top 10 Movies, enviados pelo guia de streaming JustWatch, parceiro do blog Cinema no Escurinho.


03 janeiro 2023

Confira os melhores filmes de 2022 escolhidos pela equipe do Cinema no Escurinho

Fotos: Divulgação

 

Equipe Cinema no Escurinho


Alguns dos integrantes do blog Cinema no Escurinho escolheram seus filmes preferidos de 2022. Sem fugir dos blockbusters, fizemos uma seleção do que ainda está no cinema e das produções em exibição nas plataformas de streaming.

Houve um consenso de que os filmes do ano que se encerrou foram bem mais fracos do que se apresentou no passado. A cada dia que passa, as plataformas digitais têm agradado mais ao público, oferecendo horas e horas de entretenimento, com conteúdo nem sempre satisfatório, mas capaz de afastar o espectador das salas de cinema.

O que se constata, no entanto, é que o mercado vem sendo inundado com um grande volume de produções, para os formatos físico e digital, mas que não significam sinônimo de qualidade em muitos casos.


Veja o que nossos colaboradores indicam e saiba onde assistir. Alguns desses longas ainda podem ser conferidos nas salas de cinema, outros nos streamings e o restante aguardando uma chance para ganhar um lugar ao sol nos espaços de exibição. 

Marca aí na sua lista e não deixe de conferir. Tem sugestões para todos os gostos.

Maristela Bretas
- A Mulher Rei - Gina Prince-Bythewood - Google Play, Apple TV, Prime Vídeo, Net/Claro
- Top Gun: Maverick - Joseph Kosinski - Telecine Play
- Doutor Estranho no Multiverso da Loucura - Sam Raimi - Disney+
- Ela Disse - Maria Schrader - nos cinemas
- Elvis - Baz Luhrmann - HBO Max
- Argentina, 1985 - Santiago Mitre - Prime Vídeo
- Pureza - Renato Barbieri - Globo Play
- Enfermeiro da Noite - Tobias Lindholm - Netflix
- Mundo Estranho - Don Hall e Qui Nguyen - Disney+
- Filho da Mãe - Susana Garcia e Ju Amaral - Prime Vídeo



Mirtes Helena
- Argentina, 1985 - Santiago Mitre - Prime Vídeo
- Medida Provisória - Lázaro Ramos - Globo Play
- Elvis - Baz Luhrmann - HBO Max
- Marte Um - Gabriel Martins - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- O Enfermeiro da Noite - Tobias Lindholm - Netflix
- O Milagre - Sebastián Lelio - Netflix

Jean Piter
"Os estúdios de cinema e de streaming estão preferindo mais o volume de produção do que a qualidade. Blockbusters, do tipo "Star Wars", parecem estar perdendo a linha, criando coisas porque sabem que têm um público cativo. Da mesma forma a DC e a Marvel.  

Eles roubam grande parte da audiência, é dinheiro garantido nas bilheterias e isso acaba tirando o espaço de outras produções, interferindo no calendário de lançamentos. E com isso, o público acaba ficando meio refém dessas grandes produções." 


"De forma geral, eu vejo que a gente está tendo muitas produções mas pouca qualidade. foi meio difícil fazer esta lista de 2022. E cada vez mais a gente vai ver grandes produções lançadas diretamente no streaming."

- Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo - Daniel Scheinert e Daniel Kwan - Net/Claro, Claro Vídeo, Apple TV, Google Play e Prime Vídeo
- Top Gun: Maverick - Joseph Kosinski - Telecine Play
- A Mulher Rei - Gina Prince-Bythewood - Google Play, Apple TV, Prime Vídeo, Net/Claro
- O Predador: A Caçada - Dan Trachtenberg - Star+
- The Batman - Matt Reeves - HBO Max
- Pinóquio - Guillermo del Toro - Netflix
- Elvis - Baz Luhrmann - HBO Max
- Argentina, 1985 - Santiago Mitre - Prime Vídeo


Marcos Tadeu
"Assim como Jean Piter, eu também acho que o mercado do cinema está muito inchado, com muitas produções em streaming. Às vezes, fica até difícil de ver tudo e achar filmes que são muito bons, mas que se perdem no volume de opções oferecidas. 

Neste ponto, o cinema ajuda na escolha. Eu também acho que falta qualidade. Não tive tanta dificuldade em escolher, pois meu critério foi mais o que passou no cinema. Se ficasse refém ao streaming, tivesse mais dificuldade."

