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22 setembro 2026

CineBH completa 20 anos transformando a capital mineira em território do cinema

Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte vai ocupar oito espaços da capital mineira, com acesso gratuito (Fotos: Leo Lara/Universo Produção)
 
 

Da Redação

 
De hoje a 27 de setembro, Belo Horizonte recebe a 20ª CineBH - Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução. 

A abertura será realizada no Grande Teatro do Cine Theatro Brasil, com a pré-estreia nacional de "Se Eu Fosse Vivo... Vivia", novo longa-metragem do cineasta mineiro André Novais Oliveira, produzido pela Filmes de Plástico. 

O filme marca a estreia de Conceição Evaristo como atriz e também uma das homenageadas, juntamente com a cineasta paraguaia Paz Encin. Duas mulheres com trajetórias fundamentais para a cultura latino-americana contemporânea.

(Fotos: Aline Macedo e Cristian Nuñez)

A celebração dos 20 anos inclui a Retrospectiva CineBH 20 Anos, que recupera filmes exibidos em diferentes momentos da Mostra, e o Cine-Concerto Central do Brasil, realizado em parceria com o Cine Theatro Brasil, que acontece dia 23, às 20 horas. 

Na apresentação, o clássico de Walter Salles será exibido na íntegra, com seus diálogos e efeitos sonoros, enquanto a trilha musical será executada ao vivo.

A programação vai ocupar oito espaços da capital mineira, com acesso gratuito a sessões, debates, atividades formativas, encontros profissionais, homenagens e ações especiais.

Programa A Escola Vai ao Cinema

Formação audiovisual

Ao longo de 20 edições, a CineBH exibiu 1.751 filmes em 1.216 sessões de cinema, beneficiou mais de 50 mil alunos por meio do programa Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema e certificou mais de 3.800 participantes em seus programas de formação audiovisual. 

A realização também deu origem ao Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução, que, em 17 edições, apresentou 486 projetos brasileiros de longa-metragem, promoveu 3.074 encontros de negócios e contribuiu para que 158 projetos se transformassem em filmes finalizados e lançados comercialmente.

Esses números expressam uma trajetória construída a partir da continuidade. Desde a primeira edição, a CineBH compreendeu que uma mostra de cinema não deveria se limitar à exibição de filmes. 

Brasil CineMundi

Era necessário criar condições para que as obras encontrassem seus públicos, promover o debate sobre os desafios da produção e da circulação, formar novos espectadores e profissionais e aproximar diferentes gerações, territórios e modos de fazer cinema.

História cultural

Criada em 2007 com a reabertura provisória do Cine Santa Tereza, a Mostra CineBH construiu uma atuação permanente na exibição, formação, reflexão e internacionalização do audiovisual e chega à 20ª edição reafirmando Belo Horizonte como capital do cinema latino-americano.

Quando em 2007 a primeira CineBH abriu as portas do Cine Santa Tereza (fechado desde 1980), não inaugurava apenas um novo festival. Recolocava em funcionamento um cinema fechado havia 27 anos, devolvia ao público um espaço que fazia parte da história cultural e afetiva de Belo Horizonte. 

Cine Santa Tereza - Mostra CineBH de 2007

Era o início de uma trajetória baseada em uma convicção: o cinema precisa estar presente na vida da cidade, ao alcance das pessoas e em diálogo permanente com seu tempo.

Duas décadas depois, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte chega à 20ª edição como uma realização que articula exibição, formação, reflexão, encontro com o público, valorização da produção local e conexão do cinema brasileiro com a indústria audiovisual internacional. 

Expansão da produção cinematográfica

A CineBH foi criada pela Universo Produção em um contexto no qual a produção cinematográfica brasileira se expandia, mas ainda enfrentava grandes dificuldades para chegar ao público. 

O fechamento progressivo dos cinemas de rua, a concentração das salas em shopping centers e o preço dos ingressos haviam afastado parte da população da experiência coletiva do cinema. 

Cine Belas Artes

Belo Horizonte, que chegou a contar com cerca de 120 cinemas de rua e de bairro, viu desaparecer espaços que eram referências de convivência, descoberta e vida comunitária. 

Criar a CineBH significava responder a essa transformação, aproximando novamente o cinema brasileiro do público e devolvendo a experiência cinematográfica aos espaços da cidade.

“A CineBH começou abrindo as portas de um cinema que estava fechado havia quase três décadas. Aquele gesto mostrava que não queríamos apenas realizar uma programação em Belo Horizonte, mas participar da vida da cidade, reconhecer sua história e criar novas possibilidades de encontro entre os filmes e o público”, afirma Raquel Hallak, diretora da Universo Produção e coordenadora-geral da CineBH.

