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17 fevereiro 2026

"Uma Batalha Após a Outra" escancara o patriotismo, o delírio e as feridas da imigração na América

Leonardo DiCaprio protagoniza um libertador acidental que tenta reacender a esperança em meio ao
colapso de seu país (Fotos: Warner Bros. Pictures)
 
 

Marcos Tadeu
Parceiro do blog Jornalista de Cinema

 
Com 13 indicações ao Oscar 2026, nove indicações ao Globo de Ouro e 14 ao Critics Choice Awards está em exibição na HBO Max um dos lançamentos mais aclamados do ano: "Uma Batalha Após a Outra" ("One Battle After Another"). 

A produção foi lançada na plataforma como parte do selo Do Cine pra HBO Max, responsável por levar as principais estreias do cinema para o streaming.

O novo filme de Paul Thomas Anderson, estrelado por Leonardo DiCaprio, Benicio Del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor, Sean Penn, Alana Haim e Chase Infiniti, é uma mistura explosiva de ação, sátira política e drama social.


Na trama, Perfídia Beverly Hills (Teyana Taylor), uma revolucionária intensa, desaparece logo após dar à luz, deixando o companheiro Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio) responsável por criar a filha, Willa (Chase Infiniti). 

Anos depois, o temido Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn) ressurge em busca de vingança e coloca pai e filha na mira.

Os dois são forçados a fugir, enfrentar verdades que sempre evitaram e aprender a confiar um no outro. Com a ajuda do misterioso Sensei Sérgio (Benicio Del Toro), embarcam em uma jornada que mistura adrenalina, conflitos sociais e um país prestes a desabar.


A obra mergulha de cabeça nas contradições dos Estados Unidos, esse lugar que se vende como “terra das oportunidades”, mas onde imigrantes vivem presos entre esperança e medo. 

Anderson transforma isso em narrativa: ali, ser imigrante é lutar duas vezes contra as dificuldades da vida e contra o preconceito de quem acredita que só “o americano de verdade” merece espaço. 

DiCaprio encarna um libertador acidental, alguém que tenta reacender a esperança em meio ao colapso. A ideia de revolução aparece como um grito contido, nascido do cansaço de quem percebe que o país só funciona para poucos.


O elenco brilha, especialmente na química entre DiCaprio e Chase Infiniti, que entregam momentos de pura sintonia. O ator vive um personagem dúbio, que oscila entre lucidez e loucura e é justamente nesse desequilíbrio que o filme encontra força. 

Ele brinca com o absurdo, faz piadas sobre o caos ao redor e, ao mesmo tempo, revela um homem movido por propósito. Teyana Taylor, Chase Infiniti e Regina Hall (Deandra) se destacam igualmente, sustentando a narrativa com intensidade e carisma.


No meio desse circo político, DiCaprio surge como o único que parece entender o tamanho da farsa. Enquanto os poderosos se vestem de generais e transformam o país numa caricatura, ele atravessa o caos com aquele olhar cansado de quem já entendeu que nada faz sentido. 

Seu personagem vira o guia involuntário do espectador, tenta ajudar, organizar, salvar, mas tudo ao redor é tão absurdo que sua lucidez vira quase cômica. Ele representa o americano que vê o sistema desmoronar, consciente demais para acreditar nas mentiras e cansado demais para ainda lutar contra elas.


Sean Penn, como o Coronel Lockjaw, é o retrato vivo do extremismo: um homem que acredita tanto na própria virilidade e patriotismo que não enxerga o vazio por trás disso. É uma mistura perigosa de insegurança, grosseria e ignorância vendida como coragem.  

O personagem expõe a base do preconceito e a incapacidade de lidar com a própria fragilidade. Ele é o símbolo da América que defende seus ideais com unhas e dentes, mesmo que isso signifique destruir tudo em nome deles.