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo - Daniel Scheinert e Daniel Kwan - Net/Claro, Claro Vídeo, Apple TV, Google Play e Prime Vídeo
- The Batman - Matt Reeves - HBO Max
- Elvis - Baz Luhrmann - HBO Max
- Top Gun: Maverick - Joseph Kosinski - Telecine Play
- Pinóquio - Guillermo del Toro - Netflix
- Sorria - Parker Finn - Net/Claro, Claro Vídeo, Apple TV, Google Play e Prime Vídeo
- O Predador: A Caçada - Dan Trachtenberg - Star+
- A Mulher Rei - Gina Prince-Bythewood - Google Play, Apple TV, Prime Vídeo, Net/Claro
- Medida Provisória - Lázaro Ramos - Globo Play
- Marte Um - Gabriel Martins - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING


Carol Cassese
- Triângulo da Tristeza - Ruben Östlund - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
O Próximo Passo - Cédric Klapisch - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- O Menu - Mark Mylod - HBO Max
- O Bom Patrão - Fernando León de Aranoa - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- Mães Paralelas - Pedro Almodóvar - Netflix
- O Milagre - Sebastián Lelio - Netflix
- Pinóquio - Guillermo del Toro - Netflix
- Marte Um - Gabriel Martins - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- Noites de Paris - Mikhaël Hers - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- A Acusação - Yvan Attal - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING


Eduardo Jr.
- Marte Um - Gabriel Martins - AINDA INDISPONÍVEL NO STREAMING
- Medida Provisória - Lázaro Ramos - Globo Play
- The Batman - Matt Reeves - HBO Max
- Respect - A História de Aretha Franklin - Liesl Tommy - Prime Vídeo
- As Verdades - José Eduardo Belmonte - Telecine
- Mães Paralelas - Pedro Almodóvar - Netflix

15 dezembro 2022

“The White Lotus” escancara a masculinidade tóxica e a hipocrisia do sonho burguês

Série satiriza personagens, especialmente os hóspedes norte-americanos que querem viver o clichê
do "sonho italiano" (Fotos: HBO)


Carol Cassese
Blog no Zint


Matrimônios contraídos com leviandade desencadeiam consequências graves. Essa é uma das principais mensagens da ópera Madame Butterfly, elemento bastante relevante para a segunda temporada de “The White Lotus”, série da HBO Max que chegou ao fim no último domingo (11). 

Não faltam relações levianas nesses novos episódios ambientados na Sicília: podemos mencionar os casais Daphne (Meghann Fahy) e Cameron (Theo James), Tanya (Jennifer Coolidge) e Greg (Jon Gries) e ainda a relação de Dominic (Michael Imperioli) com sua ex-mulher. 


Desde o primeiro episódio, sabe-se que os corpos de vários hóspedes foram encontrados nas cercanias do luxuoso resort. Fica a pergunta: afinal de contas, quem morreu? E a clássica: quem matou?

Dessa vez, vale ressaltar, os personagens não são os mesmos dos da temporada anterior - apenas Tanya e Greg garantiram sua vaga no resort da Sicília. Qualquer semelhança com personagens da última temporada, porém, não é mera coincidência: milionários de fato parecem todos iguais. 


Também vemos hóspedes  (principalmente homens) se aventurando em esportes "da moda" e dizendo que o "mundo está ficando muito chato por conta do politicamente correto". Afinal de contas, eles não podem nem seguir explorando os outros em paz…

Nos últimos anos, foram lançadas muitas narrativas que criticam os super ricos. Alguns exemplos são o filme “Parasita”, a série “Succession” e os bem recentes longas “O Menu” e “Triângulo da Tristeza”. 

Nesses tempos em que milionários brincam de comprar plataformas e querem explorar até mesmo outros planetas, o sonho burguês de fato parece ainda mais digno de ser criticado. 


Além de mostrar as ambições desses turistas fúteis, a série nos faz conhecer um pouco (bem pouco) da realidade siciliana por meio das personagens Lucia (Simona Tabasco) e Mia (Beatrice Gannò). Alguns podem ficar com raiva da maneira que a série estadunidense decide retratar os italianos - obviamente, com muitos estereótipos. 

Há quem aponte que as duas garotas locais são representadas como aproveitadoras, que querem a todo custo "arrancar" dinheiro dos americanos e acabam conseguindo o que querem por meio de seus corpos. 

Já vimos isso em algum lugar? Mulheres estrangeiras (em geral latinas) sendo representadas dessa forma? Provavelmente. E claro: como boa produção estadunidense falando da Itália, não poderiam faltar menções aleatórias à máfia. 


Por outro lado, outros defendem que as duas personagens italianas na verdade são exemplos empoderadores, já que elas arrancam dinheiro dos milionários. 