Cine Sesc Palladium

Com o passar dos anos, a Mostra ampliou sua presença territorial. Cine Santa Tereza, Praça Duque de Caxias, Palácio das Artes, Cine Humberto Mauro, Sesc Palladium, Centro Cultural Banco do Brasil, Cine Theatro Brasil, Cine Belas Artes, Minas Tênis Clube, Teatro Sesiminas, Praça da Liberdade e outros espaços culturais passaram a integrar um circuito que aproximou o cinema de diferentes regiões e públicos.

Projetos brasileiros 

Integrado à CineBH desde 2010, o Brasil CineMundi nasceu para aproximar projetos brasileiros de produtores, distribuidores, agentes de vendas, fundos, festivais, laboratórios, canais, plataformas e outros representantes da indústria audiovisual mundial. 

Consolidou-se como evento de mercado do cinema brasileiro e como ambiente de desenvolvimento, formação, intercâmbio e internacionalização.


Em 2026, o encontro registrou o recorde de 375 inscrições e selecionou 37 projetos brasileiros, provenientes de 11 estados. A programação reúne mais de 200 profissionais da indústria audiovisual e representantes de 15 países em atividades de desenvolvimento, sessões de pitching, consultorias, encontros de negócios, masterclasses e debates.

Já a mostra A Cidade em Movimento, criada em 2016, apresenta filmes realizados na capital e na Região Metropolitana, com o objetivo de aproximar realizadores, coletivos, comunidades e público. Neste ano, completa a 11ª edição com o tema “Abecedário da Existência” e a apresentação de 17 filmes.

Cinema latino-americano

Com o tema “Cinema Latino-Americano: o que será?”, a 20ª CineBH propõe uma reflexão sobre as condições de criação, produção e circulação dos filmes no continente e sobre os futuros possíveis para suas cinematografias. 

Mostra Retrospectiva 20 Anos

Mostra Território

Mostra Vertentes

A edição reúne 102 filmes, entre 49 longas e 53 curtas-metragens, produções brasileiras de 18 estados e obras de 13 países, distribuídas em 69 sessões de cinema, além da programação on-line.

As competições Horizonte e Território apresentam 12 longas-metragens de sete países: Brasil, México, Argentina, Chile, Cuba, Colômbia e Venezuela. A programação inclui ainda as mostras Vertentes, Praça, CineMundi, Homenagem e Diálogos Históricos, A Cidade em Movimento, Curtas Contemporâneos, Retrospectiva CineBH 20 Anos, Olhares da Argentina, Mostrinha e Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema.

A programação apresenta também os livros “Territórios do Cinema – CineBH 20 Anos” e “O Cinema Brasileiro no Mundo – Brasil CineMundi 17 Edições”. As publicações reúnem artigos, reflexões, dados, registros históricos e diferentes perspectivas sobre cinema, cidade, formação, mercado, coprodução, internacionalização e circulação.


SERVIÇO:
20ª CineBH - Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e 17º Brasil CineMundi - Encontro Internacional de Coprodução
Data: 22 a 27 de setembro de 2026
Programação: gratuita
Locais: Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil Vallourec (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Cenro Cultural Unimed-BH Minas, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade
Informações: Site oficial do evento: www.cinebh.com.br ou pelo telefone (31) 3282-2366



09 agosto 2025

Qual filme você assistiria com seu maior amigo?

 

  

Equipe do Cinema no Escurinho

 
Chegamos a mais um Dia dos Pais. E se aqui, no mundo real tem pais de todos os tipos, ausentes, presentes, despachados, formais e vários outros... na dramaturgia não seria diferente, né? 

Aqui vai uma listinha da equipe do Cinema no Escurinho, pra você se divertir, se emocionar, odiar, ou até questionar por que aquele pai daquela série ou daquele filme não apareceu por aqui. Deixe seu comentário também.