O principal problema está no ritmo: há momentos que disparam e outros que se arrastam, especialmente quando o longa tenta equilibrar ação com discurso político. A crítica aos supremacistas brancos, embora necessária e poderosa, às vezes soa repetitiva e excessivamente explicativa, perdendo a sutileza que Anderson domina tão bem.

Mesmo assim, “Uma Batalha Após a Outra” é um dos filmes mais provocativos de 2025, uma obra para ver e rever, cada vez descobrindo novas camadas. 

Anderson entrega um retrato ácido e hilário da América contemporânea, cheia de contradições, egos e delírios. Um espelho incômodo de um país que insiste em lutar contra os próprios fantasmas.


Ficha técnica:
Direção: Paul Thomas Anderson
Produção: Warner Bros. Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Exibição: HBO Max
Duração: 2h42
Classificação: 16 anos
País: EUA
Gêneros: comédia, drama, ação

20 fevereiro 2018

Daniel Day-Lewis se despede com "Trama Fantasma", um de seus melhores papéis

Drama aborda a conturbada relação entre o costureiro Reynolds Woodcock e Alma, uma garçonete que se tornou sua musa inspiradora (Fotos: Universal Pictures/Divulgação)

Maristela Bretas


Anunciado como seu último trabalho no cinema, Daniel Day-Lewis entrega em "Trama Fantasma" ("Phantom Thread") uma interpretação impecável do excêntrico costureiro Reynolds Woodcock, um homem que se inspirava nas mulheres com quem se relacionava sem compromisso, mas que não conseguia dar um passo sem a aprovação da irmã.

Daniel Day-Lewis passeia com competência pelos dois perfis de seu personagem - o renomado e confiante Woodcock, costureiro da realeza e da elite britânica, e o fraco e carente Reynolds, dependente e controlado pelas duas mulheres que ama na vida. Por este papel, ele é um dos fortes candidatos ao Oscar 2018 como Melhor Ator.

Lesley Manville, como a irmã Cyril, e Vicky Krieps, como a garçonete Alma, que se torna a mais nova musa inspiradora e amante do costureiro, são a perfeita combinação para compor o triângulo na vida de Woodcock e ajudar a dar mais brilho ao personagem de Daniel Day-Lewis. Lesley Manville está na disputa da estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante. Muito justa a indicação.

O figurino de "Trama Fantasma" também concorre à maior premiação do cinema nesta categoria. A reconstituição de época - a história se passa na década de 1950 - com os figurinos deslumbrantes, principalmente as criações do estilista para Alma desfilar com ele pela sociedade, é um dos pontos positivos da elegante produção.

No drama, Reynolds Woodcock é um homem carente, ciumento, egocêntrico e perfeccionista, cercado por funcionários e bajuladores, que é controlado até em suas relações amorosas pela irmã Cyril sua aliada na Maison. Ele nunca se prende a nenhuma mulher, até conhecer Alma, uma garçonete simples que irá se tornar sua amante e musa inspiradora. 

Apesar de parecer frágil, ela fará uma revolução na vida de Woodcock e será capaz de tudo para manter o controle sobre seu grande amor.

O roteiro de Paul Thomas Anderson, também diretor e produtor de "Trama Fantasma", é muito bom, conduz a um labirinto de emoções do personagem principal. O elenco cumpre muito bem seu papel, ancorado pela bela trilha sonora instrumental de piano de Jonny Greenwood. Mas do meio em diante a história se torna cansativa, arrastada. São 2h11 que parecem 4 horas. O final, apesar de não surpreender, agrada, mas dificilmente vai superar os dois mais cotados - "A Forma da Água" e "Três Anúncios Para um Crime".



Ficha técnica:
Direção, produção e roteiro: Paul Thomas Anderson
Produção: Annapurna Pictures / Focus Features
Distribuição: Universal Pictures do Brasil
Duração: 2h11
Gênero: Drama
País: EUA
Classificação: 14 anos
Nota: 4 (0 a 5)

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