O conceito de empoderamento parece elástico e simplista demais nos dias de hoje, mas também é muito difícil sentir pena desses homens que enganam e exploram mulheres há décadas (em especial, Cameron e Dominic). 

De qualquer maneira, um possível alento é o fato de que “The White Lotus” satiriza praticamente todos os personagens; os hóspedes que querem viver o clichê do "sonho italiano" - sem saberem muito a respeito da cultura do país - definitivamente não são poupados.


Assim como na primeira temporada, uma das cenas finais mostra a maior parte dos personagens no aeroporto, aparentemente despreocupados e prontos para retornarem. Nem mesmo um assassinato parece perturbar a ordem daqueles que precisam fingir que está tudo bem. 

Outro ponto em comum com a temporada anterior é a frustração que sentimos pelo fato de que alguns personagens permanecem em relacionamentos tóxicos, mesmo que a viagem tenha escancarado a superficialidade dos parceiros. Esse conformismo também é característico de uma classe que vive de sucessivas simulações.

"Você mataria por beleza?", pergunta Quentin (Tom Hollander) a Tanya em uma das cenas mais emblemáticas da temporada. Tal questionamento também pode ser traduzido como: até onde você iria para manter as aparências? Alguns morreriam - outros estariam dispostos a matar. 

Trailer da 1ª Temporada 


ATENÇÃO: A parte a seguir contém spoilers

Apareceram muitas teorias acerca de diferentes pontos da série: será que um dos filhos de Daphne é do tal instrutor de academia? Cameron vai tentar tirar dinheiro de Ethan? Cameron e Ethan dormiram juntos? Harper e Cameron tiveram algo? No final, Albie vai se revelar um cara péssimo?

É interessante reparar que a série também nos mostra que às vezes as coisas são como parecem. O cara bonzinho pode ser só isso mesmo, um inocente que não esconde um plano maquiavélico. 

Já alguém que parece uma "bagunça sexy ambulante" pode acabar... Bom, bagunçando a vida de quem decide cair na tentação. Eles avisaram.


Vale notar ainda o fato de Harper e Ethan só conseguirem se reconciliar depois de (muito provavelmente) terem ficado com outras pessoas. Eles se tornam ainda mais parecidos com Daphne e Cameron: um casal mentiroso e cheio de química. 

A afinidade sexual, portanto, estaria ligada justamente a esse jogo de falsas aparências - parece que a perfeita foto de casal no Instagram esconde uma série de enganações.

No que diz respeito ao mistério principal (quem morreu e quem matou), a narrativa nos proporciona vários elementos para que possamos montar o quebra cabeça: há a ordem de mandar Portia embora, o sumiço abrupto de Greg, as cartas de tarô, a fotografia do porta-retrato. As demais subtramas, porém, nos deixam entretidos e, consequentemente, desviam a atenção da história "principal". 


Isso não é um demérito da série: considerando que há um mistério a ser desvendado, é mais do que desejável que o espectador não saiba em que focar. Já que estamos muito ocupados observando as investidas absurdas de Cameron, não necessariamente damos atenção ao desaparecimento de Greg, por exemplo.

Num diálogo com Portia, Tanya conta que sempre se comportou como uma boneca, esperando que os outros brincassem com ela. Percebemos que, mesmo num momento decisivo do último episódio, ela parece apegada a um detalhe supérfluo: "Greg estava ou não com outra mulher?". 


Mais uma vez, vale a pena lembrar da pergunta de Quentin: "Você morreria pela beleza?". Em determinado momento, é possível que nos perguntemos: Tanya realmente demora a juntar as peças do quebra cabeça ou apenas decide privilegiar a beleza?

É triste nos darmos conta de que a personagem foi realmente manipulada por vários homens ao longo de sua vida. Figuras do sexo masculino que, como bem pontuou a personagem Daphne, "acham que estão fazendo algo muito importante, mas, por serem tão competitivos, na verdade estão apenas vagando sozinhos". Como um elefante macho. Que venha o próximo destino - e mais uma porção de relações levianas. 