Eduardo Jr.
- Julius ("Todo Mundo Odeia o Chris")
- Joel ("The Last of Us")
- Don Vito Corleone ("O Poderoso Chefão")
- Mufasa ("Mufasa: O Rei Leão")
- Chris Gardner ("À Procura da Felicidade")


Marcos Tadeu
- Jack ("This is Us")
- Gepeto ("Pinóquio")
- Marlin ("Procurando Nemo")
- Francisco ("2 Filhos de Francisco")
- Max ("Meu Filho, Nosso Mundo")
 
Mirtes Helena Scalioni
- David Sheff ("Querido Menino")
- Osamu Shibata ("Assunto de Família")
- Memo - ("O Milagre da Cela 7")
- Chris Gardner ("À Procura da Felicidade")
- Anthony ("Meu Pai")



Maristela Bretas

- Parker ("Sempre a Seu Lado")
- Darth Vader ("Star Wars")
- Ben ("Capitão Fantástico")
- Bryan Mills ("Busca Implacável")
- Indiana Pai ("Indiana Jones e a Última Caçada")
 
Filipe Mateus
- Guido ("A Vida é Bela")
- Nate Oullman ("Extraordinário")
- Eddie Palmer "(Palmer")
- Joe Kingman ("Treinando o Papai")
- Luiz Gonzaga ("Gonzaga de Pai pra Filho")



Silvana Monteiro
- Richard ("King Richard: Criando Campeãs")
- Memo ("O Milagre da Cela 7")
- Dr. Seyolo Zantoko ("Bem-vindo a Marly-Gomont")
- Ollie Trinke ("Menina dos Olhos")
- Harry Hamilton ("Tal Pai, Tal Filha")

 
SUGESTÕES DE ANIMAÇÕES
- Shrek - "Shrek Terceiro" (2007)
- Stoico - "Como Treinar Seu Dragão" (2010)
- Drácula - "Hotel Transilvânia" (2012)
- Roz - "Robô Selvagem" (2024)
- Gru - "Meu Malvado Favorito" (2010)
- Beto - "Os Incríveis" (2004)
- Grug - "Os Croods" (2013)
- Homer Simpson - "Os Simpsons" (a partir de 1989)
- Sr. Anderson - "Divertida Mente" (2015)





12 julho 2025

“Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá” é a própria história em movimento

Um filme feito por indígenas, com indígenas, para indígenas, mas também o reflexo do Brasil
(Fotos: Embaúba Filmes)
 
 

Silvana Monteiro

 
Em cartaz nos cinemas, “Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá” é um documentário que se apresenta como um memorial à identidade, à terra indígena, seus filhos e filhas. É uma obra que eu ousaria em batizar de: “os indígenas ainda estão aqui”, apesar de todas as injustiças as quais não devemos nos esquecer. 

Dirigido por Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna, o filme acompanha a travessia das irmãs Maxakali em busca da memória de seu pai, Luiz Kaiowá, separado delas há 40 anos, durante a ditadura militar. O que começa como um retrato íntimo logo se revela parte de uma memória coletiva, marcada por silenciamentos, apagamentos, dor. 


O desaparecimento forçado, que muitos brasileiros ainda insistem em relativizar, se mostra aqui em sua dimensão mais cruel: a que atinge o afeto, a identidade, o pertencimento não só de duas mulheres, mas de um povo.

O tempo cênico do filme é o tempo da escuta. Nada se apressa. Os planos longos, a cadência dos gestos, o caminhar da câmera, tudo nos convida a permanecer para procurar e saber. Não se trata de observar de fora, mas de estar junto, de ouvir o relato dos mais velhos, daqueles guardiões da memória. 

O cinema, nesse caso, é de imersão. E como quem procura só deseja encontrar, de qualquer forma que seja a obra nos faz sentir que estamos juntos, olhando pelos olhos de quem busca e buscando com eles. 

Família kaiowá-makaxali, que se reencontrou
40 anos depois, em 2022, na aldeia Panambizinho:
da esquerda para a direita, Sueli Makaxali,
Ceila Kaiowá, Luis Kaiowá,  Maiza Makaxali
e Vanusa Makaxali

Um filme feito por indígenas, com indígenas, para indígenas, mas também o reflexo do Brasil. Um país, que embora indígena, precisa, com urgência, se reconhecer em suas ausências e encarar o que fez e ainda faz com seus povos originários.

A busca pelo reencontro com o pai é também uma forma de reencontrar a língua, a visão de mundo, a terra como extensão do corpo. E a presença de Sueli, não só diante das câmeras, mas atrás delas, conduzindo a narrativa da sua própria vida, é de uma potência rara. 

A beleza do filme está nesse entrelaçamento entre o pessoal e o coletivo, entre a busca, os vácuos, os encontros, entre o que foi tirado e o que resiste. A terra, por sua vez, tal como território e dimensão do ser, não é só o cenário da obra, é a territorialização de corpo e alma.  


Ponto alto para as cenas de ritos, o cotidiano do cozer a roupa e o dividir do alimento entre os parentes, a conquista de direitos básicos e os diálogos intimistas. Bem como as lutas enfrentadas pelos povos indígenas Tikmũ’ũn e Kaiowá em defesa de seus territórios e modos de vida.

Ao fim, embora dê um nó na garganta, essa sensação é necessária à composição e missão dessa obra. Há um vazio que permanece e um incômodo que se recusa a ir embora. 

“Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá” é mais do que um filme sobre o passado. É um lembrete de que a democracia que construímos, ou achamos ter construído, não é plena enquanto essas histórias não forem plenamente reconhecidas e ressignificadas.


Gravações em Minas e Mato Grosso do Sul

As filmagens foram realizadas tanto na Aldeia-Escola-Floresta, retomada em 2021 por cem famílias maxakali em Minas Gerais, quanto nas Terras Indígenas Panambi-Lagoa Rica, Panambizinho e Laranjeira Ñanderu, do povo Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul.
 
Os dois territórios ainda são marcados pelas graves violações de direitos humanos que sofreram no período militar, como o esbulho de terras e remoções forçadas. 

"Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá" já recebeu os prêmios de Melhor Direção no Festival de Brasília (2024), Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival Cachoeira DOC e entrou na Seleção Oficial Olhar de Cinema, do Festival de Curitiba, ambos em 2025.


Ficha técnica:
Direção: Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero, Luisa Lanna
Roteiro: Sueli Maxakali, Roberto Romero, Tatiane Klein e Luisa Lanna.
Produção: Escola Aldeia Floresta, Batráquia Filmes, Filmes de Quintal, Javali do Mar
Idioma: Maxakali, Kaiowá, Português (com legendas)
Distribuição: Embaúba Filmes
Exibição: UNA Cine Belas Artes e Centro Cultural Unimed-BH Minas
Duração: 1h33
Classificação: 12 anos
País: Brasil
Gênero: documentário

26 maio 2025

"Lilo & Stitch", a animação que encantou o público em 2002 e ganhou um live-action

O charme do filme está na simplicidade ao mostrar que mesmo sendo de mundos diferentes, um precisa
do outro (Foto: Walt Disney Pictures)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema


No dia 22 de maio de 2002, chegava aos cinemas brasileiros uma das animações mais adoráveis e anárquicas da Disney: "Lilo & Stitch". Um sucesso que garantiu uma bilheteria de US$ 273 milhões e a indicação ao Oscar na categoria naquele ano.

Passados 23 anos, "Lilo & Stitch" ganhou um remake, que estreou nos cinemas em live-action (confira a crítica aqui) e está atraindo milhares de fãs, de todas as idades, especialmente famílias. Para quem não assistiu a animação original, ela pode ser conferida no canal por assinatura Disney+.


Trazendo uma aventura em solo havaiano, o filme nos apresenta a Experiência 626 — um alienígena violento, mas irresistivelmente fofo — e a pequena e rebelde Lilo, duas figuras deslocadas que vão precisar uma da outra para entender o verdadeiro significado da palavra "ohana".

Lilo é uma menina solitária, criativa e com um coração enorme. Ela recolhe lixo nas praias para proteger os animais marinhos, enquanto tenta lidar com a ausência dos pais e o convívio com a irmã mais velha, Nani, que luta para sustentar as duas e manter a guarda da caçula. 


A rotina muda drasticamente quando Lilo adota Stitch, um “cachorro” estranho e destruidor que, na verdade, é uma criatura alienígena foragida. Juntos, a dupla constrói uma amizade improvável, cheia de caos, mas também de descobertas emocionais.

O charme de “Lilo & Stitch” está na sua simplicidade. Mesmo sendo de mundos completamente diferentes, Stitch precisa de Lilo tanto quanto ela precisa dele. Ela o ensina o que é amor, cuidado e pertencimento. 

Se há algo que a menina aprende e ensina com toda essa jornada é que "ohana' significa família, e família nunca abandona ou esquece.


Apesar de sua origem destrutiva, Stitch vai sendo moldado pelo afeto — e sua convivência com Lilo, Nani e até com o cientista maluco Jumba (seu criador). Mostra que, às vezes, só é preciso alguém que enxergue além das aparências para despertar o melhor em nós.

Outro ponto que encanta é o cenário: o Havaí, com sua energia solar, vibrante e cultural, casa perfeitamente com o caos fofo de Stitch. Os diretores Chris Sanders e Dean DeBlois acertaram ao incorporar elementos como o surf, a espiritualidade havaiana, e a trilha sonora com toques de Elvis Presley. 

É uma mistura que traz frescor e originalidade à animação. Confira aqui uma das músicas.