Trailer da 2ª Temporada


Ficha técnica:
Direção, roteiro e produção executiva: Mike White
Produção e distribuição: HBO
Exibição: HBO Max
Duração: 2 temporadas = 6 episódios cada
Classificação: 12 anos
País: EUA
Gêneros: comédia / drama

25 abril 2022

“Space Jam – O Jogo do Século”: a mistura de live-action e desenho animado que conquistou gerações

Michael Jordan se junta aos Looney Tunes e Bill Murray numa louca e divertida aventura para salvar o mundo (Warner Bros. Pictures)


Marcos Tadeu - blog Narrativa Cinematográfica


Quem ler essa crítica hoje em dia e estiver na faixa dos 40 anos possivelmente terá visto muitos desenhos dos Looney Tunes. A turma do Pernalonga foi sem dúvida, um marco na história de muitos de nossos seguidores. Sucesso de TV no Bom Dia & Cia, fomos criados com várias aventuras e demos muitas risadas com essa turma para lá de louquinha e exagerada do desenho animado. Até que no ano de 1996 fomos contemplados com o famoso “Space Jam: O Jogo do Século”, uma mistura de live-action e personagens animados jogando basquete.


Quando um grupo de alienígenas quer que Pernalonga e seus amigos se tornem escravos em um Parque de Diversão sombrio em um planeta chamado Montanha Bobolândia, o coelho propõe um jogo de basquete e convoca o reforço de um dos mais famosos atletas do esporte na época, Michael Jordan. 

O Sr. Swackhammer é o grande vilão por trás dos seus capangas, enquanto os Monstars são pequenas criaturas que ele controla com o medo. Falar em motivação aqui é importante. Somente quando os Monstars roubam os talentos dos jogadores da NBA e os Looney Tunes sequestram Michael Jordan é que o filme fecha todas as pontas soltas.


A trama tem um enredo muito simples e consegue mesclar personagens reais e de animações em uma mesma tela. A temática do basquete encanta, como também todo o universo em que somos inseridos, desde a abertura de "Space Jam" às próprias músicas. O que mais chama atenção nos créditos iniciais é a trajetória de Jordan até se tornar um jogador de basquete famoso. Com a aposentadoria, ele decide se profissionalizar no golfe. 


Os Looney Tunes são exatamente como nas animações clássicas, com muito bom humor. Pernalonga e Patolino são praticamente os líderes, deixando a trama ainda mais divertida. O tempo de tela entre os personagens animados e os reais é muito bem definido, um não atrapalha o outro e agrada ao telespectador. 

É ótimo rever Frajola querendo comer Piu Piu, Lola Bunny chegando conquistando o coração de Pernalonga, Patolino falando cuspindo em todos, Coiote correndo atrás de Papa-Léguas. Todas as suas ações são sempre remetendo ao que eles fazem em seus desenhos individuais e isso ajuda a pesar no fator nostalgia.


Michael Jordan consegue entregar uma excelente atuação que transita entre os dois mundos, o real e o animado. A estrela do basquete tem um papel primordial na história. Além de treinar os tunes, é quase como uma missão recuperar os talentos de seus antigos companheiros de quadra. 

Ele é bem humano em sua atuação, tanto em fazer parte da equipe da turma de Patolino e Pernalonga, quanto ao enfrentar os vilões. Acho interessante como a presença de Jordan engrandece o enredo e faz com que o filme caminhe de maneira orgânica em relação aos acontecimentos. Até quando é sequestrado por Pernalonga e Patolino, ele quer entender em qual universo está inserido e o que deve fazer.


Falando um pouco dos aspectos técnicos dessa produção, foi empregada nos personagens uma caprichada animação em 2D. Há todo um cuidado com a textura, os trejeitos, sons e tudo que somente os personagens animados sabem fazer. O jeito doido e exagerado dos Looney Tunes funciona muito bem ao lado de Jordan, um cara mais contido, mas que lida bem com toda a turma.

A trilha sonora é outro fator que chama a atenção, especialmente "Space Jam", música tema do filme. Composta pela dupla Quad City DJs foi muito bem colocada na abertura e já trouxe o contexto da ambientação do mundo do basquete. Outra canção que fez muito sucesso foi  “I Believe I Can Fly"  produzida e interpretada pelo cantor gospel  R. Kelly. No longa, ela é apresentada desde a infância de Jordan até sua vida adulta como profissional de tênis. Provavelmente, você deve estar cantando junto essas músicas ao ler a crítica ou já colocou pra tocar.


Mas o deleite para os olhos é o jogo do século, que coloca à prova os acordos feitos entre Jordan e o Sr.Swackhammer. Tanto os efeitos especiais, quanto a animação dos personagens e até a presença dos Monstars conseguem entregar muita emoção ao telespectador. Por ser um filme de 1996, já existe uma qualidade maior em como isso é mostrado ao público. Bill Murray também faz uma participação super especial e pontual, agregando mais diversão ao jogo do Tune Squad.