Visualmente, o longa é um presente. Com fundos pintados em aquarela e um estilo que remete à animação 2D clássica, “Lilo & Stitch” tem um toque artesanal, quase nostálgico, que contrasta com sua trama moderna e subversiva.

Vale lembrar que, no material de divulgação, tanto da animação quanto do live-action, Stitch invade pôsteres de outros filmes da Disney, assustando princesas, príncipes e personagens do estúdio — um sinal claro de que esse "monstrinho azul" não estava aqui para seguir as regras.


Já Lilo é uma das representações mais autênticas da infância no cinema: cheia de imaginação, imprevisível, birrenta, afetuosa. Ela não é a menina idealizada — e justamente por isso, é real e inesquecível. 

Stitch, por sua vez, é a metáfora perfeita para o "monstro" que existe em cada um de nós, e que pode ser transformado pelo amor e pela convivência.


Se há uma pequena falha, talvez seja o espaço dado à história de Nani. A animação não aprofunda muito o contexto das dificuldades que ela enfrentou para criar Lilo sozinha, mas, mesmo assim, é impossível não admirar sua força, coragem e dedicação. O live-action repara isso e dá mais espaço a Nani.

“Lilo & Stitch” é uma animação que merece ser (re) vista com carinho. É um filme sobre pertencimento, laços improváveis que viram amor — e como, mesmo sendo diferentes, todos temos valor. Ohana nunca abandona. E esse filme também não.


Ficha técnica:
Direção e roteiro: Chris Sanders e Dean DeBois
Produção e distribuição: Walt Disney Pictures
Exibição: Canal Disney+
Duração: 1h25
Classificação: Livre
País: EUA
Gêneros: animação, aventura, família, comédia

04 agosto 2023

Cine Santa Tereza exibe mostra gratuita do "Novo Cinema Ibero-americano"

Sessões serão presenciais entre os dias 10 e 13 de agosto (Foto: Ricardo Laf/PBH)


Da Redação


O Instituto Cervantes, em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e com a colaboração do Festival de Huelva de Cinema ibero-americano, realiza a mostra de cinema “Novo Cinema Ibero-americano – Histórias que não te Contaram”, entre os dias 10 a 13 de agosto. As sessões gratuitas e presenciais ocorrem a partir das 19 horas, no Cine Santa Tereza.

O programa apresenta a diversidade e a força dos filmes realizados no continente. É uma oportunidade para os mineiros apreciarem a mostra que aborda mais de perto cinematografias ibero-americanas menos conhecidas do grande público, como o cinema peruano e dominicano. Além disso, inclui obras da Argentina e da Colômbia, cujos cinemas nacionais têm tido um enorme destaque desde o final do século passado.

"Miriam Miente" (Divulgação)

Os quatro filmes que integram a mostra, levam algumas reflexões para o público. A tensão e a dor sofridas pelas protagonistas de "Miriam Miente" e "El Otro Tom" revelam como as mulheres são as primeiras vítimas dos desequilíbrios sociais e das novas formas de se relacionar, no primeiro caso. 

Na segunda obra, a abordagem é sobre a violência e a dificuldade de lidar com transtornos mentais e emocionais. 

O ambiente de trabalho e os conflitos na gestão dos recursos humanos e como estes se tornaram espaços mais invisíveis, mas não menos injustos é um dos temas de "Planta Permanente". 

Por fim, em "Pizarro" é elaborada uma abordagem da memória histórica colombiana a partir da liderança compartilhada da protagonista e seu pai, um comandante assassinado após a assinatura dos acordos de paz.

"El Otro Tom" (Divulgação)

O diretor do Instituto Cervantes de Belo Horizonte, Eduardo Maura comenta que “Historias que no te cuentan é uma janela aberta para histórias que vêm de além-mar, mas que elaboram discursos e questões tão universais que, como espectadores, não podemos deixar de pensar a partir da nossa própria cultura e da nossa própria identidade”.

Os interessados podem retirar os ingressos gratuitos clicando aqui  ou na bilheteria (meia hora antes da sessão).