Talvez o que deixe a desejar seja o fato de explorar pouco a relação de Jordan com sua família. Conhecemos pouco (diferentemente do segundo filme, lançado em 2021, “Space Jam – Um Legado”, que teve como astro do basquete LeBron James). Outro ponto que deixa a desejar é como surgiram os Monstars e a Montanha Bobolândia.

"Space Jam – O Jogo do Século" é aquele filme que vale pela trama, pelos efeitos, por enaltecer o basquete como esporte de equipe e também pela trilha sonora. Sem esquecer as participações especiais de grandes astros da NBA, que dão um brilho à produção. O longa ainda carrega toda aquela good vibes de filmes de anos 1990. Um prato cheio de nostalgia e volta no tempo, que consegue agradar tanto o público infantil, quanto o adulto. Quem quiser rever essa belezinha de filme é só dar uma conferida na HBOMAX.


Ficha técnica:
Direção: Joe Pytka
Produção: Warner Bros. Animation
Exibição: HBO Max
Duração: 1h28
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: Comédia / Fantasia / Aventura

10 janeiro 2022

Os favoritos do Cinema no Escurinho de 2021 no cinema e plataformas de streaming

"Mare of Easttown", minissérie policial dramática com Kate Winslet (Crédito: HBO Max)


Maristela Bretas

Seguindo a tradição de anos passados, o blog Cinema no Escurinho pediu novamente a seus colaboradores que indicassem filmes e séries lançados em 2021, no cinema ou plataforma de streaming.

Na telona, o destaque ficou em dezembro com o tão esperado "Homem Aranha: Sem Volta Para Casa", produzido em parceria pela Sony Pictures e Marvel Studios. O filme ainda está em exibição em várias salas do país.

Já o drama policial "Mare of Easttown", produzido pela HBO, foi o mais indicado pelo blog entre as séries exibidas em canais de streaming.

"Homem Aranha: Sem Volta Para Casa" (Crédito: Marvel Studios/Divulgação)

Aqui vão as dicas destas produções, algumas com links para as críticas feitas por essa turma que curte a sétima arte. E se quiser enviar alguma sugestão de filme ou série que não conste nesta relação (e são muitos), mande até o dia 16 de janeiro para o blog..

Vamos fazer uma seleção dos 20 favoritos indicados por nossos seguidores para uma nova postagem. O e-mail é cinemanoescurinho@gmail.com. Basta colocar o nome e onde a produção pode ser conferida - no cinema ou plataforma de streaming.

"Mentes Extraordinárias" (Crédito: Festival Varilux)

Carol Cassese
FILMES
A Mão de Deus (Netflix)
Mentes Extraordinárias (Cinema - assistido no Festival Varilux)
A Crônica Francesa (Aguardando entrar na plataforma de streaming)
Mães Paralelas (Aguardando entrar na plataforma de streaming)
Duna (HBO Max)

SÉRIES
Mare of Easttown (HBO Max)
White Lotus (HBO Max)
Hacks (HBO Max)
Missa da Meia-Noite (Netflix)
Maid (Netflix)

"Duna" (Crédito: HBO Max)

Jean Piter Miranda

SÉRIES
Mare of Easttown (HBO Max)
WandaVision (Disney+)
Arcane (Netflix)
Falcão e Soldado Invernal (Disney+)
Gavião Arqueiro (Disney+)

"Não Olhe para Cima" (Crédito: Netflix)

Marcos Tadeu
FILMES
Noite Passada em Soho (Cinema)
Duna (HBO Max)
Marighella (Globoplay)
Maligno (HBO Max)

SÉRIES
WandaVision (Disney+)
Solos (Amazon Prime Video)
Clickbait (Netflix)
Lupin (Netflix)
Round 6 (Netflix)

"WandaVision" (Crédito: Disney+)

Maristela Bretas
FILMES
Marighella (Globoplay)
Ghostbusters - Mais Além (My Family Cinema)
Cruella (Disney+)
Luca (Disney+)

SÉRIES
WandaVision (Disney+)
O Homem das Castanhas (Netflix)
Lupin (Netflix)
Gavião Arqueiro (Disney+)

"Marighella" (Crédito: Factoria Comunicação)

Mirtes Helena Scalioni

FILMES

Ataque dos Cães (Netflix)
O Festival do Amor (Cinema)
A Filha Perdida (Netflix)
Veneza (Star+)
Druk: Mais Uma Rodada (Telecine)

SÉRIES
A Caminho do Céu (Netflix)
Manhãs de Setembro (Amazon Prime Video)
Maid (Netflix)
O Paraíso e a Serpente (Netflix)
Round 6 (Netflix)