Programação:

10/08 – 19h - Miriam Miente (República Dominicana e Espanha, 2018)
Direção: Natalia Cabral e Oriol Estrada
Sinopse: À medida que o seu 15º aniversário se aproxima, Miriam não sabe como explicar à sua família que o namorado que ela conheceu online é negro.
Duração: 1h30 (legendado)
Classificação: maiores de 12 anos

11/08 – 19h - El Otro Tom (México, 2021)
Direção: Laura Santullo e Rodrigo Plá
Sinopse: Uma mãe corre o risco de perder a guarda do filho ao se recusar a medicar seu TDAH.
Duração: 1h51 (legendado)
Classificação: maiores de 12 anos

"Pizarro" (Divulgação)

12/08 –19h - Pizarro (Colombia, 2015)
Direção: Simón Hernández
Sinopse: María José, em seu exílio em Barcelona, percebe que não pode escapar do fantasma de seu pai, Carlos Pizarro. Pizarro é uma figura icônica da guerra e da paz na Colômbia. Vinte anos após seu assassinato, ela retorna ao seu país para entender as causas que levaram a esse assassinato e descobrir um capítulo esquecido da história do país, silenciado pela violência e o medo.
Duração: 1h22 (legendado)
Classificação: maiores de 12 anos

13/08 – 19h - Planta Permanente (Argentina 2019)
Direção: Ezequiel Radusky
Sinopse: Lila é a zeladora de um escritório há 30 anos. Ela decide mudar um pouco a rotina do lugar ao pedir para a gerência a autorização para reformar o refeitório do local. Mas sua pequena revolução é recebida com grande resistência.
Duração: 1h18 (legendado)
Classificação: maiores de 12 anos

"Planta Permanente" (Divulgação)

Serviço:
Mostra de Cinema “Novo Cinema Ibero-americano - Histórias que não te Contaram”
Data: 10 a 13 de agosto
Horário: 19 às 21 horas
Local: Cine Santa Tereza - Rua Estrela do Sul, 89 – bairro Santa Tereza (BH)
Entrada: gratuita (Retirada de ingressos pelo link do Sympla)
Mais informações: https://belohorizonte.cervantes.es/

11 janeiro 2023

Com ótimas credenciais, "I Wanna Dance With Somebody" revive trajetória de Whitney Houston

Produção sobre a icônica cantora recebeu uma brilhante interpretação de Naomi Ackie (Fotos: CTMG/Divulgação)


Patrícia Cassese


Nos últimos anos, várias produções cinematográficas têm se debruçado sobre a trajetória de grandes fenômenos da música, como Freddie Mercury (1946-1991), Elton John (1947 -) e Elvis Presley (1935-1977) - a saber: "Bohemian Rhapsody" (2018), "Rocketman" (2019) e "Elvis" (2022).

Outro título recente que se filia a esse veio foi "Judy: Muito Além do Arco-Íris" (2020), embora, no caso, o foco fosse uma persona que desenvolveu carreira bem sucedida tanto na música quanto no cinema: Judy Garland (1922-1969).

Nesta quinta-feira (12), dia em que "I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston" adentra os cinemas de todo o país, é hora de o espectador saber um pouco mais sobre a história da cantora norte-americana Whitney Elizabeth Houston, falecida precocemente em 11 de fevereiro de 2012, aos 48 anos.


Para quem não se lembra, a cantora foi encontrada afogada na banheira de um hotel (Beverly Hilton) em Los Angeles. O laudo pericial apontou que, além de uma cardiopatia, Whitney havia consumido cocaína e outras drogas (algumas legalizadas, que ela utilizava inclusive com prescrição médica).

Tal como nos exemplos de filmes citados anteriormente (evidentemente, há dezenas de outras produções da sétima arte dedicadas a ícones da música, mas estamos fazendo um recorte entre alguns dos mais recentes), Whitney Houston teve uma carreira de sucesso não só em seu país de origem, mas no mundo todo.


Canções de seu repertório, como "I Will Always Love You", seguem sendo bastante executadas nas rádios. Aliás, sobre o hit, "I Wanna Dance" revela um fato que nem todos os fãs da interpretação da diva conhecem: a canção foi escrita e gravada por Dolly Parton, em 1973, tendo não só alcançado o topo da parada country nos meses seguintes como novamente em 1982, quando a cantora e atriz a regravou para o filme "A Melhor Casa Suspeita do Texas".

Sim, detalhes como esse estão entre os bons chamarizes da nova produção de Kasi Lemmons (de "Harriet", filme de 2019), que, cumpre frisar, tem roteiro do neozelandês Anthony McCarten, o mesmo que escreveu o já citado "Bohemian Rhapsody".


Mas o filme está longe de satisfazer apenas os fãs de Houston. O primeiro acerto a ser mencionado é a escolha da protagonista: Naomi Ackie, que, vale dizer, é britânica. Uma pesquisa na trajetória da moça conta que, apesar dos poucos papéis na sétima arte, a atriz tem feito bonito no que tange a indicações. Certamente não será diferente aqui.

Dona de uma beleza estonteante, Naomi consegue transitar pelas várias fases e estados da cantora (do início da carreira ao final, da pureza do início da carreira ao reconhecimento do declínio da extensão vocal, passando pelo espectro das drogas) com brilhantismo.

Embora as interpretações musicais vistas na tela tragam a voz original de Whitney Houston, Naomi é também cantora e caprichou em suas interpretações (depois sobrepostas) para conferir veracidade às cenas.


O restante do elenco não fica aquém, a começar do excepcional Stanley Tucci envergando as vestes do produtor Clive Davis - que, diga-se de passagem, é um dos produtores do filme. 

Aqui, um pequeno desvio da análise do filme: aos 62 anos, Tucci sempre foi aquele ator que, mesmo não estando no papel de protagonista, dá farta contribuição ao êxito de produções como "O Diabo Veste Prada" (2006) ou "O Terminal" (2004).

Neste momento, ele mostra claramente sua potência na excelente série de suspense "Inside Man" (Netflix), onde dá vida a um preso no corredor da morte que, por sua inteligência e sagacidade, acaba ajudando na elucidação de outros crimes de difícil solução para a polícia. Anote na sua agenda, vale demais.


Como Clive, Tucci está simplesmente perfeito. E uma curiosidade: ao contrário da mítica figura do produtor e/ou empresário que explora o artista até extrair tudo o que ele tinha a oferecer, para então descartá-lo, Clive se mostra um dos mais devotados parceiros de Whitney Houston.

Ele acolheu e acatou seus desejos, ainda que esses, a início, possam soar como caprichos - como quando ela decide que quer porque quer fazer cinema. É ele também que a alerta quanto à necessidade de uma reabilitação, citando o exemplo de Judy Garland (por isso a menção ao filme no início desta matéria).

Hoje com 90 anos, Clive Davis é aquela espécie de Midas da indústria. Responde como descobridor do Aerosmith e de Janis Joplin, além de ter trabalhado, na Arista, gravadora que fundou, com ícones como Patti Smith, Barry Manilow, Aretha Franklin, Dionne Warwick e Annie Lennox, para citar alguns.


Todos os outros atores do elenco se mostram escolhas corretíssimas, mas vale destacar particularmente a atriz Tamara Tunie, como Cissy Houston, a mãe da cantora, que na primeira cena aparece como uma tutora quase implacável, mas que se revela plena de afetos e orgulho da cria.

E, ainda, Nafessa Williams (como Robyn Crawford, a grande parceira - afetiva e na carreira, como assistente-executiva - da cantora); Ashton Sanders (como Bobby Brown, marido de Whitney) e Clarke Peters (dando vida ao pai da diva, John Houston). 

Os dois últimos, os grandes responsáveis pelas maiores dores de cabeça na vida de Whitney Houston - tendo o pai dilapidado uma parte absurda da fortuna da cantora.


Na condução dessa cinebiografia, Kasi Lemmons faz escolhas bem interessantes. Ao falar de "O Guarda-Costas" (1992), filme de Mick Jackson que estourou nos cinemas de todo mundo, o parceiro de tela de Whitney Houston, o astro Kevin Costner, não aparece sendo vivido por nenhum ator: no lugar desse artifício, o espectador vê uma cena do filme.

Idem para a menção à antológica participação da cantora no programa de Oprah Winfrey, em 2009, depois de sete anos sem conceder entrevistas (após a mal sucedida experiência ocorrida em 2002, quando foi entrevistada por Diane Sawyer, da ABC News). 

"A melhor entrevista que já fiz na vida", disse posteriormente a icônica apresentadora. “Para mim, Whitney era a voz. A gente poderia escutar Deus por meio dela cantando. O coração era pesado, mas o espírito era agradecido pelo seu dom”.


Outra decisão é não falar sobre a trágica morte da única filha de Whitney Houston. Bobbi Kristina Brown (no filme interpretada por várias atrizes, como Bria Danielle Singleton) faleceu em 26 de julho de 2015, com apenas 22 anos de idade. 

Em janeiro daquele ano, ela foi encontrada inconsciente na banheira de sua casa, em Atlanta. Bobbi chegou a ser reanimada, mas sua atividade cerebral já havia sido bastante afetada.

Em junho, diante da irreversibilidade do quadro, ela passou a receber cuidados paliativos, vindo a óbito no mês seguinte. A necropsia apontou como causas da morte uma pneumonia e má irrigação de sangue no cérebro, consequências, na verdade, de ter ficado muito tempo imersa na banheira, desacordada - o que, por sua vez, teria sido provocado pelo uso de drogas. O corpo de Bobbi foi enterrado ao lado do de Whitney.


Whitney Houston (Reprodução)

Em tempo: nos últimos anos de vida, Whitney conseguiu pagar suas dívidas e ainda deixou um valor considerável para a filha. Com a morte dessa, o dinheiro acabou ficando para a mãe e os irmãos da cantora, Michael e Gary. 

Hoje aos 89 anos, Cissy - que também se firmou como cantora - é tia materna das intérpretes Dee Dee Warwick e Dionne Warwick. Já a madrinha de Whitney Houston era ninguém menos que Aretha Franklin. 

Confira, a seguir, alguns dos marcos da carreira de Whitney, listados pela Wikipedia, a partir de várias fontes:

* Seu álbum de estreia, Whitney Houston, foi o primeiro de uma cantora a vender 25 milhões de unidades, com as vendas dos discos certificadas. 

* "Whitney", seu segundo disco, tornou-se o primeiro a estrear no topo dos mais vendidos nos EUA e Reino Unido simultaneamente.

* Única artista com sete singles consecutivos a atingirem a primeira posição nas paradas de sucessos dos EUA, o recorde mantém-se até hoje.

* Whitney foi a primeira artista feminina a ter 3 singles número #1 de um álbum (Whitney Houston - 1985).

* Whitney foi a primeira artista feminina a ter 4 singles número #1 de um álbum (Whitney - 1987).

* "The Star Spangled Banner" foi a única versão do hino nacional norte-americanos a ser certificada platina, vendendo mais de 1 milhão de cópias.

* A maior certificação inicial de qualquer álbum pela RIAA foi para "The Bodyguard", cuja primeira certificação foi para as vendas de mais de seis milhões de cópias.

* "The Bodyguard" foi o segundo álbum mais vendido por uma artista feminina estrangeira no Brasil, mais de 1 milhão de cópias.

* "The BodyGuard" foi o 4º álbum mais vendido de todos os tempos.

* "The Bodyguard" foi a maior trilha-sonora do mundo vendendo mais de trinta e três milhões de exemplares de 1992 a 1999.

* "The Bodyguard" foi a trilha-sonora mais vendida da história, totalizando mais de quarenta e quatro milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

* "The Bodyguard" foi a primeira trilha-sonora a vender mais de 1 milhão de cópias em apenas uma semana.

* "The BodyGuard" foi o álbum mais vendido da década de 1990.

* "I Will Always Love You", segundo single mais vendido da década de 1990, com 10 milhões de cópias em todo o mundo.

* "I Will Always Love You" foi a 2° música de maior sucesso da história.

* "I Will Always Love You" foi a música mais executada entre 1992 e 1993.

* "The Bodyguard" foi o primeiro álbum pop a vender um milhão de cópias na Coreia.


* "The BodyGuard" foi o filme que mais fez sucesso tendo uma cantora como protagonista.

* Whitney ganhou um recorde de oito American Music Awards em 1994. Ela está empatada somente com Michael Jackson, que ganhou oito da AMA em 1984.

* Artista feminina com mais American Music Awards ganhos de todos os tempos, num total de vinte e dois.

* Whitney ganhou um recorde cinco World Music Awards na cerimônia em 1994, apenas igualada por Michael Jackson em 1996.

* Whitney foi a única artista com três álbuns a permanecer no topo do Top 200 da Billboard por mais de dez semanas "Whitney Houston" (14 semanas), "Whitney" (11 semanas) e "The Bodyguard" (20 semanas).

* Whitney tem a mais longa estadia no número um da Billboard Top Gospel Albuns Chart, quando "The Preacher's Wife" permaneceu 26 semanas.

* Recorde de 25 Billboard Music Awards vencidos.

* 20 Singles de Ouro e 7 Singles de Platina.

* Álbum Gospel mais vendido da história: "The Precher’s Wife".

* 32 canções no Top 10 da Billboard.

* 19 singles #1 mundialmente.

* Artista Feminina mais premiada da história certificada pelo 
Livro Guinness dos Recordes (Guinness World Record) em 2006.

* Artista que mais músicas teve interpretadas no American Idol, com mais de 1.150 das 70.000 audições durante o show da terceira temporada. A canção "I Have Nothing" foi interpretada na final 6 vezes, mais do que qualquer outra.



Ficha técnica:
Direção: Kasi Lemmons
Produção: TriStar Pictures / Sony Pictures
Distribuição: Sony Pictures
Exibição: nos cinemas
Duração: 2h26
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: biografia, musical, drama